Família pede apoio para divulgar obra de Grassmann
Sou filho de Roberto Grassmann, um mestre impressor da arte da gravura em metal. Pois é, raras são as pessoas que conhecem o que meu pai faz há mais de 50 anos. Sobre ele posso dizer o seguinte:
Vida ereta, labuta, dedicação que impressiona,
Tempo que passa, no monotom do motor da prensa,
Cheiro de gasolina, cor da tinga, espalmar da placa,
Cumpriu sua sina, criou a família.
No papel molhado, o vai e vem do feltro,
O amor no que faz fica impresso.
Vida, tempo, artistas, tudo passa,
Sua prensa desaparecerá,
Lembranças serão esquecidas,
Mas ele ficará com seu dom impresso
Nas gravuras que imprimiu.
A outra pessoa por quem escrevo é meu “super tio”, Marcello Grassmann. Quem?
Poucas pessoas sabem quem é, mas não há quem não tenha ficado pasmo, admirado, emocionado, quando teve a oportunidade de ver um obra feita por ele. Sobre ele eu digo:
O artista não é nada,
É um igual, nasce, vive, morre,
A arte é distração,
Pequeno prazer, diverte, esquece.
A genialidade é tudo,
Não nasce, existe, não morre, fica,
A genialidade não distrai, pasma,
Impacta, grava na alma,
Grassmann gênio que grava.
Eu tenho 43 anos, meu pai 77 e meu tio 84. Sempre vivemos dignamente, sem luxo, “só” o luxo da arte. Mas por que lhe escrevo? Para pedir sua ajuda na divulgação da edição especial “Gravuras da vida de Grassmann”.
Não tenho intenção de ser piegas. Apenas relato que meu pai vive da minguada aposentadoria do INSS, que vai encolhendo ano a ano, e ainda do trabalho como impressor (quando aparece), trabalho esse “bem pesado”.
Assim tembém vive meu tio Marcello Grassmann, que hoje troca suas obras pelo aluguel do apartamento onde mora, ainda produzindo “arte maior”. Faço esse breve relato para dizer que o Brasil, com sua riqueza e diversidade, tem muito a oferecer para a humanidade.
Para um país que busca cada vez mais um papel de liderança e respeito, o caminho da valorização de seus artistas, a preservação de sua arte, uma política de divulgação da nossa arte maior para o mundo, se faz urgente, necessária, e será mais eficaz na conquista desse respeito do que a compra de arsenais bélicos.
Sobre meu tio Geraldo Ferraz escreveu sobre ele em 1975: “Adstrito aos temas que se desdobraram na fidelidade de sua visão adstringentemente original, entre o visionário e o fantástico, Grassmann paira acima de qualquer discussão. Ele pertence à arte maior.” José Roberto Teixeira Leite, com muita propriedade, acentuou que “Grassmann é deliberadamente arcaico, seu mundo é o de um faizeur de diables, flor perdida no tempo e no espaço do gótico fantástico”.
Quem buscar por Marcello Grassmann na internet terá a oportunidade de conhecer um pouco sobre ele, artista internacionalmente renomado, ele mantém obras nos acervos dos principais museus do Brasil e do Exterior. A Pinacoteca do Estado de S.Paulo possui uma importante coleção de obras anteriores a 1971. Ele destaca-se por ser um dos mais premiados desenhistas brasileiros na história da Arte Moderna. Participou de mais de 300 exposições. Suas obras fazem parte do acervo do MoMA de Nova York, da Bibliothèque Nationale de Paris, do Museum of Fine Arts de Dallas. No Brasil, além da Pinacoteca do Estado, podem ser vistas na Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Salles em Poços de Caldas, no MAM-Museu de Arte Moderna e no MAC-Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, no Museu de Belas Artes no Rio de Janeiro, no Itamaraty e no Museu Oscar Niemayer de Curitiba.
Voltando da “GRAVURAS DA VIDA DE GRASSMANN”, o motivo desse contato, talvez Grassmann seja o primeiro Grande Mestre na historia da arte a conseguir fazer uma edição especial completa reunindo toda sua obra em gravura em metal, cerca de 200 obras reunidas ( conheça detalhes também no blog, www.marcellograssmann.blogspot.com ).
Uma edição histórica, de valor artístico inestimável, importante que seja preservada para as futuras gerações, obra de um brasileiro que reconhecidamente está entre os grandes mestres da arte em toda sua história.
