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quarta-feira, 22 de junho de 2011 Crise global, Crise na Europa, EUA, Sem categoria, bolsa, investimentos | 16:22

Surpresas e sustos que movem os mercados

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Os mercados tendem antecipar os acontecimentos,  dizem alguns. Na verdade, os mercados não antecipam, mas são sim orientados pelas expectativas. Se algum fato econômico for o consenso entre os analistas, tal fato já é precificado, isto é, ele já é computado quando os agentes formam os preços das coisas. Por exemplo, se o consenso entre os analistas for que a inflação vai cair, o mercado já precifica isto e embute tal expectativa nos preços dos ativos, reduzindo, por exemplo, as taxas de juros de longo prazo. O mercado só se move se as expectativas começarem a mudar ou se os dados que forem saindo, a realidade dos fatos, se mostrarem diferentes daquele que for previsto. Assim, no exemplo acima, se os dados da inflação forem surpreendendo e se mostrando acima do esperado pelo consenso dos analistas, os mercados entram em parafuso, e começam a subir as taxas de juros futuras.

Bem, existe um índice bastante interessante que mostra se os dados econômicos que saem surpreendem os analistas para cima ou para baixo.  Ele é calculado pelo Citibank para as economias do G10. Este dado mostra quanto cada dado econômico que sai desvia do esperado pela média dos analistas do mercado, com base no desvio padrão histórico. Assim se um dado surpreende para baixo o equivalente a 1,5 desvio padrão, este dado entra como -1,5 no cálculo do índice. Os dados computados são os dos últimos 90 dias, e tem como peso seu impacto sobre o mercado no dia de seu anúncio, e sua idade: dados mais recentes pesam mais.

O gráfico branco abaixo mostra a media móvel ponderada destas surpresas que é o índice CESI, representado na linha branca para as economias do G10 como um todo. A linha vermelha horizontal mostra a média histórica das surpresas, ou seja, na média não há surpresas:

Vamos começar pela esquerda.  No início de 2004, região marcada em violeta, os economistas vinham errando para baixo suas previsões, isto é, os dados reais da economia mundial surpreendiam para cima. Porém ao longo do ano de 2004 estas surpresas foram diminuindo, pois os analistas foram ajustando suas expectativas para cima o que trouxe o índice de surpresas para zero na metade do ano pois os dados começaram a confirmar as novas expectativas mais elevadas. Porém aí os dados econômicos começaram a desapontar e o índice entrou no território negativo. Os dados que saíam deixaram de serem surpresas e se transformaram em sustos. O que houve ali não foi um crash da economia. O que houve ali é que a economia em 2002 e 2003 vinha se recuperando com força depois do estouro da bolha da internet impulsionada pela política de juros baixos do FED. Esta aceleração da economia fez com que os com que os analistas elevassem suas projeções de crescimento, que se frustraram na medida em que FED elevou os juros em 2004. O bom momento de 2003 elevou demais as expectativas de 2004, que acabaram sendo frustradas. Esta é uma situação típica onde as pessoas acham que as coisas vão continuar ótimas para sempre e embutem isto em suas expectativas para o futuro.

De 2005 A 2007, marcado em amarelo, os desvios das expectativas oscilaram dentro de uma faixa de normalidade (entre as linhas brancas paralelas horizontais).

Na segunda metade de 2008, marcado em marrom, os dados econômicos que saiam surpreendiam negativamente aos analistas e muito: a economia global afundava em função da crise de crédito global mais rápido do que se esperava e os erros de previsões eram enormes. Tal tendência se reverteu no começo de 2009, marcado em verde, quando os analistas começaram a prever o fim do mundo, enquanto que os estímulos monetários e fiscais no G10 deram tração à economia global. Um caso onde nada é tão ruim que nunca acabe. Os dados foram surpreendendo cada vez mais aos analistas que ainda estavam céticos quanto à recuperação da economia americana. Este clima de boas surpresas, de crescimento acima das expectativas, veio até o começo deste ano, quando a coisa começou a se reverter, como vemos na região marcada em vermelho.

