“Caí no sistema”: mais uma história kafkiana da burocracia
Abro o computador às oito horas desta manhã de sábado e encontro entre as mensagens mais uma inacreditável história da burocracia brasileira relatada por meu amigo Audálio Dantas, um dos maiores jornalistas brasileiros, personagem de quem falei ainda outro dia aqui no Balaio.
Aos 77 anos, mais de 60 de trabalho ininterrupto, ele ainda pega no pesado das redações para poder sobreviver. Trabalha hoje para poder comer amanhã, já que ninguém consegue pagar suas contas só com a aposentadoria do INSS, como todos sabemos.
Em junho, ele teve um motivo de alívio ao ficar sabendo que receberia a restituição do imposto de renda a que tinha direito, mas a alegria durou pouco.
De credor do Tesouro Nacional, passou de um dia para outro passou a devedor numa trama que o editor de Kafka talvez pudesse achar inverossímel. Mas no Brasil acontece.
Publico a seguir a mensagem que ele me enviou com título e tudo:
Caí no sistema
Ricardo, meu caro,
No final da história contada outro dia em seu Balaio, sobre as tentativas infrutíferas de devolver o dinheiro da aposentadoria que o INSS depositava na conta de sua falecida mãe, e de tentativas igualmente infrutíferas de receber a devolução do imposto de renda a que você tinha direito, havia uma espécie de convocação: “Quem quiser que conte outra”.
Pois aqui estou eu para contar outra a você e aos leitores do Balaio. Trata-se de uma história fresquinha, ainda em curso, com toques kafkianos, da qual sou involuntariamente o personagem central.
A história começou com uma alegriazinha, um prenúncio de alívio para os meus apertos financeiros.
A Receita Federal anunciou em seu site que a restituição a que eu tinha direito estaria à minha disposição a partir de 16 de junho, mas antes dessa data tão ansiosamente aguardada recebi uma notificação pela qual fiquei sabendo que devia ao Estado valor quase igual ao que ele teria de me restituir.
Tremi na base, imaginando o que nunca me acontecera ao longo dos muitos anos de fiel declarante de meus parcos rendimentos: cair na malha fina.
Mas não se tratava de qualquer falha na declaração do imposto de renda: eu tinha caído numa tal “malha de débito”.
Não era coisa do Leão. Meu débito estava inscrito na Dívida Ativa da União, por motivo que eu ficaria sabendo depois: cobravam-me pelo não pagamento de taxas de ocupação de um terreno de Marinha, de 2003 a 2007.
O papel da Receita Federal me dava exíguos dias para comparecer a uma de suas repartições em São Paulo, mas não esclarecia as razões. E advertia: o não comparecimento no prazo estabelecido – 30 de junho – implicaria na dedução automática do valor da restituição.
Restava-me a oportunidade de contestar a dívida que me atribuíam, referente a pagamento de taxas sobre um terreno que, há cerca de 40 anos, quando eu ainda me permitia alguns sonhos, adquiri na beira do mar em Paraty. O imóvel tinha sido vendido em 1991 e a dívida, portanto, é de responsabilidade do atual proprietário.
Fui correndo ao prédio central da Receita Federal em São Paulo, portando um requerimento em que expunha a história, devidamente documentada com certidões, selos e conseqüentes carimbos.
Do terreno só me restara o sonho de um rancho à beira do mar. Estava certo de que poderia não só me livrar da “dívida” como receber de volta o dinheirinho que a Receita me deve.
Mas aí o espírito de Kafka baixou no meio do caminho. O processo se complicou.
Cheguei tranqüilo à Receita, com quatro dias de antecedência do prazo fatal. Depois de uma hora e meia de espera, o funcionário que me atendeu exclamou, mesmo sem ler o texto da notificação: “Ah, não é aqui!”
Como não era ali, perguntei, mostrando-lhe que, pela notificação, eu devia comparecer à Receita. Com certo enfado, ele informou que o caso era com a Procuradoria da Fazenda Nacional. E que, também ele, não entendia por que a Receita continuava convocando os cidadãos enroscados na “malha de débito” às suas repartições: “Vem gente aqui todos os dias”.
