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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013 Crise global, Câmbio, EUA, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 16:35

E quando tudo voltar ao normal novamente?

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Vivemos os últimos 5 anos acompanhando as notícias da crise externa que vinham inicialmente dos EUA e depois da Europa. Seguiam várias previsões sobre uma possível crise final do capitalismo causada pela explosão da bolha imobiliária americana, a implosão do sistema financeiro global, a quebra dos estados soberanos da Europa, o fim do Euro, e por aí vai.

Este clima de pânico afetou a confiança de investidores e empresários ao redor do globo, o que causou uma enorme volatilidade dos preços dos ativos e um contágio da atividade econômica global. Isto levou as autoridades monetárias do mundo todo a praticar politicas super expansionistas. E isto era de fato necessário.

Para se ter uma ideia do estrago que tal crise causou segue o gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de desemprego nos EUA desde 1999:

A reta azul horizontal mostra que o desemprego nos EUA oscilava entre 4% e 6% até 2008, uma oscilação bastante razoável para ciclos econômicos normais. Em 2008 a taxa disparou atingindo 10% em 2010. De lá para cá o desemprego vem caindo gradativamente ( linhas paralelas verde, branca e vermelha ), mas com consistência, sinalizando que, a continuar o ritmo atual, o desemprego deve voltar à “região de normalidade” no inicio de 2015 ( em amarelo).

Na Europa a cise atingiu os países periféricos que tiveram suas taxas de risco elevadas dramaticamente, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de risco dos papéis de dívida pública espanhola desde 2005 :

Vemos em laranja que a taxa de risco antes de 2008 estava ao redor de zero, pois ninguém considerava a hipótese de um país como a Espanha quebrar ou deixar a zona do Euro. De 2009 até meados de 2012 tal taxa de risco disparou, batendo 6% a.a. ( marcado em vermelho) . Com as intervenções do BC Europeu  emprestando recursos para os bancos europeus com problemas e com o estabelecimento de um programa de compra de títulos públicos de tais países, a taxa de risco vem caindo, batendo os 2,5% a.a. ( em verde) . Ainda está bem acima do que estava em 2008, porém parece que o pior já passou e agora é possível esperar uma melhora daqui para frente, ainda que de forma gradual e volátil, voltando para algo ao redor de 1% a.a. ao longo dos próximos anos. Tal retorno é fundamental para garantir a solvência dos estados soberanos afetados pela crise e para restabelecer o canal de crédito privado.

Como mencionei, os BC’s do mundo todo adotaram políticas expansionistas, através de compras de títulos e empréstimos a bancos, inundando o mercado de moeda, o que por sua vez ajudou a desentupir o canal de crédito na economia. Isto tende a promover o restabelecimento gradual das condições necessárias para o crescimento do investimento e do consumo privado no médio prazo.

Vejam abaixo o que aconteceu com o balanco do FED ( total de ativos comprados pelo BC americano e carregados em sua carteira) neste período de 5 ano:

Vemos que o balanço do FED aumentou consistentemente desde 2008 ( linhas vermelhas , branca e verde), porém com períodos de aceleração mais forte, como visto em 2008, no início de 2011 ( amarelo) e mais recentemente (lilás). Nestes  períodos o FED iniciou expansões mais agressivas de seu balanco, “imprimindo” o dinheiro usado na compra de títulos de médio e longo prazo, encharcando o mercado com liquidez, num montante hoje que chega a mais de US$ 3 tri.

Este movimento provocou uma forte queda das taxas de juros de longo prazo, como podemos ver no gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de juros dos títulos de 10 anos dos EUA desde 2008:

Vemos que desde 2010 as taxas de juros caíram de 3,5% a 4% a.a. para quase 1.5% a.a. em meados de 2012 ( marcado em amarelo) . Uma queda dramática das taxas, o que representou uma valorização de mais de 15% em tais papéis neste período.

Desde o final de 2012 tais taxas voltaram a subir ( vermelho )  com os sinais de melhora na economia americana, apesar dos problemas com o debate político sobre o programa de redução de gastos públicos daquele país. A melhora do quadro econômico permite uma expectativa mais positiva com relação ao crescimento futuro e, portanto, sinaliza taxas de juros maiores no futuro.

Assim, na cabeça daqueles que não acham que esta seja a crise definitiva do capitalismo, é natural ter alguma opinião a respeito do processo de normalização das taxas de juros de longo prazo, taxas que tendem a antecipar os movimentos das taxas de juros de curto prazo fixadas pelos BC’s. Ou seja, as taxas longas se movem bem antes do movimento das taxas do BC.

Neste cenário de normalização gradual da economia, é bastante razoável espera em algum momento nos próximos meses ou anos uma elevação destes juros de 10 anos que hoje estão ao redor de 2% a.a. , para algo entre 3 e 4% a.a. num primeiro momento.

Para se ter uma visão de mais longo prazo, veja abaixo as evolução da mesma taxa desde 1995:

Vemos que as taxas já vinham caindo desde 95 ( vermelho) quando estavam ao redor de 6% a.a. Elas se estabilizaram em 2004 ( azul claro), caíram com a crise de 2008 para cerca de 3,5% a.a. (verde) , e desabaram para menos de 2% com as ações do FED mais recentemente. Ou seja, há um espaço importante para uma elevação dos juros internacionais de longo prazo nos próximos anos ainda que seja em ritmo gradual. Acho improvável que os juros voltem para 6% a.a. pois há ainda uma digestão dos excessos de endividamento público e privado que deve ocorrer nos EUA e na Europa, o que deve limitar uma aceleração maior da economia. Logo, seria razoável esperar que taxas de longo prazo não superem os 4% a.a. nos próximos 5 anos pelo menos.

Porém é bem razoável esperar juros de longo prazo de 3 ou 3.5% a.a. num horizonte não muito distante. O que não sabemos é se isto ocorrerá daqui a 1 ano ou em 3 anos, porém para quem não acredita que esta seja a crise final do capitalismo, é esperado assumir uma trajetória crescente de juros de longo prazo nos EUA .

