iG

Publicidade

Publicidade
26/10/2008 - 21:54

Lula Vieira/exclusivo: “A vitória de Gabeira”

Compartilhe: Twitter

O publicitário Lula Vieira, o Washington Olivetto dos cariocas, é meu amigo. Aos 61 anos, paulista da Lapa, fez sua carreira de muito sucesso no Rio. Já a meio caminho do primeiro turno, entrou de cabeça na campanha de Fernando Gabeira.

Pedi a ele no começo da semana que me contasse como foi por dentro esta campanha absolutamente fora dos padrões da política brasileira _ os bastidores, as dificuldades, as discussões internas, a luta para chegar ao segundo turno, a onda que se formou nas últimas semanas indicando que era possível ganhar.

Hoje, bem no dia da eleição, ele arrumou um tempinho para me escrever. Tentou o dia todo falar comigo, mas meu celular não estava funcionando. Só agora, quase 11 da noite, recebo este belo depoimento de Lula Vieira, que repasso aos leitores do Balaio. Nele ficamos sabendo como Gabeira perdeu, mas ganhou as eleições no Rio:

Escrevo ao meio dia de domingo, antes de encerrar a votação aqui no Rio de Janeiro, com as pesquisas de intenção de voto indicando empate técnico entre os dois candidatos a prefeito, Fernando Gabeira e Eduardo Paes.

Trabalhei para Gabeira desde quando ele tinha 4% das intenções de voto e era um candidato tão pequeno que nem mereceu ser entrevistado pelo RJTV, que restringia o supremo prestígio de ser ouvido pelos repórteres àqueles que tivessem algo acima de 5% das intenções de voto.

Invariavelmente Gabeira aparecia na condição de “outros” quando os jornais e as emissoras de televisão falavam dos candidatos. O que mais ouvi neste mês de agosto foi que sem dúvida Gabeira era o melhor nome para a Prefeitura, mas que infelizmente não teria a menor chance.

Os eleitores mais conscientes tratavam de escolher “o menos pior” entre os que poderiam ganhar, Jandira Fegali, Bispo Crivella e Eduardo Paes. Essa difícil e desanimadora escolha ficava entre Jandira e Paes, pois “Crivella nunca”, pelo menos na ótica – como eu já disse – dos mais conscientes. Ou dos mais bem informados, sei lá. 

Uma revista semanal, acredito que a IstoÉ ou Época (Veja tenho certeza que não foi) chegou a apelidar Gabeira de “Candidato Carrossel” por girar, girar, girar e não sair do lugar. Fui procurado pela mulher de Gabeira, Neila Figueiredo, e selamos o trabalho em conjunto no dia do velório de dona Ruth Cardoso, no aeroporto Santos Dumont, que permanecera fechado durante toda manhã.

Teria total liberdade, desde que não resolvesse criar um Gabeira de mentira. A restrição a qualquer tipo de maquilagem ia até mesmo à própria maquilagem. “As rugas são as marcas do tempo no rosto dele, devem ficar”.  Não seria necessária a advertência. Mas fiquei contente por ouvi-la.

Acho que os marqueteiros são responsáveis pelo esvaziamento do conteúdo verdadeiro dos candidatos, embora não tenham culpa na falta de caráter e na compulsão pela mentira. Essas características o sujeito já traz de casa, ou de berço, como queiram.

Dias depois, na minha casa, traçamos o rumo da campanha: não atacar o adversário, ser absolutamente transparente, não sujar a cidade. A transparência deveria ir até mesmo no caixa da campanha: nada de Caixa 2, não receber dinheiro de companhia de ônibus nem de cooperativa de taxi, pagar e receber tudo “por dentro” e colocar todas as movimentaçõs imediatamente na Internet.

Se você for até o site da campanha vai achar lá o ítem “Ebulição”. É a nossa empresa. Todos os pagamentos que recebemos (e pagamos os impostos)  estão lá. Para os padrões brasileiros, o dinheiro da campanha era quase pobre.

Como vantagem tínhamos a melhor equipe que a ideologia pode comprar: Moacir Góis na direção do programa de televisão, João Paulo na edição, Moacir Padilha dirigindo o rádio, Carlinhos Chagas na redação, e por aí afora.

Gente que se dispôs a trabalhar por menos da metade do que poderia cobrar, mas que se sentia recompensada pela oportunidade de se engajar na campanha de um candidato digno, limpo, idealista, agradável.Coisa raríssima nestes dias que correm.