Era uma sexta-feira, fim de expediente, já não havia tempo de alcançar a Procuradoria da Fazenda. Aguardei, ansioso, a segunda-feira, quando compareci à repartição federal certo de que, ali, poderia desfazer o equívoco. Não deu certo.
A moça atrás da mesa consultou o computador e, como se houvesse combinado com o funcionário da Receita, repetiu: “Ah, não é aqui!”
Mas como, se me disseram na Receita que o assunto é com a Procuradoria da Fazenda? Ela me explicou, até pacientemente, que eu deveria procurar a Procuradoria de Resende, no Estado do Rio, em cuja jurisdição se localiza o imóvel que não é meu há 17 anos.
Entre incrédulo e temeroso, pois estava em cima do prazo, indaguei se não poderia entrar com o meu requerimento de contestação da dívida na Procuradoria de São Paulo e esta, por sua vez, encaminhá-la à de Resende.
Afinal, trata-se de um órgão federal, e hoje em dia, com as maravilhas obradas pelos computadores, seria simples atestar que eu entrara com o requerimento.
Quase maternal, a moça me explicou que eu poderia dar entrada no requerimento, mas isso não garantia que o processo corresse antes de a Receita botar a mão no dinheiro da minha restituição e revertê-lo ao Patrimônio da União.
Como fazer, então, se o prazo (30 de junho) venceria no dia seguinte?
A moça sugeriu: “O senhor não tem alguém conhecido em Resende?”
Sendo totalmente desconhecido em Resende, decidi arriscar entrar com o requerimento em São Paulo mesmo. Ah, mas isso só poderia ser feito no dia seguinte – a data fatal! –, pois o expediente estava se encerrando.
À noite sonhei com baratas (o espírito de Kafka boiava na escuridão) mas, mal desperto, fui correndo logo de manhã à Procuradoria, onde protocolei o requerimento, ao qual juntei todas as certidões, devidamente seladas e com firma reconhecida.
Mas, gato escaldado, decidi repetir o processo enviando o requerimento e as cópias da papelada para a seccional da Procuradoria da Fazenda em Resende, primeiro por e-mail, em seguida pelo Sedex.
Achei que com tal providência estava tudo “cercado” e até suspirei de alívio. Qual o quê! Tocou o celular, era do Banco do Brasil me avisando que o contrato do cheque especial estava vencendo e não poderia ser renovado porque a Receita comunicara a minha situação de devedor.
Argumentei que estava, justamente naquele momento, tratando de comprovar a minha inocência. Tinha todos os documentos, posso apresentá-los ao banco. Do outro lado da linha, a informação que soava como uma sentença: “Não adianta, o senhor está no sistema”.
Por isso, deveria pagar, imediatamente, o que devia no cheque especial. “Mas eu não tenho esse valor agora”, ponderei inocentemente. Não adiantou. Ou pagaria ou meu nome seria enviado para o Serasa.
Mais uma vez, com maior intensidade, tremi na base. O Serasa está aí para defender credores contra devedores relapsos. É uma instituição do tipo faca no peito, ou paga ou será execrado publicamente.
Senti o peso do que é “cair no sistema”.
Resta-me agora rezar para que a seccional da Procuradoria em Resende examine direito a papelada que encaminhei. Por segurança, mandei e-mail para o procurador de lá, Carlos Fernando Dias de Souza, perguntando se ele recebera o e-mail.
Nem esperava, mas ele gentilmente me respondeu, confirmando o recebimento da mensagem eletrônica. Só que não tinham conseguido abrir os anexos com a documentação.
Mas já era alguma coisa. Agora é torcer para que a papelada que foi por Sedex chegue a Resende. Enquanto isso, resta-me a desagradável sensação de desconforto – e até de medo! – por ter caído no “sistema”.
