iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
27/04/2009 - 10:37

A madrugada trágica das Diretas, há 25 anos

Faz tanto tempo, e tanta coisa aconteceu de lá para cá, que nem me lembrei de escrever no domingo sobre os 25 anos da derrota da Emenda Dante de Oliveira _ o nome de um então jovem deputado do Mato Grosso, que já morreu, como tantos outros líderes daquela memorável campanha das Diretas Já. 

Naquela madrugada trágica de 26 de abril de 1984, faltaram apenas 22 votos para que o Brasil voltasse a ter eleições diretas para presidente da República. Ninguém gosta de lembrar das derrotas, mas neste caso não dá para esquecer: foi lançada ali a semente da democracia em que hoje vivemos.

Ainda bem que guardei tudo escrito. Se fosse depender da minha fraca memória, estaria perdido. Ao me lembrar do fato só hoje, bastou ir até a estante e pegar meu livro “Explode Um Novo Brasil _ Diário da Campanha das Diretas” (Editora Brasiliense, 1984).

Lançado apenas alguns dias após aquela triste madrugada, pelo editor Caio Graco Prado, meu velho e bom amigo também já falecido, no saguão da Folha, com a presença dos líderes do movimento _ entre eles, o velho Ulysses Guimarães, o maior de todos da épica jornada _ o único exemplar que achei tem uma dedicatória para Carolina, minha filha caçula, hoje roteirista de cinema.

Daria um filme aquilo que aconteceu 25 anos atrás no plenário do Congresso Nacional, hoje tão vilipendiado justamente por aqueles que elegemos para nos representar na jovem democracia duramente conquistada.

Por isso, é bom lembrar o que aconteceu um quarto de século atrás para que todos possam dar mais valor ao regime de plenas liberdades públicas em que hoje vivemos _ e lutem para preservá-lo.

À página 123 do livro, lê-se o texto originalmente publicado na edição do dia 27 de abril de 1984 da Folha de S. Paulo, o jornal para o qual trabalhava na época e fiz a cobertura de toda a campanha:

Galerias explodem

e não deixam a luta terminar

Alguns deputados choravam, outros se prostravam em silêncio. Ao ser anunciado o resultado da votação da Emenda Dante de Oliveira, pouco depois das duas horas da manhã de ontem, a grande festa que todo o povo brasileiro esperava corria o risco de se transformar num imenso velório.

Mais uma vez, porém, este povo reagiu. Em vez de ficarem lamentando os 22 votos que faltaram para que o Brasil voltasse a ser uma democracia, os homens e as mulheres que lotavam as galerias bradaram seu grito de guerra: “um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos eleger o presidente do Brasil”. 

As mesmas galerias que se comportaram como se estivessem no parlamento britânico, durante as 17 horas de discussão e votação da Emenda, agora explodiam sua revolta. De repente, os políticos pareciam estar novamente nas fantásticas mobilizações que nos últimos cinco meses sacudiram o gigante adormecido.

“O povo, unido, jamais será vencido”. “O povo quer votar, diretas já”.  “A luta continua” _ esta gente não aceitava a derrota que uma covarde minoria de parlamentares lhe acabara de impor. Os refrões da grande cruzada democrática voltavam a ecoar no Congresso Nacional e ganhavam um novo grito de guerra: “O povo não esquece, acabou o PDS”.

[ PDS era a sigla herdeira da Arena, o partido criado pelos militares, então liderado por José Sarney, mais tarde presidente da República e hoje presidente do Senado. Parlamentares que integravam o PDS naquela época estão hoje espalhados por vários partidos, em sua maioria no DEM ].

Sem banda, nem regente, lá vinham eles de novo, cantando o Hino Nacional. Lá embaixo, no plenário, os parlamentares também se deram as mãos, braços erguidos, e se refazia a corrente, todos cantando juntos. As tropas do general Newton Cruz, o “Nini” [ então comandante militar do Planalto, que colocou o Exército nas ruas de Brasília], haviam conseguido o que queriam: a rejeição da emenda das diretas que todos queriam.

