2010 fevereiro | Balaio do Kotscho
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Arquivo de fevereiro, 2010

27/02/2010 - 19:20

Dilma está a 4 pontos de Serra: e agora?

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Atualizado às 20:00 de 2.3

Caros leitores,

aos que notaram a minha ausência na atualização do blog, informo que estou em Brasília a trabalho e só volto na quarta-feira de manhã a São Paulo. Na medida do possível, vou liberando os comentários.

Grato pela compreensão.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Atualizado às 10h15 de domingo, 28.2

***

Os três assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana

Balaio

Drama e azar na Mega-Sena: 270

30 anos de PT: 189

Ciro e Tasso: 105

Folha

Crise no DF: 57

 Eleições: 40

Dilma: 33

Veja (não publica mais os números de comentários recebidos)

Dilma Roussef

Estilo Suri Cruise das crianças

Semiliberdade para assassino

***

Num post de dias atrás sobre o cenário eleitoral, escrevi que partidos e candidatos aguardavam ansiosamente pelas pesquisas de março para definir seus caminhos. Por mais que a gente não goste ou não queira, pesquisas ainda são fundamentais na vida política brasileira em anos eleitorais. São elas que podem ajudar ou não a confirmar candidaturas, definir apoios, alianças, estratégias e recursos para as campanhas.

Março ainda não chegou, mas em sua edição deste domingo, último dia de fevereiro, o Datafolha mostra uma importante inversão nos números das pesquisas anteriores. Caiu para apenas 4 pontos a diferença entre José Serra, do PSDB, e Dilma Roussef, do PT.  Como a margem de erro é de 2 pontos para mais ou para menos, a pesquisa indica, no limite, um empate técnico, pela primeira vez, na corrida presidencial.

Em relação à pesquisa anterior, de dezembro, Serra caiu 5 pontos _ de 37 para 32 _ e Dilma subiu 5 pontos _ de 23 para 28. O mesmo ocorreu na projeção para o segundo turno: a diferença diminuiu 11 pontos _ de 15, na pesquisa anterior, para somente 4 agora. Serra caiu de 49, em dezembro, para 45, no final de fevereiro; Dilma subiu neste período de 34 para 41. 

No segundo pelotão, os índices permaneceram praticamente inalterados: Ciro Gomes, do PSB, foi de 13 para 12, e Marina Silva, do PV, manteve os mesmos 8 pontos da pesquisa anterior.

E agora, senhoras e senhores? Com os números na mão, todos poderão fazer seus jogos. Em primeiro lugar, é preciso ver o que aconteceu nos últimos dois meses para o Datafolha revelar uma diferença tão grande entre uma pesquisa e outra, com um candidato caindo e outro subindo na mesma proporção.

De um lado, falou-se muito nas últimas semanas no “inferno astral” de Serra, que faz aniversário no próximo dia 19, dia de São José, ironicamente o padroeiro das chuvas no nordeste, as mesmas chuvas que causaram enchentes, prejuízos  e mortes em São Paulo, o Estado governado pelo possível candidato tucano. Além disso, o DEM, seu principal aliado, partido do prefeito paulistano Gilberto Kassab, entrou em profunda crise após os escândalos envolvendo o governador de Brasília, José Roberto Arruda, que continua preso.

De outro, Dilma Roussef ganhou todos os holofotes da mídia e as capas de jornais e revistas na semana passada ao ser aclamada como candidata do governo no Congresso do PT, que comemorou os 30 anos do partido. Enquanto ela já está na estrada, José Serra ainda reluta em anunciar oficialmente sua candidatura, aumentando a angústia de tucanos e aliados.

Nem os mais próximos colaboradores do governador, com quem conversei na semana passada, sabem ainda qual decisão, afinal, ele irá tomar. “Ele não fala sobre isso com ninguém”, disse-me um secretário estadual muito próximo a Serra, no final da tarde de sexta-feira, mostrando-se preocupado com a indefinição.

Na visão dele, Serra será candidato a presidente porque, simplesmente, não tem outra escolha. “Seria muito ruim para a biografia dele, um fim de carreira melancólico, a esta altura, se desistisse da candidatura presidencial para disputar a reeleição em São Paulo. Por isso, eu acho que ele será candidato a presidente de qualquer jeito”.

Resta saber como o governador irá reagir aos novos números, ele que vinha liderando as pesquisas presidenciais, com folga, desde o início do ano passado. O jogo está só começando.

***

O texto acima foi escrito no sábado à noite com base nas primeiras informações sobre o Datafolha divulgadas pelo iG. Na edição de hoje da Folha, há outros números e dados importantes para entender o novo cenário, que reproduzo abaixo:

* Sem Ciro na disputa, Serra vai a 38, Dilma a 31 e Marina a 10.

* Sem Serra, Dilma ganharia de Aécio, o provável substituto tucano: 30 a 13 (Ciro ficaria em segundo, com 21).  

* Serra é o mais rejeitado, com 25; em Dilma, não votariam 23% dos eleitores.