Isto tem enormes implicações para preços de ativos, porém é algo que pretendo abordar em outra oportunidade.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 9 de fevereiro de 2013 Inflação, Juros no Brasil, Politica Economica | 08:24

Inflação de Janeiro: bastante alta

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Veja abaixo a evolução da inflação dos últimos 12 meses desde 2005. Em verde temos a média das medidas de núcleo da inflação,  que mostram a tendência central da inflação ao eliminar as excepcionalidades,  e em azul temos o índice cheio:

Abaixo o gráfico azul mostra o percentual de itens da cesta usada no cálculo da inflação que estão subindo, o chamado índice de difusão:

Os gráficos mostram que:

a. inflação está alta e subindo, tanto no índice cheio como nas medidas de núcleo que expurgam de seu cálculo preços que variaram muito;

b. a quantidade de itens que está subindo é elevada, em nível similar ao ocorrido em 2004 e 2008, dois momentos de inflação forte, o que mostra que a inflação é generalizada.

E veja o que o diretor do BC disse:

A maior inflação mensal em oito anos, o 0,86% de janeiro, mexeu com os brios do Banco Central. Apesar do discurso oficial otimista, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton, disse ao blog que não está confortável com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos patamares atuais. “A inflação preocupa, não estamos confortáveis e estamos monitorando todos os indicadores”, afirmou. Esse desconforto é evidente, segundo ele, apesar de, em todos os cenários traçados pelo BC, a inflação desacelerar a partir do terceiro trimestre deste ano.

Leia mais em:

http://www.dzai.com.br/nunes/blog/blogdovicente?tv_pos_id=123379

E se eu estiver correto e a economia se reanimar nos próximos meses como alguns indicadores estão mostrando podemos ter mais pressões inflacionárias. Vamos depender muito da queda das tarifas de energia e da provável queda do preço dos alimentos para tentar segurar o dragão. Senão,  dá-lhe dólar barato e desoneração de imposto para domar a fera!

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013 Juros no Brasil, Politica Economica | 16:52

O regime de metas de juros

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No inicio deste século o Brasil decidiu adotar um sistema de metas de inflação,  adotado por inúmeros países desenvolvidos, visando reduzir a incerteza dos agentes quanto à tendencia da inflação futura.

Inúmeros estudos apontam que a incerteza com relação à inflação futura afeta negativamente os investimentos produtivos. A tese é que uma inflação mais elevada leva a juros mais elevados ou a perda de poder aquisitivo das pessoas, o que reduz a atividade econômica. Ou seja, incerteza é ruim para investimento de longo prazo. Na dúvida ninguém investe.

O modelo então adotado é simples: O BC tem como meta legal a manutenção da inflação dentro de limites (atualmente entre 2,5% e 6,5% aa. ), porém sempre mirando o centro desta banda, ou seja, 4,5%AA. O conceito é simples: se o BC tiver sucesso em tal política ao longo do tempo, os agentes econômicos reduzirão a incerteza quanto à tendência da inflação de longo prazo, o que ajudaria a aumentar o investimento privado e o PIB potencial. O BC teria assim sua credibilidade assegurada, o que ancoraria as expectativas de inflação.

Mas o que significa sucesso na aplicação de tal política? Aí surge a primeira confusão no entendimento sobre o que significa sucesso. Sucesso, neste caso, significa atingir dois objetivos simultâneos:

1. Manter a inflação dentro da banda estabelecida. Embora tal meta seja apurada,  formal e legalmente,  anualmente com base no calendário, os agentes econômicos, pessoas físicas e jurídicas, têm a expectativa que tal banda seja respeitada o tempo todo, ou seja, que a inflação acumulada nos últimos 12 meses não fique abaixo de 2,5% aa ou acima de 6,5%aa  durante todos os meses do ano e não somente em dezembro., pois os gastos e os rendimentos das pessoas ocorrem ao longo do ano todo, não só em dezembro.  Ou seja, é preciso ter consistência no cumprimento da regra ao longo do tempo;

2. Outra coisa igualmente importante, mas ignorada por muitos analistas, agentes, autoridades e jornalistas, diz respeito à convergência da inflação para o centro da meta no longo prazo. Ou seja, para que tal sistema seja crível no longo prazo, é fundamental que a inflação, ao longo dos anos, fique, na média, ao redor de 4,5% aa e que, portanto, fique 50% do tempo acima dos 4,5% (porém abaixo dos 6,5%) e 50% do tempo abaixo dos 4,5%, porém acima dos 2,5%. Isto não tem acontecido há muito tempo.

Se cumprirmos o objetivo 1 e não cumprimos o objetivo 2, estamos dizendo que na prática nossa meta não é 4,5% aa, mas um número diferente.

De 2004 para cá, se analisarmos os dados mensais da inflação acumulada nos últimos 12 meses veremos que:

  • A inflação média foi de 5.44%, ou seja, quase 1% acima do centro da banda;
  • A inflação ficou acima de 4.5% aa. durante 75% do tempo e apenas 25% do tempo abaixo de 4.5%
  • A inflação ficou acima do topo da banda (6,5%) 20% do tempo mas nunca ficou abaixo do piso de 2.5%aa;

Ou seja, os dados reais da inflação nos últimos oito anos nos mostram que, embora a meta oficial seja de 4,5%, com piso de 2,5% e topo de 6,5%, a prática do modelo nos leva a outra conclusão: O centro da meta estaria mais próximo a 5.5%, pois neste caso, 50% do tempo a inflação estaria acima do centro, e as bandas seriam, na prática, 3.5% e 7.5%, números próximos ao mínimo e ao máximo da inflação neste período. Os dados apurados na amostra dos últimos 8 anos me parecem mais consistentes com isto e não com as metas atuais. Porém deixo esta avaliação nas mão dos monetaristas de plantão.

Bem, embora a lei determine algo diferente em seu espírito, temos praticado algo diferente do que nos colocamos a fazer quando criamos este sistema de bandas. Se este de fato é o caso, caberia uma rediscussão aberta da banda e do sistema de metas para que estes estejam de acordo com o que de fato conseguimos fazer, pois não faz sentido adotarmos metas que na prática não conseguimos implantar por razões políticas ou institucionais . Ou seja, temos como meta uma dieta de 1500 calorias, mas de fato ingerimos 2 mil pois não resistimos àquele docinho na sobremesa. Depois de alguns meses descobrimos que nossa perda de peso foi inferior àquela planejada. Aí nós culpamos o regime… Seja qual for o motivo a realidade é que não conseguimos ficar esbeltos.

