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08/10/2009 - 09:47

Fim de linha para o MST: vandalismo, furto e destruição

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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, que surgiu no início dos anos 1980, em Encruzilhada Natalino, no Rio Grande do Sul, e transformou a sigla MST no símbolo da luta pela reforma agrária no país, acabou para mim esta semana, em Iaras, no interior de São Paulo.

Acompanhei este movimento desde o começo, fiz dezenas de reportagens com seus líderes e sobre suas conquistas em jornais, revistas e redes de televisão, corri riscos junto com eles nas desocupações violentas promovidas pelas forças policiais, mas venho notando nos últimos anos que o MST perdeu completamente o sentido, o rumo e a razão de ser.

As cenas de vandalismo, furto e destruição, pichações e lixo espalhado pelo chão, que marcaram esta semana a invasão da fazenda da Cutrale por 250 famílias, em Iaras, tornaram-se o símbolo do triste fim de linha a que seus líderes conduziram um movimento que em boa parte da sua história contou com o apoio de amplas parcelas da sociedade. Agora, acabou da forma mais melancólica possível.

Por mais que me doa escrever isso, lembrando das tantas famílias de sem terra que acreditaram neste sonho, acampadas nas beiras das estradas por este país afora, o que era justa luta pela sobrevivência virou banditismo puro e simples.

Não é de agora que isso acontece, mas o que vimos na fazenda da Cutrale após a reintegração de posse determinada pela Justiça, com a destruição de máquinas e equipamentos, além de parte das plantações de laranja, é coisa de vândalos, simplesmente _ nada a ver com quem busca um pedaço de terra para plantar.

Mais grave do que a violência praticada contra funcionários e os prejuízos econômicos causados á empresa, porém, foi o que os sem terra fizeram na casa de uma faxineira, como relata o repórter Maurício Simionato, na Folha desta quinta-feira:

“Levaram DVD, TV, rádio, roupas, calçados, inalador, ferro de passar roupa, o chuveiro e até lâmpadas e torneiras”, declarou Silvana Fontes, 37, cozinheira e faxineira da sede da fazenda. Oito das nove casas de empregados foram arrombadas.

Para quem começou lutando contra latifundiários, invadir e furtar a casa de uma faxineira, levando até seus presentes de casamento ainda dentro das caixas, chega a ser uma afronta a justificativa dada por um dos líderes do movimento, Paulo Albuquerque, para a ação dos sem terra em Iaras: segundo o MST, a terrra ocupada pela Cutrale é propriedade da União.

E daí? Mesmo que fosse, o que a empresa desmente, caberia à Justiça decidir a quem pertence a terra e não a um grupo de fora da lei que passou com tratores por cima de milhares de pés de laranja (entre 7 e 10 mil, segundo a empresa, ou “só” 3 mil, de acordo com os líderes do MST).

Para Paulo Albuquerque, diretor estadual do MST, tudo não passaria de armação da Cutrale, que resolveu destruir seus próprios bens, numa tentativa “não só de criminalizar o movimento, mas também de punir lideranças. Daqui a pouco vão querer prender algum integrante do MST por causa dessa invasão”.

Pois, se ficar provado pelas investigações da polícia quem foram os autores destas ações de vandalismo, tem mais é que prender mesmo. “É a palavra deles (Cutrale e policiais) contra a nossa. Nós temos condições de rebater todas estas falsas afirmações que estão fazendo contra nós”, defendeu-se Albuquerque.