* Serra é conhecido por 96% dos eleitores; Dilma, por 86%

* Votariam no candidato apoiado por Lula 42% dos eleitores; talvez, 26%; não votariam, 22%

* Na pesquisa espontânea, 10% citaram o nome de Lula, que não é candidato, o mesmo índice de Dilma; Serra foi citado por 7% e “candidato de Lula” por 4%. Na soma, Dilma ficaria com 24% na espontânea.  

* A avaliação positiva do presidente Lula, em seu último ano de governo, passou de 72%, em dezembro, para 73%, em fevereiro, o maior já registrado pelo Datafolha na série histórica. O índice negativo ficou em apenas 5% e, o regular, em 20%.

***

No post sobre o drama da moça que não registrou o bilhete premiado da Mega-Sena e o azar dos apostadores, o mais lido da semana, fiz uma brincadeira sobre meu hábito de jogar toda semana no bolão, que não foi entendida por alguns leitores: “Nunca me ligaram da loteria, pois do contrário, não estaria mais aqui escrevendo…”.

Chegaram a dizer que iriam torcer para eu jamais acertar na loteria e assim continuar fazendo este Balaio. Aproveito para esclarecer que continuo escrevendo não só porque preciso ganhar um salário no final do mes, depois de 45 anos de trabalho, mas também porque gosto, é a única coisa que aprendi a fazer na vida. 

Nos poucos dias em que não escrevo, sinto falta deste encontro com vocês. Podem ficar tranquilos. Não precisam torcer contra… Um premiozinho sempre é bem vindo… E prometo pagar uma cervejada pra esta turma boa do Balaio.

Bom domingo pra todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/02/2010 - 09:44

O drama da moça e o azar da turma da Mega-Sena

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Toda semana compro um pedaço de dez reais do bolão da Mega-Sena na loteria aqui perto de onde moro. Deixo nome e telefone. A japonesa que me atende até já sabe o que quero, nem preciso falar. É uma relação de confiança. Jamais me passou pela cabeça que a loja pudesse não registrar o jogo na Caixa Economica Federal.

Além do bolão, faço mais cinco jogos numa aposta individual, pego os bilhetes e entrego para a minha mulher. E esqueço o assunto. Nunca me ligaram da loteria, pois, do contrário, não estaria mais aqui escrevendo…  

No dia seguinte ao sorteio, invariavelmente, a Mara. depois de conferir os números do sorteio, vem me avisar logo cedo: “Não deu nada”. E ela já sabe o que vou responder: “Vamos ter que continuar trabalhando…”. Toda semana é assim, tudo sempre igual, como nos versos do Chico.

Deve ser esta a mesma rotina de milhões de brasileiros que trabalham para pagar suas contas no fim do mes e sabem que a loteria é a única esperança de poder ter uma vida tranquila em que não precisem mais se preocupar com o tal do dinheiro.

Não costumo sonhar e fazer planos para o dia em que ganhar a sorte grande. Jogo por jogar, mais por hábito do que por ganância. Nem gostaria de ganhar sozinho um premio fabuloso como o deste sábado, que deve passar dos 70 milhões de reais. Dinheiro demais dá problema, como já vimos em tantos outros casos de novos milionários.

Pior do que não ganhar, eu sei, é ganhar e não receber, como aconteceu esta semana com os 40 apostadores da cidade gaúcha de Novo Hamburgo, que acertaram o bolão de sábado passado, mas vão ter que continuar trabalhando porque o jogo não foi registrado pela lotérica. O prêmio estava acumulado em 53 milhões de reais e já dava um bom dinheiro para cada um levar uma vida mais tranquila, mas o destino não quis assim.

Logo entraram em cena os apostadores inconformados, delegados, advogados e todo mundo deve ter pensado, claro, numa maracutaia dos donos da lotérica: eles pegavam o dinheiro do bolão e simplesmente não faziam o jogo, embolsando a grana. No Brasil, infelizmente, é assim: todo mundo é culpado até prova em contrário.

Pois as cenas que vi na televisão na noite desta quinta-feira me deram a certeza de que o dono da lotérica, José Paulo Abend, tinha razão ao falar que foi uma “falha humana”. As imagens do circuito interno da lotérica mostram o momento em que a moça encarregada de fazer o jogo volta à “cena do crime” no sábado à noite, abre a gaveta sob a máquina, desespera-se, põe a mão na cabeça e cai no choro.

Quando ficou sabendo que mais uma vez ninguém tinha acertado as seis dezenas e o premio acumulara de novo, ela estranhou porque aqueles números estavam no comprovante do bolão, que seu pai também tinha comprado. Quer dizer, a bela jovem Diane Samar da Silva, 21 anos, azarou a vida da sua própria família, além dos outros 40, que foram dormir ricos e acordaram pobres ou remediados do mesmo jeito de sempre.

