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Arquivo de maio, 2010

30/05/2010 - 10:20

Que Brasil é este dos 5% do contra?

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Atualizado às 21h50 de 1º de junho

Caros leitores,

desde o começo da tarde de ontem, segunda-feira, como podem ver pelos comentários aqui publicados , estou sofrendo ataques ferozes de um setor da blogosfera citado no último domingo no meu post sobre o Brasil dos 5% do contra que, em todas as pesquisas, consideram o governo ruim ou péssimo.

Não fiz ameaça alguma a ninguém, apenas mostrei uma curiosidade estatística que me chamou a atenção. Usei o verbo investigar, como está bem claro, no sentido de pesquisar, estudar, tentar entender. Basta ver o texto abaixo.

Jamais respondi nem vou responder a esta gente que age de má-fé, em respeito a mim mesmo e aos leitores do Balaio.  Podem esperar sentados.

Em tempo: como eles insistem e não desistem, repito o que já escrevi outras vezes. Não vou ficar aqui batendo palmas pra ver louco dançar. Não irei alimentar a central da infâmia que está entrando em fase de desespero diante das últimas pesquisas da campanha eleitoral.

Grato pela compreensão, um abraço

Ricardo Kotscho

***

O tema do Balaio deste domingo vale uma pesquisa em profundidade, uma tese acadêmica  ou mesmo uma capa de revista: que Brasil é este dos 5%?

Entra pesquisa, sai pesquisa, eles estão sempre lá do mesmo tamanho. São os que consideram o governo Lula ruim ou péssimo. A aprovação do presidente e do governo pode variar entre 70 e 80%, conforme o instituto, os restantes ficam na categoria regular e, invariavelmente, temos os 5% de insatisfeitos com os rumos do país, tanto faz o que esteja acontecendo naquele momento de bom ou ruim.

Quem são eles, onde vivem, o que fazem, o que pensam? Já que ninguém se atreve a investigá-los, disponho-me aqui a encontrar algumas respostas sobre o perfil deste minoritário, mas sólido contingente de brasileiros que não mudam de opinião, mesmo remando contra a maré.

Mais do que um posicionamento político-partidário ou mesmo ideológico, como à primeira vista indicam as pesquisas, creio que se trata de um fenômeno psíquico, algo mais ligado aos sentimentos do que à razão, ao comportamento humano de um núcleo duro que é do contra porque é do contra, quaisquer que sejam suas motivações.

Em termos absolutos, estes 5% representam mais ou menos 9 milhões de brasileiros, o mesmo universo dos que lêem habitualmente jornais e revistas da grande mídia, o que pode representar uma primeira pista para entendermos seu pensamento.

Noto isto pelos comentários dos leitores publicados aqui no Balaio. Qualquer que seja o assunto, política, futebol, literatura, música, cinema, observações de viagem, mulheres bonitas, praias, botecos ou buracos de rua, sempre aparecem os mesmos comentaristas, escrevendo as mesmas coisas, com os mesmos argumentos: nada funciona, ninguém presta, tudo está ruim, a vida não vale a pena.

Confundem o país com o governo, a vida real com o noticiário do poder, ao reproduzir o que lêem nas manchetes e nos editoriais dos grandes veículos, nos blogs da Veja.com, nas colunas de O Globo ou ouvem dos comentaristas da CBN e da Jovem Pan. Se você fala bem de alguma coisa acontecendo no país, logo te chamam de vendido, chapa-branca, idiota.

Não importa o assunto. Nas viagens pelo Brasil que fiz nas últimas semanas, falei da minha alegria em revisitar as cidades de Teresina e Rio de Janeiro, que me encantaram por algumas características que tornam a vida dos seus moradores mais agradável, mesmo com todos os problemas de qualquer capital, grande ou pequena.

A grande maioria dos leitores destes dois lugares gostou do que escrevi, até me agradeceu por falar bem destas cidades que normalmente só aparecem no noticiário pelo lado negativo, dando-se mais destaque às suas mazelas do que aos seus encantos.

Mas lá estavam também os 5% de sempre, que me esculhambaram por elogiar a cidade onde vivem, dizendo que eu não vi nada, que a vida ali é um inferno, que não existe nada de bom, que só pensam em ir embora de lá.

Teresina é administrada pelo PSDB e, o Rio, pelo PMDB, em aliança com o PT, o que me prova não se tratar de implicância partidária, mas de um estado de espírito.

Como não posso pedir ajuda aos universitários, apelo aos leitores para que juntos encontremos outras respostas capazes de explicar que Brasil é este dos 5%. Ou será que vivemos em países diferentes?

Belas reportagens na

Folha e no Estadão

Fui agradavelmente surpreendido esta manhã por duas reportagens de fôlego, publicadas nos dois grandes jornais paulistas, escritas por colegas da maior competência.

No Estadão, Lourival Sant´Anna viajou quase 13 mil quiômetros para apresentar “Um retrato do eleitor brasileiro”, tema de um alentado caderno especial publicado pelo jornal.

Na Folha, Fernando Canzian deu a manchete do jornal: “Nordeste do país cresce em ritmo de Chináfrica´”, por coincidência mesmo tema da reportagem que estou fazendo para a edição de junho da revista Brasileiros.

