O Caso Folha-Dilma e o que ameaça os jornais
Frase do leitor Francisco, em comentário enviado às 13:37 de terça-feira sobre o post publicado abaixo:
“Para a sobrevida dos jornais, o problema não é a internet, é a credibilidade”.
Qual o futuro da “velha” imprensa?, indaga meu bom colega Caio Blinder, correspondente do iG, em sua coluna de hoje, direto de Nova York.
Muitos jornalistas e leitores se fazem hoje esta pergunta. Pegando como gancho o filme “State of Play”, que aqui será “Intrigas de Estado”, segundo Blinder, “uma sessão-nostalgia para jornalistas para lá da meia idade, como eu”, ele escreve:
“A sessão-nostalgia do filme tem o ápice justamente quando rolam os créditos e vemos o processo de impressão e distribuição do papel-jornal. A cena é de doer, pois não dá para visualizar um happy-end para os jornais impressos. Aqui nos EUA é uma sucessão de más notícias, com jornais fechando, ameaçando fechar ou em regime de concordata. Como disse acidamente o comediante Stephen Colbert:
“Onde será impresso o obituário da indústria de jornais?”
Quem está ameaçando o futuro dos jornais? O primeiro suspeito é sempre a internet, o jornalismo online que é oferecido de graça o tempo todo e já chega às telas de 60 milhões de brasileiros.
Será mesmo só a internet a culpada pela debacle inexorável da imprensa de papel em nosso país? Há controvérsias…
Ao comentar este emblemático Caso Folha-Dilma, em que o jornal de maior circulação do Brasil se afunda cada vez mais ao tentar justificar uma inacreditável “reportagem” publicada no dia 5 de abril, o leitor Antonio Lúcio Rodrigues de Assiz escreve hoje no site Comunique-se:
“São essas práticas que ameaçam o futuro do jornalismo. Não são as novas tecnologias(…)”
Na própria Folha, uma solitária carta de leitor trata hoje do tema que o jornal gostaria certamente de esquecer. Escreve para o jornal Valmir de Costa, de Curitiba, Paraná:
“Em relação à reportagem `Autenticidade de ficha de Dilma não é provada´(Brasil, 25/4), a certa altura o texto diz que `o jornal cometeu um erro técnico: incluiu a reprodução digital da ficha em papel amarelo em uma pasta de nome `Arquivo de SP, quando era originalmente de e-mail enviado à repórter por uma fonte´.
Errado. O erro não é técnico, é ético. O texto tinha visivelmente a intenção de manchar a imagem de Dilma, qualificando-a como terrorista. Isso é erro técnico? Onde?”.
Desde o começo, todo o enredo desta história em que a Folha se enreda, é um clássico do antijornalismo que daria um outro filme, talvez mais emocionante do que o “State Of Play” do Caio Blinder. Se não, vejamos:
* Como o próprio nome indica, a sede da Folha fica em São Paulo, onde vive o principal personagem da matéria, jornalista Antonio Roberto Espinosa, ex-comandante da Vanguarda Popular Revolucionária. Mas a entrevista com ele foi feita por telefone, num total de três horas, pela repórter Fernanda Odilla, da Sucursal de Brasília. Não sairia mais barato escalar um repórter da sede para entrevistá-lo? Ou mesmo pagar uma passagem para Odilla conversar com ele pessoalmente sobre assunto tão delicado? Pelo menos, o jornal não erraria na grafia do nome dele e na sua qualificação profissional.
* Baseada na entrevista com Espinosa, cujos termos depois ele desmentiu em carta ao jornal, que só publicou dela um breve resumo muitos dias depois, a Folha deu a manchete de capa: “Grupo de Dilma planejava sequestrar Delfim”.
* Dilma, que também foi ouvida por telefone (não sei por que a Folha adora um telefone…), e teve uma entrevista de página inteira publicada na mesma edição, também mandou uma carta ao ombudsman, contestando o jornal:
“Apesar da minha negativa durante a entrevista telefônica de 30 de março (…) a matéria publicada tinha por título de capa `Grupo de Dilma planejou sequestrou de Delfim´. O título, que não levou em consideração a minha veemente negativa, tem características de `factóide´, uma vez que o fato, que teria se dado há 40 anos, simplesmente não ocorreu”.
