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27/04/2009 - 10:37

A madrugada trágica das Diretas, há 25 anos

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Faz tanto tempo, e tanta coisa aconteceu de lá para cá, que nem me lembrei de escrever no domingo sobre os 25 anos da derrota da Emenda Dante de Oliveira _ o nome de um então jovem deputado do Mato Grosso, que já morreu, como tantos outros líderes daquela memorável campanha das Diretas Já. 

Naquela madrugada trágica de 26 de abril de 1984, faltaram apenas 22 votos para que o Brasil voltasse a ter eleições diretas para presidente da República. Ninguém gosta de lembrar das derrotas, mas neste caso não dá para esquecer: foi lançada ali a semente da democracia em que hoje vivemos.

Ainda bem que guardei tudo escrito. Se fosse depender da minha fraca memória, estaria perdido. Ao me lembrar do fato só hoje, bastou ir até a estante e pegar meu livro “Explode Um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas” (Editora Brasiliense, 1984).

Lançado apenas alguns dias após aquela triste madrugada, pelo editor Caio Graco Prado, meu velho e bom amigo também já falecido, no saguão da Folha, com a presença dos líderes do movimento _ entre eles, o velho Ulysses Guimarães, o maior de todos da épica jornada _ o único exemplar que achei tem uma dedicatória para Carolina, minha filha caçula, hoje roteirista de cinema.

Daria um filme aquilo que aconteceu 25 anos atrás no plenário do Congresso Nacional, hoje tão vilipendiado justamente por aqueles que elegemos para nos representar na jovem democracia duramente conquistada.

Por isso, é bom lembrar o que aconteceu um quarto de século atrás para que todos possam dar mais valor ao regime de plenas liberdades públicas em que hoje vivemos _ e lutem para preservá-lo.

À página 123 do livro, lê-se o texto originalmente publicado na edição do dia 27 de abril de 1984 da Folha de S. Paulo, o jornal para o qual trabalhava na época e fiz a cobertura de toda a campanha:

Galerias explodem

e não deixam a luta terminar

Alguns deputados choravam, outros se prostravam em silêncio. Ao ser anunciado o resultado da votação da Emenda Dante de Oliveira, pouco depois das duas horas da manhã de ontem, a grande festa que todo o povo brasileiro esperava corria o risco de se transformar num imenso velório.

Mais uma vez, porém, este povo reagiu. Em vez de ficarem lamentando os 22 votos que faltaram para que o Brasil voltasse a ser uma democracia, os homens e as mulheres que lotavam as galerias bradaram seu grito de guerra: “um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil”. 

As mesmas galerias que se comportaram como se estivessem no parlamento britânico, durante as 17 horas de discussão e votação da Emenda, agora explodiam sua revolta. De repente, os políticos pareciam estar novamente nas fantásticas mobilizações que nos últimos cinco meses sacudiram o gigante adormecido.

“O povo, unido, jamais será vencido”. “O povo quer votar, diretas já”.  “A luta continua” _ esta gente não aceitava a derrota que uma covarde minoria de parlamentares lhe acabara de impor. Os refrões da grande cruzada democrática voltavam a ecoar no Congresso Nacional e ganhavam um novo grito de guerra: “O povo não esquece, acabou o PDS”.

[ PDS era a sigla herdeira da Arena, o partido criado pelos militares, então liderado por José Sarney, mais tarde presidente da República e hoje presidente do Senado. Parlamentares que integravam o PDS naquela época estão hoje espalhados por vários partidos, em sua maioria no DEM ].

Sem banda, nem regente, lá vinham eles de novo, cantando o Hino Nacional. Lá embaixo, no plenário, os parlamentares também se deram as mãos, braços erguidos, e se refazia a corrente, todos cantando juntos. As tropas do general Newton Cruz, o “Nini” [ então comandante militar do Planalto, que colocou o Exército nas ruas de Brasília], haviam conseguido o que queriam: a rejeição da emenda das diretas que todos queriam.

Mas ainda não era o bastante. Vários parlamentares, tendo à frente os deputados Airton Soares (PT-SP) e João Hermann Neto (PMDB-SP) tiveram de participar de intermináveis negociações com os homens do general “Nini” para permitir que cerca de mil pessoas, sem sua maioria jovens, pudessem ir embora sem maiores riscos, já que tropas continuavam acantonadas na Esplanada dos Ministérios.

