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29/11/2009 - 11:20

Exclusivo: No ônibus dos Barreto rumo à estréia de Lula no ABC

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Os três assuntos mais comentados da semana

Como faço todos os domingos desde a estréia do blog, publico abaixo os três assuntos que provocaram mais comentários de leitores no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país.

Balaio:

Filme sobre Lula: 460

Preços vão baixar: 155

Livro de Audálio Dantas: 102

Folha

Visita de Ahmadinejad: 71

Cesare Battisti: 64

Artigo de César Benjamim: 40

Veja

Divinização de Lula: 73

Caso Cesare Battisti: 18

Diogo Mainardi: 8

*** 

Os convidados eram tantos que os Barreto tiveram que fretar dois ônibus para levá-los à pré-estréia de “Lula, o Filho do Brasil”, nos estúdios da Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, na região do ABC, onde o filme termina quando morre a mãe do protagonista, dona Lindu, em 1980.

O encontro para a excursão foi marcado para as quatro da tarde _ a projeção estava marcada para as oito da noite _ no apartamento de Bruno, irmão do diretor Fábio Barreto. Entre as pessoas que foram chegando, encontrei os artistas do filme, patrocinadores, empresários, os publicitários Washington Olivetto e Nizan Guanaes,  e o pessoal de cinema, incluindo minha filha Carolina e seu marido Bráulio Mantovani, roteiristas que já fizeram ou estão fazendo trabalhos para a família Barreto.

No comando de tudo, Paula Barreto, a onipresente irmã dos diretores, responsável pela produção de seus filmes. Agitado como sempre, Luiz Carlos Barreto, o pai de todos, circulava de rodinha em rodinha. Para saber o que eu achava, veio me mostrar o discurso de apenas uma página que leria à noite antes da apresentação do filme.

Pouco depois das cinco, entramos todos nos ônibus e, apesar de ser um sábado, levamos uma hora e meia para chegar a São Bernardo do Campo. Até gostei da demora porque deu para ouvir histórias engraçadas e dar boas risadas com gente que você não cruza nas esquinas todo dia.  

Apesar de toda a polêmica causada pelo filme, que só estréia nos cinemas no começo de janeiro, não ouvi ninguém discutindo os possíveis desdobramentos políticos que a exibição de “Lula, o Filho do Brasil” poderá provocar nos rumos da eleição presidencial de 2010.

Glória Pires, que faz o papel de dona Lindu, gastava seu francês castiço no celular falando com alguém em Paris, onde a família mora atualmente e onde ficaram os seus filhos com Orlando Morais, o compositor boa praça que eu não conhecia pessoalmente.

Washington Olivetto, como de hábito, só falava do seu Corinthians _ ele lança nesta segunda-feira à noite, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, mais um livro que tem por tema sua grande paixão _ e sacaneava os torcedores de outros times.

Atrás dele, feliz da vida com o resultado que já tinha visto nas telas, estava a jornalista e pesquisadora Denise Paraná, autora do livro que deu origem ao filme do mesmo nome. Em 1989, ano da primeira eleição presidencial pós-ditadura, quando nos conhecemos, e ela começou a fazer as primeiras entrevistas para o livro, nenhum de nós poderia imaginar que vinte anos depois seríamos convidados a assistir ao filme que conta a história do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Por uma ou outra razão, os convidados que chegaram à Vera Cruz nos dois ônibus pareciam todos alegres colegiais premiados com uma viagem à Disneylândia. Entramos todos em fila indiana e no caminho encontramos outros dois convidados, Carlos e Dirce Mantovani, pais de Bráulio, que moram ali perto. Carlos, metalúrgico aposentado da Mercedes, até levou sua carteira do sindicato para mostrar a Lula.

Um dos monumentais estúdios da Vera Cruz foi transformado em sala de exibição e o outro serviu de sala de espera para os mais de dois mil convidados, recebidos com pipoca, salgadinhos e refrigerantes sem gelo. Ali encontrei dezenas de personagens das minhas matérias sobre as greves dos metalúrgicos no final dos anos 1970 e levei um tempão para chegar até a área reservada aos convidados da produção, sempre com medo de me perder da minha mulher, a Mara, e da Paula Barreto, a severa chefe da excursão.

