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05/12/2008 - 10:15

Só más notícias, e Lula bate novo recorde

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Juro que eu também fiquei surpreso com a manchete da Folha de hoje, mostrando que o presidente Lula bateu novo recorde de aprovação, atingindo 70% de ótimo e bom no final do seu sexto ano de governo, quando a tendência histórica é de queda nos índices das pesquisas após a reeleição (vide FHC, Bush, Menem, etc).

Depois de tudo o que lemos, vimos e ouvimos na imprensa brasileira nos últimos dias, esperava o contrário, que Lula perdesse pontos em função da crise econômica mundial e, principalmente, da cobertura jornalística desta mesma crise. Teve até líder da oposição reclamando da demora da divulgação de novas pesquisas, achando que desta vez o presidente levaria um tombo.

Lula bate seu próprio recorde anterior, que era de 64% em setembro, justamente numa semana só de más notícias, em que ele foi responsabilizado em redes nacionais de TV e nas principais colunas de política e economia dos jornais por todas as desgraças do mundo, da tragédia das chuvas em Santa Catarina a todos os efeitos perversos da crise econômica importada dos Estados Unidos na vida dos brasileiros.

Não se trata de uma pesquisa qualquer. O índice de 70% de aprovação foi apurado pelo Datafolha, o respeitado instituto do maior jornal do país, que é um crítico ácido de Lula desde antes mesmo do seu governo começar, em 2003, e que tem se esmerado em destacar apenas notícias negativas em sua primeira página.

Fico imaginando a cara dos seus editores e colunistas diante da manchete do jornal de hoje. Que se passa com este povo?, devem estar se perguntando agora, incrédulos e inconformados.

Ao abrir o laptop e ver a manchete do iG nesta manhã de sexta-feira (os jornais ainda não chegaram aqui na fazenda em Igaratá, onde estou), tomei um susto ao ver meu amigo Lula atingindo o maior patamar de aprovação já registrado por um presidente desde a redemocratização do país.

Restam apenas 7% de brasileiros que consideram o governo Lula ruim ou péssimo, incluindo aí certamente muitos colegas jornalistas, que sentem saudades do seu antecesor, Fernando Henrique Cardoso, cujo maior indice de aprovação não passou de 47%, em dezembro de 1996.

A avaliação positiva de Lula foi registrada em todos os segmentos socioeconômicos e regiões do país, dos mais pobres aos mais ricos, dos mais jovens aos mais velhos, de norte a sul, desmentindo mais uma vez a tese dos antigos “formadores de opinião”, lançada após a reeleição em 2006, segundo a qual o prestígio do presidente se deve ao apoio que tem nos grotões mais pobres do país entre os beneficiários do Bolsa Família, este povo não lê jornal.

Como explicar este fenômeno? Como a maioria absoluta dos brasileiros ousa contrariar o pensamento único da mídia? Eu também gostaria de saber quem são e onde estão os novos formadores de opinião.

Com a palavra, os leitores do Balaio.   

Em tempo: como estou em Igaratá, esqueci de dar uma boa dica aos amigos para hoje. A partir das 18 horas, no bar do Beto Ranieri, na esquina da alameda Lorena com a Ministro Rocha Azevedo, o grande pianista e figura humana João Carlos Martins vai autografar seu novo livro _ e é bem provável que dê uma canja. Vocês que estão na capital, não percam. 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

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1.080 comentários para “Só más notícias, e Lula bate novo recorde”

  1. Ruy disse:

    Das duas uma, ou o povo brasileiro é idiota, e não é, ou nossa mídia e facciosa, e é. Nossa mídia é partidarizada por garotos e garotas (agora balzaquianos) que cresceram bebendo leite tipo A e que na sua maioria vive entre o ser ou não ser tucano.

  2. Jamal Mustafa Yusuf disse:

    O Presidente Lula, governa para o povo e na defesa dos interesses do país, apesar da oposição nao aprovar. Tem bom conceito aqui e também no exterior. Quais provas quer mais a midia, para se curvar diante dos fatos e das estatisticas .

