Golpe de 1º de abril faz 45 anos
Quando a gente vai ficando mais velho, tudo tem muito tempo, e a gente acaba se esquecendo. Ao ler os comentários enviados de manhã, o nosso bravo e fiel leitor Manoel Ferreira, das 11h05, me lembrou que hoje o golpe militar de 1º de abril de 1964, que jogou o Brasil na mais longa e funda ditadura, completa 45 anos.
Foi o ano em que comecei a trabalhar em jornal, primeiro na Folha Santamarense e pouco tempo depois na Gazeta de Santo Amaro, que resiste até hoje, sob o comando de Armando da Silva Prado Neto.
O golpe mudou de nome na grande imprensa que o apoiou, virou Revolução de 1964, e até a data comemorativa foi depois mudada para 31 de março para não coincidir com o dia da mentira.
Me lembro vagamente desse dia. Eu fazia o primeiro ano colegial no Liceu Pasteur, na Vila Mariana, e fomos dispensados das aulas. Fanático por jornais e revistas, fui folhear na banca mais próxima da escola as edições extras que noticiavam a movimentação militar, iniciada antes da hora em Minas Gerais, pelas tropas do general Olímpio Mourão Filho, na virada de 31 de março para 1º de abril.
Quarenta e cinco anos depois, por uma destas boas coincidências da vida, acabei de chegar agora de visita que fiz a um velho amigo, testemunha ocular desta história, que estava no centro do furacão, ao lado do então governador Adhemar de Barros, no antigo Palácio dos Campos Elísios.
Falo de Elpídio Reali Jr., o Realinho, que está passando uma temporada no Brasil para tratamento de saúde. Em 1964, ele era repórter do Correio da Manhã, o grande jornal carioca da epoca, e já trabalhava na Rádio Panamericana, que virou Jovem Pan, onde está até hoje, como correspondente em Paris.
Por volta da meia noite, muita gente entrando e saindo do gabinete do governador que apoiava o golpe, Adhemar de Barros estava ao telefone trocando informações com Carlos Lacerda, então governador do Rio, um dos líderes civis do movimento.
A certa altura, Adhemar colocou na linha para falar com Lacerda o célebre Tico-Tico, como era conhecido o repórter José Carlos de Moraes, dos Diários Associados, e atendeu a outra ligação.
Do outro lado da linha, estava Dr. Rui, codinome de Ana Capriglione, sua amante não muito secreta, a demonstrar que o amor é sempre mais forte do que qualquer golpe militar.
Durante todo o dia, Reali Jr. assistiu ao desfile de grandes empresários paulistas que passaram pelo gabinete para cumprimentar o governador, entre eles o diretor do Estadão, Júlio Mesquita Filho, ferrenho adversário de Adhemar de Barros.
Naquele momento, acima de qualquer divergência política, o mais importante para todos eles era derrubar o governo popular de João Goulart.
Na mesma hora, Raul Martins Bastos, outro amigo que foi comigo visitar o Realinho, estava voltando de férias no sul do país, vindo de ônibus (sim, naquele tempo jornalistas, mesmo os mais importantes, viajavam de ônibus) de Curitiba para São Paulo.
Dormiu a noite toda e, quando percebeu que o ônibus chegara com bastante atraso a São Paulo, soube pelo motorista o motivo: a grande movimentação de tropas militares na estrada, que atrapalhou o tráfego.
Chefe da rede de sucursais e correspondentes do Estadão, meu compadre Raul correu para o jornal, ainda a tempo de pegar a confraternização de muitos de seus colegas comemorando o golpe militar que o jornal ajudou a deflagrar no país.
Raul e Reali também só se lembraram deste dia a meu pedido, graças ao alerta do leitor Manoel Ferreira, que escreveu no final do seu comentário:
“Mas, se não recordarmos, de vez em quando, os erros do passado, poderemos repetí-los no presente e no futuro”.
Concordo com ele neste ponto, embora divirja da maioria dos seus comentários. Ferreira é um dos mais ácidos críticos do governo Lula neste Balaio e de tudo o que está acontecendo no país em todas as instituições.
A exemplo dele, tenho notado nas últimas semanas que outros leitores estão subindo o tom da sua indignação com os fatos noticiados, a ponto de muitos pedirem a volta da ditadura militar e até da monarquia, sem falar nos que fazem campanha sistemática pelo voto nulo.
Calma lá, pessoal. Com todos os seus defeitos e fraquezas, falcatruas e mazelas, posso garantir, como repórter sobrevivente daqueles anos de chumbo, que a democracia ainda é o melhor regime para se viver em sociedade.
