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segunda-feira, 31 de outubro de 2011 Crise global, Crise na Europa, Heróis do Mercado, bizarro | 22:42

E quando tudo parecia ir na direção correta

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O Primeiro Ministro Grego decidiu que vai convocar um referendo popular para que o povo grego decida se aceita ou não o novo de pacote de ajuda Europeu, com o calote e tudo mais, mas com todos os seus ajustes e apertos fiscais. Tal referendum estaria programado para Dezembro. 50% de desconto é pouco??

Bem, a voz do povo é a voz de Deus. Só espero que eles sobrevivam até Deus se manifestar.

Se o povo não aprovar, Grécia quebra e provavelmente afunda numa crise de proporções Olímpicas, levando consigo o pouco de credibilidade que ainda resta na união européia.

E aí eu pergunto: para que servem as lideranças se na hora H elas apelam aos universitários como naquele programa do Silvio? E já que é para deixar na mão do povo, por que o senhor não pega o boné e convoca novas eleições de uma vez? Aí assume alguém que sabe o que o povo deseja!

Enfim, parece que Europa vai voltar amanhã a UTI.


Veja abaixo a notícia que saiu no:  http://www.ekathimerini.com/4dcgi/_w_articles_wsite1_15_31/10/2011_412623

Prime Minister George Papandreou dropped a political bombshell on Monday night by announcing that his Socialist government would hold a confidence vote and a referendum on a new European Union aid package for the country, saying that the decision on whether to adopt the deal or not would be given to voters.

The confidence vote is to take place on Friday night following three days of parliamentary debate, the Athens News Agency reported late Monday. The main conservative opposition New Democracy party indicated almost immediately that it would not join the vote of confidence.

The referendum would be held later, either in December or possibly in January as Finance Minister Evangelos Venizelos and Justice Minister Haris Kastanidis indicated yesterday.

Addressing a session of PASOK’s parliamentary group, Papandreou said he had faith in Greeks making the right decision. “Let each Greek person decide; with a ballot paper in his hand, let each person decide for his country and for himself,” he said.

Of the debt deal, which EU leaders toiled for days to finalize, Papandreou said it was down to Greeks to accept it, or not. “If they do not want the deal it will not be implemented, if they do it will be implemented.”

The premier insisted that calling snap polls – before elections which are scheduled for 2013 – would be “simply dodging the issue.” He made the latest in a series of appeals for political consensus and vehemently defended his government’s efforts in negotiating last week’s EU deal. “We keep hearing criticism that we did not negotiate when we managed to renegotiate our debt,” he said.

Unlike other sessions of PASOK’s parliamentary group, MPs were yesterday forbidden from commenting after the premier’s speech, sources said.

Papandreou’s initiative was broadly seen as a response to growing pressure by skeptical PASOK cadres over recent weeks for him to assume “political initiatives.” Having emphasized that early elections were out of the question and would be an irresponsible move in the midst of the crisis, Papandreou is believed to have fallen back on the confidence vote and a referendum as safer gambles.

In June, Papandreou sought, and won, a similar vote to bolster his government before pushing deeply unpopular austerity measures into law. Additional measures were voted through Parliament earlier this month.

The premier had expressed his support for a referendum in September though he had avoided specifying whether such a vote would be on how the country should tackle its economic problems or on Greece’s position in the eurozone.

The announcement by the premier came a day after an opinion poll found that 60 percent of Greeks view Thursday’s EU debt deal – involving a 50 percent writedown of the country’s debt and another 130 billion euros in loans – as negative.

Nosso novo homem bomba:

Autor: Ricardo Gallo Tags:

Brasil, Crise global, Câmbio, ataques especulativos, bizarro | 15:16

Problema com vizinhos: Argentina

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Enquanto a Europa atrai a atenção de todos, nossa vizinha do sul dá sinais de stress e ninguém comenta.

Passadas as eleições, a situação cambial na Argentina não melhorou.

Gráfico abaixo mostra a evolução das reservas cambiais do país desde o começo do ano:

As reservas que estavam estáveis ao redor de US$ 50Bi ( verde ) começaram a cair de agosto para cá e, depois das eleições, parece que a queda se intensificou, como vemos  em vermelho.