Os dados econômicos recentes mostram uma economia global mais fraca do que as expectativas dos analistas apontam.  O desapontamento com os dados atingiu níveis similares àqueles vistos em 2004, porém estão aquém do que vimos em 2008.

Há algumas explicações possíveis para isto: efeito da tragédia no Japão que interrompeu o suprimento de componentes fundamentais à indústria americana, elevação do preço do combustível no início do ano que reduziu poder de compra das pessoas ou simplesmente a economia começa a perder gás, pois se espera um ajuste fiscal importante no G10. Ou quem sabe isto é também efeito do aperto monetário dos emergentes ou da crise Européia na economia real.

Vamos analisar agora  a correlação destas surpresas e sustos com o comportamento das bolsas de valores.

O gráfico abaixo mostra, em branco, a evolução do índice da bolsa americana SP500 versus o tal índice de surpresas na economia americana apenas, em laranja:




Podemos ver que desde 2007 a bolsa cai quando as surpresas se tornam em sustos mais rapidamente, como vimos nos períodos marcados em marrom, em amarelo e em verde.

O que surpreende é a impressionante virada para baixo recente no índice de surpresas econômicas, e o impacto relativamente pequeno nas bolsas, marcado em vermelho. Trata-se de um comportamento similar àquele observado no período anterior a 2007, marcado em azul, quando as flutuações no índice de surpresas não causavam flutuações tão grandes na bolsa de valores. Minha interpretação para este fato é que, até 2007, não se tinha dúvida sobre solidez dos fundamentos econômicos nos EUA e que tais variações nas expectativas eram consideradas naturais dentro do ciclo econômico normal.

A dúvida que fica é:

  1. Estariam hoje os mercados adotando a mesma postura do início da década passada, ou seja, eles assumem que a economia dos EUA tem sólidos fundamentos e que tais oscilações de humor e de previsões são transitórias e normais?
  2. Ou estariam os mercados assumindo que tais sustos acabarão em breve, que foram produto de efeitos transitórios,  e que os dados, portanto,  voltarão a surpreender positivamente em breve?

Seja o que for, se os dados econômicos não começarem a surpreender para cima, podemos ver as bolsas dos EUA caindo ainda mais e levando provavelmente as bolsas do resto do mundo junto.

Como dizia um grande banqueiro: eu odeio surpresa… Porém não há como evitá-las.

Vamos ficar de olho nas notícias que vem dos EUA.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 16 de junho de 2011 Crise na Europa | 21:19

Lehman, Grécia, será que esta turma não aprende?

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Em 2008, num ato de bravura, os americanos deixaram o banco de investimento Lehman Brothers quebrar. A justificativa adotada na época foi que não valeria a pena salvá-lo, pois bilhões seriam gastos no salvamento do banco e se criaria assim uma situação moral adversa onde a atitude de se fazer empréstimos malucos não seria punida, o que incentivaria os agentes do mercado a continuarem emprestando sem pensar. O raciocínio fazia sentido.  Porém o que não se levou em conta naquele momento foram as implicações sistêmicas de uma quebra desta magnitude. Deu no que deu. O governo dos EUA colocou o sistema financeiro americano a beira da falência. Ninguém confiava em mais ninguém. O crédito interbancário secou levando os EUA a uma recessão enorme. O déficit fiscal dos EUA explodiu o que elevou o custo para os contribuintes americanos dramaticamente.

Pois bem, parece que há gente na Europa que deseja repetir o mesmo erro.

