E não é que o Dunga montou um belo time?
Está dando gosto de ver a seleção brasileira jogar. No passeio de domingo contra a Itália, 3 a 0 foi pouco diante da superioridade do Brasil, em que o time chegou a lembrar em alguns momentos, 39 anos depois da conquista no México, aquela seleção que empolgou o mundo no tricampeonato de Pelé e cia.
A começar pelo excelente goleiro Júlio Cesar, o capitão Lúcio no melhor momento da sua carreira, comandando uma zaga que dá segurança ao time e à torcida, um meio de campo que ficou mais rápido e criativo nos pés do mineirinho Ramires, e com Kaká, Robinho e Luis Fabiano, os três tenores matadores no ataque, o Brasil montou um belo time. Como antigamente, não só ganha como joga bonito.
Quem é o principal responsável? Pois é, quase não falam mais nele agora que a seleção se reencontrou com seu melhor futebol, mas temos que fazer justiça ao técnico Dunga, tão malhado por todo mundo quando assumiu a seleção brasileira três anos atrás.
Podem reparar: quando a seleção vai mal, Dunga vai para a manchete. Mas, se tudo dá certo, como na Copa das Confederações da África do Sul, quase ninguém se lembra do técnico que devolveu a alegria e a confiança à torcida brasileira.
Ele continua ranzinza, não dá bola para jornalistas estrelados, usa aquelas roupas esquisitas, mas está sendo uma bela surpresa como maestro deste Brasil praticamente classificado para a Copa de 2010, com uma antecedência que há muito tempo não acontecia.
Sem nunca ter sido técnico de nenhum outro time antes de assumir o comando da seleção brasileira, Dunga não quer posar de grande estrategista, é econômico e rude nas palavras, não dá espetáculo na beira do campo.
Aos poucos, foi renovando o time, sem fazer muito alarde nem promover rupturas, trazendo um ou outro novo jogador para atuar ao lado dos remanescentes do fracasso de 2006 na Alemanha.
Trouxe de volta Luis Fabiano, agora o artilheiro do time, descobriu este Felipe Melo jogando não sei aonde e teve coragem de efetivar Ramires, rara e bela revelação deste ano nos campos nacionais.
A impressão que me dá é que Dunga conseguiu o mais importante para qualquer treinador: tem o grupo na mão e é respeitado pelos jogadores, manda sem querer aparecer, vai ajustando melhor o time a cada jogo.
Agora só falta achar um lateral esquerdo porque o resto do time está montado, com mais de 11 titulares podendo dar conta do recado, sem que as substituições mudem o jeito do time jogar _ um jeito fácil, de toques rápidos até o ataque, a bola correndo de pé em pé como na pintura do segundo gol de Luis Fabiano numa troca de passes em alta velocidade com Kaká.
Quem diria, quem esperava? Está na hora de batermos palmas para Dunga, que o gaúcho merece.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

O ARTHUR “NÃO SABIA”!!!!
Senado torrou R$ 1,5 bilhão em gratificações em 6 anos.Senador Arthur Virgílio não sabia e dá solução para o caso.SEIS ANOS E ELE NÃO SABIA.É MOLE?
O Senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, anda dizendo na maior candura: “Podemos funcionar com uma estrutura bem mais enxuta. Incharam a Casa sem proveito da coletividade”.
É õu não é um tremendo cara de pau? O sujeito mamou na “grana torrada” e agora ve pregar o evangelho.
Em tempo. ……corrigindo,,,, para ser respeitado é preciso respeitar……….. dos brasileiros que lhe passaram uma ………. para que o mesmo.
em tempo Muricy é dez , Sarney é 9,9. 0,1 falta Sr. Sarney pensar um pouco e analisar as competencias. Suas pretencões não demasiadas em não pensar que afetam sua vida publica. Ele precisa acreditar as vezes Um erro consegue matar mil acertos.
Dunga para técnico do São Paulo!!!
O Fábio Aurélio, ex-São Paulo, está arrebentando no Liverpool. Seria um bom lateral-esquerdo para essa posição.
Kotscho,
não esqueça do Jorginho, auxiliar técnico. Creio que ele tem alto percentual de contribuição no esquema cada vez mais veloz da seleção
zeh
sra fe..a senhora também está errada…o ramires é carioca…….ele foi pro joinville e de lá para o cruzeiro graças a observaçao do ex-zagueiro gottardo q hj é seu empresário…
Te acompanho de longe, muito longe do Brasi ( vivo em Jerusalém) e hoje tomei coragem para comentar.