Recomendo vivamente aos balaieiros a leitura de ambas. É sempre um alento voltar a encontrar grandes reportagens na nossa imprensa, a melhor forma de diferenciar um jornal do outro e enfrentar a concorrência das novas mídias eletrônicas.

Bom domingo a todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
28/05/2010 - 09:31

Time de Dunga e eleições: o que vai dar?

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O que você está achando desta seleção do Dunga? Será que dá para ganhar a Copa? Vai dar Dilma ou Serra nas eleições?

Como sou jornalista, quando encontro os amigos nos botecos ou os parentes em reuniões de família, sempre me perguntam o que acho que vai acontecer, como se soubesse mais do que os outros e tivesse todas as informações e todas as respostas.  

Sei lá, costumo responder, para não dar corda a esta história de que jornalista é dono da verdade e senhor do futuro. De quatro em quatro anos, é a mesma coisa: tem Copa e depois vem a eleição, e todo mundo quer saber antes o que vai acontecer.

Alguns colegas até juntam uma coisa com outra e fazem enquetes para saber qual candidato vai ser beneficiado se a seleção brasileira ganhar ou perder a Copa, como houvesse uma relação de causa e efeito entre uma coisa e outra.

Mesmo sem apontar resultados, uma coisa tenho notado este ano: tanto o time do Dunga como os candidatos a presidente nas eleições de outubro ainda não foram capazes de empolgar a torcida.

A duas semanas do início do Mundial e a quatro meses das eleições, são raros os sinais de que os brasileiros desta vez estão entrando naquele clima de euforia verde-amarela, seja em defesa da seleção ou dos seus preferidos para a sucessão de Lula.

Ao contrário, depois de um mês viajando de norte a sul do país, passando por grandes e pequenas cidades, o que sinto desta vez é um anti-clima, tanto no futebol como na política, uma sensação de tanto faz como tanto fez, cada um mais preocupado em cuidar da sua vida.

Em anos anteriores de Copa e eleição, a esta altura do campeonato as pessoas já  pareciam mais motivadas, engajadas, querendo impor suas opiniões, enfeitando carros e casas com adesivos, bandeiras e cartazes. Estamos chegando ao final de maio e ainda não vi nada disso.

Talvez contribuam para isto, em 2010, as caras amarradas tanto de Dunga e seus guerreiros como as dos principais candidatos à Presidência da República, que não chegam a entusiasmar torcedores e eleitores, uns e outros meio desconfiados com o que vem pela frente.

Os temas levantados até agora nos debates da campanha eleitoral são tão entusiasmantes para o grande público quanto as entrevistas do Dunga, que anunciou ao mundo, em seu primeiro pronunciamento na África do Sul, a decisão de liberar os jogadores para receber visitas nas folgas e até fazer sexo no Mundial.

“Aí depende, cada um tem um gosto”, logo esclareceu. “Nem todo mundo gosta de sexo, nem todo mundo gosta de tomar seu vinho ou de sorvete”, explicou, sem dizer como chegou a estas brilhantes conclusões e o que isto tem a ver com as suas estratégias e táticas para levar a seleção a mais um título.

Podemos até ganhar mais uma Copa, é claro, até porque está tudo mais ou menos nivelado no futebol mundial, e não tem nenhuma seleção favorita desta vez,  mas o time de Dunga não consegue empolgar nem as crianças.

No aniversário do meu neto, na noite de quinta-feira, ficaram sobre a mesa todos os adereços verde-amarelos que minha filha comprou para enfeitar a festa. A criançada estava mais interessada no tal de Ben 10,  um novo super-herói de ficção que não joga bola. O oba-oba em torno da seleção, por enquanto, está mais nos anúncios da televisão do que nas ruas.

Da mesma forma, tirando as torcidas organizadas dos blogueiros da internet e os colunistas uniformizados da imprensa, ainda não vi tucano e petista nos botecos e nas ruas vestindo a camisa e partindo para a luta na defesa do seu partido. Que se passa?

Deixo a resposta para os caros leitores, assim como a pergunta do título.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/05/2010 - 11:39

Folha errou: “Lula-Lá” é de Hilton Acioly

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Uma das poucas vantagens de se ficar velho na profissão de jornalista é ter sido testemunha ocular de muitos fatos importantes no último meio século da vida brasileira. Por isso, não me conformo quando vejo uma história contada de um jeito errado, que não foi como ela aconteceu de verdade, por que eu estava lá, e sei do que estou falando.

É o caso da matéria publicada nesta quarta-feira pela nova Folha de S. Paulo (a reforma, diga-se, é um sucesso, o jornal melhorou muito, tanto na forma como no conteúdo) sob o título “Marina Silva recorre a inventor do Lula-Lá´”.

Segundo o jornal, “PV recruta Paulo de Tarso, mas diz rejeitar marqueteiro profissional´. Autor do jingle petista nas eleições de 1989 já prepara senadora para eventos; contrato ainda estaria em negociação”.

Não é verdade. Letra e música de “Lula-Lá”, o jingle que se tornou uma espécie de hino eleitoral do atual presidente em todas as eleições, desde 1989, são de autoria do compositor Hilton Acioly, que  foi parceiro de Geraldo Vandré em canções que fizeram muito sucesso nos antigos festivais de música popular brasileira.

