Arquivo de setembro, 2008
30/09/2008 - 16:58
São apenas palpites, mistura de feeling e achômetro, especulações feitas com algum fundamento estatístico: Kassab é favorito para ganhar de Marta no segundo turno em São Paulo e Serra caminha para uma vitória contra Dilma em 2010, eleição em que, na sua opinião, só dois candidatos fortes deverão concorrer.
Feitas as ressalvas que ele me pediu, durante um bom e demorado almoço com a equipe do iG, é bom deixar claro que não se trata de um palpiteiro qualquer. As previsões acima são de Carlos Augusto Montenegro, 54 anos, que desde os 20 comanda o Ibope, maior instituto de pesquisas da América Latina.
Para justificar seus palpites, ele utiliza argumentos diferentes nas duas situações _ a eleição municipal de domingo que vem e a presidencial daqui a dois anos. Vamos começar pelo quadro que Montenegro desenha para a sucessão presidencial e em seguida falamos das eleições de domingo.
Palpites federais
Na sucessão de Lula, Montenegro acredita que a “bola da vez” é o governador paulista José Serra, assim como me dissera, no início da campanha de 2002, fez questão de lembrar, que a “bola da vez” era Lula _ e, como sabemos, acertou..
Por um motivo principal: desde o trauma Collor, o eleitorado brasileiro não elege mais candidatos fabricados, mas apenas aqueles que têm um currículo, uma história de vida política.
Na opinião do presidente do Ibope, o PT ficou sem um candidato natural, com currículo e história, após a perda de suas principais lideranças na crise do mensalão. E agora restaria pouco tempo para construir um nome forte para concorrer com Serra.
Mesmo repetindo várias vezes que Lula sairá do Palácio do Planalto com um altíssimo índice de aprovação popular, talvez como o maior presidente da nossa história republicana, só comparável a Juscelino e Vargas, Montenegro não acredita que ele terá condições de eleger seu sucessor pelos motivos apontados acima.
“Não tem no Brasil ninguém com uma história igual à do Lula, de Caetés ao Palácio do Planalto. Mas só isso não será suficiente para eleger o sucessor. Ganhando ou perdendo em 2010, a imagem de Lula não estará em jogo. Ele não será julgado, já está na história”.
Montenegro vai mais longe: “Lula vai ter prazer em passar a faixa para o Serra porque eles estiveram juntos em quase todas as lutas políticas desde a ditadura. E o Serra, com certeza, não vai ter muito como mudar o que Lula já fez, especialmente na área social. Vai tocar o barco no mesmo rumo”.
Franco e direto nas suas análises, sem as filigranas de finos analistas políticos, o economista Montenegro, que não chegou a trabalhar nesta profissão, acredita que o próximo presidente deverá ser José Serra, “até pela falta de concorrentes”.
Na sua avaliação, as chances de Ciro Gomes são de 0% porque ele não será o candidato de Lula e há uma ”fadiga de material” sentida pelo eleitorado por sua participação em campanhas anteriores: “O maior adversário do Ciro é o Ciro”. Da mesma forma, avalia que já passou a vez de Heloísa Helena, do nanico PSOL, ausente do cenário nacional desde que rompeu com o PT e concorreu com Lula em 2006.
Os dois outros grandes partidos, o PMDB e o DEM, segundo ele, não têm candidatos nem para vice e, por isso, acredita que apenas dois nomes, um da situação e outro da oposição, vão disputar para valer a sucessão de Lula.
“Não vai dar tempo de fabricar um outro candidato daqui até 2010″, afirma com convicção, sem pedir off na conversa. “Eu sempre gosto de falar em on, me sinto mais à vontade. Mas o que estou dizendo aqui são apenas palpites meus, não são análises do Ibope”.
Mesmo reconhecendo que Serra não é um político que prima pela simpatia e pelo carisma, Montenegro baseia sua análise no favoritismo do tucano em dois fatores: o seu currículo político (secretário estadual, deputado federal, senador, prefeito, governador) e, principalmente, no seu trabalho no Ministério da Saúde durante o governo FHC, “em que deixou uma marca de competência. E a saúde hoje é ainda um dos grandes problemas nacionais, como estamos vendo agora nesta campanha eleitoral”.
