iG

Publicidade

Publicidade

Arquivo de abril, 2010

29/04/2010 - 22:29

Lula vai a quatro festas no 1º de Maio

Compartilhe: Twitter

Atualização às 19h05 de sábado, 1º de maio

Como o Balaio informou com exclusividade na quinta-feira, o presidente Lula participou neste sábado, ao lado da candidata Dilma Rousseff, de quatro festas do Dia do Trabalhador: de manhã, com a Fôrça Sindical, no Campo de Bagatelle; à tarde, com a CTB, UGT e NCST, na avenida Marquês de São Vicente e, agora à noite, com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, no Largo da Matriz de São Bernardo do Campo. Entre uma festa e outra, ainda encontrou tempo para fazer uma visita aos jogadores do Corinthians no Parque São Jorge. 

***

“Sábado vou estar em quatro festas no Dia do Trabalhador”, disse-me o presidente Lula, em rápida conversa que tivemos logo após o seu pronunciamento em rede nacional de rádio e televisão na noite desta quinta-feira.

Ainda mais animado do que de costume, após a última reunião do dia, com um grupo de senadores, na sede provisória do governo no CCBB, mais de nove da noite, Lula me perguntou se tinha lido a matéria da revista Time que o incluiu entre os 25 líderes mais influentes do mundo.

Sim, eu já tinha visto, respondi-lhe, como se fosse algo natural, que não chegou a ser uma surpresa para ninguém. Para ele, porém, notei que foi uma notícia muito gratificante, um reconhecimento da revista mais importante do mundo, bem no dia em que faria um balanço dos seus mais de sete anos de governo, já em tom de despedida.  

Não seria o velho Lula se, ao final, não fizesse uma brincadeira com ele mesmo sobre o tamanho do próprio ego, como nos tempos em que comemorava pequenas conquistas salariais, quando era apenas o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista. Lembrei-lhe que, ao chegar em casa, dona Marisa certamente o faria logo colocar de novo os pés no chão.

Mais do que os números que recitou sobre a melhoria do emprego e da renda no país, em seu último pronunciamento de 1º de Maio como presidente da República, foi a sua cara feliz e confiante de sujeito de bem com a vida, satisfeito com os rumos do país, que melhor resumiu o que pensa e sente Lula ao final de dois mandatos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
29/04/2010 - 10:40

E a Superquarta deu razão aos dungueiros

Compartilhe: Twitter

Lamento muito, caros amigos amantes do futebol espetáculo, como eu. Mas a Superquarta, no Brasil e no mundo, acabou dando razão ao Dunga e seu futebol de resultados. Basta ver os resultados…

O fabuloso Barcelona de Messi foi eliminado pela muralha do Inter de Milão dos dungueiros Júlio Cesar, Maicon e Lúcio.

Nosso Santos, do maestro Dorival Júnior e seu futebol maravilha, caiu diante do Atlético Mineiro do Luxemburgo velho de guerra, o mesmo que deixou Neymar e Ganso fora do time da Vila Belmiro no ano passado.

Mesmo sem técnico e com um jogador a menos, o burocrático Flamengo em crise derrotou as centenárias estrelas do Corinthians de Mano Menezes.

Do meu São Paulo, que virou café com leite, eu nem gostaria de falar, mas é inegável que este time de Ricardo Gomes, que mais parece uma cansada repartição pública, acabou conseguindo um bom resultado, ao empatar sem gols, jogando fora de casa e com um a menos, contra o Universitário de Lima.

O insubstituível Richarlyson, aquele que sempre sai em defesa do técnico e ataca os colegas, completamente descontrolado desde o início do jogo, mais uma vez foi expulso, com direito a chilique e vexame na hora de sair de campo agarrado por Gomes. Até quando?

Pois é, meus amigos, ao final desta Superquarta, saíram ganhando o José Mourinho, da Inter, o Luxemburgo do Atlético, o interino do Flamengo, o Ricardo Gomes do São Paulo, técnicos que, como Dunga, estão mais preocupados em garantir seus empregos do que em oferecer um bom espetáculo. Perde o futebol, ganham os negócios.

E o que preferem os torcedores destes times? Deixo aqui a pergunta porque há controvérsias sobre este assunto. Tem muita gente que conheço que fica feliz quando seu time ganha com a ajuda do juiz, marcando um gol de mão no último minuto, depois de quebrar a perna do melhor jogador adversário…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
28/04/2010 - 11:55

Campanha de Serra começa na frente

Compartilhe: Twitter

Caros leitores,

aos que não gostaram do texto abaixo e me criticaram duramente nos comentários, repito o que já escrevi aqui várias vezes: como repórter, posso brigar com todo mundo, menos com os fatos.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Um breve balanço sobre as andanças dos dois principais candidatos neste primeiro mês de campanha presidencial nas ruas mostra o tucano José Serra na frente da petista Dilma Rousseff, não apenas nas pesquisas, mas nas estratégias adotadas por seus partidos.

