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17/04/2009 - 09:38

Por que tanta gente quer ser jornalista?

Faz muitos anos que os cursos de comunicação social que formam jornalistas são os mais cobiçados nos exames vestibulares. Faculdades de jornalismo pipocam por todo país, são centenas por toda parte.

Por isso, eu me pergunto: por que tanta gente quer ser jornalista, exatamente neste momento em que se anuncia a morte dos jornais e a nossa profissão é tão criticada pelo conjunto da sociedade?

Além disso, estamos prestes a ter uma decisão do Supremo Tribunal Federal, provavelmente acabando com a obrigatoriedade do diploma, o que, na prática, significa que qualquer um poderá ser jornalista, como já vem acontecendo.

Claro, eu sei que com o crescimento das novas mídias eletrônicas ninguém mais precisa ter diploma nem emprego para ser jornalista, pois cada um pode fazer seu próprio jornal na internet.

Mesmo assim, uns 50 mil jovens, ninguém sabe ao certo quantos, estão hoje cursando faculdades de comunicação para ter um diploma. Daqui a pouco vamos ter um contingente maior de estudantes do que o conjunto de profissionais em atividade.

Cada vez que faço uma palestra ou participo de debates em faculdades, vejo aquele mundão de gente no auditório e me preocupo com o futuro profissional daqueles jovens. Haverá emprego e trabalho para todos?

Emprego bom, não sei, mas trabalho certamente quase todos terão se quiserem mesmo ser jornalistas. Mudaram tanto as relações de trabalho que você hoje já não sabe quem é patrão e quem é empregado de quem diante dos milhares de títulos de impressos e de assessorias de imprensa, sites e blogs na internet.  

O mais difícil é saber por que e para que eles querem ser jornalistas. Fiz esta pergunta aos meus alunos quando dei aulas por um período na USP e na PUC/SP no século passado e poucos souberam responder.

Cheguei à conclusão de que a maioria estava ali porque jornalismo era a profissão da moda, sem a menor idéia do que gostaria de fazer na profissão, além de aparecer na tela da TV Globo, é claro, ou ter uma coluna na Folha ou na Veja.

Aquela velha história de idealismo, compromisso social, mudar o mundo, e todos os sonhos dos meus tempos de estudante, acabou. A grande maioria quer mesmo é se dar bem, fazer sucesso e ganhar uma boa grana, sem saber como.

Fico impressionado com a quantidade de estudantes que me procuram para dar entrevistas, fazer palestras, dar depoimentos para seus TCC (Trabalho de Conclusão de Curso, uma praga que inventaram para atazanar a vida de velhos jornalistas) ou simplesmente conversar sobre a profissão.

Muitos deles buscam apenas uma palavra de estímulo, um alento, já que em suas escolas os professores os desanimam tanto diante das dificuldades que encontrarão no mercado de trabalho que muitos desistem antes mesmo de tentar alguma coisa.

E, no entanto, a cada encontro com estudantes de jornalismo me surpreendo não só com a quantidade, mas também com o entusiasmo e a qualidade de alguns deles, dispostos a encontrar nesta profissão não apenas uma opção profissional, mas uma opção de vida.

Foi o que aconteceu na última segunda-feira, na Universidade São Judas, na Moóca, em que tive dificuldades até para sair do auditório. Estava com pressa porque tinha um outro compromisso naquela noite, mas eles queriam fazer mais perguntas até no caminho do banheiro.

Eu até agora não sei responder à pergunta que fiz no título deste post. Se algum leitor tiver a resposta, por favor me diga.

Abaixo, transcrevo a palestra, na esperança de que os estudantes interessados em saber o que penso encontrem as respostas que procuram e me deixem um tempo para poder fazer minhas matérias. 

   

1964-2009: 45 ANOS DE REPORTAGEM

 

 

         Boa noite, obrigado por terem vindo…

 

         Antes de mais nada, queria agradecer e dar os parabéns aos alunos que me convidaram e organizaram este encontro _ o Maurício Hermann, o Roberto Favaro, o João Luis e Lindemberg Rocha e a Patrícia Santos. 

 

         Já tinha decidido não fazer mais palestras gratuitas em faculdades este ano por dois motivos:

 

·       Preciso de mais tempo para me dedicar à reportagem e ao meu blog. Estava dando mais palestras e entrevistas do que fazendo matérias. Não está certo isso.

 

·       Como vivo do meu trabalho, apesar de aposentado, também não acho certo trabalhar de graça.  Todo trabalho deve ser remunerado.

 

Mas os colegas de vocês me convenceram a abrir uma última exceção e por isso estou aqui hoje para falar por amor à arte sobre o nosso ofício de repórter.

