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sábado, 26 de março de 2011 Juros no Brasil, Politica Economica, utilidade | 22:38

Medidas prudenciais do BC não substituem a prudência

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No final de 2010 o BC do B adotou algumas medidas chamadas prudenciais que tinham como objetivo impedir o crescimento exagerado das dívidas das famílias e dos consumidores em geral, através da redução da oferta de crédito ao consumo, dos seus prazos e da elevação dos juros cobrados pelos bancos.

Com a redução das taxas de juros nos últimos anos e com o crescimento da massa salarial e do emprego as pessoas passaram a demandar mais crédito. Os prazos das operações de empréstimos pessoais foram subindo rapidamente. Operações de credito consignado chegam até cinco anos de prazo. Com isto e com juros menores, as prestações foram caindo. Por exemplo, uma operação de consignado por 60 meses no valor de R$ 10 mil tem uma prestação de R$ 315 reais por mês. A mesma operação por 36 meses teria uma prestação de R$ 417. A mesma operação de 60 meses, assumindo agora um juro de 3,39% AM ao invés de 2,39% AM, teria uma prestação de R$ 392.

O consumidor quando contrata estas operações não pensa em termos de taxas de juros, mas sim no tamanho da prestação: se a prestação cabe no orçamento familiar, ele toma o empréstimo, sem prestar muita atenção ao custo do mesmo.

Há também um efeito curioso quando a inflação acelera. Os consumidores percebem que os preços dos bens desejados irão subir.  Eles acompanham o que está acontecendo com os preços no seu dia a dia. Logo, se temos uma inflação de 6% AA, um bem que custa R$ 10 mil, sobe cerca de R$ 50 por mês. Cada mês que ele adia a compra ele tem que pagar mais caro. Logo, ele tende a antecipar seu consumo antes que a coisa suba mais de preço.  O que ele não avalia é que a cada mês que ele espera ele deixa de pagar juros. No caso de um empréstimo consignado este juro mensal é de mais de 2% AM. Logo, num empréstimo de R$ 10 mil isto representa encargos adicionais de R$ 239 por mês. Porém ninguém pensa assim: a alta dos preços cria um estímulo maior para o consumidor antecipara suas compras.

Se você descontar a inflação mensal dos juros dos empréstimos você chega à taxa de juros real. No caso acima, os juros reais mensais são de aproximadamente 1,9% AM. Isto quer dizer que se você adiar uma compra financiada de R$ 10 mil por um ano, mesmo considerando a inflação, você pode ao final de um ano economizar até R$ 2500, ou seja, 25% do valor da mesma. Porém ninguém faz esta conta pois há uma demanda reprimida por alguns produtos e um fascínio pelo acesso fácil ao crédito.

Outro fator interessante da inflação é o impacto da elevação dos salários que ocorre com o tempo.

Uma pessoa que ganha hoje R$ 1575 por mês, líquidos de impostos, e deseja comprometer no máximo 20% de sua renda com prestações, pode tomar os R$ 10 mil reais por 60 meses que daria uma prestação mensal de R$ 315 num empréstimo consignado. Assumindo que o salário deste indivíduo suba de acordo com a inflação anual de 6% acrescida do crescimento do PIB de 4% AA, este terá seu salário elevado em cerca de 60% em termos nominais após cinco anos, ou seja, daqui a cinco anos quando ele estiver pagando a última parcela de seu empréstimo, seu salário estará em R$ 2564, ou seja, uma parcela representará 12% da renda apenas!  A inflação dos salários acaba reduzindo o custo relativo do empréstimo. Assim a cada ano, o consumidor se sente seguro em aumentar sua dívida em 10% pois seu salário subiu!

Porém neste empréstimo de 60 meses o montante de juros pagos acima da inflação terá sido de quase 70% do valor do empréstimo! Se o tomador adiasse a compra por 5 anos, ele teria economizado  70% do valor do bem comprado em juros não pagos !  Na verdade ele irá pagar  17 mil reais por um bem que vale 10 mil reais. Mas ninguém faz esta conta. A única pergunta que é feita é: a prestação cabe em meu orçamento?

