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Arquivo de dezembro, 2008

26/12/2008 - 09:21

Folga aos leitores do Balaio até dia 12/1

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Eu sofri muitas catástrofes na vida. A maioria nunca aconteceu.

Com esta velha frase de Mark Twain, tão contemporânea  e sugestiva, num momento em que muitos coleguinhas anunciam o fim do mundo, que li no café Santo Grão, onde vou quase todas as manhãs quando estou em São Paulo, abro o último texto do ano aqui no Balaio.

Vou dar uma folga aos meus queridos leitores até o próximo dia 12 de janeiro. Acho que merecemos e, mais do que isso, precisamos de um tempo para descansar, ler e pensar na vida, preparar o espírito e o fôlego para 2009.

Para vocês terem uma idéia do trabalho dos leitores neste blog, antes deste eu escrevi 30 textos nos 26 dias de dezembro e vocês enviaram até as 10 horas da manhã de hoje exatos 6.878 comentários, quer dizer, mais de 200, em média, para cada post publicado no Balaio.

Começamos com dois dígitos de comentários em cada texto, logo chegamos a três e este mês a quatro: em dezembro, o Balaio bateu seu próprio recorde duas vezes, com mais mais de mil participações de leitores quando escrevi sobre pesquisas de avaliação do presidente Lula e seu governo, e agora foram quase duas mil na enquete que elegeu os “Malas do Ano”. Não é algo muito comum na internet.

Minha mulher já está até dizendo que ando muito metido, mas também não é para menos. Em pouco mais de três meses no ar, o Balaio já conquistou mais leitores do que blogs que estão há anos circulando na internet. Com um detalhe: este é um espaço meramente jornalístico, sem apelações nem escatologias, fofocas, apelações, chutes, notícias copiadas e coladas de agências, polêmicas baratas nem colaboradores fixos.

Somos só vocês e eu discutindo o dia a dia da vida real, dos bastidores da política ao futebol, passando por novos livros, filmes e peças de teatro, personagens e lugares que fui descobrindo nas minhas muitas viagens por este Brasilzão abençoado do bom Deus. 

Muito obrigado a vocês todos e um 2009 cheio de boas notícias para todos nós! Até dia 12.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/12/2008 - 17:42

Ronalducho e Pelé: dinheiro ou felicidade?

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Pelé, exemplo do passado para o presente e o futuroO melhor texto que li para a gente refletir sobre a vida neste dia de Natal foi publicado em O Globo na edição do último dia 19, sexta-feira. Guardei-a para partilhar com vocês hoje o artigo “Ronaldo está doente”, do escritor Roberto Lima Netto, ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional.

O leitor pode, com toda razão, me indagar o que têm a ver com o Natal o antigo Ronaldo Fenômeno, hoje mais conhecido por Ronalducho, e o eterno Rei Pelé.

Mas, certamente, entenderá as lições que nos dão estes dois ídolos do futebol, um em episódio do início da sua longa trajetória e outro em precoce final de carreira, ao ler os trechos selecionados que publico abaixo.

No final deste post comento uma coincidência digna de Natal: por uma destas finas ironias da vida, na seção “Há 50 anos” da mesma edição de O Globo, o jornal publica a nota  “Pelé dá lição de humildade a colegas”, escrita quando o futuro Rei ainda estava apenas começando.

Primeiro, Roberto Lima Netto:

“Uma epidemia assola a civilização ocidental e se espalha rapidamente pelo mundo.

Ronaldo, um menino bom de bola, descoberto no São Cristóvão, de saudosa memória, passou por grandes clubes no Brasil e no mundo. Teve a sorte de fazer carreira em um tempo em que os bons esportistas nunca foram tão bem remunerados pelo uso de sua imagem.

Provavelmente, Ronaldo ganhou, em um único ano, mais do que Pelé em toda sua carreira. Ronaldo é milionário, mas está doente, uma perigosa doença do mundo moderno.

E qual é essa doença?

O homem ocidental acha que a felicidade se compra com dinheiro. Se está infeliz, compra uma casa nova, um carro novo, dois, três. Essa doença se chama materialismo. Muitos ainda não perceberam que a satisfação da próxima compra é fugidia, dura pouco tempo.

Para comprar mais, alguns trabalham mais e mais, dezesseis horas por dia, inclusive sábados e domingos. Têm que subir na vida, têm que ganhar mais dinheiro para, depois de ricos, serem felizes. Será que serão?

Deixando em segundo plano a família, sem tempo para os filhos, que tentam comprar com grana, não entendem quando eles se perdem nos descaminhos da vida(…)

Voltemos ao nosso herói, Ronaldo, cujo problema não é excesso de trabalho, mas de dinheiro. Ele declarou que o Flamengo é seu time de coração. Com a fortuna que ganhou, poderia jogar mesmo sem salário. Seria um golpe magistral, e vou explicar a razão.

Ronaldo é flagrado fumando em iate, em julho de 2008 / Crédito - The SunRonaldo sofre a doença do materialismo. Deixou de lado a felicidade de jogar no time do coração para ganhar uns trocados a mais _ para ele, trocados mesmo (…).

Estamos usando um episódio da vida de um homem famoso, um dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, em busca de uma lição. O homem atual se ilude quando pensa que mais dinheiro lhe trará mais felicidade. Felicidade não se compra com dinheiro. Às vezes, até atrapalha”.  

