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07/07/2009 - 11:46

Fatima Souza: as duas mortes de Maura Marques

Com seu estilo sempre apaixonado e inconformado, a brava repórter Fatima Souza, estrela da equipe que dirigi na TV Bandeirantes no final dos anos 1990, hoje trabalhando na TV Record, conta neste post a inacreditável história da sua amiga Maura Marques, uma advogada que morreu duas vezes este mês no Hospital do Mandaqui, na zona oeste de São Paulo.

O bom de ficar velho na profissão de jornalista e depois virar blogueiro é que a gente conhece muita gente, faz muitos amigos ao longo da vida. E acaba formando esta rede informal de colaboradores para nos ajudar a contar estas histórias da vida real que a gente não lê mais na nossa velha mídia. A seguir, o relato da minha amiga Fatima Souza:

MAURA MARQUES:

A MULHER QUE MORREU DUAS VEZES

Irreverente, alegre, divertida, louca pela vida, Maura Marques sentiu uma dor de cabeça muito forte, a ponte de virar o estômago. O dia era primeiro de julho de 2009. Ela deitou um pouco e, como a dor não passava, o marido, Rui, decidiu levá-la ao pronto socorro mais próximo.

Apesar da dor intensa, Maura foi conversando e brincando durante o trajeto. No tal do “PS”, uma destas coisas públicas, confessaram os médicos que não tinham como dar o tratamento adequado porque o caso era de aneurisma cerebral.

Foi então a Maura transferida para o Hospital do Mandaqui, na Zona Oeste de São Paulo, outra destas coisas públicas. Levada para a emergência do Pronto Socorro do Hospital, logo ao dar entrada, Maura desfaleceu e foi entubada.

Era grave o seu caso e os filhos e as filhas e o querido marido de tantos anos começaram a ligar para os amigos. Já era madrugada quando eles foram descansar um pouco, voltando ao Mandaqui (não deixaram ninguém da família ficar ao lado dela) para a visita, as 11 e meia da manhã.

A amiga Sonia, também advogada e “unha e carne” de Maura Marques foi junto com Rui para vê-la. Embora a sua grande amiga estivesse sedada e entubada, Sonia conversou com ela, lembrou-a que era ela uma guerreira e pediu que – como fez a vida inteira – continuasse a lutar. Dos olhos de Maura brotaram lágrimas e Sonia apertou-lhe a mão, sabendo que ela não podia falar, mas ouvia.

Quase uma da tarde, fim de visita. De jaleco branco o médico de plantão, que se identifica apenas como Valter (será que nenhum médico de hospitais públicos tem sobrenome???), não faz cerimônia e nem tem gentileza para dizer à melhor amiga de Maura e ao seu marido de 30 anos de vida em comum que ela teve “morte cerebral”.

Rui, que tem problemas cardíacos e safena no coração, fica tonto e, incrédulo, pergunta: “ O senhor, doutor, está me dizendo que minha mulher está morta?!”

- Sim, está morta. Não há retorno. Daqui a pouco uma equipe de captação de órgãos vai procurá-los para que vocês doem os órgãos dela…

Sonia dá um “toque” para que o doutor se toque e respeite a dor de Rui e espere um pouco para pedir os órgãos de Maura. Sim, não devemos ser egoístas, devemos deixar que outras pessoas vivam com o que não vamos mais precisar, mas… será que o doutor poderia esperar um pouco e ter um bocadinho de sensibilidade em tal momento?

Aos prantos, o marido Rui sente o chão ceder aos seus pés. O coração cansado e triste fraqueja ainda mais e ele precisa de atendimento médico. Depois, desolado, vai para casa e de novo liga para amigos e parentes, desta vez para dar a notícia pior: Maura Marques, a mãe, esposa, advogada profissional, mulher de fibra, alegre e irreverente está com morte cerebral e não tem volta. Os preparativos para o velório e a cremação na Vila Alpina (desejo de Maura) começam a ser providenciados.