Este processo de expansão do endividamento se não for controlado traz vários riscos macro econômicos:

  • Se o crescimento dos empréstimos for muito acima do PIB, a parcela da renda nacional comprometida com juros cresce, o que pode vir a reduzir o consumo futuro no caso de um desaquecimento da economia por algum choque. Os EUA tiveram esta experiência em 2008 e os custos econômicos foram devastadores: desemprego dobrou em poucos meses.
  • O crédito farto pode gerar uma demanda ou consumo muito acima da capacidade produtiva do país, o que pode criar inflação ou elevação das importações para suprir tal demanda e, conseqüentemente, elevar o déficit externo e a necessidade de poupança externa para financiá-lo. Neste cenário, estaríamos financiando empréstimos ao consumo com fundos captados no exterior.  Se liquidez internacional cair podemos ter uma crise de financiamento que derrubaria a oferta de crédito interno e reduziria crescimento da economia
  • Somos um país que precisa investir em infra-estrutura, educação, saúde, etc. Se usarmos toda renda disponível para consumir, sobra pouco para poupar. Quando você poupa e guarda o dinheiro no banco, você gera recursos para financiar a produção e o investimento. Quando você se endivida você acaba absorvendo a grana que está no Banco e que poderia ser usada para financiar investimento produtivo. Um banco que pode emprestar a 32% AA num empréstimo consignado versus um empréstimo produtivo a 15% AA, vai preferir elevar as taxas cobradas nos financiamentos a empresas.
  • Se inflação subir em função de um consumo elevado financiado por crédito farto o BC terá que subir os juros básicos ainda mais para combater a inflação, o que aumenta o custo da dívida pública pago pelo governo e o forçará a reduzir seus gastos e investimentos tão necessários
  • O crescimento elevado do crédito aumenta alavancagem do sistema financeiro, tornando-o mais exposto a calotes e a crises como a vivida pelos Bancos da Europa e Estados Unidos em 2008 e 2009. Aprendemos que uma crise no sistema financeiro aleija a economia por bastante tempo.

Assim tais medidas prudências, embora não sejam substitutas da política tradicional de combate a inflação via juros Selic, são importantes para evitar o excessivo endividamento privado, que, embora seja extremamente importante para o crescimento da economia e para o funcionamento da economia, o crédito deve ser monitorado com rigor. O BC sabe que tais medidas ajudam no combate a inflação mas podem não ser suficientes, na medida em que temos hoje uma expectativa de inflação elevada, que precisa ser revertida. Há apenas duas formas de reduzir tal expectativa: desaquecer a economia de maneira abrupta ou elevar os juros mostrando aos agentes econômicos que o BC não permitirá que inflação fique acima da meta. Além disto, há indícios de um certo reaquecimento na demanda por crédito, o que indicaria que as medidas prudenciais podem ter tido um efeito menor do que se imaginava.

Mas cabe também ao consumidor consciente ter prudência em seus gastos e endividamento, pois o que vale para uma economia vale para uma família: juros pagos hoje representam menos poupança para os tempos difíceis.

Quer derrubar os juros cobrados pelos bancos? Pare de tomar empréstimos….

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011 Crise global, Juros no Brasil, utilidade | 14:06

Petróleo Brent dispara…

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Gráfico abaixo mostra evolução do preço do Petróleo desde 2006:

Depois da forte alta de 2008, o petróleo afundou na crise, chegando a us$ 40, marcado em lilás. Depois de um período de relativa estabilidade ( marcado em verde), ele voltou a subir quando ficou claro que EUA começavam a sair da crise, período marcado em amarelo. Recentemente  com a crise política que se alastra pelos países do oriente médio e norte da África , o preço disparou, marcado em vermelho.

Ruim para inflação no Brasil, pois pode levar a Petrobrás aumentar preço da gasolina e da nafta.

Ruim para atividade nos EUA, pois com elevação do preço do petróleo, sobe preço da energia e da gasolina, o que reduz renda disponível para o consumidor. A alta do petróleo funciona como um aumento de imposto por lá e assim reduz atividade e consumo.

Bem, agora é torcer  para que a crise lá acabe logo e neste meio tempo  pedir pinico para os Árabes , pois eles sempre tem uma sobrinha de produção para por no mercado quando preço sobe…..

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011 Crise global, Juros no Brasil, utilidade | 16:29

The telegraph: ótimo artigo sobre alta do preço dos alimentos

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Vejam aqui algumas boas explicacóes da alta do preço das commodities agrícolas, como comentei no post recent:

http://www.telegraph.co.uk/finance/comment/ambroseevans_pritchard/8291470/Egypt-and-Tunisia-usher-in-the-new-era-of-global-food-revolutions.html

Egypt and Tunisia usher in the new era of global food revolutions

Political risk has returned with a vengeance. The first food revolutions of our Malthusian era have exposed the weak grip of authoritarian regimes in poor countries that import grain, whether in North Africa today or parts of Asia tomorrow.

By Ambrose Evans-Pritchard 7:30PM GMT 30 Jan 2011 Comments

If you insist on joining the emerging market party at this stage of the agflation blow-off, avoid countries with an accelerating gap between rich and poor. Cairo’s EGX stock index has dropped 20pc in nine trading sessions.

Events have moved briskly since a Tunisian fruit vendor with a handcart set fire to himself six weeks ago, and in doing so lit the fuse that has detonated Egypt and threatens to topple the political order of the Maghreb, Yemen, and beyond.