“Acho que o Brasil é o país que tem mais vips no mundo”, brincou Olivetto ao encontrar meio mundo na área reservada. Eram ministros, senadores e deputados, grandes empresários, líderes sindicais da ativa e aposentados, artistas famosos _ uma seleta amostra do saco de gatos da grande aliança promovida por Lula nos seus dois governos.

Veio também boa parte da família Silva, irmãos, filhos, netos e sobrinhos de Lula, todos orgulhosos de estar ali. O mais paparicado como sempre era Frei Chico, como é conhecido o careca José Ferreira da Silva, um dos irmãos mais velhos do presidente, responsável por sua entrada na vida sindical.

O presidente Lula e Marisa chegaram logo depois da ministra Dilma Roussef, pouco depois das oito da noite, para alívio dos convidados que começaram a chegar à Vera Cruz por volta das três da tarde. Mas, antes do filme começar, ainda teve sessão de fotos de Lula e Marisa com os atores, vários discursos e um vídeo sobre a história da Vera Cruz e seus ousados planos para o futuro.  

O diretor Fábio Barreto se emocionou ao dedicar o filme a dona Lindu e arrancou as primeiras lágrimas de Lula, que passou o resto do filme chorando discretamente. Como já conhecia a história da família Silva, que o presidente gosta sempre de repetir aos amigos, e testemunhei a parte final do filme, a partir de 1978, foi como se estivesse assistindo à noite ao vídeo-tape de um jogo de futebol que já tinha assistido no estádio à tarde.

Não se trata de um documentário, evidentemente, a exemplo dos que Silvio Tendler, por exemplo, produziu sobre Jango e JK, e agora está fazendo sobre Tancredo Neves. Nem concordo que o filme de Barreto seja este melodrama todo, um filme hagiográfico, como andaram falando.

Mesmo sem ser crítico de cinema, achei que é apenas um filme muito bem feito, baseado na vida de um personagem improvável e sua saga familiar, na medida do possível fiel ao livro e aos fatos. Mas é apenas cinema, um espetáculo de entretenimento, que recomendo aos meus leitores.

Para os mais jovens, é uma boa oportunidade de conhecer os principais fatos políticos do período e saber como se formou a personalidade de Lula, que o levou a comprar muitas brigas, a criar o PT e a CUT, sem nunca deixar de negociar e compor, até chegar à Presidência da República, depois de três derrotas. Parece que ele seguiu à risca, o conselho tantas vezes repetido por dona Lindú: “Teime!”.

Lula se emocionou tanto ao ver nas telas a sua própria história e a da sua família, que não atendeu ao pedido dos assessores para falar com a imprensa. Recolheu-se a uma pequena sala, onde estavam sua família e uns poucos amigos, e ainda passou algum tempo conversando com Barretão e Barretinho, que lhe falou dos problemas com a equalização do som no início da projeção.

Quase meia noite do sábado, os ônibus já tinham ido embora, mas conseguimos pegar uma carona na van providenciada por Paula Barreto para levar de volta os retardatários. Foi uma excursão bem divertida.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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282 comentários para “Exclusivo: No ônibus dos Barreto rumo à estréia de Lula no ABC”

