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Arquivo de julho, 2009

18/07/2009 - 17:01

Os 50 anos do dr. Kalil, o médico de meio mundo

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Estou atualizando o Balaio mais tarde neste sábado por um motivo justo. Cheguei tarde na madrugada de hoje da festa de aniversário dos 50 anos do médico Roberto Kalil Filho e fui logo cedo acompanhar a gravação do “Papo de Mãe”, programa criado e apresentado por minha filha Mariana Kotscho, junto com Roberta Manreza, que estréia em setembro na TV Brasil.

Vamos à festa. Poucas vezes São Paulo assistiu a uma festa tão ecumênica como a do doutor Kalil, o cardiologista de meio mundo, inclusive eu.

Entre os 300 convidados para o jantar do restaurante Leopolldo, na Faria Lima,  a maioria pacientes ou médicos amigos, tinha do presidente Lula ao governador Serra, da ministra Dilma ao prefeito Kassab, do deputado Maluf ao senador Heráclito, na área política, e de David Uip a Miguel Srougi, de Raul Cutait a Sergio Simon, na medicina.

Quase toda a família do presidente Lula estava lá, mas ele não ficou muito tempo, preocupado com o estado de saúde de José Alencar, assim como políticos, médicos e pacientes, que procuravam notícias com Cutait, um dos responsáveis pelo tratamento do vice. 

Doutor Kalil circulava por todos os cantos e mesas do restuarante, sem se sentar em nenhuma, para saber se seus convidados/pacientes estavam sendo bem servidos, do mesmo jeito elétrico e atencioso com que cuida deles no Hospital Sírio-Libanês ou em sua clínica da rua Barata Ribeiro.

Para ele, não importa o sobrenome, o cargo, partido ou função de quem o procura. É daqueles médicos antigos que exercem seu ofício com devoção, 24 horas por dia, literalmente, como se cada paciente fosse o único.

Por isso, no livro de presença colocado na entrada do restaurante, escrevi apenas para ele trabalhar menos porque já não é mais um garoto, embora pareça.

Ao lado de suas filhas e da sua mulher, a também médica Cláudia Coser, quem chegou de helicóptero ou de táxi foi recebido por Kalil pela mesma forma afetusosa com que nos atende em seu consultário.

Não houve discursos nem salamalaques e, depois do inevitável “Parabéns a Você”, muitos casais foram para a pista de dança encerrar uma das noites mais agradáveis que vivi nos últimos tempos.

É bom poder passar algumas horas ao lado de amigos e de médicos que alegraram e garantiram minha vida até aqui, após 13 cirurgias (uma a menos do que meu amigo Zé Alencar, conforme balanço que fizemos esta semana).

Voltei a encontrar o dr. Raul Cutait na hora do almoço no bar do Beto Raniei e ele parecia bem tranquilo contando como foi o encontro de José Alencar neste sábado de manhã com o presidente Lula. Pelo jeito, os dois se divertiram bastante, mas é preciso respeitar o sigilo médico.

Vida que segue. Longa vida para o doutor Kalil _ até para ele poder cuidar da nossa…

  

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
17/07/2009 - 10:14

“Foi vergonhoso!”: os cinco problemas do São Paulo

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Caros leitores,

antes do texto sobre futebol, reproduzo abaixo a amável mensagem que recebi de dona Mariza, esposa do vice-presidente José Alencar, a respeito de uma conversa que tivemos esta semana no hospital Sírio-Libanês (publicada no Balaio de terça-feira):

“Prezado Kotscho

Lamentamos não termos nos encontrado no dia 13/7, às 17h55, pois todos nós da família apreciamos muito o seu papo.

É possível que tivéssemos acabado de descer por outro elevador, deixando no apartamento a enfermeira Jaciara, que nos substitui à noite.

Agradecemos o toque humano de seu belíssimo texto, que muito nos sensibilizou a todos da família.

Pedimos que estenda nossa gratidão aos leitores que manifestaram sua generosa solidariedade ao José.

Atenciosamente,

Mariza Campos Gomes da Silva”

***

Com vergonha na cara, o meia Hernanes não fugiu dos repórteres do Sportv na saída do gramado do Mineirão, onde o São Paulo tinha acabado de tomar mais um baile, desta vez perdendo por 2 a 0 para o Atlético Mineiro, o líder do campeonato.

“Chegamos ao nosso limite porque pior não fica. Foi vergonhoso!”, resumiu ele a ópera, que deixou o tricolor a um ponto da zona de rebaixamento para a 2ª divisão.

Ao final do jogo, vendo o time encolhido em seu campo, sem nenhum poder de reação, só assistindo ao olé cantado pela torcida do Galo, que levou mais de 50 mil pessoas ao Mineirão, cheguei a uma triste conclusão.

Para fugir da degola, ameaça que a cada dia se torna mais real, o São Paulo vai ter que resolver cinco problemas ao mesmo tempo.

Apenas cinco: são quatro dentro do campo _ o gol, a defesa, o meio de campo e o ataque _ e um fora _ o patético técnico Ricardo Gomes, que fica o jogo todo estático à beira do gramado, como se não acreditasse no que está vendo e sem a menor idéia de como evitar mais um vexame.

Dos cinco problemas, os mais fáceis de resolver são o do gol, onde os dois reservas, Denis e Bosco, não inspiram a menor confiança _ Rogério Ceni deve voltar logo _  e o do técnico, dispensando-o logo, antes que não haja mais tempo de evitar o rebaixamento.   

E o resto? A melhor defesa do Brasileirão do ano passado virou uma peneira, o meio de campo só vê a bola passar de um lado para outro, o ataque não existe.

Técnico não ganha jogo, tudo bem, mas pode ajudar a perder, se não souber pelo menos botar o time para jogar. Com esses mesmos jogadores, o São Paulo foi tricampeão no ano passado, mas já vinha mal neste Brasileirão com Muricy. Sem os seus gritos, o time simplesmente parou de jogar.

A única jogada do time, quando consegue recuperar a bola, é dar um chutão para a frente. Miranda fez isso umas 50 vezes contra o Atlético e a bola voltava sempre para o campo do São Paulo.

Ainda tem comentarista dizendo que o São Paulo possui um bom elenco. Onde? Tem jogador que já está com o prazo de validade vencido (Jorge Wagner, Hugo, Borges, Richarlyson, Zé Luis, Dagoberto), tem outros que só estão esperando uma chance de ir para a Europa (Hernanes e Miranda) e tem os bondões do Fluminense (Washington, Júnior Cesar e Arouca).