As marés, neste momento, são opostas. Enquanto a de Serra sobe, no embalo de entrevistas bem planejadas e breves viagens para gravar cenas de campanha, Dilma começou sua campanha solo em maré baixa, com tropeços verbais, agenda errática, problemas na coordenação inchada e o mau uso da estrutura de internet, que mais atrapalha do que ajuda.

Na versão 2010, o ex-governador paulista aparece mais sorridente e sereno, evitando bater de frente com a popularidade do presidente Lula, que continua em alta. Para agradar às platéias, faz qualquer coisa. Na contra-mão da sua pregação em defesa de um “Estado musculoso, mas enxuto”, já prometeu a criação de dois novos ministérios, um para a segurança pública, outro para portadores de deficiência. Parece disposto a fazer concessões para assumir um perfil mais popular.

Do outro lado, Dilma ainda não conseguiu se livrar do figurino e da linguagem de tecnocrata, pouco à vontade no papel de candidata. Ninguém muda assim de um dia para outro, é claro, mas o seu comando de campanha também não ajuda a lhe facilitar a vida.

Até agora, a candidata do governo mais perdeu do que ganhou nas viagens e eventos dos quais tem participado. Ainda nesta terça-feira, ao participar de um encontro com mulheres de caminhoneiros em congresso de transportadores de carga, em Brasília, entrou em mais uma bola dividida.

O encontro foi promovido pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, uma dissidência da Associação Brasil Caminhoneiro, que, em represália, prometeu distribuir adesivos da “Fora Dilma” aos seus 800 mil associados.

Em toda a mídia, ainda repercute a obra de jerico da sua equipe de internet, que colocou uma foto de Norma Bengell entre outras duas da candidata, para mostrar sua participação nas lutas contra a ditadura, imaginando que ninguém fosse perceber. Depois, em vez de pedir desculpas pela mancada e sair de fininho, o responsável ainda acusou a imprensa de “interpretar a montagem equivocadamente”.

Se é fato que a maior parte dos editores e colunistas da grande mídia não mostra muita simpatia pela sua candidatura, ao contrário do que acontece com José Serra, este deveria ser mais um motivo para Dilma não dar a cara a tapa, tomar mais cuidado em cada passo da campanha, planejar melhor a sua agenda.

Sem divisões internas nos partidos aliados a lhe tolher os passos, como aconteceu em 2002, agora Serra pode fazer uma campanha mais profissional, seguindo a orientação do seu marqueteiro Luiz Gonzalez, que ganhou autonomia e é quem comanda tudo, ao contrário do que acontece na campanha de Dilma. Paula Santamaria, a onipresente assessora do candidato, cuida da área de imprensa com muita competência.

João Santana, o marqueteiro do PT, teve seu papel reduzido a produtor dos programas de televisão no horário político que começa em agosto. O comando da comunicação foi entregue ao deputado estadual e jornalista Rui Falcão(PT-SP), que está montando uma superestrutura em Brasília e São Paulo, com dezenas de profissionais renomados já contratados nas diferentes áreas.

O comando político da campanha, por sua vez, está dividido entre o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, o ex-prefeito mineiro Fernando Pimentel, e os deputados federais paulistas Antonio Palocci e José Eduardo Cardoso, que nem sempre falam a mesma língua. A questão dos palanques estaduais, por exemplo, está cada vez mais confusa, com o presidente Lula tendo que intervir a toda hora, o que dificulta a montagem de uma agenda favorável para a candidata.

A campanha está só começando, todos sabemos, mas o que começa certo tem mais chances de dar certo no fim do que aquilo que começa errado, já nos ensinava o conselheiro Acácio.

Dilma agora sai de cena por dois dias para gravar imagens de um “roteiro sentimental” da sua vida, que Santana pretende utilizar nos programas de teelvisão. Quem sabe, o comando da campanha aproveita esta trégua sem agendas públicas da candidata para colocar ordem na casa. Ainda é tempo, mas o tempo não costuma perdoar a quem não o respeita.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/04/2010 - 21:21

Lula fala na quinta sobre Dia do Trabalhador

Compartilhe: Twitter

O presidente Lula decidiu hoje antecipar para quinta-feira, às oito da noite, em rede nacional de rádio e televisão, o seu pronunciamento sobre o Dia do Trabalhador, que cairá no sábado.