O Link abaixo mostra que o volume de vendas de dólares pelo BC  argentino aumentou bastante recentemente:

http://www.bcra.gov.ar/pdfs/infocambios/infBASCO.pdf

Parece que na última semana o BC vendeu mais de US$ 150 milhões por dia para tentar acalmar o mercado, sem sucesso. Neste ritmo, as reservas vão embora em alguns meses.

Apesar do calote, a dívida externa argentina ainda é bastante elevada e tem crescido recentemente como vemos no gráfico abaixo:

A queda de 2003 representa a redução devido o calote ( em vermelho) . Vemos que lá para cá a dívida tem subido e já passa de US$ 130 bi ( em amarelo) .

O motivo desta fuga de capitais: há uma preocupação crescente com a  política fiscal frouxa, como vemos pela tendência rápida de queda do superavit primário fiscal acumulado nos últimos 12 meses ( em vermelho):

E com a dívida pública crescente, de mais de US$ 170 bi, que  se aproxima  do pico anterior ao calotaço:

A inflação elevada e o gasto público trazem incertezas que resultam em fuga de capitais. O Governo tem adotado medidas administrativas para tentar conter a perda de reservas, porém sem muito sucesso. A fuga deve continuar pois há o temor que se adote na Argentina controles sobre o fluxo de capital similares àqueles que existem na terra do Chaves.

Não é só a Alemanha que tem uma vizinhança problemática. Pelo menos por aqui não fizemos a besteira de unificar as moedas.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 29 de outubro de 2011 Crise na Europa, politica economica | 22:45

Europa saindo da UTI

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E finalmente as coisas começam a se mover na Europa. Embora ainda faltem os detalhes das medidas, que é onde o diabo normalmente se esconde, houve uma forte sinalização da vontade política de se encarar os problemas de frente, ainda que de forma tardia.

As medidas anunciadas são bem abrangentes, e tendem a atacar os graves problemas clínicos imediatos da região, problemas estes que se agravaram muito nas últimas semanas e levaram o paciente a um estágio crítico que poderia levar a falência múltipla de seus órgãos.

Os tratamentos emergenciais prescritos pela junta médica européia (leia-se Drs. Merkel e Sarkozy) são os seguintes:

  • Eles decidiram dar um fim a tragédia grega e “convenceram” os credores que é preciso dar um perdão ”voluntário” de 50% na dívida que está na mão dos bancos e investidores privados. Com isto espera-se que  dívida grega se estabilize em 120% do PIB em 2020. Ainda é muito, porém não tão maior que a dívida pública Italiana. Se isto der certo, a Grécia não precisará tomar recursos no mercado até 2020 para rolar sua dívida, uma vez que o fundo de estabilização europeu vai emprestar mais de Euro 100 bi para o país fechar suas contas. Basta a Grécia reduzir seu déficit público primário (déficit excluindo despesas com juros) dos atuais 3% do PIB para um superávit da mesma magnitude nos próximos quatro anos. Não é fácil, porém é factível. Agora precisamos ver quantos credores de fato irão aceitar este totó de 50% em seus títulos voluntariamente. Se não o fizerem voluntariamente, virá um totó forçado. O problema é que os outros devedores com problemas, como Irlanda e Portugal, podem desejar descontos equivalentes em suas dívidas no futuro.
  • Também reconheceram que vários bancos europeus estão muito alavancados e, portanto, não suportariam as perdas de crédito que devem se agravar nos próximos anos, que vão bem além de um calote grego. Logo, determinaram a alguns bancos da região que aumentem seu capital até meados de 2012. Se até lá eles não arrumarem a grana, os governos irão intervir e injetar capital nos bancos, diluindo os acionistas atuais que poderão sofrer perdas importantes. Estima-se que seja preciso mais de Euro 100 bi para adequar o capital dos bancos às novas exigências. Como vários bancos da periferia não conseguirão levantar esta grana, é provável que o fundo de estabilização europeu tenha que emprestar mais grana para os governos com problemas capitalizarem seus bancos, que, em muitos casos, serão nacionalizados. Tal medida deve causar uma contração na oferta de crédito na Europa, pois tais bancos vão preferir reduzir seus empréstimos e sua alavancagem a emitir novas ações a preços baixos. Isto deve contrair ainda mais a atividade econômica no próximo ano;
  • Para tentar aliviar este efeito colateral da desalavancagem, os governos pretendem reduzir o custo de captação destes bancos, provendo-lhes garantias públicas em seus títulos. Ainda não está claro quem dará tais garantias e que contra garantias serão exigidas de tais bancos;
  • O fundo de estabilização será expandido de Euro 440 bi para Euro 1,1 tri para que ele possa comprar papéis públicos emitidos pelos países da periferia que hoje precisam pagar taxas elevadas para rolar suas dívidas, o que exacerba seus problemas fiscais. Não se sabe da onde virá a grana do fundo europeu para tais compras. Fala-se em aporte de recursos vindo do FMI e dos BRIC´s. Porém, como será preciso muita grana, é provável que o fundo apenas dê uma garantia parcial nos papéis novos a serem emitidos pelos países periféricos. Resta saber se os investidores aceitarão esta garantia apenas parcial em tais títulos;
  • O BC Europeu vai continuar comprando títulos dos países periféricos em doses homeopáticas. E vai continuar oferecendo empréstimos de médio prazo aos bancos que tenham dificuldade em captar recursos de curto prazo. Contudo não devemos esperar algo parecido com o que o FED fez em seus dois Quantitative Eases que foram feitos desde 2009;