Em conversa franca e solidária, a família decide doar os órgãos, conforme pediu o doutor. Já são mais de dez da noite e eles voltam ao coisa pública do Mandaqui levando roupas para trocar a Maura e informar que a família decidiu doar o que dela pode ajudar outras pessoas.

O doutor Valter não está mais lá, agora é o doutor João o responsável pelo plantão noturno. Ao conversar com a família, ele se espanta e diz: 

- Acabei de fazer um teste e a Maura respondeu aos estímulos, prova de que não está em morte cerebral. O doutor Valter se enganou porque ela estava sedada quando ele deu o diagnóstico. O caso dela é grave mas morte cerebral não há.

Rui, Ruizinho (o filho mais novo do casal) e a filha “Li” se abraçam e riem emocionados. Maura não está morta! Não teve morte cerebral! O doutor Valter, segundo o doutor João, se enganou!

Como Maura continua na emergência do PS (embora, pela gravidade do caso, a família tinha pedido e insistido para que ela fosse removida para a UTI) não permitem que alguém fique com ela, ao lado dela, durante o resto da noite. Na emergência deste PS, não pode ficar ninguém com o paciente.

Todos se irritam, mas… como ficar zangado com a maravilhosa notícia de que Maura Marques não está com morte cerebral, que foi engano do tal médico Valter da tal coisa pública? Vai embora então a família esperançosa,  usando todos os telefones celulares no caminho para avisar amigos e parentes de que Maura está viva e que não haverá mais velório e nem crematório. Exaustos, todos dormem, felizes e cheios de esperança.

Quando amanhece de novo já é sexta feira, dia 3 de julho. Rui o marido, Sonia, a grande amiga, as filhas, os filhos, outros parentes, amigos e amigas, estão na porta do Mandaqui para visitar a querida Maura Marques. É só das 11 meia ao meio dia e meia… Uma horinha que será curta, com certeza, porque tem gente demais e só pode entrar uma pessoa por vez.

Vem, no entanto, a notícia que ninguém queria ouvir: Maura Marques está morta outra vez! Aconteceu às 08.55 da fria sexta feira cheia de ventania. Maura está morta há cerca de duas horas ou mais. Agora, de verdade, cerebral e fisicamente. É uma enfermeira quem dá a notícia ao marido Rui, que, pela segunda vez, é avisado que a esposa está morta.

De novo ele rodopia, titumbeia, passa mal e precisa ser medicado. A firme e eterna amiga Sonia ampara Rui e chora com ele. Quando os celulares começam a tocar, para saber como Maura está, a resposta é a mesma para todos: “Agora Maura morreu mesmo!” Pela segunda vez. Velório e crematório agora irão acontecer de verdade.

A família e os amigos, sem acreditar, pedem para falar com o médico de plantão para ter melhores explicações. São informados de que agora são duas médicas, duas doutoras e que elas vão atendê-los brevemente. Mas o tempo passa, a família cobra e a nova informação é a de que as doutoras foram almoçar.

Passa das duas e meia da tarde quando a filha Li, cansada de esperar pelo fim do interminável almoço e da falta de informação, decide entrar no hospital (até então todos esperavam do lado de fora) e procurar as doutoras. Depois de mais muita espera as duas moças, médicas, de avental branco, contam que o caso era grave, que o fato de não terem levado a Maura para a UTI não foi só porque não tinha vaga, mas que não era necessário devido à gravidade e quase irreversibilidade do caso.

E quanto ao diagnóstico “precoce” e precário do tal doutor Valter, que assegurou ao meio dia do dia 2, que ela estava com morte cerebral, informação negada, dez horas depois pelo doutor João?

- Ele errou e, se eu puder pedir desculpas por ele…, diz uma das doutoras.

- E quanto à doação de órgãos que ele foi logo pedindo?

- Errou de novo, diz a doutora, que ainda promete conversar com o tal doutor, dizendo que ele não pode e nem tem autorização para pedir doação de órgãos à família porque só ela pode fazer isso, por ser a responsável pelas equipes de captação de órgãos. Portanto, só ela seria autorizada a pedir os órgãos aos familiares de quem está em morte cerebral, se é que o paciente está mesmo neste estágio.

