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05/11/2009 - 15:07

Aos 84, Clara Charf preserva memória e amor por Marighella

Sob o sol forte de 11 horas da manhã de quarta-feira, com um cravo vermelho numa das mãos e o microfone na outra, a voz sai mais fraca, mas a firmeza das idéias é a mesma de sempre. Aos 84 anos, aquela mulher miúda de cabelos bem branquinhos posta-se diante do carro de som e dá início, como faz há 40 anos, a mais uma homenagem póstuma a seu marido, assassinado numa emboscada exatamente naquele local, no dia 4 de novembro de 1969. 

Raras vezes na vida, mesmo no cinema ou na literatura de ficção, conheci uma história de amor tão forte como a da ex-aeromoça pernambucana Clara Charf pelo guerrilheiro baiano Carlos Marighella, fundador e líder da Ação Libertadora Nacional, uma das dissidências do Partido Comunista Brasileiro criadas durante o período de resistência à ditadura militar.

Cerca de 40 pessoas, entre amigos, parentes e velhos comunistas, que se referem a ele ainda como
“Mariga”, aglomeram-se na calçada da alameda Casa Branca, no Jardim Paulista. Na noite da sua morte, havia muito mais gente, é verdade _ policiais, curiosos e jornalistas, entre os quais, o autor deste texto, um dos repórteres escalados pelo Estadão para fazer a cobertura.

Quem passa de carro não faz idéia do motivo que reúne aquelas pessoas diante de uma pedra em forma de lápide colocada ali para lembrar a morte de Marighella, entre a alameda Lorena e a José Maria Lisboa.

Por isso, Clara pergunta e ela mesma responde:

“Por que ele foi morto? Porque a sociedade não era justa, não tinha terra e trabalho para todos. Ele lutou desde jovem contra isso, foi preso várias vezes(… ) Naquela noite veio se encontrar com dois companheiros para estudar caminhos que permitissem aos perseguidos sair do Brasil em segurança. Muitos que estão aqui devem sua vida a ele. (…) Graças a pessoas como Marighella chegamos ao Brasil que temos hoje, que está longe de ser perfeito, mas melhorou muito em relação ao que era naquela época”.

Desde quando teve seu registro de trabalho de comissária de bordo cassado em 1946, Clara Charf dedica-se a muitas lutas, tendo passado boa parte da vida na clandestinidade, outra como exilada, participando de protestos contra a bomba atômica à campanha contra o envio de soldados  brasileiros para a Guerra da Coréia.

Até hoje, ela está na luta. Participa ativamente do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, da Associação Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo e da Comissão de Mortos e Desaparecidos. Mas a maior de todas as lutas de Clara Charf nos últimos anos foi pela preservação da memória do grande amor da sua vida, hoje abrigada no Espaço Cultural Carlos Marighella, por ela criado.

Quatro décadas após a execução de Marighella comandada pelo delegado Sergio Fleury, o chefe da repressão em São Paulo, Clara fala com carinho do temido combatente, para ela “um poeta dedicado à solidariedade”, o homem mais procurado do país do seu tempo. A seu lado, estão o filho, Carlos Augusto, e a neta Maria, de 31 anos, artista de teatro, encarregada de ler um manifesto.

Diante deles, um cartaz do Espaço Cultural Carlos Marighella reproduz alguns versos de “Rondó da Liberdade”, o poema dele mais conhecido:

O homem deve ser livre (…)

É preciso não ter medo

É preciso ter a coragem de dizer.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

100 comentários para “Aos 84, Clara Charf preserva memória e amor por Marighella”

  1. Repórter Onze disse:

    Não se deixe intimidar, nobre Kotscho. Aqui não é a Áustria de ontem onde pululam os neo de todo gênero. O Brasil não é e não será fascista e nem os neo terão vez. O bolsonárico comentário é agressivo porque perverso e é perverso porque não o lastreia o conhecimento, a lógica, ou mesmo a boa religião da compreensão. Inicia com certa luva púrpura para, depois, apresentar a faca pontuda e traiçoeira. Tem toda razão a senhora Clara Charf em celebrar dia e noite a memória do seu marido Marighella, nosso Mártir, nosso Herói, tombada pelas balas assassinas da ditadura militar.
    O Brasil mudou. E continuará na sua mudança contínua através do simples e poderoso voto.

  2. Thaelman Carlos disse:

    Marighella parece que mesmo sem querer, tornou-se um herói do povo brasileiro por ser ele mesmo um brasileiro legítimo que teve a sanidade e a coragem necessária para confrontar-se com os inimigos dos trabalhadores.Foi covarde e friamente assassinado pela sanha criminosa da ditadura dominante na época por um de seu principal capacho o famigerado delegado do DEOPS Luis Sérgio Paranhos Fleury. A vida de Marighella e sua luta pela liberdade jamais sairá de nossa memória. O amor de Clara Charf pelo seu camarada é hoje a extensão de todos os nossos sentimentos por esse grande revolucionário brasileiro. Jamais cederemos ao medo. Marighella presente!!!!!