Mas ainda não era o bastante. Vários parlamentares, tendo à frente os deputados Airton Soares (PT-SP) e João Hermann Neto (PMDB-SP) tiveram de participar de intermináveis negociações com os homens do general “Nini” para permitir que cerca de mil pessoas, sem sua maioria jovens, pudessem ir embora sem maiores riscos, já que tropas continuavam acantonadas na Esplanada dos Ministérios.

Afinal, foi feito um acordo e, junto com os parlamentares, eles começaram a subir pela contramão da Esplanada. Dali a pouco, veio uma contra-ordem do general e eles tiveram de mudar de rumo. Mais adiante, o cortejo foi novamente barrado. Quer dizer, a certa altura, não podiam mais ir em  frente, nem para trás, nem para os lados.

Aí as tropas do general “Nini”, já que estavam ali mesmo, resolveram jogar algumas bombas de gás lacrimogêneo e atiçar seus cães em cima dos inimigos vencidos.

Uma hora depois, os dois esbaforridos parlamentares conseguiram chegar ao restaurante Piantela, o mais badalado de Brasília, onde outros notáveis da sociedade civil refaziam-se das agruras da longa  jornada. O alarido era o mesmo de outros dias e, se algum forasteiro menos atento baixasse ali naquele momento, teria a impressão de que a emenda das diretas havia sido aprovada.

Só uma mulher, a atriz Christiane Torloni, musa das diretas, dava bandeira de que havia chorado _ e não foi pouco. “Eu aguentei até chegar perto do Ulysses. Aí não aguentei mais, dei um abraço no velho e chorei que nem criança”. Não só ela: Gílson de Barros, um deputado do PMDB de Mato Grosso, dois metros de altura por quase isso de largura, conhecido como o “Hulk” da Câmara”, desabou num choro sentido. Nem se pode dizer que fosse choro de tristreza. Era choro de quem tem vergonha na cara, algo que jamais poderia acontecer com os parlamentares do PDS que fugiram da votação.

Se o Brasil chorava de vergonha, na mais sombria madrugada de que consigo me lembrar, um homem se regozijava: claro, ele, o general Newton Cruz, que , às três e meia da madrugada mandou a tropa se perfilar diante do Ministério do Exército, onde funciona seu QG do Comando Militar do Planalto. Depois de cumprimentar os rapazes pelo belo trabalho, ordenou seis “hip-hip-hurra!” para festejar a vitória.

Outros foram mais discretos. Calim Eid e Heitor de Aquino, os marechais malufistas na guerra antidiretas, limitaram-se a acender charutos e a gozar em generosas baforadas a humilhação do povo brasileiro. Pleno de satisfação, o malufista Edson Lobão, vice-líder do PDS [ hoje ministro de Minas e Energia do governo Lula], foi mais discreto ainda: assim que o sistema de som do Congresso anunciou o resultado, ele, que fugira do plenário na hora da votação, deixou seu gabinete e escafedeu-se lampeiro pelos subterrâneos do parlamento, a caminho da glória.

Para que a humilhação fosse compelta, os “Nini” e seus braços políticos não tinham limites. Na mesma noite em que o Congresso se preparava para decidir sobre os destinos do povo brasileiro, a PM de Brasília, subordinada ao general Newton Cruz para executar as medidas de emergência, invadia uma escola na cidade-satélite de Taguatinga, o Centro Educacional Ave Branca.

Alguns alunos haviam vaiado duas viaturas da PM, gritando refrões pelas diretas. Foi o que bastou para que 60 homens da tropa de choque avançassem sobre professores e estudantes, empunhando cassetetes de madeira, chutando e batendo. Outra vitória das tropas de emergência: vários feridos, dois estudantes presos, mulheres grávidas desmaiadas.