Palpites municipais
Sem consultar qualquer anotação ou pesquisa do seu Ibope, Montenegro faz uma viagem pelo país e vai nos falando de como vê a situação eleitoral neste momento, em cada capital brasileira, a cinco dias da abertura das urnas, falando com a naturalidade de quem analisa as próximas rodadas do Brasileirão e as chances do seu Botafogo.
Como característica central desta campanha de 2008, o presidente do Ibope aponta um quadro bastante favorável para os prefeitos candidatos à reeleição, em consequência do “momento mágico que o país está vivendo”:
“O Brasil está muito bem, apesar da crise americana que se alastra pelo mundo. Por isso, o Lula está transferindo seu prestígio para todos os governantes do país, seja de qual partido for, do PT ou qualquer outro. As pessoas pensam: se está bom assim, melhor deixar como está”.
Previsão para algumas das principais capitais:
São Paulo: A análise acima é a principal razão para Montenegro considerar o atual prefeito Gilberto Kassab favorito na disputa com Marta Suplicy no segundo turno em São Paulo. Para ele, o ex-governador Geraldo Alckmin está fora da disputa, por uma série de erros cometidos na campanha. O principal deles:
“Alckmin nunca foi visto como um grande administrador, mas como uma pessoa equilibrada, séria, tranquila. Nesta campanha, ele está perdendo estas características. Fez tudo errado o tempo todo. Ele seria praticamente nomeado governador de São Paulo em 2010, porque o PSDB não tem outro candidato para a sucessão estadual. Jogou no lixo uma eleição garantida para governador e deixou o Serra numa situação muito ruim porque para ele é importante manter a aliança com o DEM para 2010″.
Porto Alegre: Pela primeira vez em 20 anos, o PT pode ficar fora do segundo turno em Porto Alegre. O prefeito José Fogaça, do PMDB, já está lá e não dá para prever com quem disputa o segundo turno. Tanto pode ser com Maria do Rosário, do PT, como contra Manuela D´Ávila, do PC do B. Aqui também Montenegro aponta o fator “fadiga de material” para explicar as dificuldades da candidatura do PT.
Rio de Janeiro: Não dá para saber quem vai disputar o segundo turno com Eduardo Paes, do PMDB, o candidato do governador Sergio Cabral. Vai depender do tamanho da ”onda Gabeira” que vem se formando nos últimos dias e do voto útil da esquerda _ nele ou em Jandira Fegalli, do PC do B _ para evitar que o bispo Marcello Crivella, do PR, vá para o segundo turno. Até eleitores de Eduardo Paes podem entrar nesta onda, mas o perigo está exatamente aí, alerta Montenegro.
Ele lembra o caso de Porto Alegre nas últimas eleições. Certo de que Germano Rigotto, do PMDB, já estava no segundo turno, muitos eleitores dele votaram em Yeda Crusius, do PSDB, no primeiro, para tirar da disputa Olívio Dutra, do PT. Quem ficou de fora foi Rigotto e Yeda se elegeu.
Salvador: Vai ser a eleição mais emocionante do país, prevê Montenegro. Para ele, o ex-prefeito Antonio Imbassahy, que começou bem a campanha, já está praticamente fora e a disputa se dará entre Walter Pinheiro, do PT, e o atual prefeito, João Henrique, do PMDB, para ver quem enfrentará ACM Neto, do DEM, que lidera as pesquisas. No segundo turno, a definição é imprevisível, dependendo muito da participação que o governador Jaques Wagner e o presidente Lula terão na campanha de Pinheiro na etapa decisiva.
Belo Horizonte: Ao contrário da maioria dos analistas, o presidente do Ibope não crava a vitória de Márcio Lacerda, do PSB, já no primeiro turno, apesar dos seus poderosos padrinhos, o governador tucano Aécio Neves e o prefeito petista Fernado Pimentel. Se houver segundo turno, Montenegro acredita que a disputa se dará com o PMDB e Lacerda deve ganhar.
Recife: Deve ganhar João da Costa, do PT, no primeiro turno.
