Imprensa: os dois lados do balcão
Qual a diferença entre trabalhar como repórter numa redação e exercer a função de assessor de imprensa?
Já fiz dezenas de palestras nos últimos anos para falar da minha experiência profissional nestes diferentes campos do jornalismo _ ou seja, sobre “os dois lados do balcão”, como se costuma dizer no jargão das redações.
A convite do meu colega Alcides Ferreira, diretor de comunicação da BM&FBovespa, estive lá na terça-feira para falar aos dirigentes desta instituição num pequeno seminário do qual participaram também os jornalistas Milton Gamez, da IstoÉ Dinheiro, Cristiane Perini Luchesi, do Valor Econômico, e Marcelo Mendonça, da TAM.
Tivemos todos uma bela aula sobre as origens e os desdobramentos da chamada crise econômica mundial dada pela Cristiane Luchesi, jornalista da maior competência, que fala de assuntos sérios sem nunca perder o bom humor.
Em apenas 15 minutos, aprendi mais com a palestra dela sobre o tema do que em todas as matérias e análises que já havia lido nos últimos meses em toda a nossa imprensa (tenho o péssimo hábito de não ler o Valor).
Descobri que para entender o que está acontecendo no Brasil e no mundo neste momento é preciso ler este jornal, principalmente as matérias da Cristiane.
Abaixo, autorizado pelo Alcides Ferreira, a quem agradeço, reproduzo a minha palestra, baseada em quatro pontos que ele me sugeriu, por entender que este é um assunto que interessa a todos os leitores e não apenas às fontes e aos profissionais de imprensa.
OS DOIS LADOS DO BALCÃO
1. De repórter a assessor, o que demandava, que demandas atendeu.
Não tinha nenhuma experiência anterior como assessor de imprensa.
Quando exerci este papel, pela primeira vez, na campanha presidencial de 1989, depois de trabalhar por mais de duas décadas como repórter, tive que começar do zero.
E, como não sabia fazer de outro jeito, procurei fazer na assessoria exatamente o que fazia nas redações: garimpar informações e divulgá-las da forma mais correta possível.
A única diferença é que estas informações, em lugar de serem publicadas num jornal ou revista, eram fornecidas aos meus colegas jornalistas, de viva voz ou por escrito.
Uma das minhas primeiras tarefas foi acompanhar, por mais de um mês, as viagens internacionais do então candidato à Europa e América Latina, no início de 1989.
Nos países onde não havia correspondentes _ e, portanto, não havia como organizar coletivas _, eu preparava um texto sobre o dia do candidato, exatamente como se estivesse escrevendo para o jornal e o enviava para um colega no comitê, que o retransmitia por telex para as redações.
Alguns jornais regionais chegaram a assinar estas matérias/releases e reclamavam quando eu atrasava o dead-line…
Faria o mesmo ao longo da campanha em algumas regiões mais remotas do Brasil, pois, no início, poucos veículos mandavam enviados especiais para acompanhar o candidato do PT.
Como o próprio Lula é seu melhor porta-voz e excelente comunicador, embora não tenha diploma, meu trabalho no final da campanha consistia, basicamente, em marcar entrevistas e convencê-lo a atender à minha agenda de imprensa.
Assim seria também nas campanhas de 1994 e 2002, e nos dois anos em que trabalhei como Secretário de Imprensa da Presidência da República, em 2003 e 2004.
Para mim, tudo é jornalismo, tudo tem que ser bem feito, tem que ser honesto _ e não importa se estou trabalhando numa redação ou numa assessoria de imprensa.
A matéria prima é a mesma: a informação de qualidade, quer dizer, bem checada e confiável para divulgação.
Caso contrário, meu trabalho não serviria nem para o governo, nem para a imprensa.
Tanto isso é verdade, que, a certa altura do campeonato, o então candidato e depois presidente chegou a reclamar comigo, brincando:
“Você parece mais assessor da imprensa do que meu assessor de imprensa”.
Foi o maior elogio que recebi na minha breve carreira de assessor…
2. Como é a relação com a imprensa: procedimentos, cuidados, focos.
No governo, procurava atender às demandas dos repórteres que faziam a cobertura da Presidência _ e são dezenas _ , indo atrás de informações nas diferentes áreas do governo e repassando-as à imprensa.