Até o menino Oscar, que ainda vai completar 18 anos, a grande esperança do São Paulo para este ano, corre o risco de se queimar no meio desta zona que virou o time do São Paulo.

Time? A verdade é que, de uma hora para outra, o São Paulo ficou sem time. A diretoria precisa arrumar outro urgentemente antes que a camisa do tricolor hexacampeão brasileiro, tri da libertadores e tri mundial vire motivo de chacota nas ruas.  

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
16/07/2009 - 10:17

Excelências vão sair de férias. E nós como ficamos?

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“Congresso aprova Orçamento de 2010 e parlamentares já podem iniciar recesso”, informa a capa do iG nesta manhã de quinta-feira, 16 de julho. Que beleza! Depois de toda a lambança do primeiro semestre, eles vão descansar um pouco, que ninguém é de ferro.

Férias de parlamentares têm outro nome: é recesso. São três meses por ano em que eles podem _ oficialmente _ ficar sem trabalhar.

Talvez, para nós, seja melhor assim. Quem sabe não seria melhor que entrassem em recesso para sempre, como propõe hoje na Folha meu velho amigo Clóvis Rossi, escrevendo ao final da sua coluna:

“É por isso, entre outros motivos, que acho que só há uma solução verdadeira para a crise do Senado: a dissolução da Casa e a convocação imediata de novas eleições”.

Pode ser uma boa idéia, mas o próprio colunista acha difícil que isso seja possível. “Não há dispositivos legais que permitam essa saída? Ok, então tudo vai ficar no clássico engana-trouxa em que os políticos brasileiros se especializaram”.

Em seu comentário enviado às 9:33 de hoje, o leitor João Nazareno dá uma outra sugestão para quando os parlamentares voltarem das férias:

“Não só o Senado, mas todo o Congresso Nacional, não tem qualquer moral para instalar uma CPI, sem que antes faça a sua com o acompanhamento do MPF, da PF e do STF”.

Por que não? Antes de investigar os outros, os indignados parlamentares da Câmara e do Senado poderiam instalar uma CPI mista para apurar não só as denúncias feitas nos últimos meses contra seus membros nos últimos meses, mas o conjunto da obra .

Bastou o presidente Lula chamar de bons pizzaiolos os senadores da oposição que criaram a CPI da Petrobras para eles surgirem com aquela cara de ofendidos em sua honra.

Na CPI do Congresso Nacional sugerida por Nazareno, o indignado Tasso Jereissati poderá explicar se já devolveu o nosso dinheiro que usou para alugar jatinhos; Artur Virgílio terá oportunidade de falar da grana que o Agaciel Maia lhe emprestou para pagar o hotel em Paris e do seu personal teacher de artes marciais, que ganhava um salário de assessor parlamentar em Manaus, e até Pedro Simon certamente explicaria porque viajou com recursos públicos à França, a passeio, acompanhado da mulher.  

Brincadeira… São sempre os mesmos, cada dia mais indignados, vestais blasfemando no plenário para câmeras e microfones como se o inferno fossem apenas os outros.

E como ficamos nós, agora que eles sairam de férias? Como o país vai sobreviver sem os espetáculos ao vivo da TV Senado, sem os discursos injuriados dos nobres parlamentares, sem as descobertas de novas falcatruas, que manchetes os jornais vão dar?

Em sua volta ao Balaio, depois de um recesso provocado por problemas de saúde, o leitor Enio Barroso Filho me lembrou, a próposito do post de ontem, que agosto é também o mês do cachorro louco.

Se não vingar a proposta do Clóvis Rossi nem a do leitor João Nazareno, talvez uma vacinação em massa seja boa solução alternativa para pelo menos acalmar os ânimos.

Boas férias para as excelências. Pena que os eleitores não possam também entrar em recesso.

Em tempo:

depois de ler os comentários de alguns leitores, lembrei-me, não sei por quê, de um poster do Snoopy que tenho lá no sítio em Porangaba.

O dito cujo cão está deitado em cima da casinha dele, folgazão, pensando:

“Como é bom não fazer nada e depois poder descansar…”.

Show com e para Tinoco

Para quem, como eu, estava procurando uma notícia boa, tenho uma ótima. O apresentador Ratinho, que foi meu colega na rede CNT/Gazeta, em Curitiba, onde começou sua carreira, vai promover na próxima semana um grande show sertanejo em homenagem a Tinoco, com a participação dele e de outros grandes nomes da nossa música popular.

Participarão do show, entre outras, as duplas Edson e Hudson, Ataíde e Alexandre e Rio Negro e Solimões, além da cantora Beth Guzzo, num total de 18 números.

Vai ser segunda-feira, dia 20, às 22 horas, no Vila Country (avenida Francisco Matarazzo, 774, Parque da Água Branca).

Os ingressos custam R$50,00 e podem ser adquiridos na loja do Vila Coutry ou pelo site:

www.ingressomais.com.br

Não percam. Vai ser uma bela festa, com certeza. O Tinoco, que enfrenta dificuldades financeiras, aos 88 anos, não só merece como precisa da presença de um grande público.  

Ratinho também vai dedicar a Tinoco seu programa de amanhã, sexta-feira, que vai ao ar ao vivo no SBT, das 17:30 às 18:30. Será no estilo “Esta é a sua vida”, com a participação da família e de pessoas que foram importantes na carreira do mais antigo cantor sertanejo em atividade. 

  

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
15/07/2009 - 11:51

Agosto vai começar com CPI e o Senado no chão

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O cenário não poderia ser mais assustador: agosto, o mês do desgosto, de tão tristes lembranças na vida nacional, vai começar com a CPI da Petrobras instalada e o Senado literalmente prostrado no chão pelo conjunto da obra de desmandos que levou à destruição da sua imagem e credibilidade.

É uma contradição evidente. Os leitores poderão me perguntar que moral têm estes 81 senadores para investigar o que quer que seja, depois que quase nenhum deles ficou de fora do circo de horrores revelado em diárias denúncias da imprensa.

Mas esta é a realidade que nos espera. A esperança de suas excelências é que o barulho em torno da CPI da Petrobras abafe os escândalos internos e tire o Senado das manchetes mais policiais do que políticas, jogando o desgaste que sofrem para as costas da maior empresa do país e do governo que a controla.

Passada a régua neste primeiro semestre, que já foi de asssombrar fantasmas, a prevista crise econômica, em fase de superação, foi largamente superada pela crise política, que começou com a eleição das Mesas do Congresso Nacional.