Agora não adianta advogado colocar a roupa mais bonita para ir à televisão dizendo que vai processar a lotérica, a Caixa Economica Federal, o diabo a quatro. Aconteceu. Por tudo que vi e li, não houve má-fé, estelionato, nada disso. Foi mesmo uma falha humana a que todos estamos sujeitos e posso imaginar o drama que a moça Diane está vivendo neste momento sozinha em sua casa, sem poder andar nas ruas da bonita cidade de Novo Hamburgo. São coisas que acontecem, fazer o que? Jogar mais uma vez…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/02/2010 - 15:14

Para onde irão agora os amigos Ciro e Tasso?

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Caros leitores,

acabei de ver agora a primeira edição de um novo blog que é uma beleza para quem gosta de ler. Foi criado pelo meu amigo Fernando Portela, titular do primeiro time dos repórteres brasileiros. Como hoje estou sem assunto e sem ânimo para escrever, recomendo a leitura de “A sorte é para quem tem”, que abre o blog. Confiram e me digam se não tenho razão:

http://fernandoportela.wordpress.com

Abraços,

Ricardo Kotscho

***   

Ao dar uma olhada no noticiário político sobre a campanha presidencial, sem grandes novidades nesta quarta-feira, as informações sobre dois importantes personagens, Ciro Gomes e Tasso Jereissati, chamaram-me a atenção e levaram-me a viajar no tempo até um episódio de que fui testemunha muitos anos atrás.

No final de 1993, durante um almoço na Cantina do Mário, no bairro do Ipiranga, perto do Instituto Cidadania, onde Lula começava a montar sua segunda campanha presidencial para o ano seguinte, foi praticamente selada uma aliança histórica entre o PT e o PSDB.

Com as bençãos de Ciro Gomes, velho amigo e aliado de Tasso, e na presença também do jornalista Egídio Serpa, meu bom amigo e assessor dos dois políticos do Ceará, uma chapa foi montada antes que fosse servido o café: era Lula para presidente e Tasso para vice. Claro que era só uma idéia, que precisaria ser discutida pelos partidos, mas os três sairam do almoço convencidos de que aquele era o melhor caminho para o Brasil.

Àquela altura, o PSDB ainda não tinha candidato. O caminho parecia livre para esta articulação. Nem se falava no nome de Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco, que estava em dúvida se seria candidato à reeleição ao Senado ou disputava uma cadeira de deputado federal. 

Poucos meses depois, surgia no cenário o projeto do Plano Real, que acabaria com a inflação de um dia para outro, e transformaria o ministro da Fazenda não só no candidato do PSDB, como em candidato imbatível, como logo se veria.

Lembrei-me deste almoço, que poderia ter mudado completamente o quadro político-partidário do país, ao ler no noticiário que Ciro Gomes pode tanto ser candidato a presidente da República como a governador de São Paulo, e que o nome de Tasso Jereissati já está sendo cogitado pelo PSDB como vice de José Serra, caso ninguém consiga convencer Aécio Neves a aceitar este papel.

Com a debacle do DEM, o aliado preferencial dos tucanos desde sempre, o PSDB pode ser obrigado a montar uma chapa puro-sangue, o que seria inédito nas eleições presidenciais do país. Entre os nomes cogitados, surgiu o de Tasso, que não tem sua reeleição assegurada para o Senado pelo Ceará.

Ciro, por sua vez, que construiu sua carreira sempre ao lado de Tasso, está numa encruzilhada em que pode querer tudo, mas corre o risco de ficar sem nada, já que não pensa em se candidatar novamente a deputado federal.

Nas voltas que a vida dá, PT e PSDB são hoje as duas forças hegemônicas e antagônicas que disputam o poder no Brasil a cada eleição.  Entre o almoço na Cantina do Mário e o surgimento do Plano Real, o destino traçou o caminho de Lula, Tasso, FHC e Ciro, do PT e do PSDB, e da história política do país nas últimas duas décadas.

Qual a surpresa que nos guardaria esta eleição de 2010, a menos de oito meses de irmos às urnas, ainda sem a definição do quadro de candidatos?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/02/2010 - 11:36

Molecada do Santos contra o velho futebol

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Como faço todos os janeiros, asssisti a vários jogos da Copa São Paulo no começo do ano. Ver a molecada jogando é o que tem de melhor para quem gosta de futebol. É bola pra frente, sem medo de driblar e ousar, com alegria no pé, chutar de qualquer lugar, brincar com a bola, buscar sempre o gol.

Aí começa o Campeonato Paulista de profissionais e é aquele velho ramerão de sempre, o futebol burocrático e medroso dos “professores” que entram em campo para “buscar o resultado”, apenas para cumprir a tabela.  

A única exceção, a grande novidade do futebol paulista e brasileiro, é esse fantástico time do Santos, que o humilde e competente Dorival Júnior montou sem gastar milhões nem contratar veteranos medalhões, apenas abrindo espaço para a molecada que já estava lá. E, ainda por cima, trouxe de volta Robinho, a melhor expressão dos “Meninos da Vila” que encantaram as platéias anos atrás. 

Líder disparado do Paulistão, seis pontos à frente do Corinthians, oito do São Paulo e nove do Palmeiras, com 27 gols em dez jogos, o Santos está sobrando em campo.