 

 

         Sei que ler um texto é chato, mas, apesar de ter trabalhado durante tantos anos com o presidente Lula, até hoje tenho dificuldades para falar de improviso.

 

Por isso, peço licença a vocês, para ler um texto que preparei sobre o tema proposto como introdução para o debate que teremos a seguir.

                           

Quero me dirigir principalmente aos jovens que ainda acreditam nos compromissos dos jornalistas de servir à sociedade com ética, fiéis ao seu tempo e à sua gente. 

 

Este ano, estou completando 45 anos de profissão, e continuo acreditando nestes princípios. 

 

Fui repórter na maior parte deste tempo, e ainda sou, mas já fiz de tudo um muito na carreira de jornalista _ menos trabalhar em circo, por enquanto…

 

 

De repórter estagiário a diretor de redação,

passando por editor, chefe de reportagem, correspondente na Europa, repórter, comentarista e diretor de televisão,

assessor de imprensa de candidato a presidente, Secretário de Imprensa da Presidência da República, e atualmente blogueiro profissional, já fiz um muito de tudo. 

 

Trabalhei, em diferentes cargos e funções, nos principais veículos da imprensa brasileira, com exceção da revista “Veja” e da TV Record. Fica mais fácil dizer aonde não trabalhei.

 

Para quem começou a trabalhar como ajudante de jornaleiro e depois foi “foca” de jornal de bairro, em 1964, até que não posso reclamar da vida…

 

 

Aprendi, logo no início da minha carreira, que uma das principais tarefas da imprensa é fiscalizar o poder público e denunciar o que tem de errado, sem deixar de contar o que está acontecendo de bom, sair dos gabinetes, contar histórias da vida real.

 

A imprensa era então chamada de quarto poder. Mas, nos últimos tempos, alguns jornalistas e alguns veículos parecem ter-se promovido por conta própria ao primeiro poder _ primeiro e único. 

 

Quer dizer, a mesma imprensa que investiga e denuncia, também julga e condena. A um só tempo, faz o papel de promotor e juiz, dona da ética e do destino.

 

Hoje, é fácil. As denúncias muitas vezes chegam prontas para os jornalistas _ em forma de dossiês, fitas, listas, como um serviço de delivery.

 

Vivemos, afinal, o mais amplo e duradouro período de liberdades públicas desde que me conheço por gente. 

 

Em geral, primeiro denunciam para só depois checar a veracidade do que foi publicado _ mais ou menos como o policial que primeiro atira para depois pedir documentos.

Mas nem sempre foi assim.

 

Em meados dos anos 70 do século passado, fui autor da primeira reportagem de denúncia publicada pela imprensa brasileira, depois da retirada da censura prévia no “Estadão”, instalada com o famigerado Ato Institucional nº 5. 

 

Com a colaboração de toda a rede de sucursais e correspondentes do jornal, coordenei uma série de reportagens sobre as “mordomias” do regime militar, relatando os abusos e privilégios de ministros e altos funcionários do governo federal.

 

O presidente da República era o general Ernesto Geisel e os jornalistas naquele tempo corriam risco de morte no exercício do seu trabalho. 

 

Mais ou menos nessa mesma época, meu colega Vladimir Herzog foi suicidado na prisão e vários outros jornalistas foram presos e torturados. 

 

Tive mais sorte e acabei indo trabalhar como correspondente do “Jornal do Brasil” na Europa.

                          

Sobrevivi para contar estas e muitas outras histórias no meu livro de memórias “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter”, lançado pela Companhia das Letras, em 2006. 

 

Nele conto como se deu a passagem da ditadura à democracia, sob o ângulo de um repórter que viu e viveu de perto as mudanças no país e na imprensa na segunda metade do século passado.

 

         Como comecei em jornal no inesquecível ano de 1964, a partir daí relato o que aconteceu na imprensa e no país até 2004, quando trabalhei como Secretário de Imprensa, no Palácio do Planalto, com o presidente Lula.

 

O livro apresenta um registro destas quatro décadas, divididas exatamente em dois períodos de 20 anos: 20 anos de ditadura e 20 anos da nossa jovem democracia. 

 

No meio, como um divisor de águas, localizo a Campanha das Diretas, o grande marco no processo de redemocratização do país.

 

         A mesma grande imprensa que apoiara com entusiasmo o golpe militar de 1964 e, depois, foi colocada sob censura prévia em 1968, a partir do golpe dentro do golpe, demorou a se dar conta das mudanças, vinte anos depois.

 

No final dos anos 1980, um grande movimento popular estava ganhando as ruas para dar um basta à ditadura.

 

Trabalhava nesta época no jornal “Folha de S. Paulo” que, desde o primeiro momento, ainda nos últimos meses de 1983, abriu suas páginas e mobilizou toda sua equipe para fazer a cobertura da Campanha das Diretas.