Volto eu. Agora vamos voltar 50 anos no tempo e falar de um episódio do início da carreira daquele que se tornaria o maior jogador de futebol e o brasileiro mais famoso de todos os tempos. Saiu em O Globo de 19 de dezembro de 1958, seis meses depois do futuro Rei se sagrar campeão do mundo, aos 17 anos, na Suécia:

“O craque Pelé, da nova geração do futebol brasileiro, acaba de dar um grande exemplo aos seus colegas velhos e novos. O artilheiro recordista do Brasil _ fez 58 goals este ano _, encontrando-se com o presidente da Federação Paulista de Futebol, Mendonça Falcão, afirmou que estava pronto para disputar uma vaga na seleção para o Sul-Americano. Declarou, ainda, que deseja fazer goals em Buenos Aires.

Mas pedia apenas uma coisa aos dirigentes do futebol bandeirante: “Espero poder passar o Natal e o Ano Novo com a minha mãe, em Bauru. Depois estarei o ano todo à disposição do Santos, da FPF e da CBD”. Para um jovem de 18 anos, nada é preciso acrescentar.”

Nem eu acrescentaria mais nada, se, ainda na mesma edição do mesmo jornal, não tivesse lido uma notinha publicada na coluna do competente Renato Maurício Prado sobre a demissão do ex-craque Adílio, que dirigia os juniores do clube há quatro anos, com ótimos resultados:

“Bebeto, companheiro do técnico em seus tempos de jogador, se diz inconformado e preocupado com a atual situação das divisões de base rubro-negras. Cogita até transferir seu filho Matheus, de 15 anos (uma das maiores promessas do clube), para o São Paulo”.

Bebeto pai, hoje apenas torcedor do Flamengo, certamente está mais preocupado com a felicidade do que com o dinheiro que Matheus filho pode ganhar na vida. Para isso, nem precisa ser um novo Pelé. Basta não virar um novo Ronaldo, o triste menino rico do nosso futebol.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/12/2008 - 10:15

Lula é só mais um no Natal do povo da rua

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Fazia tempo que eu não chorava, mas não deu pra segurar vendo o povo da rua, os catadores de papel e os paulistanos sem nada, excluídos de tudo, dançando e cantando na maior alegria com o presidente Lula, ontem à tarde, na quadra do Sindicato dos Bancários, na rua Tabatinguera, centro de São Paulo.

“A única coisa que eu peço a Deus é estar com saúde para poder trabalhar mais, viajar mais, inaugurar mais obras no ano que vem”

Quem lê o texto e o título acima, e não conhece a história, ou simplesmente não gosta do presidente, eu sei, pode achar que é demagogia, coisa de líder populista em final de mandato, fazendo média com seus eleitores na véspera do Natal.

O mandato do presidente Lula está mesmo entrando na reta final, faltam só mais dois anos. Ele mesmo lembrou várias vezes do pouco tempo que lhe resta de governo no discurso que fez ao final desta festa natalina sem luxo nem pompa, da qual já participa religiosamente faz seis anos, desde o primeiro dezembro de seu primeiro governo. O corintiano Lula também é hexa, pelo menos aqui…

O compromisso dele com este povo, porém, para quem conhece a história, vem de muito antes, e não termina junto com seu segundo mandato. “Espero ser convidado quando não for mais presidente”, brincou, andando pela quadra como um animador de auditório, para uma platéia que nunca o chamou de senhor, muito menos de excelentíssimo senhor presidente da República.

Aqui ele volta a ser só o Lula do Estádio de Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, no final dos anos 1970, quando comandava uma multidão de metalúrgicos em greve _ ali onde tudo começou durante a resistência á ditadura militar.

O jeito de falar, como se estivesse conversando com cada um em particular, no balcão de um boteco, e a empatia natural com a platéia, são exatamente iguais. Só a roupa dele agora é mais chique e os assuntos são outros _ da vida dos moradores de rua à crise econômica mundial.

Se não estivesse de terno e gravata, cercado de assessores, seguranças e ministros, ele seria apenas mais um neste encontro da Associação Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis.

Lula tinha acabado de chegar de um encontro no Copacabana Palace, no Rio, em que discutiu os destinos do mundo com o presidente francês Nicolas Sarkozy. Pode-se imaginar o choque cultural na cabeça dele entre um compromisso e outro, separados por apenas uma hora de vôo. Em seguida, voltaria a Brasília para passar o Natal com a família.

Ao falar destes dois encontros tão diferentes no mesmo dia, o presidente reparou que estas coisas só acontecem no Brasil. “Por isso, a gente nunca deve esquecer de onde veio”.

Pois eu me lembrei na hora de uma frase dele muito repetida em velhas campanhas eleitorais: “A cabeça da gente pensa e o coração sente, de acordo com o lugar onde nossos pés pisam”.

Vai ver que é por isso que Lula viaja tanto, aqui dentro e lá fora, querendo estar em todo lugar ao mesmo tempo, sem se perder no caminho.

Prestou muita atenção e balançou a cabeça no discurso empolgado de Anderson Miranda, do Movimento Nacional do Povo da Rua, que denunciou violências cometidas pelo poder público em São Paulo, Belo Horizonte e outras cidades chamadas de higienistas. Depois, cobrou providências dos ministros que o acompanhavam, Patrus Ananias e Paulo Vanucchi, além do chefe de gabinete, Gilberto Carvalho.