Só a dupla Neymar e Ganso já marcou 13 gols, mais do que os ataques da maioria dos times grandes e pequenos deste campeonato (o iG  desta terça-feira informa na capa que cada gol de Ronalducho no Corinthians sai pela bagatela de 232 mil reais).

O Santos foi na contra-mão dos outros times grandes de São Paulo: valorizou e promoveu seus jogadores da base, deu liberdade a eles para jogar bola, sem a camisa de força dos retranqueiros de salários milionários. De um ano para outro, virou outro time _ um grande time, que lembra os bons tempos do clube de Vila Belmiro.

Enquanto isso, o São Paulo, que foi campeão da Copinha, já contratou 11 jogadores este ano, a grande maioria meia boca, não promoveu ninguém dos juvenis e até hoje sua torcida não sabe qual é o time titular.  

O Corinthians, que continua gastando o que não tem, mais preocupado com o marketing e a festa do centenário do que com o futebol propriamente dito, também prefere investir em jogadores já em fim de carreira do que dar uma chance aos meninos das equipes de base.

O mesmo acontece com o Palmeiras, que vai amontoando jogadores no elenco, e ocupa um honroso oitavo lugar na tabela. Pode ser que agora, com Antonio Carlos, já sabendo que o clube, cada vez mais endividado, não vai contratar mais ninguém, o time abra vagas para seus jovens talentos, que também não faltam no Parque Antártica, como vi na Copa São Paulo.

Este ano, se nada mudar nos três grandes da Capital, vamos ter no Paulistão um choque de gerações: o futebol moleque do Santos contra o velho futebol de masters dos outros grandes. Quem vocês acham que vai ganhar?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/02/2010 - 11:34

Os 30 anos de PT vistos cá de fora

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ATENÇÃO AMIGOS LEITORES:

ESTÁ CIRCULANDO EM MEU NOME UM E-MAIL COM O TÍTULO “CONVITE ESPECIAL”. NÃO ABRAM! É VIRUS! RECEBI ESTE E-MAIL HOJE DE MANHÃ EM NOME DE RICARDO GIRALDEZ (UM FOTÓGRAFO MEU AMIGO) E NÃO CONSEGUI ABRIR O ANEXO. EM SEGUIDA, VÁRIOS AMIGOS RECEBERAM O MESMO TEXTO COMO SE FOSSE MEU.

ABRAÇOS,

RICARDO KOTSCHO

***

Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana

Balaio

Eleições _ As pesquisas de março: 198

Futebol _ Muricy do céu ao inferno: 95

Internet _ Loteria no Brasilzão: 91

Folha

Crise no DF: 81

Eleições: 33

Carnaval: 32

Veja (a revista não pública mais números)

José Roberto Arruda na prisão

Peso sob controle

Inchaço da máquina estatal federal

***

Vi pela televisão as belas e emblemáticas imagens da aclamação de Dilma Roussef como candidata a presidente da República, ao final do IV Congresso do PT que comemorou neste sábado os 30 anos do partido, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.

Alguns amigos e leitores estranharam que eu não estivesse lá, mas a razão é simples: porque não fui convidado. Esqueceram de mim… Nem por isso deixei de me emocionar e ficar muito feliz como as mais de duas mil pessoas que lá estavam vendo aquelas cenas da chuva de estrelas caindo sobre Dilma, entre Lula, Marisa e Zé Alencar, um retrato bonito de fôrça e unidade partidária. 

Cá de fora, senti-me da mesma forma participante desta história que acompanhei por dentro e de perto, desde antes da criação do PT, embora nunca tivesse me filiado ao partido.

Em 1978, ao voltar de uma temporada como correspondente do Jornal do Brasil na Europa, ainda na juventude dos 30 anos, dei a sorte de cair direto no ABC, a região conflagrada próxima a São Paulo, onde um movimento de metalúrgicos liderado por um tal de Lula, que eu ainda não conhecia pessoalmente, se levantara contra a ditadura militar na defesa dos seus direitos e se transformou no centro de resistência democrática.

Escalado por Mino Carta, o bravo criador e comandante da primeira fase da revista IstoÉ, tornei-me uma espécie de correspondente de guerra no ABC, de onde escrevia quase toda semana sobre assembléias, greves, intervenções, conflitos de rua, negociações e os novos personagens que brotavam daquele movimento.

Naquela época, Lula, que ainda não havia incorporado o apelido ao nome Luiz Inácio da Silva, nem usava barba, não podia nem ouvir falar em partido político. Seu mundo se resumia à luta dos trabalhadores por melhores salários e ele queria distância, tanto da velha esquerda manietada pela ditadura, como dos intelectuais que a cada dia mais se assanhavam com o que acontecia de novo naquele reduto de fábricas e peões.

Logo nos tornaríamos amigos, cada um respeitando o papel do outro, o que me permitiu ter acesso a fontes e informações que foram muito importantes no meu trabalho como repórter, sem nunca brigar com os fatos.   

Em menos de dois anos, porém, sua figura e o movimento que comandava já haviam conquistado tal projeção nacional que não cabiam mais na velha sede do sindicato da rua João Basso, no centro de São Bernardo do Campo, perto do bar do Gordo, onde se servia um caprichado caldo de mocotó. 

