iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade
06/03/2009 - 10:47

O bispo e a menina, a Igreja no limbo

Aos 75 anos, já aposentado e apenas esperando seu sucessor ser indicado pelo Vaticano, dom José Cardoso Sobrinho, faz quase 25 anos arcebispo metropolitano de Recife e Olinda, sucessor de dom Helder Câmara, conseguiu finalmente sair do anonimato e tornar-se de um dia para outro nacionalmente conhecido. Apareceu até no Jornal Nacional.

O motivo da sua fama repentina, no entanto, causou um enorme estrago à imagem da Igreja Católica, que ainda vinha sendo preservada no fogo cruzado de leitores cada vez mais indignados, que hoje atinge indistintamente membros dos três poderes, da mídia e de outras igrejas, especialmente as evangélicas.

Ao excomungar e abrir processo na Justiça contra a mãe da menina de nove anos estuprada pelo padastro, grávida de gêmeos, e os médicos que a submeterem a aborto para salvar sua vida, dom Sobrinho alcançou a quase unanimidade _ contra ele e a sua Igreja.

Basta ver o teor dos mais de 450 comentários enviados ao Balaio desde que entrou no ar, no meio da tarde desta quinta-feira, o texto que escrevi sob o título “Posso excomungar este bispo da minha Igreja?”.

De cada dez leitores, nove condenaram os atos e as declarações do bispo, fazendo pesadas críticas à Igreja Católica. Os comentários mais irados vieram justamente de leitores de Pernambuco, que acompanham de perto faz mais tempo os desmandos e destemperos de dom Sobrinho, mas chegaram mensagens carregadas de revolta e indignação de todas as partes do país e até do exterior.

Seria muito bom para ele e a hierarquia da Igreja Católica que tivessem um pouco de humildade para ler e refletir sobre o que os leitores escreveram. Jorgina Marques, aos 0:47 da madrugada, falou sobe a vergonha que sentia de ser católica neste momento. Yvens Rocha, às 7:28, escreveu uma carta dirigida diretamente ao bispo, que termina assim:

“Se o senhor e a Igreja não podem fazer nada para ajudar a esta mãe a esta criança, deixe-as em paz com o seu sofrimento”.

“Hipócrita” foi o termo mais gentil e mais usado pelos leitores para se referir ao papel de dom Sobrinho nesta trágica história.

O leitor Cláudio, à 1:56, resumiu o sentimento de muitos outros comentaristas do Balaio:

“Por estas e outras é que o número de católicos não praticantes e de ateus não para de subir no Brasil e no mundo”.

O caso da menina do Recife levou muitos leitores a cobrarem da Igreja um posicionamento sobre as recorrentes denúncias de pedofilia contra seus membros. Outros levantaram a questão da hipocrisia do celibato e indagaram por que o bispo ainda não excomungou o padrasto estuprador, que está preso em Pernambuco.

Fui obrigado a excluir grande número de comentários por conterem ofensas e injúrias contra dom Sobrinho e a Igreja, mas mesmo assim pode-se ter uma idéia do sentimento de revolta manifestado por pessoas de todas as religiões contra a sua atitude, com termos que não costumam ser empregados contra hierarcas da Igreja Católica.

Tive problemas de conexão com a internet ontem à noite e alguns comentários deixaram de ser publicados por engano. Por isso, peço aos leitores que os enviem novamente, desde que não contenham termos injuriosos.

Mais assustado fiquei, após terminar de ler os comentários, que me ocuparam muitas horas ontem e hoje para fazer a moderação, ao ler na Folha que dom José Cardoso Sobrinho insiste em defender sua posição no caso com argumentos cada vez mais patéticos.

Em entrevista a Renata Baptista, da Agência Folha, no Recife, ele teve a coragem de fazer as seguintes declarações:

Sobre o risco de vida que a menina corria: “O médico dizia que havia o risco, mas o fim não justifica os meios. A boa finalidade de salvar a vida dela não podia ter suprimido duas vidas. Vou dar um exemplo: eu gosto muito de dar alimentos aos pobres, mas para consegui-los não posso roubar um banco ou assaltar alguém. Dois inocentes morreram sem chance de se defender”.