  3. Negrini disse:

    Eta povinho imbecil o nosso, quando são alfabetizados no mínimo, como alguns de nossos jornalistas atuais, eles passam a acreditar que vale tudo, inclusive enganar a população, entram para o esquema destes políticos bandidos que temos em nosso país, não se lê e nem se ouve esses jornalistas denunciarem políticos bandidos; sabe por que? estão COMPRADOS.
    Quando chegar fevereiro, que é a epoca que irão “pipocar” as faturas, quero ver essa bambada; políticos, presidente e jornalistas” arrumarem uma desculpa.
    Como sempre tenho dito BEM FEITO A TODOS NÓS.

  4. Antonio Monteiro disse:

    Caro Ricardo, Sarney, Collor e FHC não fizeram nada o que Lula está fazendo!
    Os Pobres (Miseráveis) hoje estão comendo e comprando!
    Por isso indices tão altos.
    Um Abraço, amcjr.

  5. Rinaldo Paes disse:

    Kotscho. Me permita uma emenda à matéria. A aprovação do Presidente Lula é de 93%. 70% é o índice de avaliação entre bom e ótimo. Mas mais uma vez é truque de mídia. Me lembro muito bem que quando estas agências de notícias publicavam os índices do governo fhc contavam regular como aprovação.
    De resto, não dá pra ter um terceiro mandato não? Como estaria hoje o Brasil diante da crise internacional se serra tivesse sido eleito em 2002? continuaria o governo fhc e hoje teríamos reservas de 20 Bi, emprestadas pelo FMI, dívida pública superior a 100% do PIB (acompanhando os números de fhc), não seríamos mais donos da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa (basta ver o que o serra faz em São Paulo, vendendo a Nossa Caixa e criando mais pedágios…), estaríamos agora de joelhos, mendigando pelo capital estrangeiro, com taxa selic de 46,5% de novo? Resta-nos dar os parabéns ao Sr. Luis Ignácio e rezar pela continuidade de sua administração. Um abraço.

  6. wilson disse:

    A maioria dos jornalistas são demagogos e ipócritas;

  7. marcos disse:

    Voltamos a era Romana do pao e circo.
    O pao nosso “prisidenti” da na esmola familia e circo eles dao em brasilia.
    Todo mundo ta feliz e a classe media trabalha pra sustentar e pagar imposto pra tudo isso….
    Os banqueiros “nunca na historia desse pais” lucram tanto.
    E viva o neo facismo.

  8. Mario Sanches disse:

    Como disse o Rinaldo. A aprovação do Presidente Lula é de 93%. 70% é o índice de avaliação entre bom e ótimo. Mas mais uma vez é truque de mídia. Me lembro muito bem que quando estas agências de notícias publicavam os índices do governo fhc contavam regular como aprovação.
    De resto, não dá pra ter um terceiro mandato não? Como estaria hoje o Brasil diante da crise internacional se serra tivesse sido eleito em 2002? continuaria o governo fhc e hoje teríamos reservas de 20 Bi, emprestadas pelo FMI, dívida pública superior a 100% do PIB (acompanhando os números de fhc), não seríamos mais donos da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa (basta ver o que o serra faz em São Paulo, vendendo a Nossa Caixa e criando mais pedágios…), estaríamos agora de joelhos, mendigando pelo capital estrangeiro, com taxa selic de 46,5% de novo? Resta-nos dar os parabéns ao Sr. Luis Ignácio e rezar pela continuidade de sua administração. Um abraço.

  9. dick disse:

    digo que essa pesquisa ,confiança zero .

  10. Carlos disse:

    Eu fiquei surpreso quando li hoje na folha essa matéria, como a folha um jornal totalmente partidário estampa uma notícia dessa? (e olha que há muito tempo deixei de assinar a folha, por conta disso). Bem acho que realmente o povo brasileiro está aprendendo a ver as coisas por si só, e não por um jornal que quer ditar as normas. É bem que comecem a pensar antes de estampar somente coisas negativas do Exmo. Presidente da República do Brasil Sr. Luis Inácio Lula da Silva. Parabéns Lula continue na sua jornada para melhorar a estima desse povo.