E finalmente a família busca um mecenas, apoio de grandes empresários, do nosso governo, quem sabe até o itamaraty (não imagino melhor presente para um chefe de estado por exemplo) para adquirir as 6 edições que a família possui, tanto pelo amparo financeiro, mas também pela arte.
Grato caro Ricardo pela oportunidade de lhe escrever, forte abraço!
Paulo Roberto Grassmann



Muito obrigado pela atenção e apoio caro Ricardo, estar em seu Balaio na internet e sentir a emoção de aparecer na Globo!
Agradeço a todos que lerem e nos prestigiarem.
saúde e aproveito para desejar boas festas a todos e quem sabe um 2010 para olharmos com esperança e orgulho de vermos o Brasil evoluindo para um pais melhor!!!!
paulo
Pois é Paulo, vc não imagina melhor presente para um chefe de Estado, nem eu; no entanto, nosso itamaraty não é capaz de imaginar. Como descreveu Lima Barreto, lá só colecionam gente que “fala javanês”.
Boa sorte para voces e longa vida a todos, para produzir mais belas artes.
A vc Cidadão K, deixo tb meu abraço.
Estimado Ricardo bom dia!
Sobre a vida e obra dos Grassmann sei muito pouco, mas recordo vagamente, de um evento que teve aqui por perto, em Jacareí no ano final do ano passado, foi uma exposição sobre a trajetória do Marcelo.
A mostra apresentava desenhos e gravuras que retratavam os caminhos percorridos pelo Marcelo.
Bem por de fato não conhecer sua vida e obra fui pesquisar alguma coisa, Grassmann estudou e se tornou mestre no desenho, na gravura e nas artes.
Ele percorreu a linguagem do fantástico, dos tilos e experimentou o entalhe em madeira.
A exposição destacava a grandiosidade do seu universo de pesquisa e produção, além de mostrar como é tênue a linha que separa a vida e a obra do artista plástico.
Para expor todo esse acervo de forma organizada, suas obras foram organizadas em seis fases. A primeira reúne trabalhos entre 1937 e 1941, período em que desenvolveu desenhos para entalhes e imagens do ambiente doméstico e familiar.
Sabe Ricardo, é uma pena, e as palavras do Samuel vieram ao encontro daquilo que eu penso, pois nossas impressões no aspecto cultural são muito aquém do esperado pelos homens e mulheres de sensibilidade que deixam suas marcas nas telas, no madeiro , no metal e na vida, e às vezes eu me incluo nesta gama seleta de alienados materialistas bossais!
Já dizia o poeta que o nosso país não tem memória diante da nossa história…. “(Você se lembra daquela rua, aquela,como é mesmo o nome, aquela que terminava naquela praça onde tinha aquele…..!)”…..e nem muito zelo com os nossos gênios!
O que é uma pena!
Pobre BraZil Zil Zil!
Espero que o Paulo consiga atingir sua meta.
Abraços fraternos
Manoel Ferreira
Será que algum mortal capacitado pense como eu: dependendo de mim teríamos mais de 5 mil albúns espalhados em praças públicas, todas escolas municipais e estaduais do Brasil um busto e a obra dos artistas grassmann, claro que tudo lúdico pras crianças… também nesse meu País museus, avenidas e principalmente a valorização digna da arte…
Total apoio desse seu amigo!
Iéio
Quem sabe Léio. quem sabe!
E quer saber não precisa ir fora do continente para ver o que você sonha, vá em Santiago, e veja o que é um povo e um governo valorizar os seus poetas, sua obra e sua arte!
Sonho meu!
Sonho meu!
Abraços Léio, valeu meu véio!
Sou estudante da Universidade Federal do Amazonas e estou fazendo minha monografia de graduação em Artes Plásticas sobre Marcelo Grassmann e suas obras.
Encontrei bastante dificuldade em encontrar material para a monografia… mas ela está quase pronta. Sou profunda admiradora de seus cavaleiros e damas, que levam-nos a um mundo encantado do surreal.
Não sei nem o que dizer, podemos começar citando a fala da Mônica; “encontrei bastante dificuldade para encontrar material para a monografia” monografia essa sobra a obra e Marcello. Sou artista também e me pego pensando como alguém com um trabalho com a qualidade do Grassmann e sua importância para a arte, brasileira/ latina/ mundo, não possue um vasto material bibliografico sobre sua obra, o que sera então dos outros artistas (que obviamente não alcançarão um nivel de execelência, porém não menos importantes para a arte) num pais como o nosso. E aqui estamos falando não exclusivamente da obra de um Grassmann, mas sim do trabalho e importância da familia Grassmann na arte brasileira.
