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Arquivo de agosto, 2009

16/08/2009 - 10:37

Datafolha: a crise política nada altera para Lula e 2010

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Os mais comentados
Publico abaixo, como faço todos os domingos desde a estréia do blog, os três assuntos mais comentados da semana no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação no país:
Balaio
Marina Silva: 632
Diploma de jornalista: 117
Boa notícia: 108
Folha
Senado: 182
Lei antifumo: 75
Sarney: 54
Veja
Rozângela Alves Justino: 189
Senado mal-assombrado: 113
Roberto Pompeu de Toledo: 36
***
  
A grande novidade da pesquisa Datafolha publicada neste domingo é que não apresenta nenhuma grande novidade.
A crise política que dominou o noticiário nacional nos últimos meses nada alterou nos índices de popularidade do presidente Lula nem na corrida sucessória para 2010, ficando tudo na mesma dentro da margem de erro.
Ao contrário do previsto por dez entre dez dos maiores colunistas políticos do país, o festival de denúncias, baixarias e escândalos dos últimos meses, tendo como epicentro o Congresso Nacional, os números do Datafolha de agosto são praticamente os mesmos da pesquisa anterior divulgada em maio. 
Nem a doença de Dilma e as denúncias contra ela, nem a gripe suína, nem a surpreendente entrada em cena da senadora Marina Silva como provável candidata do PV à Presidência da República, nada foi capaz de mudar as intenções de voto para 2010 e a avaliação positiva do governo Lula.
O líder das pesquisas José Serra perdeu um ponto (foi de 38 para 37), Dilma manteve os mesmos 16% da pesquisa anterior, assim como Ciro repetiu o índice de 15%. Logo atrás, Heloísa Helena subiu de 10 para 12%.
Marina Silva apareceu com apenas 3%, desmentindo os números do Ipespe, o Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas do cientista político Antonio Lavareda, que trabalha para o consórcio PSDB-DEM, na qual a senadora aparecia com índices entre 10 e 27% das intenções de voto _ argumento utilizado pelos verdes para convencê-la a sair candidata pelo partido. 
“Lula passa por crise sem perder alta aprovação”, parece lamentar a Folha, em modesta matéria de uma coluna espremida na página A11, na qual informa que o presidente caiu apenas dois pontos (de 69 para 67) no auge de mais uma crise do fim do mundo.
O que para mim mais uma vez ficou claro nesta pesquisa do Datafolha é que há uma clara separação entre o Brasil real da grande maioria da população, satisfeita com a recuperação da economia e com a vida que leva, e o Brasil midiático, que emenda uma crise política na outra.   
Outra constatação óbvia é que o quadro sucessório continua indefinido, não se sabendo até agora quem serão os candidatos para valer. Mas parece mais distante a possibilidade de uma eleição plebiscitária entre Serra e Dilma, como queria o governo.
 
Ciro será candidato a presidente ou a governador de São Paulo?
Heloísa Helena, a líder do PSOL que hoje é vereadora em Maceió, sairá candidata a presidente ou ao Senado por Alagoas?
Qual rumo tomará Aécio Neves, que continua na rabeira da pesquisa em diferentes cenários, mas não abre mão da sua candidatura por enquanto?
Até onde pode crescer Marina, se for mesmo candidata pelo nanico PV de Gabeira, o candidato do PSDB-DEM no Rio?
Enquanto estas perguntas não forem respondidas pelos fatos, tudo não passa de chute, a apenas 14 meses do dia de irmos às urnas.
Em tempo: o leitor Pedro Franhi, das 16:04, me chama a atenção para o dado mais importante da pesquisa Datafolha, que me escapou, publicada no pé da matéria principal da página A4: 42% dos eleitores ouvidos votariam num candidato apoiado pelo presidente Lula para presidente. Esta informação mereceria maior destaque, em condições normais, convenhamos.
***
Notícias do bem
Na minha eterna campanha para falarmos também de notícias boas e pessoas do bem, mesmo em momentos de tristeza, recebi esta semana e reproduzo abaixo um belo texto do nosso leitor Robson de Oliveira sobre o trabalho social de uma família muito ligada à turma do Balaio.
Central de Ajuda… Bom dia!          

 

Existem pessoas que priorizam as mais diversas culturas.

Uns cultivam plantas, outros cultivam árvores, mas há aqueles que cultivam pessoas e, entre essas pessoas, tive a oportunidade de conhecer  recentemente  três grandes mulheres.

Através de uma participação minha no Balaio do Kotscho, recebi em minha caixa de e-mails uma mensagem da leitora Ana Luíza Berlinotti Aguiar, moça de 29 anos, que já perdeu uma filha pequena, e também se tornou viúva precocemente.

Durante nossas conversas diárias, pude conhecê-la um pouco melhor, e também as suas duas companheiras, dona Vera Lúcia de Souza Alves Ferreira, mais conhecida e carinhosamente tratada por vovó, e também a sua prima Blenda, ambas também participantes do Balaio.

Ana Luíza, essa menina carioca já vivida (como costumava me dizer), ao invés de culpar o mundo por seus infortúnios,  resolveu junto com sua avó e sua prima abraçar uma causa pequena em uma comunidade carente na cidade de Pirajuí, no interior de São Paulo, que se torna gigantesca pelo exemplo que nos oferece.

Tudo começou quando tiveram uma idéia. Iriam ajudar todas as pessoas que passassem por elas, solicitando algum tipo de ajuda.  

Por morarem num bairro de periferia, os problemas são muitos e diversificados, em questões como saúde, segurança e educação. Forneciam pequenos auxílios financeiros,  providenciavam consertos de eletrodomésticos e o encaminhamento a órgãos do governo para receberem auxílios como os da Bolsa Família.

Vovó Vera cuidava da orientação e auxílio junto de Blenda.  Ana Luíza desenvolvia atividades com as crianças. Ensinava-as a tocar instrumentos musicais, além de promover alguns passeios e excursões, em que constantemente até adultos também participavam.

Praticavam, enfim, e também ensinavam a praticar, a cidadania, para moradores constantemente esquecidos nas periferias.

Atendiam ao telefone sempre anunciando: “Central de Ajuda”!

Juntas elas também acompanhavam pessoas com dúvidas sobre seus direitos até o centro da cidade, onde iam receber auxílios ou até para abrir uma simples conta bancária.

Com extrema paciência, cuidavam e orientavam os membros dessa comunidade no que lhes fosse possível.

Se alguém solicitava ajuda para um problema de eletrodoméstico com defeito, lá iam elas para resolver o problema ou buscar alguém com conhecimento para isso.

Vovó Vera me disse, certa vez, que um senhor chegou quando ela estava conversando com uma vizinha. Ele parou e perguntou:

- A senhora lembra de mim? Fui eu que limpei aquele canteiro para a senhora- e apontou para umas flores amarelas.

A vizinha no mesmo instante se retirou apressadamente, mas vovó Vera convidou-o para um café, e mais tarde para o almoço.

Aquele senhor acabou efetuando pequenos reparos na casa, obteve sua refeição e, além do calor humano, recebeu R$50,00 pelos serviços prestados.

Ana Luíza também participava ativamente das reuniões políticas, onde eram discutidos os problemas da comunidade.

Ela me confidenciou que o lugar é realmente muito triste, carente de tudo, mas as pessoas são muito boas.

Hoje, infelizmente, ela não esta mais entre nós. Um problema cardíaco detectado de forma tardia surpreendeu a todos.