O inimigo, quer dizer, o povo, não desistia. Ainda se ouviam buzinas tocando quando o dia amanheceu em Brasília, como a anunciar que uma derrota não significa silêncio. Mesmo sem a rendição incondicional dos inimigos, o general de divisão Newton Araújo de Oliveira e Cruz, comandante do CMP e executor das medidas de emergência, mandava anunciar ao povo brasileiro, por meio de uma resolução (nº 02/ME/84) e um comunicado (nº 05/ME/84), que, como os objetivos foram atingidos, os inimigos poderiam relaxar um pouco.

A resolução suspendia a censura nas telecomunicações _ instaurada para impedir que todo o país soubesse, ao vivo, quais eram seus traidores _ e o comunicado informava que foram liberados os 35 presos, suspenso o controle dos acessos à Universidade de Brasília e retirados os bloqueios nas entradas da cidade.

O inimigo Dante de Oliveira, aquele que deu nome à emenda vitoriosa e rejeitada, no entanto, não se rendia. “A rejeição da Emenda e o fim da sessão do Congresso só fizeram mostrar a desmoralização total do governo e do seu partido”, repetia ele, ontem à tarde, no Congresso, mais disposto do que nunca a prosseguir na luta.

Perto dele, a deputada e atriz Beth Mendes (PT-S), que, de manhã, chorava ao ler o editorial da primeira página da Folha _ “Cai a Emenda, não nós” _ procurava animar quem encontrasse pela frente. “Ontem, foi fogo segurar aquela barra. Mas, hoje, já está tudo bem de novo. Nós não perdemos, nós ganhamos, você vai ver”. 

De fato, nem as nuvens escuras e a chuva do fim de tarde em Brasília, depois destes dias de sol, foram capazes de apagar a chama. Num apartamento da W-3, ainda resistia, apesar de tudo, uma faixa em que se podia ler, simplesmente: BRASIL. 

Em tempo:

Leitores deste Balaio me surpreendem, positivamente, a cada dia.

Neste domingo, às 19:48, foi a vez do leitor Gilberto José Muniz (aqui eles dão nome e sobrenome), 60 anos, que enviou um comovente relato sobre o que é possível fazer para sairmos deste baixo astral, tema do blog no fim de semana.

Muniz conta como criou por conta própria uma biblioteca comunitária em Campo Grande, no Rio de Janeiro, que começou com 200 livros tirados da sua estante e hoje, com a ajuda de muita gente, já conta com mais de 60 mil obras.

Vale a pena ler o depoimento dele na área de comentários do post “Caso Maria Júlia: o que podemos fazer?”.  

Em tempo 2:

Mal acabei de escrever (não confudam com escrever mal, por favor…) o post acima, fui liberar os comentários e encontrei um texto primoroso do estudante Alvaro Castro (11:03), da Universidade FUMEC, de Belo Horizonte.

“Tive que fazer um trabalho de faculdade para combater este texto”, escreveu-me ele, referindo-se a um post do Balaio de dias atrás _ “Por que tanta gente quer ser jornalista?”

O jovem contesta ponto por ponto meu texto, com bons argumentos e um texto de tirar o chapéu, tanto na forma como no conteúdo.

E não é que ele tem razão em muitas coisas que escreveu? Por isso, recomendo a quem se interessar pelo assunto que leia o comentário de Álvaro Castro.

Estes leitores do Balaio estão ficando cada dia melhores… 

Em tempo 3:

Por falar em bons leitores, estou devendo há dias uma satisfação a um dos mais antigos deste Balaio, o Simei de Almeida, do Acre, que ultimamente anda meio sumido.

Ele se queixou que, ao falar pelos lugares por onde o Balaio passou nestes sete meses no ar, esqueci de mencionar no Acre. Fiz apenas de memória referência a algumas regiões do Brasil de onde enviei textos para o blog, mas não me lembro de ter passado pelo Acre neste período. O Brasil é muito grande…

Em todo caso, aproveito para reiterar ao Simei e a todos os amigos de lá que considero Rio Branco uma das cidades mais bonitas e bem cuidadas do país, como já escrevi várias vezes em diferentes sítios e publicações. 