Desde o primeiro dia, tomei a decisão de não falar em “off”, nem dar informações exclusivas a ninguém.
Atendia a todos os jornalistas de qualquer veículo da mesma forma. Corria atrás de respostas para as perguntas que me faziam ou colocava-os em contato com quem no governo pudesse fornecer estas informações.
Na função de Secretário de Imprensa e Divulgação, procurei agir exatamente como esperava que os assessores agissem comigo quando era repórter: nunca tirá-los do caminho certo, mesmo quando a pauta era inconveniente ao governo, e ajudá-los na apuração das suas matérias.
Posso não ter sido muito eficiente neste meu papel de assessor-repórter, não fornecendo todas as informações que eles queriam, mas posso garantir a vocês que nunca passei uma informação errada a nenhum deles.
O problema é que muitos repórteres não iam atrás de informações em “on”, mas apenas de futricas em “off”, e tenho verdadeira ojeriza a este tipo de jornalismo, tanto como assessor como enquanto repórter.
Isto me causou problemas com alguns colunistas e repórteres especiais, antes habituados a falar diretamente com os presidentes, conversando por telefone ou sendo convidados a tomar um cafezinho no final da tarde no gabinete, onde garimpavam suas informações exclusivas.
O presidente Lula não fazia isso e, pelo menos nos primeiros tempos de governo, dificultou muito meu trabalho de agendar compromissos com a imprensa, especialmente entrevistas exclusivas.
Quando as coisas iam bem, ele achava que não precisava falar muito com a imprensa. E, quando iam mal, simplesmente não queria falar.
Como chegava a fazer dois ou três discursos por dia, achava que não precisava disso.
Neste ponto, o Franklin Martins teve mais sorte ou mais competência do que eu. Desde o início do segundo mandato, o presidente desandou a falar com a imprensa e já concedeu algumas centenas de entrevistas a Deus, ao diabo e a todo mundo.
E tenho certeza de que isso foi bom para o governo, bom para a imprensa e, portanto, bom para o país. Parabéns para os dois.
3. A crise: a relação com a imprensa
No período em que trabalhei no governo, até não posso reclamar de grandes crises, diante do que viria depois, a partir de 2005.
Mas me lembro que sempre procurava me antecipar a elas, evitando, se possível, que acontecessem (conto alguns episódios no meu livro “Do Golpe ao Planalto _ Uma vida de repórter”, da Companhia das Letras).
Meu trabalho não se limitava a passar informações do governo para a imprensa, mas também conversar com os jornalistas para informar o governo sobre possíveis problemas que poderiam acontecer.
Naquela época, o grande Chico Buarque deu uma idéia muito boa, que, infelizmente, não foi levada adiante: a criação do Ministério do Vai dar Merda.
Tem certas coisas tão óbvias, como a gente vê muito nas vídeo-cassetadas do Faustão, que alguém precisa alertar os governantes sobre os perigos que correm de graça ao tomar certas decisões precipitadas.
Foi o caso, por exemplo, do episódio Larry Rother, que causou um enorme desgaste ao governo e, simplesmente, não precisaria ter acontecido.
Hoje já existem até rentáveis empresas especializadas em gerenciamento de crises, mas ainda acho que o principal papel de um assessor de imprensa é trabalhar até o limite do bom senso para evitar que estas crises aconteçam.
Por isso, defendo que os assessores de imprensa, em governos ou empresas, participem sempre do processo de decisão e não sejam chamados apenas para apagar incêndios depois que o estrago já foi feito.
4. Regras de ouro para uma boa divulgação.
Não sei se o meu tempo já está estourando, mas este último item do roteiro me permite falar de uma regra de ouro que aprendi para uma boa divulgação.
Vale não só para o governo, mas para qualquer empresa ou instituição.
Não devemos nunca confundir divulgação jornalística com propaganda, um erro muito comum em todos os meios e latitudes.
Certa vez, até brinquei com meus colegas de governo, dizendo que a diferença entre jornalismo e propaganda é bem simples.
Jornalismo é tudo aquilo que a imprensa divulga e a gente acha ruim.
Propaganda é tudo aquilo que a imprensa divulga e a gente gosta.