Se deixarem a Grécia dar um calote em sua dívida pública, os bancos gregos quebram. Com isto o BC europeu e vários bancos europeus vão amargar perdas enormes. Mas não para aí não. No dia seguinte haverá uma corrida aos bancos portugueses e irlandeses que hoje dependem do ECB para se financiar. Isto vai elevar ainda mais o volume de grana que ECB empresta aos bancos daqueles países com problemas, volume que chega hoje aos Eur. 400 bi. Isto fará com que os títulos da dívida daqueles países afundem, levando-os também a uma situação de calote. Em pouco tempo o pânico se espalhará e atingirá os bancos espanhóis e os papéis da dívida espanhola. Isto exigiria que ECB atuasse de novo, aumentando seus empréstimos aos bancos com problemas, elevando seu risco junto ao sistema financeiro a casa do trilhão de Euros. As prováveis perdas do ECB em tais empréstimos demandariam um aporte enorme de capital por parte dos governos centrais da Europa, levando o Euro a uma queda enorme. E imagine se tal pânico chegar à Itália ou Bélgica, que também têm dívidas enormes e bancos bastante alavancados! A economia européia entraria em parafuso, levando junto os países do leste Europeu, como Hungria. Tal tsunami atingiria a Turquia também, que depende do fluxo de capital externo para financiar seu déficit externo que caminha para os 10% do PIB. A “solução” de se retirar os PIGS da região do euro fazendo com que estes adotem outras moedas causaria uma crise bancária na Europa de proporções enormes: a dívida dos PIGS junto aos países centrais da Europa seria impagável após a mega desvalorização que ocorreria em suas moedas após saírem do Euro. Isto geraria perdas patrimoniais gigantescas aos bancos e poupadores alemães, franceses, suíços, suecos, holandeses e ingleses que investiram nestes países periféricos. A quebra dos bancos locais levaria as economias periféricas a um caos similar ao vivido pela Argentina em 2001. O dólar dispararia de preço, o que iria piorar ainda mais a recuperação americana ao aumentar seu déficit externo. As commodities despencariam. O crédito ficaria de novo apertado e a crise atingiria o mundo todo. Sem falar das tensões geopolíticas decorrentes de uma crise como esta, com a volta do espírito nacionalista a Europa.

Tudo isto num momento que economia dos Bric´s está esfriando, que Japão ainda tenta se recuperar da tragédia recente e que economia dos EUA dá sinais de fraqueza. Para não dizer do esforço fiscal americano que deve começar em 2012, pois não dá para continuar com déficit de 10% do PIB, o que deve reduzir a atividade naquele país.

Por estas razões eu acho muito difícil que não se chegue a alguma solução que evite tal crise ou que a torne pelo menos gerenciável.

Acho, pois não tenho certeza. Os acontecimentos recentes são muito preocupantes. A situação política na Grécia está se deteriorando, e a pressão popular contra os ajustes necessários nos outros PIGS também aumenta. Se não se agirem rápido, passaremos do ponto de não retorno. O governo da principal liderança na Europa, a Alemanha, dá sinais erráticos sobre a maneira que pretende conduzir o processo. Sem a liderança da Alemanha o gerenciamento da crise fica impossível.

Estamos no momento mais delicado desde a quebra da Lehman em 2008. É hora de torcer para que os políticos da zona do euro tenham sabedoria neste momento.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 15 de junho de 2011 Crise na Europa | 21:52

Grécia: chegando perto da decisão

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A situação da Grécia chega a seu ponto de decisão:

> FMI só desembolsará parcela do empréstimo de socorro de julho se e somente se for equacionado o refinanciamento da dívida grega que vence em 2012 e 2013

> Europeus só aceitam aumentar ajuda a Grécia afim de garantir refinanciamento dos vencimentos de 2012 e 2013 se Grécia se comprometer com mais aperto fiscal e privatizações de suas praias…

> Alemães exigem que detentores de papéis gregos participem do pacote de rolagem de dívida grega que vence em 2012 e 2013

> BC Europeu tem que se forem impostas rolagens compulsórias aos detentores de títulos, seria caracterizado assim um calote, o que desencadearia uma crise de financiamento na Irlanda, em Portugal e eventualmente até na Espanha

Quem irá ceder? Alemanha? Parlamento Grego? BC europeu?

Não perca os últimos episódios da tragédia grega….

