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24/06/2009 - 10:17

Afinal, quantos anos vai fazer Audálio Dantas?

Nos últimos dias, comecei a receber e-mails de amigos comuns me perguntando se não iria escrever nada sobre os 80 anos do Audálio Dantas. Como sabem, aqui no Balaio o leitor é também pauteiro.

Nem eu, que sou amigo e parceiro deste grande jornalista e cidadão desde os anos 60 do século passado, sabia da iminência de tão importante efeméride.

Sabia que Audálio há tempos tinha passado dos 70, ainda em plena e produtiva atividade, mas não que estivesse próximo de se tornar um octogenário.

Para quem não sabe ou não se lembra, ele foi o líder dos jornalistas paulistas na resistência à ditadura militar e teve papel fundamental na resistência à ditadura militar naqueles trágicos dias do assassinato de Vlado Herzog. Foi dirigente sindical e deputado federal, mas nunca deixou de ser um repórter eternamente com ânimo de principiante.

Atualmente editor da revista Negócios da Comunicação, poderia escrever milhares de caracteres sobre a sua brilhante carreira, com passagens marcantes nos bons tempos das revistas O Cruzeiro e Realidade, ou como autor de um monte de livros, mas fiquei com aquela dúvida na cabeça: ele já vai mesmo fazer 80 anos?

Achei melhor consultar primeiro sua mulher, a onipresente e dedicada Vanira, mas ela também não me ajudou muito com sua enigmática resposta:

“Você me perguntou se ele vai fazer 80 anos (no dia 8 de julho). A resposta é não e sim. E aí é melhor que ele lhe explique ou lhe confunda mais”.

No dia seguinte, Audálio resolveu desfazer o mistério escrevendo-me de próprio punho a verdadeira história sobre a sua idade.

“Pois então, resolvo a questão. Confusão desse tipo é coisa lá de cima, tá aí o Lula que não me deixa mentir.

Seguinte: lá no Tanque d´Arca, onde nasci, tinha cartório, escrivão e tudo mais, porém meu pai, homem de muito capricho, achou que para o menino ficaria melhor um registro em Maceió, portentosa capital do Estado de Alagoas.

Foi deixando, foi deixando, e quando resolveu eu já estava taludinho e, segundo várias testemunhas, muito inteligente. Merecia até estudar.

Andava pelos 7 anos e, garantiam, poderia ter um brilhante futuro na Marinha Brasileira, onde poderia estudar de graça. E foi para apressar a possibilidade de ingresso na Escola de Aprendizes Marinheiros que me botaram mais três anos nas costas.

Assim, meu caro, tenho duas idades: a oficial, no papel, e a verdadeira, mas só consta da tradição oral, familiar.

Escolha aí a que você prefere festejar. Aceito presentes em duplicidade. A conclusão desta história é: a Marinha perdeu a oportunidade de contar com a minha contribuição.

Lá eu seria, no mínimo, capitão-de-mar-e-paz. Quem sabe, até um almirante daqueles cobertos de galões e medalhas. O mais provável, porém, seria pegar uma cana por considerar legítima a Revolta da Chibata…

Taí, escolha as armas.

Do seu amigo e ex-quase marujo

Audálio”

Seja como for, meus parabéns antecipados, velho amigo Audálio, homem bom de briga e de festa, grande contador de histórias. 

A novela do cigarro

Numa terra onde tudo vira novela sem data para a acabar, informo aos leitores interessados que já mudou tudo de novo na cruzada da lei antifumo.

Nesta terça-feira, o juiz Valter Alexandre Mena, da 3ª Vara da Fazenda Pública, anulou a proibição de fumódromos em São Paulo, como determinava a lei antifumo do governador José Serra, que deveria entrar em vigor no começo de agosto.

“Além de permitir os fumódromos, a sentença de Mena desobriga donos de bares e restaurantes de chamar a polícia quando alguém estiver fumando e também suspende a aplicação de multas”, informa a Folha.