Estes tratamentos acima visam contornar a crise aguda que o paciente sofreu e que quase o levou à morte. São medidas que não endereçam os problemas fundamentais que levaram a região a esta crise gravíssimas. Elas são apenas medidas de choque, necessárias dada a gravidade do estado clínico geral, e visam interromper a metástase, como já havia mencionado em outro post no link abaixo:

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2011/10/03/doencaeuropa/

Porém as medidas propostas que de fato podem endereçar as causas fundamentais da doença européia são as seguintes:

  • Países como Itália, Grécia, Portugal e Espanha se comprometeram a tomar mais medidas que melhorem suas contas públicas, mas que, principalmente, aumentem sua competitividade, produtividade e o potencial de crescimento sustentável de suas economias.
  • Vai ser exigido que todos os países da região do Euro adotem regras de orçamento equilibrado em suas constituições que os impeçam de incorrer em déficits fiscais extravagantes no futuro. Além disto, eles pretendem alterar o arcabouço legal que rege a Eurozona (ou, como diz um amigo, a baita zona em que se transformou a região do Euro), de tal forma que exista uma supervisão externa sobre as políticas fiscais e orçamentárias praticadas pelos países da região e que se imponham punições fortes àqueles que descumprirem seus compromissos de equilíbrio fiscal. Seria uma versão light de nossa lei de responsabilidade fiscal criada durante governo FHC. Um primeiro passo no longo caminho em direção a uma união fiscal da região.

Estas duas medidas podem encaminhar soluções aos desequilíbrios estruturais da região, desequilíbrios diagnosticáveis através de tomografias e de exames laboratoriais de suas contas nacionais:

  • A produtividade dos países periféricos é menor que a produtividade dos países centrais. Isto causa um aumento nos déficits externos toda vez que suas economias tentam crescer mais rápido, pois os produtos importados são mais baratos é melhores do que os locais. Veja o gráfico abaixo que mostra o PIB total dividido pelo total de horas trabalhadas (fonte OCDE), em US$, PPP, onde temos uma boa noção da menor produtividade dos periféricos ( vermelho) quando comparada a dos países mais desenvolvidos ( verde):

E vemos abaixo que estes países com menor produtividade apresentam déficits externos insustentáveis, marcados em vermelho:

  • Alguns países periféricos não conseguem crescer a taxas que permitam gerar excedentes fiscais e de renda e assim possam reduzir seu endividamento público ou privado, como é o caso da Itália e de Portugal, como vemos no gráfico abaixo que mostra a taxa média de crescimento dos países da região entre 2000 e 2008, destacando em vermelho a falta de dinamismo das economias de Portugal e Itália:

Com estas taxas de crescimento extremamente baixas fica difícil atrair capitais internacionais interessados em investir nestas economias, o que ajudaria a aumentar a produtividade.

  • A indisciplina fiscal é generalizada na região, fruto de políticas públicas paternalistas e insustentáveis, que, apesar da elevada carga tributária, geram déficits públicos enormes.  O abuso na ingestão de gorduras saturadas e de álcool fica evidente no gráfico abaixo que mostra o déficit fiscal em 2010 na região, com destaque em vermelho para os países periféricos:

A Itália neste aspecto não está tão ruim ( amarelo) , mas sua dívida pública de mais de 100% do PIB aliada ao baixo crescimento de sua economia preocupam bastante.