* O grande “furo de reportagem” estampado na primeira página, sobre um sequestro que não houve, foi a reprodução de um documento com o carimbo “capturado”, suposta ficha policial de Dilma que a repórter teria obtido no Dops paulista, em que ela é acusada dos mais variados crimes, para o jornal poder provar, como queria, sua condição de perigosa “terrorista”, “assaltante” e “assassina”.
* Dilma denunciou também na carta a falsidade deste documento e o jornal pediu um tempo para provar, mobilizando sua equipe de “reportagem”, a autenticidade da dita cuja. Com sua habitual agilidade para apurar seus erros, a Folha publicaria 20 dias depois, no último sábado, sem chamada de capa, uma estranhíssima matéria sob o título “Autenticidade da ficha de Dilma não é provada”.
* Mais estranho ainda é que, desta vez, a matéria tem por procedência a Sucursal do Rio, e não a de Brasília, menos ainda a da sede, que, com sua competente equipe de repórter especiais, deveria estar mais do que interessada em esclarecer o caso.
* Sem conseguir provar a autenticidade da tal ficha policial, o jornal admite ter cometido dois erros. Só dois? Sim, a Folha reconhece que o documento não foi capturado nos arquivos do Dops, mas chegou à redação por e-mail, de fonte não revelada. Diz o jornal: “O segundo erro foi tratar como autêntica uma ficha cuja autenticidade, pelas informações hoje disponíveis, não pode ser assegurada _ bem como não pode ser descartada”.
* Como assim? Em carta enviada ao ombudsman (e até hoje não publicada pelo jornal), no mesmo dia da publicação da segunda matéria, desmentindo a primeira, embora de forma bastante constrangida e enviezada, Antonio Roberto Espinosa vai direto ao ponto:
“A ficha citada, na verdade, foi produzida recentemente por quadros que, na época da ditadura, eram subalternos, faziam o trabalho sujo dos porões. Hoje já estão aposentados, mas se sentem como os heróis do regime de terror e preparam armadilhas com o objetivo de desestabilizar uma virtual candidatura presidencial da atual ministra Dilma. Eu e alguns amigos fizemos uma pesquisa amadora na internet e descobrimos que o primeiro a divulgar a ficha falsa, e seu provável autor, é o hoje coronel reformado (na época major) Lício Augusto Ribeiro Maciel, o Dr. Asdrúbal, torturador e assassino de dezenas de pessoas em Xambioá. A seguir foi reproduzida por dois dos mais conhecidos blogs da direita mais reacionária, também alimentado por quadros subalternos do regime militar, o Ternuma, do notório coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, e o A verdade sufocada _ As histórias que a esquerda não quer contar, também mantido por sargentos e oficiais de baixo escalão dos porões”.
* Estas acusações contra Dilma pela internet, a que se refere Espinosa, circulam em forma de spam desde o ano passado, junto com aquela falsa ficha policial da primeira página da Folha e serve de base para os milhões de comentários anônimos com ofensas, agressões e acusações à ministra que infestam blogs e sites. Mas a culpa pelos erros da Folha não pode ser atribuída à internet: ninguém com um mínimo de responsabilidade publica este lixo sem checar a sua origem.
* No final da sua carta, Espinosa repete um desafio ao jornal, que bem poderia aceitá-lo para que os leitores possam tirar suas próprias conclusões:
“Da mesma forma que a repórter Fernanda Odilla, em resposta à minha carta, em 8/4/2009, agora a Sucursal do Rio também garante que a Folha dispõe das gravações de minhas entrevistas. Essas entrevistas por acaso são secretas? Constituem um segredo jornalístico, inexpugnável e à prova dos leitores? Por que a Folha insiste em dizer que tem, mas não publica as entrevistas? Eu já estou cansado de desafiar o jornal a fazê-lo. Na sua coluna de 12/4/2009, V.Sa. (o ombudsman) também informou ter sugerido à Redação que as publicasse, ainda que na Folhaonline, e reiterou sua sugestão. Além dos arquivos secretos da ditadura, temos agora também as entrevistas secretas da Folha de S. Paulo, que são uma arma da redação contra suas fontes, os leitores e a verdade?”