Sua prima Blenda mudou-se da cidade. E vovó Vera continua seguindo, embora de maneira  solitária, e dentro de suas mais limitadas possibilidades, com  o programa que as três criaram e desenvolveram.

Vovó Vera, é leitora do Balaio e também uma profunda admiradora do Ricardo Kotscho.

Participava através de sua neta dos comentários.

Bem, meus amigos. Descrevi  apenas algumas coisas que a Central de Ajuda proporcionava, e de certa forma ainda proporciona àquelas pessoas.

Atitudes de pessoas normais, que olham para o seu semelhante, e conseguem enxergar essa “semelhança”!

Criaturas que se despem de artifícios efêmeros criados por uma sociedade muitas vezes desumana.

Seres humanos iluminados em sua capacidade de entender que na verdade somos todos irmãos.

Lembro-me do final da história já conhecida do menino que salva as estrelas do mar e diz, quando questionado, estar fazendo a parte dele.

Isso gera uma cobrança.

Prefiro o final em que ele diz olhando para a que está em suas mãos.

-Para essa eu faço a diferença!

Para a pequena comunidade de Pirajuí, a Central de Ajuda faz uma grande diferença.

O Balaio perde uma leitora participativa…

Vovó perde uma neta linda.

Eu perdi mais que uma amiga…

O mundo perde um ser iluminado…

Mas todos nós acabamos ganhando com o exemplo dela, que será eterno…

 

Robson de Oliveira

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
15/08/2009 - 10:36

Ranieri resiste: Lei anti-fumo cria pracinha caipira nos Jardins

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Até os vizinhos mais antigos que não fumam e, portanto, nunca haviam entrado no bar e tabacaria do Beto Ranieri, na esquina da Lorena com a Ministro Rocha Azevedo, um reduto de charuteiros, estranharam ao ver a cena de cidade do interior em pleno coração dos Jardins, em São Paulo.

“Vocês também foram expulsos?”, perguntou-me um deles, sábado passado, ao nos ver do lado de fora, pitando na calçada, em bancos improvisados de jardim, que chamaram a atenção dos transeuntes.

Nunca fumei charutos, continuo fiel ao velho cigarro, mas desde que vim morar no bairro, faz quatro anos, fiquei amigo desta turma do Ranieri que se reúne ali no bar da tabacaria há mais de duas décadas, nos finais de tarde e de semana, para bater papo e tomar um aperitivo.

Tem de tudo nesta turma e, por isso mesmo, sempre sai uma conversa bem divertida: advogados, empresários, cineastas, construtores, gente do mercado financeiro, artistas globais, políticos e até jornalistas, entre outros tipos da cidade.

Moro ali perto e aquele virou meu bar da esquina, onde encontro os amigos e fico sabendo das novidades. Como trabalho em casa, é vital para mim saber o que anda acontecendo além das janelas do meu apartamento e do portão do prédio.

Agora, com a entrada em vigor, há duas semanas, da Lei Anti-fumo do Serra, que proibiu o fumo até em tabacarias, aonde as pessoas vão para fumar e quem não fuma não vai, como diria o conselheiro Acácio, tive que mudar meus hábitos.

Para encontrar as minhas ”fontes”, que dizer, meus amigos, tenho que fazer como na praça principal em Porangaba: chegar cedo para garantir um lugar nos quatro bancos de madeira instalados na calçada do bar ao lado de vasos de manacá.

Ao ser entrevistado no Ranieri pela minha amiga Miriam Clark para um especial do programa do Jô com o governador José Serra, na semana em que a lei entrou em vigor, só me restou brincar com a nova ordem.

Falei que aquela era uma sacanagem com os carecas ( o governador, assim como eu, tem uma certa deficiência capilar), já que agora serei obrigado a ficar ao relento, gelando a cabeça nas noites mais frias deste inverno.

O Jô gracejou que eu devo ter ficado careca de tanto fumar. Pode ser. Mas como explicar o que aconteceu com os cabelos do ilustre governador Serra, a seu lado, que não fuma e não quer que os outros fumem?

Lei é lei, eu sei, e como bom cidadão só me resta respeitá-la, mas acho que proibir o fumo num local reservado para fumantes é mais ou menos como proibir que sirvam carnes numa churrascaria ou obrigar ateus a frequentar a igreja.

Imaginava que poderia ficar cada um no seu quadrado, um respeitando a vontade do outro. Mas, já que é assim, melhor buscar na calçada as coisas boas da nova lei.

Passei a encontrar e prosear com outros amigos e apreciar mais de perto as moças bonitas que não entram em tabacaria. Em dias de sol com céu claro, como neste belo sábado, a calçada do Ranieri vira uma prainha ou pracinha de interior em meio aos prédios, e é para lá que vou daqui a pouco.

Além dos bancos, temos outras novidades. Almoço de sábado agora tem uma bela polenta (com ragu, rabada, quatro queijos ou shitaque), preparada por um dos sócios, o Max Abdo, que é servida no belo lounge junto ao bar, recentemente inaugurado.

No começo da tarde, todos os sábados apresenta-se no pequeno palco (toda noite agora, a partir das 21 horas, também tem uma atração musical) um quarteto de cordas da Orquestra Bachiana de João Carlos Martins, e vira-e-mexe o próprio pianista-maestro, que é vizinho, aparece por lá para dar uma canja.

O Ranieri resiste.

Inspeção veicular:

para que isso, prefeito?

Mudando de pato a ganso, não posso deixar de falar de um programa de índio que fui obrigado a fazer na sexta-feira, sem entender até agora para que serviu meu esforço ao cumprir outra lei implantada recentemente em São Paulo.

Vocês já devem ter ouvido falar de uma tal de inspeção veicular (até rimou…), que obriga os proprietários de veículos fabricados a partir de 2003 a comparecer a um dos quatro postos instalados pela Prefeitura para provar que teu carro não está poluindo o ar puro da cidade.

Até aí, tudo bem. Os carros, como os cigarros, são grandes agentes de poluição, mas só não entendi uma coisa: por que não começar pelos mais antigos, fabricados antes de 2003, em lugar de fiscalizar os mais novos que, teoricamente, são melhor equipados e poluem menos?

O mais estranho neste processo, no entanto, não é nem isso. É o sistema que criaram para você cumprir a lei. É preciso pagar uma taxa para ser fiscalizado, agendar um horário e, ao final do kafkiano processo, se ficar provado que teu carro não é poluidor, você recebe o dinheiro de volta.

Para fazer tudo isso, contando o tempo perdido com a burocracia e o trânsito para chegar aos locais de inspeção, até receber de volta a taxa de R$ 52,73, gasta-se pelo menos quatro horas para cumprir a lei.  

Por que não fazer o contrário? Ou seja, obrigar o sujeito a pagar multa, após a inspeção, caso seu carro não atenda às especificações legais?

Na saída do posto da Barra Funda, tem uma placa informando que 800 mil veículos já haviam sido inspecionados pela Controlar, a empresa contratada para este serviço.   

A inspeção propriamente dita não dura mais do que cinco minutos e mais parece um teatrinho para justificar a cobrança da taxa. No caminho de volta para casa, fiz um pequena conta para ver quanto a cidade perde em homens/hora de trabalho nesta brincadeira:

800 mil carros X 4 horas perdidas X R$10,00 (salário médio por hora de quem tem carro novo) = RS 32.000.000,00.

Isto sem contar quanto a Prefeitura paga à Controlar para fazer a inspeção.