Por tudo que já vimos acontecer nos últimos meses, em invasões de prédios públicos e propriedades privadas produtivas durante ações do MST, não acho que a faxineira Silvana Fontes tenha mentido sobre o que aconteceu na fazenda. Como jornalista que acompanhou toda esta trajetória do MST nos últimos trinta anos, do sonho ao pesadelo, prefiro acreditar nela e no relato do repórter Maurício Simionato.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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1.001 comentários para “Fim de linha para o MST: vandalismo, furto e destruição”

  1. julio eduardo disse:

    Em empo. Se algumas famílias ocupam e dão sentido social a um pedaço de terras públicas ociosas, é justo que a recebam por ter-lhes dado o fim preceituado pela constituição.
    Ora, uma empresa do porte da Cutrale deve ter comprado estas terras de um terceiro ou outros terceiros na cadeia de sucessão, pois não existem terrasdevolutas em São Paulo de tamanho porte sem que alguém já as tivesse ocupado antes.
    Se o estado forneceu-lhes insumos financeiros e eles também cumpriram com a função social da terra nada mais justo que continuem esm sua posse.
    Aqui mesmo, onde moro vejo muitas terras ocupadas por membros do MST que não cumprem sua função social que é produzir. REcebem tratores, implementos e casa a fundo perdido, financiamento para lavoura, cercas e tudo que for necessário para produzir COM JUROS NEGATIVOS. No entanto, recebem o dinheiro e seus lotes continuam improdutivos. Muitas terras do MST, aplicada a ótica e regras do INCRA, deveriam ser desapropriadas para reforma agrária.
    MESMO ASSIM, SÃO OS MAIORES PROPRIETÁRIOS DE TERRA DO PAÍS NO SEU CONJUNTO E DEPENDEM DE POLÍTICAS ASSISTENCIAIS.

  2. Ailton disse:

    Esse movimento está travestido de “MOVIMENTO SOCIAL”, más no fundo ele só serve para enriquecer seus dirigentes, basta ver quanto acentados ainda possuem as gluebas recebidas, e o que foi feito dos R$ 12 mil adiantados para cada acentados.

  3. Ailton disse:

    Gostaria de dizer que sou PT. desde que partido surgiu, sempre votei a acreditei em seus projetos, e digo: NUNCA GOSTEI DESSE MST. MOVIMENTO NÃO É REPRESENTANTE DE PRODUTORES FAMILIARES SEM TERA. ASSIM COMO BOA PARTE DO PT DETESTA O MST. PELO SEU DESVIO DE FUNÇÃO E PERSONALIDADE.

  4. Ari Quadros disse:

    Está mais do que evidente que as lideranças do MST não querem reforma agrária coisa alguma. Querem, isto sim, a tomada do poder, para implantação de um regime totalitário, a exemplo do que ocorreu em Cuba. Aí viriam os processos expropriatórios e não apenas no meio rural. Engana-se quem quiser. Certa ocasião, inocentemente, indignei-me com a indiferença dos líderes do MST (que não são analfabetos) em relação à questão ambiental, que parece ser a mesma de muitos proprietários ou arrendatários rurais, que vão levando tudo por diante. A visão de fauna, flora e solo é a mesma, tudo se parece e não poderia evidentemente ser diferente, pois apoiam Lula, que oficializou o desmatamento da Floresta Amazônia. Ora bolas, triste inocência a minha!

  5. ANTONIO disse:

    êta povinho otário, basta o bom samaritano korscho escrever alguma coisa que se vê uma revoada de “comentaristas” logo balançando a cabeça, não têm pensamento próprio nem sequer tem a perspicácia de ler os sinais embutidos na estória: Quem deu a notícia em primeira mão e em horário nobre? A GLOBOMENTIRA , ELA É A FAVOR DA REFORMA AGRÁRIA OU É A FAVOR DO CAPITAL ESPECULATIVO, COMO A CUTRALE? O NOBRE KORSTCHO OUVIU ALGUMA LIDERANÇA PRESENTE NAQUELE EPISÓDIO, PARA OUVIR O CONTRADITÓRIO? OU ESCREVEU ESSA ESTÓRIA A PARTIR DO QUE “VIU” PELA TV GLOBO, OU PELO “RELATO” DO JORNALISTA DA FOLHA????COMO ESCREVEU??? A FOLHA E GLOBO, MERECEM CRÉDITO? OU QUEREM DETONAR O GOVERNO, CRIMINALIZAR OS MOVIMENTOS SOCIAIS NUM MOVIMENTO ORQUESTRADO, COISA DE BANDIDO NAZIFASCISTA? PENSEM NISSO.

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