Audálio Dantas
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:


Caro cidadão e contribuinte
As quadrilhas federais, estaduais e municipais estão soltas e agindo como querem desde o inicio da republica.Só lembramos a desse governo porque temos memoria curta mesmo. A quadrilha do Banco do Brasil esta me cobrando uma divida do cheque especial de dez anos atras, depois de pagar quase a totalidade e ganhar na justiça em duas instancias(est. e fed.) , dizem que devo exatamente:dois bilhões e quatrocentos milhões de REAIS. Devo ser o maior devedor pessoa fisica do pais. E não posso operar com o banco porque estou numa lista interna, o que é proibido e não tenho acesso ao projer do BNDES. Como solução vou me mudar com a esposa para meu pequeno sitio em MG, na serra da mantiqueira e torcer para não me encontrem nem para restituir nada. Ficar fora do sistema é a unica forma de sobreviver. Tudo é um grande teatro e nós os espectadores que temos ainda de pagar ingresso e caro. Somos apenas numeros. O ser humano como pessoa não existe mais.Boa sorte
Everaldo, não escreva em caixa alta,que você perde a razão.Não me pergunte ,porque.
Incrível: com minha mãe aconteceu a mesmíssima coisa (a cobrança), mas por outro motivo. Os 19 mil que minhã mãe pagou de imposto de renda indevido deveriam ser restituídos 5 anos atrás, mas qual não foi nossa surpresa ao receber uma carta de cobrança destes mesmos 19 mil, acrescidos de mora e juros. Soma final: 54 mil. É brincadeira??? E a via-crucis é a mesma, de cidade em cidade, de Receita em Receita.
Ninguém merece…
Caro Cotscho ; O assunto do momento é o LAMAÇAL que se encontra o senado federal e voce vem com este assunto que não tem nada com o momento atual ? Que VERGONHA a atuação do SArney , seu antecessor REnan , o namorador, e agora com o apoio do Lula que já chamou o Sarney de LADRÃO em outra oportunidade , estão hoje no mesmo BARCO . Que vergonha.
Meu querido Ricardo: Coitado do Audálio!!! Foi cair logo em Resende onde resido atualmente e também, aos 66 anos, vivo situação parecida. Aqui o assoalho do prédio da Justiça Federal desabou e tudo foi transferido para Volta redonda e os processos simplesmente pararam. Para “quem quiser que conte outra” que ele se refere, há uma pior: o INSS recusou certidão de tempo de serviço do antigo INAMPS ( o próprio INSS), obrigando-me a entrar com mandados de segurança que há dois anos estão parados na Justiça Federal e na tal Procuradoria da República, mesmo com as “prioridades de idoso” que tenho por minha sofrida velhice de jornalista… Veja você não consigo sequer o reconhecimento de tempo atestado de trabalho por não ter as CTPS que me foram roubadas numa saída à noite do JB no Rio, onde trabalhava… Mas, eu tinha a certidão autenticada, só que não sabia que “não vale”. O pior é que aqui os processos na Justiça, Procuradoria e coisas tais, não andam mais… O Audálio caiu no fundo do inferno do Kafka ou do Dante (sei lá!!) e ainda não sabe da missa a metade…
Eu concordo inteiramente com o Senador Tião Viana:
“É papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas”
Lula nada fez para evitar perda moral do Congresso, diz Viana
O Senador Tião Viana (PT-AC) afirmou, em entrevista publicada pela revista Veja desta semana que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nada fez para evitar a “desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso”. Segundo ele, os partidos estão mais fracos do que antes da posse de Lula e o Senado perde 80% de seu tempo em debates vazios.
“Lula nada fez para evitar a desconstrução e a perda de autoridade moral do Congresso. Os partidos estão mais fracos e deteriorados do que antes de sua posse. E é papel do chefe de Estado fazer com que as instituições como o Parlamento sejam vigorosas”, disse.
Viana afirmou que, até 2002, o Senado ainda era marcado por debates conceituais e ideológicos e cita como exemplo a votação da Reforma da Previdência no início do governo Lula. No entanto, ele ressaltou que, com o surgimento do escândalo do mensalão, “nada mais andou”, e o Congresso perdeu a conexão com os interesses do cidadão.