Alguém poderia me explicar que estranha novidade é essa, para que e a quem serve?

Eu, pelo menos, ainda não senti nenhuma melhora no ar que respiramos. Ao contrário, com mais gente fumando nas ruas, a coisa só tende a piorar…   

 

 

 

 

    

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
14/08/2009 - 10:55

Exclusivo/Marina Silva no Balaio: as utopias e a mosca azul

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BRASÍLIA _ Duas da tarde de quinta-feira, dia 13. A senadora Marina Silva (PT-AC), 50 anos, está terminando de almoçar com Moara, sua filha de 19 anos, estudante de Direito, que acabara de chegar da Inglaterra.

Sai da cozinha do seu amplo, mas modesto apartamento funcional da 309 Sul, e recebe-me na sala com um beijo e o mesmo sorriso sereno e amigo de sempre.

Como o tempo que temos para conversar é pouco, alertou-me a assessora de imprensa Jandira Gouveia, vou direto ao assunto que agitou a semana política e o cenário da sucessão presidencial, desde que a sua candidatura presidencial foi lançada pela direção do PV.

Balaio _ Você sempre foi uma pessoa movida pelo coração, que eu sei. Neste momento, o que diz o teu coração: você fica no PT ou vai para o PV, que te ofereceu a candidatura à Presidência da República?

Marina _ Olha, se eu tivesse esta certeza no coração, chamaria meus velhos companheiros Binho (o ex-colega de faculdade e atual governador do Acre, Binho Marques),  Jorge (duas vezes governador do Acre, Jorge Viana) e Tião (senador Tião Viana, do PT-AC), e falaria primeiro para eles. Nesse momento, eu ainda estou vivendo a elaboração de toda a exposição a que me submeti nos últimos dias, ouvindo todas as pessoas, que não foram poucas, para que seja uma decisão consciente da minha parte. 

Nos 50 minutos seguintes, Marina manteve-se impassível sentada na mesma posição no sofá, com sua fala mansa e firme sobre a importância da luta contra o aquecimento global e pela preservação da natureza para as futuras gerações, disposta a não abrir o jogo político-partidário por enquanto.

Apesar dos poréns e no entantos, saí de lá convencido de que ela já foi picada pela mosca azul do PV. Posso estar enganado, claro, mas para mim agora é só uma questão de dias, não muitos, para que ela tome a grande decisão da sua vida. O calendário eleitoral fixa um prazo: 30 de setembro, a data limite para a mudança de partido.

Balaio _ Você já tinha pensado nesta idéia? Alguma vez já tinha passado pela tua cabeça o plano de se candidatar a presidente da República, antes de receber o convite dos dirigentes do PV?

Marina _ Tem uns seis meses que um grupo de jovens criou um site na internet chamado Movimento Marina Presidente. Perguntaram-me se eu autorizava, falei que não. Mas eles iam fazer de qualquer jeito. Não articulei nada para isso. Só ouvia as pessoas falarem sobre esta possibilidade da minha candidatura. Até pedi para que os assessores e as pessoas mais identificadas comigo não entrassem neste site para ninguém dizer que a Marina estava articulando alguma coisa.

A filha Moara vai até o escritório e, na volta, informa à mãe que o movimento foi criado no dia 17 de abril de 2006, mas só nos últimos meses a comunidade criada na internet começou de fato a funcionar.

As conversas com o pessoal do PV, lembra ela, começaram logo após o dia 13 de maio de 2008, quando ela entregou sua carta de demissão no Palácio do Planalto, depois de ocupar por 5 anos, 5 meses e 14 dias _ ela guarda os números na cabeça _ o cargo de ministra do Meio Ambiente do governo Lula.  

Balaio _ Como foram estas conversas com os verdes?

Marina _ Eles me perguntavam por que eu não entrava no PV, mas eu levava na brincadeira. Pedia para eles pararem com isso, mas eles respondiam que estavam falando sério. Nas últimas semanas, começaram a me informar que estavam preparando a refundação programática do PV, com a participação de pessoas da academia, para colocar a questão do desenvolvimento sustentável na agenda estratégica do partido, planejando a desverticalização da direção e a conquista de novos militantes nos movimentos sociais. O quadro mundial mudou muito desde a criação do PV, há 24 anos, inspirado nos partidos verdes da Europa. Diante desta ameaça de aquecimento global, as questões ambientais não se resolvem sem uma forte integração com a dinâmica econômica. O mundo vive hoje uma forte mudança no modelo de desenvolvimento. É o grande desafio deste século. Estou fazendo uma grande reflexão sobre tudo isso.

Como se vê, o discurso de candidata pelo PV está pronto. O longo namoro dos verdes com Marina chegou ao pedido de casamento no dia 29 de julho último, quando ela foi chamada pela executiva nacional para ser oficialmente convidada a entrar no partido, acenando com o dote da candidatura.

Para convencê-la, mostraram-lhe uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), coordenada por Antonio Lavareda, que costuma trabalhar para o PSDB e o DEM nas campanhas, provando a viabilidade eleitoral do seu nome.

Nas 81 páginas desta pesquisa feita por telefone, que veio a público no mesmo dia em que conversamos, conclui-se que no confronto direto entre Marina e Dilma, em quatro cenários, a senadora perde em um, empata em outro e ganha em dois.  

Balaio _ Além da pesquisa, o que mais vocês discutiram neste encontro do dia 29 de julho?

Marina _ Foi uma conversa que durou quatro horas em que eu mais ouvi do que falei. Eles me falaram dos novos desafios, das dificuldades que vivem em vários Estados onde há problemas. Mas não quero subordinar a minha decisão sobre a candidatura aos números da pesquisa. O centro da minha reflexão é programático. Como podemos presrvar os ativos ambientais sem que isso traga efeitos indesejáveis ao desenvolvimento? Como podemos integrar preservação com desenvolvimento?

Marina explica que sua reflexão tem que levar em conta três etapas. A primeira, e mais difícil, é se deve ou não se desfiliar do PT, o partido que ajudou a criar. Depois, filiar-se ao PV. Por último, discutir uma possível candidatura.

Balaio _ E em que pé está esta reflexão agora?

Marina _  Ninguém sai de um partido, depois de 30 anos, e vai para outro só para se candidatar a presidente da República. Esta é uma reflexão visceral para mim e para este século, principalmente para os jovens. Agora vou me recolher em mim mesma para decidir. Precisamos atender ao mesmo tempo às legítimas necessidades das gerações presentes sem inviabilizar o futuro. Precisamos construir uma aliança intergeracional com compromisso ético.

Em nenhum momento da nossa conversa, antes que eu tocasse no assunto, Marina falou dos seus tempos de governo ou dos programas e projetos do PT nesta área, como se ambos já fizessem parte do passado.

Balaio _  Neste um ano e meio que você deixou o governo, tem conversado com o presidente Lula? Como estão tuas relações com o governo e o PT?