Lula vai fazer um balanço sobre os novos índices de emprego e renda, segundo ele, os melhores dos últimos anos, e falar sobre o bom momento que o país está vivendo.

Nem me lembro qual foi a última vez que o presidente falou em rede nacional. Deve ter bons motivos para fazer isso, mas não me contou quais são.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/04/2010 - 11:45

Sem Ciro, só Marina é terceira via

Compartilhe: Twitter

Com a retumbante retirada de cena de Ciro Gomes, anunciada pelo iG na semana passada e que será oficializada amanhã pelo PSB, só restou a candidatura verde de Marina Silva como terceira via para quem já está cansado da disputa presidencial limitada a PT e PSDB nos últimos 16 anos. Fora ela, só sobraram nanicos sem expressão eleitoral.

Marina já estava empatada com Ciro na faixa entre 8 e 10% nas últimas pesquisas Datafolha e Ibope, o mesmo patamar que mantem desde setembro do ano passado, quando sua candidatura foi lançada pelo PV. Desta forma, sem Ciro, são maiores as chances hoje desta eleição presidencial ser decidida no primeiro turno.

Por enquanto, a campanha de Marina, ainda incipiente por aqui, tem feito mais sucesso na imprensa internacional e em eventos no exterior, como o Dia da Terra, em Washington, onde discursou por cinco minutos neste domingo.

Apresentada pela revista Economist como o “outro Silva” da cena brasileira, “um político que parece ter princípios demais para ser jogado na briga de cão eleitoral de uma democracia gigante”, Marina ganhou, em Washington, o apoio entusiasmado do diretor americano James Cameron, aquele do campeão de bilheteria “Avatar”, e palavras amáveis do ambientalista Robert F. Kennedy Jr., filho de Robert Kennedy, assassinado durante a campanha presidencial de 1968 nos Estados Unidos.

“Todo mundo que lê jornais sabe quem ela é”, disse Kennedy Jr. O maior problema de Marina talvez resida exatamente aí:  uma parcela cada vez menor de brasileiros, em relação à população, ainda lê jornais, espaço onde ela encontra boa acolhida. E é bastante pequeno seu tempo de televisão no horário político gratuito, que é o que realmente importa,  ainda um fator decisivo nas nossas eleições. Isolado, o PV não conseguiu se aliar a ninguém até agora para aumentar este tempo.

À frente de um partido pequeno e complicado, em que ela ingressou recentemente, após deixar o PT, onde militou desde a fundação, Marina tenta se equilibrar entre as várias tendências dos verdes, divididas nos estados entre governo e oposição. Embora faça elogios pontuais ora ao PT, ora ao PSDB, até aqui a líder verde tem evitado críticas aos tucanos, e batido cada vez mais forte no governo Lula, do qual foi ministra durante mais de seis anos, e em Dilma Roussef, a candidata petista.

Nos últimos dias, fiel à sua pregação ambientalista, atacou a construção da usina de Belo Monte, no Xingu, e criticou a posição do governo brasileiro em relação ao Irã. Resta saber se estes temas serão capazes de sensibilizar o eleitorado, numa disputa cada vez mais polarizada entre Serra e Dilma, PT e PSDB, governo e oposição, como Lula queria desde o princípio.

Noto pelos comentários publicados aqui no Balaio que cresce a cada semana o número de leitores/eleitores desencantados com este Fla-Flu, agora dispostos a votar em Marina como única alternativa. A questão que se coloca agora é até onde sua candidatura poderá crescer _ e de quem ela tirará mais votos, Serra ou Dilma.

Uma coisa é certa: se houver segundo turno, seu apoio será decisivo. Quem Marina apoiaria? Com a resposta, os leitores.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/04/2010 - 11:37

Buraco da Vejinha resiste bravamente

Compartilhe: Twitter

Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana:

Balaio

Lula: 649

Eleições 2010: 316

Campeonato Paulista: 137

Folha

Eleições: 93

Lula: 24

Belo Monte: 16

Veja (não publica números)

José Serra

Artigo de Dilma Rousseff

Sergio Besserman

***

Em frente ao meu prédio, na alameda Lorena, Jardim Paulista, tem um buraco bem no meio da rua que está completando seu primeiro mês de vida. É um buraco comum, de dimensões até modestas, se comparado aos milhares que as chuvas abriram transformando a vida dos motoristas paulistanos numa verdadeira gincana.