O publicitário Paulo de Tarso Santos foi o responsável pelo programa de televisão batizado de “Rede Povo” no horário político, criação de um grupo de profissionais de comunicação ligados ao PT, do qual eu fazia parte, alguns deles trabalhando como voluntários depois do expediente em suas empresas.

Pois foi exatamente este o caso de Hilton Acioly, já compositor consagrado, que criou o jingle sozinho, e não cobrou nada por isso. Não foi fácil, no entanto, emplacá-lo no comando da campanha petista.

A começar pelo próprio Paulo de Tarso, que não gostou da primeira versão de Acioly, alguns dirigentes do PT achavam que o jingle era muito despolitizado e nem falava do PT e das demais siglas aliadas naquela eleição, como eles queriam.  ”Se eu fizesse isso, viraria um samba-enredo, não um jingle”, comentou comigo o compositor.

Lula-lá! Brilha uma estrela!

Lula-lá! Cresce a esperança!

Como muita gente ainda se lembra e canta por onde Lula passa, começava assim esta canção singela, que mexia com a emoção das pessoas e nada tinha de político-partidário, mas apenas buscava animar a militância petista nos comícios.

Paulo de Tarso havia encomendado o jingle a Acioly com a única sugestão de que brincasse com o nome dele, o tal do Lula-lá. Houve muita resistência quando o compositor levou seu violão ao comitê eleitoral da Vila Mariana para mostrar o jingle pronto. Quem acabou batendo o martelo foi o próprio Lula, que não se cansou de ouvir a fita nos carros que usamos em nossas viagens no começo da campanha. Mais adiante, onde ele chegava, as pessoas o recepcionavam já cantando o jingle, que pegou logo, e as pessoas não mais esqueceram.

Escrevo para fazer justiça a um músico que trabalha com muita humildade e a um cidadão que contribuiu para o alto astral daquela primeira campanha de Lula para presidente. Marina pode estar contratando a pessoa errada se rejeita um “marqueteiro tradicional”. Santos, que já trabalhou também para o PSDB no governo Fernando Henrique Cardoso, é um profissional do ramo. Não trabalha de graça, como fez Hilton Acioly, o verdadeiro autor do jingle.

Alô, Claro, até quando?

Desde a semana passada, minha conexão de banda larga da Claro só funciona de vez em quando. Como eu vivo na internet e ganho minha vida aqui, faço um apelo à empresa para que ao menos informem à sua freguesia o que está acontecendo e quando a situação será normalizada. Problemas técnicos podem acontecer. Quando vai faltar água ou luz, porém, as concessionárias pelo menos informam os consumidores com antecedência e estabelecem prazos para a volta do serviço.

Na tarde de terça-feira, a moça da Claro que atendeu à ligação de minha mulher limitou-se a dizer que havia uma “instabilidade no sistema em alguns bairros”, entre eles, o Jardim Paulista, onde moramos, e que nada poderia fazer para ajudá-la. Quem pode nos ajudar? A quem devemos recorrer? Seremos reembolsados pelo serviço que não foi prestado?

O cardeal e o repórter

Já está à venda nas livrarias “O Cardeal e o Repórter _ histórias que fazem História”, do jornalista Ricardo Carvalho, meu velho e bom amigo contemporâneo dos tempos em que era perigoso exercer o nosso ofício em plena ditadura militar. Lançado pela Global na noite de terça-feira, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, o livro do xará conta quem era e como foi importante a ajuda da sua “fonte secreta” nas reportagens de denúncia sobre as violações deos Direitos Humanos naquele período: ninguém menos do que o eterno cardeal-arcebispo de São Paulo, meu outro bom amigo dom Paulo Evaristo Arns.

Já que estamos falando de amigos, quem editou o livro foi o veterano Quartim de Moraes, que escreveu na orelha da obra: “Nestas páginas vibrantes, escritas com bom humor e emoção, o repórter conta agora, trinta anos passados, os bastidores e os detalhes, até então protegidos por um cuidadoso véu de discrição, de episódios como a bem-sucedida campanha pela libertação de um preso político, Aparecido Galdino, mantido atrás das grades, sem julgamento, no manicômio Judiciário (…) Escrita com paixão, esta obra é uma aula de História e de Jornalismo”.

O livro conta ainda com vários depoimentos _ entre eles, o da jornalista Mariana Kotscho, minha filha mais velha. Custa R$ 27 e tem 174 páginas.

Mais informações: www.globaleditora.com.br

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/05/2010 - 22:19

Um dia no Rio de Janeiro, quanta saudade!

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RIO DE JANEIRO (RJ) _ A primeira vez que vim ao Rio de Janeiro fiquei tão encantado que não queria mais voltar para casa. Jovem repórter, trabalhava no Estadão, em São Paulo, no final dos anos 60 do século passado, quando a maioria de vocês ainda nem havia nascido.

Vim fazer a cobertura da inauguração da segunda pista da via Dutra, então chamada de ”rodovia da morte”, no tempo em que o presidente era o general Costa e Silva e, Mario Andreazza, o ministro dos Transportes.  Como estava mais perto do Rio do que de São Paulo, resolvi vir para cá e escrever a matéria na sucursal.

Mais de quarenta anos depois, com menos cabelos e mais barriga, outra vez voltei aqui  nesta segunda-feira de outono, novamente a trabalho, e não a passeio, como gostaria. Daquela vez, cheguei a pedir transferência para a sucursal do Rio, mas meu chefe de reportagem, o então também jovem Clóvis Rossi, nem me deu bola. 