  3. Fernando Neves disse:

    Olha Maria Aparecida, se você lê tanto como diz, vou lhe passar uma dica muito valiosa. Depois de ler, você precisa compreender, analisar, sintetizar, avaliar, para enfim aplicar. Ler é apenas o primeiro passo. Muitos, como você, ficam apenas no primeiro estágio. Essa é a grande diferença que faz um verdadeiro formador de opinião. Só estou lhe respondendo porque você precisa ser responsabilizada pelas impropriedades que fala, pois tem muita gente falando bobagem nessa falsa democracia que o Brasil vive. Não fosse por isso eu não perderia meu tempo com você. Ah, já ía esquecendo. A ideologia que Mariguela defendia assassionou milhões mundo afora em nome da “grande causa socialista”. Se você quiser ir para a Argentina, pode ir.

  4. Repórter Onze disse:

    Não se preocupe Aparecida com o destrambelhado Neves. É um pequenito bloco de neve que se desfaz aos primeiros raios do sol nascente. Ele, Aparecida, pelo que “expõe” está naquela linha de frente do famigerado “ame-o ou deixe-o”, e a pedagogia que quer passar ao ensaiar expulsá-la deste nobre e generoso espaço democrático do prof. Ricardo Kotscho, revela o despudor intelectual que não tem pois a direita radical ou mesmo aquela entremeada de rugas de filologantes, não constrói nem intelectual nem o mentalmente rudimentar. O Brasil, Aparecida, vive seu melhor espaço, ambiente e progresso democrático e muitos ainda não se irmanaram nesta marcha democrática e fraterna. Programas sociais, em todas as nações, quando brotam do clamor dos injustiçados, dos sofridos e oprimidos pela perversa classe dominante, como é o caso de nosso Brasil de todos, fazem mal e incomodam alguns “cidadãos” que resistem ao desenvolvimento social, à união dos menos favorecidos e à Inclusão Social enfim. Neste momento, o maior Projeto de Inclusão Social do planeta está em curso no Brasil e isso incomoda aos egocêntricos, aos clubistas e aos membros de associações bem conhecidas.
    Parabéns Aparecida, por mostrar em suas palavras a inconformidade com esses sacripantas de plantão que detestam o Brasil de todos. Mas, esses seguidores de Spengler, não terão vez neste país que crescè e se confraterniza. Um operário-metalúrgico é o Presidente da República de todos nós. Isso faz mal e causa aversão contínua nos que são intelectual e mentalmente despreperados. Mas a solidariedade de nosso bom povo prevalecerá e o bloco de neve, à primeira vista sólido e poderoso, dissolver-se-á nos primeiros raios de luz do sol mais poderoso.
    Avante Aparecida, fique conosco e continue nessa ténue porém generosa e potente caminhada.

  5. jose henrique leal disse:

    Tudo neste balaio vira um autêntico fla-flu

  6. laio disse:

    É admirável o amor da Sra, Clara dedicada ao seu marido após 40 anos da sua morte. Este tipo de amor é que move o mundo. Mas, considerar Marighella um herói? Ai já é demais!

  7. aloysio floriano de toledo disse:

    Muito oportuno, caro Ricardo, e graças a teu texto poderei reverenciar a memória de mais um baluarte dos direitos libertários do homem, na próxima ida a SAMPA, mas à alameda Casa Branca, pois desconhecia tal lápide; além disto fizeste-me lembrar outras vítimas da ira irracional, como Vladimir Herzog, asfixiado nas dependências do DOI-CODI; mas tua referência à poesia Rondó da Liberdade trouxe-me à memória outra vítima, Federico García Lorca;estes tres, assim como outros do mesmo quilate alicerçado em sólidos valores morais, são aqueles que nos reconciliam com o gênero humano, devendo ser permanentemente lembrados, como muito bem o fizeste!

  8. Paulo César disse:

    Alegam os defensores da ditadura militar que ao combaterem a esquerda estavam impedindo a instalação no Brasil de uma ditadura de esquerda, modelo soviético. Então por que mataram vários democratas, como por exemplo o Deputado Rubens Paiva , Wladimir Herzog e muitos outros que nunca pegaram em armas? A verdade é que havia grupos radicais de esquerda que lutavam contra o regime, porém a grande maioria lutou pela liberdade que lhes foi surrupiada pela ditadura, que não deixou outra opção senão a radicalização da luta. O regime partiu primeiramente para uma tática de sufocamento, com a supressão das liberdades políticas, e depois para o uso sistemático da tortura e dos assassinatos políticos. Temos que ficar vigilantes porque existem muitos saudosistas daqueles tempos de truculência. A sociedade brasileira amadureceu e ainda não criaram um sistema político melhor que a Democracia. E até mesmo aqueles que defendem a volta da Ditadura devem ter cuidado com o que desejam, porque podem protagonizar o caso em que a criatura muitas vezes volta-se contra o próprio criador.

