Especial 40 anos/A longa noite do AI-5 no velho Estadão
Não vou repetir aquele chavão do “parece que foi ontem”, porque faz tanto tempo que, na verdade, já nem me lembro direito. Depois de amanhã, vai fazer 40 anos que a redação do velho Estadão parou para ouvir, em volta da mesa do jovem Clóvis Rossi, então chefe de reportagem, o anúncio do Ato Institucional nº 5, que afundava de vez o Brasil na ditadura militar mais escrachada.
Eu tinha 20 anos, era repórter de geral, como se dizia na época, e só lembro bem que fiquei muito assustado com a cara dos mais velhos, especialmente do secretário de redação, o professor Oliveiros Ferreira, um estudioso das Fôrças Armadas, que previa coisas tenebrosas acontecendo dali para a frente.
Cada um de nós lembra das coisas de um jeito. Muitas vezes, sabemos que a memória afetiva fala mais alto do que a racional. Por isso, hoje, ao completar três meses no ar, o Balaio publica esta matéria especial sobre o AI-5, trazendo não só as lembranças deste blogueiro, mas também de três queridos colegas de redação do Estadão. Como bom anfitrião, deixo as minhas memórias para o final deste post.
Daquela época, restam trabalhando no Estadão, se não estiver enganado, apenas Ruy Mesquita, o dono, responsável agora somente pelas páginas de opinião, e nosso colega Saul Galvão, que se tornou catedrático em comes e bebes.
Mas nós, mesmo depois de rodar por muitas redações da vida, continuamos sendo conhecidos como a “Turma do Estadão”, amigos que comemoram juntos os natais desde 1962 (como sou o mais novo, só entrei na confraria em 1967), até hoje.
Vamos começar com um belo texto que me foi enviado pelo acima citado Clóvis Rossi, 66, o Grandão. Oito anos depois desta noite, ele se tornaria editor-chefe do mesmo jornal e, após uma brilhante carreira de correspondente internacional, hoje é colunista e repórter especial da Folha.
A seguir, vocês vão conhecer um dos melhores jornalistas com quem já trabalhei, o Raul Martins Bastos, também 66, dono de um texto primoroso que poucos conhecem porque sempre trabalhou na retaguarda das redações. Chefe de produção e da rede de sucursais e correspondentes do Estadão em 1968, hoje ele é diretor de planejamento da DM9DDB.
O terceiro colega que participa desta reconstituição do 13 de dezembro de 1968 é o Ludenbergue Góes , 73 anos, o decano da turma, que foi um brilhante editor de esportes na época e atualmente trabalha como redator da Secretaria de Comunicação Social do Governo do Estado.
A NOITE EM QUE INTERDITARAM O FUTURO
Clóvis Rossi
Minha principal lembrança da noite em que a ditadura editou o AI-5 não é física; é mental. Fiquei com a sensação de que haviam interditado, proibido, o futuro. Equivale a dizer que haviam proibido tudo porque eu tinha, então, magros 26 anos.
Nem sei se os companheiros daquela noite tiveram sensação idêntica. Lembro-me que saímos da redação do “Estadão”, então ainda na rua Major Quedinho, no centro, rumo a um boteco na rua da Consolação, bem em frente, não porque era o favorito da turma, mas porque parecia ser o único aberto nas redondezas. E não havia lá muito ânimo para ir além das redondezas.
Não vou citar os que estavam no boteco, porque esqueceria muitos. Há um tango que diz que “20 años no es nada”, mas 40 anos são muitos, sim, senhor.
Imagino que lá estivessem os de sempre, a turma que se divertia fazendo jornal, mesmo na ditadura.
Esqueceria muitos porque, se os presentes de então me perdoarem agora, devo confessar que estava ensimesmado demais para prestar muita atenção em todos e em cada um. Parecia que baixava sobre mim a tampa de um caixão, sacramentando uma morte cívica.
Não obstante, a vida teria que continuar, mas, pela primeira vez desde que me tornara chefe de Reportagem do “Estadão”, quase três anos antes, não tinha a menor vontade de deixar encaminhadas as pautas do dia seguinte. Porque parecia, naquele momento, que não havia dia seguinte.