Com a anistia, a volta dos exilados, a crescente força da Igreja progressista nas comunidades de base, a  movimentação pela criação de novos partidos em lugar dos dois consentidos pela ditadura _ Arena e MDB _ e o renascimento do movimento sindical em todo o país, na esteira do ABC, o que Lula por princípio não queria acabou acontecendo: em 1980, surgia o Partido dos Trabalhadores, quase como o desaguadouro natural de todas as lutas pelo fim do regime militar e a volta da democracia.

Em torno de Lula, disputavam espaço no comando do novo partido lideranças sindicais e da academia, da esquerda ortodoxa e da que estava deixando a clandestinidade, e membros da Igreja progressista, formando um barulhento saco de gatos que não estava previsto nos manuais da política brasileira.

Para se ter uma idéia, num dos primeiros encontros do novo partido para definir seu programa e a direção, ainda em 1980, na Câmara Municipal de São Paulo, os debates estavam tão acalorados que um velho colega de jornal veio me alertar: “Você que é amigo do Lula avisa ele que, se não derem um jeito nisso, a turma do sindicato vai perder o comando do partido para esses malucos”.

Levei a preocupação do colega ao Lula e ele riu, respondendo de bate pronto: “E você quer que eu faça o que? Chame a polícia?”.

Nos 30 anos seguintes, Lula nunca teve que chamar a polícia para acalmar seus companheiros mais radicais, que se organizaram em tendências minoritárias dentro do partido. Até hoje, muitos deles defendem as mesmas propostas daquele tempo, como aconteceu ainda agora no Congresso de Brasília, assustando alguns setores da imprensa que ainda não entenderam o que é o PT. Faz parte do jogo, diria seu criador, dando de ombros, e seguindo em frente.

O fato é que os mesmos movimentos sindicais e populares que deram origem ao partido estão lá até hoje e formam sua sólida base social, algo único na estrutura partidária brasileira, que diferencia o PT dos demais.

Só na boa conversa, sabendo como e aonde queria chegar, Lula foi levando o barco até fazer o partido entender, em 2002, que, sozinho, sem fazer alianças, sem se abrir para o conjunto da sociedade, o PT jamais chegaria lá. Eleito e reeleito presidente da República, do alto dos 80% de aprovação do seu governo, que mudou a cara e a alma do país, agora ele comanda o processo da sua sucessão, desde a indicação da candidata até a política de alianças.

Acho que nem ele, nos seus sonhos mais delirantes, entre uma greve e outra no ABC dos anos 1970, ao longo das intermináveis negociações com os patrões ou nos dias que passou na cadeia do DOPS, poderia imaginar que, três décadas depois, um operário como ele, sertanejo de Caetés, iria dormir mais uma vez no Palacio da Alvorada, depois da festa de lançamento de uma mulher à Presidência da República, tendo ao lado um dos maiores empresários do país, os três aplaudidos por todo o PT.

Quem estiver interessado em saber mais sobre como tudo isso foi possível acontecer, desde o começo, recomendo a leitura do livro “Do Golpe ao Planalto – Uma Vida de Repórter”, da Companhia das Letras, de minha modesta autoria, lançado em 2006.

Só posso dizer que valeu a pena ter vivido este tempo e ajudado a tornar realidade sonhos que pareciam impossíveis.

Bom domingo a todos.

Em tempo: alguns leitores me escrevem perguntando o que acho de toda esta discussão sobre uma dicotomia entre “lulismo” e “petismo”. Acho uma grande bobagem, como se fosse possível separar um ente do outro, criador e criatura. Por isso, é que nem toquei neste assunto no meu post.

“Lulismo” e “petismo” estão umbilicalmente ligados, um não vive sem o outro, apesar das eternas disputas internas e dos eventuais desencontros. Ou alguém poderia imaginar o Lula no PSDB do Álvaro Dias, no DEM de Rodrigo Maia ou no PPS de Roberto Freire?

O que os grandes sábios ainda não entenderam é que programa de partido é programa de partido, programa de governo é programa de candidato e governo é governo, tem que governo para todos, ora pois, pois. Será que é tão difícil entender a diferença?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/02/2010 - 11:29

Comovente tributo à obra de Chico Buarque

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O convite do amigo Wagner Homem, o popular Cachorrão, veio por e-mail:

“Caro Ricardo. Montei um show baseado no meu livro Chico Buarque – Histórias de Canções. Nele Rogério Silva toca violão e canta e eu vou ponteando com histórias entremeadas com áudios documentais, alguns raros como, por exemplo, o momento em que surge a canção “Vai Passar”, e trechos da famosa entrevista que Chico deu ao jornal Última Hora como Julinho da Adelaide.

Vou fazer dois ensaios, nas datas e endereços abaixo, apenas para amigos e alguns convidados da área de shows e gostaria muito de contar com sua presença e depois ouvir sua opinião”.