  9. Roberto disse:

    É ENGRAÇADO, aqueles que se locupletaram com os desmandos dos torturadores da ditadura, tentam reescrever a história. Sanguinários, foram aqueles que invadiram escolas, templos e as casas das pessoas que tinham o pecado de pensar diferente dos ditadores. Quantos foram mandados embora sem nenhum direito,de seus empregos no dia seguinte após o golpe, pelo simples fato de pertencerem ao sindicato ? Quantos estudantes foram presos e mortos em seguida,após serem tirados sob a mira de metralhadoras da sala de aula, por discordarem do governo? Quantos políticos foram assassinados por pertencerem a oposição ? Quanto millitares que se opuseram ao golpe, foram considerados mortos e suas mulheres consideradas viuvas, passando a receber a pensão dos maridos que apesar de ainda estarem ao seu lado, eram considerados mortos pela ditadura militar. Quantos indios foram assassinados e as florestas saqueadas, com sua madeira enriquecendo aqueles que apoiavam o governo torturador ? É passado, mas o que meus olhos viram, meu coração não esquece. Prefiro viver o presente e construir o futuro, mas não tentem transformar uma época de terror e ódio, perseguição e morte, num “bom momento do país”, pode ter sido bom para os totalitários, facistas e udenistas ( raizes ideológicas do tucanato paulista), mas quem prefere a democracia, pagou um alto preço para chegar ao Brasil de hoje. Todo cuidado é pouco com o ovo da serpente, a Uniban deveria convidar o pessoal da Ku Klux Klan para paraninfar seus formandos, nada mais adequado.

    • VANDERLEY disse:

      É SILVIO FACISTA NAZISTA NEOLIBERAL.
      ESSE DEVERIA SER O SEU NOME. PESSOAS COMO VC GERA FOME MISERIA, RACISMO, DESIGUALDADE SOCIAL. COM CERTEZA DEVE SER ESSES BURGUESES QUE ADORAM SE EMPANTURRAR DE BISCOITOS FINOS, DEVE SER CABOCLO QUERENDO SER INGLES. PESSOAS DO SEU NIVEL TINHA QUE SER O EXPULSO DO MEU PAÍS CHAMADO BRASIL. NAO PRECISAMOS DISSO. MAS O SANGUE DE TODOS OS REVOLUCIONARIOS SERAO VINGADOS PODE TER CERTEZA DISSO.
      CERTO SEU SILVIO MIRANDA FACISTA.

  10. Sílvio Miranda disse:

    Virou moda no Brasil tranformarem terroristas assassinos em heróis, o governo Lula criou o bolsa terrorismo que diferente dos bolsas votos recebem milhões como indenizações e pensões de R$ 30, 40 mil, um prêmio por terem assassinados pessoas inocentes e quem defendia o estado contra a uma ditadura comunista que eles queriam impor no Brasil, enquanto as familias que perderam seus entes queridos mortos por eles nada recebem terroristas iguais a Marighella que vivem nababescamente com o nosso suado dinheiro promovem encontros para iguais a esse.
    Kotscho, voce como grande defensor do comunismo, que elogia tanto essa senhora, deveria pelo menos mandar limpar a sepultura de Marighella, que encontra-se coberta pelo mato e a tampa querbrada no Cemitério das Quintas dos Lázaros em Salvador, essa senhora que segundo voce declara tanto amor pelo terrorista morto com o dinheiro que recebe não deveria entregar ao abandono os restos mortais dele, não achas.

    • Caetité de Aníbal Teixeira disse:

      Como é il Ustra tivo esse cara! Meu Deus, ele il Ustra bem!

    • Paulo César disse:

      Ainda bem que o Sr. Sílvio vive em um País que hoje é democrático, e ele pode expressar a sua opinião livremente, sem correr o risco de ser preso, torturado no pau-de-arara, choques elétricos, afogamentos e espancamentos, ou até mesmo de ser morto, o que certamente ocorreria se ele estivesse sob aquele regime que ele está defendendo, a ditadura. Quanto ao ódio que este pessoal devota ao Lula, é típico da elite brasileira, raivosa, retrógrada e anacrônica, que não admite que um operário possa ser Presidente da República, que odeia a Democracia e exalta regimes de força e truculência, que mantém seus privilégios. Essa gente acha que pobre tem mais é que morrer. Achincalham os programas sociais do Governo porque são direcionados aos pobres. A sociedade brasileira está mais amadurecida e já não se deixa enganar mais tão facilmente. Já sabe separar bem o joio do trigo.

  11. janloco disse:

    Sr. GLADIADOR, qual é a sua?
    Realmente seu sobrenome é forte, parece mais uma fantasia. Eu o imaginava de máscara, armadura e espada. No entanto, o senhor me surpreende com suas declarações. Uma hora o Senhor defende a direita e agora defende a esquerda. Quando é que o caro amigo vai descer do muro. O senhor não é comunista! Por acaso é brasileiro?
    Será, o senhor, um militar aposentado? Detrata o PT e o LULA. Não quer reconhecer, nesse modesto operário, nosso PRESIDENTE um GÊNIO POLÍTICO MUNDIAL, o agora, recentemente laureado, com o título de ESTADISTA DO ANO. Afinal, politicamente, como o senhor se define?
    Se o senhor conheceu tão bem o Marighella, talvez tenha conhecido também o Felipão, um dissidente da CGT, por acaso o conheceu? Gostaria de ouvir alguma notícia desse senhor e se ainda existe.

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