Ao romper o acordo estabelecido na eleição anterior, que previa a presidência da Câmara para o PMDB, com Michel Temer, e a do Senado para o PT, com Tião Viana, a base aliada do governo deu início a uma guerra sem fim que abriu espaço para a oposição criar a CPI da Petrobras _ e o resto é consequência.

A esta altura do jogo, mais arrependidos do que José Sarney ao impor seu nome para presidir o Senado pela terceira vez, devem estar os articuladores políticos do governo no Congresso, a começar pelo próprio presidente Lula.

Preocupado em demasia no seu objetivo de jogar todas as suas fichas para fazer o sucessor (ou melhor, sucessora) em 2010, sacrificando Tião Viana e o PT para garantir o apoio do PMDB, o presidente pode ter colocado em risco a biografia e o seu patrimônio de popularidade neste ano e meio que lhe resta de governo.

Ao fazer de tudo para salvar Sarney e manter unida a base aliada para sustentar a candidatura Dilma, Lula acabou associando seu nome e sua imagem às oligarquias e práticas que condenava no passado, obrigando-se a posar em palanques ao lado de Collor e Renan, seus algozes na campanha presidencial de 1989.

O que os 80% de eleitores que hoje apóiam Lula pensarão sobre as fotografias de Alagoas publicadas pelos jornais de hoje só saberemos quando saírem as próximas pesquisas.

Só uma coisa é certa: não foi este certamente o quadro imaginado por Lula no começo de 2009, antes das eleições para as direções da Câmara e do Senado, quando a economia começou a dar os primeiros sinais de recuperação e ele voava em céu de brigadeiro, feliz da vida com o próprio governo.

“Só não podemos errar na política”, repetiu várias vezes o presidente Lula para ministros e assessores no início do seu primeiro governo, quando a oposição e setores da mídia assustavam a população prevendo o cáos econômico instalado no país.

As dificuldades iniciais foram superadas, o país voltou a crescer, milhões de novos empregos foram criados, a renda dos trabalhadores aumentou, as empresas lucraram como nunca, mas na área política vimos uma sucessão de crises nas relações com o Congresso Nacional.

Mais uma vez, foi o que aconteceu este ano: os indicadores sociais e econômicos continuam garantindo a altíssima aprovação do presidente, já na reta final do seu governo, quando normalmente acontece o contrário e a popularidade dos presidentes declina.

De outra parte, desde a eleição para a presidência do Senado, a articulação política revelou-se um desastre, o que deixa graves sequelas para o segundo semestre. O calendário informa: queiramos ou não, agosto vem aí.

 

 

  

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
14/07/2009 - 10:40

Prosa de fim de tarde com José Alencar no hospital

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Caros leitores,

alguns de vocês entenderam como bronca minha o texto que publiquei ontem sobre o fervor religioso dos comentários ultimamente, em especial quando tratam de política e futebol.

Quando o cara não se expressa direito, costuma dizer que foi mal interpretado, o que pega mal para um jornalista…

Eu apenas fiz uma constatação sobre o clima de beligerância que estamos vivendo, não apenas no Balaio mas na internet em geral. 

Cada um aqui pode continuar escrevendo o que e como quiser, mantidas aquelas regras mínimas de civilidade que vocês conhecem, mas acho que valeu a pena dar um toque porque alguns leitores já estão tratando também de outros assuntos em outro tom.

Quem sabe, até o nosso encontro de 11 de setembro, a gente consiga mudar o disco e melhorar o astral geral pra poder se divertir um pouco. O texto abaixo acho que já é um reflexo disso.

Abração a todos,

Ricardo Kotscho

 

O sorriso franco é o mesmo de sempre, e ele já vai logo puxando conversa. Sentado numa poltrona, sozinho no quarto no final da tarde de segunda-feira, de camiseta branca, sueter cinza, bermuda azul e chinelo do hospital, o segundo homem de maior poder no país nem me espera perguntar como está passando.

De nada se queixa, a não ser do frio danado deste inverno paulistano. Foi como se estivesse apenas prosseguindo na nossa prosa de outro dia, no mesmo quarto do Hospital Sírio-Libanês, quando se preparava para a cirurgia anterior, a 13ª, aquela que durou mais de 18 horas. 

A familia saiu para comemorar o aniversário de nove anos de um dos seus cinco netos. Ao falar dele, lembra-se da sua própria infância na roça de Muriaé, em Minas, a três léguas da cidade, onde seu pai tinha um armazém que vendia um pouco de tudo, de ferragens a tecidos, além de comida.

Zé nasceu dois anos depois da Grande Depressão de 1929, que quebrou a economia mundial e jogou no chão o preço do café, principal sustento daquela região mineira. Dos seus 15 irmãos, foi o que nasceu na época mais difícil da vida da família.

Lá não tinha energia elétrica e a água era de poço. Não havia escola. Conta que o pai e a mãe o ensinaram a ler e escrever. Aos nove anos, já ajudava a atender a freguesia do pai, seu Antonio, que andava preocupado com as notícias da Segunda Guerra Mundial, lá longe, na Europa.

Nem rádio havia lá. As notícias chegavam a cavalo, com quatro dias de atraso, depois de recolhidas numa jardineira que passava pela sede de uma fazenda próxima.

Seu Antonio assinava o Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, e os vizinhos iam à venda à noite para saber o que estava acontecendo no mundo. Era um “jornal falado” lido pelo comerciante à luz de lamparinas de querosene. 

“Não me debulha o jornal”, recomendava ele, quando alguém o pedia emprestado. Mais tarde, um casal de vizinhos abriu pequena escola rural para 19 crianças numa casa de taipa. Foi lá que Zé Alencar se lembra de ter aprendido um pouquinho de tudo.

Dessa época, o que mais o marcou foi a tirania de um delegado, em pleno Estado Novo, que não só prendia como humilhava as pessoas. Certa vez, conta Alencar, viu passar em frente ao armazem um homem humilde, de pés descalços, arrastado pelo delegado, com um saco de milho nas costas, obrigado a confessar a quem encontrava pela frente:

“Eu sou ladrão de milho, eu sou o ladrão de milho”.

Até hoje não se conforma com a cena, mas logo volta a sorrir ao confessar uma travessura de menino na época em que ia buscar leite para os irmãos menores numa fazenda vizinha. Como só havia dinheiro para o leite dos pequenos, ele parava numa bica do caminho, tomava um pouco da garrafa e completava com água.

“Acho que eu fui o primeiro a batizar leite com água…”. 