A família da batalhadora Maura Marques questiona: ao meio dia da quinta feira, quando o doutor Valter achou que ela estava com morte cerebral, certamente ele passou esta informação aos enfermeiros de plantão…. “achando” que Maura estava “praticamente” morta, alguém continuou cuidando dela? 

A “desentubaram” ou ela continuou com os aparelhos? Foram ministrados medicamentos durante este período ou “achando” que ela estava semi-morta ninguém mais se importou com ela? Desencanaram de levá-la à UTI já que ela estava quase-morta? Era necessário levá-la para a UTI? Ajudaria?

Conta o filho Ruizinho que quando esteve lá à noite (na quinta, 10 horas depois do doutor Valter informar que ele estava com morte cerebral e minutos após saber pelo doutor João que ela não estava porque tinha respondido a estímulos), a mãe estava com os cabelos cheio de sangue.

O travesseiro em que ela repousava também estava todo ensangüentado e ninguém o trocou. Também havia urina na cama, mas o lençol não foi trocado. Afinal, todos pensavam – com a anuência do doutor Valter – que ela estava quase morta, praticamente morta. O doutor João disse que não, então trocaram-se lençóis e fronha.

Na madrugada, já de sexta, dia fatal, Maura Marques realmente entrou em morte cerebral e quase batendo as nove da manhã nos ponteiros do relógio, Maurinha morreu de verdade, pela segunda e última vez, deixando saudades e dúvidas.

Conta, entre lágrimas, a grande amiga Sonia, que Maura, em uma audiência, depois de ouvir das testemunhas de acusação o que ela considerou “mentiras deslavadas”, olhou para a juíza e disse:

 - Porra, excelência!… tá na cara que eles estão mentindo!

Era assim a Maura Marques, advogada, mãe, esposa, amiga, gente, pessoa da melhor qualidade: irreverente, competente, alegre, feliz, de bem com a vida, autêntica e como ela mesma dizia: “uma mulher do caralho!”

 - Porra doutor!… tá na cara que o senhor se enganou, diria ela, se pudesse, ao tal médico Valter do Hospital do Mandaqui, a tal coisa pública.

     

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

95 comentários para “Fatima Souza: as duas mortes de Maura Marques”

  1. Rafael Belo disse:

    Uou! Que história! Quanta imprudência e despreparo dramático. As coisas públicas são terríveis em sua maioria. Certa vez até achei que a médica que me atendia em certa zona pública, fosse vidente, telepata… Só de me olhar a um distancia de 2 metros, já sabia o que eu tinha…

  2. Marcia Scherer disse:

    nossa, o q dizer? é de chorar. um texto simples, bem escrito, q me levou lá pra junto da maura, chorei com a família, voltei a ter esperança e chorei novamente…
    porra kotscho… ainda bem q vc tem este blog para contar estas histórias da vida real que a gente não lê mais na nossa velha mídia

  3. Manoel Ferreira disse:

    Vamos continuar a limpeza da casa?

    Vamos pensar agora no PT!

    Aos amigos Everaldo e Simei e Ricardo, vamos continuar petistas?

    Sério?
    Então tudo bem, mas vamos moraluizar este lixo!

    Muito bem, mas não dá pra ir adiante com esta imoralidade, é preciso recomeçar, este não é mais o Partido dos trabalhadores, esqueçam, isto agora é lenda!

    O que teríamos que fazer ?

