Balaio do Kotscho
iG

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28/04/2011 - 12:43

Balaio: três anos de boa companhia

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Aos leitores e colegas do portal iG,

como tudo na vida, blog também tem dia para começar e para terminar.

Após três anos e pouco de convívio quase diário, escrevo hoje para me despedir e agradecer a todos vocês pela boa companhia.

Escrever este Balaio do Kotscho foi um grande aprendizado para mim, veterano repórter mal acostumado com os monólogos da velha mídia e os pratos feitos servidos à freguesia.

Aqui aprendi que a palavra do jornalista é tão importante como a de quem lê e que no mundo interativo da internet somos todos ao mesmo tempo emissores e receptores de informações. Não tem mais dono da verdade.

A tal da democratização da comunicação já está acontecendo por aqui.

Agradeço a todos os que me ajudaram nesta travessia entre o passado e o futuro, a começar por Caio Túlio Costa e Ricardo K., que me contrataram em 2008 e apostaram no meu blog.

Sou muito grato também à jovem equipe do iG, que me ensinou alguns caminhos das pedras: em especial, Mariana Castro, brilhante chefe de redação, e os editores Fred Ferreira, Marcelo Costa e Luísa Pecora, em nome de quem mando um abraço a todos.

Os prêmios (Especial de Direitos Humanos da ONU, Top Blog e Comunique-se) e os bons resultados de audiência conquistados pelo blog neste período não seriam possíveis sem os milhares de leitores/comentaristas que participaram dos debates desde o primeiro dia e acabaram criando um espaço próprio, o Boteco do Balaio, no Google, só para bater papo.

Daí surgiu a ideia de promover dois encontros de leitores do Balaio que queriam se conhecer pessoalmente, organizados em São Paulo por Enio Barroso Filho e Aliz Castro Lambiazzi, em nome de quem mando também um forte abraço de despedida a todos.

À direção do iG e aos patrocinadores, meu reconhecimento e gratidão por poder trabalhar este tempo todo com absoluta liberdade.

Aos 63 anos e com 46 de profissão, acertei esta semana contrato de quatro anos com uma grande rede de televisão para a implantação de um novo projeto jornalístico no qual estarei trabalhando a partir de 1º de maio. É sempre bom poder encarar o desafio de recomeçar mais uma vez a carreira.

O Balaio do Kotscho passará a ser publicado no portal desta mesma emissora assim que o projeto estiver implantado, o que deve acontecer em duas ou três semanas. Vou pedir ao pessoal do Boteco do Balaio informar o novo endereço e a data.

Vida que segue. Espero vocês no novo endereço que será proximamente divulgado.

Mais uma vez, muito obrigado a todos.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
27/04/2011 - 10:34

Na luta contra a onda de mau humor

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Sei que é muito difícil remar contra a maré, mas podemos ao menos tentar, antes que não tenha mais jeito. De uns tempos para cá, não sei precisar exatamente o dia e a hora, mas começou a se formar uma onda de mau humor no país, um tsunami de coisa ruim e cara feia que vai atingindo todo mundo em todas as latitudes.

O vento virou de repente. Basta sair á rua, ver as notícias na banca de jornais, entrar no táxi, olhar para as pessoas nos pontos de ônibus, encarar uma fila no banco ou no supermercado. Parece que está todo mundo de cara amarrada, só esperando pelo pior.

Que se passa? Daqui a pouco as pessoas nem vão mais se perguntar se está “tudo bem”, já vão logo soltando os cachorros para mostrar que vai “tudo mal”. Em alguns ambientes, pega até mal dar risada ou querer fazer uma brincadeira. “Está rindo do quê”? São tantas tragédias, crises, desgraças e ameaças que estamos ficando proibidos de sorrir.

Fica difícil saber se o problema é individual ou coletivo ou as duas coisas juntas, mas a culpa certamente deve ser do governo, qualquer governo. O fato é que se tanta gente está insatisfeita, é preciso fazer alguma coisa, sei lá, trocar de roupa, de emprego, de namorado ou namorada, de boteco, de carro ou de prédio.

No meu caso, trocar de prédio já ajudaria muito porque vivo em meio a uma obra interminável de reforma da fachada, fora várias outras nos apartamentos, e com um vizinho de cima que parece estar de mudança todos os dias. O barulho é full-time.