Obviamente que há enormes custos econômicos e políticos em se rever as metas do BC porém este custo já está sendo pago com juros e multas, em termos de perda de credibilidade do BC. Um dos motivos que nossos juros no Brasil são bem maiores do que no resto do mundo é que nossa credibilidade monetária é muito ruim por razões históricas (tivemos uma baita hiperinflação… algo que nem Índia nem Turquia tiveram em sua história econômica do pós-guerra). Logo, para merecermos juros menores temos que ser duas vezes mais austeros neste front.  Ou seja, nosso passado de alcoolismo nos impede de tomar aquele chopinho no fim de semana. Mas se não conseguimos ter uma inflação de 4.5%%, então seria bom avisar os agentes e estabelecer novas metas e arcar com os custos desta decisão de uma vez, assumindo que de fato não conseguimos nos liberar do alcoolismo de uma vez. Se este é o nosso caso, vamos assumir.

Outra questão diz respeito a que instrumentos são utilizados para atingir tais metas.

O sistema de metas recomenda que o principal instrumento a ser utilizado pelo BC para assegurar o atingimento de metas seja o juro básico fixado pelo COPOM.  A coisa funciona assim: em condições normais do ciclo econômico, os juros servem como instrumento de controle da demanda, demanda esta decorrente do consumo ou do investimento acima ( ou abaixo ) da capacidade produtiva daquele momento. Se a demanda está abaixo da capacidade ótima de utilização dos fatores de produção (capital e trabalho), o BC reduz os juros, o que estimula a demanda. Ou, no caso inverso, quando a demanda está acima da capacidade de produção, por haver gargalos no sistema produtivo, na infra ou no estoque de capital humano, o BC sobe os juros básicos evitando que os preços subam por excesso de demanda sobre a oferta. Ou seja, os juros básicos fazem um ajuste fino na demanda de tal forma que ela se adeque ao nível de oferta existente, evitando variações de preços fora dos limites fixados pelo regime de metas.  Este ajuste se faz através do canal de crédito, ou seja,  os juros básicos atuam no processo de transformação de nossa poupança em investimento ou em consumo as famílias.  Juros maiores implicam em crédito mais caro e, portanto, uma demanda menor e vice versa.

Contudo, as vezes o canal de crédito (como é chamado o sistema financeiro bancário e de mercado de capitais) não reage de uma maneira adequada a tais flutuações das taxas de juros. O canal pode ficar entupido por questões estruturais, o que demanda uma redução muito grande dos juros. Ou o canal fica aberto de demais, o que acaba exigindo uma elevação muito grande dos juros para conter a demanda e evitar a formação de bolhas. Este tipo de situação pode levar a uma volatilidade excessiva dos juros o que acaba também inibindo muito o investimento ou causando bolhas. Assim sendo, os economistas tem cada vez mais aceitado o uso de outros instrumentos, os chamados instrumentos macro prudenciais, na condução da política monetária. Tais instrumentos, como a imposição de depósitos compulsórios nos bancos, de  limitações quanto ao tipo de crédito ofertado, de mudanças nos limites de alavancagem dos bancos e outras mudanças regulatórias, tendem a atuar diretamente na oferta de crédito do sistema, o que acaba reduzindo as flutuações necessárias da taxa base de juros, servindo, portanto, como um complemento importante da política monetária.  Tais medidas macro prudenciais têm tido uma maior aceitação por parte dos economistas, porém seu uso ainda é um tanto controverso, uma vez que fica difícil mensurar seus efeitos, o que dificulta a administração de sua dosagem.

O BC do B tem cada vez mais utilizado tais instrumentos macro prudenciais, porém há algumas considerações importantes que limitam sua eficácia no caso brasileiro. No Brasil o crédito dirigido pelo Estado é pouco sensível a mudanças na política monetária, devido à atuação agressiva dos bancos públicos, BNDES, CEF e BB, que expandem sua oferta de crédito a uma velocidade que não varia em função do juro básico, que não é afetada pelas medidas prudenciais e através de empréstimos a taxas de juros inferiores àquelas praticadas no mercado.  Isto acaba demandando uma maior agressividade do BC no uso de seus instrumentos, pois sua atuação fica limitada a 50% do canal apenas.

Enfim, é assim que temos funcionado nos últimos 10 anos, com relativo sucesso, a luz da experiência hiperinflacionária do final do século passado.

Contudo, recentemente temos visto algumas ações de política econômica que podem afetar a credibilidade do sistema de metas pois se utilizam de meios não ortodoxos no combate à inflação.

O governo tem usado sua capacidade regulatória para limitar aumentos de preços que hoje são por ele administrados, como no caso da gasolina e da energia elétrica. Também tem atuado politicamente no sentido de evitar que outros preços subam, como no caso das tarifas dos ônibus nas grandes cidades. Estes itens pesam bastante no índice oficial usado para cálculo da inflação e na mensuração do cumprimento do regime de metas, o IPCA. Ao limitar administrativamente a elevação de tais preços, o governo acaba reduzindo o índice oficial de inflação, o que ajuda a colocar a inflação oficial mais próxima do centro da meta.

Outra prática usada é o uso desonerações tributárias seletivas e dirigidas. O governo tem reduzido os impostos que incidem sobre certos produtos, para tentar induzir uma redução de seus  preços, que pesam bastante no cálculo do índice de inflação medida pelo IBGE, o que evita mudanças na política monetária.

Tais medidas de fato reduzem a inflação medida no curto prazo. E são, portanto, positivas para os consumidores.

Contudo, como tais mudanças são feitas muitas vezes sem levar em conta a situação real de oferta e demanda de tais serviços ou produtos, há o risco do governo reduzir os impostos de um produto onde há claramente problemas de oferta. Nestes casos a redução de preços pretendida não se materializa, pois ela se transforma em margem de lucro dos produtores. E naqueles casos onde o governo consegue evitar que tal prática ocorra, como no caso dos preços administrados pelo governo, há o risco da demanda por tais serviços subir em função da queda de preços induzida pelo governo, o que pode gerar gargalos, dependendo da situação de oferta daquele produto. Por exemplo, a redução das tarifas de energia elétrica pode levar a um aumento do consumo de energia num momento em que os nossos reservatórios hídricos estão baixos. Finalmente há também o risco de se alterar artificialmente à alocação de capital por parte do setor privado: o capital foge dos setores onde os preços estão sujeitos a intervenções frequentes do governo e vai para os setores onde a intervenção é menor. Isto pode ser visto claramente na bolsa, quando vemos as ações da Petrobrás e Eletrobrás despencando, enquanto as ações de empresas de setores ligados ao consumo estão subindo bastante. Ou seja, acaba-se reduzindo o custo do capital das empresas ligadas ao consumo e aumentando o custo de capital das empresas geradoras de energia. Isto só aumenta o desequilíbrio entre oferta e demanda no longo prazo.