É impressionante a memória deste homem simples que não virou doutor, capaz de lembrar de nomes, lugares e datas de quase sete décadas atrás, com detalhes de passagens daquela época como se tivessem acontecido ontem. 

Dos tempos atuais, não gosta muito de falar. Viu apenas de relance num noticiário da televisão a notícia de que o presidente do Senado, José Sarney, tinha mandado cancelar todos os atos secretos, e queria saber se era verdade.

Logo mudou de assunto para falar das suas campanhas a governador de Minas, em 1994, que perdeu, e quatro anos depois ao Senado, quando ganhou. Já era um grande empresário, dono da tecelagem Coteminas, quando se candidatou pela primeira vez, mas sempre gostou e participou da política mineira. 

Adora contar causos de campanhas eleitorais de antigamente em Minas, mas se anima mesmo e seus olhos brilham ao recordar da vitoriosa campanha presidencial de 2002 ao lado de Lula, quando viajamos juntos rodando o país inteiro.  

Era disso que estávamos falando quando chegou o médico Raul Cutait, responsável pela cirurgia de emergência da quinta-feira passada em que foram retirados mais dez tumores de seu abdomem.

Mais do que paciente e médico, os dois parecem velhos amigos, tantas já foram as cirurgias de José Alencar, na sua interminável batalha contra o câncer, desde 1994.

Ainda tomando soro e sem poder se alimentar normalmente _ nem água pode tomar _ o vice-presidente ouve atentamente o médico e só quer saber de uma coisa:

“Quando é que vou poder sair daqui?”

Cutait diz que ele está se recuperando bem, dentro da normalidade, mas ainda vai precisar ficar mais uns dois ou três dias no hospital até poder voltar para seu apartamento paulistano, na alameda Itú.

Em meio à consulta, Adriano Silva, o onipresente e único assessor de Alencar, informa estar na portaria do hospital o apresentador de televisão Raul Gil, que insiste em vê-lo. O recém-operado pensa um pouco e, após breve silêncio, manda o visitante subir.

Muito emocionado, com lágrimas nos olhos, Raul Gil ajoelha-se diante dele e beija-lhe a mão, e começa a falar sem parar da sua admiração pelo vice-presidente. Repete várias vezes a palavra coragem e ameaça se despedir outras tantas vezes, diante do silêncio do médico que apenas assiste à cena.

É hora de irmos todos embora e deixar Alencar descansar um pouco. No placar que fizemos das nossas cirurgias, ele ganha por pouco, 14 a 13. Melhor pararmos por aí… Não pretendo vencer este campeonato.

A ante-sala do quarto está atulhada de garrafadas (remédios populares feitos de raízes), orações e mensagens, trazidas ou enviadas de várias partes do país por outros admiradores que torcem pela recuperação dele.

Entre estas mensagens, uma chegou aqui ao Balaio, enviada pelo leitor João Luis Fernandes Inácio, que encaminhei a Adriano Silva. Reproduzo-a abaixo porque ela resume a torcida e o sentimento de solidariedade despertado por José Alencar em milhares de brasileiros. 

“Caro Kotscho:

Nem sei se você lerá esse e-mail. Imagino que seja impossível responder a todos que frequentam seu Balaio. Confesso que fiquei muito lisonjeado com sua resposta, pois sei quanto seu tempo é precioso.

Só estou novamente te perturbando para te pedir que mande um abraço carinhoso ao Sr. José de Alencar (homem que eu mal conhecia até se tornar vice-presidente, mas que passei a admirar de forma a se tornar exemplo para minha vida).

Há quatro meses sofri uma cirurgia para correção de uma deformidade ortopédica decorrente da paralisia infantil (acho que sou, com meus 41 anos de vida, uma das última vítimas dessa doença, felizmente).

Estou, desde então, com um aparelho na perna (igual àqueles que os motociclistas costumam usar quando sofrem acidente), o que me torna completamente dependente da ajuda alheia para me locomover, pois não posso dirigir e nem mesmo entrar ou sair de dentro de um carro sozinho, dado o peso que ficou minha perna, a qual, com musculatura muito limitada, não suporta o peso.

Pois bem, nem lembro quantas vezes já me lamentei por isso, perdendo mesmo a paciência e até praguejando. Ai vejo o Sr. José de Alencar passar por uma cirurgia de quase 20 horas (fiquei na net acompanhando o tempo todo e torcendo por ele), passar por tratamento alternativo nos EUA, sentir novas dores.

Meu Deus, como me sinto pequeno quando o vejo na televisão com aquele sorriso único e olhar otimista. Ele, mesmo sem premeditar, pois é nitidamente espontâneo, não faz a menor idéia da força que me dá, assim como faz para milhares de outras pessoas com problemas de verdade (sim, porque o meu perto disso não chega a ser um resfriado).

Resumindo, se puder, mesmo que não seja hoje, diga que torço por ele de uma forma absoluta e sei que ele acompanhará as formaturas de seus bisnetos. Ele é uma pessoa única. Faz eu me lembrar do meu avó materno, falecido no ano passado, aos 103 anos, vítima de câncer, no Pernambuco, Estado onde nasci.

Diga-lhe que tenho em mim que ele ultrapassará a marca do meu avô. Abraço fraterno para você a quem admiro e também torço pela  saúde (não imagina como vibrei na época que você tentou parar de fumar) e pela ampla recuperação pós-cirurgia.

Ainda me verá muito no seu Balaio, pois realmente estou tentando me aproximar, em todos os sentidos, de pessoas serenas e inteligentes como você. Desculpe a intimidade, se fosse pessoalmente, só o trataria por Sr., pois não consigo tratar de outra forma pessoas um pouco mais velhas do que eu.
Abraços, de um também torcedor do São Paulo.

Dr. João Luis Fernandes Inacio”. 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
13/07/2009 - 09:04

Leitores discutem futebol e política com fervor religioso

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Por tratarem de temas sempre tão polêmicos, costuma-se dizer que futebol, política e religião não se discute. Cada um pode escolher seu time, seu partido e sua crença _ e ninguém tem nada a ver com isso.

Na prática, não é bem assim, como pude constatar desde o primeiro dia das discussões entre leitores aqui no Balaio. A guerra político-partidária acaba dominando todos os debates, mesmo se o assunto aqui tratado seja sobre adoção de cachorros vira-latas.

Com a interminável crise do Senado, que a cada dia revela novos desatinos e bandalheiras, e com a iminente instalação da CPI da Petrobras, parece que já estamos em plena campanha eleitoral, faltando ainda 15 meses para o povo brasileiro ir às urnas.