Marina _ Sempre que há necessidade de uma interação institucional da senadora com o presidente e o governo é natural que a gente converse. Foi assim na recente homenagem ao João Candido, com a anistia póstuma e a inauguração da sua estátua, e no episódio da regulamentação fundiária na Amazônia. Estou me sentindo muito serena quanto a isso, graças a Deus. Vários companheiros do PT vieram falar comigo para que ficasse no partido, para continuarmos juntos. Conversamos muito também sobre a crise do Senado nestas últimas semanas. Mas é um erro ficarmos só falando da crise do Senado. Quantas possibilidades nós não temos de melhorar a vida no nosso país? Kant dizia que o projeto de um mundo melhor sempre caminha em paralelo com o projeto de um mundo pior. As coisas são mesmo paradoxais. Existe a crise do Senado, claro, ela é grave, mas também existe muita esperança neste Brasil, neste mundo em que a gente vive. Vivemos aqueles momentos do cerceamento da liberdade na ditadura, mas nunca vivi tanta esperança como naquela época. Mais tarde, um sociólogo consolidou a democracia e elegemos um metalúrgico realizador das nossas utopias. As políticas sociais do governo Lula são a realização das nossas utopias, embora estejam ainda apenas no começo. Isso precisa ser preservado e consolidado.

Marina se anima ao falar das utopias e dos utopistas, para desespero da assessora que fica olhando o relógio (num único dia, Jandira chegou a receber 60 ligações de jornalistas). Fala de Florestan Fernandes, Celso Furtado, Paulo Freire, Chico Mendes, D. Hélder, D. Moacyr, e junta na mesma lista Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, “os mantenedores das utopias”.

“Quero ser para os jovens e as pessoas da minha geração o que estas pessoas que citei foram para mim, uma mantenedora da utopia”.

Na hora de me despedir, Marina lembra que batizou sua única filha de Moara (ela tem mais três filhos homens), que quer dizer liberdade em tupi-guarani, em homenagem à primeira campanha presidencial de Lula, em 1989, quando ela estava grávida da menina.

“Viajava pelo Acre com uma barriga de oito meses, expremida num avião monomotor, entre o Jorge e o Tião, e eles falavam que eu ia entrar em trabalho de parto…”.

Em tempo: Se Marina for mesmo candidata, ela foi o quarto presidenciável que deu entrevista exclusiva a este Balaio desde a abertura do blog em setembro do ano passado (antes dela, foram Aécio, Ciro e Dilma). Agora só falta José Serra.

Se depender dos leitores do Balaio, que decisão Marina Silva deve tomar?

 Leia também:

 

 

 

   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
12/08/2009 - 10:43

O fator Marina Silva e os cenários para 2010

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Caros leitores,

estou viajando daqui a pouco para Brasília, onde tentarei entrevistar pessoalmente a senadora Marina Silva. Por isso, só voltarei a liberar comentários à noite. Até a volta.

Pois é, amigos, quando tudo caminhava para uma eleição plebiscitária em 2010, com um candidato do governo (Dilma) e outro da oposição (Serra), em mais um Fla X Flu entre petistas e tucanos, como vem se repetindo desde 1994, eis que surge um fato novo, o fator Marina Silva.

A esta altura do campeonato, não sei se ela já trocou o seu PT cansado de guerra pelo PV de Zequinha Sarney, mas tudo indica que minha velha amiga Marina, a santa guerreira dos seringais, o fará mais dia menos dia para ser candidata a presidente da República.

Com sua biografia pessoal e política inatacável, flor rara no brejo em que se transformou o Senado brasileiro, Marina tem a trajetória mais parecida com a do presidente Lula entre quaisquer candidatos possíveis à sua sucessão.

Como ele, saiu da pobreza mais pobre dos fundões do Brasil e foi à luta, ajudando a criar o primeiro partido político brasileiro verdadeiramente nascido das bases populares. Deu muito murro em ponta de faca até chegar ao Senado, antes de exercer por seis anos o cargo de Ministra do Meio Ambiente do governo Lula, de onde saiu muito magoada.

Reúne na sua figura singular todos os méritos e direitos para disputar a Presidência da República. Antes de tomar uma decisão definitiva, porém, convem que ela dê uma olhada cuidadosa na biografia dos dirigentes verdes que lhe fizeram o convite para se candidatar à sucessão de Lula.

O mais animado deles, Alfredo Sirkis, vice-presidente nacional do PV, conhecido surfista da política carioca, saiu da luta armada e rodou em busca de um lugar ao sol, até cair nos braços de Cesar Maia, o ex-prefeito e blogueiro carioca de quem foi secretário com muito gosto, e que não chega a ser um símbolo da modernidade sustentável.

Na Câmara Federal, o partido é liderado por Zequinha Sarney, do PV do Maranhão, herdeiro político do pai, aquele mesmo que Marina quer ver afastado da presidência do Senado pelo conjunto da obra. Em Brasília, o PV integra a base aliada do governo federal.  

Mas, em São Paulo, o presidente nacional do PV, o obscuro vereador paulistano José Luiz Penna, faz parte da base de apoio demo-tucana do esquema Serra-Kassab.  

Com este time, convenhamos, fica difícil imaginar uma campanha presidencial para valer, que não seja apenas uma linha auxiliar dos que se opõem à candidatura Dilma Roussef, a ungida pelo presidente Lula para disputar a sua sucessão.  

Se Marina Silva resolver mesmo ser candidata pelo PV, abrindo o leque de candidaturas, é natural que outros nomes se animem a entrar na disputa, como meu amigo Ciro Gomes, do PSB, que ainda não definiu seu caminho em 2010.

No começo do ano, escrevi aqui mesmo no Balaio que tudo caminhava para uma disputa entre apenas dois candidatos, Serra e Dilma, na primeira eleição presidencial sem Lula desde a redemocratização do país.

Agora, está tudo novamente em aberto, já que dificilmente qualquer cenário político resiste a mais de seis meses num período pré-eleitoral, faltando tanto tempo para o dia das eleições _ e não apenas pela possível entrada de Marina Silva na disputa.

Nas últimas semanas, a própria candidatura de José Serra, o favorito nas pesquisas, já não era dada como tão definitiva. Enquanto Aécio Neves não abre caminho e declara seu apoio a ele, Serra não pode sair por aí apresentando-se como candidato do PSDB, e já se fala até numa possível candidatura à reeleição em São Paulo.

É sempre bom lembrar que, apenas um ano antes das eleições presidenciais de 1989 e 1994, Collor e FHC, os dois que acabaram ganhando, nem sabiam se seriam candidatos.   

Só nos resta esperar pelas próximas pesquisas, que, aliás, estão estranhamente demoradas, para ver aonde se encaixa uma possível candidatura de Marina Silva e a quantas anda a popularidade presidencial, que é vital para as possibilidades de Dilma Roussef.

O que estaria pensando a população diante deste cenário conturbado pela interminável crise do Senado, o apoio de Lula a Sarney, CPI da Petrobras, acusações da ex-secretária da Receita Federal, Lina Vieira, à ministra Dilma Roussef, denúncias de corrupção no Metrô de São Paulo, transtornos causados pela gripe suína, e tudo mais?

Pela amostra dos comentários enviados por leitores/eleitores, não só ao Balaio, mas a todos os espaços abertos pela internet, o povo anda muito bravo, indignado com os políticos em geral _ e é preciso ver quem ganha e quem perde com este sentimento negativo num clima de baixo astral, faltando pouco menos de 15 meses para as eleições gerais.

Se o caro leitor/eleitor fosse consultado pelos pesquisadores, o que responderia a eles?    
 

  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
11/08/2009 - 10:44

Técnico de futebol precisa de diploma; jornalista, não

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Caros leitores,

para quem não me conhece ou quer conhecer melhor o responsável por este Balaio, já está no ar no site www.jornalistasecia.com.br a reportagem que a colega Célia Chaim fez sobre meu trabalho, minha família e amigos, com depoimentos de vários jornalistas contemporâneos de redações.