Jornalismo é, por natureza, uma atividade crítica, investigativa, que procura denunciar o que há de errado para que seja consertado.
É fato jornalístico tudo aquilo que foge à normalidade, seja em qual campo for, como acontece nas tragédias naturais ou nas grandes crises econômicas.
Sei que isto varia de um veículo para outro, e hoje já não se respeita tanto aquela velha separação entre Igreja e Estado _ ou seja, entre a redação e o departamento comercial. As coisas mudaram muito neste campo.
Mas, se os dois lados do balcão estiverem agindo de boa-fé, é perda de tempo vender propaganda para jornalista e jornalismo para publicitário.
O que quero dizer com isso? Toda informação passada a um jornalista não pode ser de interesse apenas do governo ou da empresa.
Esta informação tem que ser, necessariamente, de interesse de toda a sociedade. Precisa apresentar um fato de interesse jornalístico.
Se o assessor não tiver esta informação, que busque alguém da instituição que lhe paga o salário para fornecê-la ao jornalista _ ou, então, simplesmente, diga que não está autorizado a falar sobre este assunto.
Antes que me perguntem se no governo poderia fornecer todas as informações de que dispunha, inclusive as que eram contra os interesses do governo, já vou logo respondendo que não.
Também nunca escrevi nada contra os interesses do Estadão, do JB, da revista Istoé, da Folha, da Globo, da Bandeirantes, do SBT, da revista Época, nem de nenhum outro veículo onde já tenha trabalhado.
Por isso é que continuo amigo de todo mundo dos dois lados do balcão e sei que tenho as portas abertas para voltar quando quiser.
Em tempo:
só depois de publicar o texto, me dei conta de que este é o post de número 200 do Balaio.
Na quarta-feira, dia 11, completamos cinco meses no ar, o que dá a média de 40 matérias por mês, mais de uma por dia, um recorde na minha já longeva carreira, que em outubro completa 45 anos.
A todos os leitores e colegas do iG, meu muito obrigado.



Uns ouvem bobagens ,outros escrevem.Logo, a bobagem é democrática. Alguém lembra(quase impossível) das lapidares bobagens em tons retumbantes,de Collor,escatológico e vulgar;FHC,PHD em gafes, ou o anônimo excêntrico Itamar?
Lula ,perto deles, é um Cícero. Agora,Ricardo,duro, é ,em nome desse compadrismo de classe, desconhecer a orquestração das “quatro famiglias”(Marinho,Mesquita,Frias &Civita), constituintes do famigerado conluio conhecido por PIG. Note, a ansiedade dos veículos ,empurrando o seu (s) pretenso(s) candidatos a confrontar a hipotética campanha “deflagrada por Lula-Dilma.E , o que é pior: a tal de crise,não chega nunca.Talvez nem venha. É a derrota do PIG,por WO.
Grande Ricardo, Boa tarde…
Taí um programa que eu gostaria de ver. Pena que essas palestras, acredito, sejam somente para o público interno. De qualquer forma, sua palestra me pareceu extremamente pertinente, bem focada e que mostra, com riqueza de detalhes, os conflitos e dificuldades que um profissional de jornalismo tem e sempre terá. Não deveria ser uma profissão para arrivistas e alpinistas sociais.
Na verdade, o dia, em termos de imprensa/jornalismo, para mim começou mal. A Folha anunciou que contratou Cesar Maia, aquele, como colunista do jornal. Ou eles não estão entendo nada ou, o mais provável, eu é que não esteja entendendo as reais intenções da chamada mídia paulistana visando já 2.010.
Sempre acreditei, e continuo acreditando, que uma democracia só pode funcionar com uma imprensa livre, independente e sem rabo preso com ninguém (aliás, um antigo slogan da própria Folha que, ultimamente, nem fala mais nisso…). Mas ultimamente, tá dando desânimo…
Abraços, Ricardo e ótimo final de semanas a todos aqui do balaio.
Prezado Ricardo,
Este cargo de muita responsabilidade, pode exaltar o governo e fazer com que a sociedade se tranquilize, como pode fazer também o contrário.
Sei que os dois lados do balcão pressionam a pessoa que praticamente faz a intermediação das partes. É bem interessante e estressante.