Discute-se política com o fanatismo de torcedor de futebol e com fervor religioso quando o assunto é futebol.

É crescente a intolerância com o pensamento do outro, na mesma proporção em que se perde o humor por qualquer bobagem.

Não há meio termo. Se o tema do blog é político, argumentos contrários são desqualificados, é oito ou oitenta, preto ou branco, tudo ou nada. É assim também nos outros blogs, eu sei, mas como no Balaio são publicadas opiniões de todas as tendências, sem nenhuma censura ideológica, isto fica ainda mais evidente.

Deve ficar em torno de 1% o total de comentários que sou obrigado a excluir por conterem ofensas ou baixarias, tanto faz se o assunto em tela é política, futebol ou religião, até porque discute-se tudo no mesmo tom.

Há um descontentamento generalizado com os políticos de todos os partidos e o comportamento da mídia. Parece que ninguém acredita mais em ninguém e não há esperanças de que este quadro de fim de feira possa um dia melhorar.

Assim fica difícil mudar o disco e buscar outros temas para tornar mais amenos e agradáveis os debates no Balaio. O espírito dos leitores não está para isso. O clima, meus amigos, é de beligerância _ fazer o quê?

Até pensei em escrever sobre o tempo e amenidades durante o feriadão chuvoso que passei na praia, com problemas de conexão no computador, mas desisti para não perder meu tempo nem o dos leitores. Por isso, o balanço semanal que faço todos os domingos só está sendo publicado hoje.

Se alguém tiver sugestões para mudarmos a pauta, eu agradeço. Não aguento mais ler todos os dias sobre os mesmos assuntos em todos os lugares, muito menos escrever.

Sem querer dar uma de poliana, pergunto: será que não tem nada de bom, bonito e digificante acontecendo neste momento em algum lugar do nosso imenso país?

Boa semana a todos.

Os assuntos mais comentados

Segue abaixo o levantamento dos assuntos mais comentados na última semana no Balaio, na Folha e na Veja:

Balaio

Lula e a mídia: 544

Muricy e o Palmeiras: 217

Serra e Ciro em SP: 164

Folha

Sarney: 127

Senado: 114

Ferreira Gular: 47

Veja

Senado em crise: 65

Redes sociais on-line: 21

Claudio de Mello Castro: 12 

 

 

  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
10/07/2009 - 12:19

Muricy: por causa dele, quase virei palmeirense

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Por que, de um ano para outro, o Corinthians, campeão da segunda divisão, voltou a ser o Timão, e o meu São Paulo, hexacampeão brasileiro, virou um timinho, ameaçado até de rebaixamento?

Podem existir mil explicações, mas eu fico com esta: o Corinthians manteve Mano Menezes e contratou Ronaldo; o São Paulo ficou com Washington e mandou Muricy Ramalho embora.

Fiquei com tanta bronca desta burrada da diretoria tricolor, que até prometi para minha neta mais velha, palmeirense militante: se o time dela contratasse mesmo o Muricy, este ano eu torceria para o Palmeiras ser campeão.

Como parecia tudo certo para isso acontecer, hoje até coloquei uma velha camiseta verde para ir me acostumando. Mas, quando abri o iG, logo cedo descobri que a negociação do técnico tricampeão com o Palestra não vingou, e eu vou ter que continuar torcendo para o time do Ricardo Gomes.

Azar do Palmeiras, que deixou de contratar um técnico vencedor e ganhar um torcedor habituado a ganhar títulos…

Azar meu, que agora vou passar o resto do Brasileirão torcendo só para o meu time não cair, arrastando-se em campo, sem dar nenhum sinal de que as coisas possam mudar daqui para a frente. Minha tristeza  ão é nem ver meu time perder um jogo atrás do outro, como já nos acostumamos este ano, mas não mostrar qualquer capacidade de reação, nem mesmo contra o fraquinho Coritiba, outro candidato à segunda divisão.

Como pode, em apenas seis meses, um time sair do topo e ir direto para o buraco? Talvez o presidente Juvenal Juvêncio saiba a resposta, mas não contou para ninguém. Se ele pelo menos tomasse a coragem de devolver para o Fluminense os bondes que comprou, talvez as coisas pudessem mudar pelos lados do Morumbi.

O problema não é nem que Muricy tenha sido demitido, depois de ser eliminado de mais uma Libertadores, mas quem eles contrataram para o lugar dele. Sem nunca ter conquistado nenhum título importante por onde passou, não será certamente com este time do São Paulo que Ricardo Gomes vai fazer milagres e se tornar um campeão.

Só me resta desejar boa sorte ao Muricy. Qualquer que seja seu novo time, vou torcer por ele, um dos melhores e mais fanáticos tricolores que já conheci.  

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
08/07/2009 - 10:53

Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

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Caros leitores,

são onze e meia da noite e não venço liberar os comentários. Ainda restam mais de 130 na fila e estou morrendo de sono. Passei a tarde toda viajando e aqui onde estou, em São Sebastião, a conexão da internet é muito lenta.

Por favor, não pensem em censura. Os comentários excluídos até agora foram muito poucos _ só aqueles que continham ofensas graves ou eram pura baixaria. Volto daqui a pouco, assim que acordar, para liberar os comentários. Boa noite a todos e muito obrigado pela participação de voces neste debate acalorado aqui no Balaio.

Manhã de quinta-feira: só agora consegui liberar todos os comentários, mais de 400, inclusive os que foram enviados ontem.   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu na noite desta terça-feira, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula “por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos”. 

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.

Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.

Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.

Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, “o senhor assume novas responsabilidades na história”.

Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.

Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. “Ambientalistas protestam durante premiação de Lula”, foi o título da página A7 do Estadão.

O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e “reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório”.

“O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amaz}ônia tem que ser realmente preservada”, afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.

“Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro”, afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.

A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.

É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.

Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.

Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.

Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.

“O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga”, parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.

Valeu, Lula. Parabéns!  

 

 

  

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
07/07/2009 - 11:46

Fatima Souza: as duas mortes de Maura Marques

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Com seu estilo sempre apaixonado e inconformado, a brava repórter Fatima Souza, estrela da equipe que dirigi na TV Bandeirantes no final dos anos 1990, hoje trabalhando na TV Record, conta neste post a inacreditável história da sua amiga Maura Marques, uma advogada que morreu duas vezes este mês no Hospital do Mandaqui, na zona oeste de São Paulo.