Nunca tivemos um período tão profundo e duradouro de liberdade públicas em nosso país, e é isso que precisamos preservar, até para que cada um possa extravasar aqui pela internet, que não existia naquele tempo, toda a sua ira contra as autoridades constituídas, sem correr o risco de ir em cana ou ser torturado.
Se cada um fizer a sua parte, participando mais da vida política do país, e não só em época de eleição, como muitos da minha geração fizeram na resistência à ditadura, certamente vamos fortalecer a nossa jovem democracia em lugar de jogá-la fora da bacia.
Não podemos confundir nossos eventuais representantes ou ocupantes temporários de cargos públicos nos três poderes com as instituições permanentes que nos garantem esta liberdade, tão importante quanto o ar que respiramos. Ditadura, nunca mais.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:


É sempre bom lembrarmos do passado, como os golpes começam, fazendo a cabeça dos incautos, dos inocentes uteis e despolitizados, os pseudamentes que se arvoram defensores da moralidade, na derrubado dos regimes populares A Democarcia não é o melhor dos regimes mas é um único possivel. Sou defensor 100% do LULA, as vezes até gostaria de alguma medida de exceção para encurtar o caminho, mas sei que não possiveis que temos que conviver com as diferencas com os golpistas do DEM e PSDB, e vigiar sempre a legalidade. VIVA A DEMOCRACIA.
everaldo, o Lulla também é produto do golberi…se não souber como eu te explico.
DA DITADURA LEMBRO ESSA MAXIMA DO MINISTÉRIO DO DELFIN NETO: ” QUALQUER POLÍTICA ECONÔMICA TEM QUE TER COMO BASE PRINCIPAL A GERAÇÃO DE NOVOS EMPREGOS”.
PERDOEM-ME OS CÉTICOS DE PLANTAO, MAS ,QUALQUER SEMELHANÇA COM O ATUALISSIMO PAC , DE DILMA ROUSSET, TERA SIDO MERA COINCIDENCIA …OU NÃO…
O PT ERA ANTI -GOVERNO MILITAR..E AGORA O QUE É?
— AOS VENCEDORES AS BATATAS!
Quem vive de lembranças é museu. Vira e mexe voltam relembrar o passado, remexem no baú bolorento da história com o a alegação de que é para que não se repita o fato. Pois bem eu lhe digo que águas passadas não movem moínhos. Devemos nos preocupar com o futuro que me parece mais tenebroso que este passado. Devemos nos preocupar com a ditadura do narcotráfico, com a ditadura dos políticos corruptos, e outras ditaduras que efetivamente venham a corroer o futuro da nação.
Para que remoer o passado se todas as “vítimas” da ditadura estão aí fazendo das suas lá em Brasilia impunemente. E finalmente o que sempre digo.: Se não fosse a ditadura militar hoje seríamos com a China ou Cuba onde a internet não seria acessível a todos que querem expor suas ideias. Inclusive ao senhor. O passado ja passou, preocupemos com o presente que o futuro a Deus pertence.
Ô Kotscho me ¨censurô¨???Éfácil defender a democracia,já praticá-la…E o Geisel promoveu uma anistia.
Sr. Kotscho, sei que o golpe para alguns ou revolução para outros cometeu seus excessos. Mas não podemos deixar de admitir que o País deve muito do que é hoje, em termos de desenvolvimento àqueles tempos. Sei que fica difícil prá alguém que foi contra o regime naquela época admitir este fato. Será que se o golpe/revolução não tivesse as condições do País seriam melhor do que é hoje. Pela leitura que fazemos dos tempos atuais, com os personagens que outrora representaram a oposição mais ferrenha ao golpe/revolução e que hoje de uma forma direta ou indireta estão no poder, me atrevo a dizer que provavelmente estaríamos em situação pior que a de Cuba, Coréia e a exemplar Venezuela.
Bons tempos o da ditadura! Bem que podia ter outro golpe no Brasil para ver se moralizava um pouco esse país! Militares, voltem ao poder!!!!
