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04/11/2008 - 11:10

Mídia e eleições: a preocupação do leitor

Tenho recebido muitas mensagens de leitores me cobrando uma posição sobre a cobertura feita pela mídia nas últimas eleições municipais. Evitei até agora entrar nesta polêmica porque não é este o objetivo do Balaio, que se propõe mais a contar histórias da vida real, sem entrar nos bate-bocas que alimentam outros espaços do gênero.

Só resolvi agora escrever sobre este assunto depois de ler a mensagem que me foi enviada ontem à noite, às 22h13, pelo leitor Pedro Augusto. Ela resume a preocupação de outros comentários enviados ao Balaio nas últimas semanas e por isso a trouxe aqui para o post:

“Kotscho, boa noite. Por favor, caro amigo, exponha no seu blog algo sobre a influência da mídia nas eleições, uma vez que tenho ouvido falar que alguns orgãos de imprensa falada e escrita já estão fazendo campanha para as eleições de 2010. Segundo informações, está havendo falta de ética, pois esses orgãos de imprensa (principalmente a de São Paulo) divulgam algo irrelevante para sobrepor o candidato protegido. A população tem que ser esclarecida do que começa a ocorrer. Tem gente manipulando a população”.

Pelo jeito, Pedro Augusto deve ser um leitor bastante jovem pois ainda fica indignado com práticas já bastante antigas nas relações da mídia com a política e a sociedade.

A grande novidade dos últimos tempos, caro Pedro Augusto, é que agora não tem mais leitor bobo nesta história. As pessoas estão descobrindo cada vez mais o que há por trás da política editorial de cada veículo da mídia que é camuflada sob a forma de notícias isentas.

O público consumidor de informações está deixando de ser o agente passivo da história, que antes estava habituado a receber o prato feito, e começa a exigir seus direitos e a denunciar, como diz o leitor Pedro Augusto, que “tem gente manipulando a população”.

Só esta percepção já é um enorme avanço em direção à democratização das informações que está sendo estimulada pela crescente participação do leitorado na internet.

Apenas para dar um exemplo ao Pedro Augusto do longo caminho que ainda temos pela frente para que a nossa imprensa comece a respeitar mais a sua clientela vou citar um exemplo do mais puro anti-jornalismo. 

Mesmo quando imaginava que já tinha visto de tudo nesta publicação, confesso que fiquei chocado ao ler as páginas amarelas da Veja desta semana. Em entrevista com Demétrio Magnoli, apresentado como ”sociólogo e doutor em geografia humana”, além de colunista de jornais, o editor Diogo Shelp nem procura disfarçar: está ali apenas para levantar a bola e instigar o dócil interlocutor a reforçar as teses da revista.  

A começar pelo título _ “Uma vitória da razão”, atribuída, é claro, à oposição ao governo Lula _ trata-se de três páginas editorializadas com o mais puro pensamento vejiano apresentado em forma de entrevista.

Foi Magnoli, um neocon até outro dia desconhecido, transformado repentinamente em sábio de plantão, mas poderia ter sido qualquer outro afinado com as teses da Veja, que o resultado seria o mesmo. O que importa não são as respostas dele, mas as perguntas, que já embutem o que a revista quer ouvir.

Alguns exemplos de perguntas:

O senhor acredita que o preconceito contra a direita tende a diminuir?

Pode-se dizer que a ideologia serviu de pretexto para a corrupção do PT?

A vontade de ser partido único não é um anacronismo?

Por que a universidade brasileira ainda é um centro irradiador do marxismo?

O que explica a ascenção desta esquerda obsoleta em países da América Latina?

Pelas perguntas, o leitor pode imaginar quais foram as respostas…

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

93 comentários para “Mídia e eleições: a preocupação do leitor”

  1. Thiago A. C. disse:

    Enquanto isso a classe média lê a Veja e a toma como a bíblia da política brasileira…
    O que é pior a revistinha semanal posa de imprensa livre, isenta, imparcial. Enquanto isso, Carta Capital continua escrevendo o que bem entende, dentro dos moldes democráticos. Uma revista de esquerda que assume sua ideologia e seu papel de construtor da opinião.

  2. Tales disse:

    Ricardo, você falou exatamente o que eu ia escrever no meu blog agora, e por isso só vou publicar uma foto da Veja (estou recebendo 6 edições de presente, jamais assinaria esse panfleto elitista).