Fortaleza: Deve ser reeleita a prefeita Luizianne Lins, do PT, no primeiro turno.
Curitiba: Beto Richa se reelege no primeiro turno.
Vitória: Deve ser reeleito João Cozer, do PT, no primeiro turno.
Goiania: Deve ser reeleito Íris Rezende, do PMDB, no primeiro turno.
Uma última pergunta para Montenegro: em que capitais as disputas prometem ser mais emocionantes no segundo turno?
Montenegro; “É mais fácil vocês me perguntarem onde não vai ter emoção nenhuma. Vai ser no Rio de Janeiro, onde o Eduardo Paes deve levar, qualquer que seja seu adversário. Acho que poucas capitais terão disputa de segundo turno desta vez. Mas, onde tiver, vamos encontrar cidades rachadas meio a meio e a disputa vai se dar voto a voto”.
Em tempo: leia o que o botafoguense Carlos Augusto Montenegro falou sobre a sucessão presidencial no seu time e na CBF no blog do meu colega Maurício Stycer aqui mesmo no iG.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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30/09/2008 - 10:03
O jogo está jogado em São Paulo. A não ser que aconteça algum fato novo ou uma virada de última hora, os palanques do segundo turno já estão montados e prometem fortes emoções.
De um lado, Marta do PT, com o apoio do presidente Lula, que ontem bateu novos recordes de avaliação positiva na pesquisa CNI/Ibope, chegando a 80% de ótimo/bom.
De outro, Kassab do DEM/PSDB, com o apoio do governador Serra, que finalmente terá que fazer sua estréia nos palanques paulistanos.
Depois do debate de domingo na Record e dos penúltimos programas do horário político apresentados ontem à noite, e com o provável cancelamento do debate da Globo marcado para quinta-feira, nada indica que esta última semana de campanha mude o cenário da eleição paulistana no primeiro turno.
Numa derradeira tentativa de virar o jogo e as pesquisas, que hoje levam o prefeito Gilberto Kassab para o segundo turno contra Marta Suplicy, o ex-governador Gerlado Alckmin mudou o alvo no seu programa de segunda à noite, mirando agora no PT para mostrar que tem mais chances de enfrentar o demonio vermelho.
“Nós já derrotamos o PT várias vezes. Nós queremos derrotar o governo irresponsável do PT na cidade”, disparou à tarde durante caminhada pela zona leste e repetiu à noite no programa de TV.
É um plágio da estratégia de Paulo Maluf na campanha municipal de 1992, quando seu adversário era Eduardo Suplicy, e o slogan da sua campanha era mais ou menos assim: “Não temos nada contra o Suplicy, mas não queremos mais o PT aqui”.
Só que, de lá para cá, muita água rolou nestes 16 anos. Pode ter sido tarde demais, porque na mesma hora em que Alckmin trocava Kassab pelo PT como alvo dos seus últimos tiros, o ex-presidente FHC já estava reunido em seu escritório com a alta cúpula do DEM para acertar a aliança dos dois partidos no segundo turno.
Segundo o noticiário dos jornais, FHC também já trabalha com o enfrentamento entre Marta e Kassab, que inevitavelmente trará para os palanques do segundo turno em São Paulo uma pré-estréia da disputa pela sucessão presidencial de 2010.
Tanto Lula como Serra sabem que é aqui que começa a se desenhar o cenário para os palanques da campanha de daqui a dois anos e terão que suar a camisa para garantir a vitória dos seus respectivos candidatos.
A partir da próxima segunda-feira, contados os votos do primeiro turno, é hora de ver quem tem mais café no bule. O quadro, no momento, mostra-se absolutamente indefinido. Em todas as pesquisas, Marta e Kassab estão tecnicamente empatados nas projeções para o segundo turno.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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29/09/2008 - 17:27
A vida não é só notícia. Convencido disso, larguei o computador, almocei correndo e fui pegar minha neta mais velha, a Laurinha, para levá-la ao curso de natação, coisa que não fazia há tempos. Não tem programa melhor.