As we sit glued to Al-Jazeera watching authority crumble in the cultural and political capital of the Arab world, exhilaration can turn quickly to foreboding.

This is nothing like the fall of the Berlin Wall. The triumph of secular democracy was hardly in doubt in central Europe. Whatever the mix of aspirations of those on the streets of Cairo, such uprisings are easy prey for tight-knit organizations – known in the revolutionary lexicon as Leninist vanguard parties.

In Egypt this means the Muslim Brotherhood, whether or not Nobel laureate Mohammed El Baradei ever served as figleaf. The Brotherhood is of course a different kettle of fish from Iran’s Ayatollahs; and Turkey shows that an ‘Islamic leaning’ government can be part of the liberal world – though Turkish premier Recep Tayyip Erdogan once let slip that democracy was a tram “you ride until you arrive at your destination, then you step off.”

It does not take a febrile imagination to guess what the Brotherhood’s ascendancy might mean for Israel, and for strategic stability in the Mid-East. Asia has as much to lose if this goes wrong as the West. China’s energy intensity per unit of GDP is double US levels, and triple the UK.

The surge in global food prices since the summer – since Ben Bernanke signalled a fresh dollar blitz, as it happens – is not the underlying cause of Arab revolt, any more than bad harvests in 1788 were the cause of the French Revolution.

Yet they are the trigger, and have set off a vicious circle. Vulnerable governments are scrambling to lock up world supplies of grain while they can. Algeria bought 800,000 tonnes of wheat last week, and Indonesia has ordered 800,000 tonnes of rice, both greatly exceeding their normal pace of purchases. Saudi Arabia, Libya, and Bangladesh, are trying to secure extra grain supplies.

The UN’s Food and Agriculture Organization (FAO) said its global food index has surpassed the all-time high of 2008, both in nominal and real terms. The cereals index has risen 39pc in the last year, the oil and fats index 55pc.

The FAO implored goverments to avoid panic responses that “aggravate the situation”. If you are Hosni Mubarak hanging on in Cairo’s presidential palace, do care about such niceties?

France’s Nicolas Sarkozy blames the commodity spike on hedge funds, speculators, and the derivatives market (largely in London). He vowed to use his G20 presidency to smash the racket, but then Mr Sarkozy has a penchant for witchhunts against easy targets.

The European Commission has been hunting for proof to support his claims, without success. Its draft report – to be released last Wednesday, but withdrawn under pressure from Paris – reached exactly the same conclusion as investigators from the IMF, and US and British regulators.

“There is little evidence that the price formation process on commodity markets has changed in recent years with the growing importance of derivatives markets”, it said.

As Jeff Currie from Goldman Sachs tirelessly points out, future contracts are neutral. For every trader making money by going long on wheat, sugar, pork bellies, zinc, or crude oil, there is a trader losing money on the other side. It is a paper transfer between financial players.

You have to buy and hoard the vast amounts of these bulk commodities to have much impact on the price, which is costly and difficult to do, though people do park crude on floating tankers sometimes, and Chinese firms allegedly stashed copper in warehouses last year.

But that is not what commodity index funds with $150bn are actually doing with food, base metals, and energy. Only governments have strategic petroleum and grain reserves big enough to make a difference.

The immediate cause of this food spike was the worst drought in Russia and the Black Sea region for 130 years, lasting long enough to damage winter planting as well as the summer harvest. Russia imposed an export ban on grains. This was compounded by late rains in Canada, Nina disruptions in Argentina, and a series of acreage downgrades in the US. The world’s stocks-to-use ratio for corn is nearing a 30-year low of 12.8pc, according to Rabobank.

The deeper causes are well-known: an annual rise in global population by 73m; the “exhaustion” of the Green Revolution as the gains in crop yields fade, to cite the World Bank; diet shifts in Asia as the rising middle class switch to animal-protein diets, requiring 3-5 kilos of grain feed for every kilo of meat produced; the biofuel mandates that have diverted a third of the US corn crop into ethanol for cars.

Add the loss of farmland to Asia’s urban sprawl, and the depletion of the non-renewable acquivers for irrigation of North China’s plains, and the geopolitics of global food supply starts to look neuralgic.

Can the world head off mass famine? Yes, with leadership. The regions of the ex-Soviet Union farm 30m hectares less today than in the Khrushchev era, and yields are half western levels.

There are tapped hinterlands in Brazil, and in Africa where land titles and access to credit could unleash a great leap forward. The global reservoir of unforested cropland is 445m hectares, compared to 1.5 billion in production. But the low-lying fruit has already gone, and the vast investment needed will not come soon enough to avoid a menacing shift in the terms of trade between the land and the urban poor.