Que fazer? Já estou usando tampão nos ouvidos, já fiz apelos aos sentimentos humanos dos vizinhos, só me resta pedir socorro à sociedade protetora dos animais, quem sabe ajuda.

Boa notícia é coisa tão rara ultimamente que já vão logo nos avisando, mas sempre com uma ressalva: “Boa notícia atrasada”, informa a Folha sobre a abertura da estação Pinheiros do Metrô de São Paulo, no próximo dia 16, mais de cinco anos após o início da obra.

Podem reparar: quando sai uma notícia boa, vem sempre acompanhada de um mas:

“Muito sol nesta quarta feira, mas pode chover à tarde…”.
“Inflação começa a cair, mas pode voltar a subir”.
“Cai o nível de desemprego, mas ainda faltam postos de trabalho”.
“País cresce, mas pode ter problemas nos aeroportos…”, e por aí vai.

Pegue qualquer noticiário de rádio ou TV e veja quanto tempo passa até que se fale de alguma coisa boa, divertida, prazerosa, engraçada ou bonita, que tenha acontecido em algum lugar do mundo.

Esta semana, ainda bem, pelo menos temos o casamento dos príncipes para espantar um pouco o mau humor do noticiário. Mas até disso já tem gente reclamando. “Que exagero!… E o que eu tenho a ver com isso? Nem fui convidado…”.

Ficamos assim, então: o Balaio convoca seus fiéis leitores para entrarmos todos na luta contra o mau humor. Não custa nada, e mal não vai fazer, garanto.

Alguém aí tem uma receita?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
26/04/2011 - 09:48

Em silêncio, Serra assiste à agonia da oposição

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Tema dominante nas colunas políticas das últimas semanas, a agonia em praça pública dos partidos de oposição não mereceu ainda qualquer manifestação do seu maior líder até o final do ano passado, o ex-candidato presidencial José Serra, que sumiu do cenário político.

Na medida em que PSDB e DEM vão desmilinguindo a cada dia, e engordando o PSD de Gilberto Kassab, mais estranho fica o silêncio do ex-governador paulista, que abriu duas frentes de combate nos bastidores e sumiu.

No plano federal, os serristas disputam o comando do partido com o senador mineiro Aécio Neves, que se apresenta como candidato natural dos tucanos nas eleições de 2014. Em São Paulo, o confronto se dá entre a turma de José Serra e a turma de Geraldo Alckmin, com os dois lados sofrendo baixas. Na semana passada, perderam metade da bancada de vereadores paulistanos.

Nesta segunda-feira, foi a vez do serrista Walter Feldman, secretário da prefeitura paulistana e um dos fundadores do partido, pedir para sair do PSDB.

Desde o dia 18 de março, quando foi anunciada oficialmente a criação do PSD de Kassab, uma cria de Serra recrutada no malufismo para ser seu vice e depois prefeito de São Paulo, a oposição passa por um desmanche federal.

O que quer Serra, afinal? Qual o seu papel na criação do PSD, que pode ser tudo, menos um partido de oposição? O que ele acha da fusão do PSDB com o DEM, já chamado de o abraço dos afogados? O que fazer com o PPS do seu aliado Roberto Freire, que foi à Justiça para salvar alguns (poucos) parlamentares em suas fileiras?

Ninguém sabe. A situação chegou a tal ponto que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi obrigado a sair dos seus cuidados para tentar salvar alguns aliados do seu lado.

Primeiro, FHC lançou um manifesto, “O papel da oposição”, que deveria servir de bússola para os náufragos, mas no fim só aumentou a confusão, causando divergências entre os líderes tucanos, que não entenderam direito a opção dele pela nova classe média, deixando o “povão” para o PT.

Agora, o ex-presidente está sendo chamado para servir de bombeiro até em Santa Catarina, onde o governador Raimundo Colombo, o único do aliado DEM, também está ameaçando sair do partido, abrindo a porteira para a família Bornhausen.

O estado de saúde da oposição brasileira é tão grave que deve estar preocupando até mesmo o governo federal e os que verdadeiramente defendem a democracia no país. Não é bom para ninguém que sucumbam as lideranças dos partidos de oposição, deixando o campo livre para setores radicalizados da mídia, do empresariado e das igrejas.