Afinal, foi feito um acordo e, junto com os parlamentares, eles começaram a subir pela contramão da Esplanada. Dali a pouco, veio uma contra-ordem do general e eles tiveram de mudar de rumo. Mais adiante, o cortejo foi novamente barrado. Quer dizer, a certa altura, não podiam mais ir em  frente, nem para trás, nem para os lados.

Aí as tropas do general “Nini”, já que estavam ali mesmo, resolveram jogar algumas bombas de gás lacrimogêneo e atiçar seus cães em cima dos inimigos vencidos.

Uma hora depois, os dois esbaforridos parlamentares conseguiram chegar ao restaurante Piantela, o mais badalado de Brasília, onde outros notáveis da sociedade civil refaziam-se das agruras da longa  jornada. O alarido era o mesmo de outros dias e, se algum forasteiro menos atento baixasse ali naquele momento, teria a impressão de que a emenda das diretas havia sido aprovada.

Só uma mulher, a atriz Christiane Torloni, musa das diretas, dava bandeira de que havia chorado _ e não foi pouco. “Eu aguentei até chegar perto do Ulysses. Aí não aguentei mais, dei um abraço no velho e chorei que nem criança”. Não só ela: Gílson de Barros, um deputado do PMDB de Mato Grosso, dois metros de altura por quase isso de largura, conhecido como o “Hulk” da Câmara”, desabou num choro sentido. Nem se pode dizer que fosse choro de tristreza. Era choro de quem tem vergonha na cara, algo que jamais poderia acontecer com os parlamentares do PDS que fugiram da votação.

Se o Brasil chorava de vergonha, na mais sombria madrugada de que consigo me lembrar, um homem se regozijava: claro, ele, o general Newton Cruz, que , às três e meia da madrugada mandou a tropa se perfilar diante do Ministério do Exército, onde funciona seu QG do Comando Militar do Planalto. Depois de cumprimentar os rapazes pelo belo trabalho, ordenou seis “hip-hip-hurra!” para festejar a vitória.

Outros foram mais discretos. Calim Eid e Heitor de Aquino, os marechais malufistas na guerra antidiretas, limitaram-se a acender charutos e a gozar em generosas baforadas a humilhação do povo brasileiro. Pleno de satisfação, o malufista Edson Lobão, vice-líder do PDS [ hoje ministro de Minas e Energia do governo Lula], foi mais discreto ainda: assim que o sistema de som do Congresso anunciou o resultado, ele, que fugira do plenário na hora da votação, deixou seu gabinete e escafedeu-se lampeiro pelos subterrâneos do parlamento, a caminho da glória.

Para que a humilhação fosse compelta, os “Nini” e seus braços políticos não tinham limites. Na mesma noite em que o Congresso se preparava para decidir sobre os destinos do povo brasileiro, a PM de Brasília, subordinada ao general Newton Cruz para executar as medidas de emergência, invadia uma escola na cidade-satélite de Taguatinga, o Centro Educacional Ave Branca.

Alguns alunos haviam vaiado duas viaturas da PM, gritando refrões pelas diretas. Foi o que bastou para que 60 homens da tropa de choque avançassem sobre professores e estudantes, empunhando cassetetes de madeira, chutando e batendo. Outra vitória das tropas de emergência: vários feridos, dois estudantes presos, mulheres grávidas desmaiadas.

O inimigo, quer dizer, o povo, não desistia. Ainda se ouviam buzinas tocando quando o dia amanheceu em Brasília, como a anunciar que uma derrota não significa silêncio. Mesmo sem a rendição incondicional dos inimigos, o general de divisão Newton Araújo de Oliveira e Cruz, comandante do CMP e executor das medidas de emergência, mandava anunciar ao povo brasileiro, por meio de uma resolução (nº 02/ME/84) e um comunicado (nº 05/ME/84), que, como os objetivos foram atingidos, os inimigos poderiam relaxar um pouco.

A resolução suspendia a censura nas telecomunicações _ instaurada para impedir que todo o país soubesse, ao vivo, quais eram seus traidores _ e o comunicado informava que foram liberados os 35 presos, suspenso o controle dos acessos à Universidade de Brasília e retirados os bloqueios nas entradas da cidade.