Sobre o possível afastamento de fiéis da Igreja: “Se afastar os fiéis que não comungam os ensinamentos da Igreja, que seja. Hitler matou 6 milhões de judeus e o Holocausto é lembrado todos os anos. Também penso num holocausto silencioso, nos 50 milhões de abortos no mundo a cada ano”.

Depois de ler isso, não tenho mais o que dizer. Por piedade, algum amigo ou superior do Vaticano, deveria pedir a este bispo, que colocou a Igreja Católica no limbo, para ficar calado. De preferência, que seja indicado rapidamente o seu substituto, antes que cause mais estragos e indignação.  

  

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

1.161 comentários para “O bispo e a menina, a Igreja no limbo”

  1. volnei disse:

    VC QUE TIROU OS MEUS COMENTÁRIOS,VC ACHA Q. FAZENDO ISTO, VAI MI PREJUDICAR? POIS ESTA ENGANADO,SI VC NAO SI ARREPENDER DOS SEU PECADOS E SI CONVERTER A JESUS CRISTO, COM SERTEZA O SEU NOME NAO ESTARA ESCRITO NO LIVRO DA VIDA ,POIS AINDA HA TEMPO, POIS O DIA DE AMANHA NAO PERTENCE A VC.

  2. Marioslv disse:

    Sou cristao protestante, nada contra o catolicismo
    agora critiquem o a atitude do bispo nao a crenca das pessoas.

    Moro em massachusetts EUA e aqui o aborto e legal
    diga a ele que venha criticar os abortos ocorrido todos os Dias aqui.
    ele vai ter muito o que fazer aqui…

  3. Será que os médicos não seriam capazes de fazer um transplante dos embriões para “uma barriga de aluguel?
    Acredito que assim estariam salvando três vidas (da menina-mãe de 9 anos e dos gêmeos em fase embrionária); quanto a excomunhão que o bispo julga ser solução, pergunto e o padrasto pedófilo, como fica?

  4. Giovanna (Macapá) disse:

    Graças a essa Igreja, o Brasil é um dos países mais atrasados do mundo. Lamentável.

  5. Júnior disse:

    Se do seu ponto de vista, existiam dois seres humanos, com identidades genéticas únicas e insubstituíveis, que não tinham nenhuma condição de defender sua vida e que foram envenenados. Ou seja, para você não há nenhuma diferença entre o aborto praticado em Pernambuco e envenenar dois recém nascidos, vivos, olhando-os definhar perante a ingestão do veneno, é fácil a conclusão que assassinar dois seres humanos completamente inocentes e indefesos é um crime abominável, perverso e que, aos olhos humanos, é de difícil perdão. Não que o ato de estuprar uma criança, continuamente por anos, não seja também abominável. Mas para o bispo e para Igreja, matar uma pessoa, principalmente uma pessoa indefesa e 100% inocente, é um ato tão horroroso que o praticante deste ato, ou as pessoas coniventes a ele, não devem mais participar da comunidade católica e dos seus preceitos, devem ser EX (função já exercida em algum momento) participantes da comunidade católica, ou seja, EXcomungados.

    Diz o Código Canônico no cânon 1.398:
    Qui abortum procurat, effectu secuto, in excommunicationem latae sententiae incurrit. (Quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae).

    Portanto, um dos equívocos, é a afirmação de que o bispo excomungou os familiares que permitiram o aborto e a equipe médica, isso não aconteceu, pois a excomunhão já ocorreu logo após o aborto, promovida pelos próprios executores e pessoas coniventes ao ato. O que o bispo, padre, leigo ou qualquer um conhecedor do direito canônico da Igreja faz é, apenas, comunicar as pessoas envolvidas sua situação perante a Igreja. Essa excomunhão é revogada caso a pessoa excomungada se arrependa sinceramente do erro que fez e peça perdão a Deus.

