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30/10/2009 - 16:17

Para onde vai o MST? Com a palavra, o eterno líder Stédile

“O MST não é capacho de ninguém”, proclamou Joâo Pedro Stédile, o eterno líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ao final de uma hora de entrevista ao programa “3 a 1″, gravado na manhã desta sexta-feira, nos estúdios da TV Brasil, em São Paulo. E emendou: “Não é porque o Lula mandou votar na Dilma que nós temos que votar na Dilma”.

Stédile cobrou dos candidatos um projeto para o país porque, segundo ele, os movimentos sociais querem discutir propostas e não nomes antes de se posicionar em relação às eleições presidenciais de 2010.

No programa, que irá ao ar às 23 horas da próxima quarta-feira, Stédile falou dos pontos positivos e negativos do governo Lula, dos rumos do MST e dos últimos acontecimentos envolvendo o movimento. Reconheceu erros e pediu desculpas, mas atribuiu a “agentes infiltrados” os atos de depredação e violência na fazenda da Cutrale, chamou a burguesia nacional de idiota, defendeu a agricultura familiar e atacou o agronegócio, a direita ruralista e a CPI.

Quase trinta anos depois de fazer a primeira entrevista com ele na Encruzilhada Natalino, o berço do MST no interior do Rio Grande do Sul, reencontrei o mesmo Stédile indignado de sempre, defendendo as mesmas idéias com a mesma convicção, sem dar espaço para dúvidas ou incertezas.

Mais magro, ele deu boas risadas com as histórias contadas por Luis Carlos Azedo, o apresentador do programa, antes da gravação começar. Já no estúdio, fechou a cara, aumentou o tom de voz e emendou um discurso no outro. Mas negou que o MST tenha se transformado num movimento político e, olhando diretamente para a câmera, disparou: “O MST não é um partido!”.

Além de Azedo, participaram como entrevistadores a repórter Cátia Seabra, da Folha, e eu. Várias vezes, o líder do MST negou que o movimento tenha optado nos últimos tempos por uma estratégia de confronto, atribuindo os excessos ao desespero das famílias acampadas à espera de terra.

Stédile reconheceu que os movimentos sociais envelheceram e passam por um processo de esvaziamento, “não só no Brasil, mas no mundo inteiro”, por conta de uma transição entre o neoliberalismo e algo novo que ele ainda não sabe definir claramente o que é. “Em breve, penso que surgirão novos lideres, novos movimentos, novos partidos.”

Mas ele mesmo, única liderança do MST nacionalmente reconhecida desde a criação do movimento, embora se apresente apenas como “membro da coordenação”, não deu nenhum sinal de que pretenda se aposentar e passar o bastão tão cedo.

Perguntei-lhe em que momento se deu a guinada do MST, com a invasão de prédios públicos, ataques a laboratórios e destruição de lavouras, como aconteceu em Iaras. Para mim, este marco seria março de 2002, com a invasão da fazenda da família do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Stédile garante que foram agentes P-2 (serviço secreto da Polícia Militar) infiltrados no movimento que provocaram a invasão da fazenda de FHC e culpa a cobertura da imprensa pela repercussão negativa das ações que envolvem o MST.

O apresentador Azedo perguntou-lhe então por que o movimento não fazia uma denúncia formal ao Ministério da Justiça, cobrando investigações sobre a suposta ação de agentes infiltrados em diferentes episódios. Stédile ficou de pensar na idéia.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

88 comentários para “Para onde vai o MST? Com a palavra, o eterno líder Stédile”

  1. Paulo Menezes disse:

    Eita, Kotscho! Valeu, mostra pra essa turma da direita que voce continua empregado do Palacio do Planalto. Pra que equilibrio e isençao? O Stedile eh amigo ha tantos anos, tem mais eh que ajudar mesmo…

  2. Ricardo Lugan disse:

    Que isso meu caro Kotscho! Chamar um chefe de quadrilha de líder? Os valores estão mesmo invertidos. Pobre Brasil. As idéias mais retrógradas no mundo encontram aqui terreno fértil para serem tomadas como verdade.

  3. Repórter Onze disse:

    Mais dia menos dia a questão agrária será resolvida no Brasil. É um anseio antigo em país onde perversas rupturas constitucionais e desrespeito às Leis foram perpetrados. Recordo o democrático governo de Jango que estabeleceu a SUPRA, órgão destinado a criar condições mínimas para uma reforma agrária. Sob o pretexto de comunismo, as baionetas assassinas golpearam Jango Goulart, prenderam Arraes, Julião, e centenas de líderes camponeses pelo Brasil afora, muitos tombaram na defesa de sua pátria, de seu país ultrajado e milhares de outros foram banidos ao som da miserável “ame-o ou deixe-o” tortura mental engendrada.
    O voto mudou o Brasil e certamente mudará ainda mais a América do Sul, este subcontinente da injustiça. Com destemor, mártires e heróis tombaram na defesa de pobres desassistidos, agricultores famintos e vilmente tratados por insensíveis “senhores” neofascistas. Mas não passarão!
    Outros patriotas sempre virão e, com a bandeira do diálogo e do humanitário combate, prevalecerão.
    Tem razão Kotscho, no intróito deste post sobre o MST, chamar de eterno líder o João Pedro Stédile. A causa é nobre e generoso o seu trabalho.