Todo ano o ritual se repete: o pessoal do governo conta o que foi feito, o povo da rua agradece e faz mais reivindicações, o governo promete atender e, no ano seguinte, a cobrança continua. Desta vez, Lula mandou que, já em janeiro, os dois lados fizessem uma reunião juntos para se entender e resolver os problemas de uma vez, “porque agora só faltam dois anos”.

Até o cardeal arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, sempre muito reservado, entrou na dança junto com Lula e os músicos da orquestra, todos moradores de rua, que apresentaram uma ópera chamada ”Confabulário”.

Entra ano, sai ano, Lula não foi embora antes de dar uma estocada na imprensa. “Vi na manchete de um jornal hoje que perdemos 40 mil empregos em novembro. Mas não vi nenhuma notícia de que este ano, de janeiro a outubro, o Brasil criou 2,2 milhões de novos empregos”.

Planos pessoais para 2009? “A única coisa que eu peço a Deus é estar com saúde para poder trabalhar mais, viajar mais, inaugurar mais obras no ano que vem”, contou-me, quando lhe fiz a pergunta, assim que chegou à quadra do Sindicato dos Bancários, com o mesmo pique do primeiro dia de governo em Brasília.

Férias? Como ninguém é de ferro, e este sempre é um drama para resolver na família Silva, a cada final de ano, Lula já decidiu que vai passar dois dias na ilha de Fernando de Noronha em janeiro. “Só para levar os meninos, porque eu não gosto de mergulhar…”.

Seis anos depois do primeiro encontro com o povo da rua na véspera do Natal, muita coisa mudou na vida deles, do presidente e do país. Para Lula, este talvez seja o melhor momento do ano na pesada rotina da agenda presidencial, aquele em que fica mais à vontade _  e já chama as pessoas pelo nome para brincar com elas. Como ele mesmo diz, só no Brasil…

Vida que segue. Neste primeiro Natal do Balaio, espero que todos os leitores possam ter hoje a mesma felicidade que senti ontem ao participar novamente desta festa do povo da rua, organizada todo ano pelo meu amigo padre Júlio Lancelotti. 

Como Lula, conheço esta história: desde o começo dos anos 80, quando trabalhava na Folha, acompanho e faço reportagens sobre a luta deste povo por uma vida mais digna. Foi bonito.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/12/2008 - 07:41

Malas do Ano: leitores elegem Gilmar e Luana

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“Mala é aquele que incomoda, que chateia, que perturba” (Artur Xexéo, o jornalista carioca criador do concurso Malas do Ano em sua coluna do jornal O Globo) .

de cada três votos, ao menos dois foram para Gilmar Mendes

Ufa! Terminei agora de fazer a apuração, quer dizer, a leitura dos mais de 1.500  votos/comentários enviados pelos eleitores para diferentes posts do blog, desde a última quarta-feira, quando o Balaio lançou esta enquete para eleger os Malas do Ano de 2008. 

Não houve surpresas. De cada três votos, pelo menos dois foram para Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal, que ganhou disparado a disputa com Luana Piovani, a segunda colocada na votação dos leitores.

No começo de 2008, nada poderia parecer mais improvável do que a eleição destes dois personagens da cena brasileira, onipresentes na mídia durante todo o ano, tão diferentes em suas trajetórias de vida.

O jurista Gilmar Ferreira Mendes, 52 anos, é de Diamantino (MT) e ocupou o cargo de Advogado-Geral da União no governo FHC antes de ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal.

Celebrizou-se por conceder dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas em menos de 48 horas e ter opinião formada sobre todos os assuntos (só não se manifestou sobre a contratação de Ronaldo Gorducho pelo Corínthians, talvez porque não tenha sido perguntado).

O próprio Dantas e até o delegado Protógenes Queiroz, protagonistas da Operação Satiagraha, também tiveram eleitores em bom número.

A modelo e atriz Luana Elídia Afonso Piovani, 32 anos, é de Jaboticabal (SP) e quase não saiu da mídia este ano, metendo-se numa confusão atrás da outra, até romper publicamente com seu namorado Dado Dolabella, outro bem votado, numa briga de boate em que sobrou bolacha até para a camareira da atriz. 

Ficaram atrás dela na categoria celebridades Ana Maria Braga, as mulheres-fruta (Melão, Melancia, Moranguinho, Jaca), Luciana Gimenez, Gugu, Eliana, Carolina Dieckman, Angélica, Sonia Abrão, Xuxa, Clodovil, personagens de novelas, Hebe e a menina Maisa (SBT), Ronaldo Esper, Amaury Jr., Suzana Vieira e seu falecido ex-marido, e o casal Nardoni.  

Também bem votados chegaram dois velhos amigos meus, habituais frequentadores destas enquetes, mostrando uma implicância de parte da galera do mesmo tamanho do sucesso que eles fazem há mais de 20 anos: são eles, como vocês já imaginam, o narrador esportivo Galvão Bueno e o apresentador Fausto Silva, ambos da TV Globo, que ficaram embolados.

O leitor Marco, das 15h26 do dia 22, justificou seu voto assim: “Sem dúvida, continua sendo o Fausto Silva, aquele que nunca vai corrigir seu defeito de falar mais do que o homem da cobra…”.