Os vizinhos já o cercaram com cones e cavaletes, que logo foram destruídos, enfiaram nele galhos de árvores para alertar quem passa, ligaram para variados orgãos públicos, mas ele resiste bravamente, apesar de de ter ficado famoso na semana passada, quando virou personagem da matéria de capa da Veja São Paulo, a popular Vejinha, sobre os buracos da cidade.

O nosso buraco de estimação mereceu até o destaque de uma foto colorida, o que nos deu a esperança de que, no dia seguinte, apareceriam rapidamente homens e máquinas dos poderes públicos responsáveis para acabar com aquele novo símbolo de São Paulo. Nada.

Devem estar esperando algum acidente mais grave acontecer para tomar alguma providência. Ou será que ninguém na Prefeitura lê a Vejinha, nenhum funcionário passa de vez em quando pela alameda Lorena por terra, preferindo se locomover apenas por helicópteros?

O dia todo, noite adentro, é aquela sinfonia de carros brecando e buzinando, uma beleza. A longevidade do buraco já fez com que ele se incorporasse à paisagem, como se fosse apenas um acidente da natureza. A Vejinha fez as contas: em 2009, a cada minuto a prefeitura tapou um buraco como este, num total de 691 mil, ao longo dos 17 mil quilômetros de ruas e avenidas da cidade, por onde circulam 3,5 milhões de carros, 230 mil caminhões e 15 mil ônibus.

Não se sabe exatamente quantos permanecem abertos, mas a revista informa que cerca de 308 quilômetros de ruas e avenidas precisam de recapeamento _ apenas um em cada dez quilômetros não tinha buracos. Na semana passada, somente 90,5 quilômetrros estavam sendo recapeados pelas máquinas da prefeitura.

O queijo suiço do asfalto paulistano é apenas um dos sinais de uma cidade que dá a impressão de ter sido abandonada à própria sorte, depois das tempestades do último verão,como se pode ver pelo mato crescendo por toda parte, os relógios eletrônicos desligados há meses, pichações se espalhando em ritmo frenético, áreas alagadas e congestionamentos monumentais a cada chuva mais forte.

O prefeito sumiu? Depois da bem sucedida campanha da Cidade Limpa, carro-chefe da administração que lhe garantiu a reeleição em 2008, o são-paulino boa gente Gilberto Kassab, que desapareceu do noticiário e das ruas, agora corre o risco de não reconhecer São Paulo no dia em que deixar o helicóptero parado e voltar a circular de automóvel. Melhor ainda, se voltar a andar a pé para ver o estado em que se encontram as nossas calçadas…

Bom domingo a todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/04/2010 - 10:54

Por que Lula ainda se arrisca tanto?

Compartilhe: Twitter

Caros leitores,

de uns dias para cá, notei que apareceram no Balaio algumas mensagens estranhas, muito mal escritas, sem pontuação, dizendo sempre as mesmas bobagens, com acusações levianas. Claro que só pode ser coisa encomendada de quem quer se aproveitar deste blog para fazer campanha política. É trabalho de profissional se fingindo de “homem do povo” e, por isso, acha que precisa escrever errado para disfarçar, como se os verdadeiros homens do povo fossem todos analfabetos. Podem desistir. Sou velho, mas não sou bobo. Aqui não entrarão. Vamos preservar o nível dos debates, que vem melhorando muito nas últimas semanas.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

A 254 dias do final dos seus oito anos de governo, o presidente Lula alcança 76% de aprovação na pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, um ponto percentual a mais do que no levantamento anterior. Apenas 5% dos eleitores consideram sua gestão ruim ou péssima. Talvez nem ele mesmo pudesse prever este cenário ao tomar posse em 2003, cercado de desconfianças dos antigos donos do poder aqui dentro e lá fora.

Mesmo com todo mundo já careca de saber que Lula não pode nem quer disputar um terceiro mandato, com o nome da sua candidata há meses nas ruas e nos noticiários, a pesquisa espontânea do Ibope ainda dá o presidente na liderança, com 16% das intenções de voto, seguido por Dilma, com 15%, e Serra, com 14%.  

Imagino que qualquer outro governante numa situação tão favorável, em final de mandato, procuraria apenas se preservar, recolher os resultados dos excelentes indicadores econômicos e sociais já alcançados, e passar o pouco tempo que lhe resta no Palácio do Planalto só tocando a bola e correndo para os abraços de despedida.

Pois o presidente Lula está fazendo exatamente o contrário. Com um pique e uma agenda de quem está no início de governo, querendo fazer um monte de coisas ao mesmo tempo, entrando de cabeça nas bolas divididas da campanha eleitoral, age como se o seu próprio nome estivesse em jogo na urna eletrônica.