Uma noite, logo nos primeiros dias, o Campanelli da MCR apareceu com um jingle de estarrecedora simplicidade, mas com potencial de se tranformar num mantra: “O Rio é de Gabeira…Gabeira…Gabeira” num ritmo classificado de “marchável”, meio hip hop, um chiclete de ouvido irresistível.

Fizemos um santinho, uma equipe se encarregou do site, nos concentramos nos programas de TVe rádio e entregamos a Deus, que com certeza deve ter pensado “Crivella nunca”. Tanto é verdade que Crivella, que vinha liderando as pesquisas, se envolveu com o escândalo de uma obra que se chamava “cimento social” e serviu como pá de cal para suas pretenções, com perdão pelo trocadilho.

Teve até a participação de um militar alucinado que entregou uns garotos para serem chacinados por uma gangue do tráfego. Tudo respingou no Bispo e no seu discurso messiânico de ungido pelo céu e por Lula. Só no discurso dele, pois ambos não quiseram se comprometer.

Tivemos a imensa vantagem de termos bom tempo na TV e no rádio, cerca de cinco minutos, e de não sermos ameaça para ninguém. Por isso pudemos apresentar Gabeira com toda calma, como alguém capaz de ter uma visão mais aberta, mais moderna, mais cosmopolita para os imensos problemas da cidade.

Eduardo Paes veio como o grande síndico que se preparou durante dezessete anos para ser prefeito. Dizia conhecer cada pedra, cada buraco da cidade. Prometeu instalar 40 UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento), uma espécie de Centro de Saúde feito rapidamente e outras coisinhas que transformariam o Rio de Janeiro numa Finlândia em apenas 4 anos.

Jandira, por ser médica, centrou seus esforços na saúde e Crivella era o amigo dos pobres. Jandira parecia ter acabado de acordar no meio de um plantão: nervosa, desgrenhada, vestido aparentemente amassado.

Entre os nanicos, o candidato do PT resolveu transgredir a mais sagrada das normas da televisão e passou o tempo todo falando de lado, para um ponto à esquerda do espectador. Bonitinho, bonzinho, arrumadinho, era o bom filho, o bom colega e o bom professor.

Todos sabem que realmente é um homem direito, mas ficou bonzinho demais, arrumadinho demais. Falou bastante, mas todo mundo se perguntava porque ele olhava para o lado. Chico Alencar é o Chico Alencar, veio de Chico Alencar e falou como Chico Alencar. Levou os votos de Chico Alencar. Meia dúzia.

Os demais se confundiam com os candidatos a vereador. Um deles tinha um belo slogan: “quem pica cartão não vota em patrão”. Em conjunto eles iam implantar o socialismo, destruir a Rede Globo e conduzir os povos à libertação, à verdadeira democracia e à divisão justa de renda.

Chega o dia da eleição e, para estupor geral, Gabeira – o candidato Carrossel, o sem chance, o nanico do bem, tira um magnífico segundo lugar e vai para o segundo turno, juntamente com Eduardo Paes, candidato do governador e do presidente. O

O espanto maior, no entanto, foi dos institutos de pesquisas que até o dia anterior davam como certa presença de Crivella como adversário de Paes. Neste mesmo dia, Gabeira virou maconheiro, viado, defensor do aborto e da prostituição, nefelibata e tudo mais que é possível se falar contra um político brasileiro.

Só não poderia ser demagogo, mentiroso e ladrão porque no caso do Gabeira é impossível se falar isso dele. Nas primeiras semanas todos os derrotados se aliaram ao Paes, que passou a ser candidato da máquina estadual, nacional e universal (do Reino de Deus).

Lula falou de Paes, Cabral falou de Paes, Crivella falou de Paes, Jandira falou de Paes. Até Molon do PT e Vladimir Palmeira se aliaram a Eduardo Paes. O solitário apoio a  Gabeira veio de César Maia, o único prefeito do mundo que surtou e virou blogueiro em pleno mandato. 

Quer dizer, vieram dar apoio, além de Cézar Maia, Caetano Veloso, Fernanda Torres, Adriana Calcanhoto, Alceu Valença, Debora Colker, Oscar Niemayer, Gustavo Lins, Alcione, Wagner Moura, Martinália, Pedro Luiz, Marina Lima, João Bosco, Paula Toller, Frejat, Nelson Mota, Armínio Fraga, Aécio Neves e mais oito mil voluntários.

Logo no comecinho me lembro de uma passagem de Gabeira. Um político, dos mais conceituados, propôs a Gabeira começar a mostrar os podres da turma de Paes, um amplo arco de alianças que iam do famoso Piciani a Jorge Babul, passando por uma varidíssima fauna de pessoas sobre as quais não resta a menor dúvida.

