iG

Publicidade

Publicidade
24/01/2010 - 10:41

São Paulo, 456: a cidade à beira de um colapso

Compartilhe: Twitter

Os assuntos mais comentados pelos leitores durante a última semana

Balaio

De onde vem tanto medo?: 356

Direita vive: 321

Futebol: como melhorar o São Paulo: 176

Folha

Haiti/Zilda Arns: 172

Direitos Humanos: 64

Eleições: 60

Veja (não publica mais o número de comentários recebidos)

Catástrofe no Haiti

Programa Nacional de Direitos Humanos

Abandono de cães no verão

***

Pois é, meus amigos paulistanos, nesta segunda-feira é dia de aniversário da nossa cidade. Vamos comemorar 456 anos. Comemorar?

Em pleno sábado, no meio do feriadão de janeiro, mês de férias, e antes das chuvas da tarde, estava difícil andar de carro em várias áreas da cidade. Não é difícil imaginar como será a partir de terça-feira, quando meio mundo volta das férias e recomeçam as aulas.

Já estávamos habituados aos problemas do trânsito nas “horas de pico”, em algumas avenidas centrais, nas marginais e nos acessos às estradas, mas de uns tempos para cá não tem mais dia, hora nem lugar: São Paulo está parando todo dia, o dia todo.

Como trabalho em casa e faço quase tudo que preciso a pé, no raio de uns três ou quatro quarteirões, e raramente vejo televisão, só me dei conta do que está acontecendo ao tentar sair ou voltar à cidade nas viagens que fiz durante as férias e na volta ao trabalho.

Parece que São Paulo toda está em obras, sejam públicas ou privadas, cheia de desvios e armadilhas, caçambas e montanhas de lixo e entulho por todo lado, como se a cidade estivesse recém-saída de uma guerra ou de um terremoto.   

Nestas horas, não adianta nada ficar xingando o prefeito ou o governador, como tantos leitores fizeram esta semana ao comentar um texto que escrevi na sexta-feira sobre as dificuldades para se entrar ou sair da cidade. O fato é que São Paulo está à beira de um colapso. Apenas constato esta realidade, não fico procurando culpados passados ou presentes.

“Nem Cristo dá mais jeito nisso! Um dia vai parar tudo de uma vez”, já ouvi de diferentes motoristas de táxi, mais parados do que andando, procurando atalhos, tentando levar o passageiro ao seu destino.

Nos meus 45 anos de jornalismo, acho que entrevistei todos os prefeitos que comandaram São Paulo neste período, de Faria Lima a José Serra/Gilberto Kassab, de Olavo Setubal a Luiza Erundina, de Jânio Quadros a Miguel Colassuono, de Mário Covas a Paulo Maluf, de Marta Suplicy a Reinaldo de Barros, de Figueiredo Ferraz a Celso Pitta, gente de todos os partidos e diferentes ideologias, e deles ouvi mais queixas do que soluções, revelando um profundo sentimento de impotência diante dos brutais desafios de colocar ordem no cáos.

A conta simplesmente não fecha.

Por mais que se construam casas populares, milhares e milhares de paulistanos continuam morando em condições sub-humanas em barracos ou sob os viadutos, jogados nas calçadas.

Por mais que se leve saneamento básico às periferias, falta água e o esgoto corre e céu aberto nas novas vilas e jardins que brotam todas as semanas em São Paulo.

Por mais que se construam linhas de metrô e corredores de ônibus, viadutos e novas avenidas, a cada dia fica mais difícil circular pela cidade, seja de carro ou no transporte público.

Por mais que se façam postos de saúde e escolas, continua tendo muita gente sem atendimento médico e crianças sem aulas.

Por mais que se aumentem impostos e taxas, sempre falta dinheiro para atender a demandas mínimas como fazer a limpeza e tapar os buracos das ruas.

A impressão que me dá é que o crescimento desordenado e sem fim da cidade ganhou vida própria, independentemente da vontade dos governantes ou dos moradores, como se São Paulo vivesse um processo de autofagia absolutamente fora de controle.

Não se trata de gostar ou não gostar da cidade. Eu, por exemplo, já escrevi um texto no antigo Estadão, num outro dia de aniversário da cidade, muitos anos atrás, a que dei o título “Amo esta cidade com todo ódio”. Hoje, mais amo do que odeio São Paulo. Nos seis anos em que morei longe daqui, na Alemanha, em Curitiba e Brasília, senti muita saudade e só pensava em voltar logo.

