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Arquivo de setembro, 2008

26/09/2008 - 15:12

Perdi. Os cachorros loucos venceram. Vou ter que começar a deletar.

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Até o post anterior, de número 30, deu para segurar minha decisão de não moderar nem deletar comentários. Mas agora os cachorros loucos passaram de qualquer limite e vou ter que começar a deletar.

Eles venceram. Enquanto estavam só me ofendendo, deixei para que todos vissem a que ponto chegamos na falta de civilidade.

Mas agora chegou a um ponto em que estão ofendendo todos os leitores com palavrões e agressões gratuitas. Isso não posso admitir. Por isso, já pedi à equipe do iG para tirar do ar a baixaria.

Lamento muito, não queria fazer isso, mas tenho ainda muitas coisas boas para escrever e tenho que parar para dar esta satisfação aos leitores.

Aproveito para responder a alguns leitores:

Eduardi Berardi, que pediu autorização para reproduzir a matéria sobre os transplantes em seu jornal. Está autorizado, desde que citada a fonte.

Julio Motta: concordo com teu pertinente comentário. Também acho que as crianças, as escolas e a educação são o melhor caminho para se mudar a cultura vigente.

Marco Leite pergunta quando entrará na internet a fila dos transplantes: o Ministério da Saúde não informou, mas espero que seja o mais rápido possível.

Manoel Ferreira: em nenhum momento pensei em você ao escrever o texto sobre os cachorros loucos. Até gosto quando discordam de mim e me criticam, desde que seja como você o faz, educadamente. Faz parte do jogo democrático da internet. O que não posso permitir é gente que só entra no “Balaio” para agredir os outros qualquer que seja o assunto. 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/09/2008 - 12:38

Lyra, Davi, Maria do Socorro e o governo: boas notícias para quem espera transplante

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Fosse eu um desses blogueiros megalomanícos que se imaginam “formadores de opinião” e se consideram mais importantes do que os fatos, diria que o governo ouviu o apelo da leitora Maria do Socorro de Souza em seu comentário aqui no “Balaio” às 12h06 da última segunda-feira:

“Digam sim à doação, graças a um gesto desses estou viva!”

Maria do Socorro, a partir de matérias que postei no fim de semana sobre a história do transplante de rim entre dois tenentes-coronéis da FAB, de Geraldo Lyra para Davi Castro, falou do seu caso e me alertou que todo dia 26 de setembro, quer dizer, hoje, celebra-se o Dia Nacional da Doação de Orgãos.

Na véspera, o Ministério da Saúde, por uma feliz coincidência, anunciou uma ampla campanha de transplantes de orgãos destacando a importância do tempo para quem aguarda uma doação.

São 71.349 brasileiros que estão neste momento esperando um doador para o transplante que poderá salvar suas vidas.

“Tempo é vida” é o slogan da campanha que conta a história de três transplantados para motivar a população a facilitar a doação de orgãos.

Ficou tudo mais simples e transparente.

Os pacientes que estão na espera poderão acompanhar online pela internet (olha a internet aí!, prestando mais um belo serviço para a transparência e lisura dos procedimentos) o andamento da fila.

Agora, para ser doador, não precisa deixar nenhum documento escrito: basta avisar a família.

Para estimular as doações, os profissionais de saúde receberão um bônus sempre que conseguirem convencer uma família a doar os orgãos do parente falecido: terão o pagamento dobrado.

Será estimulado e ampliado o trabalho das OPOs (Organização de Procura de Órgãos) criadas pelo Ministério da Saúde, que anunciou na quinta-feira mais uma série de medidas para aumentar o número de doadores e apressar as etapas que resultem efetivamente em transplante.

Integradas por médicos, estes grupos identificarão possíveis doadores e repassarão as informações o mais rápido possível para os hospitais. Como diz a campanha, “Tempo é vida”.

As OPOs farão a ligação entre as centrais estaduais de transplantes e os grupos formados em cada hospital.

O governo destinará mais R$ 60 milhões por ano para o trabalho das OPOs, além dos R$ 500 milhões já previstos para a área de transplantes no orçamento.

Os hospitais credenciados para fazer transplantes receberão um reajuste de até 40% no pagamento por seus serviços feito pelo governo federal.

Em resumo: um assunto vital como esse, que andava meio esquecido, restrito à área médica e às famílias dos pacientes que aguardam na fila dos transplantes, agora ganhou a atenção devida do Ministério da Saúde.