Agora, quase dez da noite, ele está em Madri tratando das suas costelas quebradas (ver a história completa na  coluna do Rossi na Folha.com) e eu, depois de jantar sozinho na velha Fiorentina, no Leme, no caminho de volta ao hotel, me lembrei de tantos belos dias e noites que passei nesta cidade, onde nunca consegui morar, mas morro de vontade.

Foram muitos jogos da seleção brasileira no Maracanã, que terminavam no mesmo restaurante; reportagens sobre variadas tragédias; a minha vinda para o Jornal do Brasil, que me contratou para ser correspondente na Alemanha, nos tempos do Walter Fontoura; a encomenda do Mino Carta, na revista IstoÉ,  para fazer matéria com o título pré-determinado de  ”Cidade Maravilhosa, que saudade!”…

Já naquela época, final dos anos 70, o Mino achava que o Rio tinha acabado, mas Mario Lago, e muitos outros cariocas que entrevistei para fazer a reportagem, me provaram exatamente o contrário. Em 1984, viveria a grande alegria de testemunhar o monumental comício da Campanha das Diretas, na Candelária _ por coincidência, o mesmo lugar onde vim trabalhar hoje.

Foi ali também o penúltimo comício de Lula em sua primeira campanha presidencial, no longínquo ano de 1989, quando eu era seu assessor de imprensa e fui o único jornalista no palanque que não cantou o jingle de campanha porque estava a trabalho, e achava que não ficaria bem para um repórter… Naquela noite, a vitória parecia possível e já havia gente sonhando com o futuro ministério.

Por que estou lembrando destas coisas? Por nada, não, só para não ficar mais um dia sem escrever no Balaio, e dizer a vocês que o Rio, apesar de tudo, de todos os prefeitos que por aqui passaram nos últimos anos, continua sendo uma cidade apaixonante, um dos melhores e mais bonitos lugares do mundo para se viver.

Reencontrei a cidade mais bem cuidada, o povo mais feliz, um alto astral, por todos os lugares aonde passei neste dia de matar a saudade, apesar da greve dos ônibus, que tumultuou a vida dos cariocas e acabou agora à noite. O Rio, acreditem, é bom de qualquer jeito. Um dia ainda venho morar aqui, nem que seja depois de velho…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/05/2010 - 11:47

Cid Gomes e Eduardo Campos, imbatíveis no CE e em PE

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Os assuntos mais comentados pelos leitores na última semana:

Balaio

Dilma-Lula: 507

Os ventos da campanha: 155

O Brasil que gosta do Brasil: 144

Folha (de um total de 791)

Mudanças na Folha: 11,5%

Irã: 10,4%

Eleições: 7,2%

Veja (não publica números)

Afeganistão

Deboche petista da lei eleitoral

Convocação da seleção brasileira

***

Como os leitores podem observar no levantamento acima, a partir desta semana a Folha deixou de publicar o número de mensagens recebidas pelas matérias mais comentadas da semana, optando por divulgar o percentual obtido por cada uma sobre o total de cartas recebidas (791). A revista Veja, já há algum tempo, também havia deixado de publicar o número de mensagens enviadas sobre os assuntos mais comentados pelos seus leitores.

Diante disso, acho melhor deixar de publicar aqui este ranking semanal, prática adotada desde a primeira semana do Balaio, com os números do Balaio, da Folha e da Veja, fazendo uma comparação do blog com as duas publicações impressas de maior circulação no país.

O objetivo era apenas mostrar aos próprios leitores quais os temas que mais provocaram comentários, de acordo com o seu grau de interesse. Com a mudança de critérios da Folha e da Veja na divulgação deste ranking, deixa de ter sentido prosseguir com esta publicação, que faço pela última vez neste domingo.

***

Foi uma semana bastante atribulada para mim, que começou em Pernambuco e terminou num hospital em São Paulo, o que me impediu de fazer, como de hábito, a atualização do blog e a moderação de comentários.

Entre uma viagem e outra por terras nordestinas, acabei esquecendo de escrever sobre um cenário eleitoral que me chamou a atenção tanto no Ceará como em Pernambuco.

Nestes dois estados, a quatro meses das eleições, a parada já parece decidida. Os governadores Cid Gomes e Eduardo Campos, ambos do PSB, estão praticamente reeleitos por absoluta falta de adversários viáveis.

No Ceará, a disputa eleitoral se limita ao Senado, já que ainda não apareceu ninguém de peso para enfrentar Cid, até aqui correndo como candidato único.

Em Pernambuco, Eduardo Campos ganhou há poucos dias um adversário, o ex-governador Jarbas Vasconcelos, dissidente do PMDB, que resolveu ir para o sacrifícocom  o único objetivo de oferecer um palanque para o seu aliado José Serra.

Mesmo sem qualquer chance de ameaçar Eduardo Campos, um dos governadores mais bem avaliados do país, que está na faixa de 60% nas pesquisas, Jarbas, que não parece nem um pouco animado com a campanha, ainda corre o risco de mais tirar do que dar votos a Serra. Afinal, ele passou os últimos anos batendo pesado em Lula, um mito em sua terra natal, de quem até o candidato tucano só fala bem quando passa pelo Nordeste.