DEIXA O COMENTÁRIO, SEU TIRANO! TÁ COM VERGONHA
O GOLPE MILITAR SÓ OCORREU PORQUE O PAÍS CORRIA O RISCO DE SE TORNAR UMA CUBA, PELA PROLIFERAÇÃO DE GUERRILHEIROS A SOLDO DE CUBA E UNIÃO SOVIÉTICA, QUE QUERIAM IMPLANTAR O COMUNISMO E ACABAR COM A DEMOCRACIA. ONDE O COMUNISMO SE INSTALA, A CANALHADA NÃO LARGA O OSSO EM MENOS DE 50 ANOS. VEJA O QUE OCORREU NA UNIÃO SOVIÉTICA (80 ANOS DE REPRESSÃO) CUBA (50 ANOS NO PAU). A NOSSA DITABRANDA NÃO DUROU NEM METADE DESTE INFERNO. OS TERRORISTAS MATARAM POR VOLTA DE 500 CIDADÃOS DE BEM, E SÓ TIVERAM BAIXA DE 500 GUERRILHEIROS, QUE CORRERAM O RISCO E MORRERAM – ELES PROCURARAM SEU FIM!
A DITADURA DEVE SER DEBITADA NA CONTA DOS ESQUERDISTA QUE QUERIAM COMUNIZAR NOSSO PAÍS.
SÃO ELES OS CULPADOS, E NÃO OS MILITARES QUE FORAM OBRIGADOS A TOMAR ESTA ATITUDE (UM REMÉDIO AMARGO PARA EVITAR UMA DOENÇA INCURÁVEL!)
O dinheiro do Maluf, aquele que ele nunca teve, esta voltando aos cofres públicos,
agora so falta o Maluf voltar para a cadeia.
Espero que ele não seja beneficiado por hábeas corpus e que seus
comparsas também cumpram pena.
Para quem não sabe, quem lutava pela liberdade na época, queria mesmo era implantar uma ditadura comunista no Brasil. Ricardo tenta mesmo, como tantos outros fracassados e revanchistas, reescrever a História, aquele período em que a nação tornou-se a 8ª economia do mundo, e em que se podia colocar os filhos na escola pública, visto que a educação não era tão desvalorizada assim. Perdoe – me comentar também, que a “falta de liberdade” da época obrigava as escolas a realizarem o hasteamento e o arriamento do Pavilhão Nacional, símbolo máximo de nosso país que é relegado em segundo plano atualmente. Hoje em dia, esses gladiadores da liberdade têm no Congresso Nacional, o seu prostíbulo de moral e ética, e nossos senadores seriam bem mais úteis se realmente fizessem um serviço nobre ao país. Vamos lá, votem na Dilma, que com toda a certeza, se vívessemos mesmo em uma ditadura, ela não estaria viva para contar lorotinha. Seu Ricardo, ponha a mão na consciência que você não tem o direito de reescrever a História, como espectador da época, você tem é o dever de narrar os fatos e deixar que a violência e a pouca vergonha que assolam os brasileiros hoje em dia, encaminhem o povo a uma conclusão. Muito obrigado pela mediocridade e falta de argumentos acerca da Revolução de 1964. Continue desse jeito, que para quem ama o Brasil de verdade, fica fácil rebater os absurdos no campo da lógica. Obrigado
Já se disse várias vezes aqui que; ”Errar é humano, por a culpa nos outros é estratégia”
Culpar os outros foi uma lição que o sindicalista Lula aprendeu para o resto da vida, tanto que, ontem, na reunião do G 20 o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, lembrou bem:
”“Estive no Brasil na semana passada, e acho que o presidente Lula me perdoará por dizer isso. Ele me disse: ‘QUANDO EU ERA LÍDER DO SINDICATO, EU CULPAVA O GOVERNO. QUANDO LÍDER DA OPOSIÇÃO, EU CULPAVA O GOVERNO. QUANDO ME TORNEI GOVERNO, PASSEI A CULPAR A EUROPA E A AMÉRICA.”
E assim, a culpa é sempre alheia.
Em psiquiatria, esse comportamento é considerado infantilismo e costuma aparecer nos pacientes portadores da ”SÍNDROME DE PETER PAN”.
Voce, certamente com conhecimento de causa, poderia informar a seus leitores o porque de a esquerda treinar guerrilha bem antes de 1964, ao invés de martelar a mesma tecla do “golpe” militar, voce deveria explicar as razões e os motivos para haver o “golpe”.
Voce deveria falar da Internacional e seus “patrocínios” sangrentos.
Voce deveria falar do que realmente acontecia nas ditaduras comunistas que financiavam “revoluções”.
Infelizmente houve morte e desaparecidos, e tortura também, dos dois lados, justiçamentos e execuções.
Muito melhor estamos agora do que estaríamos caso um regime sanguinário e totalitário de esquerda se instalasse por aqui.
