Datafolha: a crise política nada altera para Lula e 2010
Existem pessoas que priorizam as mais diversas culturas.
Uns cultivam plantas, outros cultivam árvores, mas há aqueles que cultivam pessoas e, entre essas pessoas, tive a oportunidade de conhecer recentemente três grandes mulheres.
Através de uma participação minha no Balaio do Kotscho, recebi em minha caixa de e-mails uma mensagem da leitora Ana Luíza Berlinotti Aguiar, moça de 29 anos, que já perdeu uma filha pequena, e também se tornou viúva precocemente.
Durante nossas conversas diárias, pude conhecê-la um pouco melhor, e também as suas duas companheiras, dona Vera Lúcia de Souza Alves Ferreira, mais conhecida e carinhosamente tratada por vovó, e também a sua prima Blenda, ambas também participantes do Balaio.
Ana Luíza, essa menina carioca já vivida (como costumava me dizer), ao invés de culpar o mundo por seus infortúnios, resolveu junto com sua avó e sua prima abraçar uma causa pequena em uma comunidade carente na cidade de Pirajuí, no interior de São Paulo, que se torna gigantesca pelo exemplo que nos oferece.
Tudo começou quando tiveram uma idéia. Iriam ajudar todas as pessoas que passassem por elas, solicitando algum tipo de ajuda.
Por morarem num bairro de periferia, os problemas são muitos e diversificados, em questões como saúde, segurança e educação. Forneciam pequenos auxílios financeiros, providenciavam consertos de eletrodomésticos e o encaminhamento a órgãos do governo para receberem auxílios como os da Bolsa Família.
Vovó Vera cuidava da orientação e auxílio junto de Blenda. Ana Luíza desenvolvia atividades com as crianças. Ensinava-as a tocar instrumentos musicais, além de promover alguns passeios e excursões, em que constantemente até adultos também participavam.
Praticavam, enfim, e também ensinavam a praticar, a cidadania, para moradores constantemente esquecidos nas periferias.
Atendiam ao telefone sempre anunciando: “Central de Ajuda”!
Juntas elas também acompanhavam pessoas com dúvidas sobre seus direitos até o centro da cidade, onde iam receber auxílios ou até para abrir uma simples conta bancária.
Com extrema paciência, cuidavam e orientavam os membros dessa comunidade no que lhes fosse possível.
Se alguém solicitava ajuda para um problema de eletrodoméstico com defeito, lá iam elas para resolver o problema ou buscar alguém com conhecimento para isso.
Vovó Vera me disse, certa vez, que um senhor chegou quando ela estava conversando com uma vizinha. Ele parou e perguntou:
- A senhora lembra de mim? Fui eu que limpei aquele canteiro para a senhora- e apontou para umas flores amarelas.
A vizinha no mesmo instante se retirou apressadamente, mas vovó Vera convidou-o para um café, e mais tarde para o almoço.
Aquele senhor acabou efetuando pequenos reparos na casa, obteve sua refeição e, além do calor humano, recebeu R$50,00 pelos serviços prestados.
Ana Luíza também participava ativamente das reuniões políticas, onde eram discutidos os problemas da comunidade.
Ela me confidenciou que o lugar é realmente muito triste, carente de tudo, mas as pessoas são muito boas.
Hoje, infelizmente, ela não esta mais entre nós. Um problema cardíaco detectado de forma tardia surpreendeu a todos.
Sua prima Blenda mudou-se da cidade. E vovó Vera continua seguindo, embora de maneira solitária, e dentro de suas mais limitadas possibilidades, com o programa que as três criaram e desenvolveram.
Vovó Vera, é leitora do Balaio e também uma profunda admiradora do Ricardo Kotscho.
Participava através de sua neta dos comentários.
Bem, meus amigos. Descrevi apenas algumas coisas que a Central de Ajuda proporcionava, e de certa forma ainda proporciona àquelas pessoas.
Atitudes de pessoas normais, que olham para o seu semelhante, e conseguem enxergar essa “semelhança”!
Criaturas que se despem de artifícios efêmeros criados por uma sociedade muitas vezes desumana.
Seres humanos iluminados em sua capacidade de entender que na verdade somos todos irmãos.
Lembro-me do final da história já conhecida do menino que salva as estrelas do mar e diz, quando questionado, estar fazendo a parte dele.
Isso gera uma cobrança.
Prefiro o final em que ele diz olhando para a que está em suas mãos.
-Para essa eu faço a diferença!
Para a pequena comunidade de Pirajuí, a Central de Ajuda faz uma grande diferença.
O Balaio perde uma leitora participativa…
Vovó perde uma neta linda.
Eu perdi mais que uma amiga…
O mundo perde um ser iluminado…
Mas todos nós acabamos ganhando com o exemplo dela, que será eterno…
Robson de Oliveira