Pelo menos no Ceará e em Pernambuco, esta eleição promete pouca ou nenhuma emoção. É jogo jogado, como diria o Elio Gaspari.

***

Elifas Andreato e as

“Cores da Resistência”

Sábado foi um dia de reencontrar velhos amigos e resgatar um pedaço da história de cada um de nós, tendo por cenário o antigo e temido prédio do DOPS, no Largo General Osório, agora transformado em Memorial da Resistência de SãoPaulo.

Com curadoria de JC Bruno, o nosso grande artista Elifas Andreato abriu uma exposição, que fica em cartaz até 24 de outubro, com algumas das suas obras mais importantes produzidas durante a ditadura militar _ cenários de teatro, capas de discos e livros, cartazes com “As Cores da Resistência”, o nome dado à mostra.

Jovens estudantes misturaram-se a velhos combatentes da cultura e da imprensa para assistir a um debate sobre o período com a participação de Audálio Dantas e Fernando Morais, dois dos mais importantes jornalistas da minha geração.

Depois do evento, como era de lei nos sábados daqueles tempos tenebrosos, fomos comer uma feijoada no velho Amarelinho, um boteco da melhor qualidade, ali mesmo na praça General Osório, para onde os repórteres iam depois das longas coberturas no DOPS.

Entre tantas histórias contadas à mesa, lembrei-me de uma passagem insólita da qual foi protagonista minha amiga Gisela Bisordi, já falecida. Numa tarde particularmente agitada na sala do sinistro delegado Sergio Fleury, após mais uma série de prisões, a repórter da Folha foi até a janela e chamou todo mundo para ver: “Olha, pessoal, que belo arco-íris!”.

Na apresentação da mostra, Elifas colocou a frase que ele me disse em entrevista para a revista Brasileiros, que resume bem o pensamento e o sentimento deste artista incomum, um autodidata que, com suas armas _ o lápis, a caneta e o papel _ registrou com arte e coragem um pedaço da nossa história:

“Preciso preservar a minha capacidade de resistir”.

Valeu, Elifas.

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/05/2010 - 10:52

Dilma-Lula já faz Serra mudar discurso

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Mais do que o empate (37 a 37), com a subida de Dilma e a queda de Serra, agora finalmente admitido também pelo Datafolha,  foi a imediata mudança no discurso do candidato tucano que mais me chamou a atenção no noticiário político deste sábado.

Ao mesmo tempo em que se consolida a imagem de Dilma-Lula, acaba a versão “Serrinha Paz e Amor”, com elogios a Lula e ao governo, adotada pelo PSDB desde a largada para as Eleições 2010. Ontem à noite mesmo, certamente já sabendo dos números do Datafolha, Serra voltou ao figurino original.

Atacou duramente o PT e até colocou em dúvida a existência de Deus: “Se aquele que era o guardião da moral, da ética, do antipatrimonialismo toma outro rumo, o rumo oposto, para muita gente Deus morreu”. Se falar em “momento mais patrimonialista da nossa história” vai ou não lhe render votos, não se sabe, mas é certo que daqui para a frente o tom será outro.

Em encontro com seus aliados do PPS de Roberto Freire, na noite de sexta-feira, Serra saiu dos cuidados recomendados por seus marqueteiros e criticou duramente a política econômica, um dos esteios da popularidade do presidente Lula, que bateu novo recorde no Datafolha (foi a 76%):

“Nós estamos voltando rapidamente a um modelo (voltado exclusivamente para o setor agrícola para exportação) que não atende à demanda de emprego que o país possui. Nós precisamos de uma economia que desenvolva não apenas o setor primário”.

O que aconteceu, afinal, para justificar esta guinada dos resultados do Datafolha e, em consequência, do discurso do candidato da oposição? Segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, foi a televisão:

“O principal fato que pode ser apontado como responsável por essa alta da candidata é o programa partidário de TV que o PT apresentou recentemente”.

Sem tirar o mérito do competente programa do PT criado por João Santana na semana passada, em que o presidente Lula apresentou Dilma Rousseff como a sua candidata para dar continuidade às políticas do governo, o fato é que esta identificação por parte do eleitorado era só uma questão de tempo, como já vinha sendo mostrado pelas pesquisas Vox Populi e Sensus, divulgadas anteriormente. O programa serviu para apressar este tempo, antecipar uma tendência.

Na minha recente viagem pelo Nordeste, deu para perceber nas conversas com eleitores, principalmente nas cidades mais pobres do sertão, que muita gente ainda não sabe nem que teremos eleições presidenciais em outubro, muito menos quem são os candidatos. Alguns chegaram a falar vagamente que votariam na “mulher do Lula”, sem saber de quem se trata.

Se na pesquisa estimulada do Datafolha os dois principais candidatos chegam ao final de maio em situação de empate, abriu-se para cinco pontos a diferença na espontânea, agora fora da margem de erro: Dilma foi de 13 para 19, enquanto Serra subia de 12 para 14. Acrescente-se a isso o fato de 5% dos eleitores ainda terem intenção de votar em Lula, mais 3% que querem votar no “candidato de Lula” e mais 1% no “candidato do PT”.

Somados estes votos, que fatalmente irão para Dilma, quando todos forem informados de que ela é a candidata de Lula, a ex-ministra já poderia estar com 28% na espontânea neste momento.

