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06/11/2009 - 18:14

Jornalistas denunciam grupo ligado a Sarney por baderna em São Luís

Recebi na tarde desta sexta-feira dos meus amigos jornalistas Palmerio Dória e Mylton Severiano a denúncia, que reproduzo abaixo, sobre os lamentáveis incidentes registrados durante o lançamento do seu livro “Honoráveis Bandidos”, quarta-feira, em São Luís, no Maranhão.

Conheço há décadas a seriedade e a competência do seu trabalho na imprensa. Mylton Severiano, o mago do texto, foi quem me abriu as portas da grande imprensa, em 1967. O repórter Palmerio Dória conheci pouco mais tarde na redação do Estadão, vindo de Belém, jovem de talento, sempre inconformado com as injustiças de todas as latitudes. Encontramo-nos várias vezes mais tarde por variadas redações da vida. 

Abaixo, a mensagem que eles me mandaram:

Amigo, eis o que enviamos a ABI e Fenaj

Os jornalistas abaixo-assinados, Palmerio Dória e Mylton Severiano, denunciam aqui a ação fascistoide de um grupo de jovens, a mando do grupo ligado a José Sarney, em São Luís do Maranhão.
 
1.    Antecedentes. Palmerio, autor do livro Honoráveis Bandidos, da Geração Editorial, e Mylton, co-autor, a convite de jornalistas de São Luís, aceitaram lançar o livro na capital maranhense, ontem, dia 4 de novembro de 2009, às 19 horas. Para começar, nenhuma grande livraria local, ou entidade, aceitou promover o evento, além do que nem sequer aceitam o livro em suas prateleiras. Até que, lembrado o Sindicato dos Bancários, suas portas se nos abriram e para ali ficou marcado o lançamento. Na antevéspera, mais um ato que lembra métodos fascistas: a empresa responsável pelos outdoors que anunciavam o evento devolveu o dinheiro aos promotores e mandou “raspar” as peças.

2.    O clima à nossa chegada, na terça, véspera do ato, começou a ficar “esquisito”, quando na coletiva à imprensa, numa sala do Sindicato, alguns colegas nos perguntaram se a gente não tinha “medo”. Falou-se em “corte de energia” durante o evento, brincou-se com a possibilidade de cada um levar uma vela, e alguns dos colegas não descartaram até atos de violência. À noite, em programa ao vivo na rádio Capital, vários ouvintes nos alertaram para aquelas possibilidades – “ele são capazes de tudo”, “cuidado”.

3.    Ontem, quarta, no fim da manhã, uma colega, Jane Lobo, mais realista, aconselhou – e acatamos – a pedir proteção.

4.    Veio a noite. O auditório do Sindicato dos Bancários, na Rua do Sol, estava superlotado, havia muita gente em pé. Um ambiente familiar – gestantes, gente idosa, crianças pequenas e grandes, estudantes. Por ali passaram mil pessoas.

5.    Iniciada a sessão pelo coordenador Marcos Nogueira, quando Palmerio passa a falar sobre o conteúdo do livro, eis que do nosso lado direito uma vintena de jovens, na maioria rapazes e umas poucas moças, prorrompem em berros, aos poucos distinguimos “Jackson ladrão, envergonha o Maranhão”, “mentira”, “viva Sarney”. As pessoas mais próximas se levantam e se afastam, abrindo um claro. Os baderneiros abriram suas camisas, pondo à mostra uma camiseta em que se lia Navalhada de Bandidos e atrás de grades Jackson Lago, o governador que a família Sarney derrubou num golpe do judiciário. Dentre os baderneiros, um rapaz, possesso, ergueu uma das pesadas cadeiras e a arremessou na direção do palco onde estávamos. Imediatamente uma chuva de objetos voou sobre a mesa – bolas de papel molhado, ovos e até pedras – junto com xingamentos e outros impropérios.

