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21/06/2009 - 10:22

O que faz a diferença entre Sarney e Muricy?

Os dois dominaram a área de comentários dos leitores do Balaio esta semana (ver números dos assuntos mais comentados no final deste post).

Um é José Sarney, ex-presidente da República, ex-quase tudo na vida política e, atualmente, pela terceira vez, presidente do Senado Federal, posição que o deixa no centro do tiroteio de denúncias contra o Congresso Nacional.  

O outro é Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro pelo São Paulo, eleito quatro vezes seguidas o melhor técnico do país, demitido do clube esta semana, após a derrota contra o Cruzeiro, que eliminou o tricolor da Libertadores. 

Os dois terminam em situações bem diferentes esta semana difícil em suas vidas. Sarney continua no cargo, mas foi duramente condenado pela quase unanimidade dos leitores do Balaio. Muricy caiu, depois do seu time dar vexame no Morumbi e, mesmo assim, recebeu o apoio da maioria dos  comentaristas do blog.

Fora a origem, a idade, o ofício e a história de vida, enfim, de cada um destes brasileiros, o que faz a diferença entre o maranhense José Sarney, com 60 anos de vida pública e prestes a completar 80 de idade, e o paulistano Muricy Ramalho, que não tinha nascido quando o presidente do Senado entrou na política, é a forma de encarar as críticas que recebem e as dificuldades que enfrentam. 

Sarney se sentiu ofendido com a saraivada de denúncias contra ele nas ultimas semanas, chegando a afirmar em discurso na tribuna do Senado que não merecia este julgamento do povo por tudo que já fez em sua carreira política. Negou tudo, não assumiu responsabilidade nenhuma e disse que a crise não é dele, mas do Senado. Em razão disso, escrevi-lhe uma carta aberta aqui no Balaio.

Muricy ficou calado no canto dele, assistindo à conspiração de cartolas e jogadores contra a a sua permanência no cargo e, embora demitido, saiu de cabeça erguida, aplaudido e apoiado pelos mesmos torcedores/eleitores/comentaristas que condenaram Sarney e querem vê-lo fora da cena política brasileira.

No sobe e desce da vida de cada um de nós, Sarney continua no alto da gangorra presidindo o Senado, mas cada vez mais fragilizado, enquanto Muricy, que caiu, sai de férias com a certeza do dever cumprido e o julgamento favorável da sua torcida, que espera a sua volta.

Política e futebol, mais uma vez, dominaram a semana no Balaio, com os leitores alternando comentários sobre um e outro tema ao longo dos últimos dias. O futebol ganhou por pouco.

Futebol: críticas dos leitores

Leitores mineiros, torcedores do Cruzeiro, reclamaram, com toda razão, que só falei das razões da derrota do São Paulo e nada sobre a vitória do seu time em pleno Morumbi.

A maioria criticou “a arrogância de vocês paulistas”. João Sergio Pereira, em comentário das 13:11 de sexta-feira, ficou bravo comigo: “Reconheça os méritos dos adversários, seu cronista torcedor, bairrista e incompetente…”.

A leitora Angela, das 13:36, também não gostou do que leu: “Costumo ler seu blog como se fosse sério, mas com suas análises sobre futebol agora já estou em dúvida”.

Política é política, futebol é futebol, precisamos separar as coisas. Em futebol, sou mesmo apenas um torcedor, declaradamente são-paulino, como os leitores poderão ver logo no começo do meu perfil publicado aí ao lado. Nunca esperem, portanto, isenção, neutralidade, objetividade, essas coisas que muita gente usa para enganar o leitor.

“Lamento que o RK, sempre tão amável, sensato e da paz, mostre neste artigo seu lado hulligan”, comentou Emanuel Cunha Lima, às 23:33 de sábado, sobre o post em que critico a demissão de Muricy Ramalho e a contratação de Ricardo Gomes.

Pois é, meu caro Emanuel, para mim futebol é paixão e é desta forma que falo do meu time.