    Pois bem, se um indivíduo não tem a mesma visão do bispo e da Igreja, se não se importa com a excomunhão, não tem interesse na Igreja, e não obedece à sua doutrina, para que se preocupar então? Porque tanta raiva, injúrias e xingamentos a Igreja? Para que tanto destaque sobre a afirmativa do bispo, se a excomunhão é uma determinação bastante antiga do direito canônico? Porque este alarde não ocorreu antes, já que este não é o primeiro caso no Brasil nem no mundo? Tem algo a mais nesta história e este algo, leia-se, legalização do aborto. Quem tem interesse em explorar uma história tão triste como esta?

    Do ponto de vista feminista, a mãe tem direito ao corpo dela e, para tanto, teria direito a interromper a vida que está dentro dela. No caso específico de Pernambuco, mesmo que a criança estuprada gerasse os bebês, ele não teria condições psicológicas de criar os gêmeos, logo, melhor matá-los do que trazê-los ao mundo. Veja a que ponto chegamos, quem é o juiz das vidas que estavam no ventre daquela criança? Quando podemos dizer que a vida de um feto pode ser descartada, porque a mãe não tem condições de criá-lo? Sabe o que isso me lembra? A Conferência de Wannsee! Para quem não sabe, esta foi a conferência que os nazistas fizeram em 1942 para resolver o ‘problema judeu’. Ora, o que fazer com os milhões de prisioneiros judeus por toda a Europa? A afirmação nazista era de que eles seriam uma praga e os reais causadores de todos os males do mundo. O que fazer com eles então? MATAR TODOS. Estava ali, naquele dia, achada a ‘solução final’ para o ‘problema judeu’. Qual a solução final para os bebês indesejados pela mãe e pela nossa saudável sociedade?

    Concluindo, da mesma forma que temos de respeitar o ponto de vista de uma pessoa que não é crente nos dogmas da Igreja, o ponto de vista de quem acredita também deve ser respeitado e não execrado. O ponto de vista de cada indivíduo está diretamente ligado a sua formação de consciência. A consciência da Igreja é formada pela Palavra de Cristo, não tem como opor-se a Ela. Quem forma a consciência dos médicos que praticaram o aborto? Quem forma a consciência da imprensa? Quem forma a sua consciência?

  6. Osvaldo disse:

    Os assacino estão tirando saro na nossa cara.
    É um abisurdo ter que ver esta tipo de comentario.
    Ista é igual matar uma criança de qual quer idade.
    É crueldade que quer mandar mais do que o CRIADOE.

  7. LILICA disse:

    UM ABISMO CHAMA OUTRO ABISMO, o que essa senhora de 42 anos, é o que diz a imprensa, estava fazendo com um rapazote de 23 dentro de sua casa (sem querer ser preconceituosa). A igreja onde estava que não assistia essa família, ela a igreja não tem um monte de valores, porque não os levou a essa família principalmente a essa mãe, a responsabilidade de assistir nossos filhos é nossa.Três anos, desde os seis essa menina vinha sendo violentada debaixo do nariz desta mãe e precisou uma gravidez para que ela descobrisse o que estava acontecendo com sua criança. Se isso não for um caso para se escomungar então o que será? As pessoas crucificam o Bispo que escumungou os medicos e a mãe, mas não por ela não ter cuidado bem de sua criança, o padrasto esse duente que nem citado parece que foi pelo bispo e pouco, eu penso, que esta sendo pela imprensa, que até onde eu sei não mostrou seu rosto, provavelmente cumprirá alguns anos de pena e estará livre e do jeito que parece que o cara é safado sem culpa nenhuma na conciência se é que tem. Moral da história essa é a nossa sociedade PODRE. QUE DEUS NOS LIVRE DELA

  8. Jose da Silva disse:

    Conclusão que tirei. Tanto faz um bicho como um ser humano.São a mesma coisa. Veja até que ponto a sociedade chegou.Estou torcendo pelo fim do mundo.

  9. Pedro Filho disse:

    o que se esperar de uma religião que a menos de 200 anos atras dizia que os negros não tinham alma, apoiando até o castigo de morte contra os escravos, hoje eles acham a pedofilia a coisa mais linda do mundo…..