Nestas horas, ainda mais com a delicada situação econômica do momento, costumam aparecer malucos salvadores da pátria, o que é sempre um perigo. Para se ter uma ideia, a bancada da oposição caiu para apenas 96 parlamentares na Câmara Federal, num total de 514 deputados, o menor número em 15 anos.

De outro lado, a base do governo cresceu tanto que a ministra Ideli Salvatti, da Pesca, se permite até fazer piada: “Com uma base assim, é melhor passar protetor…”.

Aguarda-se alguma palavra de José Serra, ainda que seja pelo twitter.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
25/04/2011 - 12:04

Equilíbrio marca semifinais em SP

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Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo: listo os semifinalistas do Paulistão em ordem alfabética porque os quatro grandes chegam à fase decisiva em situação de absoluto equilíbrio. Qualquer um pode ser campeão. Não tem nenhum Barcelona neste campeonato.

Pela primeira vez em muitos anos, nenhum pequeno conseguiu se classificar. Foram 19 jogos de cada time até agora, para no fim acontecer o óbvio, sem muitas emoções, que ficaram para o próximo final de semana, quando o campeonato começa para valer.

Os quatro clubes da elite do futebol paulista montaram este ano bons elencos e são comandados por treinadores com larga experiência e altos salários.

No banco, o Palmeiras de Felipão e o Santos de Muricy, dois bravos vencedores, estão melhor servidos do que o São Paulo de Paulo César Carpegiani, o nosso popular PCC das invenções pardais, e o Corinthians de Tite, o novo Rolando Lero do futebol, mas isso não quer dizer nada.

Palmeiras e Corinthians, que se enfrentam numa das semifinais, mostraram até aqui um futebol burocrático, jogando para o gasto. No outro jogo, teremos São Paulo e Santos, que encantaram mais quem gosta de ver um bom espetáculo, mas também deram mais sustos em suas torcidas.

Neymar e Lucas confirmaram neste começo de ano que já são as novas grandes estrelas do futebol brasileiro, ao lado de Paulo Henrique Ganso. Qual deles chegará à grande final contra o vencedor do Palmeiras de Kleber e do Corinthians de Liedson?

Como todos sabem que sou ligeiramente são-paulino, vou deixar a resposta para vocês.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
23/04/2011 - 18:52

Feriadão: de Porangaba à ilha de Comandatuba

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Caros leitores,

por falha minha, que devo ter apertado algum comando errado, o post abaixo não estava recebendo comentários desde que foi publicado na noite de sábado. O problema já foi resolvido, graças à sempre eficiente colega Luísa Pecora. Podem mandar bala.

Em tempo: boa Páscoa a todos!

Ricardo Kotscho

***

Final de tarde do Sábado de Aleluia em Porangaba. Nenhum judas foi malhado, e mais um dia ensolarado acabou sem novidades. Começo a escrever na hora de um belíssimo sol deitando por trás das montanhas da Serra de Botucatu.

Fico pensando como deve ser difícil fazer jornal todo dia, principalmente quando não acontece nada. Sei o que é isso, depois de quase meio século de jornalismo. Quando inventaram este negócio de blog, então, ficou pior. Sinto falta quando passo um dia inteiro sem escrever.

Fora os congestionamentos e os acidentes de sempre, nada de importante foi registrado neste feriadão acumulado de Tiradentes e Semana Santa. Para vocês terem uma ideia do que estou dizendo, a notícia que mereceu mais destaque nos noticiários foi o leilão da barba branca do governador baiano, meu velho amigo Jaques Wagner.

Relata Renée Pereira, do Estadão, enviada especial à ilha da fantasia de Comandatuba, onde João Dória Jr., o promoter de celebridades, autoridades, empresários, executivos e endinheirados em geral, frequentadores da revista Caras, reúne todos os anos “70% do PIB brasileiro”, segundo ele mesmo.

“O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), tomou uma decisão importante, ontem, durante evento realizado em Comandatuba. Para uma platéia de centenas de empresários, ele anunciou que vendeu por R$ 500 mil sua barba à Procter & Gamble, que fabrica a Gilette. O dinheiro foi doado ao Instituto Ayrton Senna”.