 

Pela primeira vez, notei esta mudança de direção entre os chamados formadores de opinião, abrigados na grande imprensa, e a vontade popular expressa pela sociedade civil organizada.

 

Em vez de a imprensa fazer a cabeça do povo para ir às ruas, como aconteceu em 1964, agora era o povo nas ruas que obrigava a imprensa a ir atrás para descobrir o que estava acontecendo.

 

Com a liberdade reconquistada, a imprensa viveria um período de prosperidade, com investimentos em profissionais e máquinas modernas que produziam veículos graficamente cada vez mais bonitos.

 

Isso durou mais ou menos até meados dos anos 90, quando se instalou uma crise econômico-financeira na mídia. Algumas empresas até hoje lutam para sair dela. 

 

Redações foram progressivamente sendo reduzidas, ao mesmo tempo em que, para cortar custos, o espaço das reportagens na mídia impressa foi sendo ocupado por colunas e pelo noticiário burocrático cevado nos gabinetes e apurado por telefone. 

 

Em conseqüência, houve uma inversão de prioridades na pauta dos veículos. Em lugar das histórias sobre a vida no Brasil real, a mídia impressa passou a dedicar cada vez mais espaço ao Brasil oficial, aos bastidores e às futricas da disputa política, assim como à vida das celebridades.

 

Com a imprensa regional cada vez mais dependente do noticiário das três grandes agências nacionais _ Folha, Estadão e Globo _ , o resultado é que passamos a ter Brasília demais e Brasil de menos nos jornais e revistas.

 

É o caso de se perguntar hoje o que é causa e o que é conseqüência.

A mídia impressa deixou de produzir reportagens por causa da crise econômica dos veículos?

Ou a crise é justamente conseqüência desta mesmice, com os veículos cada vez mais parecidos uns com os outros e distantes do seu público?

 

 Nos anos mais recentes, essa situação se agravou com a concorrência das novas mídias eletrônicas. Agora, já não basta encontrar novas fórmulas para diferenciar um veículo do outro, mas também acrescentar algo a mais ao noticiário das agências on-line,  para diferenciar uma mídia da outra. 

 

Além disso, enquanto a grande imprensa de papel encolhia, emissoras de rádio e televisão passaram a investir cada vez mais em jornalismo. E se multiplicaram por toda parte os sites e os blogs.

 

Bem abastecido de informações durante todo o dia, o leitor dos jornais de prestígio passou a sentir um gosto de pão amanhecido no noticiário impresso que acompanha seu café da manhã.

Esta modorra só costuma ser quebrada quando surge um novo dossiê, uma nova fita ou entrevista explosiva capaz de balançar os alicerces da praça dos Três Poderes.

                                    

Em compensação, os jornais populares não pararam de crescer no mesmo período, incorporando um leitorado novo. Quase todas as grandes empresas investiram nesse filão, atraindo gente que nunca antes teve dinheiro para comprar jornal. 

 

O casamento do preço de capa bem mais barato com a melhoria de renda dos trabalhadores criou um novo e promissor mercado. Além disso, temos agora também os jornais distribuídos gratuitamente nas esquinas.

 

Por isso, entre outras razões, não faço coro aos profetas do apocalipse que anunciam há tempos o fim da imprensa de papel.

Assim como o cinema não acabou com o teatro, e a televisão não acabou com nenhum dos dois que vieram antes, acredito que todas as formas de divulgação de informações sobreviverão.

 

O que cada mídia precisa fazer será definir qual é o seu papel nesta história e ser capaz de atender às demandas da sua freguesia.

 

 

Para que isso seja possível, penso que se torna cada vez mais necessário estabelecer marcos regulatórios na comunicação social. De preferência, com a auto-regulamentação da atividade, tanto para empresas como para os profissionais, a exemplo do que já acontece com o CONAR, que zela pela ética na publicidade. 

 

Num mundo cada vez mais conectado à grande rede, em que seremos todos um dia, ao mesmo tempo, emissores e receptores de informação, há que se estabelecer regras do jogo claras para todos.

 

Só assim a liberdade de expressão e informação será realmente um direito da sociedade democrática e não um privilégio de interesses particulares de grupos políticos ou econômicos.

 

Assim como aconteceu lá atrás na Campanha das Diretas, assistimos hoje a um processo semelhante, em que a população já não se submete mais passivamente aos velhos donos da verdade, mas forma sua própria opinião a partir das mais diversas fontes e, principalmente, dos fatos concretos da sua própria realidade. 

 

 Na medida em que, pelas mais diferentes razões, a chamada grande imprensa deixou de acompanhar o cotidiano da vida real em largas regiões do país, ao invés de surpreender seus leitores, muitas vezes ela é que está sendo surpreendida pelos fatos.