A INDIGNAÇÃO NA SUCURSAL DO RIO
Raul Bastos
Mário Cunha,
Não fique zangado com o começo desta carta.
É que toda vez que se fala daquele maldito 13 de dezembro de 1968 eu me lembro de você e de como o que já era muito ruim ter ficado muito pior até se tornar o horror do AI-5.
Quarenta anos depois, vejo nos jornais, nas revistas, na internet, quem sabe até na televisão, uma enxurrada de rememorações, análises, interpretações. Lembro de você.
Há de tudo nelas, Mário, menos você.
Celebra-se a coragem dos arrependidos do golpe.
Há um tácito esquecimento/perdão dos que _ inclusive no nosso meio, patrões e profissionais, sendo que um deles foi porta-voz do general-presidente – por ação ou omissão foram coniventes com a ditadura.
E com justa razão rememora-se a saga dos que resistiram, se bem que hoje, aqui e acolá, alguns se tornaram os donos exclusivos da história da resistência na imprensa, alguns até remunerados por isso. Paciência, a vida é assim mesmo.
Diante desse imenso latifúndio de retrospectivas eu fiquei pensando comigo se haveria um cantinho, uma citação, uma referência, uma lembrança, um agradecimento por você ter sido quem foi e ter feito o que fez nesta luta. Até agora, nada. Não que você faça questão disso. Mas, cá entre nós, que não está direito, não está.
Do dia do AI-5, como me pede o Kotscho, para ser sincero, a não ser o choque do golpe dentro do golpe, eu não me lembro de muita coisa. Só me lembro que, para variar, trabalhei muito, falei muitas vezes com você, discutimos algumas vezes as matérias, me amolei com Brasília não sei bem por quais motivos e, também para variar, fui beber lá no bar da Jussara, que Deus a tenha, e bebi mais do que de costume.
O que ficou gravado como marcante no dia 13 de dezembro de 1968, Mário Cunha, foi outra coisa. Foi a veemência da sua imensa indignação com o AI-5. Lembro de como você comandou a cobertura da sucursal do Rio, da sua sofreguidão por uma boa, ampla e corajosa edição. E o tom da cobertura que você deu aos seus repórteres: indignação.
Lembro da sua convicção de que, a partir daquele momento _ e mais do que nunca _, o jornalismo deveria ser de resistência, denúncia e combate, a despeito do preço que poderíamos pagar.
E assim foi durante quase dez anos, longos anos, Mário. Até o Estadão mandar todos nós para o espaço, e vocês aí do Rio de Janeiro de uma maneira indigna e desrespeitosa. Mas aí o arbítrio já estava no fim, de joelhos. E, a despeito do desfecho ruim e torto, seria injusto e mentiroso não reconhecer a coragem dos Mesquitas, não é mesmo?
Muito do brilho e da eficiência da lendária sucursal do Estadão no Rio (que teve um papel fundamental e nunca claramente reconhecido na luta contra o arbítrio e a censura no Estadão) deve-se, Mário, à sua competência, persistência e coragem _ sua e dos seus companheiros daquela época, entre eles, Maurício Azedo, Teixeira Heizer, Antonio Carlos, Paulo César Araújo, Valério Meinel, Sueli Caldas, entre outros tantos. Por onde eles andam hoje?
Eu não estou falando por falar e nem exagerando. É só cotejar a cobertura do Estadão com outros jornais, inclusive do Rio. A sucursal era uma referência não só de informação de resistência, mas também da qualidade de informação.
E nem vou tratar aqui dos companheiros que você, Mário, tanto ajudou, protegeu, acompanhou na prisão, que isso você considerava uma tarefa humanitária e política, não é mesmo?
É evidente que você não era o único naquele grupo fantástico do Estadão. Mas era um dos principais e estava entre os mais atuantes. Tinha voz e o respeito da sede do jornal.
Então, Mário Cunha, eu queria que você soubesse desse meu sentimento e ficasse registrado o meu agradecido reconhecimento pela sua participação naquele período tão terrível, mas tão rico de nossas vidas.
Diante dessa cara de paisagem de todos, torço para que a juventude que vem aí recupere essa sua bonita história profissional e de vida, e faça dela um exemplo. Quem sabe um desses grupos de jovens formandos resolva fazer o seu TCC sobre a sucursal do Rio de 1968, e comece a recuperar esta história e situe você nela como se deve.