Que bom que a esquerda perdeu, como de hábito, e que nós não nos tornamos uma Cuba piorada, se é que isto é possível.
Estão demorando a moderar meu comentário.´Tudo isso é medo da verdade?
Bom dia a todos!!!
Eu tinha apenas 7 anos na época,e não posso fazer qualquer comentario a respeito do acontecido, a não ser pelo que li.
No entanto comparo a indignação de alguns BRASILEIROS a eleição para sínico(síndico) de condomío que elegemos e não cobramos a sua atuação comparecendo às reuniões.
É um pouco o que está acontecendo com o povo BRASILEIRO, elegemos os nossos representates e depois pedimos para que ele dê um golpe.
Na verdade falta-nos (pelo menos é o que dizemos) tempo para acompanhar a sua tragetoria e na hora do voto, simplesmento colocar lá uma pessoa que foi indicado por um amigo, um colega,
por uma promessa vazia.
Sabemos tambem que o joio nasce e cresce junto com o trigo e a até determinado ponto é impossivel determinar quem é quem, mas no momento que o indentificarmos temos de junta-los em feixes e levar ao fogo.
Precisamos sim continuar a divulgar quem é o joio e quem é trigo.
Precisamos exercer cada dia mais a DEMOCRACIA plena.
Precisamos não ficar tão somente na concientizAÇÃO, mas exercer o final da palavra, no entanto de forma pacífica, não precisamos mais de revolução armada para a destruição do nosso semelhante e sim a sua e a nossa preservação.
Abraços frateno.
Acho que o dia da mentira é hoje mesmo
isso sim que é ditadura, não me deixar expressar
Concordo com seu comentário. Mas responda-me: “Pra quê Senado?”
Alguns livros sobre o período são muito bons, mas o que mais me surpreendeu foi a série de livros do Elio Gaspari, focados, principalmente, na figura do Geisel. Uma obra que colocou um foco crítico sobre muitos mitos – inclusive a respeito da real força do pessoal da luta armada.
O curioso é que ambos os grupos – militares e militantes de esquerda – tinham muito mais em comum na forma de ver o mundo do que gostariam de admitir. Nacional-desenvolvimentismo, Estado como motor da economia, desprezo pelos capitalistas e pelas idéias liberais, grandes aparatos burocráticos estatais. Isso, claro, sem contar uma certa quedinha por processos revolucionários “purificadores”, um eufemismo para ditadura – seja ela de quepe ou proletária.
Curioso também é que muitas dessas idéias ainda estejam vivas por aqui, quase 50 anos depois. A sociedade evoluiu, a economia mudou, mas querem tratar os problemas da mesma maneira que há 50 anos, apenas com poucas adaptações desse modelo varguista. Idéias antigas em um mundo novo: a urna eletrônica pode até ser nova, mas ela sempre exala um cheirinho de mofo…
Caro Kotscho.
Golpe era o que seus amigos vermelhos queriam dar no Brasil. Na realidade, houve um contra golpe para evitar que nosso país caísse nas garras comunistas.
Eu estava no primeiro ano de faculdade em 68 e participei ativamente contra a esquerdopatia, apanhei, bati e tenho orgulho em dizer que, de forma singela, contribui para salvar o Brasil desse câncro social que é o comunismo.
Para o Sr. Eduardo Osório………Naquela época com apenas 18 anos servi a P.E.(Policia do Exército – serviço militar obrigatório- dever para com à pátria), por oito meses aprendi muitas coisas; como organização e responsabilidade . a família fazia questão. Neste mesmo ano prestei o vestibular para a PUC-RJ, estudava e trabalhava. Participei de concurso público com grande grau de dificuldade, sendo democraticamente aprovado. Comportava-me como milhôes de outros brasileiros, estudando e trabalhando, afinal não havia tempo para mais nada. Com os primeiros proventos, me foi possível casar, constituir família e levar uma vida profícua. Aprendi a respeitar todas as opiniões, ouvir o contraditório e valorizar a democrácia que hoje nos permite colocar nossas considerações nos mais diverssos Blogs. Acompanhei atentamente o movimento pelas “diretas já”, aqui no Rj , tive a oportunidade de ouvir o Sr. Luiz Carlos Prestes e tantos outros, foi bonito, até mesmo comovente. Sr, como brasileiro e patrióta, espero sempre o melhor para meu país, rumo à prosperidade, ao aperfeiçoamento democrático ao estado de direito e ao devsenvolvimento Humano e intelectual de nossa gente.