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06/01/2009 - 17:17

Diário de Um Vagabundo vai ter que esperar

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Por aqui, caros leitores, continua tudo tranquilo, tudo sob controle, sem novidades.

Durante anos, sonhei com esta abertura de matéria para quando finalmente pudesse realizar meu grande sonho profissional: ser correspondente numa praia e todo dia poder repetir a mesma informação.

Na virada do milênio, numa das vezes em que pensei em largar tudo e, finalmente, escrever apenas sobre o que me desse vontade, quando desse, resolvi radicalizar. Em vez de matérias diárias, ficaria em Toque Toque Pequeno para escrever um livro chamado Diário de Um Vagabundo. Tinha acabado de sair da TV Bandeirantes, onde era diretor regional de jornalismo e ganhava um bom salário.

A idéia surgiu numa conversa com o jornalista Roberto Feith, antigo repórter da Globo e hoje um dos grandes editores brasileiros, comandante da Objetiva. Era bem simples: registrar num diário o cotidiano de um veterano jornalista, que depois de passar quase 40 anos na roda viva, entre guerras e crises, trabalhando nas grandes redações do país, abandona tudo e vai viver numa antiga aldeia de pescadores.

Falei da minha idéia a parentes e amigos durante as férias de verão, mas ninguém me levou a sério. “Você não aguenta dois meses fazendo isso”. Tinham razão. Até comprei um caderno grande, para ir anotando minhas conversas com os caiçaras e as cenas que via entre a montanha e o mar nesta pequena faixa de terra na Rio-Santos, mas apenas um mes depois já tinha deesistido do projeto.

Depois que todo mundo foi embora e isto aqui ficou deserto, não conversando com mais de meia dúzia de pessoas por dia, sempre os mesmos, sobre os mesmos assuntos (o tempo, a maré, os cachorros vadios da praia, se o mar estava bom ou não para peixe, mais ou menos como escrevi ontem), logo vi que não teria assunto para um livro e começou a me dar um tédio danado.

Liguei para um amigo diretor de redação de uma revista semanal e perguntei se ele não estava precisando de um bom repórter. Sim, claro, me falou o Augusto Nunes. “Sempre precisamos de bons repórteres. Você conhece algum?” Indiquei-me a mim mesmo e no dia seguinte já estava em São Paulo trabalhando na redação da revista Época. Queria voltar a ser repórter, depois de quatro anos dirigindo redações de emissoras de televisão.

Todo fim de ano agora relembro este episódio do livro que não escrevi, sem pensar em repetir a experiência de 2000, mas desta vez bati meu próprio recorde. Como alguns de vocês devem ter visto ontem _ poucos, é verdade, porque tinha previsto minha volta ao Balaio para o dia 12 e não houve aviso prévio nem posterior na capa do portal _ aguentei apenas 10 dias longe do teclado e dos leitores.

Só aí me dei conta de como é diferente a relação entre o jornalista de uma grande redação e o solitário blogueiro de um Balaio. No jornal, na revista ou na TV, você sai de férias e ninguém nem repara porque há dezenas, centenas de outros profissionais tocando o barco, não deixando a peteca cair.

Na internet, não. Você cria um diálogo permanente e direto com os leitores e quando ele é interrompido parece que você perdeu o elo com o mundo. Alguns leitores até reclamaram quando lhes dei uma folga na passagem do ano, mas não sou cabotino nem pretensioso pra dizer que voltei antes só para atendê-los.

Eu é que não aguentava mais ficar só em casa lendo, brincando com as crianças e vendo a chuva cair. Senti falta de escrever e, principalmente, de receber os comentários de vocês. Dizem que isso acaba virando escravidão, mas não me importo. Sou escravo liberto que hoje só faço o que gosto, onde quer que esteja, sem precisar sair de casa.