Pena que você tenha morrido sem ver isso.
Com o carinho, o respeito e a admiração do Raul Bastos.
Ludembergue Góes
De repente, algumas pessoas estranhas começaram a chegar à redação do Estadão, provocando agitação, mas não muita surpresa. Afinal, depois da apreensão da edição do dia do jornal e do anúncio do AI-5, não surpreenderia se eles chegassem, os censores.
Como editor de esportes, teoricamente, eu não teria muito a me preocupar com eles, porque, normalmente, não haveria nenhuma notícia ou comentário que pudesse merecer censura.
Acontece, porém, que naquele dia cabia a nós do esporte fechar a última página, com a apresentação do jogo do dia seguinte, entre o Brasil e a Alemanha Ocidental. Com certeza, como página nobre do jornal, seria alvo dos censores.
Como todo o resto da redação, nós, do esporte, discutimos muito uma forma de driblar os “homens” e indicar que estávamos sob censura. Uma das propostas foi do Ricardo Kotscho, que sugeriu a manchete:
Brasil ataca pela direita
O secretário de redação, Oliveiros Ferreira, preferiu não arriscar ter a edição apreendida de novo.
MENINOS, A BRINCADEIRA ACABOU
Ricardo Kotscho (*)
O pior ainda estava para acontecer. Na madrugada de 13 de dezembro, dia em que Costa e Silva editou o Ato Institucional Nº5, o principal editorial do jornal, na página 3, trazia o premonitório título “Instituições em frangalhos”.
Informado por algum dos vários colaboradores do regime infiltrados na redação, o delegado Sílvio Correia de Andrade, da Polícia Federal, invadiu a oficina, que dava para a rua Martins Fontes, e gritou a ordem: “Parem as máquinas!”.
Em seguida, determinou aos policiais que o acompanhavam a apreensão de todos os exemplares já prontos para a distribuição. Pela primeira vez desde o golpe, o Estadão deixou de circular.
Logo cedo, Julio Mesquita Neto e Ruy Mesquita foram se queixar ao governador Abreu Sodré, um amigo da família nomeado para o cargo pelos militares. Comunicaram-lhe que o jornal não mudaria sua linha editorial, agora de oposição aberta ao regime.
No começo da noite, dois policiais à paisana da Divisão de Diversões Públicas da Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo chegaram à redação para “examinar o noticiário político”.
Era o início oficial da censura prévia. Enquanto eles se aboletavam em volta da mesa de Oliveiros Ferreira, o secretário de redação, nós nos reuníamos para ouvir o pronunciamento do general Costa e Silva num rádio portátil posto sobre a mesa de Clóvis Rossi.
No silêncio do ambiente destacava-se a voz grave do general, que não deixava nenhuma dúvida nas suas palavras: meninos, a brincadeira acabou. O Brasil entrava no quinto ato. Era um golpe dentro do golpe _ a ditadura total, sem disfarces, com mais cassações de mandatos, fechamento do Congresso Nacional e fim das liberdades e direitos individuais, começando pela censura prévia.
Ao recordar este episódio muitos anos depois, Oliveiros me contou que Carlão, o nosso amigo diretor e dono do jornal, só se zangou quando um contínuo serviu café aos censores.
Voltei para a minha mesa e continuei a escrever, como se nada estivesse acontecendo. Sem alternativa, eu e minha turma terminaríamos outra noite na boate da Jussara. Professor da USP, estudioso dos assuntos militares, Oliveiros Ferreira previu um longo e feroz período de ditadura.
(*) Tirado do meu livro de memórias “Do Golpe ao Planalto _ Uma Vida de Repórter” (Companhia das Letras)
***
É bom que todo mundo lembre agora o que foi aquele período mais tenebroso da ditadura, não só para que ele nunca mais se repita, mas para que alguns veículos e muitos colegas parem de falar em ameaças à liberdade de imprensa cada vez que se ousa contestar ou apenas discutir o seu trabalho.