O inimigo Dante de Oliveira, aquele que deu nome à emenda vitoriosa e rejeitada, no entanto, não se rendia. “A rejeição da Emenda e o fim da sessão do Congresso só fizeram mostrar a desmoralização total do governo e do seu partido”, repetia ele, ontem à tarde, no Congresso, mais disposto do que nunca a prosseguir na luta.

Perto dele, a deputada e atriz Beth Mendes (PT-S), que, de manhã, chorava ao ler o editorial da primeira página da Folha _ “Cai a Emenda, não nós” _ procurava animar quem encontrasse pela frente. “Ontem, foi fogo segurar aquela barra. Mas, hoje, já está tudo bem de novo. Nós não perdemos, nós ganhamos, você vai ver”. 

De fato, nem as nuvens escuras e a chuva do fim de tarde em Brasília, depois destes dias de sol, foram capazes de apagar a chama. Num apartamento da W-3, ainda resistia, apesar de tudo, uma faixa em que se podia ler, simplesmente: BRASIL. 

Em tempo:

Leitores deste Balaio me surpreendem, positivamente, a cada dia.

Neste domingo, às 19:48, foi a vez do leitor Gilberto José Muniz (aqui eles dão nome e sobrenome), 60 anos, que enviou um comovente relato sobre o que é possível fazer para sairmos deste baixo astral, tema do blog no fim de semana.

Muniz conta como criou por conta própria uma biblioteca comunitária em Campo Grande, no Rio de Janeiro, que começou com 200 livros tirados da sua estante e hoje, com a ajuda de muita gente, já conta com mais de 60 mil obras.

Vale a pena ler o depoimento dele na área de comentários do post “Caso Maria Júlia: o que podemos fazer?”.  

Em tempo 2:

Mal acabei de escrever (não confudam com escrever mal, por favor…) o post acima, fui liberar os comentários e encontrei um texto primoroso do estudante Alvaro Castro (11:03), da Universidade FUMEC, de Belo Horizonte.

“Tive que fazer um trabalho de faculdade para combater este texto”, escreveu-me ele, referindo-se a um post do Balaio de dias atrás _ “Por que tanta gente quer ser jornalista?”

O jovem contesta ponto por ponto meu texto, com bons argumentos e um texto de tirar o chapéu, tanto na forma como no conteúdo.

E não é que ele tem razão em muitas coisas que escreveu? Por isso, recomendo a quem se interessar pelo assunto que leia o comentário de Álvaro Castro.

Estes leitores do Balaio estão ficando cada dia melhores… 

Em tempo 3:

Por falar em bons leitores, estou devendo há dias uma satisfação a um dos mais antigos deste Balaio, o Simei de Almeida, do Acre, que ultimamente anda meio sumido.

Ele se queixou que, ao falar pelos lugares por onde o Balaio passou nestes sete meses no ar, esqueci de mencionar no Acre. Fiz apenas de memória referência a algumas regiões do Brasil de onde enviei textos para o blog, mas não me lembro de ter passado pelo Acre neste período. O Brasil é muito grande…

Em todo caso, aproveito para reiterar ao Simei e a todos os amigos de lá que considero Rio Branco uma das cidades mais bonitas e bem cuidadas do país, como já escrevi várias vezes em diferentes sítios e publicações. 

 

     

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

Ver todas as notas

70 comentários para “A madrugada trágica das Diretas, há 25 anos”

  1. Ao Adriano das 20:31…Genial teu comentário…muito bacana mesmo…parabéns

    Abraços e continue com a gente!

    Lídia! das 21:05

    Ele está com problemas no pc…acesse o BOTECO DO BALAIO nos favorítos aqui, e terá mais informações..

    Abraços…

    Nossa Ricardo…os comentários estão de primeira hoje hein?

  2. simei disse:

    Ricardo Kotscho:

    Estou por aqui, obrigado pelas palavras a mim e a meu Acre. A nossa Rio Branco esta cada dia mais linda e muita molhada.
    Leio todos seus artigos e os comentários de meus amigos que comentam no seu Balaio.

    Parabens por este artigo e sucessos!!!