  11. O povo não se engana mais com o que a mídia expõe, a cultura está melhorando em nosso país. Como culpar o Lula pela crise que veio em virtude da insensatez do governo Bush que gastou tudo que tinha e o que não tinha em uma guerra insana e quebrou os EUA? Como culpá-lo pelas chuvas e os problemas enfrentados em SC, em virtude de uma povoação dos morros sem nenhuma infraestrutura? O que fica bem claro é que o Brasil sofrerá sim com a crise, como todos no mundo, mas que se não tivesse sido muito bem administrado no governo Lula, já estaria quebrado e falido, o que está bem distante de acontecer, graças aos ajustes que o governo fez, administrando para os mais necessitados, que melhoraram sua situação econômica e assim tendo um maior poder aquisitivo, injetam dinheiro na economia do país. Finalmente temos um governo enxergando que as classes mais baixas e a classe média é que sustentam um país, pois são a grande maioria de seu povo, e quanto maior sua renda, maior vai ser a economia do país. Lula continue governando somente para os interesses do Brasil. Muito obrigado por lutar pelo povo, e pode ter certeza que o que nós queremos é que você presidente, mude de idéia e concorra novamente a presidência, pois ela sempre será sua!!!

  12. Otrebor disse:

    Oh povinho bunda! Realmente a máfia do PT e seus aliados estão gastando muito com propaganda para o mafioso do Lula obter esse índice. Como dizia Lula, na época que eu acreditava na boa fé dele, “é pura ideologia”!

  13. Renan Lima disse:

    Caro Ricardo Kotscho, é com muito prazer que hoje vivemos uma século de liberdade de escolha, expressão e de imprensa. É com muita alegria que devemos comemorar o fato de a imprensa não interferir na opinião do povo brasileiro pois assim não estaremos conduzindo ovelhas ao pasto. A crise tem seus responsáveis onde todos os paises te uma parcela de culpa não é mesmo?……Mas as pessoas realmente notam quem faz boas realizações!

  14. Maria Prado disse:

    Caro Sr. Ricardo Kotscho
    Saudações Luminosas!
    De cara, devo confessar que passei a ler os teus escritos, recentemente, quase por acaso…Gostei do que li e vou continuar lendo. Parabéns!
    A essa altura da humanidade, não é possível que a mídia mundial não se toque que “a notícia não tem dono”, que os seres humanos têm sensibilidade – a despeito das suas escolaridades e quantidade / “qualidade” de informações -, que o coração enxerga…
    São quase oito anos de Governo Lula, com erros e acertos, é óbvio – essa é uma condição histórica da existência humana…
    Mas a galera midiática não viu ainda que o Brasil tem uma outra cara, bem melhor – diga-se de passagem -, com a inteligência, carisma, diplomacia, ousadia e muito trabalho (o cara tem calo nas mãos, minha gente…Foi operário, lembram? Não tem preguiça pra meter a “mão na massa”…) do Presidente Lula?
    Ou jornalistas ainda estão preocupados com as regras particulares da língua portuguesa do Presidente? Além do novo acordo ortográfico, deviam consultar o llinguista Marcos Bagno e cia para mudarem o rumo dessa prosa…
    Pelo menos 70% de brasileiros , creio eu, estão de saco cheio com essas folhas, com esses globos, com esse jornalismo de “exclusividade”…
    Um abraço fraterno,
    Maria Prado

  15. antonio carlos disse:

    O povo é sábio, e bem sabe separ o jói do trigo.
    Foi enganado por vários séculos. O povo tem dicernimento.
    Não é mais mamulengo. Tanto que não vota mais de acordo com a teoria do andor.
    Ningém tem mais em suas mãos a consciência do povo.
    antonio carlos

  16. Geni disse:

    Colegas… todos podem ter as opiniões que quiserem… mas, realmente não entendo porque quando alguém não concorda com o governo Lula, tem que xingar quem concorda com ele? Tem que xingar o povo, dizer que são idiótas, capachos, estúpidos… Isso me soa a ignorância ou falta de argumento, ou talvez as duas coisas…

  17. CARLOS ALBERTO DA SILVA disse:

    aqui esta a responta senhor… esta é apena uma da varias pesquisa e trabalhos feito pelo Brasil inteiro, em todos os cantos, universidade,igrejas, seminarios e a midia não se toca…….

    FHC e Lula na mídia: dois pesos, duas medidas
    Pesquisador diz que imprensa isentou o tucano dos escândalos de seu governo, enquanto associa o petista diretamente às denúncias que recaem sobre sua gestão

    Renata Camargo

    Uma análise sobre a cobertura da imprensa revela que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi tratado com condescendência pela mídia brasileira, ao longo de seus oito anos de mandato, e passou incólume mesmo quando os escândalos batiam à sua porta. A mesma sorte não tem o presidente Lula, sempre retratado com desconfiança pelos principais jornais do país e associado diretamente às denúncias de irregularidade de seu governo.