Na política, o mais sufragado foi outro amigo meu, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que começou com poucos votos, mas na reta final recebeu um balaio de votos, certamente dos 7% que desaprovam seu governo nas pesquisas (na internet, como sabemos, esta faixa é bem maior e mais organizada do que entre os sem tela). Sua candidata à sucessão, Dilma Roussef, foi pouco votada.

Tucanos votaram em Lula, Marta Suplicy e no PT, e os petistas em José Serra, Alckmin e Kassab e no PSDB/DEM, como era de se esperar, reproduzindo o embate que tiveram o tempo todo aqui no Balaio, qualquer que fosse o assunto.

Na oposição, os mais votados foram o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-blogueiro Cesar Maia, o prefeito Gilberto Kassab, Soninha (ex-candidata a prefeita de São Paulo pelo PPS e futura subprefeita de Cidade Tiradentes), os senadores Mão Santa e Heráclito Fortes (os dois do Piauí, como lamentaram alguns eleitores de lá), Demóstenes Torres, Arthur Virgílio, Renan Calheiros, José Agripino e Garibaldi Alves, aquele dos 7 mil novos vereadores.

Meus amigos governadores Sérgio Cabral, do Rio, Aécio Neves, de Minas, Roberto Requião, do Paraná, e Cássio da Cunha Lima, da Paraíba, tiveram alguns votos também. O problema é que tenho muitos amigos, eu sei. Fazer o quê? Como diziam os antigos, de urna, cabeça de juiz e bunda de nenê nunca se sabe o que vai sair… 

O quase ex-presidente americano George Bush e o quase eterno presidente venezuelano Hugo Chavez foram os mais votados entre os líderes de outros países, tendo sido lembrados também Evo Morales, da Bolívia, e Rafael Correa, do Equador, que estão querendo passar uma rasteira no Brasil.

Além de votar em pessoas físicas, os eleitores/leitores também indicaram pessoas jurídicas, as Malas do Ano coletivas, entidades ou instituições que foram para o guarda volumes de 2008.

Receberam declarações de votos, algumas indignadas, a programação das redes de televisão em geral; igrejas eletrônicas dos pastores evangélicos, com Edir Macedo à frente; o pessoal do funk; Imprensa, pelo conjunto da obra; Poder Judiciário, idem; Senado Federal, idem; PT e PSDB/DEM; a “elite arcaica paulistana” e o natimorto movimento ”Cansei”, com sua porta-bandeira Ivete Sangalo.

Sobrou para mim também. Não fui um campeão de votos, mas mereci a lembrança de vários leitores, como o que assina Trivelados, às 11h12 do dia 22, que escreveu:

“Ricardo, eu acho que você é o Mala do Ano, porque uma pessoa que consegue juntar tanto chato, falando de outros chatos, tem que ser muito chato, com todo o respeito”. 

O voto mais original e, com toda certeza, sincero, veio do leitor Giu, às 13h03 de segunda-feira. Em vez de eleger uma celebridade, ele aproveitou para se vingar de um desafeto:

“O mala do ano foi o ex da minha paixão!!! O cara não se toca!!! Separou… separou… Orra, meu… Cai na real e vai ser feliz… pras outras bandas… rsss”. Já o leitor Luciano Lopes, das 17h01 do mesmo dia, foi direto ao assunto:

“O mala do ano é meu sogro”.

Leitores/eleitores alternaram bom humor com indignação em seus votos. Antonio da Costa, por exemplo, escreveu logo no primeiro dia da enquete, às 22h48:

“Chamar ministro do STF de mala pode dar cadeia? E, se der, há chance de conseguir um habeas corpus? Na dúvida, silêncio”.

Passando para o esporte, Vanderley Luxemburgo, sempre ele, disparou na frente no futebol e Rubinho Barrichello entre as outras modalidades. Mas também foram lembrados os hexacampeões Muricy Ramalho e Rogério Ceni (certamente pelos torcedores de outros times…), o garoto propaganda Ronaldo Gorducho, o rebaixado Renato Gaúcho, os perdedores Márcio Braga (Flamengo) e Eurico Miranda/Roberto Dinamite (Vasco), o técnico Dunga e a sua seleção, o ex-jogador e comentarista Neto e o presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, o da lambança do juiz na final do Campeonato Brasileiro.

Outros amigos meus, além de Galvão e Faustão, como não poderia deixar de ser, também foram bem votados na área de jornalistas/colunistas/comentaristas/apresentadores.

Entre outros, foram sufragados dois desafetos juramentados, Milton Neves e Juca Kfouri, nomes antigos como Alexandre Garcia, Carlos Nascimento, Pedro Bial, Datena, Miriam Leitão, Arnaldo Jabor e William Waack. Foram também bem votados aqueles dois rapazes da Veja, o açougueiro dos palcos e o antagonista avulso numa categoria que está mais para entretenimento do que jornalismo.    

Desta vez, William Bonner, a voz do Jornal Nacional, teve mais votos do que o veterano Boris Casoy, agora nas madrugadas da Bandeirantes, o que só prova uma coisa: quem tem mais audiência tem também mais chances no concurso de Mala do Ano, embora, claro, isto não valha para todos os casos.

Ao justificar seu voto, o leitor Lúcio, das 15h32 do dia 22, escreveu sobre Bonner: “Êta sujeito metido a dizer aos brasileiros o que devem pensar ou deixar de pensar”.