A principal notícia foi uma não notícia: a ausência da presidente Dilma Rousseff, anunciada em cima da hora, sem maiores explicações. Pois me pergunto: e por que a presidente da República teria que participar deste convescote chique cheio de patrocínios e vazio de ideias?

Além disso, ficamos sabendo pelos enviados especiais a Comandatuba, onde se reune também parte do PIB da imprensa brasileira, que o PMDB do vice-presidente Michel Temer, a principal autoridade presente, anunciou aos jornalistas a conquista do deputado socialista Gabriel Chalita, ex-PSDB de Geraldo Alckmin, para ser candidato do seu partido a prefeito de São Paulo em 2012.

Antes do final do grande evento do feriadão, fomos informados pelo meu colega Guilherme Barros, do iG, que o megaempresário Jorge Gerdau, nosso líder no movimento “Todos Pela Educação”, finalmente aceitou o convite da presidente Dilma Rousseff para integrar seu governo, como coordenador da Câmara de Gestão e Competividade, a ser criada nos próximos dias. Boa notícia.

Fora isso, e das mortes de todos os dias no Oriente Médio, ficamos sabendo, com algum atraso, já que a pesquisa do Datafolha é de março, que o PT tem ampla maioria (entre 29% e 32%) na chamada nova classe média tão cortejada nas últimas semanas pelos partidos do governo e da oposição (os tucanos ficaram com o apoio de 6% a 8% dos eleitores).

De Porangaba, pacata cidade de seis mil habitantes no interior paulista, onde tenho um sítio e venho há mais de 30 anos com alguma frequencia, ultimamente cada vez menor, também não tenho muitas novidades a contar. O que mudou foi só a vista da entrada da cidade, onde derrubaram o casarão da família Mendes para abrir uma rua em homenagem aos tropeiros.

Ah, sim, a minha amiga Ondina, sempre animada com a vida, bateu este ano seu recorde de vendas de ovos de Páscoa feitos em casa: foram mais de 500. Outra boa notícia é que seu marido, o velho Nivaldo, dono do bar do mesmo nome, está bem melhor de saúde, depois de sofrer por oito meses com as dores de um espinho de cobra que entrou no seu pé, coisa de que nunca tinha ouvido falar.

Bares, padarias, supermercados e lojas de todo tipo estavam apinhados de gente. Até em Porangaba o trânsito andava lento e não tinha lugar para parar o carro. Culpa do governo, claro. Agora todo mundo cismou de andar de carro próprio, viajar de avião, comprar sítio. Desse jeito, onde vamos parar? Nem em Porangaba se tem mais sossego…

No próximo ano, é melhor irmos todos para a ilha de Comandatuba. Que tal?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
20/04/2011 - 12:07

Vai faltar classe média para todos

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Quantos somos, afinal, os brasileiros desta classe média tão badalada nas últimas semanas, cortejada por todos os partidos políticos?

Segundo estudo do professor Marcelo Nery, da Fundação Getúlio Vargas, divulgado no final do ano passado, 29 milhões de brasileiros foram incorporados à classe C, a chamada “nova classe média”, entre 2003 e 2009, ou seja, no governo Lula. No mesmo período, a classe E, que abriga o “povão” tão falado, encolheu 11,3%.

Para o IBGE é considerado de classe média todo cidadão com renda entre R$ 1.126 e R$ 4.854, o que constitui um contigente de 94,9 milhões de pessoas e corresponde a 50,5% da população.

Pela primeira vez em nossa história, somos um país predominantemente de classe média, o que pode demonstrar o apetite demonstrado pelos partidos de todas as latitudes pela conquista desta gorda fatia do eleitorado.

Só faltava o PT. Antes, o moribundo DEM e o recém-nascido PSD, ambos herdeiros do velho PFL, já haviam adotado a classe média como público alvo. Em seguida, foi a vez do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso apresentar seu manifesto “O papel da oposição”, em que recomenda ao PSDB esquecer o “povão”, já cooptado pelo PT, e investir também na nova classe média.

Só faltava o PT. Pois nesta terça-feira, reunido com 32 prefeitos do partido em Osasco, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que o PT também dispute o voto mais conservador da classe C, incluindo os orfãos do malufismo e do quercismo.