6.    Seguiu-se um quebra-quebra, pancadaria, promovida pelos baderneiros.

7.    Passada a estupefação, os presentes mais os seguranças providenciados pelo Sindicato passaram a expulsar os baderneiros do local aos tapas e empurrões. Boa parte do público se retirou, preocupada, “eles vão voltar”.

8.    Reiniciado o ato, os presentes cantaram Oração Latina, puxada ao violão pelo cantor e compositor Cesar Teixeira. A platéia e políticos, das mais diversas extrações, se deram as mãos durante o canto.

9.    Felizmente nenhuma criança se feriu. Uma pessoa das relações de Jackson Lago foi buscar seu carro na rua de trás do Sindicato, Rua dos Afogados, e testemunha: ali havia cinco viaturas da PM, esperando o quê, não se sabe. E, praticamente no mesmo instante, menos de cinco minutos depois, Décio Sá, jornalista “guerrilheiro” dos Sarney, que se encontrava em Fortaleza, já postava em seu blog notícia em que os baderneiros viraram estudantes que protestavam contra o lançamento do livro e “foram atingidos por cadeiras, pedras, socos e pontapés e revidavam como podiam”.

10. Enquanto os autores retomavam a sessão, um grupo foi à delegacia de polícia mais próxima registrar B.O., Boletim de Ocorrência. Dissemos que os baderneiros vieram a mando do grupo ligado a José Sarney e eles próprios, desastrados, se encarregaram de deixar prova cabal: uma moça, Ana Paula Ribeiro, tida nos meios estudantis como “estudante profissional”, ao sair correndo deixou cair a bolsa, com sua identidade dentro. A moça trabalha simples mente com Roberto Costa, secretário de Esporte e Juventude da governadora Roseana Sarney.

11. Toda a confusão armada pelos baderneiros foi fotografada e filmada por profissionais contratados pelo evento.

12. Mesmo com este ataque fascistoide, Palmerio e Mylton assinaram mais de 500 livros, o que demonstra a sede de informação sobre a família que há meio século governa o Maranhão.

 
Palmerio Dória e Mylton Severiano
São Luís, 5 de novembro de 2009

 

 

 


Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

36 comentários para “Jornalistas denunciam grupo ligado a Sarney por baderna em São Luís”

  1. Repórter Onze disse:

    Romualdo Rocha termina mal sua pequena intervenção! como é Romualdo “aqui tem sociedade organizada,tem direita, tem polícia,tem Forças Armadas também se precisar,tudo bem que depois tem que pagar umas indenizaçõezinhas vergonhosas…” !!! é bom uma justificação, de outro modo vão associá-lo a, por exemplo, aos putschistas hondurenhos ou àquela noite vergonhosa de 30.06.1934, em que os nazifascistas com facas e escopetas trucidaram Von Schleicher e muitos outros que tentavam impedir o avanço da maior miséria política que se tem conhecimento na história da humanidade.
    Por outro lado é bom que se diga com urgência, não é preciso ser de direita para ser militar. Militar serve para defender-nos contra o agressor externo e seus colaboradores internos. Dizer como diz o R Rocha que “temos Forças Armadas também…” dá a entender que nossas FFAA estão a serviços escusos, e isso é ledo engano do comentarista. Ledíssimo engano.
    Fala mais baixo, R Rocha, fala mais baixo, e de preferência, noutras paragens menos democráticas e menos solidárias, egocêntricas e perversas.
    Democracia sempre.

  2. ANTONIO JOSE DOS SANTOS disse:

    É lamentavel que como uma familia manda e desmanda em um estado em penúria total, o povo não reaja, é preciso uma intervesão federal, mas como se o faderal é apoiado pela familia maldita…

  3. Mário disse:

    A famiglia Sarney deu um tiro (ops…) nos 4 pés…Haja Ministérios para recuperar-se desta “Depressão”. Certamente o estigma que os bisnetos e tatarenetos deste Senhor carregarão para o resto da vida será semelhante aos dos descendentes do Paulo Maluf. Está certo, andarão sempre em SUVs e Jatinhos, mas serão apontados sempre como “símbolos” de uma era de corrupção nunca-antes-vista-neste-paízzzz.