Pela primeira vez, o Datafolha só trouxe notícias boas para Dilma e péssimas para Serra. Na rejeição, o índice de Dilma caiu de 24 para 20%, enquanto Serra subia de 24 para 27%. Na projeção de segundo turno, em que a pesquisa anterior, de abril, apontava uma diferença de 10 pontos a favor de Serra (50 a 40), agora Dilma aparece um ponto à frente (46 a 45).

Mais à vontade no papel de candidata, com menos gente dando palpite e falando em nome dela no comando da campanha, como eu já havia constatado no post anterior (“Virou de novo vento da campanha eleitoral”), tanto nos números das pesquisas como na sua atitude diante das platéias, Dilma inverteu os papéis com Serra, que começou melhor na largada, mas agora vai ter que rever toda sua estratégia.

É disto que falaremos nos próximos dias. Agora, será a vez de Serra e seus aliados ocuparem a televisão. Se o programa do PT se preocupou apenas em fazer de Lula o grande cabo eleitoral de Dilma, o que poderá dizer o programa do DEM na próxima semana?

Que Serra é o candidato de Rodrigo e Cesar Maia? Ou o PPS dirá que Serra é o candidato de Roberto Freire? E o do PSDB? Dirá que Serra é candidato de quem? Do próprio Serra, já que não é recomendável lembrar de FHC?

A campanha do candidato da oposição, que parecia caminhar tão bem, segundo o noticiário político, chega a uma encruzilhada. Já que não convém bater em Lula e no governo, que são rejeitados por apenas 5% da população, segundo o Datafolha, a única esperança de apresentar um fato novo na campanha para reverter a “onda Dilma”,  que já começa a se formar, será convencer Aécio Neves a aceitar o papel de vice. Mesmo que ele aceite, o que parece improvável, já pode ser tarde demais.

Em campanhas presidencias, quando se começa a formar uma onda, como aconteceu com Fernando Henrique Cardoso e seu Plano Real, em 1994, ou com Lula e seu grito de mudança, em 2002, fica muito difícil detê-la. Os números das últimas pesquisas, confirmados agora pelo Datafolha, mostram um quadro que pode se tornar irreversível à medida em que o eleitorado tomar conhecimento de quem é candidato de quem e o que cada um representa.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/05/2010 - 16:00

Virou de novo vento da campanha eleitoral

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SÃO PAULO (SP) _ A cabeça pensa, o coração sente e as mãos escrevem de acordo com o lugar onde a gente pisa. Não sei quem é o autor da frase sobre a vida do repórter itinerante, mas vem a calhar nesta minha volta à terrinha, depois de dez dias viajando a trabalho por cidades do Ceará, Piauí e Pernambuco. Ficou faltando a Bahia, que estava no roteiro original, porque tive que voltar às pressas a São Paulo, em razão de um problema de saúde na família.

Ao retornarem de uma viagem, jornalistas geralmente dizem que nada mudou nas suas ausências, que as notícias continuam as mesmas de quando partiram, mas não foi este o meu caso.  Tanta coisa aconteceu neste meio tempo, tantas mudanças de vento, que nem sei por onde começar para colocar os assuntos em dia.

Alguns leitores me criticaram e até me chamaram de alienado por não ter escrito sobre os temas, na opinião deles, mais importantes das últimas duas semanas. Costumo dizer que o freguês, ou seja, sua excelência o leitor, tem sempre razão, só que, desta vez, preferi falar dos assuntos que mais me chamaram a atenção nos lugares por onde passei. Até porque, não tive tempo de acompanhar o noticiário nacional e as andanças do Lula pelo mundo.

Resolvi viajar sem laptop exatamente para deixar olhos e ouvidos abertos para as novidades de um Brasil que não costuma aparecer na mídia. Valeu a pena. Vi de perto a revolução na vida dos nordestinos nestes últimos anos, tema de uma série de reportagens que publicarei na revista Brasileiros.

Constatei, por exemplo, que é uma bobagem este negócio de atribuir a popularidade do presidente Lula por lá apenas ao Bolsa Família, uma pequena parte somente da nova realidade social e econômica, que mudou de cabo a rabo as condições de vida dos trabalhadores da região, com investimentos e obras em todas as áreas, gerando renda e emprego e resgatando a auto-estima do nordestino, como mostrei no post “O Brasil que voltou a gostar do Brasil”, publicado no último domingo.

Mas vamos ao que encontrei mudado por aqui. Para começar, as duas pesquisas presidenciais divulgadas neste período (Vox Populi e Sensus) mostraram  inversão de tendências, com  Dilma Roussef novamente subindo e já aparecendo à frente de José Serra. Em março, Dilma também estava crescendo, com Serra estacionado ou caindo. Em abril, foi o contrário: Dilma parou de subir e Serra abriu vantagem. Agora, o vento virou de novo.

À parte o programa do PT, que colocou em evidência a candidata do governo ao lado de Lula na semana passada, esta oscilação pode também ser resultado do compartamento mutante dos candidatos. Ao contrário do que vimos na largada da campanha eleitoral, parece que a campanha de Dilma corrigiu os rumos errantes, centralizando o comando nas mãos do presidente do PT, José Eduardo Dutra, ao mesmo tempo em que o figurino “Serrinha paz e amor” dava os primeiros sinais de pouca paciência com jornalistas não amestrados e assuntos polêmicos.