Você foi perfeito na sua analise sobre o futebol que a seleção vem jogando e, principalmente, sobre a coragem do Dunga que agora deveria ser aplaudido. Eu vou além. Os nossos nobres colegas deveriam pedir desculpas ao técnico da seleção que bravamente não sucumbiu à perseguição e ao mau-humor deles.
Não espere manchetes sobre o sucesso do Dunga. Quem as produz só se interessa pelos fracassos.
Um abs,
Kotscho, gosto muito de futebol e já joguei, mas isso é pra outro papo. Tenho tese específica sobre táticas e esquemas de jogo: Não existem, simplesmente porque a fluência do jogo gira em torno das características pessoas de cada jogador e de outros fatores de vida. Quanto jornalista e técnico engana com esse papo de esquemas.
Hoje vou encher a paciência de vocês com um capítulo de meu livro “Como nascem os deuses da bola”, prefaciado por Juca Kfoury a quem, infelizmente, nem conheço pessoalmente, mas me deu essa honra por e-mail. Bendita internet e generosidade de Juca.
É o que segue:
SÓ VALE ESQUEMA DE JOGO SE FOR COMBINADO
Como se pode classificar o comportamento, a alma, o espírito, a mente, a psique, o jeito, o caráter comum ou a estrutura de pensamento (como quer agora o criador da Filosofia Clínica Lúcio Packter com uma terapia alternativa da historicidade) do jogador brasileiro? Mais que as discussões semânticas, interessa-me o quadro pessoal de cada jogador na relação com seu treinador, como se o jogador fosse o tema de uma pintura e o treinador a moldura que a sustenta. Nesse caso, alinho-me com a Filosofia Clínica ao entender quanto é fundamental a história completa de cada ser humano para se compreender as circunstâncias únicas de sua vida.
Na verdade, como já disse, espelho-me em minha própria experiência de vida e intuição para entender a marca do futebol brasileiro e ponderar que esta poderia se tornar ainda mais valorizada. Para isso bastaria ao jogador conhecer um pouco melhor os meandros de sua vida, no que é essencial a participação do treinador ou técnico de futebol e de um terapeuta, desde que esse ame o futebol e o compreenda. Talvez seja esse o papel do treinador e quiçá o fato de não desempenhá-lo explique o reduzido número de treinadores competentes, o que explica em parte porque eles se submetem a rodízios curtos nos clubes de futebol. Sai técnico, entra técnico, num piscar de olhos.
Costumo dizer que vivemos, mas prestamos pouca atenção em nossa própria vida. Daí a necessidade no futebol, de conseguir pessoas adequadas para entender as circunstâncias de vida de cada jogador. De onde ele veio? Quais seus endereços ao longo da vida e que influência tiveram tais situações sobre sua somaticidade e o que de significativo trazem consigo? Como se relaciona com o tempo? É cronológico ou subjetivo? Liga-se mais ao presente, ao passado ou ao futuro? Sua voz do tempo acomoda-se na passiva ou vibra na ativa? Enfim, como se dão suas relações com o meio e com as pessoas e qual a qualidade delas? Isso ajuda a estabelecer as circunstâncias que permitirão quase mapear os modos de viver da cada jogador.
Valem os exemplos que seguem, para um melhor entendimento. Um sobrinho meu, que começou no futebol de salão e, agora treina num time de Londrina, o PSTC, que já preparou vários jogadores para o Atlético Paranaense, inclusive o Kleberson, campeão do Mundo no Japão. De vez em quando vou à casa de minha irmã e posso assistir ao vivo um pouco do dia-a-dia do Vinicius. Trata-se apenas de um segmento da sua vida: a mãe prepara o prato de comida para o adolescente. Prestativa, ela não abre mão de dispor sempre seu prato, a cada refeição. O adolescente escolhe o que comer e ela arranja o prato segundo seu desejo. Aí fica prontinho. É só devorar a pratada. Diante desta arrumação repetitiva, eu meti minha colher:
– Vi (é o apelido do sobrinho), imagine você em velocidade com a bola pela esquerda durante uma partida. Então chega o momento de decidir: ou avança até a linha de fundo para fazer um cruzamento ou escolhe um companheiro próximo para lhe dar um passe preciso e seguro. Pois bem, no instante da dúvida, você prende a bola, pede um tempo para os zagueiros adversários, vira-se para a arquibancada onde está sua mãe e grita: “Mãe, cruzo ou dou um passe curto?”. É como se lhe pedisse para aprontar seu prato de comida.