O lançamento agora de obras tão grandiosas quanto polêmicas, como a usina de Belo Monte e o trem-bala ligando São Paulo ao Rio, e as constantes viagens pelo Brasil e pelo mundo, colocam o presidente no centro do noticiário, em geral bastante crítico, ao lado das suas cada vez mais ousadas investidas na política externa e nos embates com a Justiça Eleitoral.

Que Lula não foge da raia, gosta de uma boa briga e de desafiar sempre o status quo, todos nós sabemos, desde que ele surgiu na vida pública como líder sindical na segunda metade dos anos 70 do século passado. Assim como não é comum os índices de popularidade de um presidente subirem ao invés de cairem em final de mandato, também não está nos antigos manuais de política este ativismo governamental exacerbado no momento em que o país começa a discutir a sua sucessão.

A única explicação que encontro para este aparente paradoxo está na mesma pesquisa Ibope em que o tucano José Serra sobe um ponto (foi para 36) e a petista Dilma Roussef cai um (para 29), alargando para sete pontos a diferença entre os dois principais candidatos, tudo dentro da margem de erro. No último Datafolha, da semana passada, a vantagem de Serra é de nove pontos.  

Estamos apenas no início da pré-campanha e a candidata do governo, que nunca havia disputado uma eleição, já está no patamar histórico de largada do PT, algo em torno de um terço do eleitorado. Da mesma forma, o candidato da oposição mantem-se dentro da faixa de outro terço dos que não votam no PT. Até aí, está tudo dentro do previsível, como nos mostraram as últimas quatro campanhas presidenciais no país disputadas entre PT e PSDB.

Nos próximos três meses, dificilmente haverá alterações profundas neste quadro, mesmo com a anunciada saída de Ciro Gomes da disputa, com um desfecho previsto para estes dias. Daqui até a Copa do Mundo da África do Sul, as atenções dos brasileiros estarão mais voltadas para o futebol do que para a política. Entre Serra e Dilma, o país parece mais interessado em brigar com Dunga para que ele convoque logo Neymar e Ganso, as novas unanimidades nacionais.  

A terceira fatia do eleitorado, que no momento não está com Serra nem com Dilma, e é quem vai decidir a parada no final, só costuma despertar para a disputa sucessória a partir de agosto, quando começa o horário político no rádio e na televisão. Por isso mesmo, o bom senso recomenda que, quanto menos marola o governo fizer agora, com o presidente Lula se dedicando mais à rotina administrativa do que à campanha, ainda mais num ano em que a economia voltou a crescer, melhor será para ele mesmo e a sua candidata.

O normal em qualquer embate polarizado entre duas candidaturas é que o governo, se bem avaliado, jogue na defesa e, a oposição, sem outra escolha, vá ao ataque. Até agora, porém, nos primeiros lances da pré-campanha, está acontecendo exatamente o contrário, com o presidente Lula sempre na ofensiva e Serra fingindo que não é com ele.

Os leitores teriam alguma outra explicação para a pergunta que faço no título?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/04/2010 - 11:29

O adeus a Tancredo em São João del Rey

Compartilhe: Twitter

Faz 25 anos hoje. No mesmo 21 de abril da morte de Tiradentes, o Brasil perdia em 1985 seu primeiro presidente civil eleito após o golpe militar, ainda pela via indireta. A morte de Tancredo de Almeida Neves antes da posse provocaria a maior comoção popular desde o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954.

Cobri a campanha e a eleição de Tancredo para a Folha de S. Paulo, quando ele derrotou Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, e fui a Brasília na véspera da sua posse marcada para o dia 15 de março. Para recordar aos leitores o que aconteceu naqueles dias após a posse que não houve, recorro mais uma vez ao meu livro de memórias “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter” (Companhia das letras, 2006).

A agonia e morte de Tancredo está contada entre as páginas 135 e 138, de onde tirei os trechos que reproduzo abaixo sobre este episódio trágico da vida política brasileira:

No Incor, em São Paulo, para onde Tancredo foi transportado, cobri seus primeiros dias de agonia, que se prolongaram, cirurgia após cirurgia. Certa noite, “seu” Frias (dono da Folha, já falecido), que não gostava de ser chamado de jornalista mas adorava farejar notícias exclusivas, me deu ordens para viajar a São João del Rey, em Minas Gerais, onde Tancredo nascera e onde vivia sua família. “O quadro dele é irreversível”, garantiu _ e lá fui eu, na certeza de que o desenlace se daria em poucas horas (…).    