Nos comentários escritos pelos leitores, notei muita intolerância e preconceitos, tanto de velhos paulistanos como de moradores de outras cidades. Aqui, meus amigos, somos todos forasteiros, filhos, netos, bisnetos de migrantes e imigrantes de toda parte do Brasil e do mundo. Apenas uns chegaram antes do que os outros e, hoje, estamos todos no mesmo barco, que está afundando a cada nova chuva.

Também não se trata de simplesmente chamar um caminhão da Lusitana e mudar de cidade, como gostariam de fazer 41% dos paulistanos ouvidos pelo Datafolha publicado neste domingo. Os mesmos problemas de São Paulo, em maiores ou menores proporções, estão chegando a todas as metrópoles do país, e nem todos se acostumariam a morar numa pequena cidade do interior sem os confortos e oportunidades da cidade grande.

Precisamos é aprender a conviver com o cáos e o barulho, como os nordestinos aprenderam a conviver com a seca _ simplificar as coisas, procurar morar o mais perto possível do trabalho, talvez ganhando menos, para ter uma qualidade de vida um pouco melhor, sem tanto stress.

Enquanto continuarem derrubando os velhos sobrados geminados geminadas para erguer novas torres com quatro vagas na garagem, como acontece na rua onde nasci, a Mateus Grou, em Pinheiros, plantando monumentais prédios residenciais e comerciais, shoppings e supermercados por todo lado, não tem jeito mesmo. Fazer o quê?

Se alguém tiver alguma brilhante idéia para evitar o colapso da cidade nesta véspera de aniversário de São Paulo, compartilhe-a, por favor, com os demais leitores aqui do Balaio.  

Da minha parte, procuro aproveitar as coisas boas que a cidade também tem, apesar de tudo. Amanhã, logo cedo, por exemplo, vou ao Pacaembu para ver mais uma final da Copa São Paulo, com o meu Tricolorzinho enfrentando a meninada do Santos. Ganhando ou perdendo, é sempre uma festa ver esta moçada jogar no velho estádio de tantas tradições e boas lembranças.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

Ver todas as notas

136 comentários para “São Paulo, 456: a cidade à beira de um colapso”

  1. salete cesconeto de arruda disse:

    Em tempo:
    E REZEM MUITO PARA SÃO PEDRO!
    Quem sabe se mudar de São Paulo para São Pedro não melhora?!

  2. rita disse:

    Parabéns pra você nesta data querida, muitas felicidades São Paulo, muitos e muitos anos de vida, paz, alegria, amor, fé, solidariedade…
    Quando você vai até Salesópolis e conhece a nascente do Tietê fica impressonado de como aquela pequena fonte se torna um rio de grande volume e extensão.
    É aí que se entende que o rio, tal qual uma criança, nasce puro, pequenino e indefeso…
    Claudio Lembo disse uma vez que o poder é solitário, principalmente nas horas de decisão, você Ricardo através de suas entrevistas pode perceber isto e nós quando conhecemos pessoalmente certos líderes. Sabemos que as melhores intenções são detidas por burocracia, tecnocracia, ideologia, corporativismo…
    A questão das inundações não pode ser administrada somente pela Prefeitura da capital, uma megalópoles deve ter um regime diferenciado de políticas públicas.
    Quantos são de fato os moradores de São Paulo, quantas pessoas estão na clandestinidade?
    Nunca consegui compreender porque 60% do transporte brasileiro é rodoviário, 20% ferroviário e apenas 13% utiliza a navegação de cabotagem.
    Não se luta contra a natureza, aprendemos e utilizar seus recursos de modo favorável.
    Muitas felicidades amigos paulistanos…

    • Rita!

      Aquela região é muito bonita!

      Terra onde meu pai nasceu, e constantemente vai para lá.
      Uma cidade pequena, e bastante acolhedora.
      Tive o prazer de conhecer essa nascente, e também fiquei impressionado com aquelas pequenas areias sendo jogadas para cima no fundo cristalino de um minúsculo espelho dágua.

      Fora isso, ainda tem aquelas cadeias montanhosas, onde se pode subir, e observar o por do sol. Onde se sente um vento leve no rosto, e aqueles preciosos minutos de contemplação e paz, nos energízam.