 

     

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

70 comentários para “A madrugada trágica das Diretas, há 25 anos”

  1. Manoel Ferreira disse:

    Ricardo bom dia, as vezes a gente vê pessoas de nobreza tão elevada e espírito altivo que não dá pra não falar algo!

    Estimado Everaldo, meu amigo. Bom dia!

    Mais uma vez você me comoveu caboclo, o Brasil precisa de mais Everaldos, mas infelizmente, eu tenho algumas´´péssimas noticias pra te dar:

    Estive por estes dias, contra a minha vontade em alguns fóruns de nossa região, para que nós pudéssemos avaliar de certa distância o que realmente está sendo proposto pelo nosso governo, e não vi nada que se aproxime da idéia ventilada: 1 milhão! Esse número é irreal!

    De cara Vevé, eu te asseguro não chores não viu, mais é impossível de se fazer as taperas no sertão

    Então vamos aos fatos:

    Nosso déficit habitacional Everaldo, eu estimo hoje em torno de 8 a 10 milhões de moradias , portanto muito além do número anunciado. Ou seja ainda que extremamente bem intencionada proposta do governo representa apenas um décimo do problema ou pouco menos.E mesmo assim a sua realização está completamente fora da nossa realidade!

    As nossas construtoras não estão devidamente preparadas para a elaboração de projetos neste custo, nem com o custo de mão de obra e nem ao menos os nossos fornecedores de matérias de construção estão aptos para produzirem e comercializarem materiais complementares como fios, luminárias, dobradiças e outro monte de apetrechos que compõem uma casa, a baixo custo, para tamanha empreitada.

    Se levarmos agora para o campo de áreas para a construção do que foi proposto no projheto, a maioria dos municípios não dispõe de áreas próximas aos centros urbanos, em quantidade suficiente para tornar exeqüível a idéia a curto ou ainda em médio prazo. E tudo isto sem contar ainda com a falta total e absoluta de empenho de alguns destes municípios em “confeccionar” seus “Planos Diretores” que num momento deste poderiam ser de grande utilidade. Alguns sem ao menos tentar sentar para discutir já desistiram do projeto extra oficialmente!

    Antes do anúncio oficial por parte do Governo federal, eu creio que não houve um planejamento amplo neste sentido, não só com a resolução do problema habitacional, mas, sobretudo quanto à ocupação do solo. Quantos municípios brasileiros dos quase 5.600 existentes dispõem de uma secretaria de desenvolvimento urbano? Em nossa região eu estimo que no máximo 20%, e não são de profissionais do ramo, e sim afilhados políticos sem o menor preparo técnico algum para desenvolver um projeto arrojado neste aspecto.São os famosos come e dorme, que o tio vira prefeito e o vagabundo arruma um modo simples de continuar a vida fácil

    Existe também um fator que deve ser levado em consideração,Everaldo: É a questão da padronização? Vamos sair construindo a torto e a direito, sem determinar uns três ou quatro padrões de janelas, portas, tamanhos de cômodos e etc. para que se possa produzir com maior rapidez e a um custo menor? Particularmente na industria privada, acho difícil alguém se dispor a firmar contratos como este, os quais seriam impossíveis de serem cumpridos, a nível de prazo e custo!

    O próprio Luiz Ignácio, sabedor que era da impossibilidade de colocar em pratica 20% que fosse da idéia ventilada, ainda na cerimônia de lançamento, já se encarregou de diminuir as expectativas sobre o prazo do programa. “Não há limite de tempo, portanto, não me cobrem”, disse o presidente. “A gente não tem de se importar com o tempo”. Gostaria que terminássemos em 2009. Se não conseguirmos, 2010 ou 2011, 2012, e vai por aí afora!