Neste caso do jogo são Paulo e Cruzeiro, sou reincidente, confesso. Muitos e muitos anos atrás, ao escrever sobre um jogo em que o São Paulo perdeu da Portuguesa, meu então chefe no Estadão, o palmeirense Clóvis Rossi, me esculhambou pelo mesmo motivo: só falei do meu time e nada sobre o time que ganhou o jogo.

Se eu já era assim quando trabalhava na chamada grande imprensa, onde precisava respeitar normas, regras e um manuual de redação, não seria agora neste Balaio, em que sou dono do espaço e posso escrever o que quiser, que iria deixar de ser o que sou, quer dizer, um torcedor do São Paulo.

Estamos entendidos?

Leituras de domingo

Outros leitores me cobraram ao longo da semana um texto sobre o fim da obrigatoridade do diploma de jornalista decidida pelo STF.

Já discuti tanto este assunto em congressos, seminários e debates ao longo das últimas décadas, que não encontrei um ângulo novo para escrever sobre esta decisão, que já era mais do que esperada.

Depois de ler tudo o que os outros escreveram, encontrei neste domingo na Folha um texto que resume tudo o que penso sobre o assunto. Foi escrito pelo mestre Janio de Freitas, em sua coluna publicada à página A9, sob o título “A liberdade das más razões”, cuja leitura recomendo aos leitores.

Termina assim: “O julgamento do STF dispensou a desejável associação entre direito à liberdade de expressão e, de outra parte, recusa a argumentos inverazes. A boas razões preferiu a demagogia”. 

Os assuntos mais comentados

Como faço todos os domingos, publico abaixo o levantamento dos três assuntos mais comentados esta semana no Balaio, na Folha e na Veja, as duas publicações impressas de maior circulação do país.

Balaio

Muricy Ramalho/São Paulo F.C.: 276

José Sarney/Carta aberta: 238 

Crise na USP: 139

Folha

Sarney: 239

Congresso: 95

Lula: 86

Veja

Violência nas escolas: 38

Tragédia do voo 447: 35

Escândalos no Senado: 19 

 

 

  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

97 comentários para “O que faz a diferença entre Sarney e Muricy?”

  1. Carlos Roberto Pereira da Cunha disse:

    Voce não menciona o Maicon. Eu também acho que voces deveriam ver nos jogos os acertos e os erros dele. Os erros são maiores…. Acho também que ele só tem força e vigor… o futebol, é pouco. Tem gente melhor….
    Carlos Cunha

  2. carolina disse:

    Vc esta certíssimo sobre ser torcedor, e falar como torcedor, os jornalistas da TV nenhum deles é isento tb.

  3. Charles Darwin disse:

    Caro Ricardo, eu acho que no Brasil devia se construir algumas Pirâmides iguais as do Egito e produzir bastante sarcófagos para enterrar essa gente, que está mais prá mumia qye prá politico.
    Um abraço

  4. Charles Darwin disse:

    Para o amigo “Luis Carlos, o Antigo”, parabéns por teu comentário e só corrigindo: “Churchil”, grande estadista inglês.
    A manipulação de otários é o que faz a fortuna de poucos…….
    Um abraço

  5. n.z.wiebel disse:

    Eu acho que é balela que DEUS È BRASILEIRO! Mentira! Deus não é brasileiro. Se assim fosse, já teria mandado um meteorito cair em Brasília.

  6. jesuita sousa disse:

    VEJAM SÓ, NESTE PAÍS, POUCOS PODEM TUDO, MESMO AO ARREPIO DA LEI. SR. JOSÉ SARNEY DO ALTO DO SEU POSTO. UM/A CIDADÃ/ÃO, SIMPLES MORTAL, LUTA ANOS, POR SEUS DIREITOS, E OS ENTRAVES DA LEI NÃO OS CONCEDE. ESPERO, EM DEUS, QUE NÃO ME CHEGUEM TARDE DEMAIS.
    O BRASIL PODE AGRACIAR UNS E SACRIFICAR OUTROS DO LADO DE CÁ DA VIDA REAL E IMPIEDOSA.
    DEVE SER O QUE NOSSO PRESIDENTE DIZ: ….”ELE NÃO É UM CIDADÃO COMUM….”