Eles não sabem o que falam ou não lembram o que foi a ditadura militar. O Brasil vive hoje o seu mais duradouro período de plenas liberdades públicas e, se alguma ameaça persiste ao livre trabalho dos jornalistas, ela não vem do governo central, como naquela época, mas dos próprios responsáveis pelos meios de comunicação.
Basta ver, por exemplo, o que aconteceu com a repórter Ana Beatriz Magno, vencedora do Prêmio Esso de Reportagem esta semana, demitida há dois meses do Correio Braziliense.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:


Pergunta-se qual era a fraqueza do governo militar, ao ponto de editar o AI-5,pois como já se sabia, os comunistas não tinham como tomar o poder, os não comunistas estavam todos divididos.O que levou os militares radicais a tomar essa decisão?.Foi por interesses economicos,financeiros, porque por motivos politicos e que não era pois não se tinha nenhuma ideologia configurada.Porque isso ocoreu?
Toda hora relembram isto ou aquilo da história, mas o que vejo é o povo brasileiro hoje acomodoado com os desmandos corruptivos nas tres esferas do poder. Ficar chorando pelo leite derramado não adianta. Passa-se uma borracha no passado pois as pessoas envelhecem e morrem e logo os responsáveis pela história só serão mesmo história. Quero ver levantar bandeiras contra a corrupção, violência, destruição do meio ambiente, os temas que hoje nos afligem. Águas passadas não movem moinho. Seria o mesmo ficar lamentando eternamente que Tiradentes foi enforcado por tentar libertar o Brasil de Portugal.
Faça me o favor o passado é passado, e o que nos interessa é o futuro da nação.
Não fora os militares, esse país seria uma maldita réplica de Cuba e seus miseráveis. Eram todos comunistas safados, Zé Dirceu, Zé Genuíno, Dilma Rousseff, Lula da Silva e mais um monte de abestados cheios de ideologias Maxistas, gente que andava com o manifesto comunista em baixo do braço como se fora à Bíblia Sagrada. Eram um bando de aloprados pelo poder, isso sim. A sociedade civil apoiou totalmente a iniciativa dos militares para salvaguardar os DIRTEITOS CIDADÃOS, não dos desordeiros de plantão, dos maus políticos, assaltantes de bancos, seqüestradores, guerrilheiros assassinos e aventureiros de toda a espécie. Enquanto essa gente infernizava e punha em cheque o andamento para o que hoje vivemos, a DEMOCRACIA, a maioria quase que absoluta dos Brasileiros trabalhavam, labutavam por suas famílias, onde me incluo, e pelo engrandecimento e prosperidade do país. O resto é falácia Kotscho, aquele que hoje desfruta da jovem e tão almejada DEMOCRACIA Brasileira.
ser comunista naquela época era um modismo, Fernando Collor e outras bestas da direita de hoje com a sede de poder tomaram gotas daquela fonte
Estimado Ricardo, boa tarde, se é que você está aí!
Caso esteja viajando sem o not, bom passeio por telepatia!
Agora acho que pelo conteúdo já dá pra você escrever outro livro!
Acredito que foi um dos momentos mais produtivos do balaio, quanta versão para um fato, e todas de uma certa forma vão ao ponto.
Melhorou em muito o nível dos comentários, alguns pelo visto sabem perfeitamente o que ocorreu, outros ouviram através dos seus pais, outros ainda foram pesquizar de verdade, e a puira realidade é esta “Uma verdade, muitas históriaqs e alguns mitos!” Porém todas as colocações foram até aqui de valôr inestimável!
Mais uma vez meus parabens a você e a todos os participantes, pois é só através da pesquisa da história que se chega a uma verdade comum, talvez não seja a verdade absoluta, mas é a sua proximidade!
Um pais com a magnitude do Brasil, tem que ter memória, tem que ter passado!
Abraços fraternos
Manoel Ferreira!
ops! “pesquisar!”