A ela e ao Eduardo Ribeiro, criador e diretor do Jornalistas&Cia., meu muito obrigado pela forma generosa e fraterna com que trataram este repórter “Pé-de-Poeira”, como diz o título.  

***

Deu até chamada de capa de jornal: por imposição da Fifa, a CBF determinou que os técnicos de futebol precisarão fazer um curso para obter um diploma que os habilite a exercer a profissão.

Que beleza! Será que o supremo presidente do STF, Gilmar Mendes, que recentemente acabou com a obrigatoriedade do diploma para ser jornalista em nosso país, já está sabendo disso? Não vai tomar nenhuma providência?

Num país em que agora qualquer um pode ser jornalista, sem qualquer curso ou exame de acesso à profissão, para ser técnico de futebol vai precisar de diploma.

Na verdade, essa exigência já existia, pois, pela legislação brasileira, os técnicos de futebol deveriam ser formados em Educação Física, mas isto nunca foi cumprido _ como, aliás, também nunca foi cumprida a obrigatoriedade do diploma de jornalista, mesmo quando isso estava na lei.

Gostaria muito de saber qual o critério. Por acaso um técnico de futebol sem diploma pode causar à sociedade estragos maiores do que um jornalista desqualificado, como tantos que temos por aí?

Não precisamos ir tão longe: por que os advogados como Gilmar Mendes, para exercer o ofício, além de obter o diploma, precisam fazer o exame da OAB, que fiscaliza o acesso e o exercício da profissão?

O STF acabou este ano com qualquer regulamentação para a atividade jornalística, seja para profissionais ou para as empresas de comunicação social, transformando o setor numa terra de ninguém, sem leis que estabeleçam limites e responsabilidades.

Nas centenas de debates sobre a profissão de jornalista de que participei nos meus mais de 40 anos de carreira, nunca fui um defensor intransigente do diploma, pois admito que pessoas com formação em outras áreas, ou mesmo sem canudo nenhum, possam exercer este ofício, desde que se respeitem certas regras para que a sociedade possa se defender de nós.

O direito de resposta, por exemplo, agora dependerá da cabeça de cada editor ou de cada juiz, sem nenhuma normatização.

Fico muito à vontade para tratar do assunto porque, embora tenha feito parte da primeira turma da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), nunca cheguei a me formar.

Sou até hoje um jornalista sem diploma, como tantos contemporâneos meus, mas sempre defendi que a atividade seja regulamentada e fiscalizada para evitar os abusos contra a ética profissional, como ocorre em qualquer outro setor.

Defendo, por exemplo, a criação de um orgão nos moldes do Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária), que há quase 30 anos controla e pune agências, anunciantes e veículos que não cumprem o seu código de ética.

Ou o Estado estabelece as regras do jogo ou as empresas e os profissionais da área de comunicação social precisam se auto-regulamentar em defesa não apenas deles próprios, mas da sociedade brasileira.

Se até o futebol já tomou esta providência, é muito estranho, inexplicável, eu diria, que uma atividade tão importante e sensível para a nossa democracia como o jornalismo permaneça neste vazio jurídico deixado pelo STF.      

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
10/08/2009 - 11:22

Com fome de bola, São Paulo volta à luta pelo hepta

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Até os são-paulinos mais fanáticos, como eu, devem estar surpresos com a reviravolta do time nos gramados e na tabela de um mês para cá.

Qual foi o milagre, o que aconteceu, como explicar este fenômeno que em tão pouco tempo tirou o tricolor da ameaça de rebaixamento e o levou novamente à disputa pelo título do Brasileirão?

Fiz estas perguntas ao superintendente de futebol do clube, o médico Marco Aurélio Cunha, que encontrei por acaso, na segunda-feira passada, no café do saguão do Hospital Sírio-Libanês.

Empolgado com a reação do time, o baixinho Cunha, um dirigente muito polêmico, mas profissional, ao contrário dos outros, abriu um largo sorriso e falou meia hora sem parar, vingando-se dos jornalistas que meteram o pau na troca de Muricy por Ricardo Gomes, um técnico em quem ninguém botava fé.

“Vocês precisam entender que jogador de futebol precisa ter fome de bola, um bom motivo pra se matar em campo, comer a grama. Como estavam ganhando tudo, ficaram mal acostumados e se acomodaram. Tomaram um susto e agora, com a troca do técnico, encontraram nova motivação para brigar por um lugar no time”.

Foi mais ou menos isso, em resumo, o que ele me explicou. Ele não disse, mas ficou subentendido também que havia um desgaste entre os jogadores e Muricy, depois de três anos de convivência e muitos títulos conquistados.

Quando tudo ia bem, ninguém se importava com os gritos e xingamentos de Muricy para motivar e consertar o time à beira do campo. Mas, quando as coisas começaram a ir mal, isto só serviu para piorar o relacionamento, e o time desandou nas competições deste ano.

Por isso, talvez, a tão criticada diretoria tricolor tenha surpreendido todo mundo ao contratar Ricardo Gomes, um técnico manso, muito educado, que se veste bem e fala francês, mas de currículo meia boca, que era exatamente o contrário de Muricy. Era estranho vê-lo assistindo aos jogos, impassível, calado, como se estivesse numa ópera.

Pois não é que o São Paulo passou não só a correr atrás da bola como voltou a jogar bem e bonito, tocando de primeira, trocando passes, saindo rápido da defesa para o ataque, sem aquele marasmo irritante dos chutões para a frente e chuveirinhos na área?

Com a mesma camisa e os mesmos jogadores, foi outro São Paulo este que detonou o Goiás, vice-lider do campeonato, domingo, no Morumbi. Terminou apenas 3 a 1, mas poderíamos ter metido neles uma goleada histórica, com três bolas batendo no travessão de Harlei, e um monte de boas chances perdidas.

O Goiás simplesmente não viu a cor da bola, e não adiantou nada seu técnico, Hélio dos Anjos, passar o jogo todo se esgoelando para tentar colocar ordem no time _ exatamente como acontecia com o São Paulo até outro dia.

Mais do que a quinta vitória seguida, o São Paulo reconquistou a auto-estima e a confiança, a alegria de jogar futebol, que empolgou novamente os quase 30 mil torcedores no Morumbi.

Eu mesmo voltei a vestir minha camisa tricolor cheia de estrelas, que andava meio esquecida no armário _ e o fiz logo cedo, antes do jogo, é bom esclarecer. 

Esta é a graça e a desgraça do futebol para quem só vê as coisas do lado de fora sem conhecer a intimidade do clube: do céu ao inferno e vice-versa, é um pulo.

Basta ver o Corínthians, que faz agora o caminho inverso ao do São Paulo, há cinco jogos sem ganhar, depois de conquistar três títulos em seguida.

Até quem é do ramo e entende do assunto, como o nosso Milton Neves, foi obrigado a reconhecer, e não teve pejo de sapecar no título do seu post de domingo aqui no iG: “Mordi a língua ao dizer que Ricardo Gomes não daria jeito no São Paulo”.

Pois é, meus amigos, agora acabou a brincadeira. O São Paulo entrou, definitivamente, na disputa pelo título, ou melhor, pela conquista do hepta, uma palavra que os torcedores de outros times nem conhecem.

Que me perdoem o meu amigo Muricy e a minha querida neta Laura, mas a partir de agora a história é diferente. Chateado com a demissão do Muricy e a contratação do Ricardo Gomes, eu tinha prometido à neta palmeirense que iria torcer para o Palmeiras ser campeão e o São Paulo não cair.

