Como a Grécia chegou ao abismo
Tabela abaixo é do FMI e mostra evolução de alguns indicadores de solvência da Grécia desde 2000:
Vemos que economia grega teve um crescimento acelerado entre 2003 e 2007 ( linha vermelho claro), quando seu PIB andou acima de sua capacidade potencial ( linha azul claro). Notamos na linha laranja no final da tabela elevou déficit externo dos já elevados 7,7% do PIB em 200 para mais de 14% do PIB em 2007. Fica evidente aí a histórica dependência da economia grega na importação de poupança externa para sustentar seus gastos e consumo excessivos.
O saldo primário do governo ( verde) , que era positivo no começo do século, foi piorando apesar do forte crescimento econômico até 2007. Ou seja, num período onde a atividade estava forte o governo não economizou, mas sim expandiu seus gastos acima do crescimento de suas receitas, como vemos na linha verde. Saldo saiu de 3,6% em 2000, para -2% em 2007. Ou seja, piorou 5,6% num período de PIB forte.
A dívida pública saltou de 77% do PIB para 105% neste período de vacas gordas até 2007 ( amarelo) , ou seja, eles aumentaram o endividamento público mesmo durante o período positivo do ciclo econômico. Não aproveitaram o excedente de renda gerado neste período para reduzir seu endividamento. Pela persistência dos déficits externos ao longo deste período todo podemos notar que tal gastança não resultou eu aumento da competitividade do país.
De 2008 em diante a taxa de crescimento se desacelerou bastante eliminado todo o excesso de atividade sobre seu potencial como vemos na linha cinza, quando o diferencial sobre o produto potencial caiu de 8,5% para -2,5%, ou seja uma queda de 11% do PIB vis a vis seu potencial entre 2008 e 2011!
A dívida pública disparou, saindo dos 105% do PIB para mais de 150% do PIB em 2011 ( é uma estimativa do FMI feitas em 2010 para todos dados da coluna 2011). O déficit fiscal bateu 10% do PIB em 2009, e foi se reduzindo até 2011 em virtude de alguma disciplina fiscal imposta.
Embora a economia tenha se desacelerado bastante, o déficit externo caiu muito pouco após 2008: em 2011 tal déficit ainda estaria acima de 8% do PIB, o que mostra que o déficit externo não é totalmente explicado por um excesso de demanda durante a década de ouro, mas sim por uma baixa competitividade dos produtos gregos, decorrente da baixa produtividade daquela economia e dos seus elevados custos de produção. Os déficits externos acumulados nestes 11 anos passam de 111% do pib, ou seja, o endividamento externo aumentou mais de um PIB no período em decorrência do excesso de gasto e de consumo do povo grego, num período onde seu PIB cresceu menos do que 24% e estando em média 2,2% acima do PIB potencial ao longo do período. Logo, há sim um problema estrutural de baixa competitividade naquele país que não foi endereçado durantes os períodos de vacas gordas!! Os governantes pegaram os frutos políticos dos bons ventos do norte da Europa pós Euro e não fizeram a lição de casa enquanto podiam.
E para financiar esta festa de consumo e gastos, a dívida pública dobrou como % do PIB desde 2000!!
Isto é o que eu chamo de algo insustentável: culpa de quem? Não importa agora. É tarde e portanto todos irão pagara a conta.
Lição para nós: vamos aproveitar este período de crescimento financiado pelas exportações da China e continuar a fazer nossa lição de casa de casa para aumentar nosso PIB potencial, educar nossos jovens e qualificar nossa força de trabalho, nos tornando mais produtivos. Um dia esta farra das commodities acaba e….