    Bem sugiro que vocês elaborem e construam uma nova opção eleitoral,

    Quem sabe até mesmo dentro do PT, expulsando para sempre lixos sociais como Berzoini, Dirceu, Mercadante, Luiz Paulo, Silvinho, Delúbios, Valérius e Waldomiros, Sombras e Palloccis, Luizinho e toda esta corja de enganadores da boa vontade alheia, formando um novo partido balizado pelos setores organizados da sociedade, e dos homens de bem que ainda restaram nesta antro de perdição e corrupção, pois estes malfeitores, possuem interesses comuns aos das classes dirigentes ora no poder ou na disputa dele, constituindo o grosso de nossos “bons cidadãos”, incorruptíveis, patrióticos, éticos e equilibrados…

    Então Ricardo, Everaldo e Simei,.o quadro atual é esse mesmo, com a retificação que o projeto popular, do PT, deixou de sê-lo uns quatro anos após sua fundação, coma opção pela via institucional e desarticulação da estratégia de “conscientização política” através da proliferação de núcleos partidários, em razão do insucesso desses últimos em cooptar cidadãos, pois esses últimos nunca se entenderam como tais, mastigados por um processo de mandonismo até hoje mantido pelas estruturas patrimonialista de nossa sociedade.

    Enfim, quando chegou ao poder na esfera federal, o PT, ou o seu campo imundo e majoritário, já havia construído seu caminho pela corrupção nas esferas municipais e estaduais, sendo então mais um dos partidos político brasileiro constituído por interesses particulares e levado adiante através de práticas mafiosas.

    Se vocês não conhecem, procurem um dia bater um papo com o Paulo de Tarso aqui do vale do Paraíba, e vejam o lixo de governo que foi feito por aquela mulher insana a tal dançarina da pizza a frente do governo municipal, um antro de perdição e um dos berços do mensalão do Dirceu!

    Vejam que absurdo, até alguns padres entraram na conversa fiada desta mulher medíocre e mal intencionada, abandonaram a batina e foram atrás deste trio elétrico e da demência e da insanidade moral!

  4. Francisco disse:

    Acho que os dois primeiros comentários (zorro e Manoel Ferreira) estão no post errado. Ou não ?
    Voltando ao assunto: com certeza a advogada Maura Marques foi mais uma vítima do nosso sistema de saúde pública. Pode ser em Brasília, São Paulo, Rio, Salvador, enfim, em qualquer estado brasileiro, os hospitais e postos de saúde públicos matam pessoas, quando deveriam salvá-las. Os motivos todos já sabem, mas, o principal é a maldita corrupção e a “labirintosa” máquina burocrática que “consomem” a maior parte da verba. destinada à saúde.

  5. Alex disse:

    Caramba, Kotscho, que coisa incrível…Cadê o Conselho Regional de Medicina? Nossa Senhora, o tal dr valter (tudo em caixa baixa de propósito) é um médico de meia pataca…carniceiro e totalmente apático. De arrepiar este relato.

  6. Alex disse:

    CADÊ A POSIÇÃO DO HOSP. MANDAQUI.. CADÊ A CONSELHO REGIONAL DE MEDICINA… NINGUÉM PODE DAR PELO MENHOS UM APERTO NESTE doutorzinho de meia-pataca?
    OU VÃO DEIXAR BARATO?

  7. Douglas disse:

    Não é hoje que o Presidente Lula recebe o prêmio da Unesco?

  8. Adriana disse:

    Caro Ricardo,
    perdi uma jovem amiga aqui em Brasília nas mesmíssimas condições.
    no hospital do Paranoá, o marido preto, pobre e semialfabetizado não conseguiu garantir o socorro.
    como se pode ver, nem que ele tivesse feito direito…
    na época, achei que os médicos praticam uma espécie de genocídio nos hospitais públicos.
    continuo achando.
    foi tão triste essa história… não há nem o que dizer, não é?
    abraços,
    A.