  1. Caros internautas, saudações!

    Primeiramente quero dizer que sempre fui um préjulgador antes de aguardar que os acontecimentos pudessem me fazer avaliar corretamente sem influência do meu estado emocional de momento, para dar minha modesta opinião acerca do que quer que fosse…Assim, hoje mais maduro e emocionalmente mais controlado, posso dar minha opinião
    sobre o governo do Presidente LULA: é o melhor e, apesar de não ser perfeito (qual é que já foi? ), é, sem dúvida nenhuma, uma vitória do povo que soube escolher alguém
    que sofreu tudo aquilo que a elite dominante impôs e impõem e continuará impondo sobre nós, as vítimas apassivadas e impotentes em reagir de forma contundente contra o predomínio desta classe malígna que detém e frea o desenvolvimento do Brasil, que o governo do Presidente LULA luta com afínco para mudar o rumo desta situação que acompanha o país desde sua descoberta.senão vejamos: quando é que bandido de colarinho branco foi preso e levado a ser escrachado na imprensa. como o MALUF, O PITTA, na área da política partidária, o DANIEL DANTAS, na área das finanças, O casal de pastores e bispos da IGREJA RENASCER, o juiz federal que está preso até agora, enfim, o que está ocorrendo no nosso país é uma mudança total de comportamento. Se bem que a ética e a moral mantém-se equidistantes, mas se a impunidade existe, é porque o Poder Judiciário ainda não possui envergadura estrutural definida, pois seus integrantes principais são originários de formação dentro do periodo ditatorial que a nação brasileira teve de se submeter durante quase todo o tempo de sua existência. Não é atoa que o povo está alienado devido a uma formação inadequado causada por um grande periodo de submissão, o que se tornou algo aceitável pela consciência coletiva, que é o que vale para nós, algo muito diferente nos outros povos que cresceram na democracia.
    A mudança deveria começar de cima para baixo, com alguns deslizes do poder ora exercido pelo governo do Presidente LULA,como o caso do mensalão do PT ( LULA sabia e não fez nada? ) por que razão? Pressão e ameaças muito veladas à integridade física dele e de sua família? Refém do mêdo? Ninguém ousaria colocar a vida em risco…E o filho natural e a filha fora do casamento oficial? por que estão escondendo suas ações nada exemplares? Tudo isso faz parte de um país que nega se tornar uma grande nação, pois esse negócio de dizer sempre que o Brasil é uma potência em emergimento ( na verdade em situação de emergência) não dá direito a solapar a bandeira que está sendo ultrajada nos seus dizeres: ORDEM e PROGRESSO pelo próprio povo que não sabe quem proclamou a república, ou que não foi Dom Pedro II que proclamou a Independência…Basta perguntar a qualquer cidadão do povo, principalmente das classes mais baixas, que dirão, simplesmente : NÃO SEI!
    Para finalizar: o povo que desconhece a sua própria história, vai continuar em erro até que um dia a educação seja algo que não vise só um diploma de curso superior, mas dê condição ao homem do povo alcançar conhecimento acerca seus direitos de exigir uma vida melhor para sí e sua família e assim obter de fato a cidadania que atualmente passa una idéia popular falsa a esse respeito.
    Quero assistir ao filme da vida de LULA, o filho do Brasil, para depois tecer um comentário dando minha modesta opinião como produtor cinematográfico e televisivo e jornalista aposentado, mas não morto. Abs. Fernando.

  2. Renato disse:

    Não vi o filme sobre o PRESIDENTE LUIS INÁCIO LULA DA SILVA ainda. Contudo, é um grande presidente que ao meu ver tem trabalhado arduamente para melhorar esse país. Não está melhor porque há forças neste país que são contrárias em relação a uma política que realmente contemple a todos os brasileiros. Esse é um governo que merece crédito e que deve ser elogiado pelas suas atitudes equilibradas, maduras, e inteligentes. Esse governo busca, ao meu ver, fazer uma política pautada em valores humanos. Isso é bom pois as ações políticas tem como fim último o bem de todos.

  3. MARIA APARECIDA FERNANDES disse:

    NÃO VI O FILME É NÃO VOU VER,LOGO COM LULA,COM TANTO PRESIDENTE DIVINO COMO GELULIO VARGA,QUE FEZ TANTAS COISA PELO POVO]ESTE SIM QUE ÉRA O PRESIDENTE MERECE FAZER O FILME DE GETULIO VARGAS,SE MATOU PELO O POVO.

    • José disse:

      A verdade não basta. principalmente em São Paulo, né, Maria?
      Os paulistas (infelizmente mais de 50%), principalmente os da classe média (culturalmente) baixa, isto é, TODOS ELES (até aqueles “paulistas” que moram em outros estados), preferem o apocalipse do que uma boa governança, principlmente se ela for do PT. Imagina então tendo Lula como presidente do Brasil. Isso se chama PRECONCEITO.

      Já vimos isso entre Hitler e os judeus.
      Já vimos isso entre Os brancos e os negros da África do Sul.
      E vemos isso entre os norteamericanos e o resto do mundo.

      Agora os paulistas, idiotizados pelos descendentes dos barões do café, (além de curtirem em baixo de suas consciências uma boa suástica), arrogantemente se acham a última bolacha do pacote, pois, ao contrário de todo o resto do planeta, (vide imprensa interancional) acham que o Brasil tem um governo pífio e que a corja do FHC precisa retomar o poder a qualquer custo, para expostar as desgraças paulistas para o resto do país e leva-lo de volta aos retrocessos dos anos 80 e 90. No caso aqui, à “divina” ditadura getulista.

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