E em tempo: enquanto escrevo, chega um e-mail do tenente-coronel aviador Geraldo Lyra, meu bom e velho amigo dos tempos de governo, para informar que seu colega Davi, a quem doou o rim, já teve alta no hospital e está se recuperando em casa.

O Brasil, como se vê, também tem notícias boas.   

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/09/2008 - 10:34

Cachorros loucos invadem o “Balaio”

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O mês dos cachorros loucos já passou, mas só agora eles descobriram o “Balaio” e vieram com tudo. Pelo jeito, não tomaram a vacina.

A partir da senha dada por um deles, que nunca sei se coloca seu nome verdadeiro ou de um dos seus “nicks” de estimação, no meio da tarde de ontem eles chegaram latindo todos para o mesmo lado.

Tinha acabado de comentar com meus colegas do iG minha grata surpresa, nestes primeiros dias de “Balaio”, com o alto nível dos comentários, bem escritos e argumentados, numa linguagem muito diferente do que costumamos ver na blogosfera em geral.

De que me “acusam” em suas agressões ensandecidas? De ser velho, de ter trabalhado no governo Lula e de continuar amigo dos meus amigos.

Sou mesmo sexagenário (só fica velho quem está vivo, costumo dizer), tenho orgulho do meu trabalho na Secretaria de Imprensa nos dois primeiros anos do governo Lula (como consta do meu perfil aqui ao lado) e nunca vou abrir mão das minhas amizades.

Diante das ofensas, restavam-me duas alternativas: responder a cada uma delas ou simplesmente deletá-las.

Em respeito aos leitores, não farei uma coisa nem outra. Como escrevi no texto de apresentação deste “Balaio” no dia 11 de setembro, não tenho tempo para ficar aqui fiscalizando o que os outros escrevem e muito menos para bater boca com leitores.

Além de ser um radical defensor da liberdade de expressão _ mesmo para quem não a merece, porque já conheci o outro lado da medalha _, acho até bom que todos fiquem sabendo o pensamento dos 6% de brasilerios que ainda são contra o governo, segundo o índice de desaprovação do presidente Lula nas últimas pesquisas.

Quanto menos e menores, mais raivosos e violentos ficam nos seus comentários. Que posso fazer?

Este é um espaço aberto para contar as histórias do dia a dia da vida, sem querer agradar nem ofender ninguém, sem querer vender nem detonar nada, apenas mantendo um diálogo com os leitores, trabalho que me dá muito prazer, confesso.

Não estou em busca de um nicho de mercado, muito menos de fazer da polêmica gratuita um instrumento para ganhar audiência.

Apesar disso, fiquei sabendo, na semana passada, que minha reportagem sobre o Tinoco, publicada na ”Brasileiros” e no site da revista aqui no iG, recebeu mais de 17 mil visitantes num único dia, mais de 200 por minuto, um número bem razoável para um “Balaio” que acaba de completar duas semanas no ar.

Mas não é isso que me move, não sou pago para ficar de olho nos números e escrever o que dá audiência. Sou mesmo um velho contador de histórias e me sinto feliz por poder continuar ganhando a vida da mesma forma como faço há 44 anos: sendo honesto com meus leitores. 

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/09/2008 - 18:04

Presente aos leitores: um texto de Nahum Sirotsky sobre amigos e amizades

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Em apenas duas semanas, que completa nesta quinta-feira, este “Balaio” já recebeu muitas contribuições valiosas de leitores e colegas jornalistas.  

Mas hoje trago um presente especial para vocês: um texto inédito do mitológico jornalista Nahum Sirotsky, meu colega de 82 anos de idade e mais de 60 de profissão, até hoje trabalhando como correspondente do iG e do jornal “Zero Hora” em Israel.

Para vocês terem uma idéia da estrada da vida percorrida por Nahum, desde a primeira metade do século passado, ele foi um dos primeiros a usar máquina de escrever (na redação da revista “Diretrizes”, depois de fazer um curso de datilografia em Passo Fundo) e um dos primeiros a escrever regularmente na internet.

“Tive que aprender ou não teria trabalho”, contou em longa entrevista sobre a sua carreira ao jornal da ABI, em janeiro de 2006.