Gabeira respondeu: “eu prometi não atacar adversários”. O interlocutor não deixou por menos: “então você vai perder”. Gabeira respondeu firme: “então eu vou perder”. Noutra ocasião, um empresário, que já foi meu cliente, liga oferecendo dinheiro para a campanha. Gabeira instrui o financeiro: “você já sabe, quando empatar com as despesas, pare de receber qualquer dinheiro”.

Nunca antes na história deste país um político se dispôs a receber somente o dinheiro necessário para a campanha. Fizeram de tudo, de tudo mesmo, até a suprema burrice: mandar imprimir na Gráfica da Ediouro, de quem sou Diretor de Marketing, um folheto contra Gabeira.

Ninguém acreditou nem vai acreditar, mas tal como Lula, eu não soube de nada, a não ser quando o TRE confiscou o material, que por sinal estava dentro da Lei, com nota fiscal e tudo. Paes ficou repetindo o bordão: “Gabeira é apoiado pelo César Maia, Gabeira é apoiado pelo César Maia, Gabeira é apoiado pelo César Maia”.

O engraçado é que todo o currículo de grandes realizações de Paes foi como subprefeito, e secretário… de César Maia. Que raça! No telefone, Gabeira fala de uma vereadora: “ela é analfabeta política…está fazendo política suburbana”. Os jornalistas ouvem e dão a notícia.

Mais um bordão: “Gabeira é preconceituoso, Gabeira é preconceituoso, Gabeira é preconceituoso”. Milhares de faixas são impressas: “sou suburbano com muito orgulho”. Uma feijoada é oferecida aos suburbanos ofendidos e Noca da Portela e outros menos votados dão apoio a Paes, o amigão do subúrbio.

Cria-se uma situação irreal. Gabeira, menino pobre, que vendia banana e ovo para ajudar o pai, professor voluntário na Zona Norte, vira o “candidato dos ricos”, enquanto Paes, menino da Zona Sul, estudante de colégios caros e da PUC, quer se consagrar como “o candidato dos pobres”.

Paes, 38 anos, cara de garotão é o velho matreiro, conhecedor dos meandros da política, o experiente. Gabeira, 68 anos é o jovem, impetuoso, novidadeiro, contemporâneo. E começam os debates. Até o último, da TV Globo na sexta-feira anterior ao domingo da votação, foram 7 deles.

Gabeira venceu sempre, na opinião dos internautas. Alguns momentos foram muito bons. Por exemplo, quando Paes afirmou que se preparava a vida inteira para ser prefeito do Rio, Gabeira respondeu: “pois eu me prepararei a vida inteira para… a vida inteira”.

Ou, então, quando Paes disse que seria necessário saber que “uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”,  recebeu como resposta: “a esta altura da vida eu já sei”.

Vladimir Palmeira pode nesta eleição ter batido o recorde mundial de ingratidão. Gabeira sequestrou o embaixador americano para que Vladimir, entre outros presos políticos, pudesse ser libertado. E Palmeira decidiu apoiar Eduardo Paes.

Por falar em embaixador sequestrado, a filha do próprio fez absoluta questão de declarar seu apoio a Gabeira. E contou que o pai dela tinha boas recordações dele. Na imprensa escrita, inaugurou-se um novo tipo de colunismo: o de crítica a horário eleitoral gratuito. Como se fosse novela. 

O Globo e o Jornal do Brasil tiveram seus colunistas que diariamente comentavam sobre roupa, postura, edição. O colunista do JB, se sentindo obrigado a fazer uma gracinha por dia, algumas vezes se perdeu na busca do humor.

A certa altura, como o programa de Gabeira fazia enorme sucesso com seus clipes de cantores, Paes colocou no seu programa a entrevista de uma jovem na rua que afirmou: “eu quero ver propostas, não musiquinhas bonitas”. Nem na Noruega se vê tanta participação cidadã.

Uma jovem exigir dos candidatos a apresentarem suas propostas de governo é tão natural quanto as donas de casa que afirmavam que Paes no seu tempo de sub prefeito entrou na lama até a cintura para ajudar as pessoas assoladas por uma enchente.

Uma enorme demonstração de incompetência de seus auxiliares foi não encontrar uma única foto registrando o heróico feito. Hoje o eleitor decide quem é o prefeito do Rio de Janeiro. O resultado sairá dentro de algumas horas. Seja qual for o vencedor, Gabeira sai muito maior do que entrou.