  4. Nelson Mandela disse:

    Estou impressionado com a guinada que se deu no nível e ideologia dos que comentam nesse blog.
    Estou com pena do caro blogueiro, pessoa respeitadíssima e de enorme coração, apesar de não conhecê-lo pessoalmente, pelo que sempre senti lendo seus textos. As pessoas que comentavam nesse blog inicialmente eram pessoas mais sensíveis e inteligentes, mesmo com idéias contrárias; hoje dá tristeza ler a maioria dos comentários. Deve ser muito frustrante para o Sr. Ricardo ler tais comentários.
    Não é nem questãi de flaxflu, pois eu debato com tricolores e ficamos sempre num bom nível, nesse momento do blog os comentários, a maioria, são de baixíssimo nível, não se contesta com argumentos, sóxingamentos e acusações sem qualquer base.
    Eu gostaria de aproveitar para chamar a atenção de notícia que saiu na semana passada informando do resgate de vários brasileiros que trabalhavam em fazendas em regime de ESCRAVIDÂO, e tal notícia ficou restrita a um rodapé de página. Teria sido em fazendas do MST que se deu tal desumanidade? Ou será que foi em fazendas dos ruralistas que tanto criticam e demonizam o MST? Por que não se deve investigar na CPI do MST os empréstimos federais aos grandes latifundiários do agrnegócio? Por que a imprensa não cobra ?
    Ricardo, espero que você continue escrevendo de forma serena e verdadeira, apesar de não concordar com tudo, para que, quem sabe, essas abelhas fascistas se cansem e sumam desse blog.

  5. Fernando Duarte disse:

    Ha muito me desiludi com o MST, do antigo idealismo só restaram um monte de aproveitadores que agem a margem da lei com o apoio do governo e em proveito propio

  6. targinosilva disse:

    Plantar ja não é profissão de amador.
    Esse pessoal do MST não sabe plantar um pe de feijão. Antes de doar terra tem que ensinar agricultura. Quem for bem no curso, ganha terra, que não for vai procurar outra profissão.

  7. GOZADOR disse:

    MEU DEUS, ESTE POVO SÃO MUITO INTELIGENTE,KKKKKKKK. SERÁ QUE VCS NÃO PERCEBERAM, QUE ISTO É UMA SABOTAGEM POLITICA, CLARO QUE JA É, SEU FHC TRABALHANDO DENTRO DOS BASTIDORES, EM PROL DO ZÉ PEDAGIO, CASO O ZE MANÉ GANHE ESTA ELEIÇÃO, VCS SABEM MUITO BEM QUEM VAI CORDENAR VAI SER O FHC(OBHC). F.H. SEBOSO, KKKKKKKKKKKKK, SERIA DA MESMA FOR SE O GERALDO TIVESSE GANHO, TODOS NÓS ESTARIA´MOS PASSANDO FOME.

  8. Não sou contra ao MST, afinal um país-continente como o nosso, não é justo que poucos tenham terras improdutivas, quando muitos querem produzir e não as têm. Porém, deveria ser mais organizado, pois, quando há destruição de plantação ou até de imovéis, deveria se apontar o nome de quem comandou essa ”operação”, até fornecido pelo Sr Stédile. Isto para não se chegar a conclusão de que trata-se de um ”bando” irresponsável. Mesmo que haja necessidade dessas operações, devem assumir a responsabilidade e informar por que é que fizeram isso.
    As marchas do movimento, como lá em Brasilia, muitos armados de foices, facas e machados, não poderia ser permitido, pois, essas ferramentas são de trabalho, fora disso, são armas que podem ser usadas para ferir alguém. Imaginem uma manifestação reivindicatória de policiais estando todos armados! É preciso separar o joio do trigo, organizarem-se realmente nesse movimento, paa que as hostilidades não ocorram, porque até armas de fogo são utilizadas nessas incursões, e uma vez organizados, poderão mostrar a todos, os benefícios dessas invasões, o que plantaram, qual desenvolvimento que foram implantados, mas, atualmente só mostram destruição.
    Parece mais mesmo com uma ”força paralela” e pior, sem cabeça, porque deixam que até mortes ocorram.
    Que tal começarmos com a idéia de ”vamos construir, vamos plantar”!
    É a mnha opinião sobre o assunto.

  9. junior disse:

    e algum aplaude em pé maestro sertanejo e musica classica da especie humana vai perdendo a sensibilidade ficam so as roupas de seda, Ja imaginou ganhar um convite desse e ter que assistir uma coisa dessa e no fim bater palma em pé ?
    mas vamos falr de receita de bolo porque o mundo é quadrado plano como disse o meu querido amigo presidente Dilmo

  10. Amigo Meia disse:

    Dia 12.12: “Muito São Paulino pro meu gosto”, nada ainda está decidido, calma, sabe a história do ovo e da galinha? Este é um assunto bom para discutirmos no “Pimenta de Cheiro” (novo bar da Cris onde era o antigo Boi), seu Balaio tem assuntos muito mais interessantes do que futebol (principalmente se falando do São Paulo). Abraço.

  11. Amigo Meia disse:

    E.T.: Meu time acabou de perder de 3×1 pro Avaí, talvez esteja aí o motivo de minha revolta. Abraço.

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