Mas como sabemos do valor que vc sempre deu para ética e moral em sua vida, simplesmente deu só no que poderia dar, muita verdade e muito bom senso. Parabéns.
Vê se um dia marca uma palestra para a turma do Balaio…
Tipo de assim, de aniversário, tá? Seria uma honra para todos nós!
Abraços,
Norma. M.
Amigo Kotscho.
Somente por conhecê-lo de longa data e admirá-lo como concorrente à época, li três vezes o seu texto, com o objetivo de extrair dele algo que me fizesse mudar de opinião sobre os assessores de imprensa. Em vão. Continuo a considerá-los umas grandes malas, representantes do antijornalismo, que estão lá só para empatar a f…. Somos – você e eu – do tempo em que pegávamos o telefone e ligávamos para quem pudesse nos dar a informação necessária, para nos esclarecer sobre determinada dúvida, para agendar uma entrevista. Na área esportiva, mais espeificamente no futebol e na condição de repórter, falava diretamente como quem bem desejasse, por telefone ou pessoalmente, nas concentrações, nos clubes (antes e depois dos treinos) ou até mesmo na residência da ‘fonte’. Falava com Zico, Júnior, Sócrates, Pelé, Nilton Santos, Telê Santana (no Leme ou na sua casa na Serra), Cláudio Coutinho, Tostão (este, aqui no Rio, ainda me recordo, morava na Rua Abade Ramos, no Jardim Botânico), Emerson Leão, Roberto Dinamite, Rivelino, e por aí vai… Não tinha nada de procurar assessor de imprensa, como acontece hoje em dia com qualquer bobalhão que se acha importante. E o assessor está sempre lá, empatando a f… dos jornalistas, que é para isso que eles existem. Podem ser assessores de qualquer coisa, menos de imprensa. Já não sou repórter e, numa função executiva, não preciso lidar diariamente com esse tipo de coisa. Felizmente, como já frisei, sou do tempo em que essa ‘praga’ ainda não existia (pelo menos de forma tão atuante). Prometo ler seu texto mais uma vez. Quem sabe, né? Mas acho que não vou mudar de opinião a respeito. A cada dia, mais ojeriza tenho por esses ‘intermediários’, aos quais não aceito sequer me dirigir para buscar qualquer informação.
Um forte abraço.
Prezado Kotscho
claro que até certo ponto,posso entender perfeitamente a “origem”da azia do nosso Presidente Lula,mas…posso garantir,bastaria ele entrar hoje no balaio…ler esse resumo da palestra a qual o blogueiro participou…que a bem da verdade,está assombrosamente bem escrito e enriquecido…tenho certeza que,caso Lula lesse esse texto,passaria a não sofrer dessa ostensiva azia.
devo lhe confessar : fiquei catatônico ao ler esse artigo !!! demonstra claramente que o seu profissionalismo,vaza pelos seus poros,ou seja: o blogueiro “veste e sua ( verbo suar ) a camisa” com extrema competência e uma habilidade racional,coerente e lúcida,em relação ao que um jornalismo verdade,representa pra você…e para os leitores . eu sou tarado por palestras…sejam quais forem os assuntos…sempre que tenho disponibilidade de tempo e locação,lá estou eu nas primeiras cadeiras,de caneta e bloco nas mãos ! e nesse artigo de hoje…já visitei três vezes…li o texto e os recados de “cabo a rabo” …e voltarei mais tarde…porque é de grande valia …e está recheado de conhecimentos…embora não seja da área…nem mesmo tenha formação acadêmica …saberei como guardar e usufruir desse artigo .parabéns ao blogueiro !
abraços
DILMA: “ESTA SENHORA VAI DAR TRABALHO”, DIZ ITAMAR FRANCO
Aqui, trechos da excelente entrevista de Itamar Franco a Paulo Totti, no Valor
Com vista para a serra do Curral, no décimo e último andar do edifício sede do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), centro de Belo Horizonte, está o escritório de quem já foi quase tudo na vida brasileira: prefeito, senador, vice-presidente e presidente da República, governador, embaixador em Washington, Lisboa, Roma. Nas urnas só sofreu duas derrotas, no início da carreira, para as funções modestas de vereador e vice-prefeito de Juiz de Fora, que só não é sua terra natal porque não nasceu em terra, mas no mar, num “ita” que saiu de Salvador e chegou ao Rio com um passageiro a mais, há 78 anos. Desde que voltou de Roma, Itamar Augusto Cautiero Franco é presidente do conselho de administração do BDMG.