Agora, meus amigos, o Palmeiras que se cuide. Apenas cinco pontos nos separam. Dá até vontade de fazer como o ex-presidente FHC e pedir aos leitores: esqueçam tudo o que escrevi sobre futebol este ano. Não sei como, mas o São Paulo ressuscitou. Salve o tricolor paulista!    

    

  

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
09/08/2009 - 10:48

“Boa notícia não dá Ibope. Povo gosta de pão e circo”

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Será verdade o que está no título deste post? Você concorda? O tema foi levantado pelo leitor Humberto, que se identifica aqui como Eureka, em comentário enviado às 18:16 de sexta-feira, a respeito de um texto que escrevi sobre o crescimento da produção de borracha no sul da Bahia e a mudança na vida de pequenos lavradores.

Escreveu ele: “Kotscho, boa notícia não dá ibope. O povo é cruel, gosta de pão e circo, leões comendo gente, gladiadores se matando, disso o povo gosta”.

Três minutos antes, às 18.13, meu velho amigo Ludenbergue Goes, do alto dos seus mais de 50 anos de carreira no jornalismo, já tinha enviado comentário na mesma linha:

“É isso aí, Ricardo, está comprovado: notícia boa não dá ibope”.

O desencanto destes leitores talvez tenha sido provocado pelo fato de que passei a sexta-feira em viagem e só pude fazer a liberação dos comentários do Balaio ao chegar em casa à noite.

No mesmo dia, outros comentaristas aqui do blog fizeram críticas à imprensa por não publicar as chamadas boas notícias, que também existem, limitando-se a encher suas páginas e telejornais com coisa ruim, que não falta.

De fato, tenho notado que a quantidade de comentários enviados quando trato em minhas viagens de temas mais amenos, falando de pessoas anônimas ou lugares ainda pouco explorados, que estão fazendo alguma coisa nova e boa, costuma ficar bem abaixo da média. 

Acho que isto é próprio da natureza humana, tanto aqui como em qualquer outro lugar do mundo, onde os jornais populares, como os tablóides ingleses, sempre vendem mais do que os chamados jornais de prestígio.

Aqui mesmo no iG isto também acontece. As boas notícias merecem menos destaque na capa, chamada de home na internet, do que aquelas que tratam de escândalos, celebridades e aberrações.

Basta colocar no título do post o nome de alguma celebridade global que causa polêmica, como Faustão, Bial ou Galvão, que logo vem uma chuva de comentários, um dos indicadores de audiência na blogosfera. Meter o pau em políticos e governantes ou tratar da eterna guerra entre tucanos e petistas é outra receita que não tem erro.  

Sempre me recusei a trilhar por este único indicador fornecido pela audiência, mesmo quando dirigi o telejornalismo de redes de televisão e trabalhei como repórter ou editor nas principais redações do país.

Claro que ninguém sobrevive sem bilheteria e nós precisamos atender ao gosto da freguesia, mas eu me acostumei a dar murro em ponta de faca e tratar de assuntos que não estão na mídia. Caso contrário, ficaria tudo sempre muito igual, quer dizer, muito chato. Basta ver os destaques nos diferentes portais: são sempre os mesmos.

Em razão da minha viagem ao sul da Bahia e dos temas tratados, sem falar de política, esta foi uma semana bem fraquinha aqui no Balaio, bem abaixo da média, como mostram os números do levantamento que faço todos os domingos sobre os assuntos mais comentados da semana:

Balaio

Censura do Estadão: 118

Lei Antifumo/Lei de Adoção: 55

Borracha na Bahia: 45

Folha

Crise no Senado: 248

Lei Antifumo: 113

Sarney: 111

Veja

César Cielo: 46

Fim da era Sarney: 32

Augusto Chagas: 27

Encontro dos leitores

Depois de criarem uma filial deste espaço no Google, o Boteco do Balaio, para bater papo sem moderação _ acho que é a primeira vez que isto acontece na blogosfera _ os leitores resolveram organizar um encontro nacional, em São Paulo, no próximo dia 11 de setembro, uma sexta-feira, para se conhecerem pessoalmente e comemorar comigo o primeiro aniversário do blog. 

Por iniciativa de leitores assíduos, como o Enio Barroso Filho, que foi quem lançou a idéia no Boteco do Balaio, eles estão se mobilizando e pedem aos interessados para confirmar presença pelo e-mail jornalizta@gmail.com (jornalista aqui está com “z” mesmo porque foi criado pela minha colega Aliz). Segundo o Enio, já estão sendo organizadas delegações em vários Estados.

Jornalistas e assessores

Gostaria de meter meu bedelho na crítica ao livro “A imprensa e o dever da liberdade”, de Eugênio Bucci, publicada por Oscar Pilagallo na Folha desta sábado. Trata, entre outros temas, da velha discussão sobre o papel do assessor de imprensa, se ele pode ou não ser considerado jornalista.

Como se trata de dois colegas pelos quais tenho o maior respeito e o tema está sempre presente em debates e seminários que tratam de jornalismo, reproduzo trecho da crítica de Pilagallo para comentá-la mais abaixo.

“O autor também enfrenta o corporativismo ao criticar o Código de Ética da Federação Nacional dos Jornalistas, que “repousa sobre um conflito de interesses”, ao tratar ofícios diferentes, o do jornalista e o do assessor de imprensa, como se fossem um só, sem vetar ao profissional a possibilidade de estar, ao mesmo tempo, dos dois lados do balcão.

O problema é que eles têm clientes diferentes: o do assessor é a empresa que o contrata, o do jornalista é o cidadão. Seria necessário, portanto, defende Bucci, que se submetessem a códigos de ética específicos”.

Discordo. Por já ter trabalhado dos dois lados do balcão _ um lado de cada vez, é importante registrar _ posso falar da minha experiência para dizer que a frase acima é muito bonita, mas não corresponde à realidade em que vivemos.

Para mim, assessor de impresa é jornalista, sim, como qualquer outro porque o nosso cliente final é o mesmo: a sociedade. Prestamos um serviço ao público, qualquer que seja o cargo ou função, numa assessoria ou redação, e os limites da nossa liberdade são determinados pela empresa, governo ou instituição que nos contrata.

O resto depende da consciência, do caráter e da honestidade de cada profissional, independentemente do lado do balcão em que se encontre e de quem seja seu patrão no momento. Nunca será estabelecido por qualquer código, por melhor que ele seja.

Receita da felicidade

Comecei bem este domingo lendo a entrevista feita pelo Guilherme Barros com o empresário Abílio Diniz, do Pão de Açucar, publicada no caderno Dinheiro, da Folha, sob o título “Em bom momento, Diniz sugere receita da felicidade”.

Embora tenha saído no caderno de economia, a entrevista trata da vida e não de negócios. “Se você puder escolher uma coisa, escolha sempre ser feliz”, afirma o empresário de 72 anos, casado com uma mulher de 37, à espera do sexto filho dele.

O gancho é o site que o empresário lança amanhã: www.abiliodiniz.com.br . Dois anos atrás, por coincidência, lancei um livro, o 19º, com o título “Uma Vida Nova e Feliz”, pela Ediouro, que trata do mesmo assunto.

Pela amostra da entrevista, cuja leitura recomendo vivamente, acho que o site vem em boa hora para dar um pouco de alento na net a tantos leitores revoltados, deprimidos e sem esperança.