  3. Ricardo Donisete disse:

    Tinha oito anos quando a emenda foi rejeitada e evidentemente não lembro da época. Mas lendo sobre esse acontecimento, fico com impressão que desde que isso aconteceu as coisas ficaram meio tortas no Brasil.

  4. Judithmaria disse:

    Fiquei comovida com o seu comentário. Só quem viveu aqueles
    tempos sabe do que vc está falando. É mesmo uma pena que depois de tanta luta pela democracia, o nosso congresso nos entristeça tanto. Como vc falou, ainda somos uma jovem democracia. Abs.

  5. Sampaio disse:

    Lembro-me como se fosse hoje, os grandes comícios, como foram majestosos…Fui com prazer ao comício aqui em Goiânia, praça lotada e todos já contando com a vitória no dia da votação da emenda Dante. Ai, mas como doeu aquela derrota, mas é isso aí…A vida é feita de vitórias e derrotas, agora a gente observa que alguns parece que não perdem nunca. Vide aqueles que hoje continuam no poder e naquela época estavam ao lado do ditadura…Contra o povo…
    Com relação à luta do Everaldo para a construção das casas sem muita burocracia para as tantas Marias que choram neste país, tenho certeza que mais do que nunca agora, tal situação chegará ao conhecimento do presidente que com certeza fará algo…Boa sorte

  6. Samuel disse:

    É história que não se pode esquecer, nunca.
    Diz o ditado que a historia só se repete como farsa.
    E é fato. Porque lição aprendida, superada, deve servir de exemplo pra geração futura.
    Hoje é comum, e a gente observa muito isto nos comentários do balaio, dizer que tudo o que ocorre é “coisa de esquerda”.
    Sem que ninguem saiba o significado de esquerda.
    Não sei se sou de esquerda, nem sei se vc Cidadão K tambem é.
    Esquerda, pelo menos, pra mim, é movimento de ideias e de ações endereçadas ao projeto de transformação social em beneficio das pessoas (recuso a dizer “classe”) menos favorecidas para participação maior na cidadania.
    Neste conceito, eu aceito ser classificado de esquerda.
    E foi assim.
    Diretas já, foi um projeto de transformação da sociedade, um projeto de democracia; mas também, e é reflexo na Constituição de 1988, um projeto de transformação social.
    Gostem ou não alguns que se acham, em razão da transformação que hoje ocorre, prejudicados pelo movimento.
    Movimento iniciado nas Diretas. O movimento de 1984 pavimentou o caminho para a nova aliança entre povo e poder – o pacto social.´
    A razão sempre vence, mas nem sempre a razão sai vencedora no calor dos fatos. Foi o que ocorreu nesta data historica que vc presenciou e narrou para leitura dos nossos filhos.
    Nao se esqueça Cidadão K, e com certeza vc nao se esquece:
    “Lembrem-se do que aconteceu no passado:
    Naqueles dias,
    depois que a luz de Deus brilhou sobre voces,
    voces sofreram muitas coisas,
    mas não foram vencidos na luta.
    Alguns foram insultados e maltratados publicamente,
    e outros tomaram parte no sofrimento dos prisioneiros.
    E quando tiraram tudo o que voces tinham,
    voces suportaram isto com alegria,
    porque sabiam que possuiam coisa muito melhor,
    que dura para sempre.
    Portanto, não percam a coragem,
    porque ela traz grande recompensa”
    (Hebreus, 10, 32-35).
    Deus abençoe RK, durma tranquilo…
    Um abraço nosso, todos do recanto.

  7. João Band disse:

    Ricardo
    Ainda hoje, lendo este texto, as lágrimas teimam em cair.
    Elas não foram em vão. Graças a Deus.

  8. Lídia disse:

    Obrigada Robson, gosto por d+ dos seus comentários.
    Abraço

  9. willians disse:

    Quando me perguntam se eu pegaria em armas para tomar o poder, minha resposta costuma ser: e entregar ele pra quem?

  10. Gerson disse:

    Não se trata bem de um comentário mas de um pedido:a publicação dos deputados que votaram contra ou fugiram da votação das emendas Dante de Oliveira, para ter a certeza de não mais votar em algum deles.

  11. MASKATE disse:

    Um passo a frente e DOIS passos atrás,sempre em prejuízo do jurisdicionado,que deveria ser a razão de ser da justiça.