A atitude dos candidatos é determinante no resultado das pesquisas ou o resultado das pesquisas é que determina as mudanças de humor dos candidatos? Difícil saber, mas uma coisa é certa: nos últimos dias, o noticiário foi mais favorável a Dilma e surgiram as primeiras críticas à campanha de Serra, que ainda parece não ter definido seu discurso a favor ou contra o governo Lula.

Como candidato de oposição, a tendência natural é que Serra se torne mais crítico em relação ao governo e à sua candidata, como já começou a fazer, ao mesmo tempo em que se torna necessário dizer claramente quais são as suas propostas e o que pretende mudar nos rumos do país caso seja eleito. Para Dilma, basta garantir a continuidade do governo Lula.

Com o marqueteiro João Santana, ao que parece, novamente ganhando poder na área de comunicação, quer dizer, menos gente falando em nome da candidata e dando palpites na campanha do PT, também aqui houve um movimento oposto na oposição, quando o todo poderoso Luiz Gonzalez foi obrigado a conter iniciativas de aliados mais afoitos, que resolveram partir para a guerra contra Dilma antes da hora.

Campanha é assim mesmo. Os números das pesquisas e o comportamento dos candidatos oscilam nesta fase que vai até o início da propaganda eleitoral no rádio e na televisão, a partir de agosto. É tempo de organizar os times, definir as estratégias e as alianças, preparar os programas de televisão e os planos de governo. De preferência, acertar mais e errar menos. Não tem nada definido até agora, a não ser o papel coadjuvante de Marina Silva nestas eleições.

Surpresas sempre podem acontecer. Quem, por exemplo, poderia imaginar na semana retrasada que o mambembe São Paulo voltaria a jogar bem e a se classificar para as semifinais da Libertadores, ganhando duas vezes do Cruzeiro, apenas trocando Washington por Fernandão?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
16/05/2010 - 11:38

O Brasil que voltou a gostar do Brasil

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Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a última semana:

Balaio

O caso da menina J.: 199

Tasso fecha com Serra: 182

O som das cidades: 164

Folha

Seleção: 82

Eleições: 66

Violência: 34

Veja (não publica números)

Gays

Construtivismo na educação

Medidas populistas no Congresso

***

RECIFE (PE) _ Caminhando pelas ruas do Recife de muito sol e calor desde cedo, depois de uma semana de viagem pelo nordeste, conversando com um monte de gente e lendo os jornais da terra, eu me dou conta de que vim parar num Brasil que voltou a gostar do Brasil.

Basta ler os comentários dos leitores publicados nos dois breves textos que escrevi esta semana sobre os “paredões de som”, em Fortaleza, e a Delegacia do Silêncio, de Teresina, duas das cidades por onde passei.

Fiquei impressionado e, por algumas vezes, comovido mesmo com as declarações de amor dos piauienses por sua hospitaleira capital, tanto os que lá vivem como os que saíram e dela sentem saudade.

Estou preparando uma série de reportagens para a revista Brasileiros sobre as mudanças na vida dos nordestinos nestes últimos anos, com seu crescimento econômico chinês, bem acima da média brasileira.

O que mais me chamou a atenção nos comentários dos leitores e nas conversas com todo tipo de gente por onde ando é o orgulho que eles voltaram a ter de ser nordestinos e brasileiros.

Ao contrário do que acontece em outras regiões do país, aqui eles não têm vergonha de falar e escrever que hoje vivem melhor.

A mídia regional nordestina, pelo menos nos três estados por onde já passei (Ceará, Piauí e Pernambuco) vive um momento bem diferente do que se vê no sul e sudeste: aqui, na contra-mão da tendência geral de declínio da imprensa escrita, os jornais estão mais gordos de páginas e publicidade e mais animados com a vida.

O destaque é geralmente para o noticiário local, voltado para a realidade da vida dos leitores, na proporção inversa do destaque que se dá à disputa política, às tragédias e às denúncias no eixo Brasília-Rio-São Paulo.

Neste domingo, os dois principais jornais daqui, o Diário de Pernambuco (com 6.986 ofertas) e o Jornal do Commercio (com 8.691 ofertas) trazem cada um cerca de 50 páginas de anúncios classificados, números que antes só se encontrava na imprensa de Brasília para baixo.

Outro ponto que me chamou a atenção é que os jornais procuram dar uma cobertura equilibrada da disputa eleitoral, tanto local como nacional, sem tomar partido, embora a matéria prima do noticiário político seja fornecido pelas três grandes agências de Rio e São Paulo (Globo, Folha e Estado).

Se antes os nordestinos sonhavam em ir embora para o sul, agora os jovens preferem ficar por aqui mesmo e muitos que foram estão voltando, sem falar nos trabalhadores de outras regiões que chegam em busca de trabalho numa região onde hoje falta mão-de-obra.

Vou parando por aqui porque também sou filho de Deus, o dia está bonito e quero aproveitar para pegar uma praia.

Em tempo: peço a compreensão dos leitores ainda nos próximos dias _ só volto a São Paulo no dia 21, sexta-feira _ com a demora na moderação de comentários e a atualização, trabalho que procuro fazer nas poucas brechas que encontro em aeroportos ou hotéis.