Como podemos ver, o diagnóstico é claro e os exames não negam. As prescrições já foram feitas. Resta saber se os médicos de plantão e seus pacientes irão seguir o tratamento assim como foi prescrito, algo que vai demandar ações precisas e imediatas do corpo médico e uma enorme determinação dos pacientes no cumprimento do tratamento de longo prazo, pois só assim serão eliminadas as causas fundamentais desta grave doença crônica. A crise aguda e o seu tratamento irão com certeza ter efeitos colaterais na economia européia como um todo, como uma provável recessão na região nos próximos meses e com o aumento do desemprego em vários países. Isto deverá por a prova a convicção das lideranças políticas sobre os rumos do tratamento adotado, pois o sistema imunológico político na região já está bastante debilitado em decorrência do longo período de enfermidade. Caso tais lideranças venham a falhar ou hesitar na adoção destes remédios, uma recaída será fatal.

Não percam os próximos episódios da série Dr. House visita a Europa. Algo me diz que esta série vai longe.


Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 28 de outubro de 2011 Brasil, Empresas, china, investimentos | 12:34

Minério de Ferro: preço despencando na China

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Como podemos ver no chart abaixo, preço do minério de ferro na China continua caindo bastante ( em vermelho):

Depois do forte rally de 2009 ( em verde), parece que os preços perderam sustentação. Eles ainda estão distantes dos praticados nos piores momentos de 2008 no auge da crise ( amarelo ) e daqueles praticados em 2006 ( lilás), quando bateram 70 dólares vis a vis os atuais 131.

Sinal que as  coisas na China não estão bem. Alerta amarelo para o Brasil.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 26 de outubro de 2011 Brasil, Brasil Juros, investimentos, politica economica | 21:00

BNDES: desembolsos diminuem

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O gráfico acima mostra a taxa de crescimento do volume de empréstimos desembolsados pelo BNDES ano a ano desde 2006.

A taxa de crescimento dos desembolsos do BNDES, que em 2006 foi de 10% aa, foi acelerando até 2009 quando cresceu 50% aa, marcado em verde.

Em 2010 houve uma desaceleração no volume de desembolsos, que ainda cresceram 23% (marquei em amarelo) quando comparados a 2009.

Porém em 2011 até julho, temos uma queda de 5% no volume de empréstimos desembolsados quando comparados com o mesmo período de 2010, marcado em vermelho.

Acredito que o governo percebeu que o crescimento da carteira do banco era insustentável e portanto decidiu reduzir o volume de desembolsos, como eu já havia mencionado em outros posts no passado. Além disto é possível que os empresários tenham percebido o desaquecimento da economia e decidiram assim adiar alguns de seus investimentos.

Seja qual for o motivo, tal queda no impulso creditício do BNDES foi bastante expressiva, como vemos no gráfico abaixo que mostra a variação anual acumulada dos desembolsos no ano vs. ano anterior,  como % do PIB do período:

Vemos que o crescimento dos desembolsos anuais como % do PIB veio crescendo até 2009, saindo de zero até 1,3% do PIB em 2009 ! Se todo este dinheiro foi gasto nos 12 meses subsequentes em investimentos produtivos, podemos dizer que o crescimento dos desembolsos de 2009 pode ter gerado uma contribuição de mais de 1% no crescimento do PIB em 2010! Se tal raciocínio estiver correto, explica-se aí um pouco da queda da produção industrial em 2011, decorrente da redução do impulso do BNDES de 1,3% do PIB para 0,3% em 2010.

Se extrapolarmos esta hipótese, podemos prever quedas mais fortes na atividade nos próximos meses, uma vez que o impulso caiu de + 0,3% em 2010 para -0,5% do PIB nos primeiros 7 meses do ano!

Como não podemos depender do BNDES para financiar nossos investimentos de forma crescente, é preciso que o setor financeiro privado assuma este papel, preferencialmente através do uso dos mercados de capitais local e internacional. Entende-se aí o forte desejo da Presidenta em derrubar as taxas reais de juros, o que , se ela tiver sucesso,  pode motivar uma mudança na alocação da poupança privada, que hoje está fortemente investida no curto prazo, para investimentos de longo prazo. Contudo, trata-se de uma experiência de risco, pois na medida em que não geramos  poupança interna suficiente para financiar nossos investimentos ( já mencionei isto em vários posts), tal redução dos juros  acompanhada de uma desvalorização do Real pode tirar a inflação da meta, o que aumentaria o risco macro-econômico,  reduzindo assim os investimentos privados. Para que isto não ocorra é preciso aumentar a formação de poupança no país. Um ajuste fiscal mais forte com redução dos gastos públicos poderia ajudar neste sentido.