O bom de ficar velho na profissão de jornalista e depois virar blogueiro é que a gente conhece muita gente, faz muitos amigos ao longo da vida. E acaba formando esta rede informal de colaboradores para nos ajudar a contar estas histórias da vida real que a gente não lê mais na nossa velha mídia. A seguir, o relato da minha amiga Fatima Souza:

MAURA MARQUES:

A MULHER QUE MORREU DUAS VEZES

Irreverente, alegre, divertida, louca pela vida, Maura Marques sentiu uma dor de cabeça muito forte, a ponte de virar o estômago. O dia era primeiro de julho de 2009. Ela deitou um pouco e, como a dor não passava, o marido, Rui, decidiu levá-la ao pronto socorro mais próximo.

Apesar da dor intensa, Maura foi conversando e brincando durante o trajeto. No tal do “PS”, uma destas coisas públicas, confessaram os médicos que não tinham como dar o tratamento adequado porque o caso era de aneurisma cerebral.

Foi então a Maura transferida para o Hospital do Mandaqui, na Zona Oeste de São Paulo, outra destas coisas públicas. Levada para a emergência do Pronto Socorro do Hospital, logo ao dar entrada, Maura desfaleceu e foi entubada.

Era grave o seu caso e os filhos e as filhas e o querido marido de tantos anos começaram a ligar para os amigos. Já era madrugada quando eles foram descansar um pouco, voltando ao Mandaqui (não deixaram ninguém da família ficar ao lado dela) para a visita, as 11 e meia da manhã.

A amiga Sonia, também advogada e “unha e carne” de Maura Marques foi junto com Rui para vê-la. Embora a sua grande amiga estivesse sedada e entubada, Sonia conversou com ela, lembrou-a que era ela uma guerreira e pediu que – como fez a vida inteira – continuasse a lutar. Dos olhos de Maura brotaram lágrimas e Sonia apertou-lhe a mão, sabendo que ela não podia falar, mas ouvia.

Quase uma da tarde, fim de visita. De jaleco branco o médico de plantão, que se identifica apenas como Valter (será que nenhum médico de hospitais públicos tem sobrenome???), não faz cerimônia e nem tem gentileza para dizer à melhor amiga de Maura e ao seu marido de 30 anos de vida em comum que ela teve “morte cerebral”.

Rui, que tem problemas cardíacos e safena no coração, fica tonto e, incrédulo, pergunta: “ O senhor, doutor, está me dizendo que minha mulher está morta?!”

- Sim, está morta. Não há retorno. Daqui a pouco uma equipe de captação de órgãos vai procurá-los para que vocês doem os órgãos dela…

Sonia dá um “toque” para que o doutor se toque e respeite a dor de Rui e espere um pouco para pedir os órgãos de Maura. Sim, não devemos ser egoístas, devemos deixar que outras pessoas vivam com o que não vamos mais precisar, mas… será que o doutor poderia esperar um pouco e ter um bocadinho de sensibilidade em tal momento?

Aos prantos, o marido Rui sente o chão ceder aos seus pés. O coração cansado e triste fraqueja ainda mais e ele precisa de atendimento médico. Depois, desolado, vai para casa e de novo liga para amigos e parentes, desta vez para dar a notícia pior: Maura Marques, a mãe, esposa, advogada profissional, mulher de fibra, alegre e irreverente está com morte cerebral e não tem volta. Os preparativos para o velório e a cremação na Vila Alpina (desejo de Maura) começam a ser providenciados.

Em conversa franca e solidária, a família decide doar os órgãos, conforme pediu o doutor. Já são mais de dez da noite e eles voltam ao coisa pública do Mandaqui levando roupas para trocar a Maura e informar que a família decidiu doar o que dela pode ajudar outras pessoas.

O doutor Valter não está mais lá, agora é o doutor João o responsável pelo plantão noturno. Ao conversar com a família, ele se espanta e diz: 

- Acabei de fazer um teste e a Maura respondeu aos estímulos, prova de que não está em morte cerebral. O doutor Valter se enganou porque ela estava sedada quando ele deu o diagnóstico. O caso dela é grave mas morte cerebral não há.

Rui, Ruizinho (o filho mais novo do casal) e a filha “Li” se abraçam e riem emocionados. Maura não está morta! Não teve morte cerebral! O doutor Valter, segundo o doutor João, se enganou!

Como Maura continua na emergência do PS (embora, pela gravidade do caso, a família tinha pedido e insistido para que ela fosse removida para a UTI) não permitem que alguém fique com ela, ao lado dela, durante o resto da noite. Na emergência deste PS, não pode ficar ninguém com o paciente.

Todos se irritam, mas… como ficar zangado com a maravilhosa notícia de que Maura Marques não está com morte cerebral, que foi engano do tal médico Valter da tal coisa pública? Vai embora então a família esperançosa,  usando todos os telefones celulares no caminho para avisar amigos e parentes de que Maura está viva e que não haverá mais velório e nem crematório. Exaustos, todos dormem, felizes e cheios de esperança.

Quando amanhece de novo já é sexta feira, dia 3 de julho. Rui o marido, Sonia, a grande amiga, as filhas, os filhos, outros parentes, amigos e amigas, estão na porta do Mandaqui para visitar a querida Maura Marques. É só das 11 meia ao meio dia e meia… Uma horinha que será curta, com certeza, porque tem gente demais e só pode entrar uma pessoa por vez.

Vem, no entanto, a notícia que ninguém queria ouvir: Maura Marques está morta outra vez! Aconteceu às 08.55 da fria sexta feira cheia de ventania. Maura está morta há cerca de duas horas ou mais. Agora, de verdade, cerebral e fisicamente. É uma enfermeira quem dá a notícia ao marido Rui, que, pela segunda vez, é avisado que a esposa está morta.

De novo ele rodopia, titumbeia, passa mal e precisa ser medicado. A firme e eterna amiga Sonia ampara Rui e chora com ele. Quando os celulares começam a tocar, para saber como Maura está, a resposta é a mesma para todos: “Agora Maura morreu mesmo!” Pela segunda vez. Velório e crematório agora irão acontecer de verdade.

A família e os amigos, sem acreditar, pedem para falar com o médico de plantão para ter melhores explicações. São informados de que agora são duas médicas, duas doutoras e que elas vão atendê-los brevemente. Mas o tempo passa, a família cobra e a nova informação é a de que as doutoras foram almoçar.