 

De outro lado cresce a importância dos veículos regionais, das publicações independentes, das rádios e televisões comunitárias, um passo importante para a democratização das informações. 

 

Deixei para o final a parte mais importante da história: a grande revolução que a internet está provocando hoje nas relações humanas _ a maior desde que Guttemberg inventou a imprensa, faz uns 500 anos.

 

Quase 60 milhões de brasileiros já estão ligados à grande rede, tornando-se ao mesmo tempo emissores e receptores de informação, acabando com esta história de formadores de opinião.

 

Hoje, cada um quer formar a sua própria opinião e, se possível, influir na opinião dos outros…

Eu, se fosse vocês, querendo mesmo ser jornalista, começaria desde já a trabalhar na internet, nem que seja de graça… Só comecei neste mundo muito recentemente, já chegando aos 60 anos, e confesso que estou gostando muito…

 

Voltando à mídia tradicional. Para aproximar novamente um mundo do outro, quer dizer, a fábrica de papel impresso da realidade vivida por sua clientela, só tem um jeito.

É colocar novamente os dois em contato, falar a mesma língua, reaprender a contar histórias da vida real, não só contar mas também explicar o que está acontecendo.

 

É sair da redação, largar o telefone e as teses dos analistas políticos, botar outra vez o pé nas ruas e nas estradas, olhos e ouvidos bem abertos.

Para isso, sigo sempre a lição do velho mestre Cláudio Abramo. Ele dizia a ética do jornalista deveria ser igual à ética do carpinteiro _ ofício que ele também exercia nas horas vagas. 

 

Quer dizer, precisamos apenas ser honestos naquilo que fazemos, e fazer bem feito o nosso trabalho, qualquer que seja nosso cargo ou função.

Não é a função ou o cargo que faz o profissional, é o contrário: em qualquer cargo ou função, seja numa redação ou numa assessoria de imprensa, a nossa ética tem que ser a mesma.

 

Era assim que pensava e agia quando trabalhei como Secretário de Imprensa no governo.

 

Nós, afinal, prestamos um serviço ao público, para o conjunto da sociedade, e não para quem eventualmente nos paga o salário, seja uma empresa privada ou o governo.

 

O caminho que escolhi e segui quase a vida toda foi o da reportagem _ a melhor maneira de contar o que está acontecendo, de denunciar o que está errado, mas também de louvar as iniciativas de brasileiros que estão mudando a sua própria história e a do país.

 

É o que procuro fazer agora na “Brasileiros”, revista mensal de reportagens, uma iniciativa de alguns jornalistas da minha geração, que ainda não perderam a fé na nossa profissão, apesar de tudo.

Se alguém ainda tiver dúvidas de que vale a pena ser jornalista, basta dar uma olhada na revista, que já está completando dois anos.

 

Desde abril do ano passado, escrevo também no portal “IG”, onde mantenho um blog chamado “Balaio do Kotscho”. Não percam! 

Para mim, não faz a menor diferença se escrevo um texto para a internet, uma revista ou para um novo livro.

Nós, repórteres, somos contadores de histórias da vida real _ o meio usado para isso, a tal da plataforma, pouco importa.

 

Se antes, quando eu comecei, era arriscado e difícil denunciar a corrupção dos podres poderes de sempre, hoje o desafio que se coloca para nós profissionais é outro.

É não servir de instrumento a interesses político-partidários, sejam eles do governo ou da oposição, preocupando-nos unicamente em contar o que a sociedade tem o direito de saber sobre o que está acontecendo.

 

  Sei que pode parecer romântico ou utópico o que estou dizendo, especialmente se falo para jovens que muitas vezes já perderam a capacidade de sonhar e de ousar.

 

Mas sempre foi assim que entendi o nosso papel de repórteres _ esses historiadores do cotidiano que escrevem sobre o dia de hoje, sempre na esperança de contribuir para um amanhã melhor. 

 

Posso garantir a vocês que vale a pena tentar, mesmo remando contra a maré, mesmo dando murro em ponta de faca: é muito bom poder trabalhar como jornalista num país como o Brasil _ onde tanta coisa ainda está por ser construída e tanta história para ser contada.

 

Muito obrigado.

 

Ricardo Kotscho

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

101 comentários para “Por que tanta gente quer ser jornalista?”