É um político que pode se orgulhar do respeito de todos, inclusive de seus adversários, que jamais colocaram em dúvida sua honradez e honestidade. Outra vitória de sua candidatura foi a de trazer para milhões de pessoas a informação de que é possível se fazer politica com seriedade.

Trouxe também a participação dos jovens, entre os quais, as pesquisas eram unânimes em apontá-lo como o candidato preferido.  Nesta eleição não se ouviu o tradicional discurso do “político é tudo igual”, principalmente por parte deles.

Gabeira demonstrou que os políticos, como as pessoas, são diferentes. Sua campanha termina com a marca da elegância, do bom humor e do amor pelo Rio de Janeiro. O Rio foi votar sorrindo. Essa é a grande, a enorme vitória de Fernando Gabeira”.      

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:

Ver todas as notas

281 comentários para “Lula Vieira/exclusivo: “A vitória de Gabeira””

  1. Victor Barone disse:

    Fantástico, emocionante o depoimento. Um retrato da política brasileira feito a partir do momento eleitoral carioca. Gabeira não seria salvador da pátria, mas entre ele é os “paes” da vida há um abismo ético imensurável.

  2. antonio disse:

    Impressionante a quantidade de gente que se sente atraída por heróis… criam seus proprios mártires!
    O rio de gabeira! o politico diferente! “nao atacarei os adversários!!!” como isso melmbra a campanha do “lulinha paz e amor” no primeiro mandato e a campanha d lula, fujão dos debates, ácido, violento, sarcástico no segundo….´
    é isso, a pseudo classe pensante adora os candidatos das bravatas os candidatos que tiveram alguma historia “pseudo”revolucionaria…

    nessa colocaram no poder lula e toda a cambada petralhista, epor pouco não colocam no rio um ex terrorista e ex comunista

  3. antonio disse:

    vivendo na sociedade que vivemos, dominada e completamente anarquizada pelo tráfico, que sofre em chagas abertas diariamente pela violencia beligerante do poder paralelo, considero uma justa e CAVALAR afronta ao povo de forma geral, e a todos os verdadeiros mártires, ou seja, pessoas que morreram em decorrência da guerra civil que vivemos, votar num candidato que a vida inteira defendeu de unhas e dentes a legalização as drogas….

    votar em quem defende as drogas atualmente, é endossar a necessidade do virus que causa a maior doença de nossa cidade..

    as drogas são o virus, o trafico e a violencia são a doença

  4. Ruben de Azevedo Quaresma disse:

    Seria importante que vocês conhecessem meu livro ÉTICA, DIREITO e CIDADANIA-Brasil sociopolítico e jurídico atual. Eu trato ali de questões semelhantes àquelas muito bem comentadas por aqui.

    Essa obra surgiu da minha dissertação do curso de Mestrado em Direito Público, tendo sido seqüenciada no período em que estive internado no Hospital Copa D’Or (Rio de Janeiro), em face de grandes complicações que os dez médicos que cuidaram de mim diagnosticaram como morte certa, em três dias: cirurgia de câncer na prósta + linfocele + abscesso ventral + trombose com embolia pulmonar!…

    Nesse livro, parti de considerações sobre nossos ideais, ambições, paixões – que nos levam a atitudes, posturas e condutas… cujos limites esbarram com princípios de ÉTICA, DIREITO e CIDADANIA!…

    O primeiro lançamento foi no Iate Clube do Rio de Janeiro. O segundo, na Livrarias Curitiba, no Shopping Estação (Página inteira do jornal Gazeta do Povo e entrevista de 56 minutos na TVEducativa, com Nizam Pereira. Em novembro: Campos dos Goytacazes.

    Maiores informações: meu e-mail – ruben.quaresma@terra.com.br

    Abraços,

    Ruben Quaresma – Fiscal de Rendas/RJ.

  5. antonio disse:

    ?????

  6. Ruben de Azevedo Quaresma disse:

    Prezados Amigos

    Estou repetindo para os devidos acertos corretivos.

    Seria importante que vocês conhecessem meu livro ÉTICA, DIREITO e CIDADANIA-Brasil sociopolítico e jurídico atual. A responsabilidade editorial ficou por conta da EDITORA JURUÁ, de Curitiba. Eu trato ali de questões semelhantes àquelas muito bem comentadas por aqui.