Outro aspecto importante diz respeito à política cambial.  Não é compatível se ter uma meta cambial e de inflação ao mesmo tempo. Vivemos isto depois do plano real e deu no que deu. Logo, toda atuação do governo no sentido de usar o cambio para evitar a elevação de preços dos bens comercializáveis (bens que são “exportáveis ou importáveis “) gera uma transferência artificial de renda dos exportadores para os consumidores e para os produtores locais de bens e serviços. Isto tem consequências nefastas para a indústria e para a balança comercial no longo prazo. As atuações recentes do BC no mercado de câmbio dão uma sensação de que o BC pode estar usando o câmbio como um instrumento para ancorar a inflação.

Enfim, quando o governo começa a intervir em alguns processos de formação de preços privados, com o aparente objetivo de reduzir a inflação medida, dá uma sensação que o governo tem como principal meta, não mais manter a inflação real no centro da meta, mas manter os juros baixos.

Reduzir os juros é um objetivo nobre e necessário. Porém se esta de fato for a principal meta do governo no front monetário seria fundamental que o governo mudasse o sistema de metas de inflação apara acomodar tal meta, evitando assim que se crie uma tremenda bagunça nos preços relativos da economia, o que tem um efeito terrível na alocação de capital nos investimentos produtivos. Há custos e benefícios em todas as medidas econômicas, e governar é fazer escolhas. Não sei se os agentes econômicos entenderiam bem a aceitação de um nível de inflação maior para acomodar juros menores, uma política de gastos públicos expansionista, um sistema de crédito dominado por entidades do setor público e uma política cambial oportunista, pois nunca se sabe como esta coisa toda acaba.   Porém tais escolhas precisam ser claras, explícitas e debatidas com a sociedade, com o risco de termos a nossa credibilidade minada. Já passamos  por isto no passado. Os argentinos não conseguem sair disto. E os custos são óbvios.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013 Câmbio, Inflação, Juros no Brasil, Politica Economica, Sem categoria | 15:10

BC diz que o problema é de falta de oferta e não de demanda!!!

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Na minha opinião, o BC soltou esta semana a ata da reunião do COPOM mais importante dos últimos 12 meses.   Não pelas mudanças na política monetária, pois ele não sinaliza nenhuma mudança no curto prazo, mas pelo diagnóstico correto e preciso da situação atual.

http://www.bcb.gov.br/?COPOM172

Segue abaixo algumas partes extraídas da ata (em itálico) e meus pitacos logo em seguida:

20. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,05/US$ e da taxa Selic em 7,25% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de novembro e se posiciona acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 também aumentou e se encontra acima do valor central da meta para a inflação. Para 2014, em ambos os cenários, a projeção de inflação está ligeiramente acima do valor central da meta.

BC afirma que, em alguns cenários e de acordo com seus modelos, as projeções da inflação para 2013 subiram e se encontram acima da meta.

26. O Copom pondera que o ritmo de recuperação da atividade econômica doméstica – menos intenso do que se antecipava – se deve essencialmente a limitações no campo da oferta. Dada sua natureza, portanto, esses impedimentos não podem ser endereçados por ações de política monetária, que são, por excelência, instrumento de controle da demanda. A propósito, não obstante a fragilidade do investimento, que reflete, em grande parte, o aumento de incertezas e a lenta recuperação da confiança, a demanda doméstica continuará a ser impulsionada pelos efeitos defasados de ações de política monetária implementadas recentemente, bem como pela expansão moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. O Comitê entende, adicionalmente, que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de certa acomodação na margem.

O BC está surpreso com o PIBINHO persistente, porém ele reconhece, como já comentamos algumas vezes nesta coluna, que o problema é de falta de oferta e não na demanda, ou seja,  o investimento não cresce. E na opinião do BC, não adianta baixar ainda mais as taxas de juros para tentar resolver este problema. Ou seja, a política monetária como instrumento de estímulo, chegou ao seu limite.

27. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Nota que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo.

O BC afirma que trabalha em suas projeções com a manutenção dos superávits fiscais atuais. Ou seja, se superávits caírem, inflação futura sobe. Logo, o governo tem pouco espaço para expandir gastos ou reduzir impostos sem que isto afete ainda mais o precário equilíbrio entre oferta e demanda e faça a inflação subir ainda mais.

28. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.

O BC aqui também menciona que assume um crescimento gradual do crédito, ou seja, se crédito crescer mais rápido, inflação sobe.

29. O Copom avalia que a maior dispersão, recentemente observada, de aumentos de preços ao consumidor e a reversão de isenções tributárias, combinadas com pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, tendem a contribuir para que, no curto prazo, a inflação se mostre resistente.

O BC aqui reconhece que a inflação é mais generalizada e que, no curto prazo, ela está resistente, como temos dito nesta coluna.

30. O Copom ressalta que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste ano e riscos limitados, mas que recentemente se intensificaram, de descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. O Comitê destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Por outro lado, observa que o nível de utilização da capacidade instalada se encontra abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços. Além disso, importa destacar que as perspectivas para os próximos semestres apontam moderação na dinâmica dos preços de certos ativos reais e financeiros.

Este é, na minha opinião, o parágrafo mais importante da ATA. Ele re enfatiza o problema do descompasso entre o crescimento da demanda e  da oferta. Ele destaca que o mercado de trabalho está apertado, e que há risco, portanto, de aumentos dos salários reais acima do aumento da produtividade, como temos mencionado em outros posts, e que representa um risco de alta da inflação futura.

34. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Para o Comitê, esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, os estoques em níveis ajustados e a gradual recuperação da confiança dos empresários criam perspectivas de retomada dos investimentos. O Comitê pondera que iniciativas recentes apontam o balanço do setor público em posição expansionista. Por outro lado, o Comitê nota que se apresenta como fator de contenção da demanda agregada o ainda frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.

Aqui o BC levanta algumas outras hipóteses usadas por ele para manter a política atual de manutenção dos juros:

a. o cenário internacional continuar frágil;

b. o BNDES com sua política parafiscal ( já comentei sobre isto) não seja ainda mais expansivo;

c.  e que preços dos ativos internacionais ( este é o código que BC usa quando quer falar da taxa do dólar / R$ ) não subam mais;

Se estas coisas mudarem, tudo muda. Ou seja, o dólar não sobe mais enquanto a inflação seguir em alta.