    Essa avaliação é feita pelo professor da Universidade de Brasília (UnB), David Renault da Silva, autor da tese de doutorado Nunca foi tão fácil fazer uma cruz numa cédula? A Era FHC nas representações da mídia impressa.

    “Mesmo quando se fala mal do governo do Fernando Henrique, tenta-se preservar sua figura do presidente”, diz o diretor da Faculdade de Comunicação (FAC) da UnB. “O presidente Lula não adianta dizer que ‘não sabe’. Mas o FHC podia dizer, porque ele era um intelectual. O raciocínio é que ele não se metia nessas coisas menores. O Lula, o PT, não é um candidato da imprensa nacional. A grande imprensa nacional não é petista, não tem interesse que o PT se mantenha no poder”, acrescenta.

    Jornalista com passagem por cargos de chefia nas principais redações da capital federal e professor universitário há 15 anos, David atribui a “boa vontade” da imprensa brasileira com o tucano a uma espécie de “pacto de elites”. Esse acordo, segundo ele, foi tacitamente construído em 1994 para tentar barrar o favoritismo eleitoral de Lula naquele ano e frear o eventual retrocesso do então recém-lançado Plano Real.

    Pai do Real

    “Do ponto de vista nacional, as chamadas elites nacionais, as classes econômicas sociais dominantes, não tinham candidato que pudesse fazer frente ao Lula. O Fernando Henrique surgiu um pouco como esse candidato”, analisa David. “E houve um claro apoio da mídia a FHC. Ele foi apontado como o ‘pai do Real’ e sempre ocupou mais espaço no noticiário do que Lula”, observa.

    Para concluir seu doutorado, David se debruçou sobre três mil notícias de jornais e revistas publicadas entre 1995 e 2002. Ao observar o noticiário político do período, constatou que o presidente não teve sua imagem diretamente associada a escândalos mesmo quando as denúncias resvalavam em seu gabinete.

    Como exemplo, ele cita o caso da denúncia de compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição e o do envolvimento de autoridades do governo com lobistas para favorecer determinados grupos no leilão das teles. Um grampo telefônico mostrava, inclusive, que o presidente foi consultado sobre o assunto.

    Restrições

    “Se você pega o balanço final dos dois governos de Fernando Henrique, você percebe que na Era FHC tenta-se preservar a figura do presidente, no sentido de ‘o presidente está fora de escândalos, ele é um homem íntegro’. A Folha de S. Paulo, por exemplo, teve um editorial de primeira página muito significativo que dizia: ‘presidente bom, governo nem tanto’”, lembra David.

    Para o pesquisador, FHC só teve sua imagem abalada quando, em 1999, em meio a uma crise internacional, alterou a política cambial e afetou os negócios dos grandes veículos de comunicação. “Nessa época, as empresas, inclusive de comunicação, perderam muito dinheiro, pois tinham dívidas e projetos de investimentos em dólar. Todos os jornais que tinham apoio bastante significativo ao presidente parecem romper.”

    Mas esse rompimento, segundo ele, não chegou a se concretizar. Em parte, avalia, por causa da resistência da mídia ao PT. “Eu não vejo, digamos assim, essa condescendência da mídia com Lula que você via com o governo passado. Há sempre uma desconfiança de que pode mudar a qualquer momento. Sempre alerta”, afirma.

    Embora critique o tratamento dispensado pela mídia ao governo petista, David Renault também não poupa o Partido dos Trabalhadores. “Ele está pagando e tem que pagar mesmo. O PT tinha todo aquele discurso de ‘éticos somos nós’. Aquele discurso ético existiu na retórica, mas na prática não foi isso que se viu”, critica.

    Confira a entrevista:

    Congresso em Foco – A que conclusão o senhor chegou após estudar a relação da mídia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao longo de seus oito anos de mandato?
    David Renault – Eu diria que a mídia apoiou claramente o Fernando Henrique e sua política em vários momentos. Isso se nota claro, por exemplo, no momento que antecede e quando foi lançado o Plano Real. Críticas há também. Inclusive, ele reclama muito da mídia em entrevistas que deu posteriormente.