Vamos torcer para que esta tentativa funcione.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 21 de outubro de 2011 Brasil Juros | 23:44

Inflação começa a perder o fôlego?

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Seria um sinal que o esfriamento da economia já está tendo efeito desejado na inflação?

Veja comentário do Itau sobre inflação:

MACRO BRASIL – IPCA-15: inflação 12 meses começa a ceder – Itaú

O resultado do IPCA-15 mostrou inflação de 0,42% até meados de outubro, em linha com a nossa projeção (0,43%) e ligeiramente abaixo da mediana das expectativas (0,37% a 0,50%, com mediana em 0,45%). A menor inflação observada este ano em relação ao mesmo período do ano passado (0,62% no IPCA-15 de out/2010) permitiu a redução da variação acumulada nos últimos 12 meses de 7,33% em meados de setembro para 7,12% em outubro. A perspectiva de menor pressão de preços no 4T 2011 em relação ao observado no 4T 2010 levará a variação acumulada pelo IPCA a recuar nos próximos resultados até cerca de 6,5% no final deste ano.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses pela média dos núcleos não seguiu a mesma dinâmica do índice cheio e permaneceu em 7,03% (vs. 7,02% em setembro). A redução da variação acumulada pelos núcleos de inflação será bem mais lenta que o índice geral.

As principais diferenças deste resultado em relação à nossa projeção foram a alta mais acentuada de preços administrados, pressionado pela alta de 14,2% em passagens aéreas (após alta de 23,4% observada em setembro), a menor variação do grupo serviços, beneficiado pela menor contribuição de empregados domésticos (0,10%), e a menor variação de artigos de residência (-0,57%) e vestuário (0,38%). As variações observadas para passagens aéreas e empregados domésticos são, de acordo com a metodologia atual do IPCA, repetidas no fechamento do mês. A não divulgação, até o momento, do redutor para os reajustes anuais de telefonia fixa levou-nos a postergar o reajuste para meados de dezembro (antes previsto para o final de outubro).

Com base nestas novas informações, reduzimos nossa projeção para o fechamento de outubro de 0,44% para 0,41% e de 0,49% para 0,45% para o final de novembro. Em contrapartida, elevamos nossa projeção para o IPCA de dezembro de 0,55% para 0,63%, mantendo assim nossa projeção de cerca de 6,5% para o IPCA 2011.

Laura Haralyi

E veja  agora o comentário do Banco CS:

Estabilidade da inflação acumulada em 12 meses nos principais núcleos em outubro

O índice de difusão (percentual de itens com aumento de preços no mês) recuou de 66,3% em setembro para 58,2% em outubro, abaixo dos 62,1% de outubro de 2010. Esse movimento foi disseminado entre os componentes do indicador, com diminuição no percentual de ex-alimentos (57,6% em outubro ante 61,6% no mesmo mês do ano anterior) em decorrência do menor número de bens industriais com altas de preços em outubro ante mesmo mês de 2010 (60,3% ante 68,6%). No grupo Alimentação e Bebidas, o índice de difusão foi de 59,1% em outubro, inferior aos 66,0% de setembro e aos 62,9% de outubro de 2010.

A inflação média nas três principais medidas de núcleo aumentou ligeiramente de 0,48% em setembro para 0,50% em outubro, sendo que a inflação acumulada em 12 meses se manteve relativamente estável em todos os núcleos de inflação em outubro ante setembro:

· IPCA-DP (dupla ponderação, que pondera a inflação dos itens do IPCA-15 pelo inverso de suas volatilidades relativas): estabilidade da inflação ao consumidor tanto na comparação mensal (em 0,48%) quanto na acumulada em 12 meses (em 7,2%).

· IPCA-EX (núcleo por exclusão, que exclui os 12 itens mais voláteis do IPCA-15): ligeiro recuo da inflação de 0,43% em setembro para 0,42% em outubro e manutenção do acumulado em 12 meses em 6,9% no período.