    Essa obra surgiu da minha dissertação do curso de Mestrado em Direito Público, tendo sido seqüenciada no período em que estive internado no Hospital Copa D’Or (Rio de Janeiro), em face de grandes complicações que os dez médicos que cuidaram de mim diagnosticaram como morte certa, em três dias: cirurgia de câncer na próstata + linfocele + abscesso ventral + trombose com embolia pulmonar!…

    Nesse livro, parti de considerações sobre nossos ideais, ambições, paixões – que nos levam a atitudes, posturas e condutas… cujos limites esbarram em princípios de ÉTICA, DIREITO e CIDADANIA!…

    O pano de fundo é a responsabilidade em face do dever tributário – fundamento para a continuidade da organização social.

    A partir daí, eu trago ao debate muitas questões do dia a dia das pessoas… passsando pela Revolução Francesa e sua ética; escravidão, resgate social, cotas universitárias, afro-descendentes, direito a indenização (quem deve pagar? quem tem direitoa receber?); 11 de setembro; dar a César o que é de César; o gosto de “levar vantagem em tudo” (somente Gerson-Vila Rica?); guarda da sentinela e censor do fiscal e do juiz; filmes: “O banheiro do Papa”, “Lobos e Cordeiros” e “Tropa de Elite”; Jesus Cristo e Pilatos: fazer ou não fazer? Ministro Joaquim Barbosa e mensalão; sanguessugas, bolsa-família, cheque-cidadão, cartões corporativos; carga tributária; sonegação X violência; Polícia Federal e algemas; historinhas verdadeiras e chistosas de fiscalizações tributárias; conceitos de ética, direito e cidadania e sua aplicação histórias, universais e atuais… e muito, muito mais!…

    Prefácio do Desembargador Silvio Capanema. Apresentação do Prof. Theophilo de Azeredo Santos.

    Fui ao Gabinete do Superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro (Doutor Valdinho Jacinto Caetano) e lhe ofereci um exemplar, com dedicatória. Ele elogiou o empreendimento – o que me constitui uma honraria. Fiz o mesmo com outras autoridades: Presidente do Clube Militar (General Gilberto Figueiredo); Embaixador Marcílio Marques Moreira; Associação dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Dr. Hildebrando Menezes Veras); Desembargadores Eduardo Mayr, Fernando Fernandy…

    A obra tem, ainda, elogios dos Doutores Ives Gandra e Ministro Francisco Resek, Professores Theophilo Azeredo Santos, Adilson Rodrigues Pires, Ricardo Lobo Torres, Brigadeiro Tércio Pacitti, Prefeito César Maia, Senador Roberto Saturnino Braga e outros.

    São 496 páginas, em papel de qualidade, com capa dura e artística, de fundo preto brilhoso.

    O primeiro lançamento foi no Iate Clube do Rio de Janeiro. O segundo, na Livrarias Curitiba, no Shopping Estação (Página inteira do jornal Gazeta do Povo e entrevista de 56 minutos na TVEducativacom Nizam Pereira). Em novembro, será em Campos dos Goytacazes.

    Maiores informações, com detalhamento e imagem da capa: meu e-mail – ruben.quaresma@terra.com.br

    Abraços,

    Ruben Quaresma – Fiscal de Rendas/RJ.

  7. Fabio Noguira disse:

    Gostaria de parabenizá-los, e dizer que foi uma enorme perda para o Rio a derrota de Gabeira. Digo, nos jovens eleitores, queremos Gabeira como candidato a Presidencia da Republica nas eleiçoes de 2010.

    Grande abraço

  8. Sonia Montenegro disse:

    Prezado Ricardo Kotscho,

    Para me colocar com a maior honestidade possível, antes de qualquer coisa quero dizer que anulei o voto no 2º turno dessa eleição no Rio de Janeiro, porque sempre votei nos candidatos de esquerda, e no meu entender, não havia nenhum representante dela nesta 2ª fase.

    Não vejo necessidade de falar do Eduardo Paes, porque o Lula Vieira já o fez muito bem, mas gostaria de fazer um contra-ponto à sua visão, ao enaltecer o candidato Fernando Gabeira:

    1 – As alianças do Gabeira, desde o 1º turno, PV + PSDB, não eram exatamente o que o Rio de Janeiro poderia considerar como “novo”. O PV participou do (des)governo Cesar Maia, e a história do partido, pelo menos aqui, não tem primado por nenhuma ética. O PSDB administrou o Estado, e foi um horror. O psdebista Arnaldo César Coelho foi o secretário de saúde da cidade, no governo Cesar Maia, e os fatos conhecidos dispensam comentários. No 2º turno ainda recebeu o apoio do DEM, só para piorar um pouco mais.

    2 – Gabeira, em sua atuação parlamentar, votou sempre junto com o PSDB e o DEM. Votou favoravelmente à reeleição de FHC, apesar das denúncias de compras de votos, e favoravelmente à privataria de FHC.