  9. giovanni disse:

    Ricardo:
    Situação parecida passei em anos anteriores com meu pai no Hospital Erasto Gaetner de Curitiba, que tratam específicamente de pessoas com cancêr. Nas semanas antes de morrer, ele tinha entrado em óbito três vezes, sendo que nos últimos dias acompanhamos diuturnamente, chegando a auxiliar as enfermeiras, desta forma me sinto balizado a comentar. Não podemos, nem devemos “incriminar” os médicos, pois seu cotidiano é este mesmo, sendo que realmente deles já não se deva esperar um certo conforto, e muito menos dos profissionais de enfermagem, que se desdobram para atender quando solicitados. Assim o que eu acho falho apenas é a falta de um profissional capacitado (psicólogo ou assistente social) capaz de informar a familia de forma mais amena e com uma linguagem mais acessível ao entendimento leigo. Médicos são humanos apenas. E com relação ao Hospital que citei, eles foram um exemplo e ainda são, principalmente na ala infantil, de BOM atendimento, que fique claro. E a todos que acham isto uma bobagem, que façam trabalho voluntariado num hospital deste tipo, onde por noite eu via no minímo três óbitos de adultos,pois no infantil não tive coragem de acompanhar, confesso.
    E àqueles que culpam este Governo o fato aconteceu em 1993.

  10. Rraul disse:

    Sr. Jornalista, é uma história comovente, contudo sugiro abordar de forma crítica o orçamento geral da união para 2010, elaborado de forma irresponsável, criando para 2011 um inevitável aumento da carga tributária que já chega 35,8% do PIB; convoque seus inúmeros amigos para ajudar na espinhosa tarefa.

  11. Boa tarde Ricardo!
    Boa tarde amigos balaieiros!

    Uma história realmente tríste…toda partída o é!

    Infelizmente para essa família, e os amigos dessa mulher, a infelicidade de caírem nas mãos de um profissional que praticamente deve ter se prostituído em função da medicina.

    Eu sempre ensinei minhas duas filhas, de que “prostituição” pode ser exercída em qualquer atividade do cotidiano.
    Basta que voce faça algo somente pelo dinheiro, ou pelo poder, mas que na verdade,no fundo, detesta o que faz.

    Vemos isso todos os dias, nos mais diversos setôres da vida pública e privada.

    Realmente é uma história tríste…

    Meus sentimentos à família, e que saibam, que com certeza essa senhora continuará sua caminhada em outros planos, com o mesmo entusiasmo que demonstrou aqui.

    Não gosto de advogados, mas aí esta uma pessoa que ao que parece vivía a sua profissão dentro de sua vida.

    Com tantas coisas ruins acontecendo, qualquer boa pessoa que nos deixa, acaba por também deixar um vácuo…uma lacuna incontestavelmente importante…nos faz muita falta…

    Tristesa que segue…

    Robson de Oliveira nosbornar@ig.com.br

  12. Rodolpho disse:

    Raça de filho das p…..

    Vontade de invadir este hospital e coloca-los todos pra dormir em formol ….

  13. Suely Vilela disse:

    O pior, Ricardo, é que as coisas se processam exatamente assim, todos os dias. No fim do ano passado, minha família passou pela mesma dor. Meu sobrinho de dez anos foi atropelado pouco antes do Natal e ficou em coma por dez dias. Nesse meio tempo, entre idas e vindas, notícias de melhorias e de piora, tivemos que aguentar a morosidade e uma visível falta de vontade de alguns “profissionais” de saúde durante o Natal e o Réveillon. Até hoje, temos uma certeza interna de que o menino já estava morto fazia tempo e só enrolaram a família pra fazerem os trâmites depois das festas de ano novo. Resultado: informaram a morte cerebral só no dia 2 de janeiro. Outra coisa: a família também se propôs a doar os órgãos, mas creiam é muito difícil fazer isso. No nosso caso foram dois dias pra fazerem a retirada, toda hora informavam que tudo estaria resolvido nas próximas seis horas e nada! A gente querendo o corpo pra fazer o sepultamento e aquela agonia que não passava. Moral da história: poucos órgãos puderam ser “aproveitados”. Enfim, infelizmente, falta, em muitos casos, um mínimo de humanização pra esses caras que estão nos hospitais. Primeiro que a grande maioria acha, porque tem um diploma de ensino superior, ser melhor que a população que atende, tendo o direito de tratá-la como se fossem animais ou descontar nela a frustação com suas condições de trabalho e/ou remuneração. Segundo, por mais que Medicina seja uma Ciência, os caras muitas vezes te encaram como um tubo de ensaio com pernas, uma cobaia que ele usa pra ficar aplicando um monte de métodos e técnicas de “cura” aprendidos numa faculdade. E, por fim, falta mesmo é empatia, se colocar no lugar do outro que, muitas vezes, está vivendo o pior momento de sua vida. Simplesmente inumano!