A respeito do vencedor absoluto da enquete de 2008, o ombudsman da Folha, Carlos EduardoLins da Silva, escreveu em sua coluna no último domingo uma crítica ao jornal sob a rubrica “onde foi mal”, que pode explicar o voto dos leitores/eleitores:

“É excessiva a presença do presidente do STF no jornal”.  

Um desses leitores, Altair Oliveira da Silva, das 15h26, também de segunda-feira, escreveu no seu voto:

“Ele é muito esperto, só se esqueceu que estava numa vitrine”.

Tudo que é demais enjoa, já dizia minha vó alemã, frau Tünes. Em 2009, tem mais.

Em tempo: se cometi algum engano, deixando de citar outros nomes votados, peço desculpas, mas é porque ainda não chegaram os supercomputadores do DataBalaio e tive que fazer este balanço a mão mesmo.

Claro que não se trata de uma pesquisa científica, com metodologia e tudo, como as do Ibope e Datafolha, mas a amostragem da enquete acima é significativa pelo número de leitores/eleitores que votaram, próximo ao universo normalmente ouvido em levantamentos nacionais pelos grandes institutos. Desconfio que os resultados da enquete do Xexéo não serão muito diferentes.

Melhor do que tudo, é recomendar a todos que não deixem de ler os comentários, com as respectivas declarações de voto, enviadas pelos leitores do Balaio para diferentes posts durante os últimos cinco dias. Temos ali uma boa amostra do que pensa o brasileiro nestes últimos dias de 2008. 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/12/2008 - 11:23

“Malas do Ano” 2008: votação acaba hoje

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Atenção leitores: a votação acaba à meia noite de hoje!

Na hora em que escrevo este texto, manhã de segunda-feira, dia 22, o Balaio já recebeu os votos de quase 400 leitores para a escolha dos “Malas do Ano” 2008.

Que bela confusão arrumei para mim mesmo! Como não há candidatos nem categorias determinadas, e cada um vota em quem e quantos quiser, a apuração está sendo muito difícil. 

Tenho que marcar um prazo para vocês enviarem seus votos, como está avisado ali acima, porque preciso fazer a tabulação a tempo de divulgar os resultados amanhã, antevéspera de Natal, que ninguém é de ferro.

A partir daí, eu sei que todos nós só vamos querer saber de festas e o mundo vai parar até a chegada do Ano Novo (em alguns casos, como no Brasil, até o Carnaval, que cai no final de fevereiro).

Para complicar ainda mais, estão chegando muitos votos para altíssimas autoridades, bem como para muitos amigos meus _ eu mesmo também não posso me queixar, pois fui lembrado por gentis leitores.  

Tem de tudo, como vocês poderão ver no post que lançou o concurso na última quarta-feira, dia 17. De votos bem humorados a desabafos indignados contra indivíduos e instituições (os que contêm ofensas já foram devidamente excluídos).

Para dar um exemplo, a leitora Jeanette acordou cedo hoje para enviar seu voto às 06h06, com crítica e autocrítica e tudo:

“É você, sr. Ricardo Kotscho. Tu és muito mala, mas eu sempre me vejo lendo seus escritos. Se leio seus escritos, então eu sou uma mala também…”.

Teve um outro que resolveu tirar uma onda em cima do meu sobrenome pouco usual no Brasil. “A mala mór: é o país do me engana que eu Gostcho”, escreveu Calango, às 12h27 do dia 19.

Dos altos poderes às mulheres fruta, sem esquecer apresentadores de TV e cantoras de sempre, passando por jogadores e técnicos de futebol, até chegar a presidentes de outros países e celebridades em geral, as urnas do Balaio já receberam votos de todo o país e até do exterior.

Como é a primeira vez que o concurso é promovido aqui (há anos, Artur Xexéo lançou a idéia no jornal O Globo) e ainda não chegaram os computadores de última geração do DataBalaio, vou passar a noite apurando artesanalmente os votos de vocês.

O prazo está acabando. Não deixe de votar: não paga nada, não precisa de título de eleitor, não tem fila e pode ser divertido.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/12/2008 - 12:04

Farra, 2008 e “malas”: mais comentados

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Entre os três assuntos mais comentados da semana neste Balaio, destacou-se o texto que escrevi ontem sobre a farra da criação de mais 7 mil e tantas vagas de vereadores, graças a uma emenda aprovada no Senado, durante a madrugada, que causou a revolta dos leitores.

Meu alterego, que cumpre as funções de ombudsman deste blog e não tem salário nem sobrenome, critica o Balaio por ter demorado muito a entrar neste assunto, capaz de provocar uma enxurrada de comentários indignados em pleno sábado, dia habitualmente fraco na internet quando o assunto não trata de futebol.

O balanço positivo de 2008, “o ano em que todos ganhamos”, e a enquete para as escolhas dos “Malas do Ano”, que o Balaio copiou na cara dura da coluna de Artur Xexéo, de O Globo, foram os outros dois assuntos que tiveram mais respostas dos leitores.

Esta semana, o Balaio manteve uma boa média de posts com mais de 100 comentários, a demonstrar que já conquistou uma freguesia fiel de participantes do blog e um retorno dos leitores bem acima dos dois principais veículos impressos do país, a Folha e a Veja, que também publicam este tipo de levantamento.