      Infelizmente não tenho tido tempo de ir mais para lá, e da ultima vez que fui, ví com tristêza que estão transformando aquela região praticamente numa monocultúra de “eucalíptos”, alterando perigosamente a fauna.
      Alguns recantos onde gostava de visitar, agora estão poluídos com detrítos de outros visitantes, e muitas nascentes, ou pequenos cursos dágua secando por causa desse tipo de cultura.

      Ao menos o recanto da nascente do tietê ainda continua protegido.
      Sería interessante que mais paulistanos também o conhecesse.

      Abraços!

      Robson

  3. Camila disse:

    Olá, Ricardo Kotscho!
    Concordo com algumas de suas palavras, todavia… “aprender a conviver com o caos e o barulho”?! Não, obrigada. Não quero me acostumar com as enchentes e a possibilidade de perder bens e vidas, com o trânsito caótico e um metrô “entupido” de gente, com a violência e a barbárie crescentes e a falta de segurança, com a poluição e a sujeira por todos os lados, com os pedintes e os moradores de rua em cada esquina e a miséria e o abandono em que vivem, e por aí vai. Não tenho soluções a propor, Kotscho, pois não sou administradora, nem cientista política, nem engenheira, nem economista, e, como você bem mesmo escreveu, “a conta não fecha”, dando a entender que tudo o que vier a ser feito se constituirá em um paliativo. Mas, ainda assim, não posso me acostumar com tais fatos, pois o dia em que tudo isto não me sensibilizar mais, não me causar repúdio e dor, será o meu assujeitamento como ser pensante e a minha decadência no que tenho de mais humano.
    Saudações amigas de uma moradora (nativa) daquela que já foi a terra da garoa e que hoje é, infelizmente, a das tempestades e inundações.

  4. Livio Nakano disse:

    Sugestões, como Salvadores da Pátria, e Balas de Prata, são vãs esperanças em quem se apoia em resultados fáceis.

    Melhorar a cidade é plantar uma árvore, desde semente, e aguardar, aguando, removendo ervas daninhas, e fertilizando na medida, todos os dias, por anos ininterruptamente, até que deixe de ser uma mudinha.

    Enquanto políticos pensam em plantar couves, essa muda não vinga. Uma árvore precisa de cuidados por diversos mandatos, e a alternância (necessária e indispensável) do poder não pode alijar estruturas e depenar técnicos e lideranças de instituições governamentais a cada mandato.

  5. CICERO GOMES disse:

    Caro RICARDO KOTSCHO!!!
    Parabéns ao povo sofrido da cidade de São Paulo pela passagem dos 456 anos de aniversário.Quem vive nesta cidade de pedra cheia de problemas talvez não tenha nada a comemorar pois os administração pública da cidade não da a devida atenção da sua manutenção no dia a dia e temos que continuar a nossa vida cotidiana,esperando que algum dia aconteça o milagre para que tudo possa melhorar.Mas temos coisas boas na cidade de são paulo e para representar o que mais de bom que temos nesta fantastica metropole.vou escolher o seu maravilhoso BLOG que tenho certeza é o melhor BLOG DO BRASIL.Podemos nele expressar o que de melhor achamos de seus artigos,podemos reclamar de tudo que nos incomoda da maneira mais civilizada possivel,nossa opinião é respeitada,elogiada e muito bem vinda e finalizando ficamos mais inteligêntes culturalmente a cada vez que entramos no seu blog.Portanto meus parabéns a cidade de São Paulo e parabéns Ricardo pelo seu blog representar o que a mais de maravilhoso nesta grande cidade.
    Um grande abraço a todos nós que amamos esta cidade e gostamos deste maravilhoso blog,,,