A farra começa na van que leva dez crianças da escolinha infantil até a piscina. Os pais vão junto, quer dizer, só as mães. É estranho isso ainda acontecer numa época em que as mulheres também trabalham fora e já estão dominando o mercado de trabalho em várias áreas, mas ainda são elas que levam os filhos para lá e para cá.
O único pai que sempre encontro na van é o Oscar Motta Mello, assessor de imprensa especializado em meio ambiente, que também trabalha em casa por conta própria como eu. Conversando na beira da piscina aquela conversa boa sem pressa nem interesse, chamou-nos a atenção o fato de só mães levarem os filhos para aprender a nadar _ e, certamente, para todos os outros cursos que eles frequentam.
Por que será? Se elas também trabalham, por que só as mulheres devem se encarregar dessa tarefa?
Para falar bem a verdade, aqui em casa sempre foi assim também. Minha mulher sempre trabalhou, e foi ela quem criou praticamente nossas meninas, porque eu estava sempre viajando ou ocupado com coisas ditas mais importantes.
Hoje tenho consciência disso, lamento ter sido um pai ausente. Pode haver alguma coisa mais importante do que acompanhar o crescimento e o aprendizado dos filhos?
Com os netos está sendo diferente. Vejo os três quase todos os dias, aprendendo a andar, a falar, a pular, a cantar, a brigar, a nadar, a dançar, a ter amigos e vontades. Laurinha, que tem cinco anos, filha da minha filha mais velha, já sabe ler e escrever. Outro dia me mostrou que já sabe contar até cem _ em inglês _ , coisa que até hoje não aprendi.
Até hoje também não aprendi a nadar, mas ela já domina todas as modalidades. Tem estilo, faz tudo direitinho. Vendo Laurinha na piscina, reparei como ela deu uma espichada, já está uma mini-mocinha.
Todo mundo fala que ela parece uma princesa, a menina mais bonita da paróquia. E o melhor é que é mesmo… (aqui no “Balaio”, ao contrário do blog e do Nenhenhem do Moreno no “O Globo”, não tem esse negócio de isenção, coisa mais antiga).
Cumprida a doce tarefa de ser avô, cá estou de volta ao computador. O sol deu as caras hoje em São Paulo, e é muito bom poder andar um pouco pelas ruas da cidade para ver como é a vida lá fora, longe das notícias do dia, da bolsa que caiu, do dólar que subiu e de todas estas coisas tão importantes que a gente não vai lembrar daqui a dez anos.
Mas esse passeio com a Laurinha, no meio do dia de uma segunda-feira, com certeza eu não vou esquecer.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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29/09/2008 - 12:14
Acabo de receber o livro “É câncer! _ O relato de um homem com tumor na próstata e tudo o que você deve saber sobre o assunto: do diagnóstico à cura”, de José Alberto de Camargo e Camilo Vanuchi, lançado pela editora Oirã.
Os autores são meus amigos faz tempo e assim pude acompanhar a produção deste livro desde o início. Camargo é um grande empresário da área de mineração que descobriu que tinha câncer na próstata aos 68 anos, em fevereiro de 2003. Camilo é um jovem jornalista que sabe escrever e, por isso mesmo, foi chamado para colocar a história no papel.
Mas Camilo não se limitou a colher longos depoimentos de Camargo para contar seu drama, desde o momento em que ficou sabendo o diagnóstico, até controlar o câncer, graças a um tratamento de braquiterapia, que consiste no implante de cápsulas radioativas na próstata.
O jornalista fez o que todos devemos fazer diante de um tema desses: conduziu um alentado trabalho de pesquisa, levantando estatísticas e fazendo entrevistas com respeitados especialistas. Fez uma grande reportagem, enfim, que resultou num livro bom de se ler.
Já tinha dado uma passada rápida nos originais, mas agora pretendo ler “É câncer!” com calma, porque este é um assunto de importância vital para qualquer homem na minha idade e até para os mais novos. Resolvi, porém, escrever logo esta nota porque sou muito lento para ler e o tempo não perdoa nesses casos.