Leitores me perguntam a que atribuir esta desproporção na interatividade entre o público da mídia impressa e o da internet. Lembrei-me de uma brincadeira do falecido Paulo Francis, para quem só loucos mandavam cartas aos jornais porque dava muito trabalho.

Hoje, com a internet, não sei se o número de loucos aumentou muito ou, simplesmente, ficou mais fácil para o leitor participar online e diretamente do processo de troca de informações na sociedade, deixando de ser mero consumidor passivo.

Vamos aos números da semana:

Balaio

Farra dos vereadores: 257

Balanço de 2008: 182 

“Malas do Ano”: 166

Folha

Novos vereadores: 68

Governo Lula: 57

Pichação na Bienal: 29

Veja

Amor, drogas e morte: 78

Diogo Mainardi: 32

Claudio de Moura e Castro: 26

Bom domingo pra todos.  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/12/2008 - 10:59

Às12h04, verão começa primeiro em Ubatuba

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É amanhã, domingo, com hora marcada: às 12h04, o verão chega primeiro a Ubatuba, bela cidade do litoral norte paulista, que está preparando uma grande festa na praça Trópico de Capricórnio, com queima de fogos, toque de sirenes do Corpo de Bombeiros e tudo a que tem direito.

Aqui em São Paulo, com o céu carrancudo e o calor demorando a chegar, nem me lembrava que estamos quase entrando no verão. Quem nos dá esta boa notícia é o velho amigo Ivan Quadros, que apresenta o Jornal do Meio Ambiente na rádio Caraguafm e nas horas vagas escreve para o Balaio.

Em Ubatuba, um monumento ao verão

Além de conhecida como a Capital do Surfe, Ubatuba se gaba de ser a primeira cidade do Hemisfério Sul a comemorar a chegada do verão.

Muito antes de Padre Anchieta, que já tem o seu monumento no centro da cidade, na praia do Cruzeiro, já passava por lá o Trópico de Capricórnio.

Por esse bom motivo, a prefeitura vai reinaugurar neste domingo a Praça Trópico de Capricórnio. A obra deve ser entregue pontualmente à população às 12h04, quando o sol, a pino, projeta os primeiros raios da nova estação em todo o Hemisfério Sul, justamente naquele ponto imaginário do litoral norte de São Paulo.

Quem passa pela rodovia Ayrton Senna, a caminho do litoral, certamente já leu a placa: “Você acaba de cruzar o Trópico de Capricórnio”.

É “cruzar” mesmo porque a linha do referido trópico circunda indefinidamente a terra. Mas, “estar”, só em Ubatuba, na latitude 23º 27’ Sul, junto ao monumento que fica na avenida 9 de Julho, praia do Itaguá, em frente ao aeroporto.

Trata-se de um fenômeno conhecido como solstício de verão: é o dia em que o sol está no seu ponto máximo de distância do Equador, declinando-se para o pólo sul. Portanto, não há dúvidas de que o verão começa em Ubatuba.

A chegada do verão será comemorada com toque de sirenes do Corpo de Bombeiros, grande queima de fogos e uma programação oficial recheada de apresentações artísticas.

Ao lado do monumento inaugurado em 2002, uma providencial placa informativa explica sobre o fenômeno: “É a primeira cidade litorânea da Terra com concentração populacional, na linha do Trópico de Capricórnio”.

Se a chegada do verão era o gancho que faltava para passar a régua em 2008 (com as melhores lembranças, e são muitas) e começar as férias, quem estiver em Ubatuba será o primeiro da fila com direito ao sol.

Como o próximo verão vai até 20 de março, uma 6ª feira, às 11h44m, ao todo serão 88,99 dias (o último decimal é Ubatuba) com direito a praia.

Sejam todos bem-vindos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/12/2008 - 09:55

A farra dos vereadores: por que não médicos?

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Ver nota “Em tempo”, ao final deste texto, que foi atualizado às 15h05.

“Uma pergunta: teria mais serventia para o nosso país a criação de 7.343 novas vagas de vereadores ou a criação de 7.343 vagas de médicos atendendo pelo SUS?”

A pergunta acima, que da melhor forma resumiu a farra da criação de vagas para mais vereadores patrocinada pelo Senado, não é minha, nem de qualquer outro jornalista, mas de Cláudio Navarro Silveira, de Belo Horizonte, e foi publicada no Painel do Leitor da Folha.

De uns tempos para cá, tenho observado que os leitores mantêm mais acesa sua capacidade de se indignar com as barbaridades cometidas no Congresso Nacional do que nós, jornalistas. Basta ver as seções de leitores dos jornais e os comentários na internet.

Para não deixar o leitor Silveira sem resposta, diria que, sim, teria mais serventia contratar médicos, ou professores, policiais ou garis, economizando o dinheiro para empregar em coisas mais úteis _ como a construção de escolas, por exemplo.

O custo do mandato de cada vereador do Rio ou de São Paulo foi calculado em torno de R$ 5 milhões pela ONG Transparência Brasil _ mais do que o de um parlamentar de dez países, entre eles Alemanha, França e Reino Unido, como a Folha publicou hoje.

Disse bem o presidente Lula em seu papo no café de final de ano com jornalistas em Brasília: “Não são 7 mil vereadores que vão resolver os problemas das cidades”.