Os dias foram passando, eu já entrevistara todos os parentes e amigos de infância de Tancredo Neves, já não tinha mais o que escrever, não aguentava mais comer tutu, torresmo e frango com quiabo; e nada. Pedi para voltar a São Paulo. Acertei a volta para a segunda-feira seguinte. Na noite do domingo 21 de abril, os jornalistas que estavam na cidade só esperando a morte do presidente eleito combinaram ir ao cinema. Quando saíamos do hotel, a recepcionista chamou-me ao telefone. Era Clóvis Rossi, da redação do jornal, me alertando para ficar atento, porque o comunicado oficial da morte de Tancredo estava para sair.

Avisei todo mundo e, em vez de ir ao cinema, fomos a um bar, lotado, para acompanhar o noticiário pela TV e poder descrever a reação dos conterrâneos de Tancredo (…). Quando o porta-voz Antonio Brito leu a nota oficial no início do “Fantástico”, da TV Globo, e Fafá de Belém cantou o Hino Nacional, os sinos começaram a repicar em São João del Rey. O fotógrafo Jorge Araújo e eu, mal acabamos de transmitir o material de domingo, nos pusemos a planejar a cobertura do enterro, que atrairia milhares de pessoas para a histórica e acanhada cidade mineira.

No dia seguinte, logo cedo, fomos fazer uma inspeção no cemitério e descobrimos que o ponto de melhor visão para o fotógrafo era o banheiro de uma casa vizinha, que alugamos por um valor módico. O que ninguém poderia esperar era o esmero do pedreiro encarregado de fechar a cova do presidente, que só foi terminar seu trabalho lá pelas onze horas da noite. Saímos dali correndo para o hotel, assustando soldados, na tentativa de pegar ainda aberto o jornal. “Tancredo enterrado à noite, após o adeus da sua cidade”, foi o título da matéria que o jornal abriu na primeira página no dia seguinte e que começava assim:

“O toque de silêncio. Uma salva de 21 tiros de canhão. Apenas duzentas pessoas dentro do cemitério. A cidade recolhida, calada. Foi o ato final destes quarenta dias que abalaram o Brasil. Tancredo de Almeida Neves, o primeiro presidente civil depois de 21 anos de regime militar, que morreu antes de tomar posse, foi enterrado às 22h54 de ontem, na sepultura número 84 do pequeno cemitério da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis, em São João del Rey, Minas Gerais.

O sepultamento estava inicialmente marcado para as 17h, mas foi adiado por determinação de dona Risoleta Neves para que todos os são-joanenses, que desde cedo formavam longas filas diante da igreja de São Francisco de Assis, pudessem ver o corpo do presidente. O esquife foi levado por irmãos da Ordem Terceira em seus hábitos negros até a entrada do cemitério e entregue à família. Na frente, trazendo o caixão até a sepultura, vinham o presidente José Sarney e o filho Tancredo Augusto, enquanto a banda do Regimento Tiradentes tocava a marcha fúnebre de Chopin. Os sinos da igreja de São Francisco de Assis, onde o corpo estava sendo velado desde as 11h30, dobraram mais forte”.

***

Muitos analistas políticos ainda se perguntam até hoje como seria o Brasil se Tancredo Neves não tivesse morrido antes de tomar posse. Eu não saberia responder porque me limito ao ofício de repórter. Se os caros leitores tiverem alguma idéia, por favor, mandem seus comentários para abrirmos o debate neste dia de feriado por variados motivos _ entre outros, o nascimento de Brasília, que hoje comemora 50 anos, em meio à maior crise política da sua história.

***

Em tempo: acabei de publicar no Balaio, às 12h07, belo comentário enviado pela leitora Rejane Beatriz Alves Ferreira, no post de dias atrás sobre os bichos ameaçados no Parque da Água Branca. Ela conta como salvou alguns deles por conta própria e denuncia o desaparecimento de galinhas e patos do parque público. Vale a pena ler a mensagem dela.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
19/04/2010 - 15:41

São Paulo tem que chamar o Baresi

Compartilhe: Twitter

Vila Belmiro, 18 de abril, domingo, diante de 13 mil torcedores: os meninos do Santos dão um passeio nos senhores do São Paulo, metem 3 a 0 sem perdão e se classificam para os finais do Paulistão.

Pacaembu, 25 de janeiro, aniversário da cidade, diante de 23 mil torcedores: os meninos do São Paulo ganham por 3 a 0 dos meninos do Santos, nos penaltis, e conquistam o título invicto da Copa São Paulo de 2010.