Autor: Ricardo Gallo Tags:

Brasil Juros, EUA | 12:06

Pesquisa mostra indústria dos EUA esfriando

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Gráfico abaixo mostra que indústria dos EUA está esfriando, segundo pesquisa feita pelo FED de NY, com encomendas e emprego se reduzindo:

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 14 de junho de 2011 china | 10:24

CS: China sobe compulsório e juro curto dispara

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  • BC Chines elevou depósisto compulsório dos bancos mais uma vez. Com isto grana disponível para empréstimos fica reduzida. Inflação não  dá refresco por lá…. Logo BC tem que apertar… é a vida….
  • Juros de curto prazo disparam como vemos no gráfico abaixo:
  • Veja comentário do CS abaixo:
  • The People’s Bank of China announced on 14 June its intent to raise the reserves requirement ratio by 50 bp, pushing the ratio to 21.5% for large financial institutions, 19.5% for small-and-medium-sized financial institutions and 18% for credit cooperatives and township banks. All these RRRs are at their highest level in history.
  • The move is clearly a response to the higher-than-expected CPI figure that came out today. Headline inflation hit 5.5% YoY in May, a record high in this cycle The hike in RRR will drain about Rmb384 bn from the system. As of March 2011, PBoC reported a 1.5% excess reserves ratio for the banking system, which was at its lowest since 2011.
  • We are becoming increasingly concerned about the growth risk after these aggressive RRR hikes. PBoC’s ‘normalisation’ has almost entirely been relying on quantative tightening, i.e., through a RRR hike and lending quota management. We see a rising possibility of weakened demand and rising account receivables over the next 12 months if the current lending practice continues.
  • Despite signs of growth slowdown, we do not anticipate the end of monetary tightening is anywhere close to an end. We maintain our expectation for another 100 bp RRR hike to 22.5% by end-2011.
Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 13 de junho de 2011 Crise na Europa | 23:54

Roubini, o homem do apocalipse, fala de fim do euro

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> meus comentários em maiúscula..

The eurozone heads for break up
The muddle-through approach to the eurozone crisis has failed to resolve the fundamental problems of economic and competitiveness divergence within the union. If this continues the euro will move towards disorderly debt workouts, and eventually a break-up of the monetary union itself, as some of the weaker members crash out.

> ELE ACHA QUE SE NÃO SE ACELERAR  AS REFORMAS ESTRUTURAIS NA PERIFERIA EUROPÉIA, A COISA VAI PARA O SACO
The Economic and Monetary Union never fully satisfied the conditions for an optimal currency area. Instead its leaders hoped that their lack of monetary, fiscal and exchange rate policies would in turn see an acceleration of structural reforms. These, it was hoped, would see productivity and growth rates converge.

> É UM PROBLEMA SÉRIO. O GOVERNOS ESTÃO TORCENDO PARA REFORMAS ANDAREM, PORÉM…SÓ TORCIDA NÃO BASTA

The reality turned out to be different. Paradoxically the halo effect of early interest rate convergence allowed a greater divergence in fiscal policies. A reckless lack of discipline in countries such as Greece and Portugal was matched only by the build-up of asset bubbles in others like Spain and Ireland. Structural reforms were delayed, while wage growth relative to productivity growth diverged. The result was a loss of competitiveness on the periphery.

> O EXCESSO DE CRÉDITO BARATO QUANDO PAÍSES PERIFÉRICOS SE JUNTARAM AO EURO CRIOU UMA BOLHA DE GASTOS PÚBLICOS E PRIVADOS, ELEVANDO ENDIVIDAMENTO

All successful monetary unions have eventually been associated with a political and fiscal union. But European moves toward political union have stalled, while moves towards fiscal union would require significant federal central revenues, and also the widespread issuance of euro bonds — where the taxes of German (and other core) taxpayers are not backstopping only their country’s debt but also the debt of the members of the periphery. Core taxpayers are unlikely to accept this.