    Quando eles conseguem fazer alguma coisa DESCENTE,entra o corporativismo para privilegiar os ADVOGADOS,PROMOTORES E OS JUÍZES.

    Que eles não são sérios todos nós já sabemos.

    Comissão sobre férias coletivas no Judiciário será instalada na Câmara.
    Será instalada amanhã (28) a comissão especial da Câmara criada para analisar a Proposta de Emenda à Constituição 3/07, do deputado José Santana de Vasconcellos (PR-MG), que permite férias coletivas nos juízos e tribunais de segundo grau do País. A única condição prevista é que se mantenha plantão mínimo organizado pelos próprios tribunais. As férias coletivas do Judiciário foram proibidas pela reforma do Judiciário (Emenda Constitucional 45, de 2004). Segundo o autor da PEC, as férias em diferentes meses prejudicam o andamento dos processos, uma vez que as turmas de julgamento de recursos ficam permanentemente desfalcadas. A reunião será realizada às 14h30 no plenário 5.

  12. MASKATE disse:

    O Anão de bombacha, deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), é o mais perfeito representante dos politiporcos brasileiros,sempre
    envolvido atitudes que atingem frontalmente o decoro.

    Sua trajetória exala mau hálito, suas patifarias começam por manter
    abrigos particulares para doentes, sustentado por verbas públicas,
    fazendo destes doentes terminais e seus familiares eleitores cativos.

    E como o Anão tem mais safadeza, do que tamanho, sistematicamente
    age para que o sistema de saúde,NÃO possa atingir de forma unânime a todos, que dele necessitam.

    Denunciado pelo MPF, Pedro Pinto Rabelo foi secretário parlamentar do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS).

    Um vigarista com mesma índole do Anão!

    A revista IstoÉ revela hoje que Pedro Damião Pinto Rabelo, da
    agência Morena Turismo, opera um balcão de compra de créditos
    de passagens.

    O Anão blinda-se com chefes de poderes, que futuramente
    possam auditar sua verbas, um deles é o ministro do Tribunal
    De Contas JOSÉ AUGUSTO NARDES, também destinatário de passagens.

  13. Cristina disse:

    Vivi minha juventude no regime militar, estudei em escola pública, que dizer, fui educada pelo regime militar, assim como na minha época as meninas eram educadas por freiras. Gastei algum dinheiro em terapia para me livrar da educação militar, para me livrar do trauma.
    O regime militar conseguiu legitimidade porque na época do golpe o Congresso era tão corrupto, patrimonialista, incompetente quanto o atual, e depois os militares perderam poder de mando porque ficaram incompetentes, corruptos, autoritários, fisiológicos. Os militares que em 64 queriam o progresso contra o comunismo, se aliaram às forças do atraso, aos coronéis do Nordeste, ao fisiológico Paulo Maluf. A ditadura atrasava o Brasil, e inibia a troca de idéias com sua censura burra, começou um grande movimento pelas diretas, o maior movimento cívico que vi neste país.
    O Brasil de hoje é democrata, mas estamos mal representados no Congresso, nosso único ícone político é o Lula, apenas a instituição presidente está preservada, nossas outras instituições estão podres, com exceção do Banco Central, que ainda tem algum prestígio. E não existe mais a possibilidade de golpe militar, felizmente.
    Um problema que vejo na corrupção atual, é o patrimonialismo e corporativismo dos políticos e funcionários públicos. Nós vemos a polícia indiciando empresários, e não vemos a polícia processando políticos ou funcionários públicos, não é o empresário rico que fica impune, o Estado patrimonialista brasileiro é sócio majoritário das empresas, a carga tributária de uma empresa é absurda, principalmente para o pequeno empresário. Acredito que mesmo na crise é melhor ter um negócio pequeno nos Estados Unidos que no Brasil. Eu já abordei a lei do inquilinato, a lei demagógica brasileira dificulta o processo de despejo do inquilino e exige garantias demais ao proprietário, o resultado é déficit de habitações e proliferação de favelas nas grandes cidades, e agora também nas pequenas e médias. O político brasileiro não está muito interessado em aprimorar o sistema, não tem espírito público, ele quer mais é se valer das fraquezas do sistema para ganhar dinheiro.