O senador disse acreditar que a disputa entre governo e oposição no “não leva a lugar nenhum”. “A Casa está em chamas. Perde 80% do tempo em debates vazios e gasta os 20% restantes numa disputa entre governo e oposição que não leva a lugar nenhum.”
Sarney
Em relação ao posicionamento de Lula de defender a permanência do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), Viana afirmou que Lula é “muito generoso com quem está em dificuldade”.
“Marcou a vida dele o fato de Sarney tê-lo defendido na eleição de 2002, quando enfrentou o governador paulista José Serra, e de ter sido solidário no episódio do mensalão. Por isso, Lula foi até onde pôde com a minha candidatura à presidência do Senado. Depois, olhou com pragmatismo para as eleições de 2010, que são fundamentais para o seu projeto de nação”.
Viana disputou com Sarney a presidência da Casa, em fevereiro e acabou perdendo para o peemedebista.
Celular emprestado
Em relação ao celular do Senado que emprestou à filha, para ela usar durante uma viagem de férias ao México – cuja conta ficou em R$ 14 mil – Viana disse que se tratou de um “ato irrefletido de um pai superprotetor”.
“A minha filha levou o celular só para receber ligações minhas ou da sua mãe. Tomei um susto com a conta, que chegou a essa soma por uma fatalidade”, disse.
O senador, que pagou a conta ao Senado logo depois que o caso veio à tona, disse que, para quitar a dívida, fez um empréstimo bancário para pagar em 72 vezes.
Está no TERRA…
Deu merda no Curriculum Vitae da “pretensa” futura Presidenta do Brasil… Mas não há nada de estranho nisso pois se o chefe dela acredita que a formação não é importante, visto que ele chegou até lá sem ter os “diproma” que a tucanada tem, daí a veicular (divulgar) no site oficial um ou outro curso (que não foi feito) não tem nada demais…
COMO É QUE PODE UMA COISA DESSAS???
Unicamp desconhece cursos de Dilma; ministério muda currículo
04 de julho de 2009 • 09h47 • atualizado às 09h59
O site oficial da Casa Civil informava que a ministra Dilma Rousseff era “mestre em teoria econômica pela Universidade de Campinas (Unicamp) e doutoranda em economia monetária e financeira pela mesma universidade”, apesar de ela não ter concluído nem mestrado nem doutorado, segundo reportagem da revista Piauí deste mês. A edição desta sábado do jornal O Globo repercute o assunto afirmando que, com a revelação, a Casa Civil foi obrigada a mudar o texto nesta sexta duas vezes.
A assessoria da Casa Civil admitiu, em nota divulgada na sexta-feira, que o site da Presidência da República informava erradamente que Dilma tem mestrado e é doutoranda. O diretor de registro acadêmico da Unicamp, Antônio Faggiani, confirmou que Dilma “nunca se matriculou em nenhum curso de mestrado na Unicamp”.
A revista Piauí constatou, por meio da verificação do arquivo morto da universidade, que a ministra chegou a se matricular no curso de doutorado, em 1998, mas o abandonou em 2004.
Mesmo assim, na Plataforma Lattes, base de dados de currículos e instituições, Dilma se identifica como mestra em ciência econômica, pela Unicamp, com título obtido em 1979, e informa que começou, em 1998, doutorado em ciências sociais aplicadas.
De acordo com O Globo, a Casa Civil informou que Dilma foi aluna do curso de pós-graduação (no nível mestrado) em ciências econômicas da Unicamp entre março de 1978 e julho de 1983. A ministra cumpriu os créditos exigidos pelo programa, mas não defendeu a dissertação, segundo ela, por ter assumido a Secretaria Municipal de Fazenda de Porto Alegre.
Ao entrar no doutorado, em 1998, novamente na Unicamp, ela também não defendeu a tese, porque foi novamente assumir cargo político – desta vez, na Secretaria de Minas, Energia e Comunicações do Rio Grande do Sul, de 1999 a 2002; em seguida, assumiu o Ministério de Minas e Energia (2003).