    Não é só essa entrevista absurdamente enviesada, o artigo do terrível Reinaldo Azevedo vai pelo mesmo caminho, bem como outras partes deste veículo.

    Parece que, após permanecer um tempo quieta, com a vitória de Kassab em SP e a crise econômcia mundial, a Veja se animou a conspirar de novo para o ‘fim do PT’.

    Um abraço e parabéns!

  3. Luiz disse:

    Kostcho, sempre fui contra a informação da Veja, pelo menos em sua conotação política, porém a desinformação do (e)leitor que é a causa disso. Cada um trabalha para aquele que paga o seu salário, com os veículos de mídia impressa não é diferente. É assim com a Veja, com Carta Capital e também com o jornalzinho da minha cidade, um abraço.

  4. Caro, Ricardo

    Sem meias palavras, admito que foi direto ao ponto. Posso dialogar com a revista (in)veja e responder às dóceis perguntinhas?

    (in)veja O senhor acredita que o preconceito contra a direita tende a diminuir?
    Tato: Não há crença, pois política não é uma religião; portanto, não é uma questão de fé. A direita no país está convalescendo, só falta puxar os aparelhos que mantém o vegetal em estado de morte cerebral, morrer.

    Pode-se dizer que a ideologia serviu de pretexto para a corrupção do PT?
    Tato: Pode-se dizer que a falta de ideologia é pretexto para a corrupção escancarada nos governos paulistas ao longo de 2 décadas seguidas?

    A vontade de ser partido único não é um anacronismo?
    Tato: A sua vontade de impor idéias uníssonas são anacrônicas e descoladas da realidade.

    Por que a universidade brasileira ainda é um centro irradiador do marxismo?
    Tato: Não há pensamento dominante nas universidades, elas refletem apenas teses defendidas pelos mais diferentes segmentos da sociedade.

    O que explica a ascenção desta esquerda obsoleta em países da América Latina?
    Tato: A ascenção de uma determinada práxis é consequência direta da obsolescência da anterior, e é assim que deve ser.

    Forte abraço
    http://tatodemacedo.blogspot.com/

  5. janaina gomes de moura disse:

    Vamos dizer NÃO para esse jornalismo tendencioso, manipulado, faccioso e parcial.

  6. Mary disse:

    A mídia não muda, basta ver o comportamento com alguns políticos. De uns, eles exageram mentem e deturpam, de outros escondem descaradamente.

  7. Simei disse:

    O único protesto que pude fazer contra o grupo “Abril e Veja”, foi o que fiz. Deixei de ser assinante

  8. Maurício disse:

    Nâo sei por que (ou até sei), mas toda publicaçâo que costuma trazer reportagens sobre a corrupaçâo, os roubos e os devaneios praticados pelo governo Lula (todos eles até agora 100% comprovados), costuma ser taxada por alguns de parcial, corrupta, inimiga da pátria, etc. Vocês queriam que eles escondessem a verdade? É proibido falar mal do governo Lula? Vocês sâo favoráveis que essas revistas e jornais devem ser fechados como aconteceu na Venezuela de Hugo Chaves? Os jornalistas devem ir para o paredâo como acontece até agora em Cuba? Ainda bem que vocês são uma pequena minoria retrógada, pois a Revista Veja continua sendo a maior revista do hemisfério sul, os jornais Folha e O Estado de Sâo Paulo continuam sendo os maiores de nosso país e seus editores, jornalistas e repórteres continuam sendo os melhores, mais sérios e mais bem pagos da imprensa brasileira. O restante sâo jornalistas amigos do presidente Lula ou revistas tipo Carta Capital que é publicada pela gráfica do pt e lida apenas por eles mesmos onde só se fala de coisas favoráveis para eles mesmos (coisas ruins sâo terminantemente proíbidas). A populaçâo realmente está ficando esperta… um dia para azar do pt até os menos informados deverâo ficar.

  9. Simei disse:

    Mauricio, você esta enganado. Uma coisa é jornalismo, outra coisa é fabricar notícias. Só quem tem tendência ou afinidade com a oposição, para não ver que a Revista Veja é tendenciosa. É nítida a preferência do grupo Abril pela impoluridade do presidente Lula. O negócio deles é jogar “titica” no ventilador para ver como é que fica. E não é verdade que tudo que a tal revista publicou ficou provado. Sorte ou não, a imprensa é imunizada contra processo de calúnia, eles acusam, e o acusado tem que se virar para se defender, mesmo não tendo prova contra a tal possivel acusação. Se um de nós (pessoa física) faz uma acusação, ou eu provo o que falo, ou pego processo por calúnia. Deu para entender?

  10. Ale disse:

    É por causa desses maurícios da vida q a nossa política está desta forma. Terrivelmente ridícula!!!!

  11. Luiz Carlos disse:

    No início do ano de 2002, numa discussão política e, já se desenhava uma vitória do PT, fui enfático; Quero que o Lula ganhe mesmo. Quero ver cair a ficha de vez! Quero ver este discurso salvacionista na prática. Acertei em cheio, no alvo. A ficha caiu por completo. Lula assumiu e, disse logo como seria o andar da carruagem; Que o digam os desgostosos do PSOL. O que o governo Lula tem de esquerda, ainda é o discurso, o palanque e os fiés seguidores de sempre, quais são; PC do B que abriga uma filhotada jurássica, entre os quais, velhos sindicatos com velhas mentalidades e os velhos e insanáveis vícios, desde os pelegões de antão. E, também, os de sempre. Os salvadores, os donos da verdade, que se julgam iluminados.
    A política econômica do PT é mais conservadora do que a do governo anteriror -FHC principalmente-. Ninguém imaginaria, em sã consciência, um superávit de 6%. O resgate integral da dívida com o FMI em tempo recorde.
    Lembrando que, o primeiro encontro com chefe de Estado do presidente Lula, antes da posse, foi exatamente com o presidente Bush. Deste encontro, já não se duvida mais; foi traçado o esquema geral. a sinopse. O BC ficaria com gente de ”confiança”. Os contratos seriam cumpridos. E foram.
    A primeira proposta do PT, foi a emenda da previdência. Uma proposta que, sozinha, no conceito, já derrubaria todas às fichas que ainda restassem.
    E, francamente; pior se não fosse assim.
    Viva a incoerência e a demagogia. Foi a salvação do desastre.
    A Veja e os grandes jornais, não são panfletos de sindicatos.

  12. José da Silva disse:

    Ricardo,

    uma coisa que me chama atenção, e o volume de e-mails que recebo com ofensas pesadas ao governo, alguns possuem uma elaboração razoavel, mas tenho está claro que o e-mail assumiu o lugar da imprensa marrom, e nesse item a oposição tem o monopolio, pois não recebi um unico e-mail atacando a oposição.

  13. Andarilho disse:

    Assino Veja. Amo os textos da Dora Kramer, colunista do Estadão. Concordo com o Maurício.

    A liberdade de expressão e pensamento é Democracia.
    Os que se sentem indignados com as reportagens MARAVILHOSAS e VERDADEIRAS da Revista Veja que vão morar em Cuba, uma ilhota miserável chefiada por imbecil e que os imbecis daqui adoram puxar o saco. Vão pra Cuba, vão turminha! Esse governo atual é o mais corrupto de que se tem notícia, mas o pior cego é que não quer enxergar.
    O José Genoíno dizia: “o PT não rouba e não deixa roubar” Cadê essa figura? Por onde andará? Tá sumido o moço.
    Se concordam com toda essa bandalheira patrocinada pelo PT, é porque se beneficiam dela ou é burrice mesmo.
    O PT usa a Democracia, porém não a aplica. Querem calar a boca daqueles que lhe são contrários. Isso é autoritarismo e ditadura!

  14. Rogério disse:

    Conto o milagre, mas não o santo. Apenas para exemplificar um pouco o artigo do Kotscho: fui assessor de imprensa por três anos, de 2005 a 2007, de um prefeito petista do interior de São Paulo. Um belo dia um produtor da Veja nos ligou, queria montar uma matéria sobre a cidade, passei algumas informações e o produtor me disse: “você precisa documentar melhor os dados da cidade, é possível que façamos uma matéria falando bem de uma administração petista, pois você sabe, quando é o PT nós falamos mal mesmo”. A cidade não saiu na Veja.

  15. Luiz Carlos disse:

    Até o ano de 2001, um paciente que precisasse de uma cirurgia ortopédica no INTO (Instituto Nacional de traumaortopedia) do Rio de Janeiro – uma prótese de quadril, por exemplo- teria que aguardar por um período de mais ou menos um ano e meio. Hoje este tempo de espera passa de cinco anos.
    A degradação neste período, foi rápida. No início do primeiro mandato do presidente Lula, aparelharam tanto o INCA (Instituto Naional do Câncer) também do Rio que, os médicos, oncologistas respeitados, se demitiram em massa. Foi preciso a intervenção direta do Presidente Lula na desaparelhagem. Lula, num gesto nobre, tirou os ”boquinhas” todos do INCA.. Aí sim, os verdadeiros doutores voltaram.
    É a ficha caindo.
    Imprensa livre não é panfletária.

  16. Marcelo disse:

    Concordo com o que foi escrito pelo Maurício. Sou leitor da revista Veja e considero uma publicação muito séria. Neste últimos anos pude ler diversas reportagens favoráveis ao governo Lula, assim como outras tantas desfavóraveis, porem nunca li nada contrário ao governo escrito por algumas publicações e alguns jornalistas, dentre os quais incluo o próprio Ricardo Kotscho, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Mino Carta, etc. Nem o mensalão foi criticado por essas pessoas, preferiram colocar a culpa no governo FHC ou entâo afirmaram que ele jamais existiu, disseram que essa prática foi adotada pelo governo anterior, como se isso isentasse de culpa o atual governo, isso sim para mim é ser parcial. Todo jornalista gostaria de trabalhar numa revista igual a Veja, sâo milhões de leitores e mais de 40 anos de credibilidade e de luta pela democracia. Como nem todos conseguem, entâo passam a critíca-la, chamam-na de pig e de outros nomes que nâo vale a pena mencionar. Não vi nenhuma parcialiade nas perguntas que foram descritas acima, o entrevistado poderia responder concordando ou nâo com as indagações. Vejo sim muita falta de espírito democrático por parte de alguns, que desejam de todas as formas proibir a livre imprensa, proibir críticas e apontar erros do governo atual. Lembro-me do episódio do jornalista do New York Times que afirmou que nosso presidente gostava de tomar umas biritas de vez em quando, lembram-se do que aconteceu com ele. Por acaso ele mentiu? Lembro-me que nosso presidente se calou quando seu amigo Hugo Chaves fechou o principal canal de televisâo da Venezuela por este não concordar com a ditadura que o mesmo implantou na Venezuela. A imprensa tem que ser livre, tem direito de ter opinião, cabe ao leitor concordar ou não com ela. O restante é puro fanatismo sem sentido.

  17. Luiz Carlos disse:

    04/11/2008 – 15:12

    Enviado por: Rogério

    ”Conto o milagre, mas não o santo. “você precisa documentar melhor os dados da cidade, é possível que façamos uma matéria falando bem de uma administração petista, pois você sabe, quando é o PT nós falamos mal mesmo”. A cidade não saiu na Veja.”

    E é por aí mesmo. Desmontar o milagrismo. O salvacionismo, o ”com nós ninguém pode”. Em outras palavras: Desmascarar.
    É preciso dizer, o PT é igual aos outros partidos. Igualzinho em tudo. E eles, os mandantes, estão, como todos, com os olhos voltados para p/ 2010. 2010 não sai da cabeça do PT. O problema, no momento é, como? Com quem? Talvez um mandato de cinco anos, que tal?
    A diferença do PT e os outroa partidos é a gula. Os petistas são insaciáveis. Vai até na cueca…E, falando nisso, cadê o cuequeiro? Tá em alguma boquinha?

  18. Andarilho disse:

    No início do governo petista o loteamento de cargos foi tão absurdo que trocaram a Diretoria desse Instituto. O que aconteceu? Pacientes ficaram sem remédios para o tratamento do câncer. Nao havia mais remédio! Ninguém sabia dar informação, deixaram funcionários de carreira de lado e puseram os companheiros de sindicato, foi isso o que aconteceu e por isso os médicos pediram demissão.

  19. Andarilho para o Marcelo disse:

    Vocês resumiu tudo. Nem vou escrever mais nada.

  20. Lívia disse:

    Kotscho, posso dizer que sou jovem ainda, mas estou calejada quando o assunto é imprensa. Sou jornalista e por isso digo com conhecimento de causa que dá pra contar nos dedos os veículos realmente sérios. Uma pena…

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