  10. Luiz disse:

    Os fiéis da Diocese de Olinda e Recife que tiveram um pastor Dom Helder Cãmara, figura de elevado valor moral, Intelectual e espiritual devem estar envergonhados com o seu bispo atual. A igreja católica está cada vez mais pobre sacerdotes.

  11. Vida disse:

    Quero saber o seguinte: por que essas pessoas tão maldosas, pró-aborto, não se colocam no lugar dos gêmeos? A menina parece ser a única vítima. E os gêmeos, são o quê? Não valem nada? 4 meses se desenvolvendo não tem significado nenhum?

    Segundo questionamento: Não vêem que enquanto os médicos salvaram uma menina, mataram DOIS bebês?

    Terceiro questionamento: quem garante que ela corria risco de morte, caso seguisse com a gravidez? Quando um médico faz uma avaliação, ele está contando com a probabilidade, não dando certeza absoluta. Já vimos quantos casos de erros médicos? Doenças que alguns médicos dizem ser incuráveis e ao procurarmos outra opinião, ela é totalmente diferente.

  12. Carlos Marinho disse:

    Gilmar Mendes está fazendo escola; o bispo pernambucano mostrou ser um aluno exemplar. Como eles têm vontade de aparecer!!!!!! Credo Cruz!!!!

  13. caio disse:

    Bem esse viés é dúbio, pois a Igreja e seus envolvidos estão cobertos de razão, afinal são os dógmas da mitologia cristã sob as “luzes” da tão conhecida por nós historiadores Igreja católica, no Estado laico ninguém é obrigado a ser católico e crer neste “Deus” ou nos seus representantes na “terra” a biblia sagrada livro que os cristãos não seguem, legitima todas essa ações, os hipócritas são os que se dizem cristão e não concordam com a Igreja, ou seja querem ser católicos ou cristão a sua própria maneira.

    Agora como homem com o mínimo de inteligência, que não acredita em amigo imaginário que ninguém nunca viu, e que domina o senso comum, eu acho um absurdo o que aconteceu com a menina e essa exposição horrenda na mídia, uma criança vitima de fanatismo e de um monstro, ainda bem que deus é um sujeito muito bacana “que permitiu o estupro, a exposição e tudo mais, porém deixou a menina viva” ah ah ah só falta o senso comum usar esse jargão, fala sério heim.

    Mas para concluir não existe o bom ou o mau, existe apenas o homem “o homem é o lobo do proprio homem” Hobbes, sendo assim o bispo esta certo e os médicos também estão, não há verdade, afinal quem é cristão deve seguir a mitologia cristã sem reclamar dos absurdos contidos nela e pela dominação dos seus representantes e esperar o dia do juizo final aha ha.

    qurem fazer parte do club… paguem a mensalidade!

  14. Valdemir Colla disse:

    Gelson, parabéns pela tua frase: “A Igreja não perde fiéis e sim os infiéis, ….”

  15. sandra disse:

    primeiro o crer em Deus nao passa por arcebispo é algo separado.
    segundo se ha tanta gente sofrendo , perdendo tempo em usar palavras de baixo nivel para xingar pessoas a quem quer que seja ate mesmo ao padrato estuprador. por entao vc nao passam a figiar se ai bem perto de voce uma crianca sendo estuprada agora (violentada das varias formas). precisamos de fazer barulho para acabar, com esta violencia contra criancas.
    Que Deus tenha PIEDADE DE TODOS NOS,

    Nós destruimos aquilo que Deus construiu tao belo, e agora com nossas leis estupidas, batemos no peito que estamos fazendo o bem para o outro.

  16. sandra disse:

    So quem é da familia sabe o que se passa nela. so quem é verdadeiramente catolico sabe o que se passa dentro dela, e a igreja é construida por homenes e mulheres de coragem , igual vcs, mas pelo menos estamos tentando ser verdadeiro CRISTAOS. Tb. a igreja catolica vem gritando contra as injustiças cometidas neste pais, nestes canto do Brasil que muito de vcs. nem sabem que existe, por que pessoas alietas sao assim mesmo, nao conhece nesta si mesmo. sao muito os padre e freira que tao a vida pela justiça social deste país (sao assassinados) e onde estao voces colunistas de internete, se é tao bom assim, porque nao esta na maior rede de tv. gritando pedido justiça para os pobres e desvalidos deste país, nao precisa de ser catolico, mas seja homem de justo.