Depois que inventaram a internet e cairam na besteira de me abrir este generoso espaço aqui no iG, não quero saber de outra vida. Outro autor, se quiser, que aproveite a idéia e escreva o Diário de Um Vagabundo. Se depender de mim, este livro vai ter que esperar muito…

Em tempo: aos leitores interessados em se informar bem sobre o conflito do Oriente Médio e me cobraram que escrevesse mais a respeito, tarefa para a qual não sou o sujeito mais indicado, por não ser um estudioso do assunto, nem dispor de informações além das que leio nos jornais, recomendo que leiam tudo o que escrever aqui mesmo no iG o grande Naum Sirotsky, correspondente bem informado e isento, com a maior credibilidade, apesar e além do sobrenome.

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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46 comentários para “Diário de Um Vagabundo vai ter que esperar”

  1. Mauricio - Barretos disse:

    Frouxo (23:21)
    Mulher pra que voce não saberia o que fazer com elas…
    Eu acho que esse é o seu problema …ela te rejeitam não é..
    seu recalcado..

  2. henrique disse:

    È a primeira vez que escrevo, gosto de lêr o que você escreve e principalmente porque fala o que pensa e não o que mandam é simples e por ser simples é muito bom, continue assim.

  3. Salvador de Farias disse:

    “Diário de um vagabundo”… Pensei que se tratasse da biografia do Lula.

  4. Enrique Andres disse:

    Caro Ricardo,

    eu acredito sinceramente que vc está no topo dos teus sonhos, num lugar ótimo, interagindo com os teus leitores, sendo que uma maioria já são os teus amigos incondicionais.
    O que se pode exigir mais da vida quando se está feliz e realizado?
    Se a tua intenção é ficar mais um tempo na praia, posso te passar uma receita boa, tenta imitar o Ernest Hemingway e escrever O diário de um vagabundo dum velho no mar.
    O que vc acha?

    Vou parar, são mais das duas e tenho que nanar………………
    Um prazerão de estar rodeado desta gente boa.
    Não se assustem, prometo não contar mais piadas bestas (só hoje)

    Sincero abraço a todos

  5. Mauricio - Barretos disse:

    Salvador de Farias… (01:38)

    “Diario de um vagabundo”…Pensei que se tratasse da biografia do Lula.
    Não trata-se da biografia de Salvador de Farias… conhece?

  6. Mauricio - Barretos disse:

    Bão tamen vo nana té minhã…

  7. oi, kotscho. sempre leio seu blog. acho que a idéia do seu “diário vagabundo”é um pouco do que eu estou fazendo, nestes vinte dias de férias. dá uma olhadinha no meu blog (link acima). creio que vocë pode gostar, pois estou em busca das entranhas do brazyl e encontrei coisas riquíssimas, pessoas belíssimas e histórias quase inacreditáveis.
    abração.

  8. Arthur disse:

    Caríssimo Ricardo,
    Estou no litoral, na vila de Paúba, e me aproximei das histórias dos pescadores. Pensei como projeto de fotografia autoral registrar o dia-dia dessa comunidade, o mar, os barcos… É muito difícil se afastar do barulho da cidade.
    Adorei o blog!
    Abraço

  9. Robervaldo Silva disse:

    “Diário de um vagabundo” deve retratar em suas paginas como um parlamentar pode ter direito a tantos dias de folga, “Recessos”, morar em uma cidade diferente da que trabalha de Terça a quinta-feira, com passagens aéreas gratuitas e na primeira classe e ainda sobre outros que desfrutam de uma praia só para si e amigos próximos, enquanto as bombas matam crianças na faixa de Gaza.

  10. Manoel Ferreira disse:

    Sabe Ricardo, se pensarmos em como nascemos,, não ficaríamos muito tempo fora para escrever um livro, embora a idéia é atraente a qualquer pessoa atraída pela leitura.

    O sofrimento que é crescer,aprender a tabuada,e o nome de todas as coisas .

    As regras.

    Pensar em como não ser atropelado, como pentear o cabelo, aprender a língua do pê!

    Todo esse esforço.

    Depois conseguiir um emprego, provavelmente algo que você talvez nem goste como ser porteiro de boate, astronauta, cavoqueiro de minas de carvão, e coisas que não combinem com os seus sonhos!