Ainda segundo o jornal, por conta da confusão, a informação foi corrigida no site da Casa Civil ao longo da sexta-feira. O texto foi trocado para “cursou mestrado e doutorado pela Unicamp”. Mais tarde, porém, outra modificação foi feita, com a inclusão do texto: “foi aluna de mestrado e doutorado em ciências econômicas pela Unicamp, onde concluiu os respectivos créditos”.
Redação Terra
Estranho como certas pessoas, no caso esse senhor Almir, que me acusa de querer transformar “um complicado caso de pendência financeira em algo simples”. Em que se baseia ela para dizer essa bobagem?
E como conclui, com tanta ligeireza, de que se trataria de uma “formalização de posse” que eu não teria “regularizado ao longo de décadas”.
Será que eu terei, além de comprovar junto ao Estado, de demonstrar ao sr. Almir que tenho escritura de compra, e não uma posse do imóvel em questão, assim como a regularização da faixa de Marinha, tendo comigo os recibos de pagamento das taxas devidas ao Patrimônio da União até a data em que vendi a propriedade.
Perguntarão por que me preocupo em responder besteiras como essas. É para não permitir que prosperem afirmações irresponsáveis sobre assuntos sérios.
Ricardo, observe que problemas são para todos, todos os dias. Mas, os homens que se acham acima do bem e do mal, quando são vitimados acham que é a esbórnia, o fim do mundo. Se nós fizermos tudo sempre certo ainda assim surgirá um desconfortável probleminha criado, inventado por um sistema novo, governo novo, Prefeito novo e ….. Se eu for contar os meus problemas aqui, aí você vai ver o que é tsunami. Vamos parar de reclamar e lembrar que o erro é o 1o passo para o acerto. Bola pra frente gente!
Engraçado!! A receita não percebeu os esquecimentos de Sarney….E, o castelo de Edmar? Pobres de nós cidadãos comuns que temos boa memória, fazemos a nossa própria contabilidade sem esquecer nada; e a RF esquece o que nós declaramos. São dois sistemas? Continuam os “Dois Brasis”?
É …o que fazer?
Caros Ricardo e Adálio Dantas.
Vocês são muito jovens e ainda não se acostumaram com os nossos governantes de plantão.O que importa é meter a mão no bolso do trouxa, digo contribuinte, vide pedágio ( valor escorchante), multas de trânsito, inspeção veícular de carros novos, curso para motoristas habilitados há mais de trinta anos dado por instrutores que não sabem nada, e por aí vai. É amigos como cordeirinhos vamos para o matador.
É nessas horas que ó nosso querido alagoano Audálio Dantas tem saudades da época de congressista. Se ainda fosse deputado, com certeza estaria tranquilo. Bastaria um telefonema aqui outro ali, e tudo estaria resolvido. A minha vingança é que muitos que hoje lá estão, serão um dia, como diz o nosso amado Presidente Lula, um cidadão comum, igualzinho o pobre Audálio.
Sindo adiantar para o Cidadão Audálio Dantas que não vai dar certo. Depois de “cair no sistema”, ninguém escapa assim com essa pressa toda. Para o “sistema” o tempo nao conta, até porque o Estado tem maiores prazos de prescrição e decadência do que o cidadão comum e, entre o prazo, diversas maneiras de interrompê-los e suspendê-los. Um lançamento indevido como o de Dantas, ocorrido em 1991, pelo bom senso teria “caducado” em 5 anos (ou seja, em 1996, oque já é um prazo grande, diga-se de passem). Mas o Estado tem o privilegio de lançar até 5 anos após o evento em divida ativa e tem mais 5 pra “executar” judicialmente e, uma vez ajuizado a prescrição não corre mais. Na prática o Estado leva 9 anos e 11 meses pra ajuizar e deixa dormir no cartorio o resto da vida. Quando o cidadão é efetivamente cobrado ele nem se lembra mais do fato que gerou a dívida e as circunstâncias em que ocorreu. Sorte do Dantas se lembrar, mas nao vai resolver nada, acredite.