Zé Alencar nas bancas

Por falar em alento e esperança, vai para as bancas amanhã a nova edição da revista Brasileiros, trazendo uma entrevista exclusiva que Hélio Campos Mello, Nirlando Beirão e eu fizemos com o vice-presidente José Alencar.

É uma bela lição de vida e superação de dificuldades em que ele fala não apenas da sua luta contra o câncer, mas conta como se tornou empresário aos 18 anos, entrou para a política após os 60 e conheceu Lula em 2000, para se tornar o “vice-cara”, uma definição que ele mesmo se deu com bom humor.   

 

 

 

  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
07/08/2009 - 09:20

Borracha na Bahia muda vida de mais de mil famílias

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Caros leitores,

mal cheguei a São Paulo na noite desta sexta-feira, vindo de Salvador, estava na fila do táxi, obviamente na rua, fora do saguão do aeroporto de Congonhas, quando um segurança todo vestido de preto e muito educado veio em minha direção:

“O senhor tem que apagar o cigarro. Aqui não se pode fumar”, decretou a autoridade. Respeitador das leis, procurei um cinzeiro para apagar o dito cujo, mas não havia lá mais nenhum. “Pode jogar aí na calçada mesmo”. Que maravilha!

Depois de três dias trabalhando no meio do mato no interior da Bahia, estava de volta à civilização.

Agora de manhã, no sábado, leio no jornal: “Seguranças são suspeitos de matar suposto ladrão de pães”.

Só espero que não comecem a usar os mesmos métodos contra os fumantes.

Bom fim de semana.

IGRAPIÚNA (BA) _ Bom dia, pessoal. Céu azul com poucas nuvens, 28 graus, só ouço o barulho de passarinhos e aqui ainda não é proibido acender um cigarro. 

Antes de pegar a estrada para Salvador, umas quatro horas de viagem, arrumei um tempinho para atualizar o Balaio ainda aqui em Igrapiúna, cidadezinha de 15 mil habitantes no chamado Baixo Sul da Bahia, onde estou desde quarta-feira, fazendo uma reportagem sobre a produção de borracha, que já beneficia mais de mil famílias de pequenos proprietários.

Taí uma cidade e uma história, com personagens fantásticos, que eu ainda não conhecia, nunca tinha ouvido falar. Esta é a vantagem de viver no Brasil e poder ser repórter neste grande país: onde você vai, sempre encontra novidades boas para contar, e não apenas desgraças.

Não fosse o convite feito pela Michelin, a multinacional francesa fabricante de pneus há mais de um século, a um grupo de 10 jornalistas do Rio e de São Paulo para conhecer o Projeto Ouro Verde, implantado em 2004, talvez eu também nunca fosse conhecer este novo ciclo da borracha em terras baianas baseado no desenvolvimento sustentável.

O que vem a ser isso? “É um sistema em que todo mundo ganha, não tem um perdedor”, define o agrônomo Paulo Roberto Lima Bonfim, 42 anos, gerente de recursos humanos e comunicação, e agora também um dos 12 médios proprietários, todos funcionários da empresa, que compraram da Michelin e repartiram entre eles 5 mil dos 9 mil hectares da Fazenda Ouro Verde.

Há 20 anos, os franceses compraram da Firestone este imenso seringal plantado no meio da Mata Atântica em meados da década de 50, mas, em 2004, com o baixo preço da borracha e sem conseguir combater os fungos que atacavam as árvores, pensaram em fechar as portas e vender as terras.

Foi quando resolveram mudar tudo e adotar um revolucionário esquema de gestão resumido num projeto econômico e social com impactos científicos e ambientais, transformando parte dos seus executivos e centenas de pequenos proprietários de 59 municípios da região em fornecedores de matéria prima para sua usina de beneficiamento de borracha. Deu certo.

Quando foi apresentar o Projeto Ouro Verde ao governo federal, Eduard Michelin, então presidente mundial da empresa, já falecido, ele ouviu do presidente Lula uma pergunta: “Por que vocês não ampliam o projeto para a comunidade fora da empresa, incorporando a agricultura familiar?”. Michelin topou.

A empresa investiu pesado em pesquisas para o controle genético dos fungos, com o desenvolvimento de variedades mais resistentes de seringueiras, e criou uma reserva ecológica de 3 mil hectares de Mata Atlântica. 

Aos poucos, a paisagem e a vida das pessoas nesta região muito pobre da Bahia, dominada por minifúndios pouco produtivos, foi mudando. Em lugar de se dedicar apenas à cultura de subsistência, antigos lavradores receberam financiamentos do Banco do Nordeste para plantar seringueiras e cacau.

A reportagem completa sobre o Projeto Ouro Verde será publicada na edição de setembro da revista Brasileiros. Levo na lembrança desta agradável descoberta a imagem da quantidade de crianças e jovens com uniforme escolar que encontrei por toda parte ao longo dos 180 quilômetros nas várias cidades que cruzamos para chegar de Ilhéus até Igrapiúna.

Apesar da pobreza endêmica, os únicos sinais exteriores de miséria encontrei nos pequenos acampamentos dos sem-terra acampados em várias partes do caminho, ainda à espera da reforma agrária ou, quem sabe, de novos projetos privados de inclusão social como este desenvolvido com sucesso pela Michelin.

De qualquer forma, faz bem para a alma passar uns dias no Brasil real, longe das baixarias do Senado, da gripe suína e da lei antifumo. Até a volta. 

 

     

 

 

   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
04/08/2009 - 11:40

Censura no Estadão e o reencontro da turma dos anos 70

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Caros leitores,

só estou entrando agora no Balaio para liberar os comentários porque passei o dia viajando. Cheguei no fim da tarde desta quarta-feira a Igrapiúna, no Baixo Sul da Bahia, a meio caminho entre Ilhéus e Salvador. Junto com um grupo de jornalistas de São Paulo e do Rio, vim fazer uma reportagem sobre o Projeto Ouro Verde, implantado aqui pela Michelin, que hoje beneficia mais de mil famílias de lavradores da agricultura familiar dedicados à produção de borracha, além de cuidar de uma reserva ecológica no que restou da Mata Atlântica. A reportagem sai na edição de setembro da revista Brasileiros. Na sexta-feira, vai para as bancas a edição de agosto, trazendo uma entrevista exclusiva que Helio Campos Mello e eu fizemos com o vice-presidente José Alencar. Volto a atualizar o blog com algumas boas histórias aqui da Bahia nesta quinta-feira. Agora vou correr para não perder o jantar.

*** 

Em tempo: são 22:30 de quinta-feira e só agora consegui abrir o laptop, depois de passar o dia todo rodando pelo Projeto Ouro Verde. Viajo nesta sexta de manhã para Salvador e de lá volto a São Paulo à noite. Por isso, só vou poder atualizar o Balaio no sábado, falando das boas novidades que descobri por aqui. Peço a compreensão e um pouco de paciência. É duro ser repórter e blogueiro ao mesmo tempo. Até a volta.

*** 

São hoje todos senhores e senhoras entre 60 e 70 anos, um pouco mais, um pouco menos, mas as risadas e conversas em voz alta na mesa do restaurante Gigetto, madrugada adentro, mais lembravam uma turma de estudantes se encontrando depois das férias, cada um querendo contar suas histórias.

Um quarto de século depois do fim do regime militar, bem no momento em que o jornal novamente é vítima de censura _ desta vez, por parte do Poder Judiciário, que o proibiu de publicar notícias sobre Fernando Sarney, filho do presidente do Senado _ a turma dos anos 1970 do Estadão se reencontrou na noite desta segunda-feira, sem nenhum motivo, apenas para matar a saudade um do outro.