  7. Janaína disse:

    O tal de Lula não tem vergonha na cara para exigir fim da corrupção e mau uso do dinheiro público, agora mais do que nunca está provado, se nada acontecer ao Sarney, e aos outros , é sinal de que ele vai fingir que não viu e não escutou nada de novo até o pleito, ou seja, O NOSSO DINHEIRO DE IMPOSTOS (38% DO PIB). Afinal de contas o PMDB (SARNEY, RENAN E OUTROS) ESTÁ APOIANDO O CANDIDATO DE LULA, em troca da manutenção das maracutaias das falcatruas e de tantas outras patifarias e irregularidades praticadas por estee spárias da sociedade.
    Apavorado diante dos números, o mensaleiro e chefe da quadrilha Dirceu afirma que candidato próprio em SP pode comprometer eleição da tal da Dilma. O tal de Zé afirmou nesta quinta-feira em seu blog que a insistência do PT em ter uma candidatura própria em São Paulo pode comprometer a eleição presidencial da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil).
    Em São Paulo, a sigla pode voltar a perder se novamente recusar apoio a um candidato de outro partido nas eleições de 2010. As declarações são umas referências à possibilidade de o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) sair candidato ao governo paulista.
    Sem citar a Tal Dilma, ele disse que as alianças estaduais devem mirar a eleição presidencial.
    A recusa de um forte nome aliado poderia comprometer os planos do partido de conseguir eleger o sucessor do Luiz Inácio Lula da Silva. E aí o bixo pega, a mamata vai acabar, e se bobear vai um monte em cana!
    Se nossa tática e experiência de puleiros e palanques estaduais estão subordinadas ao palanque nacional, não podemos nos recusar a examinar as propostas de nossos aliados, disse. De acordo com ele, o PT pode acabar isolado e derrotado se excluir a hipótese de apoiar um aliado de outro partido.
    A tese de que o PT tem que ter candidato próprio, defendida pela bancada estadual em nota, pode parecer algo evidente, mas é um erro, concluiu..
    Bem a verdade é que o PT da Dilma e do Lula foi o grande perdedor nas 12 grandes cidades do interior. Não venceu em nenhuma. E a taxa de rejeição de Dilma é maior que a de Serra, diz pesquisa CNI/Ibope. Ou seja, a vaca está passeando pelo brejo!
    Como muda o discurso do Lula em relação ao Congresso.
    Já mudou lá em 93, quando o petista trocou a oposição pelo governo.
    Em 1993 ele declarou que, “de todos os deputados no Congresso, pelo menos 300 são picaretas” E Repetiu a crítica em 1994 (”Aquilo que eu falei de 300 é um pouco mais”)
    E 1998 (”Uma vez falei que havia uns 300 picaretas no Congresso, mas a coisa só piorou”).
    Em 2002, com a vitória à vista, a retórica mudou. O espertíssimo petista, não exitou rapidinho e aceitou o apoio do então senador José Sarney, a quem havia chamado de “grileiro”, em 1986.
    (”Sarney não vai fazer reforma agrária coisa nenhuma, porque ele é grileiro no Estado do Maranhão”),
    Chamou o seu hoje amicíssimo de “ladrão”, em 1987 (”Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da Nova República”)
    E ainda para completar veja de que chamou o seu amigão do peito de “impostor”, (”Sarney é um impostor que chegou à Presidência assaltando o poder”).
    “““ Na sua campanha à reeleição, Lula fez uma autocrítica, veja a que ponto chega o cinismo deste sujeito:’e agora eu me dei conta de quantas vezes nós cometemos injustiças contra pessoa:” ‘Uma coisa eu tenho tranqüilidade, Sarney: nunca lhe ofendi”.
    Isso é o mais perfeito retrato de que desta vez, realmente, Lula mudou: ou perdeu a vergonha que um dia já teve, quando atuava no movimento sindicalista contra as forças oligárquicas do nordeste; ou se tornou refém do político mais maquiavélico, atrasado e chantagista do país.