· IPCA-MS (médias aparadas com suavização): elevação da inflação ao consumidor de 0,52% em setembro para 0,61% em outubro, com estabilidade da inflação acumulada em 12 meses de 6,6% no período.

Desaceleração dos preços ao consumidor foi disseminada

O recuo da inflação ao consumidor em outubro, na comparação com setembro, foi disseminado entre os componentes do IPCA-15. Além da diminuição da inflação de alimentos, de 0,72% em setembro para 0,52% em outubro, os ex-alimentos (que consideram a inflação agregada de bens industriais, serviços e preços administrados) também contribuíram para a desaceleração dos preços ao consumidor. Neste grupo, a inflação mensal recuou de 0,47% em setembro para 0,39% em outubro, e foi explicada, principalmente, pela menor inflação nos bens industriais. No entanto, a inflação acumulada em 12 meses dos ex-alimentos aumentou novamente, desta vez de 6,5% para 6,6% no período (Gráfico 1).

20 de outubro de 2011

N. Teixeira, I. Ferrão, L. Fonseca, D.Lavarda, T. Rabelo

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 20 de outubro de 2011 Brasil, Imoveis | 22:57

Imóveis: vendas continuam baixas em sampa

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Gráfico de barras mostra evolução de vendas mensais de imóveis em Sampa, segundo SECOVI:

As barras amarelas mostram volumes mensais de vendas em 2009, as verdes em 2010 e as azuis este ano.

As vendas, que vinham desapontando, deram uma pequena melhorada em agosto ( vermelho).

Porém o ritmo de vendas ATÉ AGOSTO  deste ano está 23% abaixo do 2010, porém caindo menos do que estavam caindo no começo do ano :

Além disto, a velocidade de vendas ( % de vendas sobre estoque de imóveis disponíveis para venda ) está bem abaixo do que tínhamos no passado, mostrando que vai levar mais tempo para vender seu imóvel:

Boa notíca para quem pretende comprar imóveis, pois preços devem parar de subir ou até cair em alguns casos.

Péssima notícia para quem comprou no lançamento no ano passado e pretendia vender na entrega das chaves: mercado deve perder liquidez e tais  especuladores travestidos de investidores poderão perder dinheiro.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 19 de outubro de 2011 Brasil Juros, politica economica | 15:59

Economia esfriando: agora é o emprego

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Caged mostra que número de empregos novos gerados está caindo.  Gráfico abaixo mostra a evolução do número de empregos formais novos gerados nos últimos 12 meses, desde 2005:

A geração de emprego vinha crescendo a 1,3 milhões por ano até 2007 ( em amarelo ), quando então acelerou bastante ( em verde ) batendo mais de 2 milhões / ano. A crise de 2009 trouxe tal taxa para 500 mil / ano ( preto).  Em 2010 a geração de empregos acelerou fortemente com as medidas expansionistas adotadas pelo governo. Porém desde o final de 2010, antes da crise atual, é clara a desaceleração na geração de novos empregos formais, que veio de 2,3 milhões por ano em setembro de 2010,  para 1,7 milhões agora, ou seja, uma queda de 25% .

O mais interessante é ouvir o  Min . Lupi dizendo que é isto culpa da crise atual….

Ministro, a nossa economia já dava sinais de fadiga no começo do ano de acordo com gráfico acima e a crise só serviu para tornar tal fadiga visível e dar uma boa desculpa para o senhor justificar a queda sem comprometer o governo.

Ministro, o  emprego estava aqui e caiu para cá, e vai cair mais, né? Vamos voltar para os 1,3 milhões de empregos novos que gerávamos em 2007, que é seria nossa velocidade natural de crescimento? Os mais de 2 milhões de empregos novos / ano  seriam de fato insustentáveis dentro da política econômica atual?

Está ficando claro o motivo do governo estar tão preocupado com a atividade econômica.

Será que BC ousa hoje e vem com mais e 0,5% de redução dos juros?

O que acontecerá  com a popularidade do governo se economia continuar nesta trajetória?

Como fica o apoio do PMDB ao governo com economia mais fraca?

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 18 de outubro de 2011 Brasil, china, investimentos | 13:16

Preço do minério de ferro começa a cair

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Preço do Minério na China começa a cair, como vemos no gráfico abaixo:

Vemos uma queda forte nas últimas semanas ( marcada em vermelho) que coloca o preço abaixo do praticado  em Março último, quando o Tsunami no Japão afetou as importações do dito cujo.