  14. O que os dois primeiros comentários têm a ver com as tristes mortes de Maura Marques?

  15. Manoel Ferreira disse:

    Será que os políticos são bons e nós é que perdemos a vergonha na cara?

    Ricardo e demais amigos, é uma imensa vergonha tudo isso que acontece no cenário político brasileiro estamos vivemos um momento de pura falta de vergonha na cara em aceitar que estes vagabundos e velhos caciques dominem o país roubando( expressão correta) o dinheiro público, e está tudo bem não fazemos absolutamente nada. Estou cansado de tanta impunidade. A estrutura do Estado é hoje no Brasil formada para políticos enriquecerem e satisfazerem o seu prazer e não os interesses públicos. E o Hoje então segundo a maioria dos votos presidente o Lula não difere em nada dos demais.
    O maior exemplo disso é a situação do comandante do congresso José Sarney, sujeito da pior espécie hoje amigo do lula e portanto um igual, nem um nem outro merecem o meu respeito e nem o uso correto da gramática, na qual o presidente lula defende este canalha com unhas e dentes se expondo ao limite do ridículo em troca do apoio político para o próximo pleito.
    Bom eu acho que o presidente está na hora de sair, apoiar ladrão nos tempos modernos, estamos clamando por moralidade , o presidente está dando um tiro no pé.
    Quem eram os apoiadores de Collor e de FHC? Eram José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Jader Barbalho e outros vagabundos como eles, que são os hoje oposicionistas integrantes do DEM, antigo PFL.
    Exceto por estes últimos (e, naturalmente, os tucanos), são os mesmos apoiadores do governo Lula. O qual conta também com o apoio de Collor.
    Trata-se de representantes de oligarquias regionais que, não fosse por sua longevidade materialmente evidenciada, seriam em tese descartáveis por anacronismo fulminante.
    Quem serão os apoiadores do governo que será eleito em 2010, de Dilma Rousseff ou José Serra? Serão os mesmos.
    No Brasil, a prática política parece indicar que presidentes da República não conseguem governar sem entregar parte da administração a esses mestres da exploração despudorada do Estado.

  16. Osório disse:

    Alguém aqui está delirando, ou sou eu, ou são os comentaristas, pois seus textos não têm ligação nenhuma com o post, que trata de uma situação repugnante, mas comum nos hospitais públicos OU NÃO, pois tudo é fruto da arrogância de alguns médicos. Há que se investigar se há lucro com a doação de órgãos, se houve omissão, descaso, desídia. Isso que aconteceu é um absurdo.

  17. celsoaze disse:

    Caro Ricardo.

    Vou contar um caso que aconteceu comigo e meu já falecido Pai.