    3 – Por que cargas d’água teria Gabeira ido para o PT, para se candidatar a deputado federal, se já vinha se aliando com os partidos de oposição ao PT? Para isso, eu tenho uma interpretação, que é a de puro oportunismo, para se aproveitar da “onda Lula”, uma vez que seu eleitorado vinha minguando. E isso ficou bem claro, a meu ver, porque desde o 1º ano do 1º mandato do Lula, ele já começou as críticas, que culminaram com a briga com o Dirceu, cuja versão do Gabeira foi desmentida na época pela Marina Silva, que presenciou o fato. Esse foi o pretexto que ele buscava para sair do PT, e na qualidade de dissidente, ganhar pontos com a imprensa.

    4 – Gabeira entoou o Hino Nacional junto com a oposição, quando eles elegeram o Severino Cavalcanti, com o propósito de que ele colocasse em votação o impeachment do Lula, e como não o fez, resolveram rifá-lo. Infelizmente, os corruptos não caem pelos seus malfeitos, mas por contrariar interesses maiores, e depois que o Severino estava queimado, o Gabeira “chutou o cão morto”, com direito a todos os holofotes, e ganhando uma capa da Veja como “reserva moral” do país.

    5 – Como sub-relator da CPI dos sanguessugas, demonstrou não estar muito preocupado com a corrupção, quando ela incrimina membros aliados, e inocentou o Senador Antero Paes de Barros (PSDB), ligado a João Arcanjo, condenado a 37 anos de prisão.

    6 – As estratégias de campanha do candidato, como a de não atacar o adversário, já tinham sido usadas com sucesso com o “Lulinha paz e amor”, não sujar a cidade é lei, e todos os candidatos eram obrigados a obedecer, quanto ao “caixa 2”, pode ser que tenha sido verdadeiro nessa campanha, mas o Maurício Dias escreveu na Carta Capital de 25/04/2008, um texto cujo título era “Transparência embaçada”, onde coloca em dúvida a “transparência” de sua campanha para deputado federal em 2006. Mas a propaganda de campanha do Gabeira tinha outras meias-verdades, como por exemplo, a presença dele em diversas ocasiões, como o 11 de setembro que derrubou o Allende. Qual teria sido o grande ato de heroísmo do candidato, que estava lá por ser asilado político? Por acaso conseguiu evitar o golpe???

    7 – Gabeira não tinha do seu lado a máquina estadual, mas tinha outra muito mais poderosa, que é a máquina da grande imprensa, e particularmente a da Globo. Recebeu o impulso no fim do 1º turno, sob o pretexto de evitar o Crivela, que seria um notório desafeto da Rede Globo, de quem ganhou aliás o prêmio “Faz Diferença”. Já no 2º turno, a proteção foi descarada. Até o avião teleguiado para encontrar larvas de mosquito da dengue num estado carente de leitos, foi considerado por D. Lucia Hipólito e D. Cristiana Lobo como “idéias inovadoras que as pessoas não conseguem entender”. Esta campanha no Rio foi surrealista. Pessoas que historicamente sempre execraram o Gabeira por ser “terrorista, maconheiro, etc”, cujo voto natural seria no mauricinho Eduardo Paes, resolveram votar nele. E eu pergunto: o que terá feito essas pessoas mudarem radicalmente de opinião, se não foi uma propaganda dissimulada, porém poderosa?

    8 – Não sei quanto ao Vladimir Palmeira, mas o Molon NÃO apoiou o Eduardo Paes. Basta perguntar para ele…

    9 – O fato do Gabeira ter falado sobre a vereadora: “ela é analfabeta política…está fazendo política suburbana” por telefone, não pode servir de justificativa para isentá-lo de preconceito. O que os políticos falam quando sabem que estão sendo gravados é o que eles querem que as pessoas acreditem, mas o que ele fala em off, é o que ele pensa. Desta forma, é muito mais grave!!!

    10 – Não comemorei a vitória de Eduardo Paes, mas comemorei, e muito a derrota da Globo.

  9. Mauro Guerreiro disse:

    Caro Ricardo: como admirador de sua maneira de expor pensamentos e opiniões, quro agradecer a oportunidade que tive de fazer alguns comentarios ao longo da campanha aqui em S.Paulo. Como carioca sigo de longe os acontecimentos no Rio.
    Mais uma vez o Rio escolhe errado. E com tanta gente boa. Em toda sua historia teve não mais do que 3 bons governos. Ainda assim progride. É uma pena. Passei a ter uma visão do candidato Gabeira que não tinha. Parabens pela sua posição.