Nesta entrevista ele dá uma singela lição aos que, como eu, estão entrando agora no mundo internético: é preciso usar frases mais curtas porque cansa demais a vista ler textos muito extensos no computador. Ainda estou aprendendo a fazer isso.

No último fim de semana, quando publiquei um texto sobre a importância dos amigos nas nossas vidas (ver post abaixo), recebi uma gentil mensagem dele sobre o “Balaio” me dando fôrça neste início de uma nova etapa da carreira.

Ao agradecer, aproveitei para lhe pedir que escrevesse também sobre o tema da amizade e ele me enviou o belo texto que segue abaixo. Obrigado, Nahum.

O vazio longe dos amigos

Há poucas semanas, recebi um e-mail de conceituado advogado de Pelotas, Rio Grande do Sul, perguntando se era eu o colega de ginásio de 1941 e me falando do filho que se encaminhava para o Jornalismo.

Fora descoberto via internet. Era eu mesmo e fiquei emocionado.

Graças a ele, relembrei até meu vergonhoso jogo contra uma equipe de guris de Porto Alegre, entre eles Russinho, que viria a ser da equipe nacional.

Tentei defender um chute e desisti dos demais. Entrei com bola e tudo. E para a história pelo número de gols engolidos.

Meu pai era caixeiro-viajante. Foram infância e adolescência mudando de cidades, escolas.

Foi quando descobri o significado do amigo e da amizade na vida.

Eles ocupam espaço próprio nas emoções e nas recordações, espaço que permanece deles para sempre. Não existem substitutos. Existem novos amigos.

E, devido à minha idade, tempo de profissão, inúmeros deslocamentos de cidades e países, colecionei muitos, das mais diversas culturas, atividades, nacionalidades e profissões.

De politicamente opostos, a sacerdotes das mais diversas fés e  intelectuais e artistas de talento superior, até bandidos em favelas cariocas e donos de casas de super luxo no exterior.

A eles devo desde os conhecimentos que acumulei à carreira realizada, mais do que nada, a confiança, a certeza de que o meu mundo tinha invejável riqueza e a sensação de não estar só pois tinha as recordações a me acompanharem.

Amigos que não esqueci e sustentam os vínculos através dos tempos, dos anos e das distâncias. Não cito nomes para não cometer o pecado de um lapso.

Foi um deles que me abriu os olhos ao me ensinar que só se compreende com o que se sabe.

Ou que amar o próximo independe de diferenças de todos os tipos.

Ou que a vida é melhor sem a prática da safadeza.

Ou que acreditar numa fôrça acima de todas é essencial para preservar a modéstia.

Ou que se aprecia as artes com o que se sente.

E que a poesia é necessária.

Perdoar dá mais prazer do que odiar.

Tudo acima são lições e frases inesquecíveis de gente que se foi, cujos nomes ficaram marcados na minha lembrança.

Ou como o aviso que recebi do Iraque de dois amigos: “Pegaram o macaco”. Arriscaram-se para me informar que Sadam Hussein havia sido capturado.

Quiseram me ajudar a informar em primeira mão, o que fiz. Perdemos o contato. Talvez estejam entre os quase duzentos colegas mortos na guerra. Mas não os esquecerei jamais.

Amizade, aprendi, é amar com desprendimento e para sempre.

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/09/2008 - 10:47

Não basta ser mulher… Tem que ser Manuela!

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Porto Alegre vem frequentando bastante o noticiário da campanha eleitoral porque tem três mulheres disputando a sucessão do prefeito José Fogaça. Pensando nisso, acordei hoje com esta frase do título na cabeça.

É minha modesta colaboração para a candidatura de Manuela D´Ávila, do PC do B, coleguinha jornalista, ex-dirigente da UNE e deputada federal, que pode se tornar, daqui a dois domingos, aos 27 anos, a mais jovem prefeita de capital do Brasil.

O leitor já deve ter notado que não estou sendo nada original. A frase é inspirada num célebre comercial do meu amigo Duda Mendonça para o remédio Gelol, que dizia: “Não basta ser pai, tem que participar”.

Aliás, também não estou sendo mesmo nada original porque Manuela é a candidata preferida também de Noblat e Moreno e de todos os blogueiros idosos que ainda não perderam a esperança e o bom gosto.

Conheci Manuela faz pouco tempo num jantar na casa do jornalista Jorge Bastos Moreno, diretor do Infoglobo em Brasília.