  1. tatiane disse:

    É difícil para um jornalista responder algumas questões como está que você fez… já estou tão acostumada a só perguntar, perguntar… rs
    Se alguém pensa em fazer uma faculdade jornalismo achando que vai virar celebridade é melhor acordar… Está tão difícil conseguir emprego nesta área, seja em qualquer mídia ou veículo, imagina conseguir virar estrela… quem pensa assim é melhor investir na carreira de modelo, atriz ou cantor, agora se a pessoa não tem talento ou dom nem para isso, com certeza terá menos ainda para ser um jornalista competente, honesto e com credibilidade. Toda profissão tem de ser servida com amor, não adianta você se formar como jornalista, médico ou qualquer outra coisa e executá-la sem amor, paixão e dedicação – e claro muito estudo.
    Espero que seja sempre exijido o diploma de jornalista, porque caso contrário, pessoas formadas ou não ganharam um salário mínimo (ou menos ainda), que infelizmente não dá nem para se sustentar.

  2. Renato disse:

    Belíssimos textos – tanto o texto de abertura, quanto o da palestra. É pra ler e reler.

    Agora, para mim, saltou aos olhos uma questão (entre várias suscitadas, o que mostra a profundidade do artigo). Kostcho, você aponta que imprensa se tornou uma espécie de 1o poder – uma vez que julga e condena.

    Me pergunto: terá isso ocorrido em função do distanciamento que os poderes tradicionais – e aí me refiro a Legislativo e Judiciário – têm em relação à população?

    Não terá a imprensa absorvido o papel de nos representar em nossas reclamações e “condenar” (ao menos em palavra) os atos que nossos representantes políticos e juízes deixaram de criticar e julgar?

    Não que eu ache que seja papel da imprensa julgar e condenar, mas convenhamos que, no país da impunidade, havia um vácuo de autoridade a ser preenchido – algo que foi feito, nem que em nome de vender mais jornais.

    Creio que, antes de condenar um certo tipo de imprensa, deveríamos sim repensar o que levou a essa situação. E, a meu ver, um importante fator está no distanciamento entre o cidadão e seus representantes – políticos e legais.

  3. Silvana disse:

    Prezado Kotscho,

    A realidade sobre os recém-formados jornalistas é dura. Muitos saem despreparados das faculdades e poucos vão ingressar na área. Não fique preocupado, pois assim que os focas perceberem a realidade da profissão de jornalista só lhes restarão duas opções, a primeira é continuar a diante por amor a profissão, mesmo depois de saber que são poucos os que terão bons salários, porque a profissão está cada dia mais banalizada, terceirizada e etc.. A segunda opção, mais covarde na minha opnião, é desistir e deixar de exercer uma das profissões mais importantes para a sociedade e mais gratificante para quem tem a oportunidade de exercê-la.

    Abraços,

    Silvana
    Jornalista recém-formada e apaixanada pela sua profissão que escolheu desde os 10 anos de idade.

  4. Luis Paulo Orlando disse:

    Sr. Blogueiro, penso que deveríamos formar pelo menos mais de 100.000 jornalistas isentos por ano…e formamos mais juristas isentos e policiais federais que tivessem a vergonha na cara de prender esta quadrilha que está assaltando o nosso país…PENSE UM POUCO VC TB É UM DO “PARTIDÃO”

  5. NELSON LISBOA disse:

    Grande Ricardo, sou seu fã há muito tempo e estou na profissão, há 13 anos porque foi lendo gente do seu nível que me apaixonei pela profissão e continuo vendo nela uma forma de ser útil para a sociedade, de contribuir para que este mundo seja um pouco melhor… Jornalismo é um sacerdócio que aprendi a exercer me baseando em profissionais iguais a você.

  6. José Augusto Bernabé disse:

    Ricardo, tirando você e mais a lotação de uma Kombi, o resto ou é ou quer ser fofoqueiros diplomados.
    Fofoca sempre deu grana, lembra da Candinha? do Porto? do Sued? e outros tantos?
    A Corporação da Fofoca é tão grande quanto as outras.
    O fofoqueiro jornalista de hoje, também tem de ser ator. Observe como nos jornais televisivos, a macacada muda de expressão a cada palavra. RIDÍCULO.
    Os fofoqueiros jornalistas economicos então, são risiveis, todos eles, os policiais, nem falo. Tudo virou Dante e sua Grande Comédia.
    Não dá pra comparar a bagagen sua e do Dines, porque a estrada que eles passam e passarão é FALSA, voce sabe disso, e o ponto de vista dessa geração é funkeira e não da Terra e o Espirito Universal. São totalmente descartáveis.
    PORÉM, TEM UM LADO BOM DE TUDO ISSO:
    SÃO +OU- 50.000 NÃO ADVOGADOS, ESPERO.

  7. Edson disse:

    O melhor curso a fazer é Direito. (ponto final) Esqueçam jornalismo.