  4. jose henrique leal disse:

    È lamentavel um senhor oitentão que devia estar embalando os bis-netos e fazendo jus ao nobre titulo de cidadão comum,ao inves disso está protagonizando todo tipo de canalhice patrocinado por um ex sindicalista valoroso,que se tornou um presidente sem nenhuma vergonha na cara.Ps:SOU UM DOS MILHÕES DE EX PETISTAS.

  5. meiry ribeiro disse:

    Nâo sei se posso chamá-los de Família, mas de FAMÍLIA MALDITA tenho certeza.

  6. Giovani Avila SC disse:

    Ok, Kotscho, o Sarney é um mal necessário pro Lula, mas é um pilantra, cabe um artigo seu. O MST é um alento pra reforma agrária, exagera, mas caberia um artigo puxando a orelha dos dois lados, não acha? Da orelha do MST e da bancada ruralista, pra ser justo, não acha, ou as terras da CUTRALE são sagradas e não griladas?
    Mas o motivo do meu comentário é: Não escreveste uma linha sequer, nem pra tentar esclarecer o treino de boxe do Aécio Neves na acompanhante na festa do RIo. Não ficasse sabendo?

  7. Léo Costandrade disse:

    José Sarney e “famiglia” em nada diferem dos políticos do DEM, todos são ex-ARENA, ex-PDS e ex-PFL ou seja bandidos safados que participaram do golpe militar de 64 e se mantiveram dando sustentabilidade à política do cacetete, hoje os Sarney só são denunciados pelo PIG porque no momento (por puro oportunismo) apóiam o governo federal, caso contrário estariam recebendo as homenagens juntamente com FHC, SERRA e todos os DEMotucanos Globais.

  8. Nei disse:

    Tudo isto graças ao Ministro do STF – Gilmar Dantas e a Juíza irmã dos Sarneys da vida, que destituiu do cargo o Jackson Lago.

  9. Veja só como era a UNIBAN em 2000, sob o governo FHC, o ministro era Paulo Renato, hoje ministro de Serra, leia com atençºao

    http://www.terra.com.br/istoe/1584/brasil/1584guerradocanudo.htm

  10. willian disse:

    Boa noite. Tens certeza de que conheces realmente estes dois jornalistas? Caro jornalista, infelizmente, em todas as noticias, há dois ou até mais lados e o que foi enviado a vve as entidades jornalisticas foi um dos lados, felizmente.
    Primeiro nao havia mil pessoas, até porque,o local não cabe(estima-se pouco mais de 150) e quem entrou em momento algum jogou cadeiras sobre os mesmos. Basta ve as imagens e fotos. Estas estão inclusive em jornais contrários a Sarney.
    No mais, podes ler o blog do Walter Rodrigues, que lá há em forma de informações corretas o que aconteceu.
    o endereço do blog é
    http://www.walter-rodrigues.jor.br
    obrigado pela atenção.

    • Esse Willian deve ser um dos baderneiros. Só faltou remeter ao blog do Décio Sá. Por pouco não nos remeteu para o blog do Décio Sá. Contudo, se Willian não é um dos baderneiros é um puxa-saco dos Sarneys.

  11. Daniel Zsigmond disse:

    Que palhaçada a família Sarney. Por isso que o único órgão Brasileiro que ainda tem credibilidade é o CORREIOS. rsrs

  12. Apagão disse:

    o ACM era o Dom Corleone do Sertão, depois passou o cargo pro Maluf para ser o da Cidade, que passou o Cargo pro Sarney para ser o dono do Brasilzinho baronil! E este é poderoso! E dá-lhe cesta-básica da alegria pra todo mundoooo esquecer né!!!!!

  13. É a volta do cangaceirismo? Discípulos do coronelismo estão se exibindo? É hora de se apurar isso, mostrando também, aqueles outros mais envolvidos em escândalos, estão nos devendo isso.

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