  10. rafael sardao disse:

    Eu sou carioca, tenho 27 anos, ator e morador de jacarepagua desde meu nascimento.
    Estava até essa eleição completamente descrente da política brasileira, mas, nessa eleição, fiz questão de atuar em favor de gabeira e tive o prazer inédito de votar, e discutir política com amigos. É uma pena que os subterfúgios eleitoreiros de Paes e sua gangue tenham se sobreposto à competência e à honestidade de Gabeira. E torço pra que ele seja candidato a governador, e acho que deveríamos começar a preparar essa candidatura, pq sem dúvida teremos um governo mais profissional de menos conchavos e mais competência, de menos preconceitos e mais atitude, de mais igualdade e respeito a todos. Meu voto é de gabeira pra qualquer eleição que ele se candidate. Eu quero uma máquina pública profissionalizada e realmente comprometida com as melhorias fundamentais que necessitamos. Estou cansado de paleativos eleitoreiros inócuos e rasos. O Rio é de Gabeira, gabeira, Gabeira…

  11. Rafael Bonassa Faria disse:

    Caro Kotscho, Saudações corintianas!

    Corroboro o comentário de “Fulvio Giannella Jr” em relação à ingratidão do Vladimir Palmeira, num período de ditadura que, graças à atuação de muitos militantes, não vivi, pois nasci em 1983. Agradecer pelo sequestro é de uma ignorância típica de publicitários concentrados em vender produtos, como se o Vladimir estivesse preso por vontade própria. Tenho uma certa empatia pelo Gabeira, mas politicamente não gosto dele. Há algum tempo ficou implorando para que a embaixada estadunidense lhe liberasse o visto, já que era considerado persona non grata, justamente por causa do sequestro; fez campanha pro Severino Cavalcante e depois, como paladino da moral e justiça, gritou de forma destrambelhada no plenário da Câmara; é o típico caso do criador que abomina a criatura, um absurdo. Então, caso queira se candidatar, angariar bons apoios, ter uma campanha lisa e transparente, publicizar os gastos, ótimo! Muito bom! Isso, como bem prega, é obrigação! Sendo assim, não temos que agradecê-lo! Da mesma forma que o Vladimir também não! Um puta absurdo!
    Um abraço,

    Rafael Bonassa
    Osasco – SP

  12. Mario Simões disse:

    Escrevam isso: Gabeira será eleito governador do Rio em 2010 e Eduardo Paes terá que comer na mão dele.

  13. Marcos Motta disse:

    Li o texto com atenção e respeito ao autor. Na verdade o recebi pelo e-mail e como sou leitor do Blog vim conferir a autenticidade. Me chamou atenção a passagem

    “Uma feijoada é oferecida aos suburbanos ofendidos e Noca da Portela e outros menos votados dão apoio a Paes, o amigão do subúrbio. ”

    Acho que este parágrafo indica bem porque Gabeira perdeu! Carregado de preconceito! Sou proprietário da Zonal Sul tenho excelente padrão de renda antes que alguém ache que sou um suburbano ofendido! Mas não consigo conceber este tipo de comentário, principalmente porque na tal feijoada suburbana estavam vários representantes da cultura popular carioca. Não vou me alongar neste tema, somente queria fazer esta observação.

    Não votei no PAES, aliás nem no Gabeira! Com muita tristeza pela primeira vez na minha vida não tinha ninguém nem para votar contra! Acompanho política desde os 15 anos participei de todos os movimentos e comícios desde as Diretas Já! Fui funcionário da Prefeitura do Rio (concursado 2 vezes) por quase 10 anos ocupando cargos técnicos, de gerência. e assessoramento.

    Não consigo engolir a apresentação de alguém que tem vários ex-secretários e pessoas que estão na máquina (sem concurso) desde o primeiro governo CM como algo novo.

    Gabeira teria meu voto como candidato do PT, do PC do B e talvez até do PDT , mas ao lado do PSDB, do DEM e do PPS que de fato representam todo o atraso dos últimos 16 anos do Rio de Janeiro e que jogaram tudo de bom que o Rio tinha no lixo, não é possível!

    Espero que Gabeira volte para a sua origem, a esquerda onde ele aprendeu e representou muito bem os ideais de honestidade e apreço pela cahamda “coisa pública”. Se continuar do lado errado, ao lado dos que representam o verdadeiro atraso infelizmente nunca terá meu voto.