Na apresentação do livro, o câncer de próstata é definido como “um inimigo que pode facilmente ser vencido quando flagrado a tempo”. Dar este alerta foi o principal objetivo de Camargo ao resolver escrever o livro com Camilo (parecem nomes de dupla sertaneja..) e eu mesmo sou um exemplo de como isso funciona.
No século passado, quando eu ainda era jovem, o urologista Nelson Forjaz diagnosticou uma alteração na minha próstata e recomendou imediata cirurgia par fazer a redução do orgão. Para meu alívio, o resultado da biopsia deu resultado negativo (anos mais tarde, o mesmo médico descobriu que eu tinha câncer no intestino, do qual já estou curado, graças a outro médico, o cirurgião Paulo Corrêa).
Camilo foi ouvir especialistas como o urologista Miguel Srougi, de quem hoje sou paciente, e o incansável oncologista Dráuzio Varela, um dos melhores brasileiros que conheço. Só pelas entrevistas desses dois papas no assunto, o livro já vale a pena, mas ele é muito mais, uma lição de vida, como bem está definido no texto da contra-capa:
“Esta é a história de uma guerra travada com medo e coragem, confiança e dúvida, raiva e bom humor, desespero e esperança”.
Não percam, vale a pena ler este livro.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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29/09/2008 - 10:54
A única novidade no debate com os prefeitáveis promovido pela TV Record de São Paulo, no domingo à noite, foi o formato adotado, que abriu espaço para a participação de duas ótimas jornalistas, Adriana Araújo e Cristina Lemos, em dois blocos do programa moderado pelo competente Celso Freitas.
O resto foi uma repetição pelos três candidatos que estão na disputa (Marta, Kassab e Alckmin) e os cinco figurantes dos mesmos slogans, promessas e clichês já exibidos nos dois debates anteriores na TV Bandeirantes e, durante um mês e meio, no horário de propaganda política.
Desta vez, as duas jornalistas deram vida ao debate. Não aceitaram o papel de coadjuvantes, apenas perguntando aos candidatos quais seus planos para isso ou aquilo, como costuma acontecer.
Foram contundentes o tempo todo, exploraram as contradições, jogaram um candidato contra o outro, perguntaram o que qualquer eleitor gostaria de saber nesta reta final de campanha. Foram boas repórteres, enfim.
Perguntaram, por exemplo, a um dos dois nanicos ou laranjas, nunca sei quem é quem nem consigo lembrar os nomes, se ele acha mesmo que vai para o segundo turno, não tendo chegado ainda a um por cento nas pesquisas.
A resposta indigente do sujeito que tropeçou ao mesmo tempo nas idéias e nas palavras, não conseguindo juntar uma coisa a outra, deveria ser transcrita e encaminhada ao Congresso Nacional para apressar a discussão de uma reforma política no país.
Não dá mais pra ficar brincando de democracia e achar que é normal esta salada de letras e siglas partidárias, que ninguém sabe o que significam, e a cada eleição reapresentam estas figuras grotescas, que só servem para atrapalhar o debate e prejudicar os eleitores.
Nem o sério e compenetrado Geraldo Alckmin suportou esta farsa, como reparou o Nelson de Sá em seu comentário na “Folha”. A certa altura, antes de dar sua resposta, Alckmin perguntou:
“A quem serve Ciro Moura?”.
Os eleitores, certamente, também gostariam de saber. Mas ele não respondeu.
Depois deste debate, se eu votasse em São Paulo, ficaria na dúvida entre Adriana Araújo e Cristina Lemos…
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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28/09/2008 - 18:39
Como são-paulino, claro que fiquei feliz porque meu time finalmente ganhou uma. Está certo que ganhamos com dois gols de bola parada contra um Cruzeiro que jogou pedrinha, no final de uma pelada grotesca, em que a bola foi maltratada como poucas vezes se viu no Morumbi desde que o estádio foi inaugurado faz 48 anos.
Mas não adianta se iludir, meu caro Muricy. Melhor do que ninguém você sabe que o time do São Paulo este ano é muito ruim e não adianta ficar o jogo inteiro gesticulando e blasfemando à beira do campo.
Eles até que se esforçam, correm o jogo todo atrás da bola, mas, quando a acham, não sabem o que fazer com ela. Não acertam um passe. Quando conseguem acertar dois, o que é raro, perdem a bola em seguida.