    Que tipo de críticas?
    Tem coisas até que a mídia extrapola como o Dossiê Cayman. Nunca houve uma prova que aquilo foi verdadeiro, mas a mídia tratou como se fosse. Agora o grampo do BNDES, por exemplo, não tem como dizer que a mídia estava perseguindo, pois ele mesmo foi gravado, em conversa com o Luiz Carlos Mendonça de Barros, que era o ministro das Comunicações. Mas há um discurso que tenta dizer o seguinte: “O presidente é uma pessoa digna e não se meteu nessas coisas”.

    A imagem dele, apesar das denúncias, não chegou a ser arranhada?
    Na crise cambial, falava-se que ele era um presidente que não manteve a palavra no compromisso que assumiu. Fernando Henrique também foi acusado de ter sido negligente na questão da energia elétrica, que resultou na crise do apagão. Mas, quando você pega no final do governo, os jornais mostram o comando de uma grande figura. Mesmo quando se fala mal do governo do Fernando Henrique, tenta-se preservar sua figura do presidente. Quando surgiram os primeiros noticiários, fazendo comparação dos escândalos do Lula e do FHC, raramente se citava o nome dele. No sentido, de “o presidente está fora, ele é um homem íntegro”. E talvez seja. Não é simplesmente a mídia que quis trazer esse retrato. Se houvesse alguma coisa comprovada de atos ilegais dele, a mídia não deixaria de publicar. É o papel dela.

    No caso do presidente Lula o tratamento é outro?
    Hoje a associação de escândalos de governo é feita diretamente a Lula. O caso Waldomiro Diniz envolveu o José Dirceu e recaiu diretamente sobre Lula, porque estava no gabinete dele e “era impossível o presidente Lula não saber”. Essa postura dá para ver hoje na mídia. O presidente Lula não adianta dizer que “não sabe”. Mas o FHC podia dizer, porque ele era um intelectual. O raciocínio é que ele não se metia nessas coisas menores. O Lula, o PT, não é um candidato da imprensa nacional. A grande imprensa nacional não é petista, não tem interesse que o PT se mantenha no poder. Veja, por exemplo, essa recente crise financeira, em que o governo está autorizando o Banco do Brasil e a Caixa a comprarem eventuais bancos quebrados. Aí a mídia já começa a colocar as oposições falando que “no fundo, o que há é uma intenção do PT de reestatizar o sistema financeiro”. A mídia, de um modo geral, em relação ao PT, está sempre receosa no sentido de “será que esses caras não vão cair na besteira de voltar aos velhos tempos e achar que o Estado tem controlar tais setores?”. Eu não vejo, digamos assim, essa condescendência da mídia com Lula que você via com o governo passado. Há sempre uma desconfiança de que pode mudar a qualquer momento. Sempre alerta.

    Em sua tese, o senhor defende que o bombardeio da mídia com publicações de denúncias sobre o governo FHC parecia indicar que o “pacto de elites” se romperia, mas esse rompimento teria ficado apenas no ensaio. Que pacto é esse?
    Primeiro, vamos entender elite no conceito clássico, como uma determinada parcela da sociedade que tem um domínio social e econômico sobre o outro. Lula, na época, não era o candidato das elites nacionais. Então quando surgiu o Fernando Henrique, ele claramente foi esse candidato. E quando foi eleito, a grande imprensa – que evidentemente é aliada às elites nacionais – fez esse “pacto” em torno de questões que interessavam ao capital brasileiro, como as privatizações e a redução do tamanho do Estado. Quando falo que “parece que vai haver um rompimento” é o seguinte: quando Fernando Henrique foi eleito no segundo mandato, o mundo já vinha na crise financeira que começou em 1997, com a quebra dos Tigres Asiáticos; depois em 1998 veio a crise na Rússia e o Brasil estava meio incólume. Mas quando assumiu o segundo mandato, aquelas coisas que estavam represadas – a questão cambial, por exemplo, com o dólar sobrevalorizado em relação ao real – aquilo estourou. Então, no início de 1999, ele teve que fazer a desvalorização do real. E naquela época no noticiário você nota claramente que parece haver um rompimento. As empresas levantavam a seguinte questão: “E quem investiu? E quem acreditou na palavra do presidente?”. Então os editoriais e noticiários retomam que o problema é que os brasileiros e as empresas acreditaram no presidente, que não haveria maxidesvalorização cambial, que a política cambial seguiria segura. Nessa época, as empresas, inclusive de comunicação, perderam muito dinheiro, pois tinham dívidas e projetos de investimentos em dólar. Todos os jornais que tinham apoio bastante significativo ao presidente parecem romper. Mas depois você vê que, embora tenha diminuído um pouco a boa-vontade da mídia em relação ao FHC – tanto que a comemoração dos 500 anos foi um fiasco na retratação da mídia –, não houve esse rompimento.