  8. Eu disse:

    Não sou jornalista e nem estudante de jornalismo.
    Não posso julgar todos os jornalistas da imprensa… mas, hoje em dia o jornalismo brasileiro está perdido me desculpem!
    Hoje a mídia faz o que quer… acusa quem quer… dita as regras… basta, pegar um notícia, ler e questionar… Veja o caso de Daniel Dantas neste momento… de réu à vítima…
    A conclusão é que em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.
    Veja a revista Veja, ou melhor não Veja… uma revista tendenciosa… a Rede Globo manipuladora e ainda tem Folha de SP, Estadão, etc…
    Vejam o áudio de Requião em http://www2.paulohenriqueamorim.com.br/?p=9182 vale muito à pena…
    Hoje, qualquer um pode ser jornalista… a internet é livre… é por isso, que leia o que considero a mídia alternativa, pois chega de manipulação! Navegue e leia, fuja das grandes dominantes da mídia brasileira… Não seja manipulado!

  9. contraponto disse:

    Acredito que há tanta procura pela profissão por causa do falso

    glamour que a envolve. Muitos estudantes de jornalismo se

    imaginam derrubando presidentes, cobrindo guerras,

    trabalhando na globo ou na veja. Mas a realidade da profissão

    não tem nada de glamurosa, os que vão para a globo, folha ou

    veja são os bem nascidos, apadrinhados ou os que venham a

    namorar/casar com os grandes jornalistas, esta é a realidade. Ao outros

    sobra trabalho duro, cargas horárias excessivas, frustrações.

    Entrar numa profissão para ter uma vida glamourosa é uma

    burrice, porque qualquer profissão pode ser mais rentável e

    socialmente útil que a de jornalista. O jornalismo às vezes é um

    ofício, como o de padre. Não é para qualquer um.

    Quanto ao debate sobre o diploma, sou contra. A própria

    realidade se encarregou de anular o diploma de jornalista. As

    ana hickman, andre marques, luig barrichelli, e outras modelos

    e atores pegam um microfone e fazem entrevistas, na prática o

    diploma não tem utilidade nenhuma, basta ser bonito (a) para

    fazer as vezes do repórter.

  10. Paulo Antunes disse:

    Prezado Ricardo, não sou jornalista e nem faço a Faculdade para tal, mas algumas notícias recentes me obrigam a desabafar com alguém! Foi comovente a entrevista do Senador Garibaldi Alves Filho ao tentar justificar o pagamento de míseros 118 mil reais à viúva do Senador Jeferson Peres! Foi de cortar o coração quando o Senador disse que autorizou o pagamento das passagens em espécie, pois ela estava sem receber a pensão! Sugiro até que todos brasileiros que estiverem em dificuldades financeiras que peçam ao nobre Senador, que parece ter um coração enorme, principalmente quando o dinheiro não é dele! Os nossos políticos estão ultrapassando todos os limites da desonestidade e da indecência! São reformas absurdas dos apartamentos funcionais (todo inicio de mandato é a mesma coisa!), mesmo que este não precise de nenhuma reforma! Isso se o antigo ocupante, que não se elegeu sair do dito apartamento (Já houve caso(s) que foi necessário abrir processo contra o nobre ocupante que não saia, nem com fórcipes)! Verba indenizatória, e outras mais (nomes para as muitas formas de se subtrair o dinheiro público é que não falta! Ufa, cansei de escrever! Até mais!!!

  11. Mara disse:

    Pois é Kotscho,

    não quis fazer jornalismo.. até acho glamuroso e interessante, imagine o impacto quando alguém diz: sou jornalista ahhhhhh!!
    mas .. preferi fazer filosofia…….. abraços..

    .

  12. Laís Bloise disse:

    Em primeiro lugar, parabéns pelo texto e pelos quarenta e cinco anos de carreira. O texto é formidável e não posso deixar de citar que a minha identificação foi imediata quanto as opniões ali citadas. Mas o que me trouxe a comentar não foram os elogios e sim uma pergunta que muitos não souberam responder. Confesso que estou um pouco alheia sobre o assunto. Como o Supremo Tribunal Federal está prestes a acabar com a obrigatoriedade do diploma da área jornalistíca e não se vê nenhum movimento do Sindicato dos Jornalistas para, ao menos, defenderem a nossa profissão? Hoje em dia em que até “flanelinhas” possuem uma associação que defedem seus direitos, fica claro o pleno descaso que está sendo feito com um assunto tão sério.

  13. rafael disse:

    Caro Ricardo a resposta você mesma a deu é a profissão da moda, hoje a maioria dos jovens não são idealistas e sim modistas, quanto a quantidade sobriviverão apenas os qualificados e alguns oportunistas que usarão a miséria alheia para se promover, idealismo dificimente voltara.