  6. Observador disse:

    Ricardo, já foram gastos uns U$ 50 bilhões, nesses 45 anos passados, sob o pretexto de despoluir, drenar e livrar a cidade das enchentes, enchendo-a de linhas de metrô. Se alguém perguntar aos tribunais de conta o que foi feito desse dinheiro terá a impressão de que vivemos na mais moderna metrópole mundial, com toda segurança e comodidade urbanas. Só que as obras simplesmente não foram implementadas. Maluf é sempre lembrado entre os alcaides finitos por haver destroçado vários bairros construindo uma via elevada ligando o nada a parte alguma, mas desde o plano radial de Prestes Maia, algumas vias arteriais de Faria Lima, o metrô e zoneamento sério de Setúbal e Paulo Egydio Martins, desde há muito sobreveio um apagão ou curto-circuito na gestão metropolitana. Se os planos diretores metropolitanos dos anos 70 e 80 tivessem sido implantados, como defendem os tribunais de conta à medida em que aprovaram a destinação do dinheiro supostamente gasto em suas implementações; se todos os 320 quilômetros de linhas de metrô idealizados nos anos 60/70 e 80 estivessem como os de Caracas e Cidade do México, em funcionamento (uma vez que começaram à mesma época e com o mesmo BID/BIRD financiando-os), certamente seria possível perdoar e anistiar burgomestres e governadores passados – entre os quais Adhemar de Barros, que deixou saudades pela franqueza de seu bordão ou slogan (“Rouba mas Faz”). É por isso que a conta simplesmente não fecha, meu velho. Ouvi o próprio FHC comentar com estranheza que Caracas já havia construído 250 quilômetros de linhas de metrô e SP meros 60, aí incluídos os velhos trilhos e trens ferroviários da Mojiana, Sorocabana e outras companhias absorvidas pela Fepasa. Ou seja, a imprensa, legislativo e judiciário deixaram de cobrar o executivo e este terceirizou a responsabilidade. Como nosso sistema viário comporta entre 800 mil e 1,7 milháo de veículos – conforme antiga soma do DSV/CET, o tráfego de seis milhões de caminhões, ônibus e carros deflagrou o caos viário; sobreveio o colapso e só por vingança as carpas e tilápias dos três lagos artificiais do Ibirapuera inundaram o túnel do Tribunal de Justiça (lagos gerenciados pela Sabesp, que ali mantêm estação-piloto de flotação). O teu “não tem jeito mesmo”, “fazer o quê”, merecem bagres cegos que ainda são pescados perto da barragem de Santana do Parnaíba; motivo pelo qual aconselho-o a fechar as contas, antes que os jardins aonde moras também o obriguem a escrever, como eu, com água pelas canelas, sim, mas feliz de viver nesta capital de fato do Brasil, para onde confluem todos os sem-nada como Lula. De onde surgirá, espero, uma geração com vergonha na cara que diga basta a tanta roubalheira impune e derrube essa bastilha neoliberal em que nos deixamos aprisionar. Sob as bençãos de São Paulo e São Jorge, claro, principalmente para lançarem nas profundas do Inferno todos os que culparem a natureza pelas cheias e desabamentos que nos assolam – sim, pois são desse tipo de gente capaz de aceitar um hidropedágio urbano para rodarem ou navegarem mais depressa que o populacho. Ou darem risadas de todos nós, a bordo dessa que já é a maior frota de helicópteros do mundo. Afinal, SP não pode parar, dizem eles…

    • Sophia Cordeiro. disse:

      Concordo e acho que para quem está na Pamplona fica mais fácil relativizar a situação. Descaso, incompetência e uma profunda insensibilidade marcam esses 456 anos de São Paulo.
      E vamos que vamos para a tal “Virada Cultural”! Não esqueçam as canoas! eles estarão nos fotografando felizes dos alto dos seus hilicópteros.

  7. [...] terra da garoa sopra suas 456 velinhas. Há quem acredite que a cidade não tem muito a comemorar: estamos atolados em congestionamento, poluição, falhas infra-estruturais graves, violência, crescimento [...]

  8. São Paulo é uma senhora de respeito não é mesmo? 456 anos não é para qualquer um. Mas ela anda meio capenga, esquecedida e a situação está ficando caótica. A 18 anos deixei a capital para morar no interior e toda vez que retorno a São Paulo é um deslumbramento pela grandiosidade da cidade e de tudo que ela representa e o descontentamento pro ver que ela está num processo de autodestruição.
    Disse em meu blog que a intolerância é o mal do mundo, e você a citou em seu texto também. O que acontece em São Paulo afeta tudo e todos. Se todo mundo fizesse a sua parte São Paulo seria melhor? Do jeito que as coisas estão a resposta seria: Talvez.