Sim, havia 10 mil torcedores a mais no jogo dos juniores do que na semifinal de domingo.  Será que isto não diz nada aos dirigentes do São Paulo?

Bem diferente do jogo da Vila Belmiro, em que o time principal do São Paulo mais uma vez se arrastou em campo e não achou a bola, no confronto entre os juniores os dois times mostraram o mesmo futebol rápido, sempre em busca do gol, com ataques lá e cá, uma final emocionante. 

Eu assisti aos dois jogos e me lembro bem do que aconteceu, com sinais invertidos, num intervalo de pouco mais de  três meses. Mas parece que o técnico Ricardo Gomes e Juvenal Juvêncio, o sábio e todo-poderoso presidente do tricolor, não foram ao jogo do Pacaembu _ se foram, não viram nada, ou já se esqueceram.

“Na final da Copa São Paulo, o melhor do nosso futebol”: este foi o título aqui do Balaio na matéria publicada poucos minutos após o final da partida, em que o goleiro Richard defendeu três penaltis e saiu carregado como herói.

Alguém já viu Richard pelo menos no banco de reservas do São Paulo, depois dos frangos que o grande Rogério Ceni vem levando ultimamemente? Não, nem Richard, nem qualquer outra revelação do time campeão de juniores.

Ao contrário do Santos, o São Paulo parece que tem vergonha _ ou medo, sei lá _ dos jogadores revelados nas suas equipes de base, que custam um bom dinheiro por ano ao clube.

Cadê o meia Oscar, que no final de 2008 o Muricy me disse que seria o novo Kaká _ e depois foi para a Justiça contra o clube, entre outros motivos porque não o colocavam para jogar, como aconteceu também com o lateral Diogo? Cadê o Sergio Motta e o Wellington, que desapareceram depois de serem promovidos ao time principal?

Além do goleiro Richard, este time campeão da Copa São Paulo apresentou um balaio de outros bons meninos que, se fossem do Santos, poderiam disputar uma vaga entre os titulares: o zagueiro e capitão Bruno Ovini, o lateral esquerdo Felipe, o volante Casemiro, um craque pronto, os meias Mercelinho (não este Paraíba que o São Paulo trouxe de volta depois de velho) e Jefferson, e os atacantes Ronieli (autor de um gol de placa, de fora da área, na final) e Lucas Gaúcho, o artilheiro da Copa São Paulo, com nove gols.

Este time do técnico Sérgio Baresi, um ex-zagueiro do próprio São Paulo, na contra-mão dos masters de Ricardo Gomes, marcou 29 gols em oito jogos e sofreu apenas três, com sete vitórias (várias de goleada) e um empate.

Se a diretoria do São Paulo não se lembra deles, pode procurá-los no CT de Cotia, onde devem estar asssistindo a muitos jogos pela televisão, comendo bem e aproveitando as horas vagas para pensar no que vão fazer da vida _ de preferência, longe do Morumbi, que prefere os Washingtons e os Richarlysons espancando a bola.

Por ironia do destino, lembro-me que, no mesmo dia da final dos juniores, Juvenal Juvêncio anunciou, com todo o garbo que lhe é peculiar, a contratação do grande Cleber Santana, que o Santos não quis mais porque não caberia num time de garotos.

Pois é exatamente isso que o São Paulo deveria fazer: dispensar o Cleber Santana e toda aquela turma com prazo de validade vencido e chamar os meninos, como o Santos fez, e se deu bem.

Como este time do São Paulo não vai mesmo muito longe na Libertadores, o São Paulo poderia dispensar seu elenco de veteranos e convocar Sergio Baresi, que já os conhece, para treinar os meninos no time de cima, e assim evitar um outro vexame no Brasileirão.  Ainda está em tempo.

Em tempo:  parabéns ao técnico Dorival Júnior e à diretoria do Santos pela coragem de dar fôrça e liberdade à molecada.  E o técnico Dunga? Será que já viu o que o Neymar anda jogando? Pode se informar com o Ricardo Gomes…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
18/04/2010 - 13:32

Pesquisas e a vida real nas eleições

Compartilhe: Twitter

Caros leitores,

tive problemas de conexão da internet neste fim de semana em Porangaba.