Prezado Manoel Ferreira, tenho a impressão de que se essa malsinada ditadura militar não tivesse existido, a bola desse pessoal que o Senhor deve ter lá as suas razões para abominar, não teria inflando tanto, e provalmente nem seriam autoridades hoje, e nós simples mortais contribuntes, burros-de-carga da ré-pública viciada que nos faz reféns, não estariamos sendo obrigados a arcar com essas violentas indenizações e pensões por atos passados, ou serviço sujo,praticados por tolos, ou marionetes fardadas, a serviço do establishment financeiro da época, que, aliás, continuam por aí dando as cartas e jogando de mão, usando outros tipos de tolos contra o povo cordeiro. Quanto ao comunismo a que o Senhor se refere, tenho comigo que não prestam, e nem param de pé por muito tempo, todos os sistemas impostos e mantidos pela força , que castram as liberdades, especialmente a liberdade plena de expressão, mas confelho-lhe que não me sinto satisfeito em nada com este maldito capitalismo FDP, bandido, para o qual já somos obrigados a trabalhar 4 meses ao ano, de graça, e face ao qual somos obrigados entregar o resto dos 8 meses, a toda sorte de escórias, parasitas e bandidos, como se fossemos seus escravos. E se o Senhor está satisfeito com isso, leve-o para a sua casa e mantênha-o lá, porque da minha casa estou lutando com unhas e dentes para expulsar este FDP. Enfim, cada cabeça uma sentença. Aliás, pra quem gosta fedo de bode é cheiro. Aquele abraço, e bom fim-de-semana, extensivo à familia.
Não podemos negar, se tem uma classe no Brasil que respeita a pátria e ainda venera os símbolos nacionais, são os militares pois os politicos juntamente com o resto do povo mal sabem canter o hino nacional. Eles tem um compromisso, não com o governo mas sim com a patria, como os militares mesmo dizem, governos vem e vão mas a patria permanece.
Devíamos aprender a amar mais o nosso país e não virar patrióta só no dia de jogo da seleção brasileira. Brasil ame-o ou deixe-o.
Voces ja viram que nos EUA quase toda casa tem uma bandeira americana na frente. Quem tem aqui no Brasil uma bandeirinha seja que de plático guardada na gaveta? Critiquem menos e hajam mais. Amem o seu país escolham governantes dignos e não esta cambada aí. Exijam lisura no trato da coisa pública e esqueçam o passado ele não volta mais.
O mais importante é o bem comum do povo brasilerio, colocado em condições de amar o próximo como a si mesmo, e respeitar o direito alheio em primeiro lugar, como se fosse o seu próprio direito, o resto é consequência. Pátria tem que ser o lugar onde o povo consegue viver pelo menos satisfariamente, senão não é pátria consíssima nenhuma. Tolos e alienados são os que defendem uma “pátria” que permite o extermínio diário dos seus próprios filhos, e, ou, a escravidão destes.
Como nosso grande jornalista Ricardo Kotscho, também tinha 20 anos recem completados no famoso dia 13 de dezembro de 1968 em que Costa e Silva promulgou o famoso AI-5.
Sem dúvida que a partir desse dia se estabeleceu um período negro quanto às liberdades individuais em nosso país. Porém, antes de jogarmos pedras no período de ditadura devemos também lembrar e considerar que muito da infra estrutura que nosso país possui hoje na área industrial, de comunicação, de transporte, energia, etc.. foi instalada nesse período.
Existiram excessos, sem dúvida, mas também existiram realizações que permitiram que nosso país tenha alcançado o desenvolvimento dos dias atuais.
Canta, canta uirapuru.
Desperte com seu cantar, um país jovem varonil.
Que crê na ordem e progresso, e tem o nome de Brasil.
Nascer, crescer, semear fraternidade, paz e amor.
Todo dia, é dia de ser feliz, amem…
Uma infância inocente, um coração pulsando forte.
Entre sonhos e devaneios, festas e fantasias.
O uirapuru nos alegrava, com os gorjeios do seu cantar.
E no riacho cristalino, fazíamos festas a nadar.
Mas nossos antepassados acreditaram em acordos, para nossa conveniência.
Não se falava em maldade, e o bem era definido.
Criamos um elo e manietemos a nós mesmos.
Ao nos vermos subjugados, aceitamos tais imposições.
Muitos tentaram quebrar estes elos.
Buscavam liberdade e independência.
E mesmo num clima conturbado.
O uirapuru cantava triste e distante.
Mas o riacho ainda era cristalino, transparente e borbulhante.
Impossibilitados de preservá-lo, como parte da natureza.
Alguns Chicos sucumbiram, pagando altos preços.
Outros Mendes, cheios de fé e esperanças, logo as perderam.
Caminhos violentos e tortuosos dobraram suas vontades.
E o uirapuru já não existe. Ou se existe está sumido.
E os riachos cristalinos, tornaram-se córregos poluídos.
Tiranos que se impuseram, através de suas fórmulas.
Mais tarde também serão, vítimas do que semeiam.
Em suas sementes contêm, ambição ao poder.
Intenção de possuir, se apossar e escravizar.
Tanta voracidade…! Por pura vaidade! Que pena…! Tudo ilusão!
Como crianças gananciosas, se tornaram insaciáveis.
E mesmo com a boca cheia, e as mãos abarrotadas das melhores porções.
Ainda têm olhos compridos, nas migalhas dos semelhantes.
É humilhante, e me revolta. O tempo passa indiferente…
Crianças se tornam adultas, em meio à violência.
Esperam a qualquer momento, que marginaizinhos.
Criados pelo sistema, lhes de um tiro… Melhor assim.
A conviver com a fobia, de se tornarem velhos e decrépitos solitários.
Abandonados no mundo, sem amor, sem esperanças e sem fé no futuro.
Os que acreditaram, estão tendo decepções.
O sistema castrou seus sonhos, e a muitos assassinou.
E do uirapuru, já não se ouve mais o cantar.
E no riacho cristalino, não é possível mais nadar.
Mas surgem novas vidas.
E as esperanças se renovam, em corações puros e inocentes.
Mas o cantar do uirapuru, eles não mais ouvirão.
Nem poderão dar um mergulho, no poluído ribeirão.
Cabia a nós. Chinfrins pentacampeões do mundo.
Por questões de ética e justiça.
Discordar da política do pão e circo.
E entregar aos nossos descendentes, tudo o que herdamos.
Senão melhor, nas mesmas condições que encontramos.
Eu tenho pátria, e a pátria é mãe de um povo.
Mas tem filhos que são da pátria.
E tem filhos que são da P…
Confundindo patriotas com idiotas.
O desabafo acalenta e acalma as aflições da dor doida que dói na alma.
A mente contaminada pela ilusão material, é um solo fértil, onde germina a semente do engodo, da ganância e injustiça; que são os alicerces de destruição da humanidade.
Estimado Luiz, sempre fui um cara mais de observar as circunstâncias do que agir impulsivamente, não sou e nunca fui dono de verdade alguma, mas tenho comigo que a tomada do governo pelos militares à época foi o menos pior, hoje tenho certeza que se vingasse o plano daqueles crápulas estaríamos imersos em buraco sem fim !
A Ditadura foi boa ?
Não Luiz não Foi!
Havia uma outra saída para o país?
Aquela altura dos acontecimentos não Luiz, a guerra fria se estendia por todo o planeta!
Os militares queriam tomar o poder fora aquelas circunstâncias?
Não Luiz os militares nunca quizeram ser goveno até então!
E pos remanescentes da esquerda e da ala estudantil que hoje estão por aí, são bonzinhos?
Luiz, existiu alguns até bem intencionados, mas a mensagem propagada era subversiva e nefasta, eram contra tudo e contra todos, só a favor da tomada do poder para exercerem o poder e mais nada!
Muitos que perambulam por aí são até mais ou menos, nenhum santo a maioria canalhas e guarde isto Não existe nenhum patriota entre eles!
de novo: “quiseram!” hoje tá mal! vou tomar meu Gardenal!
Ricardo
Muito obrigado pela excelente matéria, eu agradeço pois tenho hoje 28 anos nasci em 1980 e nao tive felizmente, os efeitos da ditadura militar, gravados em minha vida.
É de extrema valia seu relato bem como suas memórias sobre o periodo, mas acredito que uma matéria tão rica como essa fosse, veiculada de uma forma mais abrangente, nosso povo precisa lembrar, ou até mesmo saber o que foi a ditadura militar, de maneira a realizar a prevençao de que governos apliquem este tipo de regime mesmo que de uma forma sutil.