Ela veio falar comigo para contar uma história que me deixou muito contente. Estudante de Jornalismo, estava quase desistindo da carreira quando ouviu uma palestra minha em sua faculdade.

Nem me lembro desta palestra, mas nunca vou esquecer o que Manuela me disse no seu suave gauchês, olhando com aqueles seus olhos grandes que parecem falar.

“Eu há tempos queria te contar que sou jornalista por culpa tua. Estava achando muito chata a faculdade, pensando que não tinha jeito para isso. Mas, depois de te ouvir, mudei de idéia. Fiquei e acabei me formando”.

Depois de ouvir estas doces palavras, até pensei comigo: se tivesse 30 anos e 30 quilos a menos, não sei não… Brincadeira, Zé Eduardo, brincadeira…(José Eduardo Cardoso, valente deputado federal do PT, é o feliz contemplado com o amor de Manuela).

Acordei tão inspirado que acabei até criando um jingle para ela, o “Vanerão da Manuela”, que é mais ou menos assim:

Manuela, Manuela

Manuela bela

Nossa prefeita

Mais que perfeita

Só pode ser ela

Só pode ser ela

Vamos todos manuelar

Vamos todos manuelar

Fica a sugestão. Se a Manuela gostar, fique à vontade, pode usar. Pode até dizer que é uma contribuição do Moreno para ele não ficar com ciúmes.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
24/09/2008 - 20:25

Sem novidades no “front” de Brasília

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Acabei de chegar da chamada Capital Federal, onde passei o dia, mas lamento frustrar os leitores: não há novidades. Encontrei tudo calmo, na mais absoluta normalidade. Voltei sem manchetes, sem grandes notícias, nem pequenas, pra dizer a verdade.

Será esta uma boa manchete numa cidade que vive em crise?

Fui a Brasília para participar de uma reunião de trabalho sobre um livro que estou organizando e preciso entregar até o final do ano. Aproveitei para tomar um café no Palácio do Planalto. Estava tudo tão silencioso e deserto que parecia feriado.

O presidente Lula ainda se encontrava em Nova York, de onde embarcaria de volta ao Brasil no final da noite, e o interino José Alencar estava despachando no meio da tarde em seu gabinete de vice no Anexo do Planalto.

É isso, caros amigos. Escrevo este post apenas para dar uma satisfação aos leitores sobre a minha ausência aqui durante todo o dia. Melhor assim. O “Balaio” não pode virar uma escravidão.

Se tem novidades, a gente conta. Se não tem, melhor deixar pra amanhã. Acho que nunca escrevi um texto tão curto na minha vida…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/09/2008 - 12:30

De 2008 a 2010: postes, penas voando, Ipea, pesquisas

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São tantos assuntos hoje no noticiário… Vou tentar passar a régua no variado cardápio dos jornais, até porque está tudo espalhado em diferentes páginas, mas há um fio condutor entre eles, ligando os fatos de 2008 a 2010.

Tivemos ontem a divulgação simultânea de duas importantes pesquisas que nos permitem entender um pouco o quadro político brasileiro a poucos dias da eleições municipal deste ano e sua relação com a sucessão presidencial daqui a dois anos.

Segundo o Ipea, 14 milhões de brasileiros subiram de faixa social no Brasil, 3,6 milhões dos quais passaram da classe intermediária para a classe mais alta. Ou seja, estão vivendo melhor.

Segundo a pesquisa CNT/Sensus, o presidente Lula bateu novos recordes de aprovação, beirando agora os 70% de ótimo e bom. Restaram apenas 6,8% de brasileiros que deram uma valiação negativa para o governo.

É claro que uma pesquisa está diretamente relacionada a outra, deixando sem discurso o cada vez menor contingente de opositores _ quanto menor, mais raivoso e barulhento, como se pode notar em suas colunas, blogs e nos comentários de seus leitores.

Para camuflar estes números, pegaram um apêndice da pesquisa CNT/Sensus que reitera o já conhecido favoritismo do governador José Serra nas eleições de 2010, e repetiram nas manchetes mais ou menos o slogan da campanha de Geraldo Alckmin em São Paulo: Lula, tudo bem, mas o PT, sem chances.

É algo tão extemporâneo fazer previsões sobre uma eleição marcada para para daqui a dois anos, que basta pegar as pesquisas feitas semanas antes da atual campanha municipal para mostrar a forçação de barra destas manchetes e as consequentes análises dos analistas e cientistas políticos de plantão.