A farra da criação de novas vagas nas Câmaras Municipais para suplentes de vereador foi patrocinada por senadores de todos os grandes partidos, com apenas cinco honrosas exceções, que merecem ser destacadas: Cristovam Buarque (PDT/DF), Kátia Abreu (DEM/TO), João Pedro (PT/AM), Raimundo Colombo (DE|M/SC) e Tião Viana (PT/AC).

O obscuro senador Demóstenes Torres (DEM/GO), trazido à ribalta por um suposto grampo de conversa dele com Gilmar Mendes, presidente do STF, sempre de plantão para atacar o governo, criticou a decisão da mesa diretora da Câmara que barrou a emenda aprovada no Senado:

“Surfar na onda da moralidade é fácil demais. Ele jogou para a galera porque agora todo mundo é contra”, desdenhou Demóstenes, um surfista em tempo integral nesta modalidade, ao criticar o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia.

Mas a hipocrisia de um notório arauto da moralidade, que disputa os holofotes com Demóstenes, não escapou da observação de um outro leitor da Folha, Sandro Ferreira, de Ponta Grossa, no Paraná:

“O senador Álvaro Dias, em que eu votei na última eleição, envergonhou-me com sua declaração de que `é uma pressão enorme, não podemos desamparar nossos amigos´”.

Como se vê, os políticos podem contar com a boa vontade de colunistas distraídos ou cansados, mas os leitores, seus eleitores, continuam atentos.

Em tempo: fui dar uma olhada agora nos comentários e fiquei assustado.

O que eu escrevi acima é uma bobagem, café pequeno perto da revolta demonstrada pelos leitores do Balaio (vale a pena dar uma olhada aí abaixo no que eles escreveram).

Sábado, normalmente, é um dia fraco na internet, de poucos comentários. Mas, em poucas horas, este post sobre a farra dos novos vereadores registrou mais de 160 comentários.

Os leitores começaram questionando para que serve um vereador (também não sei mais), além de dar nome de ruas e títulos de cidadão, e agora já estão propondo o fechamento do Senado e do Congresso Nacional.

Calma lá! O maior perigo destes desatinos dos parlamentares é alimentar gente que tem saudades da ditadura e prega o voto nulo.

A desilusão e a revolta dos leitores são tão grandes que até um suplente de vereador, Tallis Valente, que postou seu comentário às 14h45, criticou a emeda aprovada pelo Senado.

Espero que os senhores parlamentares da Câmara e do Senado leiam o que os leitores, seus eleitores, estão escrevendo sobre eles nos blogs e nos sites.

Em tempo 2: continua no ar a enquete para eleger os/as “Malas do Ano” aqui no Balaio. A votação termina segunda-feira, quando vou anunciar os vencedores.

Por enquanto, está havendo uma quase unanimidade sobre o “Mala do Ano”, como vocês podem ver no post sobre a enquete, e poucas surpresas nas outras categorias. 

Votar é ainda o melhor jeito de participar da democracia. Votem!

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
19/12/2008 - 10:17

O que o leitor espera de bom em 2009?

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Internet não é interatividade? Pois, então, nada melhor nesta época de festejos, em que todos fazem previsões para 2009, do que dirigir esta pergunta aos leitores do Balaio, que também devem estar fazer seus planos para o ano novo.

Ou não dá para esperar nada de bom? Eu já fiz a minha parte. Desde a semana passada, estou ouvindo e publicando as previsões de personalidades de diferentes setores com quem encontro nestas festas de final do ano. Já ouvi Muricy Ramalho, Guido Mantega, Benjamim Steinbruch, William Waack e Sérgio Valente.

Eles todos, como eu, também esperam coisas boas para o país e em suas vidas, apesar de todas as nuvens escuras no horizonte da economia mundial. Hoje o Balaio recebeu a resposta do grande Washington Olivetto, o corinthiano Chairs Man (não é chique?) da W/Brasil:

“Espero que este 2009 seja dentro do campo tão bom quanto a notícia do Ronaldo no Corínthians foi até agora fora do campo”.

Agora é com vocês.

Malas do Ano

O Balaio lançou na terça-feira uma enquete entre os leitores para eleger no voto direto do iG os e as Malas do Ano, os brasileiros que se destacaram por perturbar a vida alheia em diferentes setores da nossa vida.

A idéia original é do coleguinha Artur Xexéo, colunista e editor do Segundo Caderno de O Globo, que há anos promove este simpático concurso de Malas do Ano.

Não deixe de participar. O Balaio já recebeu mais de 100 votos e o resultado será anunciado antes do Natal para que os premiados possam comemorar…

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
18/12/2008 - 09:40

Sérgio Valente vai de 3-3-6 em 2009

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Recessão? Depressão? Falências? Concordatas? Desemprego? Quebradeiras? 

Como meus coleguinhas, em suas previsões para 2009, já esgotaram todas as previsões de perigos e desgraças, resolvi ir na contra-mão e comecei a perguntar aos amigos o que eles esperam de bom no próximo ano.

Comecei na semana passada pelo Muricy Ramalho, o tri/hexacampeão tricolor, e depois fiz a mesma pergunta a Guido Mantega, ministro da Fazenda, William Waack, do Jornal da Globo, e Benjamim Steinbruch, um dos maiores empresários do país _ e nenhum deles previu o fim do mundo. Ao contrário, apesar de tudo, esperam coisas boas (ver posts anteriores).