    Everaldo, lamentávelmente some-se a isto tudo, outros entraves como as barreiras burocráticas, de espaço (muitos especialistas chamam atenção para a falta de terrenos disponíveis, sobretudo nas grandes cidades, algumas do vale do Paraíba, por exemplo, já em tom de meia boca, alguns disseram ser impossível viabilizar tal empreitada,) sem contar as construtoras, algumas admitem que nem trabalhando no custo zero conseguiriam colocar em prática a confecção das moradias algumas nem quiseram ouvir o restante do rosário, e até as grandes industrias fornecedoras de Ferro, Aço, Cimento, etc. e de outros .materiais acham também inexeqüível o cumprimento de tal promessa, a exemplo do que ocorreu em alguns segmentos ano passado. (no pico da fase recente de crescimento da economia, no meio do ano passado, chegou a faltar cimento no mercado brasileiro).

    Mesmo quando se olha apenas para o lado econômico do programa, sem nem colocar na roda os riscos urbanísticos nele envolvidos, fica claro que, para botar em pé um projeto tão ambicioso será preciso muito mais do que vontade e retóricas políticas. São estas promessas sem base real que nos colocam: eu e a maioria dos Balaieiros em lados opostos. “(Fome zero, Três refeições…, Pré-sal, Bio isso, Bio-aquilo, PAC, e vai por aí afora…)

    É tarefa árdua e difícil, que exige altíssimas doses de coordenação e depende de muitos protagonistas – às prefeituras, por exemplo, está reservado um papel critico.
    Veja um caso que considero de difícil porém possível realização que está ocorrendo no México, Everaldo. O México, por exemplo, foi mais cauteloso, e começou construindo 100 mil casas e aumentou 100 mil a cada ano. Hoje, sete anos depois, constrói 800 mil Conforme já disseram acima: o mercado de construção civil não agüenta a demanda que será criada. É extremamente arriscado deixar os financiamentos e as avaliações de créditos nas mãos de um órgão tão grande e lento.E a coisa vai se dissipar no ar.

    Então Everaldo, infelizmente eu tenho que te dizer meu amigo de quem eu tanto gosto: É impossível meu amigo, é audacioso por demais, e são por estas coisas nós nunca faremos aquilo que de fato precisa ser feito. Nossos sonhos por maiores que sejam tem que se adaptarem ao alcance dos nossos esforços!

    Mas de qualquer forma pelo menos é uma idéia!

    Abraços fraternos

    Manoel Ferreira

  2. Renato disse:

    Everaldo, essa história que você nos traz é horrível. Mas, infelizmente, é praxe nesse país de mente estatólatra em que vivemos.

    É o país do carimbo – pra tudo tem que ter uma certidão, uma comprovação, um selo. Pagos, obviamente. A razão disso? Simples: uma vez que o Estado é grande caloteiro e estelionatário do país, nada mais lógico que ele julgue todos os cidadãos a partir da sua própria métrica. Então, cabe ao cidadão provar a sua própria inocência (numa total inversão de valores). Pior, cabe ainda ao cidadão bancar o custo de provar a sua própria inocência, por meio das infinitas certidões PAGAS que temos que tirar ao longo da vida.

    No dia que o brasileiro entender que o grande racha no país não é entre PT e PSDB, mas entre Estado e Povo, aí talvez as coisas comecem a mudar.

  3. Giuliano disse:

    Everaldo – seu comentário das 18:23 é contundente.

    É difícil mesmo se conformar com isso. Se as coisas forem menos “macro” e mais “micro” – como o Engenheiro sugeriu no post da Dona Julia que deu início à série – creio que as coisas fluiriam muito melhor.

    Apenas para constar: qual é o custo para construção de uma casinha popular, nos moldes dessas quatro casas, sendo que o terreno já existe?