Vamos pegar o caso dos três postes que estão praticamente eleitos já no primeiro turno em três grandes cidades: Eduardo Paes, o candidato de Sergio Cabral, no Rio; Márcio Lacerda, o candidato de Lula, Aécio e Fernando Pimentel, em Belo Horizonte, e João Costa, o candidato de Lula, Eduardo Campos e João Paulo, no Recife.

Em pouco mais de um mes de campanha, eles sairam da rabeira das pesquisas para o topo apenas com a divulgação dos seus apoiadores nos programas de rádio e televisão. Os candidatos antes favoritos já foram solenemente para o espaço.

Quem é que pode hoje prever como estarão o Brasil e o mundo em 2010, se é que haverá Brasil e mundo após o apocalipse financeiro do sistema bancário americano?

Enquanto isso, as penas continuam voando no arraial tucano em São Paulo, com kassabistas e geraldistas a cada dia mais assanhados para destruir o inimigo interno a qualquer custo, deixando Marta, do PT, navegar em mar sereno rumo ao segundo turno.

Qualquer que seja o desfecho desta refrega entre Kassab e Alckmin, certamente haverá sequelas para a aliança demo-tucana desenhada para 2010, tornando ainda mais imprevisível o cenário político da sucessão presidencial.

Por isso, qualquer previsão para o que pode acontecer depois das eleições de 5 de outubro fica hoje entre o desejo e a lorota.

O fato concreto fica por conta do título destacado pela “Folha” em sua página A10 desta terça-feira: “44% votariam em candidato indicado por Lula, diz Sensus”.

Em 2010, acho que nem Deus ainda sabe o que pode acontecer.

 

 

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
22/09/2008 - 17:20

O apelo da leitora transplantada: digam sim à doação!

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Em apenas dez dias no ar, o “Balaio” me deu hoje mais um exemplo de como o jornalismo, de vez em quando, também pode servir de instrumento para fazermos alguma coisa boa aos outros, em lugar de só publicar denúncias, falar de desgraças e cultuar celebridades.

O exemplo veio da leitora Maria do Socorro de Souza em seu comentário das 12h06 em que ela faz um apelo: “Digam sim à doação, graças a um gesto desses estou viva!”

Tocada pela história dos dois militares em que um salvou a vida do outro ao doar seu rim para transplante, que postei no sábado (ver abaixo), Maria do Socorro conta o que aconteceu com ela:

“Como transplantada de rim duas vezes, com orgão de doador falecido, completando 12 anos de uma nova existência, após sete anos de longa e dolorida espera, exorto a todos aqueles que tiverem a oportunidade imitarem o gesto do Lyra em vida e também os que podem decidir sobre a doação de orgãos de seus familiares falecidos”.

Esta é uma boa semana para tratarmos deste tema vital para os milhares de brasileiros que aguardam nas filas de transplante.

Maria do Socorro me lembra que na próxima sexta-feira, dia 26, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Orgãos.

Tenho certeza de que muitos outros leitores passaram por experiências iguais às da Maria do Socorro ou têm parentes e amigos que foram salvos por gestos como o do tenente-coronel aviador Geraldo Lyra, que doou seu rim em vida a um amigo.

Podemos usar este espaço na internet para contar estas histórias e motivar mais pessoas a doar seus orgãos.

Era este meu principal objetivo como mostrei no texto de apresentação do “Balaio” no último dia 11: fazer de todos ao mesmo tempo emissores e receptores de informações, trocando experiências, que é a grande revolução desencadeada pela internet nas comunicações humanas.   

 

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/09/2008 - 15:20

Ter amigos vale mais do que dinheiro

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Quem me forneceu o título acima foi um motorista de táxi que me levou do Galeão para o Copacabana Palace na segunda-feira.

Contei-lhe que estava indo para este hotel porque os outros estavam todos lotados, e um amigo, em viagem, me ofereceu seu apartamento para pernoitar no Copacabana (ver post anterior).

O taxista riu e, como bom carioca, emendou sua filosofia de bate pronto: “Tá vendo? É melhor ter amigo do que ter dinheiro. Mesmo tendo dinheiro para pagar, o senhor não encontrou hotel. E agora vai ficar no Copacabana Palace de graça…”

Várias concidências me levam a voltar a este tema da amizade. Como vocês poderão ler nos dois posts anteriores abaixo, conto ali a belíssima história da amizade de dois tenentes-coronéis aviadores, colegas de turma desde o início da carreira, em que um salvou a vida do outro doando seu rim.