O time não tem meio de campo, faz ligação direta entre a defesa e o ataque, só sabe dar chutão. A defesa continua boa, é o ponto forte do time faz tempo, mas o resto… Um time que depende do Borges para marcar gols, faça-me o favor, é porque não tem ataque _ e o artilheiro vive machucado.
O fato é que perdemos meio time de um ano para outro e a diretoria pisou na bola nas contratações que fez para 2008. Errou feio. Adriano, o único que deu certo, já foi embora.
Vamos falar a verdade: se continuar jogando desse jeito e, por um milagre, o São Paulo conquistar o tri este ano, isso só vai provar a mediocridade do futebol brasileiro nesta altura do campeonato.
Melhor é começar a pensar desde já em 2009, já que acertadamente a diretoria renovou o contrato do Muricy até o final do ano que vem. No começo do ano pensei que a culpa do mau futebol era dele, e até escrevi isso, mas estava errado. O elenco é que é ruim.
Muricy levou meses para ouvir os apelos da torcida e acabou deixando Richarlyson no banco, mas o fato é que o time é limitado, cheio de jogador meia boca, desses que batem cartão em campo, mas não inspiram ninguém a ver o jogo, muito menos a ir ao estádio. Às vezes dá até raiva ver esse São Paulo jogar.
Antes do jogo contra o Cruzeiro começar, quando perguntaram a Muricy o que ele achava da decepcionante torcida tricolor presente ao Morumbi, ele foi sincero. “A torcida só vai voltar ao estádio quando o time começar a jogar bem”.
Ainda não foi desta vez. Ganhamos no sufoco, mais uma vez graças aos zagueiros que foram para o ataque e marcaram os dois gols: o primeiro, com André Dias, escorando de cabeça o milésimo escanteio batido pelo Jorge Wagner, o segundo, numa falta bem cobrada pelo lateral Jeancarlos. E foi só.
Quem sabe não está na hora de lançar logo os bons juvenis revelados no Morumbi, como Sergio Motta e Oscar. O menino Jean não está dando muito certo? Então, vale a pena arriscar com os outros dois porque não dá mais para ver as jogadas “ensaiadas” de Dagoberto e André Lima, outra contratação equivocada.
A gente sempre sabe o que Dagoberto vai fazer: um drible, dois dribles, no terceiro perde a bola. Nos pés de André Lima, mesmo quando chega redonda, a bola vira um tijolo.
Muricy vai acabar ficando rouco ou tendo um enfarte de tanto gritar. Melhor é acertar esse time antes dele entrar em campo. Depois, como vimos hoje, mais uma vez, não adianta…
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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28/09/2008 - 10:03
Aqui em São Paulo precisamos consultar a folhinha para nos lembrarmos que daqui a apenas uma semana iremos às urnas para eleger nosso novo prefeito. É hora de fazer um balanço de quem subiu e de quem caiu neste mês e meio de campanha no rádio e na TV.
Foi uma campanha diferente. Fora dos lugares visitados pelos candidatos neste domingo cinzento e frio, não há até agora sinais exteriores de campanha eleitoral na maior cidade do país.
Quase não se vê carros com adesivos dos candidatos, os postes continuam limpos, rararamente se vê uma bandeira, não se ouve a barulheira dos carros de som, como em outras cidades deste imenso Brasil por onde passei nesta campanha municipal.
As últimas pesquisas mostram um crescimento do PT nas 79 principais cidades do país, onde moram 46,5 milhões de eleitores, como revela alentado levantamento publicado hoje na “Folha” pelo colega Fernando Rodrigues. Em 33 destes municípios, petistas estão em primeiro ou segundo lugar nas pesquisas.
Ao contrário do que escrevi num dos meus primeiros textos sobre eleições, os programas dos candidatos no rádio e na televisão alteraram, sim, as posições em várias capitais.