Valor: E a Dilma?
Itamar: Acredito que a ministra Dilma Roussef é uma candidata muito forte. Não está falando o mineiro em favor da conterrânea. Fala o observador da política, homem que já foi político e hoje não é mais.
Valor: E espera que os leitores e a torcida do Atlético acreditem que não é mais político…
Itamar: Um ex-político. Mas, como ia dizendo, essa senhora vai dar trabalho. São aqui de Minas três figuras que mais entendem de energia neste Brasil: José Pedro Rodrigues dos Santos, ex-presidente de Furnas; o presidente da Cemig, dr. Djalma Morais e o dr. Marcelo Siqueira, também ex-presidente de Furnas. Eles podem atestar que ela entende muito de energia. A ministra fez uma palestra no Copacabana Palace, falou mais de duas horas sem olhar uma vez para o papel. É candidata forte. Não se iludam.
Valor: Dizem que não é política.
Itamar: Já vi tanta gente que não era política chegar lá. Eu até discordo um pouco, ela é política desde jovem. Tanto que foi presa política aos 21 anos.
Leia íntegra desta entrevista no Blog do Nassif. Vale a pena pessoal:
http://colunistas.ig.com.br/luis…cao/#more- 28855
(post: “Aécio e o Rubicão)
alex | 02.13.09 – 12:09 pm | #
Caro Kotsho.
Creio que, no longo convívio que vc teve com o pessoal do PT, certamente observou o viés autoritário dos moderados e o autoritarismo em estado puro dos radicais. Sinceramente, ainda hoje, não me convenci de que o PT não foi um produto do verdadeiro ”balaio de gatos” que era a oposição ao regime militar. O velho PMDB abrigava na sigla, tudo e todos, desde o MDB. A eleição de Jimi Carter em 76 escancarou a porteira e, de lá, das profundezas começaram a brotar os líderes oposicionistas encruados em outros ramos da política, principalmente os sindicalistas. Plantem que o Carter garante, era a senha. E garantiu mesmo. Carter e sua fiel escudeira, Rosalyn, apresentaram ao mundo, os direitos humanos. Havia ainda o Miterrand e sua Danieli. Ai de quem se atrevesse a ofender um líder operário, ai de quem. Havia ainda a Catedral da Sé que, funcionava mais ou menos como uma Embaixada com o Chanceler Evaristo. Vila Euclides, em S.B do Campo transformou-se repentinamente num santuário. Os metalúrgicos do ABC Paulista, os mais bem pagos operários da América Latina, eram mostrados exaustivamente p/ o mundo como uma legião de escravos. Lembre-se Kotsho, o presidente Lula, no início dos anos 70, como torneiro mecânico já era o feliz proprietário de um carro zero ( um TL da Wolks). Te lembras Kotsho, da Gazeta esportiva aos domingos? Te lembras? É, meu caro Kotsho, a Gazeta saia com um caderno com várias páginas recheadas de pedidos de trabalhadores. Tinha vaga para tudo e para todos. Havia emissários de empresas no terminal do Tietê, aguardando os ônibus do Nordeste e de outras regiões e, ali mesmo, contratarem trabalhadores. São Paulo, em 1972, padecia de um mal; Faltava de mão de obra!
Não, não é saudosismo. É realismo. A geração atual precisa saber disso. Nós precisamos aprender com os erros do passado ou não aprendemos nunca.
Mas, infelizmente, havia quem achava que podia fazer melhor e…É isso aí!!!
Kotscho
Estou super honrada. Um elogio desses vindo de um jornalista de verdade, como você, a quem eu muito admiro e tive a oportunidade de conhecer pessoalmente. Um jornalista que já ganhou quatro prêmios Esso, que é um mestre, que tem um nome no mercado que é uma marca de credibilidade e respeito. Você fez o meu fim de semana.