Éramos uns vinte jornalistas à mesa do velho restaurante da rua Avanhandava, perto da antiga sede do Estadão na Major Quedinho _ todos já com direito à aposentadoria, mas ainda em plena atividade, até porque ninguém consegue sobreviver de INSS.

Nenhum deles trabalha mais no jornal, que estes dias publicou matérias lembrando como foi a resistência à censura do AI-5, quando era perigoso ganhar a vida como jornalista _ nada que se possa comparar com os tempos de plenas liberdades que vivemos agora, em que a decisão isolada de um desembargador de Brasília, amigo de Sarney, resolveu ressuscitar esta praga da censura que parecia sepultada.

Na enfieirada de discursos emocionados, todos eles, até os mais tímidos, falaram do orgulho de ter pertencido àquela equipe, que lhes ensinou não apenas o ofício mas a importância do caráter na formação do jornalista, com ou sem diploma, que os marcou para o resto de suas vidas.

Estavam lá os antigos chefes da redação _ Clóvis Rossi, Ludenbergue Teixeira de Góes e Raul Martins Bastos _, mas a iniciativa do reencontro foi da turma mais jovem, liderada por três moças (na época), num tempo em que mulheres na redação não eram bem vistas pelos donos do jornal.

Das ”três cajazeiras” (como eu as chamava, referência a uma novela de sucesso na época, o “Bem Amado”, que não era eu…), duas delas, Lia Ribeiro Dias e Selma Santa Cruz (junto com o marido, Sergio Motta Mello), são hoje prósperas empresárias na área de comunicação, e outra, Adélia Borges, é uma respeitada curadora de artes plásticas.

O mais curioso destes tempos é que, apesar das proibições, das ameaças, dos censores na redação e nas oficinas, tínhamos toda a liberdade do mundo dada pela direção para fazer o jornal dos nossos sonhos. A gente escrevia e os censores cortavam, cada um na sua. 

Havia um inimigo comum, a ditadura militar, que o Estadão ajudou a implantar, e com a qual romperia com a edição do AI-5, o golpe dentro do golpe, em 1968.

Quando os censores foram embora, começaram as divergências entre a redação e a direção e, em meio a uma grande crise em 1977, a maioria de nós deixou o jornal ou foi saído.

Cada um tomou seu rumo na vida, vários deles foram trabalhar no Jornal do Brasil, em Brasília, e eu fui parar na Alemanha, como correspondente do mesmo jornal. Alguns criaram seus próprios veículos, outros mudaram de ramo, e só Reginaldo Leme continua fazendo exatamente a mesma coisa _ a cobertura da Fórmula-1, há décadas na TV Globo.

E nunca mais se formou uma equipe como aquela em nenhuma redação do país. Outro dia, quando lhe contaram quem trabalhava no Estadão naquela época, Roberto Civita, o dono da Editora Abril, tomou um susto. “Todos eles trabalhavam lá juntos? Mas isto era um dream team…“.

Pois eu posso garantir a vocês, modéstia à parte, que era mesmo. 

Em tempo: quando acabei de escrever o texto acima, fui abrir minha caixa de correio e encontrei este bela mensagem de Chico Xavier, que me foi enviada pelo JP Pompeu, meu colega de grupo de oração, que gostaria de partilhar com vocês: 

 SUPÉRFLUO E NECESSÁRIO

Uns queriam um emprego melhor; outros, só um emprego.
Uns queriam uma refeição mais farta; outros, só uma refeição.
Uns queriam uma vida mais amena; outros, apenas viver.
Uns queriam pais mais esclarecidos; outros, ter pais.

Uns queriam ter olhos claros; outros, enxergar.
Uns queriam ter voz bonita
; outros, falar.
Uns queriam silêncio; outros, ouvir.
Uns queriam sapato novo; outros, ter pés.

Uns queriam um carro; outros, andar.
Uns queriam o supérfluo; outros, apenas o necessário.
Há dois tipos de sabedoria: a inferior e a superior.
A sabedoria inferior é dada pelo quanto uma pessoa sabe e a superior é dada pelo quanto ela tem consciência de que não sabe.

Tenha a sabedoria superior.
Seja um eteno
aprendiz na escola da vida.
A sabedoria superior tolera, a inferior julga;
a superior alivia, a inferior culpa;
a superior perdoa, a inferior condena.

Tem coisas que o coração
só fala para quem sabe escutar!

Que possamos estar sempre atentos aos sinais
e saber o que realmente se faz necessário.

Chico Xavier

 


    

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
02/08/2009 - 18:38

Com Hernanes e Dagoberto, São Paulo volta a ganhar

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Parecia meio impossível, mas está acontecendo. Depois de namorar a zona do rebaixamento, o São Paulo ganhou 13 dos últimos 15 pontos disputados, e agora está a apenas três do G-4.

O que aconteceu? Simples: Hernanes, o melhor jogador do Brasileirão do ano passado, saiu do banco de reservas e voltou a jogar bola.

Mesmo sem ter sido brilhante no 1 a 0 contra o Vitória, esta tarde no Barradão, mais uma vez ele comandou o time, marcou, lançou, chutou a gol, segurou a bola quando foi preciso.

O São Paulo deixou de dar chutão da defesa para o ataque. Agora, a bola sempre tem que passar antes por Hernanes, que sabe o que fazer com ela.

O gol mais uma vez foi de Dagoberto, outro que saiu do banco para os abraços, lembrando os bons tempos do Atlético Paranaense, quando despontou como craque e foi contratado pelo São Paulo, onde nunca chegou a se firmar como titular.

Não botava fé nele, mas os méritos são também de Ricardo Gomes, o técnico que devolveu a confiança a estes dois jogadores e ao resto do time. Até Richarlyson voltou a jogar bola, depois de um longo e tenebroso inverno.

Só acho que meu xará continua demorando muito a mexer no time. Quando fez isto, perto dos 30 minutos do segundo tempo, tirando Jorge Wagner e Borges para a entrada de Hugo e Marlos, o São Paulo ganhou velocidade e achou o gol.

Borges cismou de jogar sem bola, de costas para o gol, reclama e faz faltas como Washington, que estava suspenso. Melhor é deixar de uma vez no banco os dois, que brigam pela posição, mas são igualmente previsíveis e ruins de bola, e botar fé nos baixinhos Dagô e Marlos, que dão outro ritmo ao time.

Foi um final de semana feliz para este torcedor da poltrona. Vi pela televisão mais uma vitória do Muricy, para quem também estou torcendo, deixando o Palmeiras em primeiro lugar, com tudo para ser campeão do primeiro turno.

Assim minha neta fica feliz com o seu Palmeiras, e eu voltei a gostar de ver o meu São Paulo jogar e ganhar. Para completar, os próximos dois jogos do tricolor vão ser no Morumbi, contra o Botafogo, quarta-feira, e domingo contra o Goiás, quando deve voltar o Rogério Ceni.

Só para lembrar o ramo palmeirense da família: o São Paulo agora está a apenas 10 pontos do Palmeiras. No ano passado, chegou a ficar 11 atrás do Grêmio no começo do segundo turno e, como todos devem se lembrar, conquistou o terceiro título seguido do Brasileirão.

Sem nenhum super-time em campo, tudo é possível ainda acontecer neste Brasileirão.   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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