Matou gente? Por Deus, ela não participou de ação armada! Quanto mais ter matado alguém…
Sobrará a imprensa séria, o resto virará cinzas
Amigo, pelo andar da carruagem o que vai sobrar de imprensa é aquela que acompanha Fazenda, BBB, e fofoca de celebridades….
Socorro! a censura tá comendo solta! socorro!
Em quanto FHC deixou a taxa de juros?
Quanto é agora?
Sera que a tucanada raivosa só ve o que acontece de ruim?
FHC pegou o país em 1993 com taxas de juros de 2.000% !!! ao ano! Entendeu ? ? 2.000 %%% !!!!!!
Sempre haverá demanda de público para a imprensa séria.Seja impressa, veiculada via internet ou mediante sinais de fumaça .A questão é conteúdo .Quanto ao fato de chamar de terrorista quem combateu a ditadura, acho que foram terroristas sim, de ambos os lados.Por favor, leiam as “Ilusões Armadas” de Hélio Gaspari, pelo menos os dois primeiros volumes.È um trabalho honesto, imparcial, escrito por cara inteligente e íntegro.Não adianta assaltar bancos, (ou fazer “apropriação do dinheiro”) para a causa de libertar o povo, se o seguro do banco será coberto pelo resseguro , custeado pelo contribuinte, em cuja liberdade, teriam sido cometidos os assaltos.
PS: Refiro-me áqueles que pegaram em armas para combater a ditadura (comen tário de 11:27 hs),apenas radicalizando uma situação que já era muito ruim.
Diariamente na vejo comentários que os jornais vão acabar por causa da Internet. Isso me faz lembrar quando do aparecimento da televisão no Brasil. Falavam que o rádio ia acabar, que a televisão era um meio de comunicação mais moderno e que o rádio já estava com os dias contados. O tempo passou e o rádio está ai mais forte como nunca!
O que aconteceu tempos atrás com a chegada da televisão em relação ao rádio vai acontecer o mesmo em relação à Internet e os jornais. Enganam-se aqueles que falam do fim dos jornais! Muito pelo contrário, os jornais ganharam mais força e se transformaram com o crescimento do uso da informática nas redações e as novas tecnologias que serão certamente usadas para que a notícia chegue mais rápida nas mãos dos leitores e numa velocidade digital.
Para J.Brasil.
FHC pegou o Brasil em 1993?
Hoje quer dizer que quem governa é o Guido Mantega?
Vc acredita mesmo que FHC tenha tido a inteligencia de criar o plano real, ja que não teve competencia para conduzi-lo?
Procure saber quem foram Persio Arida e Edmar Bacha. A capacidade de FHC esta limitada a legalizar uns “fuminhos basicos.”
no Brasil que eu conheço em 93 o presidente era Itamar. FHC só em 95.
Se quiser-mos fazer uma comparação de competência, é comparar como ele deixou, e como esta hoje.
Selic em 2002= 25%
selic em 2009= 10,25%.
Vc não vê jornal, é a menor taxa da história, como nunca antes na história desse País.
Absolutamente nada a ver uma coisa com a outra. Erros de reportagem podem ocorrer, da mesma forma, no papel ou na internet, única responsável pelo fim – cada vez mais próximo – dos jornais impressos.
Da mesma forma, todos os “inimigos” do PT intricheirados na Folha e na Veja estarão escrevendo online (muitos já estão) quando pararem as rotativas. Sinceridade? Acho que não é preciso artimanhas como esta para defender a “companheira” Dilma.
A Folha realmente surpreendeu. Mas, nem tanto. Além de ser a Folha de “São Paulo” – cidade do tal obscuro militar, também é a Folha de “São Paulo”, cidade de José Serra, da FIESP e de toda a elite econômica.
O grosseiro título da capa – apesar de todos os desmentidos, tem um propósito único: dar boa imagem aos programas eleitorais do ano que vem.
Veja: O câncer no palanque!