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
15/05/2010 - 15:06

Na bela Teresina, Delegacia do Silêncio

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TERESINA(PI) – É muito bom poder viajar de vez em quando pelo Brasil, mesmo que seja a trabalho, para ver como anda a vida fora do nosso mundinho paulistano e descobrir coisas novas.

Na mesma semana em que fiquei impressionado com o barulho no Ceará, onde tudo mundo está correndo o risco de ficar surdo com ” paredões”,  aquelas caixas de som instaladas nos carros para tocar forró no último volume, fiquei encantado com a vida calma, o trânsito civilizado e as ruas muito bem arborizadas da pequena e bela Teresina, capital do Piauí, já com seus 800 mil habitantes.

Seu povo sempre foi muito hospitaleiro, mas pensei que, com o crescimento econômico que chegou forte por aqui, Teresina  poderia perder este seu encanto de parecer capital e cidade do interior ao mesmo tempo. Pois foi uma bela surpresa rever esta cidade do nordeste, onde já estive muitas vezes, e sempre saí com boas lembranças.

O calor continua o mesmo, o bafo quente que baqueia o forasteiro logo ao descer do avião, mas as sombras se alastraram por toda parte, sob os frondosos oitis e as mangueiras que se multiplicam por toda parte.

Teresina está muito bem cuidada, limpa, com uma vida noturna bem movimentada. O melhor de tudo é que nesta cidade ainda se consegue conversar: há dois anos, foi criada a Delegacia do Silêncio. Aqui, ao contrário de outras capitais, o barulho ensurdecedor dos “paredões” é combatido pela polícia. Motoristas são multados e os carros apreendidos quando não respeitam as normas de silêncio após as dez da noite.

Num final de tarde, na varanda do quarto do hotel, reparei que no centro velho da cidade ainda se pode ver os telhados do casario antigo, semi-encobertos pelas árvores, resistindo aos prédios que também já comecem a avançar na paisagem urbana.

Estou esperando o vôo para Recife, de onde volto a escrever amanhã. Bom fim de semana a todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
13/05/2010 - 10:50

Desta vez, Tasso está fechado com Serra

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Caros leitores,

esta semana estou em viagem fazendo uma série de reportagens sobre o nordeste para a revista Brasileiros. Cheguei agora, mais de dez da noite de sexta-feira, do interior do Piauí e vou começar a cuidar da moderação de comentários. Amanhã sigo para o Recife. Só volto para São Paulo, e à rotina do Balaio, na próxima quinta-feira. Grato pela compreensão.

Ricardo Kotscho

FORTALEZA(CE) _ Nestes três dias de Ceará (viajo daqui a pouco para o interior do Piauí), em conversas com alguns dos principais jornalistas da terra, deu para constatar um fato novo nas eleições presidenciais deste ano. Desta vez, o senador Tasso Jereissati está fechado com o candidato tucano José Serra, com quem sempre teve muitas divergências.

A saída do seu eterno aliado Ciro Gomes da corrida eleitoral levou à entusiasmada adesão de Tasso à campanha de Serra, ao contrário do que aconteceu com os candidatos tucanos em 2002 e 2006.

Esta novidade no cenário cearense pode ser conferida no começo da próxima semana, quando José Serra inicia mais uma peregrinação pelos terras nordestinas, em sua primeira visita ao Estado de Tasso, que caprichou no roteiro. Começa, como não poderia deixar de ser, por uma visita à estátua e ao túmulo de Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, na segunda-feira, seguindo no mesmo dia para Barbalha e Crato.

Na terça, em Fortaleza, Serra participará de um almoço-palestra no Hotel Gran Marquise promovido pelo jornal O Povo. Antes de partir, Serra ainda terá um encontro com lideranças tucanas.

Com a própria sobrevivência do partido em jogo, assim como o futuro político de cada um, parece que este ano os grão-tucanos resolveram jogar juntos, como já demonstrou repetidas vezes Aécio Neves, em Minas Gerais, o Estado apontado por todos como decisivo para as Eleições 2010.

O fato curioso das eleições de outubro no Ceará é que, até o momento, o governador Cid Gomes, do PSB, irmão de Ciro Gomes, é candidato único à sua sucessão. A briga vai se limitar às duas vagas para o Senado. Ainda não apareceu ninguém para desafiar o domínio dos Gomes na disputa pelo governo estadual.

Em tempo:

Com Fernandão, é outro time

TERESINA (PI) _ Na pressa para não perder o avião, acabei esquecendo de comentar a bela vitória do São Paulo contra o Cruzeiro, por 2 a 0, em pleno Mineirão, na noite desta quarta-feira.

Se sempre escrevo aqui criticando quando o time joga mal, não posso deixar de registrar que, com a estréia de Fernandão, o São Paulo foi outro time _ um time que voltou a jogar futebol como antigamente, rápido nos contra-ataques, sem medo de buscar o gol.

Não sei se foi só a entrada de Fernandão, mas também a saída de Washington que operou este milagre de um jogo para outro.

Agora, só falta tirar o Rycharlissson, que continua dando pernadas a três por quatro, pedindo para ser expulso. Errando quase todos os passes, acaba armando os contra-ataques do adversário. É um perigo.

Afinal, em que posição joga este rapaz? Não dá para Jorge Wagner ficar no banco vendo o outro em campo.  Basta fazer o contrário e o São Paulo volta a ser um time competitivo, mesmo com Ricardo Gomes no comando.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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