> SISTEMA DE IMPOSTOS NÃO É CONSISTENTE ENTRE OS DIVERSOS DE PAÍSES DA REGIÃO DO EURO. OS CONTRIBUINTES ALEMÃES NÃO VÃO TOLERAR FICAR AJUDANDO A TURMA DO SUL…. E TEM GENTE QUE ACREDITA NUMA UNIÃO MONETÁRIA NA AMÉRICA LATINA…HAHAHA….

Eurozone debt reduction or “reprofiling” will help to resolve the issue of excessive debt in some insolvent economies. But it will do nothing to restore economic convergence, which requires the restoration of competitiveness convergence. Without this the periphery will simply stagnate.

> NÃO ADIANTA DAR CALOTE, POIS DESEQUILÍBRIOS REGIONAIS DE PRODUTIVIDADE E COMPETITIVIDADE IRÃO TRAZER MAIS DESQUILÍBRIOS ECONÔMICOS…. TRATA-SE DE UMA UNIÃO DE DESIGUAIS….O PROBLEMA É ESTRUTURAL. ENDIVIDAMENTO É UM SINTOMA.

Here the options are limited. The euro could fall sharply in value towards – say – parity with the US dollar, to restore competitiveness to the periphery; but a sharp fall of the euro is unlikely given the trade strength of Germany and the hawkish policies of the European Central Bank.

The German route — reforms to increase productivity growth and keep a lid on wage growth — will not work either. In the short run such reforms actually tend to reduce growth and it took more than a decade for Germany to restore its competitiveness, a horizon that is way too long for periphery economies that need growth soon.

> NÃO PARECE QUE AS POLÍTICAS ATUAIS DE REFORMAS VÃO TER SUCESSO…

Deflation is a third option, but this is also associated with persistent recession. Argentina tried this route, but after three years of an ever deepening slump it gave up, and decided to default and exit its currency board peg. Even if deflation was achieved, the balance sheet effect would  increase the real burden of private and public debts. All the talk by the ECB and the European Union of an internal depreciation is thus faulty, while the necessary fiscal austerity still has – in the short run – a negative effect on growth.

> O AJUSTE E UMA DEFLAÇÃO PODERIAM RESOLVER O PROBLEMA,PORÉM ISTO SÓ AGRAVARIA CRISE FISCAL …

So given these three options are unlikely, there is really only one other way to restore competitiveness and growth on the periphery: leave the euro, go back to national currencies and achieve a massive nominal and real depreciation. After all, in all those emerging market financial crises that restored growth a move to flexible exchange rates was necessary and unavoidable on top of official liquidity, austerity and reform and, in some cases, debt restructuring and reduction.

> ELE SUGERE QUE A ÚNICA SAÍDA SERIA QUE  OS PAÍSES PERIFÉRICOS ABANDONASSEM O EURO, ADOTANDO OUTRAS MOEDAS, DESVALORIZANDO O CÂMBIO E AÍ FAZER OS AJUSTES….

Of course today the idea of leaving the euro is treated as inconceivable, even in Athens and Lisbon. Exit would impose big trade losses on the rest of the eurozone, via major real depreciation and capital losses on the creditor core, in much the same way as Argentina’s “pesification” of its dollar debt did during its last crisis.

> PORÉM A SAÍDA DE UM PAÍS DA REGIÃO DO EURO SERIA EQUIVALENTE A PESIFICAÇÃO OCORRIDA ARGENTINA EM 2001….UMMEGA CALOTAÇO, COM CURRALITO E TUDO PARA EVITAR QUEBRA DOS BANCOS LOCAIS…. INCONCEBÍVEL.

Yet scenarios that are treated as inconceivable today may not be so far-fetched five years from now, especially if some of the periphery economies stagnate. The eurozone was glued together by the convergence of low real interest rates sustaining growth, the hope that reforms could maintain convergence; and the prospect of eventual fiscal and political union. But now convergence is gone, reform is stalled, while fiscal and political union is a distant dream.