Depois da Folha de São Paulo ter divulgado uma ficha falsa do DOPS acusando a Dilma de ter tentando seqüestrar Delfin Neto, nos tempos da ditadura, A revista Veja se adiantando um ano e meio para as eleições de 2010, começou a guerra de difamação contra a possível candidata petista.
A Capa da Veja dessa semana, faz acusações levianas, contra ela. Acusando-a de usar o câncer, uma questão íntima e delicada, como propaganda de campanha eleitoral.
Nos últimos dias venho acompanhando o noticiário na net e na TV. Dilma e nem o Lula nunca usaram essa questão como arma de propaganda. Quem veio pela primeira vez com essa História foi a FOLHA, ao dizer que a ministra estava com câncer, como pessoa pública, a mesma informou a sociedade, tentando inclusive demonstrar que nada mudava em sua vida. A Estória do uso político surgiu com o blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, que fez inúmeros artigos atacando a ministra e o Lula, de uma forma raivosa e irracional, coisa típica do mesmo. Quando essa estória estava apenas sendo explorada pelo blogueiro ultraconservador, estava tudo bem. Reinaldo Azevedo já era conhecido por sua militância anti-Lula, e desmoralizado como estava, por defesas polêmicas em favor do ministro do supremo Gilmar Mendes, a Dona da DASLU etc. Isso não gerava nenhum desconforto.
O problema foi a Veja, revista de repercussão nacional, participar abertamente dessa campanha difamatória, leviana e de muito mau gosto. A acusação da mesma, dizendo que a Dilma está usando o Câncer para fins políticos, é uma jogada arriscada, pois pode simplesmente desmoralizar a revista, pois transforma um drama humano em jogo político. A impressão que tive foi que a Veja tentou abafar de uma forma grosseira e deselegante a invenção da Folha da tão falada Ficha do DOPS, tentando tirar a atenção do público, para uma questão de cunho pessoal.
A estratégia adotada pelos setores conservadores da Mídia, de antecipar os ataques faltando um ano e meio para as eleições, além de mostrar para sociedade a guerra suja que a direita prepara para o período eleitoral. Talvez seja muito arriscada, pois pode criar nojo na sociedade e se voltar contra a própria mídia e capitanear simpatia dos eleitores para Dilma Roussef.
Espero que a mídia conservadora retorne ao seu equilíbrio, trazendo para o palanque político as grandes questões nacionais, como a reforma política, dos impostos etc. contribuindo para o debate e para a consolidação de projetos que devem ser debatidos pela sociedade. Seria melhor forma da mesma contribuir para democracia:)
O jornal a Folha e a revista Veja foram atacados pelo virus WBush oriundo dos EEUU. Fazem parte da imprensa tendenciosa e de um sensacionalismo irracional. São dois mulambos da imprensa nacional.
O blogueiro do http://www.brasilwiki.com.br reclama de um internauta chamado Mafrinha, segundo ele, um mosca de boi: “Quem já teve um mínimo contato com o campo sabe do que estou falando. É aquela mosca que gravita em torno do gado. Voa, zumbe para lá, para cá, e vai assentar no olho do boi. Incomodado, o bicho dá uma balançada na cabeça. Ela voa, zumbe para lá, para cá, e vai assentar no outro olho. O boi balança a cabeça outra vez e lá vai a mosca, voar e zumbir para assentar em outro canto”. Segundo o blogueiro, o Mafrinha “entra nos textos que o desagradam para fazer uma espécie de pichação: depois que ele escreve, é necessário usar a barra horizontal de rolagem para ler o texto. Uma criança dengosa, ou melhor, uma mosca dengosa: não gostou, bate os pezinhos, chora e quer “descontar”. Não sei se aqui costuma entrar algum mosca de boi desse tipo. Estive relendo, porém, o alentado relatório de 111 laudas escrito pelo ministro Carlos Ayres Brito no recém julgado processo da lei de imprensa. Nele o ministro cita ensinamento de Roberto Civita, da Veja: “Contrariar os que estão no poder é a contrapartida quase inevitável do compromisso com a verdade da imprensa responsável”. Então a imprensa tem de estar sempre contrariando o governo? Não há alguma coisa de mosca de boi nisso?