Nos pessoas da sociedade temos o mal hábito de acreditar que somos sujeitos de direito, ou seja, “cidadãos”.
Achamos que trilhando pelo caminho correto, sendo contribuintes exemplares, cumprindo as leis e as ordens, estamos a salvo e vivemos em um mundo tranquilho.
Ledo engano.
A linha que separa a cidadania da ausencia dela é tenue, frágil e difuso.
Basta um nadica pra gente acordar em outro mundo. O mundo reverso da cidadania.
Kafka acordou diferente um dia, uma barata talvez; Dantas recebeu uma intimação (como o cidadão K); vc a consciencia pra devolver o que recebeu a mais; e uma coisa e outra e, de repente, a gente acorda no “sistema”.
Sair do “sistema” é que será a questão.
O Estado nao tem caráter.
Ou antes, o “caráter” do Estado é expresso pelas leis e pelas maneiras de aplicá-las.
Não basta uma lei boa; é necessário que faça uso dela o jurista honesto, comprometido com a ética e a construção da cidadania.
A lei, por si, não vale nada.
Mas, como vc já deve ter ouvido, “A lei? Ora, a lei…”; ou então, “para os amigos tudo, para o inimigo a lei”; etc
É reflexo daquilo que vivenciamos, ou melhor dizer, da maneira que a lei é empregada pelo agente da lei. A lei é expressa em palavras e palavras dependem de interpretação. Se o interprete for bom, responsável e livre de preconceitos (é um milagre encontrar alguem assim), a lei pode ser bem aplicada. Em geral não é.
E ai, cidadão crente que vive num mundo perfeito, acorda de repente em um pesadelo, amarrado por milhares de fios invisiveis. Vai escapar desta…
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Por isto não basta o agente, não basta o interprete. Tem que ter a participação da pessoa na construção da sua cidadania. Brigar. Brigar feio; elevar a voz; fazer-se ouvir; exigir.
Brasileiro não gosta disto, pacato cidadão.
Na maior parte das vezes prefere pagar e ficar quieto, remoer sua dor, a enfrentar o dragão de sete cabeças, “o sistema”
Com o Gilmar Mendes no STF dá pra pensar diferente?
Kotscho, faço uma sugestão se vc gosta de filme. Assista um filme lançado agora. “A troca”, direção de Clint Eastwood, e com Angelina Jolie.
É baseado numa historia verdadeira, ocorrida nos Estados Unidos durante os anos da depressão.
Conta a historia de uma mulher que se julgava uma cidadã, vivendo num mundo de direito, de perfeição.
Um fato especial (e doloroso) vai transformar sua vida.
Num instante ela deixa de ser “cidadã” e se enterra num pesadelo que durou toda sua vida.
Mas exemplarmente ela enfrentou o Estado, ou “o sistema”.
Correu atrás, deu a cara pra bater.
Doloroso, muito doloroso pra ela; mas sua luta mudou a vida de muita gente, porque os Estados Unidos, em razão da repercursao, tiveram que rever muitas leis, fazer muitas mudanças nas repartições. Enfim, a cidadania foi construida por ela, pessoa, e não por uma entidade abstrata chamada de “Estado”.
No filme, quem viu e se vc ver, tem uma cena exemplar e que pode passar desapercebida, mas é emblemática.
Quando ela é recebida na prisão para enfrentar e discutir (em busca da verdade) com o criminoso o carcereiro tem que agir e (pelas circunstâncias) deixa ela presa e leva o criminoso.
Vê-la ali, entre grades, enquanto o criminoso é levado é a inversao absoluta de valores.
Ela (cidadã) é que é refém do Estado.
Nela, neste instante, podemos nos espelhar todos nós.
Um abraço K e desculpe ter escrito tanto, não perco o vício quando tenho a oportunidade.