    E se você tiver a sorte de não nascer na Etiópia, ou pior seria nascer nos EUA e não ter dinheiro, ou ainda na faixa de Gaza e não ser nem Judeu nem muçulmano.

    Ricardo você sabe como as coisas funcionam, e ficar na areia e escrever um livro pode não ser a melhor escolha, ou quem sabe!

    E os seus filhos então? Passarão pelas mesmas dificuldades que você?

    Provavelmente, por mais que você tente evitar , mas a vida é de cada um, os desejos são desiguais. Por exemplo tem algum jornalista?

    O sonho eo desejo de retiro para escrever um livro na solidão como um bem lembrado Ernest Hemingway , é só mais um dos nossos sonhos distantes,esta vontade e desejo é esta esperança frágil que todo homem que lê muito temos,eu você enfim que todos nós que compartilhamos das escritas sonhamos com esta espécie de exílio, mas eu só não sei, se ele é menos pior que suportar as agruras da vida.

    Talvez o pior seja você imaginar, que estando aí em São Sebá, longe dos seus queridos, os filhos netos, amigos e balaieiros, um dia alguém vai tentar vender Crack na porta da escola do seu ou dos nossos netos no primeiro ano primário, e assim será com os filhos deles.

    Se você então pensar que eu,você, todos nós, por todo este tempo da nossa breve existência, continuamos pagando nossos impostos

    Seus cabelos começam a cair, não é, ou começam a ficar brancos, nossos passos se tornam mais lentos, sua vista passa a traí-lo, nossas mãos já não possuem a mesma segurança de sempre.

    Então meu velho, você olha o espelho e antes da imagem do seu rosto vem um par de lentes, provavelmente você tem dois pares de óculos, que por sinal você nunca encontra o outro quando precisa dele!

    Ah! O espelho, esse malvado.

    Aí chega um dia que você não se reconhece mais, e aquela imagem refletida no vidro, é de um extranho, e você tenta por um momento que seja revolver a terra que está por cima para buscar aquele menino de um dia!

    Sabe Ricardo, escrever este livro seria maravilhoso, mas e o tempo ao seu lado, ele não para pra te acompanhar na areia para esperar a confecção das frases, ele é dinâmico Ricardo!

    Pense comigo, se nos vivermos tempo suficiente com os avanços da medicina moderna, as outras pessoas que certamente estariam nas páginas do seu livro começariam a morrer ao seu redor, é inevitável, assim como que se a sua presença fosse um testemunho obrigatório.

    O risco da perda é iminente, o tempo não para, como disse Cazuza!

    Sempre entendi a perda de meus avós, dos meus pais, dos meus tios etc.., fiquei extremamente triste por cada ocasião, porém entendi.

    Mas nunca entendi a perda de um filho, é inexplicável,e aí um dia você nem precisa se recolher para escrever um livro para se deparar com a realidade, , você olha ao seu lado e existem muitas pessoas graças a Deus, mas faltam outras tantas, não!

    Um livro bem feito bem elaborado, bem redigido, é um tempo demasiadamente precioso, uma partida de xadrez infindável, você não pode perder este tempo, longe de todos os seus queridos nos quais eu incluo a nós do balaio, não dá pra você parar para escrever o seu livro, sinto muito.

    Muito embora na realidade, a sua experiência de vida transportada para as páginas seria de um valor inestimável para a sociedade’( não tenho dúvidas quanto a isso)” é um luxo ao qual você não pode usufruir, você tem mais coisas para criar, o seu tempo é como o meu tempo e o osso tempo já não nos pertence, mas tudo a o seu tempo, o meu tempo? Não sei!

    Então agente abdica de realizar alguns sonhos de meninos em nossas vidas em troca do convívio com as pessoas que amamos, mas assim como elas, um dia você deixa de fazer parte Ricardo, você desaparece, e ninguém sabe pra onde.

    Não! Engana-se quem presume que eu, você, enfim todos nós queremos morrer um dia, isto é uma mentira, porém para o nosso desgosto é a única certeza de que temos na vida!