  9. Tô P. David disse:

    SÃO PAULO – 5% = SOLUÇÃO: com apenas 5% de ISS sôbre o lucro BRUTO (dif.do juro pago para o juro cobrado) dos BANCOS na CAPITAL de SP, seriam suficientes para construr em areas seguras (enchente e desmoronamento) UM MILHÃO E CEM MIL RESIDENCIAS tipo minha casa minha vida e VENDE-LAS aos que moram¨mal¨ com prestações de R$80,00. Transformar as antgas áreas invadidas em Parques e ´Verdes, colocando na Constituição(para acalmar futuros populistas) expressa PROIBIÇÃO sujeito a impeachement qualquer tentatva de mudar isto e MANTER ATIVO PERMANENTE a REINTEGRAÇÃO de POSSE IMEDIATA a toda tentativa de INVASÃO(qualquer pessoa). Apenas com esta medida teriamos QUATRO MILHÕES de pessoas morando ¨bem¨ e felizes, tirando o impeto raivoso de possiveis revoltas sociais. As URBANIZAÇÕES DESTAS AREAS, com apenas o dinheiro gasto em projetos mirabolantes como pontes de cartão postal, tunel sob rio ou tuneis sob avenidas… pronto(!) aí esta o dinheiro. A maior prova de que basta oferecer o BOM para o povo que ele cuida, é o Parque do Carmo.

  10. Bom Dia! Caros Blogueiros e Ricardo Kotscho!!!

    Caro Senhor: Tô P. David disse: 25/01/2010 às 22:16.

    Gostei da idéia. Entretanto:

    Um milhão e cem mil residências dá para imaginar o terrenão em extensão que vai precisar para fazer isso? Respeitando o zoneamento e o plano diretor acredito que são paulo não possui mais esse tamanho de área disponível, salvo engano.

    Transformar em Parques e Áreas verdes OK. Colocar na Constituição…Não entendi. É um caso municipal e local. E aí?

    Veja: Com a lei 9.514/97 e sua excrescência a Lei 9.307/96 todos os pretendentes compradores já foram TRANSFORMADOS em POSSEIROS EM SUAS MORADIAS.
    Os bancos nem precisam fazer reintegração de posse o registro público por via privada resolve isso. Sei que é um absurdo jurídico, em país capitalista como o BRASIL, entretanto, é o que está na Lei.

    Posse, reintegração e Invasão são circunstâncias complexas. Impeachement não resolve isso.

    Sobre os túneis, pontes e viadutos, se alguns não estivessem aí,o DESASTRE seria muito maior do que já é.

    Há necessidade de uma INFRAESTRUTURA e vários equipamentos urbanos e outras tantas coisas.

    Sua idéia de maneira geral é ótima a execução na prática vai exigir algo que não se pode dar no momento imediato.

    Outra coisa que fiquei curioso é com o valor de R$ 80,00, de prestação, da onde é que saiu esse cálculo?

    Obrigado e forte abraço!!!
    Tchau!!!

  11. O Movimento Nossa São Paulo

    Por Mauro A. Silva

    Deu na Folha de São Paulo – 23/01/2010

    Insatisfação geral

    ODED GRAJEW e PADRE JAIME

    NO MOMENTO em que a população paulistana volta a enfrentar situações até então tida como superadas -alagamentos catastróficos, recordes de congestionamentos, habitações insalubres, entre tantos outros problemas que vêm à tona diariamente-, fica difícil encontrar motivos para comemorar os 456 anos de São Paulo.

    Os fatos concretos fazem com que a cidade enfrente uma grave crise de credibilidade perante seus cidadãos. E a insatisfação dos paulistanos está retratada na recém-lançada pesquisa do Movimento Nossa São Paulo encomendada ao Ibope. De 1 a 10, os paulistanos avaliam sua qualidade de vida com uma média de 4,8 -nota que se reflete em outros dados importantes: 87% das pessoas consideram São Paulo um lugar inseguro e, se pudessem, 57% sairiam da cidade.

    Essas são apenas algumas das dezenas de questões abordadas na pesquisa que, de forma inédita, avaliou o grau de satisfação da população sobre os indicadores de bem-estar levantados durante a fase de consulta pública do Irbem (Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município), realizada entre junho e outubro de 2009 com mais de 36 mil pessoas.

    Em dezembro, o Ibope foi às ruas e perguntou sobre o grau de satisfação da população em 25 áreas temáticas, detalhadas em 174 itens. Destes, só 39 receberam nota acima da média.

    Outro dado revelador foi obtido com a pergunta sobre o tempo de espera no sistema público de saúde. Entre os usuários, a média ficou em 65 dias para consultas, 77 dias para exames e 162 dias para procedimentos mais complexos, como cirurgias. Como podemos falar em comemoração quando outra pesquisa do Nossa São Paulo com o Ibope revelou que o paulistano passa em média duas horas e 43 minutos por dia no trânsito? Quando nossos rios, que poderiam servir para transporte, esporte e lazer ou como fonte de água, são verdadeiros esgotos a céu aberto?