  17. Carlos Bastos, FRC disse:

    O cientista americano Carl Edward Sagan, após realizar profunda pesquisa a respeito da história da Igreja em seu livro “Bilhões e Bilhões”, descobriu que a Igreja somente veio a se posicionar a respeito do aborto na metade do Sec. XIX.

    Logo: NÃO É VERDADEDEIRA A AFIRMAÇÃO DE QUE A IGREJA SEMPRE PROIBIU O ABORTO. A proibição eclesiástica do aborto é produto da era industrial, em uma época em que, nos Estados Unidos, os profissionais da medicina resolveram monopolizar as atividades cirúrgicas; a partir deste momento histórico é que a prática do aborto começou a ser publicamente censurada. Para maiores detalhes, considero útil e esclarecedora a leitura do capítulo da obra mencionada, onde Carl Sagan traça um cuidadoso esboço histórico sobre a polêmica travada entre os que são contra e os que são favoráveis ao aborto.

    Por outro lado, arremeter insultos contra a Igreja Católica Romana não me parece uma atitude serena, equlibrada. De acordo com a melhor tradição científica, o melhor remédio contra uma falácia é a apresentação de argumentos consistentes, elegantes e convincentes.

    Convém observar que a Igreja Católica conta com um enorme grau de rejeição dos cidadãos europeus. Fala-se, assim, em uma descristianização da Europa, ou seja, de uma atitude cultural totalmente refratária ao domínio da Igreja Católica.

    Há um fato que o brasileiro comum geralmente desconhece: A IGREJA CATÓLICA SE ENCONTRA DIVIDIDA DESDE O ANO DE 1054 D.C.

    Com efeito, o Patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, ao ser excomungado pelo Papa de Roma por se opor às pretensões expansionistas deste, excomungou-o também. Desde então, a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja de Roma tomaram rumos diferentes, uma denominando a outra de cismática.

    Há, portanto, uma Igreja Ortodoxa oriental cuja sede situa-se no Monte Athos, Grécia. Esta Igreja se divide em jurisdições nacionais e são chamadas de autocéfalas. Por exemplo: o Patriarca de Moscou administra a igreja ortodoxa russa; o Patriarca de Jerusalém administra a sua igreja, bem como o de Alexandria e assim por diante. Veja-se que os Patriarcas das várias igrejas ortodoxas se reunem anualmente num evento chamado de Santo Sínodo, de modo que, qualquer alteração na doutrina católica oriental depende da concordância dos patriarcas reunidos. Isto dificulta em muito a alteração, por motivos políticos e institucionais, da doutrina ortodoxa.

    O próprio Bento XVI reconheceu a descendência apostólica e a legitimidade eclesiástica da Igreja Católica Ortodoxa (no entanto, Bento XVI polidamente recusou o título que lhe foi oferecido de Patriarca do Ocidente).

    Pois bem, lá vai: o padre da igreja ortodoxa pode se casar. Recentemente, para a minha surpresa, consultei o site da igreja ortodoxa situada na Ilha do Governador (RJ) e pude ver a foto de um padre casado e com filhos! A mulher do padre existe!

    Logo, não parece inconciliável a posição de pai de família e de sacerdote católico. A extensão do matrimônio aos padres romanos certamente contribuiria para reduzir a onda de escândalos sexuais na igreja ocidental.

    Veja-se que, entre os judeus, o casamento é franqueado aos rabinos. Nada mais salutar.

    Santo Agostinho tinha mulher, e, inclusive, teve um filho chamado Adeodatus. O Concílio de Nicéia (ano 325 d.C) e o de Constantinopla não se manifestaram a respeito da liberdade sexual dos sacerdotes. Claro que, nesta época, alguns sacerdotes apontavam o celibato como uma solução para a depravação associada ao paganismo; no entanto, vozes se levantaram contra a sua instituição e nada foi decidido. Agostinho escreveu que “é melhor casar do que abrasar”.