  14. JOSE CARLOS BALAN disse:

    Mestre Ricardo:

    Todas as atenções se voltam às transgressões éticas e morais no Congresso Nacional, mas deixa-se de olhar para os parlamentos menores – Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores. Nestes também existem transgressões, muitas vezes abafadas por uma imprensa corporativa.
    É fundamental que o cidadão brasileiro volte suas atenções aos seus representantes locais.
    Só assim iremos fazer uma democracia ainda mais sólida. Os maus políticos devem ser eliminados da vida pública pela maior arma que temos: o VOTO. A liberdade democrática foi conseguida a duras penas, como você mesmo relatou, com brilhantismo, quando da derrota da Emenda Dante de Oliveira.
    Esta liberdade deve ser exercida com rigor. No próximo ano iremos eleger governadores, Presidente da República, senadores e deputados – federais e estaduais.
    Aquele será o principal momento. Vamos limpar as mazelas, atirando na lata do lixo os parlamentares corruptos, bem como governantes.
    Precisamos calar as baionetas da democracia e ir à forra, acabamdo com a farra dos políticos que não respeitam os cidadãos.
    Os militares e seus asseclas que ainda hoje militam nas hostes politicas (Sarney, Lobão, entre outros) não conseguiram calar os brasileiros.
    Nós, brasileiros, é que devemos calá-los e para sempre.

  15. jpedro disse:

    Prezado Ricardo:
    Seria possível obter a posição de cada deputado quando da votação das Diretas Já?
    Ou o partido que pertencia a época? Acho que seria interessante para verificarmos o atual posicionamento dos mesmos.
    jpedro

  16. decepcionado disse:

    o que mudou?
    os mesmos estão ai,aprontando mais e mais,antes tivessemos ficados sem eleições.
    so despesas,não muda nada,e eles mais ricos.
    e vc vem lembrar isso?
    não tenho nenhum pouco de saudades,
    queria q acabassem as eleições,vcs imaginam qto custa para o eleitor uma eleição?votar pra que,n se toma nenhuma providencia para corrigir esses gatunos

  17. decepcionado disse:

    porque não matam os familiares desses que abusaram em viagens com o dinheiro pubublico,e acabam com as amantes desses ladrões?,
    e preferivel abrir concurso publico,assim acaba as ladroeiras,desculpas inescrupulosas

  18. Giuliano disse:

    Bom dia Kotscho e demais Balaieiros !

    Adriano – 20:31 – Parabéns pelo comentário !

    Sinceramente, quando eles alegam que a regra não estava clara, é simplesmente para procurar uma brecha por onde todos eles possam tentar sair sem manchas em sua reputação.

    Concordo com tudo o que você disse: o que eles queriam? Que existisse uma norma LITERAL expressando “É proibido ceder as suas passagens para terceiros curtirem férias no exterior” !

    Fala sério !! Eu sou funcionário público, e no meu regimento interno não existe escrito, DE MANEIRA LITERAL, por exemplo: “É PROIBIDO LEVAR OS MONITORES DE LCD PARA CASA. ”

    E, mesmo assim, pasmem, nunca sumiu um monitor !!

    Acho que vou levar um monitor pra casa e, quando vierem me interrogar, eu vou alegar: Ué, não estava claro ! No regimento que eu li, não havia nada explícito proibindo o “empréstimo” de monitores – lógico que é um empréstimo, eu ia devolver depois !!

    Pára com isso… isso é fazer o povo de OTÁRIO !!

    Abraços a todos, pessoal !!

    Giuliano de Matos

  19. decepcionado disse:

    o brasil tem que acabar com eleições,abrir concusos publicos para pessoas competentes administrarem o pais,acabar com a estabilidade de funcionarios publicos,e começar a punir com trabalho ,ou ate morte para esses espertinhos

  20. Giuliano disse:

    Ah, e outra coisa:

    “Eu tinha três caminhos: devolver a cota (de passagens), usá-la para viajar ou vendê-la. Devolver, ninguém nunca devolveu. Vender é crime. Só me restou viajar”.

    Perfeito.

    Agora, resta a nós conseguirmos detectar aqueles que VENDERAM as cotas e EXIGIR a cassação de seus mandatos.

    Temos que pegar um desses pra Cristo, pra pagar o pato pelos outros !!

    Vamos lá !!!

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