  14. Não creio que alguém possa responder sua pergunta. Por que continua a “moda” de querer ser jornalista? Coloquei essa dúvida em meu blog, “Fala, Zanfra!”, em novembro de 2007:
    “Se o mercado de trabalho se ressente da falta de mão-de-obra qualificada para muitas e muitas vagas que estão aí, disponíveis, por que é que mais e mais jovens procuram uma carreira com cada vez menos disponibilidade de vagas e cada vez mais mão-de-obra qualificada? Glamour? O charme de ser jornalista? A chance de trabalhar na Globo e ser colega da Glória Maria e do Bial?
    Confesso que já achei dizer “sou jornalista” mais glamouroso do que acho hoje. Não que, depois de 30 anos de carreira, eu tenha perdido minha identidade ou descoberto que minha vocação era outra. É que, justamente por essa procura toda, a profissão está perdendo aquele diferencial da vocação, do sacerdócio.”
    Mas, como você mesmo disse, trabalho não vai faltar… embora o mesmo não possa ser dito sobre EMPREGO.

  15. Bom dia Ricardo!
    Bom dia amigos balaieiros!

    É realmente motivante ver os jovens sonhando, lutando, e procurando buscar seu melhor lugar no mundo.
    Para aqueles que buscam o profissionalísmo sério, voltado não só aos próprios interesses, mas também buscando com isso ajudar a sociedade de alguma forma…eu parabenízo com muita emoção!
    Volto novamente á citaR uma frase que gosto muito de Jean Paul Sartre ” NÃO IMPORTA O QUE FIZERAM DO HOMEM…MAS AQUILO QUE O HOMEM FEZ, DAQUILO QUE FIZERAM DELE.”
    O bom profissional cumpre a sua missão com a melhor responsabilidade, e respeita os seus horários…
    O Excelente profissional, vai além…não tem horários, não dispõe de limítes, e por isso é muito encorajador saber que ainda exístem pessoas assim.
    Realmente sei que exístem pessoas que se “prostitúem” voltadas apenas aos interesses financeiros, ou comodidades relatívas à profissão que escolheram. Provavelmente conseguem atingir esse sucesso…mas se tornam infelizes…amargas…amparadas somente no conforto material que perseguíram durante a vida, e nas pessoas que pisaram para subir cada degrau.
    Não possuem amigos, e nem respeito, á não ser pelos efêmeros objetos conquistádos.

    Mas ninguém é perfeito!

    Parabéns Ricardo, por seus 45 anos de dedicação à essa profissão. Voce sabe exercê-la de forma impecável, vísto a sua infindável lísta de amigos, e o seu excelente humor.

    Um homem hoje em dia sonha em ser um “bom policial” mas infelizmente encontra mais dificuldades para realizar o seu sonho do que incentívos…assim é também com os professôres, e outras tantas profissões.
    Algum tempo atrás ví que minhas filhas estavam lendo um pequeno livro chamado “O doce veneno do escorpião” de Bruna Surfistinha. (pseudônimo).
    Apesar de elas na época serem adolescentes, conversamos sobre o assunto, (sempre procuro manter esse canal aberto)
    O livro propriamente relata as aventuras de uma “garota de programa” que se profissionalizou de tal forma naquilo, que achei admirável…sem hipocrisía!
    Ela pode ter se prostituído, sem se prostituír profissionalmente.

    Portanto, não importa o caminho que alguém escolheu, ou que a vida o dirigíu à escolher…importa o que essa pessoa fêz de produtívo para ela e para a sociedade dentro de sua proposta de vida profissional.

    Assim vejo e espero que esses futuros jornalístas encontrem nessa profissão, como em todas as outras, um sonho de vida, e um caminho de realizações.
    E que no futuro possam olhar para sí próprios…como pessoas que ajudaram á construír essa nação.

    Abraços!

    Robson de Oliveira nosbornar@ig.com.br

  16. Para Norma!

    Norma minha amiga! Em primeiro lugar, lembre-se do que eu te disse no boteco do balaio. Em segundo voce já está de volta aqui comentando com a gente alegremente. Está nesse exato momento agradecendo a todos aqui pelas orações, e muito felíz por tudo o que deu certo.
    O tempo?….isso não exíste…é apenas uma abstração.

    Beijos!

    Robson de Oliveira

    Samuel meu amigo!

    O Manoel Ferreira está bem! Apenas muito atarefado, segundo o que ele mesmo nos tem dito.
    Logo voltará aqui com seus comentários maravilhosos.

    Ricardo!

    Estamos muito preocupados é com o Enio…voce tem notícias dele, ou sabe de alguém que podería nos dar alguma informação?
    Se quiser responder em outro espaço, pode ir no boteco, ou por e-mail.
    A última notícia que tivemos dele, foi de que o seu computador estava apresentando problemas.

    Obrigado!

    Robson de Oliveira

  17. Marcos Cardoso (Itabuna-Ba) disse:

    Se você, Kostcho, no alto de sua experiência de vida e de jornalismo, não tem essa resposta. Seria pretenção excessiva minha. Todavia gostaria de dá um pitaco!
    Numa socidade que valoriza o ter em detrimento do ser que cultua a aparência fisica e tambem o status. A profissão de jornalista é uma vitine perfeita para massagear o ego, tomado muitas vezes pelo sentimento de individualsimo tão em alta na sociedade pós moderna. Em nome de um bom salario, vende à alma as idéias dominantes da midia burguesa atrelada aos conchavos políticos. Satanizam os que atrapalham as negociatas
    e endeusam os que lhes são convênientes.
    Alguns cidadãos vivem hoje, momentos de introspecção e conflito por causa da subversão de valores. Com o jornalismo, consequentemente, com o jornalista não é diferente se afastou e muito da essência, enquanto uns estão em crise outros se encontram com a disvirtuação do ofício. E a vida tem que se seguir, cada um escolhe o lado eu fico na opção 01.

  18. Jornalismo, reportagem…Conheci alguns da área policial, que na época, não esperavam a notícia chegar até eles como hoje, que a própria polícia fornece. Vieirinha, Pantera, Espaguete (já falecido) e outros, que trabalhavam na área central da cidade, com sala de imprensa na antiga Central de Polícia no Pátio do Colégio, os quais corriam atrás dos fatos e in-loco faziam com suas equipes. O baixinho Tico-tico, nossa, que rapidez, grande reporter entre muitos, faziam um jornalismo na ”raça” para as rádios e jornais que pertenciam.
    Mas, falando em fatos, eis um que achei interessante: Local-Av. Oratório x Av São Lucas. Um cego andarílho, carregava uma mala de viagem (não largava dela por nada – quem reside há muito tempo naquela área, deve tê-lo conhecido) e atressava aquela avenida distante da faixa de pedestres. Estávamos estacionados
    para um lanche e eu deixei por um momento meus companheiros e fui auxiliá-lo na travessia. Que surpresa: Quando lhe disse que eu era um policial que iria auxiliá-lo, um monte de palavrões bem alto eu ouvi daquele cidadão, dizendo que não precisava de nada. Mesmo assim, cortei o trânsito facilitando.
    Voltei para os meus parceiros e muitos risos em seus lábios…
    Tá vendo ”chefe”, vai fazer ”coisas” sem conhecer as pessoas….
    Mas, não demorou muito, lá vem o ceguinho de volta, tentando atravessar a rua, numa mão a bengala e outra segurando a mala sobre a cabeça. Me contive para não provocar mais risos…derrepente, uma freada de um caminhão…o ar comprimido dos freios fez um som como uma busina e o ceguinho largou a mala, meio que desnorteado e apressadamente foi com sua banegala tropessando na guia e sentou-se sobre a calçada. Peguei sua mala e fui ver superficialmente seu estado de saúde. O motorista do caminhão apavorado, estacionando o caminhão, lá chegou e perguntou como ele está, eu não cheguei a tocar nele. O cego disse, eu estou bem, nisso um colega já com um copo de água com açucar lhe oferece e ele tomou se restabelecendo do susto.
    Depois de tudo resolvido, tive de satisfazer a curiosidade e perguntei-lhe: Porque quando tentei de ajudar voce me xingou com tantos palavrões dispensando a ajuda? Eis a resposta: Para que o senhor me deixasse carregar a minha cruz sozinho!
    Passado algum tempo, quando eu deixava uma vítima de assalto no PS de Vila Prudente, beleada, ela me perguntou: O Sr. acha que eu vou viver? Eu respondi: confie em Deus e certamente viverá. Um outro cidadão, que se encontrava perto, estranho à ocorrência, dirigiu-se à mim dizendo: Vocês jogam tudo nas mãos de Deus, eu não creio em Deus! Isso chamou a atenção dos presentes. Então contei-lhe esse fato do ceguinho e completei: Quando voce tiver numa dificuldade quase que insolúvel, espero que tenha a ombridade daquele ceguinho em não aceitar ajuda para solucioná-la. Isto não é jornalismo, mas, sim uma narrativa de um fato real. Uma boa tarde à todos e que tenham um bom final de semana.

  19. carlos amorim dutra disse:

    Prezado Ricardo Kotscho

    É sempre bom ter algo agradável para se ler em dias tão conturbados, que insistem em nos acompanhar. O que você
    nos escreve ameniza um pouco tantos desencantos.
    Sigo colado e fiel ao seu blog, como visgo de jaca.
    Abraços, Carlos Dutra

  20. Pedro de Souza Silva disse:

    A maioria deseja a sua cara na mídia. E não tem nada de vocacional. Uns poucos realmente são especias. O resto é lixo.

    Vá escrever um livro, uma bela história ficção ou fato real, para que façam os leitores pensarem, mas com alma e que emocione.

    Pedro

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