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16/04/2009 - 10:52

A farra da Câmara que nós pagamos

Virou deboche. Gostaria muito de mudar de assunto, mas não dá. Cada dia de manhã em que abro o computador para ver as novidades, procuro alguma notícia boa, mas vem sempre mais uma denúncia escabrosa, outro escândalo, novo esculacho na nossa cara. Até quando?

“Deputados e parentes vão ao exterior e Câmara paga”, informa a manchete aqui do iG. Vou ler a reportagem dos colegas Lúcio Lambranho, Edson Sardinha e Eduardo Militão, do excelente site Congresso em Foco (www.congressoemfoco.com.br), e simplesmente não consigo acreditar no que eles contam.

É um soco no estomago de quem trabalha para pagar suas contas e seus impostos.  Em resumo: nossos deputados estão levando a família e os amigos para dar a volta ao mundo com suas cotas de passagens, que chegam a ultrapassar R$ 28 mil por mês _ sim, por mês. Isto dá para fazer nove viagens à Europa.

Como eles não conseguem gastar tudo sozinhos, resolveram socializar a farra _ só entre parentes e amigos, claro. Nos últimos dois anos, revela a matéria, cinco dos 11 integrantes da Mesa Diretora utilizaram suas cotas para bancar 49 viagens internacionais pela Europa, Estados Unidos e América Latina. 

Na  verdade, quando se diz que a Câmara paga, quem paga somos todos nós, que sustentamos esta esbórnia.

O pior é que ninguém mais tenta negar as denúncias, mas justificá-las, achando tudo muito normal.

“Cada parlamentar faz o que quiser com sua cota”, diz na nossa cara, o inacreditável Inocêncio de Oliveira (DEM-PE), um dos campeões do turismo parlamentar internacional, que está sempre na Mesa Diretora, de onde não sai nem amarrado.

Vamos pegar só o caso dele para ilustrar:

* A mulher de Inocêncio, Ana Elisa Oliveira, e a filha Shely ganharam passagens para quatro trechos cada uma: São Paulo-Nova York, Nova York – São Paulo, São Paulo-Frankfurt e Milão-São Paulo.

* Outras duas filhas viajaram três trechos: São Paulo-Nova York; Nova York- São Paulo e São Paulo Franfurt.

* Exemplar pai de família, ele também não esqueceu da neta Amanda, contemplada com os trechos São Paulo – Miami e Miami- Salvador.

É ou não é uma festa? Lendo estas coisas dá para entender os comentários cada vez mais raivosos enviados pelos leitores reagindo aos posts publicados neste Balaio sobre a proposta do senador Cristovam Buarque (PDT-DF) para se fazer um plebiscito sobre o fechamento ou não do Congresso Nacional.

Critiquei a proposta de Cristovam e fui criticado pelos leitores. Em sua absoluta maioria, eles não só apoiaram a idéia do plebiscito como atacaram com ira cada vez maior a atuação dos parlamentares.

“Que gente mais sem vergonha na cara”, resumiu, à 1:50 de hoje, a leitora Adailza. Há um abismo crescente entre o que dizem placidamente os deputados e senadores cada vez que são pegos em flagrante _ “o regimento permite, não fiz nada de ilegal”, reagiu o Inocêncio _ e o que pensam os leitores/eleitores.

Para João Band, das 23:32 de ontem, a culpa é deles: “Sabe quem colocou esta corja lá? E vai continuar colocando? Nós, todos nós.”

Está chegando um ponto em que não tenho mais nem o que dizer. Dá nojo.

E ainda tem gente que diz que sempre foi assim. Não é verdade. Li outro dia um artigo do ex-deputado federal Davi Lerer, sobrevivente da primeira turma de parlamentares em Brasília, quando a nova capital foi inaugurada, em 1960.

Conta ele que os deputados naquela época só tinham direito a quatro passagens por mês de ida e volta a seus Estados de origem, mais nada _ e só eles poderiam utilizá-las. 

Não tinham direito a carro (uma kombi ia buscá-los no hotel), nem a assessores e secretárias de gabinete. Aliás, nem gabinetes individuais tinham, muito menos este acinte das verbas indenizatórias e todas as mordomias que foram se empilhando com o tempo.

Bons tempos, aqueles. Depois, veio a ditadura militar, implantada, entre outros motivos, para acabar com a corrupção. Pois, sim. Temos aí o resultado do tempo em que a imprensa era censurada e não podia denunciar tudo o que agora vem a público sobre os podres poderes da nossa República.  

Eles estão rindo de nós.

 

 

   

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

301 comentários para “A farra da Câmara que nós pagamos”

  1. gealdo disse:

    Prezados Senhores
    Revoltado, tenho lido os comentários maldosos e injustos contra os nossos dignos parlamentares pela suposta “farra das passagens”.
    Desde já, quero dizer a estas pessoas, certamente desinformadas, que os nossos dignos representantes estão trabalhando muito para tornar o nosso pais, um pais melhor.
    Acusam nossos parlamentares de custarem muito à nação e trabalharem somente de terça a quinta feira esquecendo o muito que eles fazem por nós e para o nosso pais.
    Invejosos assistem as quintas feira em Brasília, a alegre revoada dos parlamentares ás suas bases eleitorais ou pontos turísticos, esquecendo que os mesmos certamente estarão exercendo importantes atividades em beneficio de todos nós, estejam onde estiverem. Outra crítica injusta é quanto aos altos salários, 13°, 14°, 15° salários, franquias postais e telefônicas,desperdício de dinheiro publico ,venda de votos, verbas de gabinetes, notas frias etc….
    Tudo MENTIRA
    Cheguei a ler outro dia ,um comentário louco e insano de um pobre coitado acusando os deputados de serem como ratazanas que estão devorando o tesouro publico.VÁ SE INFORMAR CIDADÃO
    Lembrem-se caluniadores, vocês serão julgados no DIA DO JUIZO FINAL, que está próximo. Tenham paciência, um dia talvez vocês vejam o bem que nossos deputados e senadores estão fazendo ao nosso país e à nossa jovem democracia. Façam como eu; no local onde estou residindo atualmente, junto com mais 154 colegas, no horário de ver TV, só assistimos a TV SENADO ou a TV da CAMARA DOS DEPUTADOS.
    Algumas vezes assistimos a TV JUSTIÇA.
    Caso alguns dos autores das criticas infundadas aos nossos parlamentares queira discutir comigo, meu endereço é:
    Hospital Psiquiátrico de Porto Alegre,Ala Norte,bloco B,chamar pelo JOÃO PALHAÇO.
    P.S.-sou brasileiro e não desisto nunca.Yes , we can(abobado)

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