Ainda encantado e comovido com o show que acabara de assistir na noite desta sexta-feira, no pequeno auditório do Clube Helvetia, fui embora rapidamente e deixei para dar aqui no Balaio a minha opinião por escrito.

Foram duas horas memoráveis de uma viagem pelos melhores tempos da música popular brasileira em que tive o privilégio de embarcar, junto com umas outras trinta testemunhas, que certamente não esquecerão tão cedo desta noite.

Posso estar enganado, porque me empolgo ou decepciono com muita facilidade, mas tenho a impressão de ter visto nascer um belíssimo espetáculo, que deverá rodar o Brasil e ficar em cartaz por muito tempo.

É tudo muito singelo: no palco, apenas duas cadeiras e duas mesinhas, uma acanhada aparelhagem de som, um roteiro com as histórias das canções, a “cola” que Cachorrão vai desfolhando e jogando no chão, e um violão, fantásticamente tocado por Rogerio Silva, levando a platéia a cantar junto com eles.

Administrador de empresas formado pela FGV e trabalhando atualmente na área de Tecnologia da Informação, amigo de Chico há mais de vinte anos e responsável pelo site do compositor desde que foi criado em 1998, Wagner Homem, 59 anos, paulista de Cataduva,  foi reunindo estas histórias dos bastidores no link “notas” (ver no www.chicobuarque.com.br), que deu origem ao livro.

No final do ano passado, ele chamou Rogério para dar uma palinha nas noites de lançamento de Histórias das Canções, editado pela Leya, e foi daí que surgiu a idéia do show  apresentado pela primeira vez no Helvetia. Como chovia muito nas noites de lançamento, livros e convidados demoravam a chegar e, para entreter o público, Wagner começou a contar umas histórias. Rogério as acompanhava ao violão e a brincadeira ficou séria. Bastou só montar um roteiro _ aliás, com um texto impecável, digno de um Chico Buarque. 

Com a simplicidade de quem conta histórias de amigos anônimos no boteco da esquina, Wagner consegue, ao mesmo tempo, fazer a platéia cantar, rir e chorar, lembrar e refletir sobre um tempo tenebroso da nossa história _ a ditadura militar dos anos 60 e 70 do século passado _, sem nunca perder o bom humor, mesmo ao falar das maiores arbitrariedades e violências enfrentadas, não só por Chico, mas por Tom, Vinicius, Toquinho, e seus outros parceiros de canções e de vida.

Nem o próprio Chico Buarque, acredito eu, faria melhor do que a dupla Wagner e Rogério para resgatar em prosa e verso os clássicos deste que é para mim o mais brilhante artista popular brasileiro da nossa geração. É um show para ser visto principalmente pela chamada geração 68, de preferência em companhia dos filhos e, se possível, dos netos, para que nunca esqueçamos como chegamos até aqui, qual foi o caminho percorrido, como é bom viver em liberdade.

Por essas boas coincidências da vida, tive o privilégio também de ter sido colega de ginásio do Chico, no Colégio Santa Cruz, dos visionários padres canadenses que fizeram nossas cabeças, onde  o Carioca, como o chamávamos,  era mais aplaudido como jogador de futebol do que como cantor. Lá estudaram também minhas filhas e agora está minha neta mais velha, uma linha do tempo que o show do Cachorrão e do Rogério me permitiram refazer.

Só vendo para saber do que se trata. Sou meio suspeito para dar opinião, pois sou amigo do artista e não sou do ramo, mas acho que o show está pronto para estrear _ se melhorar, estraga.

Antes da estréia, em março, ainda haverá um novo ensaio aberto na próxima quarta-feira, na Livraria Cultura do Shopping Pompéia, às 19h30.  Se eu fosse você, caro leitor, não perderia esta chance.

Mais informações sobre o livro e o show:

waghomem@uol.com.br

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
18/02/2010 - 17:09

Em um ano, Muricy vai do céu ao inferno

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Três vezes eleito melhor técnico do Brasileirão, três vezes seguidas campeão nacional pelo São Paulo, Muricy estava no auge da sua carreira quando fui entrevistá-lo no começo do ano passado para a revista Brasileiros. Conversamos um tempão no CT do Morumbi, na Barra Funda, enquanto os jogadores chegavam para mais um treino.

Bem humorado e falante, Muricy Ramalho falou da sua vida de moleque e de jogador de futebol, que começou na escolinha do São Paulo, dos muitos times por onde passou e das tropelias da sua passagem como técnico na China, dos muitos títulos conquistados dentro e fora dos gramados. Saí de lá com um título na cabeça para resumir aquele momento vivido pelo personagem: “O VENCEDOR”

Meses depois, ele foi sumariamente demitido do São Paulo, que já havia contratado Ricardo Gomes, e logo seria contratado pelo Palmeiras, com um salário de grande estrela do futebol brasileiro. Agora, meu amigo Muricy acaba de ser demitido do Palmeiras depois de tomar um chocolate de 4 a 1 do São Caetano em pleno Parque Antartica. Fosse entrevistá-lo agora novamente, o título poderia ser o oposto: “O PERDEDOR”. seria, claro, um enorme exagero e uma injustiça.