Passa das duas e meia da tarde quando a filha Li, cansada de esperar pelo fim do interminável almoço e da falta de informação, decide entrar no hospital (até então todos esperavam do lado de fora) e procurar as doutoras. Depois de mais muita espera as duas moças, médicas, de avental branco, contam que o caso era grave, que o fato de não terem levado a Maura para a UTI não foi só porque não tinha vaga, mas que não era necessário devido à gravidade e quase irreversibilidade do caso.

E quanto ao diagnóstico “precoce” e precário do tal doutor Valter, que assegurou ao meio dia do dia 2, que ela estava com morte cerebral, informação negada, dez horas depois pelo doutor João?

- Ele errou e, se eu puder pedir desculpas por ele…, diz uma das doutoras.

- E quanto à doação de órgãos que ele foi logo pedindo?

- Errou de novo, diz a doutora, que ainda promete conversar com o tal doutor, dizendo que ele não pode e nem tem autorização para pedir doação de órgãos à família porque só ela pode fazer isso, por ser a responsável pelas equipes de captação de órgãos. Portanto, só ela seria autorizada a pedir os órgãos aos familiares de quem está em morte cerebral, se é que o paciente está mesmo neste estágio.

A família da batalhadora Maura Marques questiona: ao meio dia da quinta feira, quando o doutor Valter achou que ela estava com morte cerebral, certamente ele passou esta informação aos enfermeiros de plantão…. “achando” que Maura estava “praticamente” morta, alguém continuou cuidando dela? 

A “desentubaram” ou ela continuou com os aparelhos? Foram ministrados medicamentos durante este período ou “achando” que ela estava semi-morta ninguém mais se importou com ela? Desencanaram de levá-la à UTI já que ela estava quase-morta? Era necessário levá-la para a UTI? Ajudaria?

Conta o filho Ruizinho que quando esteve lá à noite (na quinta, 10 horas depois do doutor Valter informar que ele estava com morte cerebral e minutos após saber pelo doutor João que ela não estava porque tinha respondido a estímulos), a mãe estava com os cabelos cheio de sangue.

O travesseiro em que ela repousava também estava todo ensangüentado e ninguém o trocou. Também havia urina na cama, mas o lençol não foi trocado. Afinal, todos pensavam – com a anuência do doutor Valter – que ela estava quase morta, praticamente morta. O doutor João disse que não, então trocaram-se lençóis e fronha.

Na madrugada, já de sexta, dia fatal, Maura Marques realmente entrou em morte cerebral e quase batendo as nove da manhã nos ponteiros do relógio, Maurinha morreu de verdade, pela segunda e última vez, deixando saudades e dúvidas.

Conta, entre lágrimas, a grande amiga Sonia, que Maura, em uma audiência, depois de ouvir das testemunhas de acusação o que ela considerou “mentiras deslavadas”, olhou para a juíza e disse:

 - Porra, excelência!… tá na cara que eles estão mentindo!

Era assim a Maura Marques, advogada, mãe, esposa, amiga, gente, pessoa da melhor qualidade: irreverente, competente, alegre, feliz, de bem com a vida, autêntica e como ela mesma dizia: “uma mulher do caralho!”

 - Porra doutor!… tá na cara que o senhor se enganou, diria ela, se pudesse, ao tal médico Valter do Hospital do Mandaqui, a tal coisa pública.

     

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
05/07/2009 - 11:08

Uma disputa entre Serra e Ciro pelo governo paulista?

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Até algumas semanas atrás, antes de sairem as últimas pesquisas eleitorais sobre a sucessão presidencial, o quadro de candidatos parecia definido, limitado a apenas dois: Serra pela oposição e Dilma pelo governo.
Favorito em todos os cenários desde a primeira pesquisa, o governador paulista José Serra dependia apenas de um acerto com o governador mineiro Aécio Neves, que insistia nas prévias, para colocar seu bloco na rua.
Apoiada vigorosamente pelo presidente Lula, Dilma tornou-se a candidata do PT e dos partidos aliados, e só não será a candidata do governo por razões de saúde, possibilidade cada vez mais remota de acordo com os últimos boletins médicos.
As pesquisas mais recentes, no entanto, acenderam um sinal amarelo neste quadro que parecia cristalizado. Com Dilma subindo e Serra caindo, a diferença entre os dois diminuiu consideravelmente, não dando a ninguém certeza sobre o desfecho da disputa presidencial.
Talvez por isso tenham surgido nas últimas semanas muitas conversas em diferentes ambientes, tanto do governo como da oposição, de que a candidatura de Serra a presidente já não é tão irreversível como parecia no começo do ano.
Agora, mais do que nunca, o destino de Serra estará na dependência das próximas pesquisas, especialmente no começo do próximo ano. A se manter a atual tendência, as coisas ainda podem mudar para o lado da oposição.
Quem conhece bem o governador Serra argumenta que ele só será candidato se tiver absoluta certeza da vitória na corrida presidencial e o partido unido em torno dele. Na dúvida, poderá optar por se candidatar à reeleição em São Paulo, com a vitória garantida, deixando o campo livre para outro candidato, ou seja, Aécio Neves.
Lembram estes especialistas em Serra que foi exatamente o que aconteceu nas últimas eleições, quando ele também era o favorito nas pesquisas, mas abriu mão para se candidatar a governador de São Paulo, deixando para Geraldo Alkmin a tarefa e disputar a presidência com Lula, então candidato à reeleição.
No meio destas conversas, surgiu outro fato novo chamado Ciro Gomes. O que de início parecia rematado absurdo, a candidatura dele ao governo de São Paulo numa ampla aliança de oposição aos tucanos, a cada dia ganha mais espaço nas especulações sobre a disputa no maior colégio eleitoral do país.
Sem qualquer possibilidade de vitória em São Paulo _ ao contrário, com seus vários nomes aparecendo atrás até de Paulo Maluf _ o PT poderia abrir mão da candidatura própria para fechar com Ciro.
A princípio reticentes, tanto Ciro com os principais lídereres do PT paulista começam a cada dia a falar mais seriamente sobre a sua candidatura em São Paulo. Tudo vai depender, claro, da posição a ser adotada pelo presidente Lula e pela candidata Dilma, mas a opção Ciro já não pode ser descartada nem das pesquisas nem das análises sobre 2010.
Por uma destas ironias da política, se as pesquisas viabilizarem a candidatura de Ciro, será mais um elemento a pesar na definição eleitoral de Serra, já que para setores da a tradicional elite paulistana a eleição paulista é mais importante do que a nacional.
O Estadão, por exemplo, deixou isso bem claro em editorial, ao fechar questão na defesa da candidatura de Serra ao governo paulista e não à presidência, em 2006, para o tucanato não correr o risco de perder o poder no Estado que controla há mais de duas décadas.
Uma nota publicada no Painel da Folha deste domingo, sob o título “Estalo 1″, dá uma pista sobre o que rola nos bastidores tucanos a 15 meses das eleições gerais:
“Quem conhece bem Aécio Neves acredita que os novos elementos de seu discurso _ ênfase na unidade do PSDB, prodigalidade nos elogios a José Serra e interesse decrescente pelas prévias _ têm uma única explicação: pela primeira vez, o governador de Minas enxerga uma possibilidade real de o colega de São Paulo optar pela reeleição, abrindo caminho para sua candidatura a presidente”.
Do alto das suas montanhas, como sabemos, os políticos mineiros costumam enxergar longe. Se a análise de Aécio estiver correta, não será de todo improvável que Serra e Ciro voltem a se enfrentar, desta vez nas eleições para governador de São Paulo.  Até agora, o favorito absoluto é o ex-governador tucano Geraldo Alkmin.
A única certeza neste momento é que, ao contrário do que pensa meu amigo Carlos Augusto Montenegro, o bruxo do Ibope, o cenário eleitoral de 2010 ainda não está definido.
Se Dilma e Aécio vierem mesmo a ser os principais candidatos à sucessão presidencial, vai ser divertido tentar descobrir quem é da situação e quem é da oposição _ e quem é mais amigo do Lula…
 