Mirando-se no bem sucedido exemplo de José Alencar, o seu vice nos dois mandatos, com quem compôs uma chapa capital-trabalho para atrair setores mais conservadores da sociedade, em 2002 e 2006, Lula quer que o PT também amplie seu leque de alianças mais à direita em São Paulo, onde a classe média tradicional se mostra refratária ao PT.

Do jeito que as coisas estão caminhado, com esta geléia geral partidária sem limites nem hora para acabar, será difícil o eleitor descobrir quem é quem nas eleições municipais no ano que vem.

Vai faltar classe média para todos. E quem vai cuidar dos ricos e dos pobres, as duas pontas esquecidas do losângo que substituiu a nossa pirâmide social? Com tanto partido, não sobrou nenhum pra dizer que é de direita?

Até outro dia, por exemplo, os eleitores tucanos e petistas devem se lembrar que malufistas e quercistas eram, afinal, seus principais adversários.

Enquanto o conservador PSD de Gilberto Kassab e Guilherme Afif incha, sonhando em se juntar ao progressista PSB no ano que vem, o DEM e o PSDB começam a debater a fusão entre os dois partidos antes que eles acabem. O PMDB, impávido, só assiste a tudo de camarote.

A perda de seis vereadores tucanos esta semana, em São Paulo, levou o PSDB a convocar uma reunião de emergência na sua sede em Brasília. Para Sergio Guerra, o presidente tucano, em dois meses a fusão com o DEM deverá estar concluída. Dos dois lados, porém, há resistências.

Com os ex-presidentes FHC e Lula de volta à ribalta, e o veterano José Agripino Maia à frente do DEM, escoltado por Ronaldo Caiado, as imagens desta salada de siglas revela um outro problema dramático da politica brasileira: a falta de renovação das lideranças, e do interesse dos jovens em participar da vida partidária.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
16/04/2011 - 22:33

PSDB terceiriza críticas na TV

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FHC e Aécio elogiam a presidente Dilma e defendem uma oposição firme, ma non troppo, enquanto Serra bate pesado no twitter.

Os principais líderes divergem sobre a melhor estratégia para combater o PT, mas nenhum deles deu as caras até agora nos comerciais de televisão que o PSDB colocou no ar esta semana.

Com dez inserções de 30 segundos cada por dia, as peças criadas pelo publicitário Stalimir Vieira começaram a ser exibidas em todas as emissoras de TV do país na quinta-feira. Neles o principal partido de oposição dispensou os políticos e vem utilizando atores anônimos para terceirizar críticas ao governo.

O primeiro personagem foi um jovem com sotaque nordestino, roupas simples, típico representante do “povão” que antes não viajava de avião, citado esta semana por FHC no manifesto “O papel da oposição”. Empurrando o carrinho de bagagem em algum aeroporto, o rapaz manda bala:

“Olha os aeroportos! Ninguém faz nada! Estão esperando o que? As obras atrasarem bastante para ficarem muito mais caras? E a gente? Nós vamos pagar por tudo isso e ainda por cima passar vergonha?”

Os dois comerciais terminam com a mesma advertência: “É preciso abrir o olho. Tem muita coisa errada por aí”. No segundo, a personagem dona de casa reclama dos preços que estão subindo no supermercado, acenando com o fantasma da volta da inflação.

“O governo disse outro dia que não vai mais controlar a inflação. Por que não quer ou por que não sabe? O que esta turma andou aprontando?”. As indagações são feitas pela moça sem citar as fontes, com ar de desafio, lembrando que o PSDB acabou com a inflação em 1994.

A assinatura dos comerciais é meio estranha: “A gente não cobra cargos. A gente cobra competência”. Cobrar competência, tudo bem, todos nós cobramos. Mas cobrar cargos me parece um direito dos partidos aliados que estão no governo, e não da oposição, por suposto.

Vocês viram estes comerciais na TV? Qual foi a impressão dos leitores do Balaio?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
16/04/2011 - 10:19

Carne para o MST em evento oficial

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Criado há 15 anos pelo MST para lembrar os 19 sem-terra mortos na chacina policial de Eldorado dos Carajás, no Pará, o protesto do “Abril Vermelho”, que promove a ocupação de fazendas e prédios públicos por todo o país, transformou-se num evento oficial na Bahia.

