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12/11/2008 - 12:21

O maior perigo é a perda de confiança na lei

É preocupante o tom dos comentários enviados por leitores/eleitores nos últimos dias, não só para este Balaio, mas para outros blogs jornalísticos que tratam do imbroglio armado em torno do caso Daniel Dantas, envolvendo STF, Polícia Federal, Abin, Ministério da Justiça e Gabinete de Segurança Institucional.

A cada dia aumentam a indignação e a revolta de cidadãos inconformados com as investigações da Polícia Federal sobre o trabalho do delegado Protógenes Queiroz, que prendeu duas vezes o banqueiro Dantas na Operação Satiagraha, a pedido do juiz De Santis, duas vezes desautorizado por Gilmar Mendes, o presidente do STF, que mandou soltá-lo. 

Parece que as pessoas estão perdendo o medo de se manifestar e, mais do que isso, o respeito pelas instituições e por seus responsáveis. Sou do tempo em que até jornalistas temiam criticar militares, policiais ou juízes, despejando sua ira apenas em políticos, técnicos e árbitros de futebol.

Agora, no território livre da internet, cada um fala o que sente e pensa, sem precisar de intermediários, alimentando um debate sobre questões nacionais como nunca antes se viu na imprensa tradicional.

Mais do que nós jornalistas, são cidadãos de variada formação profissional discutindo os rumos desta crise do aparelho jurídico-policial do Estado que se arrasta há semanas, sem que haja qualquer sinal de um desfecho pacífico a curto prazo.

A participação popular nos debates propiciada pela internet é saudável e deve ser estimulada, mas o processo está tomando um rumo perigoso de perda de confiança na lei e nas instituições responsáveis pelo seu cumprimento, como constata o cientista político Bruno Lima Rocha, em artigo publicado hoje, no blog do Noblat:

“Estamos diante de uma encruzilhada. Por um lado, a cidadania aprova a Operação Satiagraha, aplaudindo com sentimento de justiça a ação dos agentes da lei. De outro, o senso comum indica que a Justiça é seletiva e inverte valores.

Vemos os investigadores serem investigados pelo orgão ao qual servem. Isto se dá antes mesmo da PF periciar todas as provas (como os HDs apreendidos desde a Operação Chacal) e chegar a uma conclusão que municie de materialidade a decisão do Judiciário.

A Contra-Operação G falou a que veio e deixou seu recado. Independente do que venha a ocorrer com esta investigação, entendo que o estrago está feito. Dificilmente um brasileiro que paga seus impostos irá aceitar de bom grado uma situação absurda como essa.

Se a crise política de 2005 gerou desconfiança para todo o sistema político-partidário, este caso ratifica a idéia de que a coerção do Estado não é para todos. A conclusão lógica é a noção de que “uns são mais iguais do que os outros”. 

Em outras palavras, se a cidadania constata que a lei não é igual para todos, então cada um pode fazer e seguir a sua própria lei, de acordo com a sua conveniência, um caminho que não costuma levar a finais felizes para ninguém.

O descrédito na lei e nas instituições fica patente nos resultados parciais  (até o meio dia de hoje) da enquete lançada no mesmo blog do Noblat com a pergunta: no que vai dar a investigação do delegado Protógenes Queiroz que resultou na prisão de Daniel Dantas?

Em Nada: 31,5%

Em processos contra o delegado: 60,44%

Na condenação dos investigados: 6,40%

Tudo bem que é só uma enquete, mas é mais ou menos isto mesmo que indicam os comentários dos leitores nos jornais e nos blogs: ou o caso não vai dar em nada ou o delegado Protógenes corre muito mais riscos de ir preso do que Daniel Dantas.

Aliás, está aí um bom tema para uma ampla pesquisa do Datafolha ou do Ibope. Agora que as eleições passaram, estes dois grandes institutos poderiam nos informar a quantas anda a confiança dos brasileiros nas nossas instituições _ sem esquecer, é claro, a própria imprensa.

O que o brasileiro pensa de personagens como Gilmar Mendes, Protógenes Queiroz e Daniel Dantas?

Em tempo: daqui a pouco viajo para Limeira, onde falarei, ao lado do publicitário Saint´Clair de Vasconcelos, sobre ”Novos Rumos da Comunicação”, às 19h30, no anfiteatro Waldomiro Francisco, da ISCA Faculdades. 

Por isso, como não poderei moderar comentários, peço a compreensão dos leitores para evitar ofensas, agressões e demais crimes previstos em lei. Eu ainda confio nas leis e acho que todos devemos defendê-las para garantir a nossa própria liberdade.

No retorno de Limeira, vou viajar com a família, sem levar laptop, para melhor aproveitar a vida, a paisagem e a companhia dos meus netos. Volto no domingo. Até lá.    