Passei o fim de semana sem a família em São Sebastião _ agora até os netos estão cheios de compromissos sociais nos fins de semana… _, mas não fiquei sozinho, coisa que detesto.

Desde que cheguei ao bar do Boi na quinta-feira, passei estes dias cercado de bons amigos que não via há tempos e fui servido de ótimos peixes recém-saídos do mar de Toque-Toque Pequeno, uma antiga aldeia de pescadores.

Numa noite, dando uma última pescada nas mensagens do outlock, encontro uma preciosidade sobre o mesmo tema da amizade que me foi enviada por Frei Betto, outro amigo desses que a gente chama de irmão.

Veio com um curto recado: “Envio o texto abaixo a você e Mara. Não é meu. Mas diz tudo. Fraternura. Betto”

Fiquei sem saber quem é o autor, mas vale a pena reproduzí-lo para vocês:

Um jovem recém casado estava sentado num sofá num dia quente e úmido,

bebericando chá gelado durante uma visita ao seu pai.

Ao conversarem sobre a vida, o casamento, as responsabilidades da vida, as obrigações da pessoa adulta, o pai remexia pensativamente os cubos de gelo no seu copo e lançou um olhar claro e sóbrio para seu filho.

_ Nunca esqueça de seus amigos!, aconselhou. Serão mais importantes na medida em que você envelhecer.

Independentemente do quanto você ame sua família, os filhos que porventura vier a ter, você sempre precisará de amigos.

Lembre-se de ocasionalmente ir a lugares com eles; faça coisa com eles; telefone para eles…

Que estranho conselho!, pensou o jovem.

Acabo de ingressar no mundo dos casados. Sou adulto. Com certeza minha esposa e família que inciaremos serão tudo que necessito para dar sentido à minha vida!

Contudo, ele obedeceu ao pai.

Manteve o contato com seus amigos e anualmente aumentava o número deles.

Na medida em que os anos se passavam, ele foi compreendendo que seu pai sabia do que falava.

Conforme o tempo e a natureza realizam suas mudanças e mistérios sobre um homem, amigos são baluartes de sua vida.

Passados mais de 40 anos, eis o que ele aprendeu:

O Tempo passa.

A vida Acontece.

A distância separa.

As crianças crescem.

Os empregos vão e vêm.

O amor fica mais frouxo.

As pessoas não fazem o que deveriam fazer.

O coração se rompe.

Os pais morrem.

Os colegas esquecem os favores.

As carreiras terminam.

Mas… os verdadeiros amigos estão lá, não importa quanto tempo e quantos quilômetros estão entre a gente.

Um amigo nunca está mais distante do que o alcance de uma necessidade, torcendo pela gente, intervindo em nosso favor, e esperando de braços abertos, abençoando a nossa vida!

Quando iniciamos esta aventura chamada vida, não sabíamos das incríveis alegrias ou tristrezas que estavam adiante.

Nem sabíamos o quanto precisaríamos uns dos outros.

Remeta este texto a todos os camigos que ajudam a dar sentido à sua vida.

É o que estou fazendo.

Meu pai morreu antes de poder me dar estes conselhos. Aprendi sozinho o valor da amizade. Por isso, convido os leitores a participarem desta corrente contando também as suas histórias de amigos e amizades.

Bom final de domingo.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
21/09/2008 - 14:50

Os amigos do transplante de rim passam bem

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Muitas vêzes conto uma história aqui no “Balaio” ou na coluna e vocês ficam sem saber como ela continua, como termina. Em jornal, acontecia muito isso comigo, mas na internet dá para ir atualizando, contando em capítulos, como vou fazer agora.

“Estou a cada dia melhor. As dores diminuiram e já ensaiei um passeio na quadra”, conta o tenente-coronel aviador Geraldo Lyra, que doou seu rim para ser transplantado em seu seu amigo Davi Rogério da Silva Castro, também tenente-coronel aviador (ver post anterior).

Lyra está feliz da vida. “Vários colegas que acessam o iG e não sabiam da cirurgia me ligaram. Foram muitas as demonstrações de carinho. Mas o principal foi que muitos me perguntaram se eu sabia como proceder para outros tipos de doação de orgãos, tais como medula. Achei muito legal!”