    A insatisfação generalizada está calcada em dados objetivos, já que os indicadores sociais e econômicos continuam atestando a marca cruel da desigualdade na capital paulista.

    Por exemplo, na Subprefeitura da Sé, 0,31% dos domicílios são favelas, enquanto no Campo Limpo esse percentual é de 40,4%. A diferença (que chamamos de desigualtômetro) é de 130 vezes. Várias regiões são absolutamente carentes de empregos, leitos hospitalares, áreas verdes e equipamentos públicos culturais e esportivos (pode-se conferir no site http://www.nossasaopaulo.org.br).

    É bem verdade que a força da sociedade civil é um fato que merece comemoração em São Paulo. Força esta que proporcionou o início de uma verdadeira revolução na administração pública municipal, com a aprovação da lei do Programa de Metas (que obriga todo prefeito recém-empossado a apresentar, em até 90 dias, um conjunto de metas para toda a gestão), apresentada pelo Movimento Nossa São Paulo e que, justiça seja feita, contou com o apoio do Poder Executivo e da Câmara Municipal.

    Hoje, qualquer cidadão pode acompanhar, via internet, a execução de cada uma das 223 metas apresentadas pela prefeitura. Muitas das metas, se cumpridas, ajudarão a reduzir as diferenças internas em nossa cidade, além de elevar o grau de satisfação da população com o lugar onde vive.

    Nós, do Nossa São Paulo, movimento apartidário que busca o desenvolvimento justo e sustentável da cidade, esperamos que os dados do Irbem sobre a grande insatisfação da população com a qualidade de vida, somados a uma análise responsável dos indicadores sociais e econômicos que revelam enorme desigualdade e exclusão em São Paulo, promovam uma saudável autocrítica na sociedade e no poder público.

    Torcemos para que não tomem atitudes defensivas ou busquem culpados, mas que assumam as responsabilidades e reorientem ações e prioridades para que possamos ter realmente muitos motivos para comemorar nos próximos aniversários da cidade.

    ODED GRAJEW, 65, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo. É também membro do Conselho Deliberativo e presidente emérito do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).

    JAMES CROWE, 65, o padre Jaime, teólogo, é presidente da Associação Sociedade dos Santos Mártires e integrante do Movimento Nossa São Paulo. Foi organizador da Caminhada pela Vida e pela Paz e criador do Fórum em Defesa da Vida e pela Superação da Violência

  12. Manoel Ferreira disse:

    Ontem a noite regressei um pouco mais cedo e vi as imagens da Band em algumas regiões.

    Sinceramente: “De partir o coração!”

    Um sofrimento imerecido, senhoras de idade, mulheres com crianças de colo todos abandonando aquele pouquinho que com muita luta conseguiram!

    “É de partir o coração!”

    Não posso aqui deixar os meus votos de parabéns a cidade, pois não há nada para ser comemorado e sim algo para ser pranteado diante de tanta dor!

    Que Deus na sua infinita misericórdia possa ajudar estas vítimas a refazerem suas vidas novamente, é o meu desejo e minha prece!

  13. Manoel Ferreira disse:

    O que fazer diante de tantas tragédias?

    Como fazer parar de cair as das chuvas?

    Onde estão os culpados?

    Qual é a solução?

    A grande verdade é de que foram as intensas as responsáveis por destruições físicas reparáveis e psicológicas permanentes. Tenho assistido e lido muitos relatos de vários especialistas em meteorologia onde todos concordam que tem chovido, além do normal, em vários estados brasileiros, e os resultados são vistos: enchentes em São Paulo, Minas Gerais, fortes ventanias em Santa Catarina e Rio Grande do Sul e os deslizamentos graves como em Angra no Rio de Janeiro, em São Paulo como São Luiz e em demais cidades e regiões.

    O lixo produzido por uma vida absurdamente consumista e descartável da maioria das pessoas não encontra mais vazão e poluem todos os mananciais de água possíveis, inclusive os mais profundos.

    A invasão das matas pelo homem com construções atrevidamente sem propósito cada vez mais avançando as nossas reservas com seus condomínios de alto padrão em regiões onde a fauna e a flora ainda resistiam a este impacto é um fato lamentável da ganância e da vaidade humana!