Seria este um reflexo dos problemas na China? Fique ligado.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 17 de outubro de 2011 Brasil Juros, Imoveis, Sem categoria, politica economica | 20:22

BC avisa: vai faltar grana para financiamento imobiliário

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O BC do B reconheceu que vai faltar dinheiro para crédito imobiliário, se não forem tomadas medidas rapidamente, como eu já havia mencionado em post no ano passado:

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2010/07/21/dinheiro-para-casa-propria-esta-acabando-tome-logo-antes-que-acabe/

Veja abaixo notícia que saiu recentemente na imprensa:

É hora de criar novos mecanismos de financiamento para o setor imobiliário no País, afirmou o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Anthero de Moraes Meirelles. Hoje, as operações dependem dos recursos das cadernetas de poupança, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de instrumentos com menor poder de captação, como os fundos imobiliários, os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), as Letras Hipotecárias (LHs) e as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) – e estes recursos deverão ser insuficientes para atender à demanda dos próximos anos.

Até agora, apesar do forte crescimento da demanda, a oferta de recursos atendeu às necessidades de mutuários e construtores. As cadernetas de poupança, principal fonte de crédito, além de disporem de um saldo da ordem de R$ 320 bilhões, recebem recursos provenientes de acordos sobre o Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS) e atendem bem à demanda da classe média. E o FGTS, voltado para as faixas de renda baixa e média baixa, dispõe de vultosas disponibilidades, próximas de R$ 90 bilhões. Além disso, os bancos recebem mensalmente o pagamento das prestações de cerca de 3 milhões de mutuários com contratos ativos.

Mas, enquanto as operações de empréstimo crescem cerca de 50% ao ano, os depósitos de poupança evoluem a taxas inferiores a 20%. Neste ano, o ritmo de crescimento é ainda menor. Estima-se, portanto, que haja escassez de recursos das cadernetas já em 2012, como temem os mais pessimistas, ou em 2013 ou 2014.

A proporção do crédito imobiliário em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), calcula o diretor do BC, deverá atingir 6% neste ano – quase cinco vezes mais do que o porcentual de 1,3% registrado em 2004. Mas 6% do PIB ainda será um volume modesto, comparado ao de outros países emergentes, como o México e o Chile. Estima-se, no setor privado, que a relação entre o crédito imobiliário e o PIB deva atingir 10% a 11%, até 2015, podendo dobrar novamente até o início da próxima década. Só então o Brasil estará mais próximo do Chile, cuja proporção crédito imobiliário/PIB supera 20%.

No Brasil, ao contrário do que ocorreu em outros países, o crédito imobiliário opera em bases muito seguras – as prestações não comprometem mais do que 30% da renda dos mutuários e, de preferência, é adotado o Sistema de Amortização Constante (SAC), em que as prestações são decrescentes ao longo do contrato. Os bancos não apenas concedem os créditos (ou seja, são originadores das operações), como mantêm esses ativos até o encerramento dos contratos.

A questão é manter a eficiência de um sistema em forte crescimento e que depende de variáveis macroeconômicas. Como afirmou Anthero Meirelles, “o BC vem trabalhando em estreita parceria com os demais órgãos reguladores e entidades representativas do setor imobiliário” para definir novos mecanismos de captação de recursos.

Mas há empecilhos a serem removidos, como o das regras sobre a destinação obrigatória de 65% dos recursos das cadernetas para as operações – a chamada exigibilidade. Os bancos querem flexibilizar a regra, para poder vender os créditos para companhias de securitização e fazer novos créditos, em prazo curto. A exigibilidade seria, assim, cumprida, mas com alguma defasagem. E o resultado seria o aumento da concessão de créditos com os recursos das cadernetas.

Outra hipótese é criar novos títulos, como os covered bonds, espécie de CDBs imobiliários que tiveram boa aceitação na Europa. Mas, para ser colocados, esses papéis teriam de render taxas de mercado superiores às da caderneta, que paga ao aplicador 6,17% ao ano mais TR. Captando a taxa baixa, os bancos poderiam emprestar a juros de 10% a 12% ao ano. Se a captação for mais onerosa, o tomador pagará mais.

Para o crédito imobiliário, a queda da taxa básica, dos 12% ao ano, hoje, para 9%, em 2012, permitiria lançar novos papéis e assegurar a oferta de financiamentos.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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