    Giuliano

  4. Audálio Dantas disse:

    Rapaz, pois não é que aquela madrugada, que lembra um samba de Jorge Costa – “Triste madrugada foi aquela…” –, quase ia passando em brancas nuvens. Foi bom você lembrar, contar o que aconteceu na votação da emenda que poderia coroar o maioi movimento de massa já ocorrido no Brasil, a campanha “Diretas já”.
    Naquela madrugada, um grito de liberdade ficou parado no ar, mas, como você bem diz, dávamos mais um passo, decisivo para a reconquista da liberdade perdida.
    Apesar do general Nini, que mantinha Brasília sitiada e instalara a censura que impedira rádios e televisões de noticiar o que ocorria na capital da República.
    Por falar em general Nini, conto aqui uma história da qual poucos jornalistas tomaram conhecimento, apesar de envolver diretamente a a principal entidade da categoria, a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), por mim então presidida.
    A Fenaj se engajara, como não podia deixar de ser, na campanha pelas eleições diretas. Dias antes da votação da emenda Dante de Oliveira, uma grande faixa, com dizeres de apoio à proposta, foi estendida na fachada de sua sede, num edifício do Setor Comercial Sul.
    O general Nini, então uma espécie de rei do Planalto, marchava com sua tropa pela Esplanada dos Ministérios, açoitava autoóveis com seu rebenque e rondava, indócil, a sede do Congresso Nacional.
    Tudo isso seria pouco, naqueles dias de exceção, se os meios de comunicação eletrônicos não estivessem proibidos de noticiar o que acontecia em Brasília. E ele era o censor-mor.
    Por isso, a Fenaj decidiu entrar com uma ação na Justiça contra o general e sua censura. Na tarde que antecedeu a madrugada em que a emenda das Diretas seria derrotada no Congresso, enquanto eu e alguns diretores fomos protocolar a ação no Tribunal, um bando de soldados armados invadiu a sede da Fenaj, arrancou a faixa e levou preso o vice-presidente da entidade, Francisco Pinto.
    Os jornais, que assim como as revistas não estavam sob censura direta, praticamente ignoraram o fato, ao contrário do que ocorreu com a invasão da sede da OAB, que ganhou as manchetes.
    Estranhamos, mas, como diria o Adoniran Barbosa, “nós se conformemos”, pois um colega lembrou que jornalista não é notícia. Principalmente quando se trata de assunto que envolve sindicato, federação, essas coisas. Um coleguinha bem que lembrou, na ocasião:
    – É luta de classe, estúpido!
    Pois é, meu caro. Apesar disso, a censura caiu e os jornais estão aí dizendo o que querem. Ou omitindo, quando lhes convém.

    Abrações e vivas!

    Audálio Dantas

  5. Giuliano…Giuliano…voce tá bom demais meu amigo…eita!!!

    Dá um pulo lá no boteco…vamos tomar umas, tenho certeza que voce vai gostar do pessoal…

    Lídia…obrigado!

    Manoel Ferreira…tenho um enorme prazer em lê-lo…continua afiado hein meu paizão???

    Simei meu velho amigo! Seja bem vindo de volta ao baláio…estava com saudades!

    Robson

  6. Zé da Silva Brasileiro disse:

    Parabéns Ricardo. Todavia você mencionou apenas os senhores José Sarney e Edson Lobão. É fundamental que todos os políticos que votaram contra as diretas e ainda estejam por aí periodicamente disputando eleições e pedindo votos sejam desmascarados. Essa gente precisa ser confrontada com o seu passado.

  7. Adriano disse:

    Robson, 27/04 21:32h. Obrigado. Pretendo passear por aqui. Pelo que percebi isso aqui não é um balaio. Mas “o” balaio.

    Giuliano 09:43h. É esse absurdo mesmo. Eles escrevem e eles dizem que não está claro… Socorro.