31. Em resumo, o Copom destaca que o balanço de riscos para a inflação apresentou piora no curto prazo e que a recuperação da atividade doméstica foi menos intensa do que o esperado, bem como que certa complexidade ainda envolve o ambiente internacional.

Aqui ele dá o tom final: temos uma piora na inflação com um pibinho que não decola.

E o diagnóstico é claro: o problema não é de falta de demanda , mas sim de falta de oferta. E oferta aumenta com mais produtividade,  capital físico e capital humano. Como no curto prazo fica difícil aumentar o capital humano e a produtividade, só nos resta torcer para que o capital físico suba através de mais investimentos, como tenho dito nesta coluna.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013 Inflação, Juros no Brasil, Politica Economica | 15:43

Itaú comenta IPCA-15: inflação vindo com força

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O pessoal do Itaú comenta abaixo sobre a inflação medida pelo IPCA-15 que saiu hoje:

BRASIL – IPCA de janeiro: elevamos a nossa projeção para 0,93% – Itaú

O IPCA-15 apresentou variação de 0,88% em janeiro (ante 0,69% em dezembro e 0,65% em janeiro de 2012), resultado acima da nossa previsão (0,84%) e da mediana das expectativas de mercado (0,82%, com teto em 0,86%). A aceleração no mês deveu-se, principalmente, a maiores pressões dos grupos alimentação e bebidas, despesas pessoais, e saúde e cuidados pessoais.

Com este resultado, o IPCA-15 atingiu variação de 6,02% nos últimos 12 meses, contra 5,78% no fechamento de 2012. Os preços livres subiram 1,05% em janeiro (6,8% em 12 meses), enquanto os preços administrados variaram 0,34% (3,6% em 12 meses). Os produtos não alimentícios registraram variação de 0,70%, acima do resultado do mês anterior (0,60%). Dentre os preços livres, os bens transacionáveis subiram 0,89% no mês (5,1% em 12 meses), enquanto os não transacionáveis, 1,20% (8,4% em 12 meses).

Com base no resultado do IPCA-15 e de outras informações correntes, elevamos a nossa projeção para o IPCA de janeiro, de 0,85% para 0,93%. O grupo alimentação deve acelerar na margem. Projetamos alta de 1,8% para o grupo alimentação no final do mês, com impacto de 0,44 p.p. Com base na nossa estimativa, a taxa do IPCA em 12 meses subirá para 6,23% em janeiro.

As maiores contribuições de alta no IPCA-15 vieram dos grupos alimentação e bebidas (0,35 p.p.), despesas pessoais (0,19 p.p.), transportes (0,13 p.p.) e habitação (0,11 p.p). Os maiores impactos individuais vieram dos seguintes itens: alimentação fora do domicílio (0,09 p.p.); aluguel e taxas (0,08 p.p.); recreação (0,07 p.p.); fumo (0,06 p.p.); transporte público (0,05 p.p.) e serviços pessoais (0,05 p.p.).

Os núcleos da inflação no IPCA-15 também aceleraram. Na média das três medidas mais utilizadas (média aparada com suavização, dupla ponderação e exclusão de itens mais voláteis), a taxa subiu para 0,74%, ante 0,58% em dezembro. A taxa média dos núcleos em 12 meses subiu para 5,8%, ante 5,7% em dezembro. No mesmo sentido, os serviços aumentaram 1,06%, ante 0,88% no mês anterior. Dentre os serviços, as maiores contribuições de alta vieram de refeição e lanche fora de casa, aluguel, empregado doméstico, passagem aérea e excursão. Já o índice de difusão – que mede a proporção de produtos com taxa de variação positiva – atingiu 73,7%, o maior nível desde abril de 2003, ante 67,9% em dezembro. Excluindo-se o grupo alimentação, o indicador subiu para 69,2%, contra 64% no mês anterior.

Em suma, o resultado do IPCA-15 de janeiro (0,88%) veio um pouco acima da nossa previsão (0,84%) e das expectativas de mercado (0,82%). O grupo alimentação acelerou na margem, mas também houve pressões adicionais de outros grupos (despesas pessoais, saúde e cuidados pessoais, e artigos de residência). Os núcleos da inflação também aceleraram, com alta média de 0,74% no mês e de 5,8% em 12 meses. O mesmo ocorreu com os serviços, que subiram 1,06% em janeiro e 8,5% em 12 meses. O índice de difusão atingiu 73,7%, o maior nível desde abril de 2003. Dessa forma, a evolução dos núcleos, dos serviços e do indicador de difusão aponta para uma piora da inflação subjacente. A partir da incorporação dos dados do IPCA-15 e de informações correntes, elevamos a nossa projeção para o IPCA do mês fechado, de 0,85% para 0,93%.

Elson Teles
Economista

Meu pitaco [ Gallo ]: A coisa está pegando forte…. bem forte…. oia a tabela abaixo:


1. ipca dos últimos 12 meses saltou de 5% aa em junho para 6% aa agora, grifado em amarelo;

2. preços livres, aqueles livremente pactuados, sobem a 6,8% aa, em laranja;

3. os núcleos, que medem a tendencia central da inflação, já estão andando a 5,8% aa, em vermelho, o que confirma que, há mais de um ano, a inflação tem andado entre 5.5% e 6,5% aa. Ou seja, parece que o piso da meta não é mais os 2,5 %aa, mas 5,5%aa, e que o ponto central da meta é ao redor de 6% e não mais os 4,5% aa. Neste cenário o juro real  do CDI no Brasil caiu para 0,88% aa. Se você descontar o IR de 15%aa chegará em 0% de juro real. Ou seja, cdi não rende nada em termos reais.  Logo, aquele dinheiro que você guarda na renda fixa para os dias chuvosos não aumenta mais de valor em termos reais…

4. o índice de difusão, que mede o percentual de itens que subiram no mês, está no recorde dos últimos 9 anos a 73%, ou seja, a inflação é bastante generalizada;

De fato começamos o ano com um problema inflacionário…. e a economia mal retomou o folego… imagina se  o pibinho virar um pibão… o que vai acontecer com esta inflação?

Como o  governo vai reagir a isto???

a. se num cenário destes ele não vier com elevação de juros ou com medidas restritivas macro prudenciais, seria mais adequado rever a política monetária e o sistema de metas de inflação, para alinhar as expectativas dos agentes a nova realidade dos fatos;

b. se BC vier com tais medidas, não seria incoerente com a política fiscal adotada pelo governo, francamente estimulativa?

c. como o BC vai agir no câmbio? Vai parar a estratégia de desvalorização do R$?

d. dá para aumentar preço da gasolina num cenário deste? E se não aumentar, o que acontece com a nossa Petrobrás?

e. não fica estranho ter o Tesouro Nacional subsidiando o  consumo de energia no país, o que aumenta o consumo de energia  num cenário de escassez de chuva e de uso maior das térmicas poluidoras, só para reduzir a inflação dos preços administrados ( 3,8%aa) que já está andando abaixo do centro da meta?

Enfim, vida dura…


Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013 Inflação, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 16:42

Inflação e PIBINHO também incomodam o BC do B

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O Banco Central em sua recente reunião do COPOM decidiu manter taxa de juros estável, o que era o consenso absoluto nos mercados e entre os leitores, eu creio.

Contudo, algumas pequenas mudanças  no texto do anúncio me levaram a matutar sobre o que elas poderiam implicar.

Veja abaixo o texto do anúncio do COPOM  de Novembro do ano passado:

O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear.

E compare com o da reunião desta semana:

O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, que apresentou piora no curto prazo, a recuperação da atividade doméstica, menos intensa do que o esperado, e a complexidade que ainda envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta.

Comparando os dois textos temos pequenas e sutis mudanças nas mensagens do BC do B:

a. o Copom reconheceu agora em janeiro que a inflação apresentou uma piora no curto prazo, ou seja, a inflação está andando acima do que ele esperava;

b. o Copom também reconheceu que a recuperação da atividade está sendo menos intensa do que o esperado, ou seja, o PIBINHO está demorando para acabar;

c. o Copom reconheceu que ainda há incertezas no cenário externo.

Os fatores b e c acima levaram o Copom a indiciar que juros devem permanecer estáveis por um longo tempo. Isto faz sentido, pois a recuperação mais lenta de nossa economia e os efeitos das incertezas fiscais na economia americana servem para atenuar a demanda no curto prazo, o que, caso esta situação persista,  deve impedir que a inflação suba mais rápido.

Contudo o Copom também ficou incomodado com a elevação da inflação que temos visto, e que foi alvo de post bastante contestado  por alguns leais leitores desta coluna:

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2013/01/10/inflacao-acelera-no-final-de-2013/

Ou seja, fica implícito que se:

a. a economia  no Brasil acelerar seu ritmo como o governo espera;

b. as incertezas fiscais nos EUA forem eliminadas e a situação na Europa se estabilizar;

c. e a inflação continuar nestes níveis…

o nosso BC do C pode vir a rever seu compromisso com a estabilidade dos juros nos níveis atuais e já sinalizar uma possível alta, caso a inflação não volte a convergir para a meta.

Neste sentido cabe também mencionar que o BC eliminou a menção que havia em novembro sobre a maneira que a inflação irá convergência para o centro da meta, que até então iria ocorrer ainda que de forma não linear. Ou seja, acho que o BC sentiu que tal declaração estaria minando a credibilidade da política monetária.

A luz destes fatores acima, a menos  que acha uma deterioração forte no quadro externo e uma perda de folego na retomada de nossa economia, ficam descartadas quedas adicionais dos juros básicos.

Quanto a possíveis elevações dos juros básicos , bem aí vai depender do comportamento da inflação e da atividade…. Se ambas subirem, acho que só restará ao BC sinalizar altas dos juros.

Com relação a  esta persistência da inflação que temos percebido nos últimos anos,  seguem três gráficos interessantes:

O gráfico acima mostra a evolução da inflação do IPCA dos últimos 12 meses desde 2003. Dividi em dois momentos : até 2008, marcado em laranja,  e após 2008, marcado em amarelo.

Vemos que que até 2008 havia uma tendência de queda da taxa de inflação, que bateu seu mínimo em  2007, quando a economia crescia a taxas acima de 4% aa.

De 2008 para cá a inflação tomou uma trajetória diferente,  com uma leve aceleração,  de tal forma que, desde o final de 2010, esta nunca mais ficou abaixo do centro da meta de 4,5% aa.  Contudo, o crescimento de nossa economia desde janeiro de 2008 ficou, na média, andando abaixo de 3,5% aa, como vemos no gráfico abaixo da evolução da taxa de crescimento  do PIB desde 2003:

Ou seja, algo aconteceu de 2008 para cá que mudou a relação inflação / crescimento, ou seja, hoje crescemos menos com mais inflação.

Um amigo me mandou o gráfico abaixo que explica um pouco o que houve:

O gráfico acima tenta mostrar o que ocorreu coma produtividade da mão de obra no Brasil.

Se você tem uma fábrica , com 10 operários que produzem 1000 unidades de produto por mês,  a produtividade de sua mão de obra é 1000/ 10 = 100 unidades / empregado.

Se você dobra o número de funcionários e sua prodição vai para 2400 unidades de produto por mês, a produtividade sobe para 2400/ 20 = 120 unidades / empregado.

O gráfico acima faz esta conta usando como proxy para produção nacional o índice de atividade calculado mensalmente pelo BC do B  dividido pelo número de pessoas que trabalham na economia segundo o IBGE.

Vemos que até 2008 havia uma clara tendência de elevação da produtividade, marcada pela reta laranja, que foi revertida de 2009 em diante, quando a produtividade da mão de obra ficou estacionada, como mostra a reta verde.

O gráfico abaixo mostra a evolução dos salários pagos em relação ao mesmo nível de produção:

Notamos também que há 2 fases. Até janeiro de 2008 quando a relação salário real pago dividido sobre o valor real do que foi produzido permaneceu estável. Ou seja, os aumentos reais de salário até 2008 acompanhavam o aumento de produtividade do trabalho, como mostra a reta verde que indica uma estabilidade da relação salário / produção. De 2009 para cá o quadro mudou, e os salários reais subiram acima da produção corrente, ou seja, a relação salário real / produção real subiu. Esta situação impôs uma queda de rentabilidade das empresas, o que implicou em desaceleração dos investimentos produtivos. Num cenário deste qualquer aquecimento mais rápido da economia tende a induzir os empresários a uma recomposição de suas margens de lucro através da elevação dos preços cobrados, o que acaba impedindo uma queda da inflação.

Para continuar a elevação dos salários reais e do emprego, sem gerar inflação e sem reduzir o lucro das empresas, evitando assim uma redução dos investimentos, é preciso retomar os aumentos de produtividade da mão de obra, e a única maneira de se fazer isto no médio prazo é através do aumento do investimento de capital na economia, ou seja, do aumento da intensidade do uso do capital físico na economia. Para aumentar tais investimentos é preciso que:

a. empresários confiem na estabilidade das regras do jogo e da demanda;

b. as expectativas de lucro sejam positivas;

c. não falte recursos, como mão de obra especializada, energia ou infra;

d.  se reduza a parcela de lucro que é apropriada pelo estado via impostos e contribuições;

e. os juros dos financiamentos não subam e que haja plena oferta de crédito;

f. câmbio seja estável e que não favoreça a importação de produtos e serviços competitivos.

Só isto….  Não é fácil não…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013 Brasil, Inflação, Juros no Brasil | 14:22

Inflação acelera no final de 2012….

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Começo o ano com uma má notícia : a inflação fechou 2012 a todo vapor e promete causar grandes problemas em 2013.

Como sempre, prefiro usar gráficos para mostrar o que está rolando, gráficos preparados por um jovem economista amigo, muito competente,  e que conhece bem o velho dragão:

O gráfico verde  acima com as medidas de  núcleos da inflação nos últimos 12 meses ( que eliminam  os componentes de variação de preços que são atípicos),  assim como o gráfico azul da variação do IPCA dos últimos 12 meses,  mostram uma clara aceleração da inflação, muito similar à ocorrida em 2011, andando nos últimos 12 meses acima do centro da meta, apesar do crescimento pífio da economia nos últimos 18 meses.

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de dispersão, que indica o percentual de itens da cesta usada no cálculo da inflação que estão subindo:

Marquei em vermelho que o tal índice está bem elevado, o que mostra que a inflação está bastante generalizada, assim como ocorreu em 2008, 2004 e 2003, períodos de forte aceleração na inflação.

E o gráfico abaixo mostra a taxa anualizada da inflação mensal:

Vemos que as diversas métricas de inflação mensal ( ajustada sazonalmente em azul, a média mensal dos núcleos em verde, e a filtrada estatisticamente em laranja ) estão andando acima da meta já há vários meses, e acelerando, como ocorreu em 2008 e 2010, quando tais acelerações só foram revertidas por causa da forte desaceleração da economia que veio em seguida, algo que não deve acontecer agora.

O quadro é péssimo, pois:

a. partimos de um nível baixo de atividade, que deveria ter trazido inflação bem abaixo dos 5,5% aa;

b. partimos de um nível elevado de inflação  de quase 6% aa;

c. a economia parece estar ganhando tração, o que deve aumentar a demanda e gerar mais pressão nos preços;

d. o mercado de trabalho segue aquecido, o que deve elevar apressão por maiores salários;

e. há expectativa de elevação no preço dos combustíveis;

f. o efeito da queda das tarifas de energia pode ser reduzido à  luz do  acionamento das usinas termo elétricas;

g. as políticas monetária, fiscal, creditícia e cambial são todas expansionistas, o que deve trazer uma aceleração maior da economia no primeiro trimestre;

h. as margens de lucro das empresas estão baixas devido ao aumento de seus  custos em 2012 e à queda dos volumes de vendas, o que implica em potencial de recuperação das mesmas com mais pressão na inflação;

i.   dados do PIB do 3T2012 mostram que os estoques caíram bastante nos últimos meses, tendo assim que ser repostos a preços mais elevados.

Enfim, há fortes indícios que tal pressão inflacionária deve persistir, e até ser ampliada este ano.

Está com cara que, em 2013, o BC tenha que se justificar ao Congresso por deixar inflação ficar acima do teto da meta. OU quem sabe o discurso de juros baixos pode acabar já no segundo trimestre se a economia recuperar folego como se espera e  a inflação continuar forte.

O dragão voltou.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012 Sem categoria, utilidade | 15:15

Perspectivas para 2013

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Amigos, que as perspectivas, e a principalmente a  realidade, para 2013 sejam excelentes para todos vocês, com muita saúde,  paz,  felicidade e dindin:

E muito obrigado a todos que prestigiaram esta coluna em 2012, com sua leitura e comentários!

Valeu!

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 18 de dezembro de 2012 Brasil, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 18:32

Como gerar mais investimento produtivo?

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Estava lendo um material interessante do economista David Mericle, da Goldman Sachs nos EUA, sobre quais fatores influenciam o crescimento do investimento de capital produtivo de um país.

Já abordei o tema investimento inúmeras vezes, como pode ser visto no link abaixo:

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2012/12/07/sem-investimento-nao-ha-crescimento/

Bem, o Sr. Mericle não acredita em “miracles” sobre o tema…

Ele aponta que há basicamente 3 modelos econômicos que determinam as causas ou os motivadores principais do investimento privado na economia:

a. O modelo do acelerador de Keynes, que diz que o investimento reage ao crescimento econômico. Ou seja, de acordo com este modelo os empresários reagem ao aumento da produção corrente em decorrência de um aumento da demanda por seus produtos. Com o aumento do produto corrente, os empresários são levados a aumentar o estoque de capital para atender ao novo nível de produção;

b. O Modelo de Tobin’s Q, que diz que quanto maior o valor de mercado dos ativos de uma empresa ( que pode ser aproximado como sendo o valor de mercado das Ações de uma empresa mais o valor de suas obrigações) em relação a seus custo de reposição ( custo de adquirir os mesmos ativos no mercado de bens ), maior a tendência do empresário em investir em bens de capital. A ideia é simples: como o valor de mercado de um ativo é determinado pela expectativa de lucros futuros, faz sentido para um empresário investir para expandir a capacidade quando o custo de fazê-lo é menor do que os ganhos que são esperados. Ou seja, a expectativa de lucros futuros seria o principal fator determinante para se fazer novos investimentos. No mundo real: se você pretende montar uma loja gastando X e seu amigo te oferece uma loja idêntica por metade do custo que você teria para montar uma loja do zero, você simplesmente abandona a ideia de investir em novos móveis, equipamentos, ponto e de contratar mais gente, e simplesmente compra a loja de seu amigo. Ou seja, quando é mais barato comprar um ativo existente de alguém do que montar algo do zero, o investimento na economia cai. Logo, para aumentar o valor dos ativos existentes e estimular assim mais investimentos, é preciso que os empresários vejam lucros crescentes.

c. Há também um outro modelo defendido pelo Bernanke que diz que o volume de investimentos depende fundamentalmente da capacidade das empresas tomarem recursos emprestados no mercado. Ou seja, quanto mais fácil for tomar recursos para financiar projetos mais investimentos são feitos.

O economista do GS mostra que o modelo (a) e o modelo (c) combinados explicariam  melhor o comportamento dos investimentos nos EUA, porém o modelo (b) também funciona, mas com menor precisão.

O ponto é que, sejam quais forem as medidas tomadas pelo governo para estimular o investimento produtivo em nossa economia, elas precisam endereçar os 3 pontos acima, senão elas serão inócuas, pelo menos na opinião dos economistas que estudam o assunto.

No Brasil eu não saberia dizer qual dos 3 funcionaria melhor (deixo isto para os econometristas de plantão), porém vale a pena comentar cada um destes modelos a luz da realidade brasileira deste momento:

a. Bom, se dependermos da atividade corrente para puxar os investimentos futuros, podemos começar a rezar. A economia vem desacelerando e está patinando na retomada. Logo, deste mato parece que não sai coelho. Nossa esperança é de que nos próximos 6 meses os efeitos dos diversos estímulos dados a economia se manifestem. Porém, se em 6 meses a coisa não pegar, DIO MIO! ( meu pitaco: economia melhora no começo do ano que vem…porém não sei se tal melhora dura muito),

b. Com relação ao Tobin Q, podemos estimar a valorização dos ativos através da cotação do IBOVESPA, que está parada desde 2008 ao redor dos 60 mil pontos, sendo que a inflação do período foi de 30%… ou seja, em termos reais, a relação entre o valor de mercado dos ativos e seu custo caiu em termos reais  24% pelo menos. Parece que deste mato não  sai coelho tampouco.

c. Com relação a disponibilidade de financiamento, temos alguns sinais positivos:

  • Os bancos públicos aumentaram a oferta de crédito visando forçar uma redução dos spreads cobrados por seus competidores;
  • O BNDES tem expandindo suas linhas e reduzido seu custo;
  • O governo tem reduzido às restrições à entrada de capital estrangeiro, que, com o dólar mais alto, ficou  mais atraente para os tomadores brasileiros. Finalmente o governo percebeu o efeito negativo do controle na entrada de capitais estrangeiros sobre o investimento doméstico. Ou seja, para termos um dólar mais caro precisaríamos impedir a entrada de dólares reduzindo a oferta de crédito que vem de fora, o que sufocaria investimentos;
  • Os bancos privados reduziram seus spreads, embora também tenham apertado os critérios de concessão de crédito e reduzido a oferta de novos empréstimos, pois a inadimplência ainda está elevada.

Logo, podemos dizer que há hoje um ambiente de financiamento favorável em virtude da ação dos bancos públicos.

Eu suspeito que estamos experimentando uma crise de crescimento pela exaustão da disponibilidade que tínhamos nos fatores de Produção, Capital e Trabalho, exaustão esta que não está sendo compensada pela ampliação da produtividade. Simples: falta capital humano e físico em alguns setores críticos para expandir a produção, como na infra. Além disto, a produtividade, na margem, cresce pouco. Ou seja, assumindo que tenhamos de fato uma limitação para o aumento do capital humano empregado na produção, dependemos de investimentos e produtividade para aumentar a renda (salário + lucros). Agora, assumindo que o investimento só sobe depois do aumento da produção ( Keynes…) , dependemos, num primeiro momento,  de um aumento da produtividade para aumentar a produção, o que geraria mais produto e renda, que por sua vez levaria a mais investimento. Porém tal produtividade não está aparecendo.

A aposta do governo e de alguns economistas é que os estímulos à produção e ao consumo dados pelo governo aumentarão a demanda nos próximos trimestres. E como geramos nos últimos meses uma certa capacidade ociosa em alguns setores da economia, além da forte redução dos estoques que os últimos números do PIB mostraram,  isto tudo deve dar um certo espaço para acomodar um reaquecimento temporário da economia sem elevar a inflação no curto prazo.  Se isto será suficiente para atrair novos investimentos e colocar a roda para girar, eu não sei. O próprio Tombini tem demonstrado preocupação.

Se a demanda se acelerar como o governo deseja, mas não for acompanhada de uma aceleração do investimento, teremos uma inflação mais elevada no final de 2013. Este é outro ponto que preocupa, pois estamos com o PIB andando a 2% a.a. há 2 anos mas temos o desemprego na mínima histórica e a inflação bem acima do centro da meta. Pensa assim: pretendíamos ir daqui a Campinas em uma hora,  a 100 km / h e usando 10 litros de gasolina, ou seja, a 10km / litro de consumo. Bem, depois de meia hora, andamos 25 km  a 50 km /h,  e só temos 5 litros no tanque de combustível…. Ou seja, para atingirmos nossa meta devemos andar a 150 km/h pelos próximos 75 km com um consumo de 15 km / litro. Acho que devemos trocar nosso Opalão veio por um carro elétrico ou vamos levar várias multas da Polícia Rodoviária do Banco Central.


Autor: Ricardo Gallo Tags:

domingo, 16 de dezembro de 2012 CHINA, Crise global, Sem categoria | 03:56

Uma boa notícia para a economia!

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Bem, finalmente uma boa notícia para a economia… chinesa, é claro.

Os últimos dados mostram que a economia de lá dá sinais de recuperação, como vemos abaixo nos gráficos do Banco CS:

O Primeiro gráfico, no canto superior esquerdo, mostra que a produção industrial, as vendas de varejo e o investimento de capital estão dando sinais de inflexão ( marcado em verde), interrompendo a trajetória de queda desde meados de 2011.

O gráfico no canto superior mostra a produção industrial, que parece que vai voltar a subir,  marcado em verde escuro, em padrão similar ao visto na década de 90 e em 2008.

O gráfico no canto inferior esquerdo mostra que o investimento na economia chinesa volta a se acelerar ( em amarelo), o mesmo ocorrendo com as vendas de varejo, conforme gráfico no canto inferior direito, marcado em azul.

Ou seja, há fortes sinais que economiaa chinesa já passou pelo seu pior momento.

Contudo, para que esta recuperação não se frustre , é fundamental que o novo governo chinês embarque numa nova rodada de reformas necessárias para manter a economia chinesa competitiva e dinâmica…. Ou seja, não dá para ficar parado comemorando…

Uma boa notícia para o Brasil, pois parece que o rebocador Chinês pode nos ajudar a sair do encalhe onde nos encontramos!

Força China! Vamos torcendo!!!Agora somos todos chineses!!!

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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