    Meu Pai caiu da escadaria lá em casa e quebrou a perna fraturando o femu em duas partes, por sorte ou outra coisa não sei, mas o caso é que acabei voltando para casa em vêz de ir trabalhar, e por conseguinte, acabei levando-o para o hospital. O nome é Hospital Universitário Antônio Pedro, que fica em Niterói RJ. Olha pessoal, hospital Público e Federal é uma piada.
    Chegando lá, embora fosse emergência, o atendimento foi demorado, até que depois de uma hora de espera, apareceu um médico; de cara ele perguntou se agente tinha plano de saude, e afirmei que ele era dependente de minha Mâe, daí o Doutor falou: vamos tirar a radiografia aqui e depois vamos transporta-lo para uma clínica particular, onde eu atenderei por esse plano, que seu Pai é dependente.
    Na enfermaria, ou local que era uma coisa assim parecida, pois meu Pai continuava na mesma maca em que tinha sido atendido, lá no início(8h da manhã), pois os leitos estavam todos, e quando foi umas 10:00h, começou nosso suplício, pois de cara, para levar a sala de raio X, não tinha ninguem para ajudar, e foi me dito, “é prá isso que serve o acompanhante”, falou um funcionário do Hospital.
    Lá fomos nós, o funcionário na frente indicando o caminho e eu atrás empurrando a tal maca. A radiografia foi tirada, e o funcionário logo falou, ” Ih! o negócio tá brabo”, e nos mandou voltar prá tal enfermaria , que ficava 3 andares abaixo, neste mesmo local, tinha um rapaz numa cadeira de rodas, que queria voltar pro mesmo lugar, isto é, a enfermaria que estavamos no início; e como o funcionário já havia sumido, falei com o rapaz; você vai na frente abrindo as portas, que eu te ensino o caminho.
    Gente parece até brincadeira, meu Pai gemendo de dor, servia de sirene da maca, o rapaz sentado na cadeira com uma perna que estava quebra, e com a outra e o pé bom, ele pisava no chão, empurrando-a cadeira e ao mesmo tempo ia abrindo as portas, e com muito custo conseguimos chegar no local pretendido.
    Já passava das 2h da tarde, e o tal médico, nada de aparecer, quando perguntava por ele, alguém dizia “tá lá no quarto andar”, quando chegava no quarto andar, outro dizia “já desceu para o 1º andar”, desanimei e fiquei junto do meu Pai, esperando o tal Doutor.
    Observei que numa cama tinha um homen sem camisa, com uma cuequinha encardida e com alguns furos, de tão velha que era, este cidadão derrepente se levantou da cama, saiu dando pulinhos e tremendo todo, com os olhos arregalados e arrastando o cabide do soro junto, parecia um zumbi, a cena foi dantesca pessoal: uma auxiliar de enfermeira , correu, meu Pai queria correr e nem podia se mexer, e eu, medrei também, e não tenho vergonha de dizer só não corri porque atrás de mim tinha uma parede e na frente o zumbi; até que um negão que acompanhava alguém, conseguiu segurar o homem e com calma o levou de volta para o leito.
    Só às 3h da tarde o médico apareceu; deu o nome da clínica; peguei um taxi, e com alegia, naquela tristeza toda; sai do local pensando, é! Hospital Público, é F….

  18. sergio disse:

    de novo…Meu caro Ricardo, se me permite chama-lo assim, é impossivel ficar sem se emocionar com o caso de sua amiga. Fez até me lembrar da morte de minha mãe, em uma enfermaria, no melhor hospital publico deo ABC, onde por mais de duas horas agonizou em uma maca na enfermaria(ataque cardiaco), contemplada por um enfermeiro não formado, cujo os cirurgioes não haviam comparecido naquele dia, pois foram comemorar a vitoria do São Paulo em uma noite anterior. Fatos como este nos deixam céticos que um dia poderá mudar. Que Deus Ampare sua amiga, como tenho certeza que amparou a minha mãe, diferente daqueles que deveriam fazer isto em vida.

  19. claudemir disse:

    PORRRAAAAAAAAAAAAAA MEU QUE CONFUSAOOOOOOOOO

  20. Marcio Alexandre disse:

    É lastimavel o descaso com que alguns profissionais da área da saúde pública tratam as pessoas. Faço sempre a mesma pergunta, por quê fazem isso? Infelizmente nunca encontrei resposta. Por quê tratam as pessoas sem o mínimo de dignidade e respeito que elas merecem. Este caso, assim como o ocorrido no Rio de Janeiro, com a grávida, que teve como único atendimento médico uma inscrição em seu próprio corpo do local para onde ela deveria se dirigir, deveriam ser tratados com muito mais destaque e severidade pelos orgãos competentes. Mas, fica sempre a certeza de que o Brasil é um país aonde as coisas não são levadas a sério, e que a única coisa certa é a certeza da impunidade por parte das pessoas que praticam tais atos.

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