>  A SITUAÇÃO ATUAL PODE SER POSTERGADA POR MAIS ALGUNS ANOS, PORÉM NÃO É SUSTENTÁVEL A LONGO PRAZO

Debt restructuring will happen. The question is when (sooner or later) and how (orderly or disorderly). But even debt reduction will not be sufficient to restore competitiveness and growth. Yet if this cannot be achieved, the option of exiting the monetary union will become dominant: the benefits of staying in will be lower than the benefits of exiting, however bumpy or disorderly that exit may end up being.

> VAI HAVER CALOTES DOS GOVERNOS…INEVITÁVEL

ROUBINI FICOU FAMOSO POR SUAS PREVISÕES CATASTRÓFICAS SOBRE CRISE AMERICANA, QUE ACABARAM SE TORNANDO REALIDADE…
Nouriel Roubini is chairman of Roubini Global Economics, professor of economics at the Stern School of Business NYU and co-author of ‘Crisis Economics’ that has been recently published in its paperback edition.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

china | 08:54

Aperto monetário na China avança

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Veja gráfico abaixo a desaceleração na oferta de crédito na china nos últimos meses….

Crescimento dos empréstimos e dos depósitos se desacelera rapidamente.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

domingo, 12 de junho de 2011 Crise global, Crise na Europa, Sem categoria, china, investimentos | 19:15

Economia global perde o fôlego

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Depois de duas semanas na Espanha, eu volto ao Brasil. Encontro a inflação dando um refresco, a atividade econômica dando uma desacelerada, a inadimplência aumentando e a primeira crise política do governo Dilma. Nenhuma novidade para quem leu esta coluna nos últimos meses.

Estive em Barcelona onde pude presenciar as manifestações dos indignados na Praça Catalunha, além da festa do Barça campeão europeu. Quanto à festa dos torcedores do Barça, parecia final de copa do Mundo: a cidade foi tomada por pessoas de azul e grená, festejando a vitória indiscutível sobre os ingleses.

Porém os indignados representados por jovens que sofrem com a falta de esperança decorrente da maior crise econômica depois da queda do franquismo é de assustar. Não pela violência, pois os jovens protestam de forma pacífica, acampando na praça, e a polícia é bastante tolerante, apesar dos incidentes localizados na véspera da festança do Barça. Eles me fazem pensar nas enormes dificuldades políticas que os governos terão de enfrentar para equacionar seus problemas fiscais e de endividamento privado que assolam os países chamados periféricos. Depois de anos de farra com crédito barato, chegou a hora de pagar a conta.

Enquanto Alemanha, Holanda, Finlândia e em certa medida a França crescem, o resto da Comunidade está estagnada, com desemprego estratosférico. Na Espanha mais de 30% dos jovens que se formam na faculdade não arrumam emprego. O desemprego chega a 20% e há enorme desilusão com o sistema financeiro e com a elite política.

A crise grega chega a seu pior momento. A dívida pública de 140% do PIB é impagável. O ajuste fiscal necessário está colocando o país em recessão. Portugal também sofre com o endividamento público e privado. A Irlanda está atolada em dívidas dos seus bancos que quebraram ao financiar uma febre imobiliária que faz com que a bolha americana se pareça com uma bolinha de gude.

Porém o momento da verdade da tragédia grega chegou. O FMI se nega a desembolsar o dinheiro que havia prometido para Julho, sem o qual o governo grego quebra. O argumento do FMI para tal negação é que enquanto não se equacionar o financiamento de dívida grega que vence nos próximos anos, mais de Euro 100 bi, eles não podem colocar mais dinheiro na mesa. Para se equacionar a rolagem da dívida vincenda, os gregos não têm como recorrer aos mercados uma vez que o prêmio de risco grego já passa de 13% AA vs. 1% AA no caso brasileiro. Assim, ou os países ricos da Europa colocam mais grana na parada, além do que já foi prometido, ou a Grécia quebra, levando os Bancos gregos a reboque. Para por mais grana, alguns políticos alemães exigem que dívida grega seja alongada, o que caracterizaria um calote disfarçado. O BC europeu não pode nem pensar na idéia, pois isto desencadearia uma crise sistêmica na Europa, com uma enorme fuga de capitais de Grécia, da Irlanda, de Portugal e até mesmo da Espanha, o que levaria o Euro a seu fim. A Grécia terá que privatizar suas empresas públicas e vender seus Opalas (ver link no último post). Fala-se em vender algumas Ilhas Gregas e algumas propriedades imobiliárias na costa grega que são propriedade dos estados. Imagine só se nós vendermos Jericoacoara para pagar a dívida pública!!!