Infelizmente, não tenho um blog para elogiar sua palestra também, a qual eu aplaudi na parte “Jornalismo é tudo aquilo que a imprensa divulga e a gente acha ruim.” Ou ainda: “Jornalismo é, por natureza, uma atividade crítica, investigativa, que procura denunciar o que há de errado para que seja consertado.”
Obrigada
Cris Lucchesi
Raciocinando; Pensar, às vezes dói.
O Ministério da Previdência divulgou o balanco de 2008 apresentando um déficit de 35,2 bilhões de reais. Arrecadação 158,3 bilhões, e uma despesa de 199,5 bilhões.
Os benefícios urbanos, estão muito próximo de zerar o défict, pois em 2008 foram arrecadados 158,3 bilhões p/ uma despesa de 159,5 bilhões, ou seja, um déficit de apenas 1,2 bilhões, um déficit menor que 0,9%.
Mas os benefícios rural arrombam tudo. Para uma despesa de 39,9 bilhões só há cobertura de 4,9 bilhões, o q
Ô “Zifio” Neskeens von Lyrics
Eu por mim já tinha dado por encerrado a nossa conversa, Com certeza absoluta o objetivo de aqui comentarmos não é para convencer ninguém de nada, mudar as convicções de quem quer que seja e muito menos aqui sermos donos de verdades.
Faço comentários aqui por pura diversão e não encaro este espaço como palco de disputa política. NÃO É AQUI QUE EU “MILITO” !!!
Voce entendeu como “… Um agressivo, colérico, ensandecido, ofensivo postado pelo Enio (12/02 01:32…” o comentario endereçado a voce quanto à tua “brasilidade”?
Paciência, “holandês voador” !!! Voce está voando na tua própria crítica.
Não sou e jamais serei dono de verdades absolutas mas não tolero mentiras ou dissimulações de certos “epertinhos” que acreditam que aqui pra fazer algum tipo de “sucesso”.
VEJA AQUI O QUE VOCE ESCREVEU:
“…Eu deixei de acreditar no LULA quando o Celso Daniel foi assassinado e o Greenhalg foi pressionar a polícia para ENCERRAR o caso que começava a espirrar no PT…”
Que é isso?, Voce está acusando o Lula ou alguém do PT de ter assassinado o companheiro Celso Daniel? Voce tem alguma prova nova e contundente a respeito deste terrível fato? Se a tua suspeita tiver um mínimo de fundamento, deve ir urgente ao Poder Judiciário fazer essa TUA denúncia, caso contrário pode ir procurando um advogado porque a tua “ilação” é gravíssima e criminosa.
OUTRA TUA:
“…Eu deixei de acreditar na ESPERANÇA quando o irmão do Genoíno (para quem eu votei quando se candidatou a Governador de SP), foi pego com as cuecas cheias de dolares sem explicação melhor do que a patética “veio vender a produção da horta”…”
O irmão a quem voce se refere por acaso é o Deputado Federal pelo PT-CE ( e meu amigo ) José Nobre Guimarães?
Saiba Sr. “Holandês Voador” que na noite em que foi preso o assessor sete deputado com a tal cueca “rebocada” de dólares, o Guimarães estava na sede do PT Nacional naquela reunião histórica (porque não?) em que o hoje Deputado Federal (com 80.000 votos !!!) e ex-presidente nacional do PT fazia a sua renúncia para poder se defender das acusações de forma pessoal e liberando o partido desse ônus. Sabe onde EU estava Sr. Holandês? exatamente ao lado do Deputado Guimarães que voce levianamente acusa de ter sido preso naquela noite. Eu vi e testemunhei a cara de espanto e absurda incredulidade dele diante daquela notícia ( verdadeira inclusive ) e te pergunto:
Em meio àquela “saraivada” de denúncias aos dirigentes do PT voce acredita que o Gumarães pudesse ser tão idiota a ponto de. como afirmam alguns inimigos do PT, de “ordenar” a um assessor para “enfiasse” dólares em cuecas? Aquele imbecil que foi preso por mim pode “mofar” na cadeia pois não me fará falta nenhuma e esteja certo de que estava agindo por conta própria, o Guimarães nem sabia que o idiota estava por aqui. Certos “assessores” costumam achar que são mais importantes do que quem os contrata.