Pelo terceiro ano consecutivo, as despesas do “acampamento” de 3 mil sem-terra na Secretaria da Agricultura e Reforma Agrária, em Salvador, são bancadas pelo governo estadual.

Segundo relato do repórter Matheus Magenta, na Folha deste sábado, em 2009 o governo pagou mais de R$ 160 mil em aluguel de ônibus para levar um grupo de sem-terra de volta aos seus acampamentos no interior baiano.

No ano passado, o “acampamento” oficial também recebeu um tanque de água para refrescar os manifestantes, além de banheiros químicos.

Nesta edição de 2011 do protesto “Abril Vermelho”, a mordomia está mais caprichada: desde segunda-feira, os sem-terra estão recebendo do governo baiano 600 quilos de carne por dia, a um custo de R$ 6 mil, fora as verduras.

A infraestrutura fornecida pela Secretaria da Agricultura inclui 32 banheiros químicos, dois chuveiros e um imenso toldo branco, que ninguém é de ferro para aguentar aquele calor baiano.

Por isso, os manifestantes não estão com pressa. A pauta oficial do protesto é conseguir uma audiência com o governador Jaques Wagner e o Secretário da Agricultura, Eduardo Salles. Todos lá sabem que ambos acompanharam a presidente Dilma Rousseff na viagem à China e só deverão retomar o expediente na segunda-feira.

A reivindicações dos sem-terra são as de sempre: a melhoria dos que já existem e a criação de novos assentamentos.

Sou do tempo, lá no Rio Grande do Sul, no início dos anos 1980 do século passado, ainda na ditadura militar, quando fiz as primeiras reportagens sobre o movimento, em que a sigla MST surgiu no cenário para defender os deserdados do latifúndio e a legião de desempregados urbanos em busca de terra para a sobrevivência. Enfrentava a polícia e tinha forte apoio popular.

Nestas três décadas, o caráter e os objetivos do movimento mudaram completamente. Com o crescimento da economia nos últimos anos e o consequente esvaziamento da freguesia, abrigada em empregos no agronegócio e nas cidades, o MST transformou-se num movimento meramente político, ao mesmo tempo cada vez mais radicalizado e dependente de benesses oficiais.

O “acampamento” oficial patrocinado pelo governo em Salvador, com a imagem das bandas de carne secando placidamente ao sol num varal improvisado, é emblemático destes novos tempos do MST, um sinal do ocaso do movimento.

Que lembranças o caro leitor do Balaio guarda dos assentamentos e acampamentos do velho MST em sua cidade e qual a sua visão do movimento hoje?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
15/04/2011 - 16:48

Afif e o novo PSD: “Collor jogou nossas bandeiras no lixo”

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Caros leitores,

reparei agora no registro do Word Press que o Balaio atingiu nesta sexta-feira a marca de 700 matérias publicadas desde que entrou no ar em setembro de 2008.

No mesmo período, foram publicados mais de 111 mil comentários.

A todos vocês só posso dizer muito obrigado pela participação.

Abraços,

Ricardo Kotscho

***

Na volta do almoço no Rodeio, ao parar para tomar um café na Tabacaria Ranieri, aqui ao lado de onde moro, encontrei meu velho amigo Guilherme Afif, 67 anos, vice-governador de São Paulo e principal mentor do novo PSD, o Partido Social Democrático criado por Getúlio Vargas, consagrado por Juscelino Kubitschek e relançado esta semana pelo prefeito paulistano Gilberto Kassab.

Aproveitei para dirigir a ele três perguntas que todo mundo certamente gostaria de lhe fazer. De bom humor, fumando um charutinho, ele respondeu de bate-pronto.

Balaio _ O que leva o vice-governador de são Paulo, ex-candidato a presidente da República, ex-deputado federal e empresário bem sucedido, a se aventurar na criação de um novo partido, a esta altura da vida e do campeonato?

Afif _ Sempre é tempo de recomeçar. Estou recomeçando no ponto em que paramos em 1989, na campanha presidencial, quando as nossas bandeiras foram empunhadas pelo presidente eleito, Fernando Collor, que as jogou no lixo. E o momento agora é para recomeçar com o mesmo ideário. A nossa principal bandeira será a da igualdade de oportunidades, que é a verdadeira inclusão social. Grande parte dos que estão vindo conosco fizeram parte daquela campanha de 1989, como o vice-governador da Bahia, Otto Alencar.