    O interesse da mídia em apoiar FHC foi basicamente econômico, então?
    Se, por um lado, o empresário tinha interesse que a economia prosperasse, por outro, em um determinado momento, as pessoas de modo geral sentiram que o real podia sim resolver o problema econômico do Brasil e tirar o país daquela crise de hiperinflação. Nesse aspecto, houve sim um sentimento de interesse econômico. E isso o PSDB usou para levantar a candidatura do Fernando Henrique e a mídia apoiou para que o Plano Real ficasse atrelado a Fernando Henrique.

    O “pacto das elites” deixou de existir com Lula?
    Não tenho muitas condições de entrar nessa análise, pois isso não foi objeto do meu trabalho. Mas posso dizer que quando Lula assumiu, ele não teve o mesmo apoio que o FHC teve. A mídia sempre olhou o Lula meio como “o que vai acontecer”, “que presidente é esse?”. No momento que o Lula manteve praticamente inalterada a política econômica do governo anterior, a mídia foi reduzindo o seu grau de desconfiança. Não acho que tenha existido em algum momento o pacto da mídia com o governo Lula. Como no caso do Fernando Henrique, em que claramente houve um apoio da mídia ao Plano Real, que significaria um apoio ao candidato. Isso não houve no caso do Lula nem no começo do governo. Ele sempre foi muito cercado de dúvidas.

    Em relação aos “escândalos” de cada governo, na Era FHC, por exemplo, houve o episódio de pagamento de propina a deputados para votarem a favor da emenda da reeleição. Já no governo Lula, houve o escândalo do mensalão. Esses dois episódios foram tratados de maneira diferente pela mídia?
    Foram. Isso você nota claramente. Na época de FHC, o episódio da emenda da reeleição começou com a Folha de S. Paulo divulgando a questão da compra de deputados para votar a favor, mas você nota que há uma responsabilização do governo, mas ninguém chega a dizer que o presidente Fernando Henrique estava envolvido nisso. No máximo, os editoriais sustentam que o escândalo “de repente” pode bater na porta do presidente. No caso do mensalão, no governo Lula, se você lembrar bem, desde o primeiro momento a mídia apontou que o problema estava dentro do gabinete do Palácio do Planalto. Sobre impeachment, por exemplo, o Fernando Henrique teve muitos pedidos por parte das oposições, especialmente do PT. Mas nunca teve apoio por parte da mídia. No máximo, “vamos abrir uma CPI para discutir isso”. Com Lula houve um tratamento diferenciado. A mídia não deixou de divulgar os escândalos do governo do Fernando Henrique, mas seguramente expôs muito mais o atual governo e seus escândalos. Isso dá para dizer seguramente.

    Nos dois governos FHC o número de CPIs abertas contra o governo foi muito menor do que o registrado no governo Lula. Por quê?
    Porque o governo Fernando Henrique tinha uma maioria muito confortável no Congresso. Ele tinha uma maioria folgada na Câmara e no Senado. A aliança do Fernando Henrique era o PFL [atual DEM], PSDB e PTB, mas, logo quando assumiu, ele fez um acordo com o PMDB e com partidos menores. Então tinha uma maioria muito tranqüila no Senado, especialmente. Todas as tentativas de CPI, e eram várias, foram derrubadas. Ele tinha uma maioria que o Lula não tem. O Lula conseguiu formar uma maioria na Câmara, mas ele nunca conseguiu no Senado. E na Câmara, como são muitos deputados, é mais fácil barganhar – troca de cargos, liberação de verbas e etc. Isso aconteceu direto no governo Fernando Henrique. E os jornais, na época do FHC, raramente pediam CPI. A não ser depois, quando veio a CPI do Apagão e a CPI da Sudene. Mas, por exemplo, coisas como o grampo do BNDES e o Caso Sivam, nada disso se conseguiu montar CPI.