    Muitos papas, cardeais e bispos tiveram filhos no primeiro milênio da igreja. Há vasta literatura sobre o assunto.

    Mas, aonde exatamente eu quero chegar com esta exposição destes fatos? Muito simples: o enlace afetivo entre homem e mulher, uma vez legitimado, tem como consequência natural o fato de o homem se tornar compreensivo do e participante no universo feminino, de modo que a visão de mundo da mulher ganharia destaque e importância na hora de se tomar decisões que possam lhe atingir.

    Vale dizer: uma decisão que vá incidir sobre a vida e a felicidade de uma pessoa deve ser tomada com a sua participação. É a participação que legitima o procedimento do qual resulta uma decisão.

    Pois bem: a Igreja Católica Romana, em sua cúpula, nunca admitiu mulheres (há uma exceção histórica: uma mulher se fez passar por homem, foi admitida na Igreja e, após chegar ao cargo de Papa, engravidou, vindo a dar à luz a uma criança em uma procissão pública. Ela foi julgada e condenada, contudo, não pela mentira, mas pela pratica da fornicação. Trata-se da Papisa Joana). As mulheres ocupam uma posição subalterna na Igreja, sob o argumento de que Jesus somente nomeou homens como apóstolos (esta visão está se modificando como consequência de estudos arqueológicos e históricos, bem como a partir do estudo sistemáticos dos textos apócrifos. Há uma séria linha de investigação que sustenta vigorosamente que as mulheres desempenharam um papel-chave no cristianismo). primitivo).

    A Igreja adotou uma postura antifeminina radical ao longo de sua história, acarretando a exclusão silenciosa de metade da cristandade de sua constituição. Vale dizer: as mulheres não possuem voz ativa em posições de relevo dentro da hierarquia eclesiástica. Parece puco provável que este quadro se altere em um futuro recente.

    Consequentemente, os fatos relacionados à sexualidade e a liberdade da mulher continuam sendo objeto de deliberação de um Colégio de Cardeias e de um Papa do sexo masculino. No entanto, a figura mais cultuada na cristandade é a de uma mulher.

    Uma curiosidade: até o sec. IV, circulava no Império Romano, desde o mediterrâneo oriental até a península ibérica, uma estátua de uma virgem segurando, em seu colo, um menino conhecido como filho do sol. Tratava-se de uma imagem de Ísis com o divino Hórus, representando a reencarnação da divindade solar. A igreja cristã decidiu encampar a iconografia pagã substituindo os personagens pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus. Ou seja: a imagem mais famosa do mundo católico deriva de um ícone retirado de uma religião devotada aos mistérios da Grande Deusa – um culto feminino, portanto.

    Os católicos deveriam conhecer algo de sua história, antes de tomar uma posição a favor ou contra as determinações da Igreja. Não há preconceito que resista à força do conhecimento. Nem há religião superior à verdade. Somente assim a opinião pública poderá formar um juízo com serenidade.

    Enquanto isto não acontece, fatos como o desta menina continuarão a se repetir com grave prejuízo à humanidade.

  18. Sandra disse:

    Finalmente a poderosa igreja católica mostra sua verdadeira face.
    Fiquei a princípio chocada com atitude tão hipócrita deste ser das “trevas” , mas depois me dei por conta de que a atitude deste padrasto monstro deve ser normal para a igreja católica, já acostumada ao pedofilismo.
    Precisamos de “igrejas “, “religiões” ???
    Precisamos é de DEUS , que mora em nossos corações e não pertence a nenhuma religião.
    Oque deveriamos fazer é mover uma ação popular contra este jose cardoso sobrinho e coloca-lo no lugar onde devem estar os defensores de estupradores de crianças.
    ABSURDO, CRUEL , MAS REAL.
    Estejamos alerta as manipulações, crimes e distorções feitas em nome de quem nos deu a vida.
    Sandra

  19. André disse:

    Sou Católico, sou contrário ao aborto mas também lido com o comportamento humano.
    É decepcionante constatar que pessoas que deveriam servir de exemplo para o “rebanho” sejam exatamente motivo de revolta e obscurantismo

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo