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Arquivo de outubro, 2008

26/10/2008 - 11:15

Mais votos para o governo, menos para a oposição

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Alguns leitores do Balaio mais afoitos já estão decretando a morte do PT e anunciando que irão varrer o partido do mapa em 2010.  

Até entendo a empolgação dos demo-tucanos em São Paulo, com a provável vitória de Gilberto Kassab por larga margem de votos e a derrota do PT em outras capitais importantes.

Mas é preciso não brigar com os fatos, como sempre repito aqui. Basta pegar o levantamento da votação do primeiro turno de 2008, com as projeções das pesquisas para hoje em todo o país, publicado pela Folha de S. Paulo, e comparar com 2004, para constatar que os números gerais da eleição municipal mostram exatamente o contrário.

Enquanto os partidos da base aliada, a começar pelos dois maiores, PT e PMDB,  mostram vigoroso crescimento no número de votos, a oposição (PSDB, DEM e o nanico PPS) deve perder mais de 10 milhões de eleitores nesta eleição, segundo o jornal, mesmo com a provável vitória de Kassab em São Paulo.

Aos números:

O PT, que tinha 16,9 milhões de eleitores em 2004, deve passar para 19,6 milhões em 2008. O número de prefeituras do partido já passou de 411 conquistadas em 2004 para 548 no primeiro turno e tem boas chances hoje em 12 cidades de médio e grande porte, podendo passar a faixa de 20 milhões de eleitores.

O PMDB aumenta seu eleitorado de 17,1 milhões em 2004 para 23,5 milhões, o maior crescimento entre todos os partidos, e pode chegar a 30 milhões, se vencer no Rio de Janeiro.

Assim, apenas PMDB e PT, entre a constelação de partidos aliados, poderão sair das eleições municipais de 2008 com um eleitorado próximo a 50 milhões. Os outros partidos do governo somados devem ficar com algo em torno de 20 milhões. 

Enquanto isso, os três partidos de oposição somados devem cair de 47,9 milhões de eleitores em 2004 para 34, 9 milhões este ano. Também o número de municípios hoje governados pela oposição caiu de 1.760 para 1.410 no primeiro turno, devendo vencer em mais três hoje (São Paulo, São Luís e Cuiabá).

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/10/2008 - 07:28

Ranking dos temas mais comentados da semana

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A exemplo do que divulgou na semana passada, e pretende apresentar todos os domingos, o Balaio publica abaixo o ranking dos três temas mais comentados da semana neste blog, comparando-os com os do jornal Folha de S. Paulo e da revista Veja, as duas publicações impressas que divulgam este levantamento.

Balaio _ Total dos três temas mais comentados: 1689

Eleições municipais _ 1.126

Caso Eloá (doação de órgãos) _ 294

Internet/mídia _ 269

Folha de S. Paulo _ Total dos três temas mais comentados: 392

Sequestro em Santo André _ 194

Eleições _ 126

Crise econômica _ 72

Veja _ Total dos três temas mais comentados: 310

Crime de Santo andré _ 187

Homicídio em queda _ 90

André Petry _ 33

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/10/2008 - 15:44

Artigo/Frei Betto: O Deus mercado pede perdão

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Recebi agora e partilho com os caros leitores do Balaio um brilhante artigo do meu amigo Frei Betto explicando esta crise do dinheiro que ameaça quebrar o mundo.
É o texto mais didático que já li sobre a crise e acho que deveria ser divulgado nas escolas, nas fábricas e nos escritórios para que todos possam entender as raízes desta crise e suas consequências para todos nos.

PEÇO DESCULPAS 

Frei Betto 

Estou gravemente enfermo. Gostaria de manifestar publicamente minhas escusas a todos que confiaram cegamente em mim. Acreditaram em meu suposto poder de multiplicar fortunas. Depositaram em minhas mãos o fruto de anos de trabalho, as economias familiares, o capital de seus empreendimentos.Peço desculpas a quem assiste às suas economias evaporarem pelas chaminés virtuais das Bolsas de Valores, bem como àqueles que se encontram asfixiados pela inadimplência, os juros altos, a escassez de crédito, a proximidade da recessão.

Sei que nas últimas décadas extrapolei meus próprios limites. Arvorei-me em rei Midas, criei em torno de mim uma legião de devotos, como se eu tivesse poderes divinos. Meus apóstolos – os economistas neoliberais – saíram pelo mundo a apregoar que a saúde financeira dos países estaria tanto melhor quanto mais eles se ajoelhassem a meus pés. Fiz governos e opinião pública acreditarem  que o meu êxito seria proporcional à minha liberdade. Desatei-me das amarras da produção e do Estado, das leis e da moralidade.

Reduzi todos os valores ao cassino global das Bolsas, transformei o crédito em produto de consumo, convenci parcela significativa da humanidade de que eu seria capaz de operar o milagre de fazer brotar dinheiro do próprio dinheiro, sem o lastro de bens e serviços.Abracei a fé de que, frente às turbulências, eu seria capaz de me auto-regular, como ocorria à natureza antes de ter seu equilíbrio afetado pela ação predatória da chamada civilização.

Tornei-me onipotente, supus-me onisciente, impus-me ao planeta como onipresente. Globalizei-me. Passei a jamais fechar os olhos. Se a Bolsa de Tóquio silenciava à noite, lá estava eu eufórico na de São Paulo; se a de Nova York encerrava em baixa, eu me recompensava com a alta de Londres. Meu pregão em Wall Street fez de sua abertura uma liturgia televisionada para todo o orbe terrestre. Transformei-me na cornucópia de cuja boca muitos acreditavam que haveria sempre de jorrar riqueza fácil, imediata, abundante. Peço desculpas por ter enganado a tantos em tão pouco tempo; em especial aos economistas que muito se esforçaram para tentar imunizar-me das influências do Estado. Sei que, agora, suas teorias derretem como suas ações, e que o estado de depressão em que vivem se compara ao dos bancos e das grandes empresas.Peço desculpas por induzir multidões a acolher, como santificadas, as palavras de meu sumo pontífice Alan Greenspan, que ocupou a sé financeira durante dezenove anos.

Admito ter ele incorrido no pecado mortal de manter os juros baixos, inferiores ao índice da inflação, por longo período.

Assim, estimulou milhões de usamericanos à busca de realizarem o sonho da casa própria. Obtiveram créditos, compraram imóveis e, devido ao aumento da demanda, elevei os preços e pressionei a inflação.

Para contê-la, o governo subiu os juros… e a inadimplência se multiplicou como uma peste, minando a suposta solidez do sistema bancário.Sofri um colapso. Os paradigmas que me sustentavam foram engolidos pela imprevisibilidade do buraco negro da falta de crédito. A fonte secou.

Com as sandálias da humildade nos pés, rogo ao Estado que me proteja de uma morte vergonhosa. Não posso suportar a idéia de que eu, e não uma revolução de esquerda, sou o único responsável pela progressiva estatização do sistema financeiro.

Não posso imaginar-me tutelado pelos governos, como nos países socialistas. Logo agora que os Bancos Centrais, uma instituição pública, ganhavam autonomia em relação aos governos que os criaram e tomavam assento na ceia de meus cardeais, o que vejo? Desmorona toda a cantilena de que fora de mim não há salvação.

Peço desculpas antecipadas pela quebradeira que se desencadeará neste mundo globalizado. Adeus ao crédito consignado!

Os juros subirão na proporção da insegurança generalizada. Fechadas as torneiras do crédito, o consumidor se armará de cautelas e as empresas padecerão a sede de capital; obrigadas a reduzir a produção, farão o mesmo com o número de trabalhadores.

Países exportadores, como o Brasil, verão menos clientes do outro lado do balcão; portanto, trarão menos dinheiro para dentro de seu caixa e terão que repensar suas políticas econômicas.Peço desculpas aos contribuintes dos países ricos que vêem seus impostos servirem de bóia de salvamento de bancos e financeiras, fortuna que deveria ser aplicada em direitos sociais, preservação ambiental e cultura.

Eu, o mercado, peço desculpas por haver cometido tantos pecados e, agora, transferir a vocês o ônus da penitência.

Sei que sou cínico, perverso, ganancioso. Só me resta suplicar para que o Estado tenha piedade de mim.

Não ouso pedir perdão a Deus, cujo lugar almejei ocupar. Suponho que, a esta hora, Ele me olha lá de cima com aquele mesmo sorriso irônico com que presenciou a derrocada da torre de Babel. 

Frei Betto é escritor, autor de “Cartas da Prisão” (Agir), entre outros livros. 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/10/2008 - 09:03

Leitores bravos: Balaio apanha dos dois lados

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Uma das melhores coisas da internet é permitir esta interação online entre quem escreve e quem lê. Já tive uma experiência anterior muito gratificante no falecido NoMínimo, um site publicado também aqui no iG .

Mas lá escrevia apenas uma coluna semanal ou quinzenal e conseguia ler e responder quase todos os comentários enviados. Agora, neste nosso Balaio, um blog que entrou no ar há apenas seis semanas, ficou impossível.

Só ontem foram mais de 700 comentários enviados para os dois posts que escrevi sobre eleições. Como à noite fui assistir a uma palestra do monge Naradananda sobre “Paz e felicidade em um mundo em transição”, no encontro da Self-Realization Fellowship, do mestre Yogananda, apenas hoje de manhã consegui dar uma olhada no que os leitores escreveram.

Já que não dá mais para dar respostas a cada um, aproveito esta manhã de sábado para dar uma geral nos comentários enviados para o post “O checão de Kassab e a nova baixaria de Paes”, que está logo aí abaixo no Balaio.

Em toda minha já longa carreira de jornalista, nunca fui tão questionado, xingado, esculhambado. No vale-tudo da guerra sem quartel entre petistas e anti-petistas em geral às vésperas da votação do segundo turno, sobrou para mim, mas não escrevo para reclamar.

Ao contrário, o fato de ser criticado pelos dois lados, mostra apenas que este Balaio é um espaço jornalístico e democrático em que as preferências do autor tanto na política como no futebol não se sobrepõem aos fatos.

Às 18h12, logo que o post entrou no ar, Paulo Borchio questiona: “Ou você por ser do partido (…) os “cumpanheiros” ainda influenciam o seu noticiário mesmo agora fora da casa da viúva?”

Não caro Paulo, não influenciam, como você mesmo pode ver pela mensagem que recebi na sequência, também às 18h12, do leitor Cláudio Márcio:

“A impressão que dá é que você foi pautado para jogar lenha na fogueira da opinião de direita. Sei que você não seria capaz de se corromper a este ponto, mas é esta a impressão que se tem lendo seus últimos comentários”.

Pode ficar tranquilo, caro Cláudio, não seria capaz mesmo. Até porque a direita não teria dinheiro para me comprar. Não tem preço que pague a minha independência e muito menos a credibilidade que conquistei em mais de 40 anos de carreira.

Cláudio, a exemplo de outros leitores, também critica minhas “análises simplistas” e “o raso nivel das opiniões, focados apenas em episódios isolados ou declarações e atitudes menores dos candidatos”.

Neste ponto, o leitor não deixa de ter razão porque a natureza e o ritmo de um blog, em que escrevo várias vezes por dia, são diferentes de um jornal ou uma revista que comportam análises com maior profundidade. Quando quero escrever tudo que penso, faço um novo livro.

Às 18h24, Reinaldo Castro me entrega: “O Kotscho, é sabido, é petista”. Mas não convenceu Leonor Rego Monteiro, que ainda estava em dúvida, às 18h33: “Eu não entendi bem sua posição. Critica, com certeza, mas para que lado?”

O leitor Ricardo E., por sua vez, foi na lata e já se dirigiu a mim assim: “Caro Chapa Branca Kotscho…” Às 19h37, Enio Barroso Filho parece que ficou com dó de mim: “Caro Kotscho, quem mandou você se meter a blogueiro? Tá vendo? É uma enxurrada de bobagem por minuto nos comentários…”

Às 19h44, o comentário do leitor Ruy parece lhe dar razão: “Esse tal de Kotocho (ele escreve meu nome assim mesmo) é parcial. Petista assumido, logo não tem moral para comentar absolutamente nada no que se refere a política”. Por que não tenho? Será que você acredita que os jornalistas não-assumidos são mais confiáveis?

Às 21h13, Carlos vai na direção oposta e mete bronca: “RK, você é tão azarado que mesmo tendo virado casaca ainda tem tucanos e democratas que acreditam em seu petismo”.

Depois dessa, só me resta procurar um psiquiatra na segunda-feira. Afinal, quem sou eu?  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/10/2008 - 17:40

O checão de Kassab e a nova baixaria de Paes

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Os últimos momentos de campanha, antes dos debates de hoje à noite na Rede Globo, prometem fortes emoções em São Paulo e no Rio.

Em São Paulo, o PT reagiu, com razão, à decisão da Justiça Eleitoral, que reconheceu o uso da máquina pública na cerimônia em que Kassab entregou esta semana um checão de R$ 198 milhões ao governador José Serra para obras no metrô, a poucos dias da eleição _ coisa que a Prefeitura não fez antes durante todo o período de governo dos dois.

Com dois metros de comprimento, o checão fake foi utilizado até gastar na campanha de Kassab na televisão, mas a punição da Justiça Eleitoral saiu bem barata: módicos R$5.320,50.

“Na decisão, o juiz reconheceu que houve abuso da máquina e nos deu razão com relação ao mérito, mas aplicou apenas uma multa, pena extremamente branda”, disse Carlos Zaratini, cooordenador da campanha de Marta, que considerou a decisão absurda.

No Rio, embora os dois candidatos tenham passado o dia descansando para o debate, Eduardo Paes foi até a porta da sua casa, na Barra da Tijuca, para conversar com jornalistas e soltou mais uma baixaria contra seu adversário Fernando Gabeira, nesta que é campanha mais suja do país no segundo turno.

“Gabeira defendeu a regulamentação da prostituição, defendeu praia de nudismo, defendeu a legalização da maconha. Esses assuntos fazem com que a população se manifeste”, disparou Paes, cuja campanha também foi acusada hoje de oferecer dinheiro a mesários para fraudar a votação de domingo. 

Se estes temas forem levados aos debates, a noite promete.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/10/2008 - 12:04

Fim de campanha: a rejeição a Marta e ao PT

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Os leitores que me acompanham neste Balaio sabem que prefiro escrever sobre coisas boas, exemplos de superação, amigos e experiências que dão certo e histórias com final feliz, mas nem sempre é possível.

Gostaria de não escrever sobre certos fatos, mas não posso brigar com eles. De todo o caudaloso noticiário sobre as campanhas nesta antevéspera do segundo turno das eleições, o que mais me chamou a atenção foi um pé de matéria do “Estadão” com números da última pesquisa Ibope em São Paulo.

Está ali o resultado do cavalo-de-pau que os estrategistas petistas resolveram dar na virada do primeiro para o segundo turno, após o susto de ver Kassab passar à frente de Marta, que vinha liderando folgadamente as pesquisas desde o início da campanha.

A soberba cedeu lugar ao desespero e os números não poderiam ser mais alarmantes: a pesquisa do Ibope revelou que 40% dos eleitores rejeitam o PT e afirmam “não votar nele de jeito nenhum”. Pior ainda é o índice de rejeição da candidata: 50% dos entrevistados não votariam de jeito nenhum em Marta Suplicy.

Ainda ontem escrevi aqui que o voto anti-PT em São Paulo costuma ficar na casa dos 30%, outros 30% votam historicamente no PT e o restante do eleitorado tem que ser disputado a cada eleição.

Mas os rumos tomados pela campanha de Marta, partindo para o confronto e colocando na roda questões pessoais e não só políticas da vida do adversário Gilberto Kassab _ por mais que agora se queira negar, foi exatamente isto que se fez ou tentou fazer _ só conseguiram aumentar esta rejeição.

Se 50% dos eleitores afirmam que não votariam em Marta de jeito nenhum, isto quer dizer que, independentemente dos números da última pesquisa Ibope (60% dos votos válidos para Kassab e 40% para Marta), ganhar a eleição ficou impossível porque a lei exige 50% dos votos válidos mais um.

Pior do que isto, pois perder ou ganhar uma eleição faz parte do jogo, é a marca negativa que será deixada para a imagem do PT em São Paulo e para a própria Marta em eleições futuras.

Para se ter uma idéia do que significam os 40% da rejeição ao PT em São Paulo, um recorde histórico, no Rio de Janeiro, onde o PT sempre foi fraco e nem chegou ao segundo turno, este índice fica em 14%, menos do que o DEM do prefeito Cesar Maia.  

Antes de encerrar, já vou avisando aos leitores que não se conformam com os fatos, que isto não quer dizer que eu esteja fazendo campanha para Kassab ou vá votar nele, até porque meu título eleitoral é de Porangaba, onde já perdi a eleição.

Em lugar de mais uma vez culpar a imprensa, os adversários ou até os eleitores pelo resultado adverso e a rejeição crescente, espero que ao fazer a avaliação desta campanha municipal meus amigos do PT busquem dentro de casa as razões para as sucessivas derrotas políticas e eleitorais na maior cidade do país.  

   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/10/2008 - 15:55

Clima quente em Salvador, frio em Porto Alegre

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Duas importantes capitais brasileiras vivem climas opostos nesta antevéspera da votação do segundo turno: em Salvador, esquenta o clima com a entrada em cena do governador petista Jaques Wagner, enquanto em Porto Alegre a grande diferença nas pesquisas tira a emoção das campanhas na reta final.

Na mesma noite de quarta-feira em que eram divulgados os novos números do Datafolha, dando 10 pontos de vantagem para o atual prefeito João Henrique, do PMDB, sobre Walter Pinheiro, do PT (50 a 40), Wagner apareceu de surpresa no último comício do seu candidato e soltou os cachorros.

O habitualmente cordato governador baiano não gostou de ser chamado de “lerdo” por João Henrique durante um debate na televisão e revidou: chamou o prefeito de “covarde, mentiroso e traidor”.

Wagner, que vinha se mantendo afastado da guerra baiana, já que o PMDB faz parte da base aliada de Lula e do seu governo, foi em frente e disse que João Henrique não governa. “Quem comanda não é ele. Não sei quem é”, disparou, e todo mundo entendeu.

O alvo dos seus ataques era o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, patrono e avalista de João Henrique, que conseguiu um acordo com o governo federal para manter Lula e seus ministros longe do palanque de Pinheiro, que fez uma campanha solitária.

Por trás da disputa municipal, está a sucessão de Wagner em 2010, pois com a provável vitória do seu afilhado, Geddel se cacifa para disputar o cargo com o atual governador. Mas é bom tomar cuidado com as pesquisas. Em Salvador, o eleitorado gosta de contrariá-las no dia da votação.

Já em Porto Alegre, ao contrário, a divulgação das novas pesquisas jogou um balde de água fria na tentativa de Maria do Rosário, do PT, virar o jogo contra José Fogaça do PMDB.

Com os números praticamente estabilizados no segundo turno, Fogaça mantém uma vantagem de 14 pontos no Datafolha (51 a 37). Há um outro problema para a candidata do PT: 93% dos eleitores disseram estar totalmente decididos, quer dizer, não mudarão mais o voto até domingo.

Esta semana, Maria do Rosário ganhou gravações para seu programa de TV enviadas peplo presidente Lula e por Chico Buarque, mas parece que este apoio chegou tarde demais.

Restam agora os últimos os debates na Rede Globo na noite desta sexta-feira para que o PT reverta o quadro nestas duas capitais. Pelo jeito, vai ser muito difícil.  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/10/2008 - 10:12

As pisadas na bola definem o 2º turno

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Se as ondas formadas ao final do primeiro turno foram confirmadas pelas pesquisas na abertura do segundo, agora, na reta final, são as pisadas na bola dos candidatos que estão definindo quem vai ganhar e quem vai perder.

Segundo as últimas pesquisas Datafolha e Ibope, divulgadas na noite de quarta-feira, das três ondas que o Balaio vislumbrou no dia seguinte à eleição de 5 de outubro, uma já está confirmada. Kassab abriu 18 pontos (54 a 36) de vantagem sobre Marta no Datafolha e 17 no Ibope (53 a 36).

No Rio, a disputa continua pau-a-pau: Paes passou três pontos à frente de Gabeira (44 a 41) no Datafolha e o Ibope dá empate: 43 a 43. É a eleição mais disputada e emocionante deste segundo turno.  

A grande reviravolta aconteceu mais uma vez em Belo Horizonte. Leonardo Quintão, que chegou abrir quase 20 pontos de vantagem sobre Márcio Lacerda, na abertura do segundo turno, o que me levou a escrever que a fatura estava liquidada, agora está 5 pontos atrás (45 a 40) no Datafolha e apenas um (45 a 44) no Ibope. Uma semana atrás, ele tinha 10 pontos de vatagem no Datafolha e 18 no Ibope.

Como parece não haver mais tempo para novas ondas e reviravoltas, as campanhas do segundo turno nas três principais cidades do país apontam para uma característica comum: erros fatais dos candidatos, em momentos decisivos, estão definindo o jogo.

São Paulo _  Sem uma estratégia para diminuir seu índice de rejeição, em torno de 30%, e ir além do índice histórico do PT na capital paulista, também na casa dos 30%, a campanha de Marta Suplicy resolveu partir para o ataque nos debates e nos programas de rádio e televisão, levantando questões sobre a vida pessoal de Kassab. Resultado: não só não diminuiu como aumentou a diferença para seu adversário.

Belo Horizonte _ Com dois candidatos praticamente desconhecidos da maioria da população disputando o segundo turno, a eleição em Belo Horizonte virou uma gangorra, com ondas se sobrepondo, até que o eleitorado descobriu o caráter, a história e as companhias de Leonardo Quintão, do PMDB, que ganhou o abraço de urso de Newtão Cardoso. Márcio Lacerda, do PSB, mudou o comando e os marqueteiros da campanha, deixou seus grandes apoiadores Aécio e Pimentel em segundo plano, mostrou sua cara e sua história e, agora, tudo indica que virou o jogo de novo na reta final.

Rio de Janeiro _  Quando parecia que iria surfar numa onda grande até a praia, Gabeira pisou na bola logo no começo do segundo turno ao chamar de analfabeta política e suburbana a sua aliada tucana Lucinha, vereadora mais votada da cidade, uma líder da zona oeste, onde o candidato era fraco. Perdeu tempo se explicando e pedindo desculpas. Para completar, acusou sambistas de apoiarem Eduardo Paes, do PMDB, em troca de um prato de feijão. Ao mesmo tempo, Paes partia para a baixaria total com panfletos apócrifos e pedradas para ganhar a qualquer preço. Resultado: os dois chegam empatados ao dia das eleições, com leve vantagem de Paes, que é apoiado por Lula e pelo governador Sergio Cabral, enquanto Gabeira contabiliza os apoios de artistas, celebridades e de Cesar Maia, aquele mesmo, o prefeito mais rejeitado do país.

Em tempo: o Balaio também pisou na bola ao dar como faturas liquidadas as eleições em São Paulo e Belo Horizonte logo no começo do segundo turno. Em São Paulo, acertou, mas em Belo Horizonte errou feio. O equilíbrio apontado nas eleições no Rio manteve-se até o final. Coisas do jogo. Agora vamos ver o que nos dirão as urnas no domingo. Chega de pesquisas e palpites. Agora quem manda no jogo é o eleitor soberano.   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/10/2008 - 11:22

Triste final de campanha e um apelo da leitora

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Deixei de escrever sobre a campanha eleitoral esta semana porque a cada dia baixa mais o nível das campanhas em São Paulo, Rio e Belo Horizonte, e isto me deixa triste. Pra falar a verdade, nem tenho o que falar.

A cinco dias da definição do segundo turno, a discussão sobre os problemas e o futuro das nossas grandes cidades cedeu lugar a panfletos apócrifos, ofensas pessoais e agressões físicas.

Não foi certamente para isso que o país foi às ruas em 1984 e inundou o  país nas maiores manifestações populares de nossa história para lutar por eleições diretas.

A baixaria das campanhas acaba se refletindo também na radicalização cada vez maior dos leitores/eleitores, que vão deixando os argumentos de lado e partem para o tudo ou nada, apenas se preocupando em desqualificar e atacar os adversários de domingo.

Uma exceção à regra foi a mensagem que recebi agora há pouco da leitora paulistana Liane Rossi , historiadora e funcionária pública, que defende a candidatura de Marta Suplicy com argumentos civilizados, que podem ser úteis á reflexão dos visitantes do Balaio. 

Em tempo: o espaço aqui está aberto para defensores de outros nomes que defendam seus candidatos sem ofender os outros.

A mensagem de Liane Rossi: 

Queridos,
 
Gostaria de pedir um voto de confiança, não em mim, nem no PT, nem em Marta. É um voto de confiança na cidadania que pessoas muito pobres, a quem nunca conheceremos, que vivem em lugares muito distantes, onde nunca iremos, podem obter com a vitória de Marta Suplicy.

Não precisamos nos enfiar nos recônditos da miséria desta cidade pra saber disso, porque temos informação. E isso é bom, ter informação, uma vida confortável, e nunca perder de perspectiva quem mais precisa da Prefeitura, quem depende do Estado pra tudo.
O que não é bom será privar essas pessoas de uma vida melhor, da possibilidade de cidadania, somente porque nos ressentimos da perda de nossas ilusões e sonhos de uma vida _ no meu caso, de trabalho apaixonado desde os 16 anos, no movimento secundarista.

O que eu quero pedir é que neste domingo a gente vote com consciência de que não tem mensalão, cuecão, dossiê, conta de caseiro ou qualquer coisa que nos faça perder o foco da luta da nossa juventude: melhor distribuição de renda, atendimento das demandas sociais, governo voltado pra quem precisa mais.

Posso me dar ao luxo de dizer que na minha vida pouca implicância tem a vitória de Marta ou Kassab, mas na minha história de vida, faz muita diferença. Nas crenças que escândalos não destroem, faz muita diferença.

Por isso, me atrevo a pedir o voto em Marta. Por isso, não perdi as esperanças. Porque tenho orgulho do país que elegeu o torneiro mecânico que me encantou nas greves do ABC e que me encanta com os tão criticados programas de inclusão, chamados de assistencialistas, justamente chamados, e justamente criados, porque o papel do Estado é assistir ao cidadão, prover, cuidar e permitir que se desenvolva e deixe de receber passivamente e passe a cobrar.

Um beijo

Liane

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/10/2008 - 10:04

Importante é a vida, internet é só um meio

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Quando lhe perguntam sobre a importância da sua obra para a arquitetura brasileira, o grande Oscar Niemeyer, firme e forte às vésperas de completar 101 anos, costuma responder com uma grande lição para todos nós:

“Importante, meu filho, não é a arquitetura… Importante é a vida…”

Para ele, a arquitetura é apenas um instrumento, um meio de expressar seus conhecimentos e sentimentos, não é um fim em si mesmo, não é uma razão de viver. É justamente o contrário: suas razões de viver é que fazem da sua arquitetura uma arte única e admirada.

Para mim, o homem é sempre mais importante do que sua obra, qualquer que seja seu tamanho. Assim também encaro o jornalismo, que exerço com paixão desde a adolescência, a ponto de minha mulher às vezes reclamar dizendo que me dedico mais à profissão, sua grande rival, do que a ela.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, já trabalhei em diferentes meios e plataformas, como se diz hoje em dia, e agora estou aqui na internet cuidando deste Balaio, ainda aprendendo a lidar com esta grande novidade nas comunicações humanas.

“Kotscho, logo se vê que você é novo nisso!”, escreveu-me com toda razão o “Leitor Atento”, um comentarista habitual deste espaço, ao me criticar pelo post de ontem sobre o anonimato na web que ainda me incomoda neste trabalho.

Para provar que é bobagem minha reivindicação pedindo que os leitores se identifiquem com nome e sobrenome, “Leitor Atento” usou um outro nick: “Carlos Alberto Barbosa Dantas”. De fato, este parecia ser verdadeiro…

Foram cerca de 100 leitores até agora há pouco que se manifestaram sobre o texto “A lei e a covardia dos anônimos da web”, que escrevi em resposta a um estudante que me questionou sobre este tema durante um debate ontem de manhã na Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero.

A maioria, como constatou a leitora Rita, defendeu os nicks, quer dizer, a necessidade de manter o anonimato na internet pelas mais variadas razões. O primeiro a se manifestar, o leitor José da Silva, me deu um motivo no qual nunca havia pensado: muitos comentaristas escrevem do seu local de trabalho e não querem deixar rastros que possam chamar a atenção de seus chefes.

O post acabou provocando uma boa discussão entre os próprios leitores, que é uma das razões de ser deste Balaio: estimular o debate sobre temas que são de interesse de todos nós.

Teve gente que entendeu o texto como uma intimidação aos leitores anônimos, a exemplo de J. Luis, que enviou comentário às 8h08 de hoje.

Nem sempre os leitores têm razão. Ele diz que um filho meu estuda com o dele no mesmo colégio, o que é meio impossível, porque só tenho filhas e as duas já se formaram na faculdade faz muito tempo.

Alguns explicaram que usam nicks e não se identificam por medo “dos petistas” em geral ou de sofrer represálias por parte de outros leitores. Não é fácil: enquanto uns me propõem que eu faça uma varredura no Balaio para deletar comentários xulos e ofensivos, contratando um moderador, outros temem que sejam censuradas opiniões contrárias às minhas _ o que é um absurdo, como podem comprovar os próprios leitores que frequentam este espaço.

“Num debate de idéias o que vale é a mensagem, não o emissor”, defende Dante Pessoa, nome que ele mesmo diz se tratar de pseudônimo. Victor Hugo de Oliveira justificou o anonimato pela mesma razão do voto ser secreto nas eleições: “Aqui na internet se ouve o que se quer e o que não se quer”. Até aí tudo bem.  

Mas Tato de Macedo, que também tem um blog, exagerou: mandou até seu telefone e endereço junto com número de RG. Tem de tudo nos comentários, alguns muito bem escritos e fundamentados, como o de Bento Bravo, que faz boas análises todo dia de manhã aqui no Balaio, defendendo suas idéias sem ofender ninguém.

O leitor Mauro Chazanas resumiu o que eu gostaria de dizer ao encerrar esta nossa primeira conversa do dia: é importante todos preservarmos o bom humor. Porque, como diria o sábio Niemeyer, importante é a vida, a internet é só um meio.

  

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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