    Como o senhor avalia a oposição feita pelo PT na Era FHC?
    O PT era uma oposição implacável, a tudo e a todos. E deu muito trabalho. Tudo era motivo para criar uma CPI, ir à Justiça. Eles municiavam muito a imprensa com informações contra o governo. Daí eu pergunto: o PSDB e o PFL [DEM] fazem oposição ao governo hoje? Fazem, desde o começo. Mas é café pequeno diante do que o PT sempre fez desde o começo. Aquela foi uma oposição brutal que só mudou no final do governo, nos dois últimos anos talvez e, principalmente, no ano derradeiro. A partir de um determinado momento, o PT sentiu que tinha de fato chance de chegar ao poder. Aí ele foi maneirando seu discurso oposicionista. Inclusive se olhar o ano de 2002, foi complicado, porque a perspectiva do PT chegar ao governo fez com que a inflação começasse a subir, o dólar chegar a quase R$ 4. Não interessava ao PT assumir um poder com um país despedaçado. A postura dele foi mudando.

    Mas qual o diferencial da oposição de hoje em relação à oposição petista?
    O PT era a oposição de partido político dentro do Congresso. Mas a oposição, na época, não era só o PT. Vinha também de seus braços sindicais como a CUT [Central Única dos Trabalhadores] e movimentos como o MST [Movimento dos Sem-Terra] – que, na época, tinha ligação mais estreita com o PT. Foi uma oposição muito serrada. A greve, por exemplo, dos petroleiros, o primeiro grande embate do FHC com a oposição, era uma greve muito genérica. A greve era contra as reformas constitucionais propostas pelo governo, que eram reformas “neoliberais”, contra a privatização, em defesa do monopólio da Petrobras… Foi um embate duro. O papel dos movimentos sindicais nessas brigas era muito profundo, coisa que o Lula não enfrentou. Lula tem a oposição no Congresso, mas qual o movimento sindical nas ruas, dando apoio a essas oposições? Não sei se outro governo teve uma oposição tão aguerrida quanto no governo FHC, feita pelo PT.

    Falta apoio popular hoje à oposição?
    A oposição hoje, dentro do Congresso, ela criou e cria muitos problemas para o governo, especialmente no Senado, onde ele não tem maioria. Mas esse movimento de oposição não tem o respaldo das ruas.

    Até que ponto o PT não está pagando, com as críticas que recebe na imprensa, por ter deixado o seu discurso ético e revolucionário?
    Ele está pagando e tem que pagar mesmo. O PT tinha todo aquele discurso de “éticos somos nós”. Aquele discurso ético existiu na retórica, mas na prática não foi isso que se viu. Vemos hoje os mesmos problemas que se viu no Brasil em tempos anteriores. Aquilo que Sérgio Buarque de Holanda falava, da mistura do público com o privado… A prática do PT se mostrou igualzinha a dos outros e em alguns aspectos ainda mais corporativista. O PT teve o bom-senso de manter, quando Palocci assumiu o Ministério da Fazenda, a equipe econômica. Mas em outros ministérios, o PT fez uma limpeza geral: quem não era do partido estava fora.

    O senhor identifica hoje, na imprensa brasileira, alguma figura política que receba o mesmo tratamento que a mídia dispensou a FHC? Alguém com esse mesmo “carisma”?
    Carisma à altura do FHC?… Não, acho que não. O [José] Serra seria, eu diria, o herdeiro natural do Fernando Henrique. Mas, veja bem, quem era o Fernando Henrique: era um professor, sociólogo, aposentado pelo regime militar, ex-exilado, que se envolveu em movimentos políticos… No começo de sua trajetória, Fernando Henrique foi um dos que apoiaram o movimento dos metalúrgicos do ABC Paulista. Depois, assumiu como suplente no Senado e, em seguida, se elegeu senador. Era uma figura respeitada. Um cara tido como sério, honesto, intelectual. Tanto que essa figura do intelectual a mídia sempre perpassou. Logo quando ele despontou como candidato principal nas eleições de 1994, a mídia falou: “finalmente esye país terá um presidente à altura do futuro que merece”. A contrapartida era o Lula, metalúrgico, um pouco mais do que analfabeto, radical, despreparado. Ainda assim, no início, Fernando Henrique não tinha o carisma de um Mário Covas, por exemplo. Mas, quando foi para a Fazenda, ele ganhou o status de nome nacional. E o Plano Real foi atribuído a ele. A primeira nota de Real foi assinada por ele. Hoje no Brasil eu não vejo uma pessoa com esse carisma. O Serra talvez se aproxime por ter fama de administrador competente. Ele fez uma boa gestão no Ministério da Saúde, uma pequena, mas boa gestão na prefeitura de São Paulo e está fazendo um bom trabalho no governo de São Paulo. Mas essa figura que reúne o intelectual, o homem público, o cordial, sereno e inteligente, que é essa a imagem de Fernando Henrique, eu não vejo ninguém hoje no Brasil.