É fácil imaginar a resistência política do povo grego a tais medidas draconianas. Porém com uma dívida colossal não há alternativa: ou vendem ou quebram.

O BC Europeu é contra a quebra, pois o BCE tem emprestado uns eur. 400 bi aos países periféricos e a seus bancos. O BCE empresta aos países quebrados e capta Euros junto aos Bancos Alemães, Holandeses e Finlandeses. Logo, uma quebra dos países periféricos quebraria o BCE, o que forçaria aos governos dos países ricos a recapitalizarem o Banco o que causaria uma desvalorização enorme do Euro com fortes implicações quanto a sua viabilidade, pois isto geraria uma pressão inflacionária enorme na Alemanha, principal economia da Europa, que tem uma economia bem aquecida e já apresenta sinais de inflação elevada. Neste front, o BCE pretende elevar os juros em julho próximo, no meio desta baita crise.

A situação política é instável, e a falta de saídas viáveis pode levar a crises institucionais graves. A derrota dos governos nas eleições Portuguesas, Irlandeses e Espanhóis mostra que o povo está muito insatisfeito.

Para agravar, a situação das economias americana e chinesa é frágil neste momento. O mercado de trabalho dos EUA se enfraqueceu e sua economia perdeu o fôlego com o impacto dos eventos no Japão que afetaram o suprimento de insumos às indústrias americanas. Além disto, termina agora em Julho a recompra de títulos que vem sendo feita pelo BC americano e não há indícios que eles pretendam continuá-la no futuro próximo, pois a inflação tem dados sinais de alta por lá. E o fantasma de um ajuste fiscal mais forte assusta, pois a economia dos EUA não suportaria uma redução de gastos públicos ou uma elevação de impostos neste momento. Porém o déficit público de 9% do PIB exige que alguma ação seja tomada e o debate político lá se intensifica uma vez que tesouro dos EUA não pode mais emitir títulos para financiar seu rombo, pois o limite de emissão de papéis já foi batido. Há caixa para agüentar até o começo de agosto. Se o congresso americano não elevar tal limite, os EUA teriam que dar um calote. Logo, haverá sim algum pacote fiscal, o que aumento risco de um desaquecimento maior na economia americana. Para piorar, a elevação de preços das commodities, do petróleo em particular, funciona como um imposto sobre o consumidor americano, reduzindo seu poder de compra.

Na China o aperto monetário está causando uma desaceleração na economia e alguns economistas se preocupam com um possível crash ou hard landing. A inflação ainda está elevada, e os apagões recentes mostram que o suprimento de energia não acompanha o forte crescimento da economia por lá. Comenta-se também dos problemas de crédito dos bancos chineses com seus empréstimos a governos locais que hoje somam 30% do PIB Chinês. Ver link abaixo.

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2010/07/26/udic-lgfv-esta-coisa-chinesa/

Parece que estamos vivendo o pior momento desde crise de 2008/ 2009. Os investidores reduzem suas posições em ativos de risco no mundo todo com medo desta combinação de fatores de risco.

Não há razão para se desesperar, pois o sistema financeiro mundial está mais sólido e juros deverão ficar relativamente baixos por muito tempo. Porém a recuperação que vivemos desde os piores momentos da crise de 2008 chegou a seu final. Iremos conviver com mais volatilidade, mais risco, e menos retorno.

Enfim, depois de umas férias agradáveis, com ótima comida, volto à realidade dos mercados, embora não tenha conseguido desligar meu Bloomberg nenhum dia. Vício? Pode ser, porém é como eu ganho a vida.