    A construção desordenada de favelas as margens dos rios pelos retirantes de outras regiões que sem alternativa alguma de sustento para as suas famílias e por falta total de planejamento ordenado por parte dos governos estadual e federal são a causa mais contundente de falta de áreas para escoamento das águas de cheia dos rios.

    A emissão de gases poluentes, o lixo nas ruas o esgoto a céu aberto, a falta de orientação e educação da população são só algumas das mais tristes realidades em uma sociedade na qual os indivíduos consomem, cada vez mais, máquinas movidas a fontes combustíveis.

    Qual a solução?

    • Tá vendo Manoel ?

      Vez ou outra é possível SIM um “esquerdista” e um “direitista” concordarem de cabo a rabo !!!

      Assino em baixo TUDO o que voce escreveu aí !!!
      Podemos divergir na forma, no conteúdo e na escolha de lado. contudo convergimos no mesmo FOCO. Que são as PESSOAS, OS HOMENS E AS MULHERES, A NOSSA GENTE, O POVO E OS “CIDADÃOS ( quando esses exercem esse papel que deveriam jamais esquecer )

      Concorda então que a SOLIDARIEDADE é o unico caminho para se combater os efeitos provenientes dos atos de quem sofre da pior doença do mundo moderno que é “CONSUMISMO PREDATÓRIO” ???

      A SOLIDARIEDADE não é de esquerda e nem de direita exatamente porque ela é “coletivista’ !!! É de todos e para todos !!! Ou deveria ser….
      Ainda´há quem é “solidario” só para si e para os seus !!!

      Abraços… ( fraternos dessa vez !!! )

  14. Beto Collin disse:

    Concordo que não é culpa dos governantes mas creio que não seja só São Paulo e nem apenas as metrópoles do Brasil. Em todo o mundo as coisas complicam com as condições meteorológicas inesperadas. Acho exagero dizer que estamos à beira de um colapso pois nossa cidade já é um certo “caos” a muito tempo. Problemático é o Rio de Janeiro! HAHA

  15. Há que se obedecer o Plano Diretor da cidade. E há que se descontruir um pouco de Sampa.

  16. Francisco Silva disse:

    Seria São Paulo Atlândida, Serra Príncipe Namor e Kassab Aquaman? Na água ele são invencíveis. Acho que isto é tática eleitoral……

  17. Está na hora, ou já passou, de São Pedro jogar uma bóia para salvar São Paulo.

  18. Manoel Ferreira disse:

    Estimado Enio, bom dia Negão, e aê?

    Quem sou eu pra te contradizer num papo destes?

    Mas é isso Enio, por mais difícil que possa parecer e embora estando eu em um lado oposto ao de vocês por aqueles tempos, eu nunca saí da rota e embora subordinado a um outro alguém, e ao contrário do autoritarismo norteei o meu caminho pela razão.

    Não tenho um princípio político ou um partido de predileção, e eu nem sei se a gente precisa mesmo de ter lados opostos. O que penso, é que com muitas das pessoas que engrossam as fileiras do seu partido eu me sentaria numa boa na mesma mesa e trocaria algumas idéias caso o assunto fosse de interesse do nosso país!

    As coisas as quais sou absolutamente contrário Enio são as arbitrariedade que são praticadas em larga escala pelos integrantes do governo, e principalmente pelos desvios de conduta dos nossos parlamentares some-se a ist a tal da impunidade entre outras práticas que abomino, mas paciência parece que isto não foi mesmo reparado e nunca mais o será!

    Sei que você sabe da minha estima por todos vocês petistas aqui do balaio, onde sempre nós trocamos ideias e pareceres acerca dos mais variados assuntos, e dentre eles a política que pelo visto é o único papo em que entramos em rota de colisão, porém uma rota sadia e produtiva!

    Abraços fraternos

    Manoel Ferreira

  19. Virginia Toledo disse:

    Brilhante texto! Estou morando longe do Brasil, mas contando os dias pra me reencontrar com este caos que a gente tanto reclama, e que agora tenho certeza que não sei viver sem!

  20. Manoel disse:

    São paulo não so vivi a beira do colapso, mais sim a beira de dois marginas, PINHEIRO E TITÊ e no centro da incopetencia do governador e do prefeito

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório







Voltar ao topo

oferecimento