Hoje é a vez de sabermos o que espera de bom em 2009 o meu amigo Sérgio Valente,  eleito publicitário do ano pelo Prêmio Colunistas, jovem baiano que é presidente da DM9DDB, uma das maiores e mais criativas agências brasileiras.

Como redator dos bons, Valente me mandou por escrito seus “pensamentos de uma crônica futebolística”:

Um ano 3-3-6

Por Sérgio Valente
 
Um dia desses, em um almoço com amigos, me perguntaram como eu acho que será o ano de 2009. Pois bem, quem gosta de futebol vai entender o que vou dizer.

Eu acho que 2009 – e é assim que eu vou trabalhar -  será um ano 3-3-6. Em outras palavras, será um ano com três na defesa, três no meio de campo e seis no ataque.
 
Os três primeiros meses do ano serão meses assustados, na defensiva. Os três meses seguintes serão meses de meio de campo: um período de muito gerúndio em que não se realizará muito, mas em que se construirá tudo o que virá em seguida. E nos seis últimos meses do ano iremos ao ataque, com uma atividade econômica em um ritmo tão forte como há muito não se vê.
 
E por que isso vai acontecer? Bem, no primeiro trimestre, logo em janeiro, o país aonde está o foco de toda a crise, os Estados Unidos, passará pela mudança de governo.

No dia 20 de janeiro, Barack Obama vai assumir a presidência e terá que adotar medidas rápidas e fortes de reaquecimento econômico. E não poderão ser medidas protecionistas.

A economia americana por si só não se basta, ela é totalmente globalizada, e fechá-la com medidas de excessiva proteção não fará sentido. Obama terá, então, que aproveitar este primeiro trimestre para tomar medidas que alavanquem a economia.
 
Essas medidas vão demorar de 30 a 60 dias para começar a surtir efeito. Esse período fecha os três primeiros meses assustados. Isso significa que o mundo vai começar a funcionar depois do fim de fevereiro.

E aí entra um pouco de antropologia a favor do Brasil. O que acontece no fim de fevereiro por aqui? O carnaval. Todas as grandes decisões que impactam a economia brasileira são tomadas, historicamente, depois do carnaval.

Se as decisões no Brasil estivessem sendo tomadas agora, elas estariam contaminadas por essa incerteza, por esse clima que está no ar. Mas, por uma questão cultural, nossas principais decisões serão tomadas justamente quando a economia mundial estiver começando a mudar, com um clima já bem diferente do que existe hoje.
 
Além disso, por aqui, estes primeiros meses serão sustentados por decisões que foram tomadas antes da crise. Afinal, estaremos num período em que o consumo é intenso.

Teremos os lançamentos das linhas 2009, os resquícios das festas de fim de ano, o verão, o carnaval, o início do período escolar. O País vai bombar, de maneira mais cautelosa, mas continuará a funcionar.  Todo mundo vai aproveitar o carnaval e só depois, como de hábito, virão  as grandes decisões.
 
No segundo trimestre, o humor geral do mercado já mudou e as decisões estarão sendo tomadas. O navio vai embicar para cima, impulsionado pelas decisões tomadas pelo governo americano nos primeiros três meses do ano. Este será um período gerúndio, ou um período meio de campo, em que as grandes jogadas estarão sendo preparadas.
 
Mas, quando virar junho, e as pessoas e as indústrias perceberem que perderam um trimestre assustadas e um trimestre no gerúndio, vão querer fazer em seis meses o que não foi possível fazer antes.

É por isso que acredito que os últimos meses de 2009 serão extremamente vigorosos. Em atividade econômica, os últimos seis meses valerão por um ano inteiro.
 
Em meus pensamentos de uma crônica futebolística, acredito que o ano que vem será um ano 3-3-6. Qual é o risco? Quem gosta de futebol sabe que quando o time vai todo para o ataque, a defesa fica desguarnecida.

Mas o brasileiro gosta mesmo é de vitória. E vitória se faz com gol e não segurando um zero a zero. E que venha 2009, o ano em que a DM9 completa 20 anos.

2009, 20 anos da agência DM 09. O ano da agência, o ano do Brasil. 

Muricy vai de 7-4-4

Mais animado do que Sérgio Valente, só encontrei Muricy Ramalho, a estrela da pizzada do Faustão, no começo da semana passada, em que ele não parava de receber cumprimentos pelo terceiro título brasileiro consecutivo conquistado no São Paulo.

No final do jantar, depois de falar maravilhas do jovem meia Oscar, de 16 anos, que para o técnico é o novo Kaká, apontei para os números 6-3-3 da minha camisa, que o São Paulo mandou fazer para comemorar o hexa: são agora 6 títulos brasileiros, 3 mundiais e 3 sul-americanos.

E perguntei ao Muricy quais números desta camisa mudarão em 2009. Marrento como sempre, mas excepcionalmente de bom humor, Muricy olhou, olhou, e lascou:

“Se depender de mim, muda tudo. Vai ficar 7-4-4…” 

Mala do Ano

Ontem o Balaio colocou no ar (ver post abaixo) a enquete para escolher no voto direto dos leitores as/os Malas do Ano, uma criação original do Artur Xexéo, colunista e editor do Segundo Caderno de O Globo, que resolvi importar para São Paulo.

Participe. O voto é livre. 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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