Quanto ao Genoíno, eu não tenho procuração para defendê-lo, mas o conheço a mais de trinta anos e sei que mora e sempre morou no mesmo endereço no Butantã, conheço a sua esposa a Rioko, seus filhos e nunca vi por parte deles qualquer sinal ou sintoma de ostentação de riqueza, A Rioko ainda é enfermeira no serviço público onde entrou por concurso, e eu nao só a conheço muito como a admiro também. É uma pessoa de uma doçura e solidariedade humana como poucas que conheci. Ela também foi presa política, foi TORTURADA pelo animais da ditadura (voce nunca vai saber o que é isso) e jamais recebeu o que lhe é de direito.
Voce deveria tomar cuidado com as tuas leviandades, pois poderá se dar muito mal com isso. Sei que está desempregado há dois anos, voce publicou isso na internet, qualquer pode ler, e portanto deve ter muito tempo para escrever as tuas bobagens por aí.
Cara, eu lamento pela tua falta do que fazer, mas lamento mais ainda sobre o que eu te afirmei ontem, VOCE COPIA E COLA TUDO O QUE LÊ e não tem a menor capacidade de interpretação e se sair por aí acusando pessoas de “assassinos” ou “ladrões” que o faça com as devidas provas sob pena de ser acusado também de cumplicidade para com quem faz tais afirmações.
Se essas pessoas que voce acusou hoje aqui, o Lula, o Genoíno ou o Guimarães quiserem, vai sobrar uns “processinhos’ na tua conta.
P.S é uma pena que na internet não tenha “som” pois voce poderia ter percebido que ao te escrever ontem, em nenhum momento eu estava “colérico”, “enraivecido” ou “furioso”, muito pelo contrário eu apenas brinquei contigo sobre a “Ana de Amsterdan”, hoje eu não estou brincando.
para Neskeens von Lyrics
Só mais uma “coisinha”, acabo de ler que “O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), arquivou por falta de provas (conforme o próprio Ministério Público atestou) uma investigação que existia contra o deputado federal Antonio Palocci (PT-SP). O parlamentar era investigado por supostamente ter participado da contratação de uma empresa de publicidade sem licitação na época em que era prefeito de Ribeirão Preto.”
Falta ainda o processo do “caseiro” Francenildo e todos sabem que também terá o mesmo destino por absoluta falta de provas e eu te pergunto outra vez:
-Quem vai reparar os danos morais sofridos pelo Ministro Palocci ?
A oposição?, A mídia esquizofrênica ? Ou pessoas “apressadas” em fazer pré-julgamentos como voce?
Ricardo Kotscho
Nos anos 80 eu era uma estudante de jornalismo que não perdia uma matéria assinada por você, na Folha de S. Paulo. Atualmente procuro ler o seu blog todos os dias. Leio outros dois ou três que, como o seu, considero ótimos. No entanto, nunca deixei um comentário. Hoje não aguentei. Sou assessora de imprensa há 15 anos, depois de 7 trabalhando em tv e revista.Obrigada! Você lavou minha alma ao dizer que não interessa de que lado o profissional trabalha. É isso mesmo. O jornalismo é exercido pelos dois lados e o que importa é o trabalho honesto e competente ao apurar e transmitir a informação. É o que eu tenho procurado fazer esses anos todos e, acredite, você sempre foi um mestre. Assim como eu, acho que qualquer outro assessor de imprensa
que tiver a oportunidade de ler o que você escreveu, se sentirá recompensado e terá um ótimo final de semana, como a Cristiane Lucchesi. Eu nunca imaginei que um dia estaria escrevendo isto para você e ,ainda mais, no seu post nº 200. Parabéns e, mais uma vez, Obrigada!
Christiane
Éééé….
(…)
Só vou ler e tomar nota.
13/02/2009 – 20:13
Enviado por: Alex
DILMA: “ESTA SENHORA VAI DAR TRABALHO”, DIZ ITAMAR FRANCO”
Os conhecimentos técnicos da Ministra Dilma foram testados durante o período que ela foi ministra das Minas e energia. E o que se viu lá, francamente, não foi muito assim, tão elogiável. Logo nos primeiros dias ela investiu contra os contratos de concessões e a fixação de tarifas de serviços . Por ela, pode-se imaginar hoje, que os contratos seriam revisados. E isso só não aconteceu, graças à firmeza do Ministro Palocci e do presidente do BC, que alertou; seria uma tragédia. Palocci avisou à época; alterar contratos unilateralmente é coisa de republiqueta de terceira.