  8. Tony José disse:

    Sr Ricardo, misturar Muricy com Sarney foi dose para elefante, heim.
    Mas não se preocupe, o são é só um timinho pequeno de Campo Grande, nada mais…
    Também quem já defendeu Delubio Soares, só falta defender o sarney, seguindo o exemplo do presidente lula, não é????

  9. gepeto disse:

    O que faz a difernça eu n~~ao sei, mas a semelhança é a ARROGANCIA. Um por achar-se inatingível pelo seu passado de homem incomum (avalizado pelo presidente 80%) e outro pelos resultados passados e pelo mau-humor animal, desfazendo a todos.

  10. Manoel Ferreira disse:

    Ricardo e aí, algum vagabundo já pediu desculpa, devolveu o dinheiro, renunciou e se entregou expontâneamente na delegacia mais proxima?

    Sei não heim parece que o Renam o Sarney e outros estão pra fazer isto!

    Seriam boatos?

  11. Agnaldo Timóteo disse:

    Caríssimo amigo e brilhante colunista,
    aquele abraço.

    Deplorável, demagógico e cínico o comportamento de alguns senadores envolvendo o Presidente Sarney, com quem inclusive trabalharam quando se encontrava no exercício da Presidência da República. Será que pretendem repetir a barbaridade que fizeram com o Fernando Collor?
    Estou indignado.

    AGNALDO TIMÓTEO
    Cantor e Vereador
    São Paulo/SP

  12. maria simonetti disse:

    Prezado Ricardo, o PT tem a oportunidade histórica de limpar seu nome, se colocando contra as mazelas do congresso nacional. O “fora Sarney” pode ser o incio disso. Não da mais para buscar apoio em Sarneis, Renans, Salgados etc. Como Mercadante, Marina, Suplicy, vão explicar que apoiam isso???
    Abraços
    Maria

  13. Bobcuspe disse:

    Um povo que elege para o cargo mais importante do País um sujeito que não tem escolaridade e preparo nem para ser gari, só porque tem uma história de vida sofrida e paga 40% de sua renda em tributos, é um povo idiota !

  14. Bobcuspe disse:

    Brasileiro tem um sério problema.
    Quando surge um escândalo, ao invés de protestar e tomar providências como cidadão, ri feito bobo.

    - Brasileiro é um povo trabalhador. Mentira.

    Brasileiro é vagabundo por excelência.
    O brasileiro tenta se enganar, fingindo que os políticos que ocupam cargos públicos no país, surgiram de Marte e pousaram em seus cargos, quando na verdade, são oriundos do povo.

    O brasileiro, ao mesmo tempo em que fica indignado ao ver um deputado receber 20 mil por mês, para trabalhar 3 dias e coçar o saco o resto da semana, também sente inveja e sabe lá no fundo que se estivesse no lugar dele faria o mesmo.

    Um povo que se conforma em receber uma esmola do governo de 90 reais mensais para não fazer nada e não aproveita isso para alavancar sua vida (realidade da brutal maioria dos beneficiários do bolsa família) não pode ser adjetivado de outra coisa que não de vagabundo.

  15. Deoclecio Estevam Ianhez lozano disse:

    No que se refere aos escandalos do senado e políticos em geral, a verdade é que eles, os políticos brasileiros, não são dignos de viverem em uma democracia. Para quantos políticos brasileiros alguem põe a mão no fogo? Tambem a população é a culpada por tudo isso, vota-se aereamente ou por incapacidade de escolha. Escolher tambem é didficílimo.

  16. reinaldo disse:

    parabens ricardo pela sua imparcialidade neste momento porque todos os meios de informação do paiz e so apedreijar o presidente LULA e seu governo eles não estão engolindo o governo de jeito nenhum mas o que mais me deixa triste e o senado ficar parado e gastando nosso dinheiro.

  17. Hernane Amaral disse:

    O fim da ditatura, foi tb o fim da democracia, e o inicio de uma série de corrupão, desingualdade, Lula que se comprometia com o fim da pobreza e o fim da corrupão, agora é cercado pela direita, se afastou da esquerda, e isso me enoja muito, pior que tenho vontade de gritar uma coisa, mas é crime pedir que eles voltem.

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