Em menos de um ano, o técnico marrento, que trabalha muito e não faz média com dirigentes nem com jornalistas, foi do céu ao inferno, sem escalas, demitido de duas grandes equipes, depois de deixar escapar o Brasileirão de 2009 que parecia ganho a poucas rodadas dpo final.

Dizem os mais antigos que o futebol é uma caixinha de surpresas, assim como a vida de todos nós. No caso de Muricy, que já conquistou tantas glórias e dinheiro com o futebol, talvez seja o caso de dar um tempo e passar uma temporada só assistindo futebol, para entender o que foi que aconteceu com ele e reencontrar seu caminho de vencedor na bola e na vida.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
17/02/2010 - 16:41

Candidatos à espera das pesquisas de março

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Caros leitores,

antes de mais nada, peço desculpas pela demora na liberação de comentários e atualização do blog. Tive problemas de conexão no interior, como já havia informado, e me atrasei na viagem de volta para rever alguns velhos amigos. Finda a folia, outra vez conectado com o mundo, vamos ao trabalho.

***

A apenas 45 dias do prazo fatal para a desincompatibilização e a pouco mais de sete meses das eleições, ainda não está definida a lista de candidatos a presidente da República que aparecerá na urna eletrônica.

Não me recordo de outra eleição presidencial recente em que o quadro estivesse assim indefinido na Quarta-Feira de Cinzas. Importantes definições, tanto de nomes de candidatos como de alianças políticas, foram deixadas para depois do Carnaval, que acabou, oficialmente, nesta terça-feira.  Mas quem estiver muito ansioso pelo clareamento do cenário eleitoral terá que esperar mais um pouco.

A esta altura do campeonato, a impressão que me dá é que está todo mundo aguardando com sofreguidão as pesquisas de março _ em especial, os candidatos José Serra, do PSDB, e Ciro Gomes, do PSB. Definidos mesmo, até o momento, só temos dois nomes, ambos de mulheres: Dilma Roussef, do PT, e Marina Silva, do PV.

Em duas notas da coluna “Radar”, de Lauro Jardim, a revista Veja deste final de semana deu uma pista sobre o clima no ninho tucano, em que Serra ainda não disse o “sim” e Aécio já anunciou o “não”, antes de se mandar para Las Vegas, como se não tivesse mais nada com isso. Reproduzo as notas:

Pré-campanha a mil

No início do mês, José Serra reuniu um grupo tucano de confiança para ouvir uma detalhada exposição de uma pesquisa eleitoral encomendada ao sociólogo e marqueteiro Antonio Lavareda. O encontro no Palácio dos Bandeirantes durou quase três horas. O resultado da pesquisa não agradou a Serra.

Muy amigos

Os recentes rumores sobre uma possibilidade de Serra desistir da corrida presidencial não foram coisa (apenas) de adversários. Vários tucanos ligados a Serra tratam de propagar esta onda.

Como a revista jamais poderá ser acusada de estar a serviço do PT, estranha-se que estas informações da Veja não tenham repercutido no resto da imprensa, certamente mais preocupada com os destaques do Carnaval.

No mesmo impasse encontra-se a pré-candidatura de Ciro Gomes, que ocupará o horário gratuito do PSB esta semana no rádio e na televisão. Pode ser a última chance de Ciro se viabilizar antes das pesquisas de março, já que vem caindo nos índices de intenção de voto a cada nova rodada.

Ciro ainda não decidiu se vai peitar sozinho uma candidatura presidencial, aceita os acenos do PT para disputar o governo de São Paulo ou se, ao final, vai achar melhor dar um tempo, e não ser candidato a nada em 2010.

Enquanto isso, Dilma será entronizada como candidata já neste final de semana no Congresso do PT, em Brasília, onde receberá a corte da cúpula do PMDB, e Marina Silva, que só terá um minuto na televisão, é a primeira a lançar sua campanha na web, de olho nas redes sociais. 

O que ninguém sabe, muito menos arrisca comentar, é o que acontecerá com o PSDB quando chegar a hora da onça beber água, e Serra, de acordo com os sinais das pesquisas,  também disser “não”, optando por disputar a reeleição em São Paulo. Sobrará pouco tempo para montar uma nova candidatura, os palanques, as alianças, os programas.  

Acabou o Carnaval, o tempo corre, os prazos vão-se estreitando. As próximas pesquisas prometem fortes emoções. E o que pensa o leitor do Balaio de tudo isso? Por favor, amigos, menos torcida e mais argumentos nos comentários. Assim todos saem ganhando com o debate.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
14/02/2010 - 13:07

Lá no Brasilzão aonde a internet ainda é loteria

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Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a semana

Balaio

FHC defende FHC: 521

(foram publicados 280 aqui mesmo no Balaio e mais 241, até onde acompanhei, no Blog do Noblat, que generosamente reproduziu o post).