PS: é bom saber que alguns de vocês sentiram minha falta….

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 26 de maio de 2011 Crise na Europa, ataques especulativos | 14:26

O OPALÃO GREGO VAI A LEILÃO

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HÁ MAIS DE UM ANO ESCREVI ESTE TEXTO SOBRE COMO QUEBRAR UM PAÍS…

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2010/05/11/como-quebrar-uma-familia-ou-um-pais/

PARECE QUE A PROFECIA DO OPALÃO SE REALIZOU…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 25 de maio de 2011 Crise global, Crise na Europa, EUA, china, investimentos | 13:11

O mercado e seus medos

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Bolsas caem no mundo todo.  Dólar sobe. Títulos da Dívida americana sobem.

O que explica isto?

Há vários fantasmas rondando os mercados globais:

  • Fim das compras de papéis por parte do FED dos EUA. Com isto a liquidez poderia diminuir e o crescimento da economia ser reduzido.
  • Possível início do ajuste fiscal americano antes do esperado em virtude das pressões políticas dos republicanos e problemas na aprovação do limite de endividamento por parte do Congresso
  • Desaquecimento na atividade industrial na China em virtude do aperto monetário por parte do BC chinês
  • Dúvidas sobre situação grega: aumento da probabilidade de um calote por parte do governo grego

Com relação ao fim das compras por parte do FED, não há nenhum indício que isto venha a causar uma elevação nas taxas de juros e na redução na liquidez. A taxa de juros de 10 anos está no nível mais baixo dos últimos seis meses e a taxa de juros três meses esperada para o final deste ano também só caiu de dezembro para cá. Logo, o mercado não espera nenhum aperto na liquidez. Contudo só saberemos isto ao certo no final de Junho quando FED tiver encerrado o processo.

Quanto ao debate fiscal nos EUA há sim o fantasma de não se chegar a um acordo político quanto aos cortes de gastos e elevação de impostos necessários para tal ajuste fiscal até final de Julho, quando o Tesouro americano fica sem grana para pagar seus compromissos e fica impedindo de emitir mais dívidas o que, teoricamente, poderia colocar os EUA em situação de calote. É muito improvável que o congresso americano não aprove uma extensão do limite de endividamento o que colocaria EUA em default. Porém só teremos certeza quando isto acontecer, pois debate lá está duro. E acho difícil se aprovar algum aperto fiscal mais sério um ano antes das eleições.

Dados chineses mostram que economia sente efeitos do aperto monetário. Produção Industrial caiu e demanda por commodities se reduziu. Inflação, por outro lado, está resistindo a cair. Há portanto risco de novas medidas de aperto monetário por lá o que traria mais desaquecimento. Contudo será preciso acompanhar os dados para se ter certeza que economia continua esfriando e que inflação não cai.

Por último, as incertezas sobre situação grega aumentam. FMI e Comunidade Européia estão atrasando liberação da quinta tranche do empréstimo de Euro 110 bi. São 12 bi de euros fundamentais para que Grécia possa cumprir seus compromissos vincendos neste ano. Sem estes 12 bi país teria que dar calote. Além disto, há uma grande discussão sobre um possível pacote adicional de Euro 50 bi que cobriria os compromissos do ano que vem. Este pacote estaria sujeito a um programa de reformas econômicas profundas e a um pesado programa de privatizações. As dificuldades políticas para a aprovação do pacote adicional de ajuda e das novas medidas de austeridade aumentaram bastante. Espera-se que na reunião 21 de junho próximo os ministros da região do euro cheguem a um consenso sobre o caminho que deve ser seguido neste assunto.

São muitas incertezas, porém todas com data para acabar. Logo, teremos volatilidade até o final de junho no mínimo. Porém acho que não faz sentido apostar no fim do mundo não…

Algo me diz que segundo semestre será muito bom para ativos de risco em geral. Porém até lá…

Assim sendo, decidi sair de Férias. Volto no começo de Junho.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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