    A sua análise recaiu apenas sobre a mídia imprensa, com pesquisas no noticiário dos jornais e revistas. Se fosse hoje talvez poderia ser diferente… O senhor avalia que a mídia impressa tem perdido espaço em relação a outras mídias?
    Antigamente, os jornais repercutiam muito mais o que acontecia. Hoje, dificilmente, você segura uma notícia de um dia para o outro. Ela está instantaneamente divulgada. Há uma velocidade muito maior na geração, na produção e na transmissão da informação. Mas os jornais impressos ainda estão procurando ‘como vai ser’. Ninguém sabe bem como vai lidar com esse negócio da internet. Essa relação dos jornais, da revista e da internet ainda não está clara. Tem muita gente deixando o papel, porque se lê hoje na internet o que será lido amanhã nos jornais.

    A maneira de divulgar e fazer política mudou com a internet?
    Hoje se pode dizer que, se você quiser, você faz o seu jornal. O blog, por exemplo, é um novo caminho que também significa uma forma de concorrência com a mídia tradicional, especialmente quando se fala de noticiário mais especializado. Tem determinados blogs que trazem muito mais informações, mais detalhes, do que os jornais e revistas. A internet é um outro ponto de concorrência da mídia tradicional.

    E até que ponto a concentração de concessões de rádio e TV nas mãos de políticos interfere no processo de construção de imagem de um político?
    Só interfere! Você tem no Brasil uma infinidade de pequenos jornais, que são veículos vinculados a políticos ou partidos. Todos têm um interesse e defendem esse interesse. E eles têm uma interferência muito grande sobre o que vai ser veiculado ou não. E isso contribui para formar ou não a imagem de um candidato e de um governo. São veículos de difusão de interesses políticos de A, B ou C. A mídia não tem nada de democrática quando se fala, especialmente, em rádio e televisão. É só você vê quem são os detentores das concessões.

  18. Eduardo disse:

    Lula, como ele mesmo gostar de citar, entrou em campo, com o time ganhando de 2X0, e com um Jogador a mais, ai ficou facil até agora,mas coisas começaram a complicar quero ver a capacidade que ele acha que tem de comandar o país.
    Vamos aguardar as pesquisas depois do 1° trimestre de 2009, quando a maioria estiver sem emprego, e o governo sem caixa.

  19. Klêuber Lobo disse:

    Aí está a prova de que quando um governo trabalha sério e com competência conquista a solidez dentro de uma sociedade. E não há mídia interesseira e falsa que resista, insistem em bater numa tecla já ultrapassada e continuam na cegueira elitista. Se esquecem que está havendo uma grande evolução na sociedade brasileira e que uma grande massa de trabalhadores, estudantes, aposentados (que vivenciaram muito da nossa história) são formadores de opnião. Mas esse é o processo natural de qualquer evolução; em tempos de crise, quem for de mentira será extinto.

  20. Jorge Adauto Martins disse:

    É muito simples. O Lula é blindado contra crises. Ele é produto de sucessivas crises. Fundou o sindicato dos metalúrgicos no abc paulista e enfrentou o duros anos da ditadura militar. Fundou o PT, disputou três eleições presidenciais e perdeu. É homem do meio e feito no meio pobre e batalhador do povo brasileiro.
    Durante a campanha de 2006, em visita a uma obra de construção, os trabalhadores disseram: “enquanto ele quiser ele contiunua lá”
    Fala a mesma língua do povo, daquele povo que acorda de madrugada e enfrenta todas as dificuldades do dia-a-dia e vai lenvado. Gosta dum pagode, churrasco, birita e é corintiano, e o maior detalhe: sempre demonstra estar alegre e feliz.
    O povo se idenfifica com o homem do povo que é seu presidente.

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