Ou seja, volta tudo a ser como antes e os fiscais da lei antifumo ficam temporariamente desobrigados de caçar os infratores com o cigarro na boca.

Luiz Antonio Guimarães Marrey, secretário de Estado da Justiça, já anunciou que o governo vai recorrer da sentença e que a lei será mantida.

“Já temos decisão do Supremo Tribunal Federal no sentido de que o Estado pode legislar sobre o fumo”.

Ah, bom. Então, podemos ficar tranquilos. Outra vez, o STF vai decidir o final de mais esta novela.  

Balaio número 300

Nem me tinha dado conta, mas hoje descobri que chegamos a 300 textos publicados no Balaio desde setembro do ano passado, sem recorrer ao copia-e-cola, nem a abobrinhas e ajudantes.

Nunca escrevi tanto e com tanta frequência em nenhum outro lugar onde já trabalhei, mas o mais importante foi constatar que também nunca tantos leitores comentaram meus textos.

Melhor ainda: a cada semana, fico mais orgulhoso não só com a quantidade, mas com a qualidade destes comentários, que transformaram o Balaio num belo fórum de debates, quase sempre de alto nível, em que os leitores discutem todo tipo de assunto. Discutem tanto que até criaram uma filial no Google, o Boteco do Balaio.

A cada dia fica mais prazeroso meu papel de moderador de comentários.  

Meu muito obrigado a todos os balaieiros.

Vida que segue.

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

66 comentários para “Afinal, quantos anos vai fazer Audálio Dantas?”

  1. DR. OSWALDO disse:

    EM HOMENAGEM A VLADO, TEMOS QUE COMENTAR SARNEY TODOS OS DIAS,OU NÃO FOI COM A ROUBALHEIRA QUE OS MILICOS ENTRARAM NA HISTÓRIA?

  2. Manoel Ferreira disse:

    Estimado Vevé, hoje tava aqui repassando o zóio pra vê se alguém assuntô a prosa e vi tú minnu!

    Everaldo querido, minha garotinha mais velha, auela que quase ficou com jesus este final de ano, sempre me envia um textinho, e hoje lendo este que vou te passar no ar, não tive como não me lembrar de pessoas de que tanto gosto neste aparelhinho amravilhoso o tal de computador como você o Ribinho o Veím Ricardim, o Enio o Luiz o mauricio que não teno mais visto, a Norminha, enfim sria uma injustiça eu continuar lembrando pois certamente esa merd…de doença que faz a gente esquecer na janta o que comeu no almoço ´´e complicada, mais véio é assim, se escapa de uma a outra te apanha!

    Vá lá esta vai em teu favô e dos nossos amigos.

    Queridos:

    Depois de algum tempo você percebe a diferença,
    a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

    Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido,

    o mundo não pára para que você o conserte.

    E você aprende que amar não significa apoiar-se,

    e que companhia nem sempre significa segurança.

    E começa a aprender que beijos não são contratos e

    presentes não são promessas.

    Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

    E aprende que não importa o quanto você se importe,

    algumas pessoas simplesmente não se importam…

    Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto

    e não com a tristeza de uma criança.

    Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

    E o que importa não é o que você tem na vida,

    mas quem você tem na vida.

    E que bons amigos são a família

    que nos permitiram escolher.

    Aprende que não temos que mudar de amigos

    se compreendemos que os amigos mudam,

    Percebe que seu amigo e você podem fazer qualquer coisa,

    ou nada, e terem bons momentos juntos.

    Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

    Aprende que, ou você controla seus atos,

    ou eles o controlarão,

    e que ser flexível não significa ser fraco ou

    não ter personalidade,

    pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

    Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

    Aprende que paciência requer muita prática.

    Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera

    que lhe chute quando você cai é uma das poucas

    que o ajudam a se levantar.

    Aprende que nunca se deve dizer a uma criança

    que sonhos são bobagens,

    poucas coisas são tão humilhantes e

    seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

    Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado

    por alguém, algumas vezes você tem que aprender

    a perdoar a si mesmo.