Roberto (irmão mais novo e impressor), a qualidade das gravuras por ele impressas é indescutivel e mais ainda a sua contribuição para nossa arte. É ele quem da vida (e garante a vida) a obras de importantes artistas brasileiros e estrangeiros. Portanto estamos falando aqui da preservação da obra de uma familia de extrema importância para nossa arte. Fica aqui o meu agradecimento a familia Grassmann por existir, por persitir e produzir um trabalho de qualidade para que o nosso mundo se torne um lugar melhor.
viva os Grassmann´s
acho muito legal essa ideia – vamos ajudar a fazer com que nossos artistas tenham cada vez mais valor – abraços a todos – wagner
Caro Iéio,
Esse texto que vc me passou é triste, mas eu já vi esse filme!
Meu pai, depois de trabalhar 75 anos de sua longa vida ( faleceu aos 89), recebia do estado uma aposentadoria de pouco mais de 400 reais.Não fosse o amparo meu e do meu irmão, certamente o velho teria um fim de vida trágico para um artista da sua monta. Mas é assim que os governantes tratam os artistas, que tantas glórias dão ao seu povo. É preciso que um parente vá a imprensa solicitar ajuda do estado para que o artista sobreviva com dignidade! Enquanto isso, somos governados por ladrões que embolsam o nosso dinheiro em meias e cuecas, enquanto o presidente fica fazendo tours turístico pelo mundo afora e brigando contra o presidente de Honduras. UMA VERGONHA!
Que país é esse? É o país que vc pretende deixar a sua filha e netos? sou solidário à família Grasmann e faço aqui a minha reverência a esses artistas geniais, principalmente ao Marcelo Grasmann, com cuja obra estou mais familiarizado. Ainda me lembro bem, eu bem jovenzinho ainda, estupefato diante de uma gravura de Grasmann na Bienal de São Paulo e indagando aos meus botões: quem será esse gênio que grava figuras tão estranhas, góticas, obscuras? como será a alma desse artista, que segredos ele guardará na sua mente riquíssima e com que generosidade ele despeja sobre nós esse mel da vida e da criação! Certamente, logo o mundo conhecerá esse gênio!
Hoje, você me revela as condições em que ele vive e sinceramente, Iéio, meu coração chora.
Que reste a ele o consolo que ele não está só e que muitos grandes artistas, assim como ele, sofreram privações em vida, mas se eternizaram com as obras primas da sua genialidade. Hoje eu estou com os Grasmanns, mas não estou sózinho, o povo que gosta dos seus artistas tambem, e acredito que estarão vibrando para que ele encontre o seu amparo mais do que justo e merecido.
Daniel.
admiro as obras de Marcelo Glassmman, onde e casa de
sao Simão Nasceu meu pai e meus tios
minha Avó Maria Mgadalena barretto
Meu primeiro contato com as obras de M. Grassmann foi ontem no MON em Curitiba. Pessoalmente minha experiência foi libertadora. Como ainda indouto estudante da psicanálise que sou, foi impossível não me identificar naqueles traços, rostos, sexos, figuras arcaicas, animalescas. Quão profunda é essa obra e capaz de mobilizar tantos sentimentos. Devo à Grassmann insigths múltiplos já que sua obra se fez espelho claro e nítido ecoando sentimentos tão primitivos os quais não me era possível ainda expressar ou representar. Encontrei em sua obra um receptáculo de imensa gama de sentimentos evocados.
Ao chegar em casa e ainda visivelmente inebriado 6 horas depois procurei conhecer ainda mais quem seria esse homem com uma arte poderosamente mobilizadora e representativa daquilo que é mais humano. Quem seria esse que com mitos, lendas, donzelas me fez reverberar sentimentos tão esquecidos pela rotina de uma vida q se obriga a adaptação de um sistema de coisas em que o belo toma posições efêmeras? Quem seria esse que deixaria qualquer junguiano ou interessado nas representações do inconsciente completamente em êxtase?
Quantos arquétipos, figuras lendárias! Quanta simbologia de uma humanidade terrivelmente marcada por simbologias das quais nem se dá conta!
Infelizmente, como já citado anteriormente, pouco achei dele na rede. Ainda assim, penso ter feito uma pequena contribuição divulgando boca a boca o seu trabalho incentivando as pessoas a visitarem o MON. Fora isso, fica em mim um desejo extremamente pessoal de ainda mais mergulhar nesse universo fantástico e de entender que fantástica pessoa é capaz disso criar.