Bom final de semana a todos e dias melhores virão; sempre vem…
E salve o tricolor paulista amado clube brasileiro…
Passando para lembrar como funciona algumas democracias tão estimadas por nossa diplomacia:
IRÃ ENFORCA 20 TRAFICANTES DE DROGAS.
Grupo de 20 pessoas, todos condenados por compra, venda e posse de drogas, foi enforcado a oeste da capital.
A agência de notícias iraniana Fars, no Irã, informou neste sábado que 20 pessoas foram enforcadas, condenadas por tráfico de drogas.
Os enforcamentos ocorreram em uma prisão em Karaj, a oeste da capital iraniana Teerã.
Os 20 condenados foram enforcados na manhã deste sábado e todos tinham entre 35 e 48 anos de idade.
ISSO É QUE É DEMOCRACIA.
É tanta democracia que, nem a ONU e nem a anistia Internacional se manifestam. E, muito menos ainda, os direitos humanos.
Ricardo, solicito se possível um destaque a situação que relatarei abaixo tão absurda quanto a de seu amigo. Sou carioca moro no Rio e durante dois anos trabalhei para uma empresa cuja sede fica no estado do Espírito Santo. Decorridos esses dois anos a empresa por vários motivos resolveu fechar as portas, seu diretor compareceu ao Rio de Janeiro pagou os valores devidos a todos os funcionários, um total de 8, e ficou restando a homologação, que só poderia ser feita no Ministério do Trabalho por a empresa não ter CNPJ no Rio de Janeiro e não ter vinculação a nenhum sindicato do Rio. Começou ai a via crucis, o Ministério só marca dois funcionários por dia, por mas que voce implore. Existe uma pessoa que se diz a chefe , mas que quando recorremos a ela diz ser preciso falar com o chefe que nunca esta presente. Fui ao setor que marca no 12º andar e recebi um telefone, para marcação, perguntei onde ficava o setor. Aqui respondeu o funcionário, mas voce não pode marcar agora, eu perguntei, não disse ele só por telefone, na frente dele liguei do celular seu colega ao lado atendeu e eu marquei, acontece que só dois por dia e para agosto, devemos todos ir para vitória com as despesas pagas pela empresa para homologar lá, se isso não é exemplo de estupidez eu não sei mas o que é não coloco o nome e telefone da funcionaria pois não sei as implicações legais, mas se voce quiser tenho aqui anotados..
Olá, Ricardo. convido voc~e a fazer uma visita ao meu blog: http://nobatuquedojornalismo.blogspot.com/.
Ele é novo e trata de assuntos ligados ao jornalismo e ao cotidiano. Abraços
RK, cidadão cumpridor de todas as minhas obrigações com quem quer que seja, sei o que o nobre Audálio Dantas está passando. Também eu, pago, mensalmente, há anos, um valor, pequeno na verdade, mas injusto, por uma cobrança indevida sobre a declaração do IR/99. Não só não cosegui provar inocência, como, além de, visivelmente não me levarem a sério, olhavam-me como se eu estivesse contando uma mentira simplória, embutida num enredo imbecil.
Aos sessenta e sete anos, não aprendi, até hoje, como se faz, neste país, para deixar de ser babaca, bobo, honesto e passar a fazer parte daquela outra parcela da população a que pertencem os que sempre se dão bem. Parece que Kafka, além de brasileiro, era cidadão comum.
cair no SISTEMA nao é mole,
quem manda nao ser amigo do REI,
se fosse amigo do reisarney nada disso teria acontecido,
é lamentavel ser Brasileiro e lidar com Brasileiros quando sao funcionarios publicos
Lúcifer 13:26
Em sua homenagem e em caixa baixa, “senhora da razão”
Senhor Senador
Vossa incelência né tú
Vossa incelência é eu
Que pago o teu salário
Só pra tu butá no meu
Mais um dia Belzebú
Vai butá toda no teu
E tu vai te perguntar
O que foi que aconteceu ?
Pro ladrões da república que por hora está no senado não tem esse zelo todo da receita federal. Meu Deus, que BURROCRACIA!