Em alguns casos, de forma radical. Alguns exemplos:
São Paulo: Marta Suplicy manteve-se o tempo todo com boa folga na liderança desde o início e está no segundo turno, mas inverteram-se as posições entre seus dois concorrentes diretos. Alckmin começou com 31% em julho e caiu para 20% na última pesquisa. No sentido inverso, Kassab começou com 13% e chegou agora a 24%. Ou seja, Alckmin saiu 11 pontos na frente e agora está os mesmos 11 pontos atrás de Kassab, que tem o maior tempo e o melhor programa na televisão.
Rio de Janeiro: o bispo Marcelo Crivella começou na frente e agora pode nem ir para o segundo turno, atropelado por Eduardo Paes, do PMDB, empurrado pelo governador Sergio Cabral, e pelo verde Fernando Gabeira, adotado pelos tucanos, que começaram lá no fundo das pesquisas e agora devem decidir a eleição carioca.
Fortaleza: a prefeita Luizianne Lins e o demo Moroni Torgan começaram empatados em 30%, mas a petista disparou e agora tem 25 pontos de vantagem sobre seu principal concorrente, podendo ser reeleita já no primeiro turno. O marqueteiro dela é o velho e bom Duda Mendonça.
Recife: o desconhecido secretário municipal João Costa, indicado pelo prefeito petista João Paulo para a sua sucessão, também começou na rabeira das pesquisas, teve sua candidatura impugnada na Justiça, mas agora pode resolver a parada já no próximo domingo.
Salvador: disparado na frente das pesquisas no início da campanha, o demo ACM Neto agora está pau a pau com o prefeito João Henrique, do PMDB, e o petista Walter Pinheiro, que começou na laterna, para ver quem se classifica para o segundo turno na disputa mais emocionante e acirrada destas eleições.
Porto Alegre: tudo indicava mais uma disputa ente petistas (a deputada federal Maria do Rosário) e anti-petistas (o atual prefeito José Fogaça, atualmente no PMDB), mas a bela e firme Manuela D´Ávila, do PC do B, correu por fora e agora a disputa do segundo turno está indefinida.
Belo Horizonte: a capital mineira foi palco da reviravolta mais sensacional, puxando do último para o primeiro lugar nas pesquisas o candidato do governador tucano Aécio Neves e do prefeito petista Fernando Pimentel, o milionário socialista Márcio Lacerda, que até outro dia poucos conheciam em Minas.
Em resumo: de acordo com o levantamento do Fernando Rodrigues, mais uma vez é a eleição em São Paulo que vai decidir qual o partido será o campeão de votos nestas eleições.
Hoje, para minha surpresa, o partido que governa mais gente nas 79 maiores cidades do país é o DEM. São 13,3 milhões de pessoas, depois que o demo Gilberto Kassab assumiu a prefeitura de São Paulo em lugar do tucano José Serra, que deixou o cargo para se eleger governador. Em segundo lugar, vem o PT, com 9,4 milhões e, em terceiro, o PMDB, com 7,2 milhões.
Pelas últimas pesquisas, o PT agora poderá governar até 24,9 milhões em 2009, um recorde histórico, mas tudo dependerá do resultado de São Paulo, onde o segundo turno está indefinido, com Marta tecnicamente empatada tanto com Alckmin como com Kassab.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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26/09/2008 - 16:29
Dos blogueiros mais idosos, o único que ainda não declarou publicamente seu voto em Manuela D´Ávila para prefeita de Porto Alegre, é meu velho e bom amigo Jorge Bastos Moreno, de “O Globo”.
Foi ele quem me apresentou a jovem deputada federal do PC do B gaúcho num jantar em sua casa de Brasília e vive falando maravilhas dela.
Moreno se gaba de viver cercado de mulher bonita, mas desta vez afinou. Não tem coragem de escrever em seu blog que Manuela é sua candidata, que está manuelando faz tempo. Por que será?
Olha, esse negócio de jornalista neutro, imparcial, apartidário e o escambau não existe. Todos temos as nossas preferências e os leitores têm o direito de conhecê-las.
Como digo no título, desce do muro, Moreno, vai manuelar, sem medo de ser feliz.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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26/09/2008 - 16:21
O meu São Paulo Futebol Clube ainda não era a potência que é hoje, um papa-títulos que serve de raro modelo de administração profissional no esporte em meio a um cenário de terra arrasada por cartolas amadores e ineptos, para dizer o mínimo.
No começo dos anos 60 do século passado, quando inaugurou só meio estádio (eu estava lá) no Morumbi ainda semi-deserto, e lutava com dificuldades para terminar a obra, o clube não tinha dinheiro para investir no time de futebol.
Mesmo assim, dava gosto de ver o são Paulo jogar e suar a camisa tricolor contra times mais fortes.
Ficamos anos sem ganhar títulos, mas a torcida continuava lá firme, dando força a um time de poucos craques recheado de jovens e muitos manés da bola.
Estou escrevendo tudo isso porque hoje faz um ano que morreu Roberto Dias, aos 64 anos, símbolo da união de garra com talento naqueles tempos de vacas magras em que os jogadores não ganhavam as fortunas de hoje em dia.
Quem me lembrou disso foi o Fábio Matos, da redação da ESPN.com.br, autor do livro Dias _ a Vida do Maior Jogador do São Paulo nos Anos 1960 (Pontes Editores/2007).
Reproduzo só o final do belo texto que o Fábio Matos me mandou, relatando os últimos anos de vida do craque:
O casamento com a esposa Rosita também chegou ao fim, após 12 anos de união, em 1979, e Dias entrou em depressão e passou a sofrer com o alcoolismo. Ele ainda sofreria um segundo infarto e um AVC (acidente vascular cerebral) no mesmo ano.
Em 1989, por intermédio do amigo Gabriel Ribeiro Nogueira, médico cirurgião e grande admirador de Dias, o ex-craque se reaproximou do clube do Morumbi. Passou a trabalhar como professor da escolinha de futebol para os filhos dos sócios do São Paulo e lá ficou por 18 anos, até sua morte.
Em depoimento, há cerca de dois anos, Roberto Dias demonstrava sua gratidão pelo clube que aprendeu a amar. “Depois de voltar a trabalhar no São Paulo, senti uma capacidade de contribuir, de ser útil, o carinho das crianças… Estou vivendo outra vida e pretendo continuar no São Paulo. Vamos ver até quando eles v]o me aguentar, né?”, brincou. “Se eles me aguentarem, vou estar bem velhinho e trabalhando lá”.
Roberto Dias Branco morou desde 1967 no número 1301 da rua Canário, em Moema (zona sul de São Paulo), na casa 6, em uma pequena vila. Em 1986, sete anos após o divórcio, ele pediu à antiga companheira, Rosita, que voltasse a morar com a família. Além de Rosita, ainda moram na casa as duas filhas, Roberta e Samatha, e os dois netos, Rodrigo e Matheus.
Desses ídolos da nossa juventude, a gente nunca deveria se esquecer. Eles fazem parte da nossa própria história.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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26/09/2008 - 15:44
Tem gente que consegue ser inflexível nos seus princípios e na sua luta, mas muito doce no trato com as pessoas, sempre disposta a ajudar os outros.
Se ainda tem uma pessoa assim nos dias de hoje é minha queridíssima amiga Margarida Bulhões Pedreira Genevois, que daqui a pouco, às sete e meia da noite, vai sofrer uma merecida homenagem na Câmara Municipal de São Paulo.
Por iniciativa do vereador José Américo dias, Margarida vai receber o título de Cidadã Paulistana, e é para lá que eu vou assim que terminar de trabalhar (ainda não consegui escrever a coluna das sextas-feiras).
Eterna presidente da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, onde trabalhamos juntos por muitos e muitos anos, nos tempos em que discordar do governo dos generais era correr risco de vida, tornou-se uma das minhas melhores e mais fiéis amigas.
Não cabe num blog contar o que essa mulher fez em defesa dos Direitos Humanos em seus 87 anos de vida (no caso desta dama, a idade não é um peso para se esconder, mas um troféu a exibir com orgulho).
Para quem quiser saber mais sobre a história de Margarida Genevois, é só ir à Câmara Municipal hoje à noite: Viaduto Jacareí, 100 – 1º andar, no centro.
Vai ser uma festa bonita, tenho certeza.
Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog
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