Balaio _ Os jornais contestaram a definição dada pelo prefeito Gilberto Kassab de que o PSD é um partido de classe média. Com números do patrimônio dos fundadores, entre os quais o seu se destaca, mostraram que o PSD na verdade é um partido de ricos. Isto ajuda ou atrapalha na conquista do eleitor?

Afif _ Este negócio de partido de ricos não quer dizer nada… É como dizia o Joãozinho Trinta: “Povo gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”. Graças a Deus, tenho um patrimônio que é fruto de muito trabalho. Quero dar oportunidade a outras pessoas de repetir uma história como a minha. Na hora em que o cidadão tem oportunidades, a escolha é dele. Para ser um empreendedor, tem que gostar do risco. Quanto maior o risco, maior a chance de vencer. De risco eu entendo: meu ramo sempre foi trabalhar com seguros…

Balaio _ Esta semana, o ex-presidentre FHC lançou um manifesto _ “O papel da oposição” _ em que aconselha aoposição a esquecer o povão dominado pelo PT e trabalhar para conquistar a nova classe média. O que o senhor acha desta análise? O DEM, assim como o seu PSD, também se define como defensor da classe média. A concorrência não ficou muito grande nesta área?

Afif _ Acho que pinçaram uma palavra do artigo do Fernando Henrique e fizeram a manchete. Ele fez um tratado sociológico, e a classe média não esta afeita a esta sociologia toda. Só quer melhorar de vida. O discurso que hoje atinge estas pessoas, à medida em que sobem de classe social, é a consciência do pagador de impostos. Parafraseando os filósofos: “Pago, logo exijo”. Elas passam a exigir seu direito a saúde e educação de qualidade, justiça e polícia que funcionem, sabendo que nada é de graça. É o cidadão contribuinte de impostos que paga por isso.

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
15/04/2011 - 11:36

Quem quer trocar Forlán por Casemiro?

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Pensei que era só mais uma brincadeira da diretoria do São Paulo lançando outro foguete às vésperas das eleições presidenciais marcadas para a próxima semana. Antes, já tinham falado em trazer de volta Kaká e Lugano.

Mas, parece que, desta vez, é sério mesmo: o clube do Morumbi admite incluir Casemiro, a jovem revelação de 19 anos, nas negociações para contratar Diego Fórlan, de 31, do Atlético de Madri, que foi eleito o melhor jogador da última Copa do Mundo.

Faz sentido trocar o futuro de Casemiro, um volante excepcional revelado no CT de Cotia, pelo passado de goleador do atacante uruguaio, que, no momento, por problemas disciplinares, está no banco de reservas do time espanhol?

Em se tratando de São Paulo, pelo seu histórico na contratação de veteranos e dificuldade para promover os jovens das equipes de base, é bem possível que isto venha a acontecer. Ainda bem que não pensaram em incluir no negócio o craque Lucas, de 18 anos, uma das grandes esperanças do futebol brasileiro.

De tanto brigar com seu homólogo Andres Sanchez, que transformou o velho Corinthians num grande projeto de marketing, parece que o presidente Juvenal Juvêncio, candidato à re-reeleição, gostou da brincadeira.

Impossível não é: a multa pela liberação do passe de Diego Forlán está estipulada em R$ 82,5 milhões, enquanto a de Casemiro é de R$ 68 milhões. O grande problema é o salário: o atacante uruguaio ganha R$ 850 mil por mês, no mínimo umas dez vezes mais do que o volante tricolor.

Tem também um lado sentimental na história: Diego é filho de Pablo Fórlan, lateral direito que foi ídolo da torcida do São Paulo nos anos 70, sempre lembrado pela garra e amor à camisa que mostrava em campo. O pai acha o negócio possível e está torcendo por isso. No São Paulo, o jogador ficaria mais perto da família, que mora em Montevidéu.

Por mim, também torço para que Diego Fórlan venha para jogar no meu time, mas sem abrir mão de Casemiro. Em vez de um sub-20, por que a diretoria não inclui na negociação os sub-40 do Juvêncio _ Rivaldo, Rodrigo Souto e Cléber Santana, por exemplo? Assim, o São Paulo resolveria vários problemas numa tacada só…

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog Tags:
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