Sou de uma geração onde impera a ignorância, poucos se desenvolveram intelectualmente, aqueles que sucumbiram, obedeceram as estatísticas da época, em que os próprios professores demonstravam explicitamente, de que o número de alunos a concluir o ensino até a graduação se restingia a infíma casa de 10%, eu nao obedeci este parâmetro, e ainda hoje faço de minha voz uma tentativa mesmo que pequena em tentar desenvolver nas pessoas ao meu redor, uma capacidade crítica.
Atualmente acredito que estamos seguindo uma linha estranha, na formação intelectual do povo brasileiro, uma pessoa senta em um banco universitário se analisarmos friamente a grande massa popular, da mesma forma que chegou ao banco do ensino fundamental, e me questiono para onde estamos indo?
Um condicionamento intelectual, poderia causar estragos tão devastadores quanto aos interminaveis anos da ditadura, pelo qual vocês passaram, e felizmente sobreviveram de modo a garantir nosso conhecimento sobre o ocorrido.
o que escrevo soa mais como um desabafo, do que como um comentário, mas enfim encerro ilogicamente para nao irritar nenhum outro leitor que se arrisque a ler o todo.
Meus agradecimentos novamente!
Não podemos esquecer NUNCA que os líderes do DEM participaram ativamente da DITADURA MILITAR no Brasil. O AGRIPINO MAIA, por exemplo, só mudou de lado quando viu que a Ditadura estava com os dias contados. Hoje, o KASSAB diz que não era nem nascido na época da Ditadura (????), mas é óbvio que ele compartilha de seus ideais, senão teria se filiado a outro partido que tivesse uma ideologia diferente do da ARENA.
Que tempo bom. Não havia a violência desenfreada de hoje, quando os bons estão morrendo e os bandidos, soltos e, quando são pegos,não chegam a pagar pelos crimes, voltando à liberdade. Que saudade daqueles tempos !
Luiz , vou te confessar um segrêdo, eu amo tanto esta terra que acredito ter aprendido a cantar o Hino Nacional antes de aprender a ler e escrever!
Sempre falo aqui sobre a ética e bons costumes, sobre a honra e a verdade, ams hoje gostaria de deixar como mensagem a palavra “Patriota” é o que nos falta Luiz, é só o que nos falta par que possamos resgatar a nossa cidadania!
Fique com Deus você e sua casa!
Abraços fraternos
Manoel Ferreira
Caro Ricardo, o assunto e caudaloso. A revolução que até este dia era na verdade uma contra revolução, tornou-se a partir daí
a verdadeira revolução. O momento historico tem que ser anali
sado em sua totatidade. A analise tem que ser feita sem nenhum
sentimento de revanchismo. Os militares e civis que comanda-
ram o Brasil nesta epoca, tinham que tomar uma atitude diante
dos canalhas que assediavam o poder em 64.
Como seria o Brasil de Goulart, Brizola e Arraes. Onde estaria-
mos hoje se estes parias tivessem conduzido o Brasil.
Foi uma guerra onde os dois lados erraram. E como em todas
as guerras, a primeira a morrer e a verdade. Quem conta a histo-
ria são os vencedores. Já o exercito nunca se manifestou, deixan
do uma lacuna que e aproveitada pelos paraquedistas de plantao
Muito obrigado pelo espaço.
Paulo Pierre.
josé maria vc deve ser parente dos generais da época da ditadura .pra defender esses calhordas . o que nós temos de mais importante é : saúde e LIBERDADE
Querido Poeta Janciron, obrigado! A sua participação, ainda me faz acreditar em um mundo novo!, você tem um dom que já não enxergo mais nos homens, e principalmente obrigado por entre tantas lembranças, mencionar de o nome do Chico!
Só quem olhou no fundo daqueles olhos serenos de sinceridade e bondade pode entender o que é ser brasileiro!
Já contei aqui uma história que o chico me segredou um dia lá em Xapuri, sobre políticos vigaristas que iam procurá-lo acompanhados dos retratistas!
Se estes canalhas soubessem, nunca mencionariam que um dia por um só instante, que fosse, só para o retrato estiveram lá!
Canta, canta uirapuru.”Seresteiro cantador do meu sertão!”
Abraços fraternos e obrigado novamente!
Manoel Ferreira!