Centro de São Paulo: 163

Serra ou Dilma? 143

Folha

Eleição: 54

Arruda: 48

Educação: 33

Veja (não publica números)

Objetos para conforto no avião

Por que chove tanto

Crise no magistério

***

Em tempo: vendo minha dificuldade para conectar a internet, minha mulher deu uma sugestão bem simples. “Por que você não tenta em outro lugar da casa?” Pois foi só mudar de comodo que, por milagre, começou tudo a funcionar normalmente. Um leitor já havia comentado isso antes a respeito da dificuldade para se ligar na internet dependendo do canto da casa aonde estamos. Fica a dica para quem está enfrentando o mesmo problema. Tente mudar o laptop de lugar…

PORANGABA (SP) _ “Conectou!” A alegria de quem consegue uma conexão na internet nas beiradas do Brasilzão me lembra muito os tempos em que alguém da família subia ao telhado no sítio ou na praia para ajeitar a antena e o pessoal na sala gritava: “Pegou!”

Meu sogro passava mais tempo no telhado arrumando a antena do que passeando com seu barco no mar em Caraguatatuba. Dia de clássico no futebol, então, merecia dele preocupações especiais desde cedo porque não tinha nada pior do que “cair o sinal” bem nos momentos decisivos do jogo.

É mais ou menos o que sinto, quando finalmente consigo me ligar à internet. Faço o ”em nome do pai” e começo a escrever torcendo para a  conexão não cair no meio do trabalho, como já aconteceu muitas vezes. 

Pelejei bastante desde cedo neste domingo de Carnaval e muito sol em Porangaba para poder estar aqui com vocês no Balaio. Tomara que a conexão aguente firme até o final deste texto. Vou escrever pouco para diminuir os riscos.

Tem coisas que não consigo entender. Até o começo do ano, eu tinha o modem de uma operadora que funcionou até em Fernando de Noronha, mas começou a dar chabú quando mudei de apartamento no ano passado, a duas quadras  de onde morava, no mesmo bairro. O sinal era bom não só em Noronha, como em Juazeiro do Norte, no Ceará, e aqui em Porangaba, mas simplesmente não pegava em São Sebastião, no litoral paulista.

Agora, tenho um moderno e rápido 3G, que funciona muito bem no meu apartamento em São Paulo e em São Sebastião, mas custa a conectar em Porangaba e ás vezes cai no meio do jogo.

Escrevo apenas como consumidor, nada entendo destes mistérios de alta teconologia, mas me pergunto: quando é que poderemos acessar a internet de qualquer ponto do Brasil, com qualquer operadora, sem ter que rezar ou ganhar na loteria?

Deixo a pergunta para os caros leitores do Balaio. Gostaria de saber como é em sua cidade, como eles lidam com este problema de conexão na internet.

Bom domingo e bom Carnaval pra todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
11/02/2010 - 10:14

2010, o ano que não vai começar?

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“Vamos deixar para ver isto depois do Carnaval…”

Desde o começo do ano da graça de 2010, os leitores já devem ter ouvido ou lido muitas vezes esta frase. Já nos habituamos com a idéia de que o ano no Brasil só começa para valer depois das festas de Momo, como se dizia antigamente.

Isto vale tanto para grandes decisões políticas sobre candidaturas e alianças, como para novos negócios ou a assinatura de contratos, planos de mudança de casa ou de emprego,  dar um tapa no visual ou trocar de carro.

É sempre assim. Em 2010, porém, corremos o risco de chegar ao final do ano sem que ele tenha de fato começado. Passado o carnaval, que já está nas ruas em vários pontos do país, vamos entrar em ritmo de Copa do Mundo.

Até lá, ficaremos discutindo a seleção brasileira de futebol, quem deve entrar ou sair do time do Dunga, o melhor esquema tático para enfrentar nossos adversários.

Já tem gente achando melhor deixar a Copa da África do Sul terminar antes de tomar suas decisões estratégicas porque o Brasil não vai estar com cabeça para pensar em outra coisa.

Depois das Copa, já vamos entrar de cabeça na campanha eleitoral no rádio e na TV para escolher o sucessor de Lula, os novos governadores, senadores e deputados. Não se falará de outro assunto.

Se tivermos segundo turno, só em novembro teremos uma definição sobre quem será o novo presidente, permitindo que cada um faça seu jogo diante do novo quadro político que emergirá das urnas.

Só que aí já estaremos entrando no clima de fim de ano, festejos de Natal, planos para as férias, montagem do novo ministério… Melhor deixar que o novo presidente assuma a 1º de janeiro para só então decidir o que queremos fazer da vida. Adeus, 2010.

Era este o papo nesta véspera de Carnaval no bar da esquina ao lado do meu prédio que costumo frequentar nos fins de tarde, depois do expediente. Lá pelas tantas, meu amigo J. disparou:

“É… Mas este ano eu preciso ganhar dinheiro, nem que seja honestamente…”

Outro amigo lembrou-lhe uma frase que seu pai sempre repetia: “Se o vigarista soubesse o quanto é bom ser honesto, ele seria honesto nem que fosse só por vigarice”.

Feliz Carnaval e feliz 2011 para todos. Vou-me embora para Porangaba e volto a qualquer momento, se a bendita conexão do meu laptop assim o permitir.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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