Os números da semana
A seguir, como faço todos os domingos, publico o levantamento dos três assuntos mais comentados da semana no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação do país que também divulgam estes números:
Balaio
Crise no Senado: 255
Serra e Freire: 181
Plano Real/15 anos: 108
Folha
Sarney: 170
Congresso: 86
Lula: 60
Veja
Michael Jackson: 95
Senado em crise: 72
Vaidade infantil: 22
Para que serve o Senado?
Desde o início da crise do Senado, há cinco meses, é cada vez maior o número de leitores do Balaio que se fazem esta pergunta, indignados com as bandalheiras e maracutaias a granel envolvendo senadores e seu exército  de funcionários, que já chega a 11 mil, consumido um orçamento próximo a R$ 3 bilhões por ano.
Há quem defenda o plebiscito proposto meses atrás pelo senador Cristovam Buarque, em artigo publicado aqui mesmo no Balaio, para saber se o Senado deve ou não acabar, mas a grande maioria já defende a solução radical de simplesmente fechar aquela Casa do Congresso.
É claro que, a esta altura do campeonato, a crise do Senado é mais um caso de polícia do que propriamente um problema político. Mas esta semana fui bastante criticado por leitores do Balaio ao fazer uma análise política sobre o que está em jogo nesta guerra suja _ a sucessão presidencial em 2010.
“Você é contra a imprensa que divulga essses fatos ou você acha realmente que o Sarney nada fez de errado? Gostaria de sua resposta”, questionou-me, às 17:26 de sexta-feira, o leitor que se identifica como “Médico”.
Sou absolutamente a favor, claro, de que a imprensa divulgue todas as informações sobre as mazelas e falcatruas do Senado e acho que o tripresidente José Sarney é o principal, mas não único, responsável por termos chegado a esta situação de absoluto descalabro no uso do dinheiro público.
Mas também posso indagar ao leitor: há quanto tempo todos os fatos agora denunciados são de conhecimento tanto da imprensa como dos senhores senadores, tanto do governo como da oposição, e por que só agora eles estão vindo a público todos de uma vez?
Com a resposta, sua excelência, o leitor.
Para responder à pergunta do título desta nota, reproduzo abaixo texto da Agência Senado:   
  
Conheça as atribuições do Senado Federal

Senado Federal]

O artigo 46 da Constituição estabelece que o Senado Federal compõe-se de representantes dos estados e do Distrito Federal, eleitos segundo o princípio majoritário. Cada estado e o Distrito Federal elegerão três senadores, com mandato de oito anos. A representação de cada estado e do Distrito Federal será renovada de quatro em quatro anos, alternadamente, por um e dois terços. Cada senador será eleito com dois suplentes.

De acordo com o artigo 59 da Constituição, o processo legislativo compreende a elaboração de emendas à Constituição, leis complementares, leis ordinárias, leis delegadas, medidas provisórias, decretos legislativos e resoluções.

Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.

As atribuições de competência exclusiva do Senado são descritas no artigo 52 da Constituição, a saber:

I – processar e julgar o presidente e o vice-presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os ministros de estado e os comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles;

II – processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União nos crimes de responsabilidade;

III – aprovar previamente, por voto secreto, após argüição pública, a escolha de magistrados, nos casos estabelecidos na Constituição; ministros do Tribunal de Contas da União indicados pelo presidente da República; governador de território; presidente e diretores do Banco Central; procurador-geral da República; e titulares de outros cargos que a lei determinar;

IV – aprovar previamente, por voto secreto, após argüição em sessão secreta, a escolha dos chefes de missão diplomática de caráter permanente;

V – autorizar operações externas de natureza financeira, de interesse da União, dos estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos municípios;

VI – fixar, por proposta do presidente da República, limites globais para o montante da dívida consolidada da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios

VII – dispor sobre limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, de suas autarquias e demais entidades controladas pelo poder público federal;

VIII – dispor sobre limites e condições para a concessão de garantia da União em operações de crédito externo e interno;

IX – estabelecer limites globais e condições para o montante da dívida mobiliária dos estados, do Distrito Federal e dos municípios;

X – suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;

XI – aprovar, por maioria absoluta e por voto secreto, a exoneração, de ofício, do procurador-geral da República antes do término de seu mandato;

XII – elaborar seu regimento interno;

XIII – dispor sobre sua organização, funcionamento, polícia, criação, transformação ou extinção dos cargos, empregos e funções de seus serviços, e a iniciativa de lei para a fixação da respectiva remuneração, observados os parâmetros estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias

XIV – eleger os membros do Conselho da República;

XV – avaliar periodicamente a funcionalidade do Sistema Tributário Nacional, em sua estrutura e seus componentes, e o desempenho das administrações tributárias da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Nos casos previstos nos incisos I e II, funcionará como presidente o do Supremo Tribunal Federal, limitando-se a condenação, que somente será proferida por 2/3 dos votos do Senado Federal, à perda do cargo, com inabilitação, por oito anos, para o exercício da função pública, sem prejuízo das demais sanções judiciais cabíveis.

Paulo Sérgio Vasco / Agência Senado
(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
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