“Aqui em casa minha mulher chora a cada nova boa notícia do Davi e chora também pelas mensagens que acompanham seu blog”.

Ontem fiquei devendo mais informações sobre o receptor do rim e a sua parte nesta história. Davi ainda está internado no Hospital Sírio-Libanês, recebendo medicação, e foi de lá que me enviou a mensagem que transcrevo abaixo.

Davi, 43 anos, é carioca, casado, tem um filho e trabalha atualmente no Comando-Geral de Operações Aéreas (COMGAR),  chefe do Centro de Estudos e Valiação da Guerra Aérea (CEAGAR), em Brasília. Seu relato:

“Nos conhecemos na Academia da Fôrça Aérea, em 1984. Nossa amizade surgiu pela assiduidade de ambos no Clube de Vôo a Vela dos Cadetes nos finais de semana, quando verifiquei várias vezes, como passageiro, a perícia do Lyra na pilotam de planadores. Fui honrado por ele e pela esposa como padrinho de batismo de Leonardo, seu primeiro filho. Nunca perdemos contato, mesmo distantes.

Depois de alguns eventos de dor de cabeça e pressão alta desde 2006, fui a um cardiologista em setembro do ano seguinte. No momento da consulta ele perguntou se eu tinha insuficiência renal, o que me preocupou bastante, pois essa foi a causa da morte do meu irmão, algumas semanas antes.

Ele morava no interior do estado do Rio com minha mãe, estava aposentado desde os 40 anos por conta de hipertensão arterial, mas foi muito mal assistido e não percebeu que estava gravemente doente.

A hipertensão é uma doença que pode ter várias causas, inclusive renal, e gera consequências terríveis para o coração e para os vasos capilares do cérebro, dos olhos e do próprio rim. Ou seja, sem tratamento adequado, pode-se entrar num processo lento de desequilíbrio químico e intoxicação irreversível.

Impediatamente procurei vários médicos, inclusive em São Paulo, mas a função renal foi decaindo sem razão primária e num ritmo bastante anormal. Em março fiz a segunda biopsia do rim, sem diagnóstico conclusivo. Nessa altura eu tinha apenas 20% de função renal, o que me habilitou a fazer inscrição na fila de transplante em São Paulo. Essa opção me parecia única em função do caráter genético da disfunção e pelo fato da minha esposa ser portadora de doença auto-imune (LES).

Foi mais ou menos por aí que voltei a comentar com o Lyra sobre minha situação. Ele já havia me ajudado numa consulta com um cardiologista da Presidência, quando eu lhe contei do meu problema de hipertensão. Percebeu meu emagrecimento e imediatamente colocou-se à disposição para ser doador. Essa também foi a postura de um outro colega de turma, o tenente-coronel Arnaldo, comandante do 1º Grupo de Defesa Aérea, de Anápolis. Todos temos sangue tipo “O”.

Bem, inicialmente fiquei muito agradecido aos dois pela generosa oferta, mas eu tinha duas esperanças: interromper a tendência de queda da função renal pela dieta e medicamentos ou conseguir um doador da fila. Com o passar do tempo, nenhuma das duas opções se confirmou e foi então que o Lyra me deu um “ultimato” para completarmos os exames de compatibilidade.

Fizemos tudo com o apoio do sistema de saúde da Fôrça Aérea e qual não foi a surpresa quando o teste final, realizado no Incor, em são Paulo, apresentou um resultado excelente para não aparentados. Com isso, iniciamos os procedimentos para obter autorização juficial, auxiliados por outro companheiro de turma, advogado em São Paulo.

Ainda não tive oportunidade para me expressar adequadamente como sou agradecido ao Lyra, à família dele, minha esposa e tantos outros companheiros e chefes sobre o que está acontecendo na minha vida. Há tantos obrigados a serem ditos e tantas juras de lealdade eterna que terei que “dar um tempo” para fazer isso exclusivamente.

Há uma coisa que ficou mais patente com esses eventos e se confirma nos depoimentos de outras pessoas: a amizade que começou com um grupo de alunos de Barbacena, em 1981, e que recebeu reforço na Academia da Fôrça Aérea, em 1984.

A união da “Turma Águia” (www.turma-aguia.com) é reconhecida por outras turmas como exemplar em todos os aspectos e, agora, também no divino”.  

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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