  8. Vivian S. disse:

    Kotcsho, o Dante de Oliveira morreu deprimido, num ostracismo de da pena em Mato Grosso, acho que poucos lembram-se dele hoje. Foi um homem de visão, de construção, de futuro. Tirou MT da familia de coronéis da região – os Campos da Arena, depois PDS, PFL e hoje DEM, claro – e deu um impulso de dez anos em quatro no Estado. Infelizmente, deixou instalar uma certa corrupção em seu governo, com alguns Secretarios de Estados e seu parceiros da economia local avidos em enriquecer graças ao erario, mas senão, de que me lembre da safra de governadores dos ultimos 40 anos em Mato Grosso, foi de longe o com maior visão de homem de Estado.

  9. Falando em madrugada trágica, dois policiais militares que patrulhavam as ruas de Stanto André, zona do ABCD, na Grande São Paulo, foram mortos por delinquentes que ocupavam dois veículos que interceptaram a viatura, metralhando-a.Os policiais não tiveram a mínima chance de defesa. São chefes de família que representavam a segurança do Governo do Estado de São Paulo, aquele mesmo que apos 14 anos sem nenhum reajuste, ”premiou” seus policiais com 6% de reajuste (não abrange sequer a inflação do ano) somente a partir de março de 2009, depois que em outubro de 2008, ter ocorrido aquele entrevero entre PMs e PC. na respectiva reivindicação. Mas, que segurança? Quando a própria polícia não está segura, quando existe há algum tempo a audácia de delinquentes em atacar os órgãos de segurança, pela impotência e fragilidade destes, o que pode ser oferecido à sociedade? Quem usa transporte coletivo no seu dia à dia, deve ter percebido que não se vê nestes, policiais uniformizados, por que é muito arriscado para o policial. E vêm os gravatinhas, achando que temos um dos melhores serviços de segurança pública, falando com uma batata na boca, arrotando caviar. Quem não percebe os serviços de segurança particular, crescendo dia à dia, com pessoal uniformizado e com viaturas e armamentos com características de polícia tentando fazer o que o Estado não faz. Se tivessemos uma seugurança à contento, não precisaria tanta segurança particular. Esses policiais que morreram nesta madrugada, entre tantos que foram assassinados, SÃO CHEFES DE FAMILIA, HOMENS HONESTOS E TRABALHADORES, QUE ENQUANTO A CIDADE DORME, TENTARAM DAR SEGURANÇA DE ACORDO COM OS MEIOS QUE DISPUNHAM. Em tempo não tão remoto, tivemos a morte de um Policial Militar Rodoviário, que ao parar a viatura num local de acidente e verificar se havia vítimas por socorrer, eis que um delinquente atirou por diversas vezes sem dar-lhe tempo de resistência. Esse marginal evadiu-se com a viatura policial, abandonando-a num outro ponto da estrada e ainda conseguiu dirigir-se à uma cidade do Vale do Paraíba, onde numa igreja executou outro policial. Num serviço de policiamento eficaz, esse delinquente não conseguiria sair sequer da rodovia com a viatura que se apoderou, no entanto, viajou muitos quilometros sem ser perseguido, a ponto de matar mais um. Quantas viaturas nós vemos nas rodovias com um único homem patrulhando! Se tivessemos uma guarnição de patrulheiros em cada ponto de fiscalização fotográfica, tenham certeza, o delinquente não teria toda essa liberdade. Mas, aí vem o problema, os motoristas iriam andar em velocidade compatível e a indústria da multa iria à falência. É isso.

  10. Desculpe-me utilizar este espaço para propor assunto diverso…é que não consegui localizar seu e-mail.
    Gostaria que o jornalista aventasse a hipótese de repercutir o ‘escândalo” trazido pela “IstoÉ” da semana pasada, que tratava dos ministros (não merecem ser chamados assim) “pidões”, sem qualquer senso ético.
    Mas gostaria também de ver as mazelas (que são muitas) do Judiciário tratadas por aqui, com a forma inteligente e perspicaz que é sua marca.
    Grato pela atenção

    Luiz

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo