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27/02/2009 - 11:58

O legado de Gancia: arrogância e preconceito

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Atualizado às 22:20. Favor ver notas “Em tempo” no final deste post.

Os leitores do Balaio são testemunhas de que que evito polemizar com outros blogueiros e colegas jornalistas neste espaço, mas não poderia ficar calado depois de ler a coluna de Barbara Gancia na Folha desta quarta-feira.

Sob o título “O legado de dona Marisa Letícia”, esta senhora de tradicional família paulistana investe contra a primeira-dama do país com toda a arrogância e preconceito que sua posição social lhe permite.

É sempre assim: quando não se tem mais nada para falar contra o presidente Lula, ataca-se a sua família.

Colunistas mundanos e seus leitores adoram falar da mulher e dos filhos do presidente, sempre com o nariz empinado, olhando de cima para baixo, como se estivessem dando um pito ou um conselho.

A internet está infestada de injúrias, falsas denuncias e baixarias contra membros da família Silva _ pelo simples e bom motivo de que uma pequena parcela de membros da elite brasileira, e alguns pobres coitados de espírito, simplesmente não se conformam com o fato de Lula e Marisa habitarem, faz mais de seis anos, o Palácio da Alvorada.

Desta vez, o gancho para Barbara Gancia liberar seus instintos menos nobres foi a primeira-dama ter se divertido com o marido no Sambódromo do Rio. Qual é o problema? A mulher do presidente da República deveria ter ficado em casa lavando louça e cuidando dos netos?

Sou amigo de Marisa faz mais de trinta anos, desde os tempos em que Lula era apenas um líder sindical despontando na resistência ao regime militar. Ela sempre foi uma pessoa que gosta de Carnaval, festas juninas, reunir os amigos para um churrasco, como qualquer outra mulher de metalúrgico, que dedica sua vida a cuidar da família.

Nunca quis mais do que isso, além de dar conselhos ao hoje presidente da República e acompanhá-lo sempre, nos bons e maus momentos da vida, companheira de todas as horas, sempre preocupada com todos à sua volta.

Depois de um longo trololó sobre o seu “relacionamento assaz conturbado com o Carnaval” e seu “refúgio da folia no campo argentino”, Barbara Gancia pontifica:

“Ela não se manifesta sobre qualquer assunto, mesmo quando está escalada para falar a prefeitos (…)”.

Escalada por quem? Ela não foi eleita, não ocupa qualquer cargo público, por que tem que se manifestar “sobre qualquer assunto?”

Muito compreensiva, escreve em seguida:

“Insisto: não há nada na liturgia do cargo que diga que a mulher do presidente não deva participar do Carnaval. Pode e deve. Uma “primeira-família” que se comporta como gente normal tem mais probabilidade de ser normal, não é mesmo?”

Aí, no antepenúltimo parágrafo, a colunista não se aguenta, e manda ver:

“Mas eu não queria ter voltado da Argentina para descobrir que dona Marisa deu “um trabalhão” à sua segurança particular no desfile da Sapucaí. Não queria tomar conhecimento de que ela “deu goles em copos de cerveja, cercada por amigos para que não fosse fotografada”. Não queria ter visto as fotos em que ela aparece descabelada e suada. Escracho não tem nada a ver com informalidade”.

É mesmo? Não queria mesmo? Que coisa absurda, não é mesmo, dona Barbara?… Melhor mesmo seria ter ficado na Argentina com seus amigos que não suam nem se descabelam e não tomam cerveja no Carnaval.

E dá a sentença:

“Dona Marisa Letícia não foi à Sapucaí na qualidade de cidadã particular e não tem o direito de se esbaldar publicamente como se não ouvesse amanhã numa época em que o brasileiro comum vê seu emprego ameaçado pela crise”.

De onde se conclui, que para Barbara todos deveriam ter ficado em casa ou ido para o campo argentino esperando a crise passar. 

A maldade fica para o último parágrafo, em que procura dar conselhos e fazer uma comparação ridícula com outra primeira-dama, de outro tempo e outro perfil, numa época em que os generais mandavam no país.

“Alô, dona Marisa Letícia! A senhora se lembra de Dulce Figueiredo? A ex-primeira dama também gostava de se divertir levando a alegria na base da inconsequência. E olhe só o legado que ela deixou. O de uma figura um tanto patética e deslumbrada que usava a posição do marido para se bacanar”.

Acho que ela queria escrever bacanear, mas não importa. Ainda não tinha lido num grande jornal nada parecido com isso, bem na linha do que ouço bastante nos lugares por onde ando aqui nos Jardins, onde moro, e leio nos lixos da internet. Ainda bem que Lula e Marisa não lêem Barbara Gancia. Fazem muito bem.   

Em tempo:

fiquei sabendo agora, mais de dez da noite, que Barbara Gancia não gostou, claro, do que escrevi no post acima sobre a sua coluna na Folha e me deu uma esculhambada em seu blog. Tudo bem, é do jogo.

Em vez de responder a ela, para não alimentar esta polêmica e refrescar a sua memória e a dos seus poucos e raivosos leitores, reproduzo abaixo o que a própria Barbara Gancia escreveu a meu respeito em seu blog, no dia 16 de outubro de 2008, sob o título “Sobrou até para o Kotscho”:

“Por ter  dito o que todo mundo pensa, o colega Ricardo Kotscho deve ter ultrapassado, a esta altura, o meu blogueiro predileto, Reinaldo Azevedo, em matéria de insultos recebidos.

Tenho grande admiração por Kotscho, que foi secretário de Imprensa de Lula. Além de ser um gigante como repórter, ele se destaca, sobretudo, pela integridade.

Já fui muito hostilizada dentro das Redações em que trabalhei por não comungar com o pensamento dominante de esquerda. Pois Kotscho, sendo quem é, sempre foi cordial e respeitoso no trato comigo.

Com ele não tem essa coisa de estrelismo, não. A maioria dos jornalistas de “grife” que conheço não se digna a conversar com comuns mortais. Com Kotscho não tem disso. No trato diário, ele dá a mesma atenção a todos, fala o que pensa e conta seus causos com a empolgação de quem acabou de ingressar na profissão.

Anteontem, ele criticou em seu blog a desastrada estratégia de campanha de Marta Favre, de cutucar a vida pessoal de Gilberto Kassab. E foi massacrado pelos internautas.”

Em tempo 2: alertado por Barbara, aproveito para fazer uma correção em meu texto. Onde se lê “senhora da tradicional família paulistana”, leia-se “senhora da fina flor da sociedade paulistana”. Dei-me conta de que, por uma diferença de quatro anos, minha família é mais tradicional do que a dela… 

Como chegaram mais de 270 comentários para este post, deixarei para responder aos leitores no balanço semanal do Balaio que faço aos domingos.

Bom fim de semana.

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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461 comentários para “O legado de Gancia: arrogância e preconceito”

  1. Rodrigo disse:

    Antes de mais nada quero mandar “Saudações Tricolores” ao Ricardo… Não votei no Presidente Lula, mas realmente achei extremamente preconceituosa a matéria escrita pela Sra. Barbara Gancia e publicada na Folha de São Paulo de hoje (27.02.09). Foi totalmente elistista no seu texto, olhando de cima para baixo, aproveitando-se da origem humilde do casal presidencial… Antes brincar o Carnaval na Sapucai, dançando e bebendo do que fugir para a Argentina… Deveria ter ficado por lá ao invés de retornar ao país governado pelo marido da primeira-dama a quem ela agrediu com o seu preconceito… Abraços ao Ricardo!

  2. Paulo disse:

    Seus atuais patrões lhe colocaram uma viseira. Antes disso a senhora Garguela Gancia sofria de toc, pânico e inveja crônica. Atualmente o seu jornal somente serve para ser utilizado nos sanitários público de SP.

  3. hElEnA disse:

    Não sou do ramo. Li a coluna da BG na FSP por querer saber qual era o legado. Me ficou o sentido de um toque para a assessoria da Primeira Dama: ícone é ícone! e outro toque para nóssoutras frente a fotógrafos : respeito é bom e faz bem! Não vi as fotos, pelo relato elas não deveriam ter sido editadas.

  4. Alicia disse:

    Era só o que faltava. Agora, além de não poder beber cerveja, a primeira-dama não pode suar. M-e-u-d-e-us.
    Gente, vamos pra Argentina comprar o desodorante da fulana, deve ser ótimo. Como ela mesmo gosta de fazer, sugiro um apelido: Barbara Rexona.

  5. silvana ferrari disse:

    manda a Dona Barbara assistir o babaca do Amauri juniou entrevistando os socialites bebados, se nem sóbrios eles tem o que dizer, imagina bebados…

  6. Fernando faria disse:

    essa dona barbara ,alem de ser mulher de um tucano ,esses mesmos fizeram muito mal para o BRASIL,ela é recalcada e ciumenta ,com 84º PORCENTO DE APROVAÇÃO ENTRANDO NO SETIMO ANO DE GOVERNO,MORRA DE INVEJA,DONA.

  7. José Fernando Tasca disse:

    É triste como é tratada a família e o próprio Presidente Lula por parte da imprensa. Textos como o da colunista Barbara Gancia é apenas mais um preconceituoso e mesquinho, não muito diferente dos muitos já escritos nos periódicos do país.

  8. wilton saraiva disse:

    Essa atitude da Barbara Gancia é a cara da elite paulistana, detesta tudo que não venha de são paulo. Se a primeira dama tivesse a idéia de passar o carnaval em Buenos Aires ela criticaria da mesma forma. Só resta a primeira dama pedir alguns conselhos, de como se comportar, a essa babaca que pensa que são paulo é o Brasil. Barbara! vai te catar.

  9. Maurício disse:

    Bom mesmo era quando essa senhora se limitava a ocupar o seu devido lugar: numa mesa redonda de futebol ao lado de Silvio Luiz… é tão patética quanto este… mas como a Folha é isso aí que estamos vendo mesmo… tá no emprego certo essa beócia.

  10. rui disse:

    Pena que não dá pra aplaudir pela internet. Um texto como esse, que desnuda a arrogância de certos jornalistas, merece ser ovacionado.

  11. ChristianS disse:

    Ai Ricardo! Mandou bem!

  12. Abigail disse:

    Parabéns pelo texto. Não votei e nem votaria no Lula, mas o direito de se comportar como ser humano comum do presidente e de sua família deve se respeitado.

  13. jacaré disse:

    Inveja, só isso.
    A inveja mortal que ataca 100% da tucanalha ao verem um peão na presidência enquanto eles não conseguem sair da insignificância.
    ‘Tadinhos…

  14. Tony José disse:

    Nada contra nenhuma das 2 .
    Mas o que dizer de quem já foi esquecida dentro de um carro pelo Rei da Espanha, de quem apareceu no Congresso , mesmo sem ter lugar na composição da mesa: realmente é preciso estar no lugar certo e na hora devida, não é??

  15. eleitor disse:

    É a face do desespero e da prepotencia que é ancestral em alguns “privilegiados”. Não pode dar uma caneta pra uma pessoa qualquer escrever o que quiser e ficar por isto mesmo! Talvez seja isso o que ela quer: ” aparecer”. Pendura uma jaca no pescoço e volta pro teu empreguinho mediocre pois nunca vai passar de disso. Deve ser muito mal amada!

  16. wilton saraiva disse:

    Espero poder ver um dia uma primeira dama pular carnaval nas ruas de salvador ou olinda ou em qualquer parte do nosso país misturada ao suor do povo brasileiro. Isso com certeza mataria de raiva muitas socialites paulistas que torcem o nariz para tudo que é popular. A Barbara Gancia morreria primeiro que as outras. Em tempo: Ela passou o carnaval na Argentina? o Serra também estava lá?

  17. eu disse:

    pelo que vejo….é mais um pucha-saco oficial……..

  18. mauro mansur disse:

    “A inveja é uma m……”

  19. frnacisco disse:

    so entra neste blog quem é a favor do autor…….
    quanta democracia vermelha..

  20. Fernando Oliveira disse:

    É preciso serenidade para analisar e não generalizar. A figura institucional da primeira-dama tem direito de acompanhar o presidente e a pessoa física tem o direito de se divertir.
    Os limites deverão estar naquilo em que toca usufruir a propriedade pública para benefício particular, como no caso dos filhos do presidente usufruindo de maracutaias para enriquecimento ilícito ou de mordomias desnecessárias ou empregos estatais. E mesmo isto o brasileiro já tem aceitado como rotina!

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