Vinicius, de poucas falas, olha-me com um sorriso amarelo:
– Ô, tio, depois dessa vou ter de me virar por conta própria, a começar pelo meu prato de comida. Tá entendido.
A conversa acaba com um tapinha nas costas do adolescente. E logo o imagino mais ousado (depois de preparar ele próprio seu prato de comida), tentando chegar à linha de fundo para efetuar o cruzamento.
Agora vamos considerar outra história com características distintas e opostas à anterior. Imaginemos um jogador de futebol, juvenil, com possibilidades de se tornar profissional. Em sua infância quase sempre permanecia sozinho em casa, pois sua mãe trabalhava numa fábrica de refrigerantes. Com medo de que o filho se perdesse na rua ou sofresse algum acidente, ela o deixava praticamente preso em casa. Para distraí-lo comprava freqüentemente jogos de quebra-cabeças com os quais o menino brincava sozinho. E isso se deu por vários anos. A vida tornou-se um jogo para o garoto, com o espaço da casa reservado só para ele, sem competidores por perto. Tudo fazia parte de um jogo solitário, sem concorrentes. Por isso, tomava posse de todos os espaços da casa sem que precisasse invadir o universo de ninguém. Até que um dia teve de assumir responsabilidades na escola, onde já não estava só. É fácil concluir o que lhe aconteceu. No espaço novo, continuou a brincar como se a vida fosse um jogo que lhe permitisse a invasão das áreas dos outros meninos e meninas e, como se qualquer canto fosse apenas dele. Estava criada a cena para o surgimento de conflitos e a constatação de sua incapacidade para atuar coletivamente, sem usurpar o ambiente alheio. Passou então a sentir insegurança e grande dificuldade de entrosar-se em atividades coletivas. As regras haviam mudado, mas para ele tudo parecia continuar como antes: brinquedo sem concorrentes e espaço só para ele. Já não era nem mais uma coisa, nem a outra. Ele tinha que fazer escolhas, mas não conseguia. Seu jogo permanecia o mesmo. Não admitia variações, nem competidores. Por isso, quando começou a trabalhar (garoto brasileiro começa a trabalhar muito cedo) não parava nos empregos por muito tempo.
Ao ingressar no futebol, reapareceram as mesmas dificuldades para o garoto. Seu jogo permanecia o mesmo. Não admitia variações nem competidores.
Se o treinador não levar em consideração a história desse jogador, irá considerÁ-lo portador de um egocentrismo exacerbado e perderá a paciência com ele, achando que não tem os requisitos necessários para a convivência social. Por desconhecer as circunstâncias únicas dessa vida, provavelmente o treinador abandonaria ao léu um garoto com todas as credenciais para se tornar um craque e se consagrar. Com base em minhas crenças e observações, acredito que não é bom treinador aquele que não se interessa pelo menos um pouco pela história de vida de seus atletas.
Telê Santana foi, na minha opinião, um terapeuta nato além de conhecedor do jogo da bola. O respeito que todos os jogadores dedicam a ele, inclusive Zico e Sócrates, soa como aval para sua seriedade em mergulhar nos melhores estímulos da alma humana. Por exemplo, talvez Telê tenha sido fundamental para tornar Cafu um dos melhores laterais do mundo.
Não conheço o mestre Telê, como todos o chamam, mas atitudes dele me fazem supor que foi um craque interativo em suas relações com os jogadores. Sem êxito, Cafu havia feito testes em inúmeros times de futebol, a maioria deles pequenos clubes. Apesar de reprovado, não desistia de tentar num outro canto qualquer. Telê Santana deve ter tomado conhecimento dessa persistência e programou para o novato Cafu sessões de cruzamentos da linha de fundo para a área: embaixo e em cima, embaixo e em cima. Provavelmente, Cafu nunca se cansava antes que o Mestre. De tanto tentar, o lateral aprendeu a cruzar razoavelmente. As sessões e sucessões de bolas cruzadas no treinamento e a repetição de outros fundamentos básicos para o futebol acabaram ajudando Cafu a chegar onde queria. O sonho dele foi regado a suor, e Telê Santana, como técnico, percebeu que a eficiência viria, pois o garoto não se incomodava em suar. E dá-lhe suar. Cafu a correr e a cruzar e Telê por perto a estimular a repetição do mesmo gesto até Cafu ser aprovado.
O que distingue as pessoas mais lúcidas daquelas menos atentas à vida está na forma com que cada uma faz uso do juízo crítico que só se obtêm com perguntas adequadas. Então a pergunta: por que Cafu deu certo num time grande como o Tricolor no Morumbi e nunca se destacou nos bicolores dos mequetrefes? Ora, o garoto pobre do Jardim Irene só foi encontrar um treinador capaz de entendê-lo na figura de Telê Santana, que transformou Cafu num jogador capaz de se consagrar em qualquer time do mundo.
Costuma-se dizer no meio futebolístico que há jogadores para determinado time ou só para alguns times. Será isso verdade, ou falta perguntar por que isso parece acontecer? Pode-se encontrar uma resposta? Por que o ambiente dos times, nos quais alguns jogadores dão certo configura-se no limite do possível e aceitável para eles? Para mim, não há dúvida que a compreensão de treinadores, de pessoas próximas e de circunstâncias criadas em determinados clubes ajustaram-se ao modo de ser desses jogadores. Sendo assim, seria possível criar condições para os bons jogadores atuarem sempre bem em qualquer time. Se algum time compôs as condições adequadas para um atleta desfilar todo seu potencial, qualquer outro pode também consentir a mesma licença.
Volto à emoção da lembrança de Orlando, meu amigo alcoólatra, massagista do time do Jandaia, em que joguei. Ele não devia estar em sã consciência quando enfrentou um dos dirigentes do time que não queria me admitir porque minha altura não passava de um metro e sessenta e nove. Orlando contou-me que se dirigiu a ele perguntando se me tinha visto devolver bolas redondas com o peito do pé. Desfilou outros argumentos, concluindo agressivamente que o dirigente não entendia nada de bola. Quando fiz o gol da vitória da primeira partida decisiva, a seis minutos da final, de fora da área, Orlando correu para o diretor gritando: “Não falei? Foi ele. Eu não falei? Eu não falei? Foi ele”. E esperou o apito final para me dar um abraço de campeão à beira do campo. Orlando foi um dos meus terapeutas-confidentes. Não fosse o estímulo de Orlando e de outras pessoas talvez eu tivesse de tentar me provar que sabia jogar bola, embora no Alviverde do Parque Antártica, Júlio Botelho já havia me aconselhado a fazer isso. Lição aprendida: se o treinador de futebol não ler a alma humana não ganha títulos, a não ser que tenha às mãos craques prontos a dispensarem treinador e esquemas. Tal como diria Lula (treinador do Santos de Pelé) ao entregar a camisa numerada aos onze santistas que escreveriam no gramado a poesia de se jogar bola: “Taí as camisas. Entrem em campo e façam o que sabem fazer. Eu não tenho nada a dizer”. Qual era o esquema desse time inesquecível? Fantástico.
No site AOL deparo-me, em 10 de maio de 2005, com uma entrevista de Tostão, um dos grandes talentos do futebol dentro de campo. Fora dele, continua com a classe que demonstrava no trato com a bola. Em seus artigos e comentários é capaz de considerar aspectos que usualmente poucos vêem. Alegro-me ao notar que algumas de suas posições coincidem com argumentos que pondero.
A uma pergunta do repórter AOL sobre a figura do técnico de futebol, Tostão observa que o treinador “é o catalisador. Pode ajudar um pouco, mas pouco. Ele não cria o entrosamento no time, apenas o favorece, ao colocar os jogadores na posição correta, ou ao dar um toque sobre algum detalhe. Não tem o poder de fazer acontecer. Há jogadores que são escalados juntos e que podem jogar vinte anos, lado a lado, que não vão dar certo nunca. Tem que haver uma empatia”.
E Tostão explica como se dá o entendimento: “Os jogadores se entrosam, entre outros fatores, quando suas características se completam. E isso acontece imediatamente, porque um tem muito aquilo que o outro não tem. Há uma troca de informações técnicas, como se fosse um computador de altíssima velocidade. Só com o olhar, com um gesto, com o posicionamento, um consegue transmitir ao outro o que pretende fazer”.
Para mim continuam fundamentais as lições dos jogos de peladas para a manutenção das características básicas e criativas do futebol brasileiro que fizeram dele o mais encantado que já se viu. Pelo fato de se reunirem eventualmente em campinhos de terrenos baldios para os jogos, pode-se supor que os times de meninos não chegavam a apresentar entrosamento. Engano. Apesar de os times ser organizados com os jogadores “escolhidos” pelos líderes, cria-se não só o espírito de competição, mas também a empatia entre os jogadores do mesmo time, favorecendo os ajustes necessários entre os meninos atletas. Por se julgar preferido, cada um se sentia integrado ao time democraticamente, o que gerava o entendimento e a vontade de ganhar.
No início do capítulo discorremos sobre a necessidade de entender como se deu e se dá a estrutura de pensamento de cada jogador de futebol, tendo em vista suas peculiaridades. Há estatísticas para tudo e muitas delas são imprecisas ou até dispensáveis. Aquelas que se aplicam ao futebol muitas vezes caem no ridículo e viram piada. Aí volta a entrevista de Tostão. Nela, o repórter menciona o empobrecimento do futebol e pergunta se não é devido “à forte marcação e ao pouco espaço de manobra” E acrescenta: “alguém já constatou numa pesquisa que na Copa de 1970 Pelé dispunha, em média, de oito segundos para trabalhar a bola, a partir do momento em que a recebia, enquanto Romário, em 1994, tinha apenas um segundo”. Tostão dessa vez responde de modo contundente, inevitável a quem viveu intensamente a experiência do futebol. É categórico: “Isso é conversa de quem não entende nada de futebol. Romário atua em espaço curto, enquanto Pelé era um jogador de investida, de pique longo. Os espaços podem ser abertos, quando o jogador tem qualidade para isso. Quantas vezes eu vejo Ronaldo ou Ronaldinho pegar uma bola no meio do campo e chegar lá dentro do gol? Ronaldo, principalmente, está cansado de fazer gols arrancando em direção à área”.
Pessoalmente, eu já distinguia para mim mesmo a diferença entre a forma de jogar de um gênio e a de um jogador comum. Creio que seria desnecessário discriminá-las diante do que já consideramos, mas há algo na própria pergunta do repórter a Tostão que merece ser ajuizado. Trata-se justamente do tempo que cada jogador tem para pensar uma jogada sem se sentir pressionado. Um gênio da bola tem intuição lépida da relatividade e, provavelmente, seu tempo não é cronológico, não é o tempo do relógio. Vamos tomar como exemplo um jogador atual: Robinho. Ele parece entender que o tempo está relacionado ao lugar que ocupa ou decide de repente ocupar em campo. Ao mudar repentinamente de posição e rumo, não só ganha tempo para desenvolver uma jogada, como desorganiza o tempo que os adversários programavam para detê-lo. Com isso também se abrem espaços para companheiros menos técnicos que receberão de presente um tempo maior para realizar as jogadas. Eu diria que o craque é o senhor do tempo. O tempo, pois, para Robinho e para outros gênios da bola se dá no passado, no presente e no futuro, com necessidade de apenas frações de segundo para aproveitá-lo com fantasia. Isso só é possível em razão da habilidade deles. Assim confundem a estatística que deve se perguntar diante de suas performances: como pode ter feito dois gols se tocou apenas cinco vezes na bola? Só que a estatística estabelece os números de toques e os gols, mas não consegue avaliar a qualidade desses toques e não distingue entre o tempo de um craque e o de um jogador comum. A estatística registra o gol, mas não a habilidade dos gestos espetaculares e imprevisíveis utilizados para a conclusão da jogada. Além disso, os craques às vezes fingem-se de passivos e, repentinamente, tornam-se surpreendentemente ativos. Assim se dá o tempo do craque.
Além disso, o exímio tratador da bola sempre está mais perto dela. A bola pouco se afasta de seu corpo o que lhe dá a vantagem de precisar de menos tempo para penteá-la. Não bastasse isso, o gênio da bola estabelece uma empatia com os demais jogadores do time que, ao perceberem suas características incomuns, aliam-se a elas para produzir um time solidário e fantasioso. Daí que um bom treinador será aquele que perceber com seus jogadores qual a forma de cada um deles jogar. E, se tiver gênios no time, será ainda mais fácil obter desempenho superior. É por essas razões que sempre dará certo a escalação de craques como Robinho, Kaká, Ronaldo, Adriano e Ronaldinho Gaúcho na Seleção Brasileira ao mesmo tempo. Bastará apenas que um entenda e se encaixe nas características do outro. Como cada um deles tem a cadência do seu tempo, pressupõe com mais exatidão o uso do tempo dos demais. Para eles não há ciência nisso, pois o encanto da poesia de um sintoniza com a do outro. Então fica tudo mais fácil, artístico e encantador. Até o tempo samba quando o craque brasileiro se agita.
Um pouco da alma do jogador brasileiro está descrita em sua própria cultura que tentamos analisar, o resto vai aparecer na história individual de cada boleiro. Esse enredo precisa ser ouvido, lido e entendido sem interferências nefastas ou desagradáveis.
Por uma questão cultural, o técnico sabe que é considerado patrão, quando não um pai. Daí a submissão do atleta que às vezes dá certo se coincide com a forma de o jogador ver o técnico. Se não, entorna o caldo e o jogador habilidoso chega mesmo a tropeçar na bola. Nos dias de hoje, além de patrão e pai enrustido, treinador virou professor declarado: “O professor é quem sabe. A opção é dele se vou jogar pela direita ou pela esquerda, mais adiantado ou mais recuado, e a qual espaço tenho que me deter”. O jogador é induzido a esquematizar seu jeito de jogar e a renunciar seu modo original de ser e atuar. “O professor disse, portanto… eu vou abrir mão do meu jeito de jogar”. Essa submissão, que alguns treinadores impõem aos jogadores profissionais, constitui-se em erro fatal. Falta sagacidade aos treinadores que tendem a dispensar a democracia e a criatividade. Tornam-se oportunistas ou ditadores, sem perceber que vestiram a máscara da incompetência.
Não sei quando foi, mas desconfio que o “professor” reverenciado atualmente pelos jogadores diplomou-se depois de ter cursado estudos extenuantes de esquemas numéricos para montar um time de futebol eficiente. Melhor seria se sua escolaridade voltasse os olhos para os campos de várzea e de terrenos baldios para entender os segredos do futebol e preservar o que tem de melhor: a criatividade, que faz dele uma brincadeira eficiente. Já se disse que a ciência dos europeus empenhou-se na pesquisa de novas formas de preparação física para equilibrar o jogo da bola ante a habilidade extravagante do jogador brasileiro. Por ser desproporcional, parecia antiético a eles a irracionalidade da ginga anteposta aos pressupostos de outras cinturas num jogo de esquemas. Os dribles imprevisíveis soavam como desrespeito à forma regrada de se jogar na Europa.
Os esquemas de jogo mais recentes surgiram a partir do preparo físico esmerado que levavam os jogadores europeus a correrem em linhas traçadas antecipadamente. Pois bem, concluíram os estrategistas de além-mar: “Se corrermos mais que eles poderemos diminuir os espaços do mestiços dançarinos. E quanto mais cumprirmos fielmente o estabelecido pelo esquema, mais chances teremos”. E os números assentados dispunham-se de acordo com os indicadores de habilidade do adversário: 3-2-5, 4-2-4, 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2, 4-5-1 ou 5-5-0. “Quanto mais nos protegermos, mais teremos chances de empatar, de vez em quando, ganhar ou pelo menos perder de pouco”, supunham os estrangeiros. Alguns técnicos brasileiros (talvez muitos) acharam tudo isso bastante interessante, e até bonito. Do mesmo modo, alguns comentaristas esportivos “astuciosos” julgaram as sugestões esquemáticas muito inteligentes. E as adotaram, e o que é pior, as imitaram. Infeliz imitação. Como diz o ditado popular: ficou pior a emenda que o soneto. Tentava-se acabar com a brincadeira. Ficava decidido: jogador não deve inventar. E quanto mais fechado o esquema, a imposição degradaria o drible do adversário. Nem vamos falar da anulação da ginga que é mais que um drible. A ginga é o balanço que antecede, acompanha e continua após o drible. É o tempero não só do drible como de todo o jogo. Muito mais importante que esquemas é o balanço do jogador brasileiro, daí a necessidade de estimular a ginga com treinamentos específicos com a bola. Quanto mais ginga, melhor: mais eficiência e fantasia. Chegou-se ao ponto de atribuir a certos esquemas a arrogância de que são mais importantes que os dribles e até mais que a ginga. Deus me perdoe!
Os jogadores, interagindo entre si com suas características próprias, são os que estabelecem o esquema de jogo. O esquema de jogo dos craques vem implícito também em seu vocabulário “gramadológico” de boleiros. Não é errado não. Pode ser um neologismo, mas é bem assim: “gramadológico”. Didi entrega a bola a Garrincha e com ela a linguagem carinhosa e confiante do boleiro: “Prende a bola, Mané”. E qualquer boleiro experiente sabe de cor o resto: “Segura; cobre ali; agora o jogo é de campeonato; só de calo; cadencia; vamos pra cima; é tudo ou nada; abre o jogo; sai tocando, coloque na grama; pisa nela”. E por aí em diante. Quem entender essa linguagem já tem seu esquema de jogo pronto. E olha que sempre deu certo porque esse é o programa da arte de jogar bola. Treinador que quer garantir o cargo inventa retranca, mas menino que sempre jogou no “cinco vira e dez termina” quer mais é fazer gols e pode derrubar técnico com tanto desgosto dentro do peito, ao se sentir contido. Goleada de emoção não se ajusta a esquema programado. Esquema de técnico sabichão de jeito nenhum. Só vale esquema combinado.
Por fim, estou enjoado de falar de esquemas. E por falar em aborrecimento, há uma circunstância que pode derrotar o jogador brasileiro com maior freqüência: o enjôo da bola. É uma síndrome que ataca qualquer jogador de futebol quando o contato com a bola ultrapassa o limite da necessidade e do prazer de estar perto dela. Lembro-me bem quando jogava no seminário, duas vezes ao dia, todo dia. Era tanta bola que de repente vinha uma ânsia de vômito, não só corporal, mas de dentro da alma. Baixava um nojo inexplicável, como se a bola tivesse mudado de forma. De redonda virava quadrada. Quando a bola fica quadrada para qualquer jogador, é o sintoma de que está estafado. No seminário, dávamos um tempo de alguns dias, e o apreço pela bola voltava. O treinador de qualquer time tem de perceber quando a bola se tornou repugnante para um atleta de futebol. Isso não dura muito, mas é preciso dar um tempo para o enjôo da bola se desfazer e ela deixar de ser quadrada.
AUTOR: José Melquíades Ursi
Concordo plenamente com o que você diz. O interessante são alguns comentários que mostram como nós brasileiros somos exigentes e injustos. Quando a seleção joga mal a culpa é do Dunga, quando ganha é porque os adversários são fracos. Parabéns ao Dunga que dia a dia mostra sua evolução. Pena que pouquíssimos reconheçam tal fato. Bom é que ele está tirando de letra e fazendo o seu trabalho com muita consistencia.
Squadra azurra, tchau. ahorita, que venga la furiosa!!!
NA LATERAL ESQUERDA QUALQUER UM JOGA MELHOR QUE KLEBER , O ANDRÉ SANTOS NÃO COMPROMETEU EM NADA.
E PRA QUEM FALA QUE FELIPE MELO NÃO JOGA NADA , TÃO CEGOS OU NÃO ENTENDE NADA DE FUTEBOL??????????
Caro Kotscho, vc tem razão, o Dunga nem parece gaúcho, mais parece mineiro, devagarzinho e quietinho, comendo pelas beiradas, pegou o time no maior descrédito e foi crescendo, crescendo… claro, teve coragem de barrar estrelas como RGaúcho e a sorte de descobrir as canelinhas finas do Ramires, uma mistura de Toninho Cerezo e Paulo Isidoro, como diz o PVC; mas acho também que a maior virtude do Dunga foi não esmorecer quando muitos neste país -sãopaulinos principalmente- queriam o lugar dele para o Muricy, defenestrado tristemente no último fim de semana, porque perdeu de novo a Libertadores (imaginem só se Sir Alex Ferguson, há 30 e picos de anos no United seria demitido por ser desclassificado numa semifinal de Champions League); também acho que ele consegue alternar o bom-mocismo do Kaká com a molecagem do Robinho (precisa jogar mais, hein?) e a cara feia, feíssima do Luis Fabiano (não precisa do apodo Fabuloso, precisa?); pra fechar, meu caro, acho que o problema da lateral-esquerda se resolve assim: Maicon na direita e Daniel Alves na esquerda… pra reserva, chama o Leo Moura e o Juan do Flamengo e vamos embarcar rumo à África do Sul numa boa…agora, quanto às manchetes, pode esperar: se o Brasil vai à final e eventualmente perde da Espanha ou de quem for, vai sobrar pro Dunga, tenha certeza…
abrs,
melhoras…
Esquecendo um pouco do Dunga, que para muitos não deve continuar como treinador da seleção brasileira, indago aos torcedores do Cruzeiro se existe alguma dúvida sobre onde está o melhor futebol do Brasil. Foi apresentado ontem aos mineiros, mais um grande clube paulista, o Baruerí.
É temos que concordar o Dunga tá mostrando que tem competência e é guerreiro, pois em nem um minuto ele deixou -se abalar pelo que falavam dele e deu a resposta no campo.Como diria o Zagalo: vocêis vão ter que me engolir.
A seleção precisava de embalo e, para surpresa nossa, Dunga se rendeu a ele. Seu nome: Ramires. Caiu como uma luva. A rapidez e desenvoltura de alguns jogadores de ataque carecia dessa lepidez brincalhona no meio de campo.
Quando pintou Ramirez, veloz, habilidoso, leve, os demais jogadores perceberam de cara que o jogo ia fluir rente à grama, nos espaços vazios. Cada qual então soube se dirigir a estes espaços que se abriam com a leveza eficiente do Ramirez combativo, armador refinado e habitante de todos os espaços do gramado. A roda viva entrava em campo e Luiz Fabiano, principalmente, enfiou-se entre as defesas adversárias certo de que a bola chegaria mais rápida, limpa e pelas costas dos zagueirões pit-bulls. Para Robinho e Kaká então sentiam-se à vontade para arrancar, estimjulados e protegidos pelo novo artista Ramires, de muitos fôlegos.
Tomara que não queiram transformar Ramirez num receptador de músculos, na Europa, para não perder o prazer de ser a gazela que brinca e flutua com a bola.
pois é! pouco a pouco Dunga vem dando uma cara ao futebol brasileiro.
Me parece no entanto que o sucesso se deve ao não comprometimento do atual técnico da seleção com setores da mídia , que embora necessários, acabam por vezes construindo um super ego no treinador da seleção brasileira. Dunga mostra coerência em suas convocações e o que está comprovado é que é um bom observador ,( deve contar também com a capacidade do Jorginho, seu fiel escudeiro) consegue falar a língua dos jogadores e o mais importante: consegue impor uma simplicidade nesta seleção de astros e domar seus super egos.
Vem conquistando excelentes resultados, como o título da última copa das confederações , classificação antecipada para a copa do mundo de 2010, enfim, da-lhe Dunga!
Porém eu deixo aqui registrada a minha opinião quanto ao mérito de treinador alcaçada pelo técnico Dunga: uma coisa é treinar a seleção cheia de jogadores super capacitados, outra coisa é fazer um time como o Fluminense carioca jogar, como vem tentando o super técnico Carlos Alberto Parreira. Parabéns ao Dunga pelo trabalho na seleção! mas um início de carreira deste, ( técnico da seleção Brasileira)eu diria que só uma pessoa muito abençoada e iluminada por Deus!
PARABÉNS AO ABENCOADO TÉCNICO DUNGA, ELE MERECE!!!!!!!!
PARA LEANDRO RAMIRES 13:57
Obrigado pela informação…ñ sabia q ele era carioca… eu o conheço do bairro aqui próximo…em todo caso ele ñ é mineiro…
Que se exploda a seleção, o negocio agora é o Corinthians! time do POVO, xupa gambazada!
Realmente o BALAIO DO KOTSCHO está de parabéns, uma cronica bem escrita e de uma lembrança sensacional, afinal o BRASIL depois de 2006 não apresentou uma seleção que enchesse os nossos olhos como a que o DUNGA está montando. Aqui prá nós, quem não está gostando nadinha é o GALVÃO GLOBAL BUENO, afinal o DUNGA está cagando e andando para a REDE GROBO…. KKKKKKKKKKKK