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

230 comentários para “O maior perigo é a perda de confiança na lei”

  1. Louren Junior disse:

    Olá kotscho, tudo bem! Que tal uma boquinha na “ex” do Daniel, a “grana” nunca aparece, nos outros paises, primeiro pegam a “grana” do cara (roubada), depois pegam o cara “algemam” e tranficam na cadeia. Aqui no Brasil, pegam o cara “fazem uma filmagem de ficção” com algemas e tudo (agora também proibiram as algemas, coitados ficam muito pesadas|), depois é um vai que vem, um blá blá, que confunde a todos, ninguém sabe mais quem é o bandido (que vira mocinho), aparece a”ex” que continua à adorar o “ex”, não deixa faltar nada em casa, comida, louça lavada, tudo (menos aquilo). Entende! E, a “grana”
    nada de “grana”, o gato comeu, o Delubio guardou, O Dirceu gastou, O Jesuino emprestou (pró irmão), ah! estava esquecendo
    está guardada no Tesouro do Tio Patinhas! Ora bolas!, como poderia esquecer! Ninguém distribui “nadinha” fica tudo guardadinho.
    Abraços aos “pinguços” ao menos estes, por alguns instantes, não se lembram de nada!
    Confundem: Obaraca Obama com “barraca da Brhama”

  2. Nilton Freire disse:

    Se o DEM e o PSDB estao de bico fechado na camara e no senado, eh porque a podridao esta correndo solta… todo mundo de bico calado… ninguem se pronuncia….. por que nao fazem uma LEI condenando os corruptos a 90 anos de prisao em regime fechado? sou a favor da escuta porque nao tenho nada a esconder ao contrario de politicos, juizes (STF), ministros, etc…
    quem vai acreditar na Lei com estes corruptos no poder?
    Fora com todos eles….

  3. Boa Tarde, amigo RK e a todos os colunistas, deste espaço tão importante e democrático, onde expomos nossas opiniões, comentando os mais variados assuntos.
    Jamais encarei as leis como algo temerário, mas sim, necessário. Regras que conduzam com seriedade os passos de uma sociedade, para que jamais atuam em detrimento do direito alheio.
    Contudo, as diversas interpretações levadas à efeito, usando das perspicácias (hoje chamadas de técnicas) tão peculiares aos que elas manipulam, realmente leva à todos uma sensação de nunca terem o direito de verem protegido o seu direito. Desculpem o trocadilho. E…isso ocorre banalmente na atualidade, deixando pasmo e inconformado o cidadão ordeiro, trabalhador e honesto.

  4. Olhe o erro! o certo é atem. Desculpem.

  5. Nossa! Tem porblemas aqui no teclado. o Certo é atuem.

  6. Achei o problema, é este quem está digitando. rsss

  7. Esqieci de esclarecer: Todas as brechas encontradas na ”LEI” são frutos dessa ”técnica” que me referi e enquanto ela existir, sob o concenso de todos, teremos todas inversões de valores imaginaveis.

  8. Ricardo Casella disse:

    E se os delegados da PF liberassem todas as informações dos inquéritos, que segundo dizem, abalariam as estruturas das instituições da República?
    Ou tudo não passa de blefe?
    Ou as coisas estão indo até o ponto conveniente para o governo(presidente e ministros), que pelo menos agora, tem excelentes motivos para não terem mais que receber o gangster Dantas que até há um tempo atrás entrava nos gabinetes de ministros para pressioná-los.Como se diz “mijava de porta aberta” no gabinete do presidente e de qualquer ministro da República.

  9. batista disse:

    É urgente a realização de uma Assembléia Constituinte, diante da colcha de retalhos que virou nossa Constituição. Se constata que as diretrizes fundamentais que deveriam nortea-la são ignoradas como a de que “todos são iguais perante a lei”; “ a igualdade, a Justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna comprometida com a ordem interna, sob a proteção de Deus”. A Constituição sendo manipulada com leis imorais, de distribuição de privilégios e impunidades, diferenciando nacionais, sendo uma afronta a Nação.
    A mídia e as leis devem observar os valores morais e civismo, pois a não observância de tais parâmetros acarreta a deterioração na convivência social . As leis e os meios de comunicação tem a responsabilidade de observarem os valores da maioria da sociedade com condutas sadias visando o desenvolvimento da educação de qualidade, a saúde metal e física da juventude em formação. Cada um faz da vida o que bem entender, mas não se pode aceitar toda conduta sem restrições, já que certamente corromperá aqueles de pouco desenvolvimento mental ou cultural. A mídia em especial atende mais a interesses econômicos, visando ao lucro a qualquer custo, especialmente no horário dito nobres, não sendo páreo para o nosso deficiente sistema educacional. A humanidade não se extinguiu como ocorreu com outras espécies animais, por ser cultural, possibilitando superar as intempéries e chegando a outros planetas.

  10. Fernando disse:

    A sociedade brasileira de alguma forma está degenerada e pervertida em seus valores. O individualismo e o consumismo nos tornou anestesiados com as cotas, os mensalões, o poder injustiçador( vulgo judiciário) os mst, as quadrilhas que se entitulam legislativo e os funcionários públicos socialistas com seu dinheirinho certo ao final do mês que são contra o lucro e o trabalho…verdadeiramente não é de hoje o descrédito e a vergonha de ser brasileiro se cristalizando em quem não é funcionário ou recebedor de alguma bolsa isso ou aquilo…

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