Não sei exatamente, mas ficou a nítida impressão que, à época, a Ministra tinha uma certa dificuldade p/ entender os índices indexadores de preços. Algumas vezes ela investiu contra o IGP-DI. Mas, não era só a Ministra Dilma não. Havia outro ministro, o Miro Teixeira -Comunicações- que, embalado por um Brizolismo arcaico, também não concordava. Pragmático, Miro se enquadrou, mas para isso teve de romper com o PDT de Brizola.
Foi o Brizola quem disse na ocasião, desiludido com o PT no governo; ”Mas bá tchê, tá tudo ”amarradinho” por contratos draconianos”, e eles – O PT- vão se sujeitar.
Felizmente, felizmente. Se o PT aceitasse opiniões do Brizola da Dilma, do Miro e dos iludidos da esquerda, aí sim, seria o fim.
Ricardo, bom dia com muita alegria e um pouco de frio em pleno verão!!! Gostei do seu duzentésimo texto para os balaieiros, Parabéns, pudera, com quarenta e cinco anos de estrada!!!??? É bom demaisssssssssssssss! Tbm vou palpitar, toda profissão de cunho social é digna de louvor. Todo o trabalhador é digno de seu salário. Algumas profissões desapareceram ao longo da história, como o acendedor de lampiões e o datilógrafo, outras surgiram como o eletricitário e o digitador. Em todas elas tem os bons, os ruins e os melhores, vc. está entre os melhores e vc sabe porque. Quem tem compromisso, responsabilidade, consciência e coerência tbm sabe e vamu que vamu, não podemos perder o trem da História e nem nos acovardar ao longo do processo, não importa qual lado do balcão estamos, importa o lugar social que ocupamos e em qual atuamos e como atuamos. Tem os que trabalham para melhorar a sociedade e o planeta e tem os que só querem enricar o seu bolso ou sua conta bancaria, e assim caminha a humanidade…Estou aguardando uma ligação sua ou então passa um telefone seu que ligarei. Tenho varias profissões, nas duas que exerço hoje sou muito bem sucedido e realizado, tenho um sítio como vc. saí da exclusão digital apenas oito meses, estou engatinhando, não frequentei nenhuma escola de informática, ando devagar e tenho um sexto de existência a menos que vc, trinta e sete anos de contribuição previdenciária e não sou aposentado. Coisas do Brasil….
Abraços!!!
Neste post os comentários estão muito bons. Sou apenas leitor, procuro ler bastante, começo quase sempre lendo sem me preocupar com o jornalista. Se o assunto for relevante, aprofundado e consistente (ao meu ver, claro) memorizo o autor. O q
Completando… O que tenho observado ultimamente é que tenho me informdo menos e tenho pesquisado mais em assuntos relevantes. O reporter me parece, muita das vezes, pelo texto, pelo conteúdo, compromissado, não com a verdade, mas com o contexto.
Lendo os comentários de alguns dos frequentadores, concluo:
1- A inveja mata.
2- Maior o êxito de Lula, maior a raivinha de alguns.
Sempre que entro no seu blog e leio os seus textos sinto-me emocionado pela simplicidade e humanismo que caracteriza um grande contador de historias…
Acho que voce criou um estilo unico, esse de emocionar com seus relatos em suas “materias humanas” (como se dizia antigamente).
Para quem conhece a redacao de jornal e tambem a assessoria de imprensa, eh bom ler as suas opinios: o importante eh atender ao interesse publico no sentido mais amplo possivel, os interesses da sociedade, o resto nao eh jornalismo…
Sao 200…inumeros textos que marcaram a historia do jornlaismo brasileiro – parabens…
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Olá:
Obrigada pelas dicas! Para quem está em início de carreira e tem na área de assessoria de imprensa, uma chance profissional, o texto ajuda muito.
No entanto, ainda fico com o outro lado do balcão, sem pressões por resultado $$ a todo custo.