Por isso, muitos comentários, liberados por mim, não apareceram publicados, o que só consegui consertar agora, já na segunda-feira. Grato pela compreensão.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana

Balaio

Eleições 2010: 817

Pedofilia na Igreja: 668

Neymar na seleção: 142

Folha

Eleições: 84

Lula: 41

Chuvas: 36

Veja (não publica números)

Tragédia no Rio de Janeiro

Lya Luft

Gustavo Ioschpe

***

Nós ficamos aqui discutindo a semana inteira os diferentes resultados das pesquisas, como se este fosse o mais importante tema das eleições presidenciais deste ano, capaz de decidir seu resultado. Pura bobagem, como podemos verificar na manchete da Folha este domingo: “Renda no Brasil volta asubir no ritmo pré-crise _ Melhora está mais ligada ao rendimento do trabalho do que a programas como o Bolsa Família, diz analista”.

O mesmo jornal, tão criticado pelos leitores por divulgar um Datafolha com José Serra dez pontos á frente de Dilma Rousef (38 a 28), no sábado, resultado bem diferente de outras pesquisas, publica neste domingo uma alentada reportagem do repórter Fernando Canzian que nos leva de volta à vida real dos brasileiros:

“No ano eleitoral de 2010, o aumento de renda no Brasil retomou os níveis anteriores à crise de 2009, e o poder de compra das famílias antigiu o maior patamar em uma década e meia. Além disso, a proporção de brasileiros abaixo da linha de miséria caiu 43% desde 2003″, informa o jornal em sua primeira página.

“Distribuição de renda deve marcar eleição _ Melhora do poder aquisitivo retoma ritmo pré-crise; ganhos com o trabalho superam de longe os com benefícios sociais”, acrescenta o jornal na manchete da reportagem publicada em duas páginas internas.

A reportagem de Canzian derruba esta balela de que a aprovação recorde do governo Lula (caiu de 76 para 73% no último Datafolha, dentro da margem de erro, mas ainda é a maior na série histórica do instituto) se deve apenas aos pobres do Bolsa Família. O aumento da renda do trabalhador brasileiro permite hoje que ele compre 2,2 cestas básicas com o salário mínimo de 510 reais, enquanto em 2003 só podia comprar 1,2  com 200 reais _ ou seja, a metade.

O resto é filosofia e disputa de slogans entre marqueteiros. Os números levantados pela reportagem levaram até o insuspeito cientista político tucano Leôncio Martins Rodrigues a concluir que “não há dúvida” de que a renda em alta é “trunfo” para Dilma Roussef.

Na hora da onça beber água, a pergunta que todos se fazem é muito simples: minha vida melhorou ou piorou nos últimos oito anos em relação ao período anterior? A reportagem da Folha não deixa dúvidas: enquanto a classe C hoje representa 53,6% da população, a classe E, a dos mais pobres, caiu de 29,5% para 17,4%. “A proporção de brasileiros vivendo abaixo da linha de miséria caiu expressivos 43% desde 2003″,  informa a Folha.

Mais do que qualquer pesquisa neste momento, são estes indicadores que, mais à frente, levarão os eleitores a decidir seu voto no momento em que se projeta um crescimento de até 7% para a economia brasileira em 2010. É esta a conclusão a que qualquer leitor chega ao terminar de ler a reportagem de Fernando Canzian.

O grande desafio de José Serra, lider absoluto nas pesquisas, seja qual for a pesquisa, é ser o candidato de oposição numa circunstância econômica e social muito favorável ao governo. Por isso mesmo, o presidente Lula, sempre poupado pelo candidato da oposição, deveria dedicar todo seu tempo a cuidar mais do governo do que da campanha de Dilma _ até porque, se o país continuar neste mesmo ritmo de crescimento econômico e diminuição das desigualdades sociais, o resultado da eleição pode ser uma consequência natural, longe dos palanques, e mais perto da vida real.

A semana no Balaio

Com a chegada diária de novos leitores, muito bem-vindos, estou tendo mais trabalho para fazer a moderação de comentários. Esta semana, os três assuntos mais comentados no Balaio, renderam 1627 comentários publicados até as 10 horas de domingo, fora os que me vi obrigado a excluir, que não foram poucos, já que tratamos aqui de assuntos bastante polêmicos.

Para se ter uma idéia da força da internet na interação com os leitores, o total de mensagens recebidas durante a semana pela Folha, o jornal de maior circulação no país, chegou a 639.

Agradeço a todos vocês pela participação nestes debates aqui no Balaio e desejo um bom domingo a todos. Agora vou cuidar do almoço aqui no sítio de Porangaba. A família já está reclamando.

Correção: o caro Eduardo Guimarães e outros leitores me alertaram para um erro na minha afirmação acima de que o candidato José Serra é líder absoluto em todas pesquisas até agora. Na pesquisa Sensus, divulgada na semana passada, Serra e Dilma aparecem empatados.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
Voltar ao topo

oferecimento