    Mas ao olhar para trás, fico aqui imaginando: Valeria a pena escrevermos um livro.
    ,
    Fico assistindo o filme do que foi esta vida!

    Que viagem fantástica, conhecre a todos os que conheci, conhecer vocês, ter me apaixonado, enfim!

    Tudo bem! Isso talvez não seja mais atraente do que a poesia, eu admito que para alguns as coisas funcionam de uma forma mais simples que a minha ótica limitada!

    Mas e quanto a nós?

    Por exemplo: Faz tempo que não falamos com nosso filhos? O que estamos esperando, vamos visitá-los! Telefonar para eles, ou mesmo escrever um livro em homenagem a eles, pois sem eles nossas vidas não seriam mais completas!

    Hoje já não consigo preparar um sermão, sem interrompiodo por um extranho líquido que corre dos meus olhos, não consigo mais redigir um texto sequer sem me emocionar, uma extranha nostalgia invade o meu ser assim como agora, e eu não sei se devo parar e escrever um livro?

    Será que eu o terminaria?

    Bom dia Ricardo, e boa praia, e a todos os queridos do balaio também bom trabalho.

    Abraços fraternos!

  11. eu disse:

    pôxa pra que responder a esse antikoxo ? é muita mediocridade e imbecilidade numa so pessoa. deixa esse cerebro atrofiado se destruir sozinho, seus comentarios nao merecem resposta.

  12. Talita disse:

    Olá blogueiros… sou nova aqui… gostei do blog, percebi que há uma interaçao bancana.. =)

    Li com comentário da Barbara, então… eu também imagino que há uma trama bem montada sobre essa guerra no Oriente Médio… com essa mesma matemática, mas levando em conta que essa guerra não esteja sendo comandada pelo Obama, mas sim pelo Bush.. sei lá.. ou alguem que ficou muito P. da vida pela posse dele… outra coisa que também penso a respeito da crise mundial é que também seja uma trama montada…

    Ah Kotscho gostei do blog viu…. e invejo sua vida mansa ai em Toque Toque, já fui nessa praia.. é simplesmente MARA… rsrs

    Abç

  13. Talita disse:

    Ah concordo com o Salvador…. E acho que não era o Salvador que estava nadando na Praia do Atalaia…ahn…

  14. vanda disse:

    ainda sobre outros que desfrutam de uma praia só para si e amigos próximos, enquanto as bombas matam crianças na faixa de Gaza.

    *********************

    quem joga bomba sobre crianças tem nome e sobrenome e não tá de FÉRIAS e muito menos faz este comando aqui do Brasil, tenha dó cara, se manca.

  15. THOMAS TURBANO disse:

    CAROS,

    TIRAM ESSE CARA (antikoxo,moxo,).

    É isso ai Ricardo q bom que vc voltou logo

    Abs

  16. Fagner disse:

    É ISSO AI THOMAS

  17. ricardo kotscho disse:

    Para André Luis Rosa e Silva, das 3h43 (não sei como voces conseguem ficar acordados até esta hora…):
    que bela idéia a tua! Não sei se voce é jornalista, mas o que li é uma bela reportagem sobre a região de Canudos, que conheço muito bem. Belo texto, belas fotos, voce está fazendo o que a imprensa brasileira vem abandonando: contar as histórias dos fundões do Brasil e seus personagens. Parabéns e toca em frente. Fique à vontade para contar histórias aqui no Balaio e, se quiser, pode botar um link do blog.
    Abraços,
    Ricardo Kotscho

  18. Magali Giglio disse:

    Kotscho, como é gostoso ler as coisas que você escreve…..sempre!!!!! Feliz 2009 pra você e toda sua família e espero encontrá-lo em breve aqui na redação.Beijos

  19. jucapirama disse:

    Bom retorno.

    Estamos prontos para paricipar.

    Excelente 2009 a todos

  20. Rodrigo Tossato disse:

    eu apóio o Hamas

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