    Aprende que com a mesma severidade com que julga,

    você será em algum momento condenado.

    Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

    Um big abraço à todos os balaieiros, os que conheço e os que estão chegando, estamos só na edição 300, quando chegar a um milhão a gente vai repensar em tudo.

    Mané Ferreira “Graviola”

  3. Ricardo Viveiros disse:

    Amigos,

    Essa salutar polêmica não me preocupa, a rigor é apenas uma iniciativa do sempre instigante Kotscho para dar margem a um só intento: lembrar, com respeito e alegria, que o Audálio está vivo, produtivo e, cada vez mais, lutador pelo que possa interessar à coletividade — aliás, como bom jornalista e escritor que sempre foi.

    Agora, pensar no Audálio como um militar da Marinha, só se for para compará-lo ao Pancetti, o pintor e poeta das cores do mar…

    Audálio, que venham outros tantos anos, depois destes primeiros 80!!!

    Um beijo antecipado do seu admirador, colega e amigo.

    Ricardo Viveiros

    PS.: A Marcia, o Felipe e o Miguel também concordam com o dito acima.

  4. Sineval Rodrigues disse:

    Caro Audálio

    Parabéns pelos + ou – 80 anos. De fato, olhando para você não dá para acreditar. Só mesmo olhando para sua história pessoal e profissional e, sobretudo, para o que todos nós democratas lhe devemos, pelo seu empenho e coragem, é que se pode ter idéia desse tanto de vida.

    Na marinha ou, em qualquer outro lugar, você teria feito arruaça igual e teria feito jus ao título de Almirante ( do Árabe amir al bahar = principe dos mares). É do seu destino de “partisan” que se fosse para a marinha, ao gosto de seu pai, teria se tornado um Almirante Negro, como João Candido ou um “Dragão do Mar” como o cearense Francisco José do Nascimento.

    Para nossa sorte tornou-se o “DRAGÃO DAS LETRAS”, Marechal-Almirante de escribas de norte a sul.

    Pode trazer o bolo e o guaraná!!!

  5. JOAO VENCESLAU disse:

    Gostaria de deixar mais uma vez minha opinião sobre esta lei antifumo, da qual concordo com parte dela. Concordo com a proibição de se fumar em lugares publicos o que hoje mesmo sem a tal lei todo mundo respeita e não precisa de fiscal, segurança ou quem quer que seja para as pessoas respeitarem, então me parece que esta tal lei é mais uma tentativa do sr. Serra tentar se projetar na mídia e dizer em sua provavel campanha eleitoral que ele se preocupa com a saúde do povo e blablabla, volto a perguntar (isso eu que sou fumante e costumo respeitar ambientes, casas de amigos e outros lugares) porque não proibir a fabricação e comercialização do cigarro, porque sempre sobra para o povão (e também para os donos de estabelecimentos) que pagam seus impostos, empregam e ainda serão responsabilizados pelos atos de nós fumantes.

  6. Sonia N. Cavalheiro disse:

    Mas que barbaridade, chê! Mais um aninho no balaio do sr. Audálio! O tempo passa. E o vento sabe a resposta, de Norte a Sul do país: quantos anos, não importa, mas como os viveu! Sem medo de ser feliz.
    Com seus olhinhos infantis, lá ia o menino Audálio pra marinha se alistar. Mas o mar, ficou a ver navios. Felizes ficamos nós, por tão bom jornalista ganhar. Tão real, que a Realidade o quis. Tão verdadeiro que trabalhou no O Cruzeiro. No Sindicato fez história. E sua história escreve com fé e coragem! Muitos causos na bagagem, o menino ainda sonha. E vai remando, levando seus livros, textos, reportagens, idéias e sonhos pra todas as paragens.
    Quantos anos, não importa! Vale mesmo é tê-lo por perto, feliz e esperto.
    Parabéns, sr. Audálio Dantas, mestre no jornalismo e na vida. Um brinde à sua
    feliz idade! Sempre!
    Assino embaixo,
    Sonia Cavalheiro

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