    Faço uma ressalva também ao Luiz Paulo Correa da Rocha, seu vice, pessoa competente e honesta mas mesmo assim não foi o suficiente para eu me animar a votar neles. Talvez meus 10 anos conhecendo muitos dos que estavam juntos a Gabeira me fizeram não só não ter esperança como ter a certeza que a mudança tão necessária ao rio não viria da chapa dele.

    Obrigado pelo democrático espaço

  14. Teresa Fazolo disse:

    Até votei no Gabeira no 2o. turno, mas vejo no texto do Marcos Motta muita lucidez.
    Chegando do Seminário A MULHER E A MÍDIA, onde o foco é a mulher nas eleições, farei apenas um comentário sobre o depoimento de Lula Vieira: ao falar de Jandira Feghali, ele também prefere fazer menção a seus cabelos, chamando-a de “desgrenhada”.
    Lamentável.

  15. Rodrigo disse:

    Publiquei um email que recebi aqui: http://www.pointcultural.com.br/forum/index.php?topic=1341.new#new

    Depois que confirmei a origem, postei um link para esta página.

    Abraços

  16. Nick disse:

    Recebi este texto perfeito por e-mail e não descansei enquanto não encontrei o seu post. Que bom que foi mesmo o Lula Vieira que escreveu.

    As armações foram sujas e desleais, e o Rio perdeu muito com a eleição do Paes.

  17. Oi Lula que delicia de escrita, traduz justamente o que eu sinto, foi como se eu o tivesse escrito. Continue assim. Estou com saudades de vc e sua adoravél esposa. Acho que a última vez em que estive na sua casa, foi na despedida da nossa amiga Anete Coutinho. Grande beijo a vcs
    Alberto Pessoa

  18. Raquel Oliveira do Nascimento disse:

    Há quase 10 dias da publicação desse texto, só agora pude lê-lo, mas é impossível não comentá-lo. Confesso que fiquei até certo ponto de luto nos primeiros dias que seguiram essa eleição, não acreditando muito que cariocas (quase 1 milhão) como eu pudessem trocar a felicidade (que eu há muito não sentia) em votar em um candidato da altura de Fernando Gabeira, sem necessidade de repetir aqui tudo que sabemos que o faz diferente da grande massa dos políticos de hoje em dia, para aproveitar um fim de semana prolongado na praia.
    Como carioca e professora da rede pública municipal, senti vergonha e até revolta por essas pessoas, mas depois fui refletindo sobre tudo e cheguei à conclusão de que realmente não houve derrota alguma. Gabeira foi fiel aos seus princípios até o último minuto e apesar de não aceitar se valer das manobras mais comuns na política, como falar mal do adversário (como não!), ainda assim, ele conseguiu conquistar o voto de tantos eleitores. Eleitores esses que, tenho certeza, nunca mais serão os mesmos, pois agora sabem que é possível, e que merecemos, melhor qualidade na política e respeito por nossa inteligência.
    Esse texto só veio aumentar o meu sentimento de orgulho por meu voto e me manter convicta de que, enquanto Gabeira quiser lutar, contará com meu apoio declarado e meu voto fiel. Por amor a minha cidade, ao meu país e aos meus sonhos mais utópicos.
    Obrigada, Ricardo. Obrigada Lula Vieira.
    Raquel Oliveira do Nascimento

  19. Raquel Oliveira do Nascimento disse:

    Só pra complementar: quem critica as alinças que ele fez, inacreditavelmente se acha de esquerda. Que esquerda? Esquerda petista? Esse pt de hoje (com minúsculo) que se tornou algo sem sangue, sem ideologia, e que tem como maior aliado, o PMDB. Que depois de ter tantos dos seus maiores nomes envolvidos em escândalos, sujando sua “marcade partido da honestidade”, conseguiu se manter de pé na figura de um presidente que “não sabia de nada”, vaidoso, prepotente e que em nada lembra aquele idealista de tempos tão remotos?
    Acordem! Esse sonho acabou, e há muuuuuuito tempo.
    Confio em Gabeira e tenho certeza de que cumpriria todos os seus compromissos. Pobre de quem ainda prefere ficar com a farsa da esquerda neo-liberal…
    Abraçs!

  20. alma disse:

    Com Paes eleito, perco todas a minhas esperanças de um Rio mehor.
    O mal vence o bem!!
    Serão mais 4 anos de roubalheiras e jogadas políticas.
    A pior pobreza é a de conhecimento.
    Infelizemente o povo do Rio é muito pobre de conhecimento, e o nosso dinheiro ao invés de ir para os pobres vai para o bolso dos corruptos.
    Que pena!!

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório







Voltar ao topo

oferecimento