We are on a thinner margin of food security, as North Africa is discovering painfully, and China understands all too well. Perhaps it is a little too early to write off farm-rich Europe and America.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 10 de agosto de 2010 utilidade | 23:58

Utilidade:doação de órgãos

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Uma pausa nos temas economicos….

Sem entrar nas questões éticas e religiosas de cada um, as quais respeito, seguem abaixo algumas orientações para aqueles que já pensaram no assunto mas não sabem como proceder, texto retirado do site do Ministério da sáude:

Como posso me tornar um doador de órgãos?
O passo principal para você se tornar um doador é conversar com a sua família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte. A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condiçães de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

O que é morte encefálica?
É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funçães vitais como o controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração não baterá por mais de algumas poucas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. Todo o processo pode ser acompanhado por um médico de confiança da família do doador. é fundamental que os órgãos sejam aproveitados para a doação enquanto ainda há circulação sangüínea irrigando-os, ou seja, antes que o coração deixe de bater e os aparelhos não possam mais manter a respiração do paciente. Mas se o coração parar, só poderão ser doadas as córneas.

Quais os requisitos para um cadáver ser considerado doador?
* Ter identificação e registro hospitalar;
* Ter a causa do coma estabelecida e conhecida;
* Não apresentar hipotermia (temperatura do corpo inferior a 35ºC), hipotensão arterial ou estar sob efeitos de drogas depressoras do Sistema Nervoso Central;
* Passar por dois exames neurológicos que avaliem o estado do tronco cerebral. Esses exames devem ser realizados por dois médicos não participantes das equipes de captação e de transplante;
* Submeter-se a exame complementar que demonstre morte encefálica, caracterizada pela ausência de fluxo sangüíneo em quantidade necessária no cérebro, além de inatividade elétrica e metabólica cerebral; e
* Estar comprovada a morte encefálica. Situação bem diferente do coma, quando as células do cérebro estão vivas, respirando e se alimentando, mesmo que com dificuldade ou um pouco debilitadas. Observação: Após diagnosticada a morte encefálica, o médico do paciente, da Unidade de Terapia Intensiva ou da equipe de captação de órgãos deve informar de forma clara e objetiva que a pessoa está morta e que, nesta situação, os órgãos podem ser doados para transplante.

Quero ser um doador de órgãos. O que posso doar?
* Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até sete dias);
* Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas);
* Pulmão (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas);
* Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);
* Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
* Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
* Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos);
* Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
* Pele; e
* Valvas Cardíacas.

Quem recebe os órgãos e/ou tecidos doados?
Quando é reconhecido um doador efetivo, a central de transplantes é comunicada, pois apenas ela tem acesso aos cadastros técnicos com informações de quem está na fila esperando um órgão. Além da ordem da lista, a escolha do receptor será definida pelos exames de compatibilidade entre o doador e o receptor. Por isso, nem sempre o primeiro da fila é o próximo a receber o órgão.

Como garantir que meus órgãos não serão vendidos depois da minha morte?
As centrais de transplantes das secretarias estaduais de saúde controlam todo o processo, desde a retirada dos órgãos até a indicação do receptor. Assim, as centrais de transplantes controlam o destino de todos os órgãos doados e retirados.

Disseram-me que o corpo do doador depois da retirada dos órgãos fica todo deformado. Isso é verdade?
É mentira. A diferença não dá para perceber. Aparentemente o corpo fica igualzinho. Aliás, a Lei é clara quanto a isso: os hospitais autorizados a retirar os órgãos têm que recuperar a mesma aparência que o doador tinha antes da retirada. Para quem doa não faz diferença, mas para quem recebe sim!

Posso doar meus órgãos em vida?
Sim. Também existe a doação de órgãos ainda vivo. O médico poderá avaliar a história clínica da pessoa e as doenças anteriores. A compatibilidade sangüínea é primordial em todos os casos. Há também testes especiais para selecionar o doador que apresenta maior chance de sucesso. Os doadores vivos são aqueles que doam um órgão duplo como o rim, uma parte do fígado, pâncreas ou pulmão, ou um tecido como a medula óssea, para que se possa ser transplantado em alguém de sua família ou amigo. Este tipo de doação só acontece se não representar nenhum problema de saúde para a pessoa que doa.

Para doar órgãos em vida é necessário:
* ser um cidadão juridicamente capaz;
* estar em condições de doar o órgão ou tecido sem comprometer a saúde e aptidões vitais;
* apresentar condições adequadas de saúde, avaliadas por um médico que afaste a possibilidade de existir doenças que comprometam a saúde durante e após a doação;
* Querer doar um órgão ou tecido que seja duplo, como o rim, e não impeça o organismo do doador continuar funcionando; ” Ter um receptor com indicação terapêutica indispensável de transplante; e
* Ser parente de até quarto grau ou cônjuge. No caso de não parentes, a doação só poderá ser feita com autorização judicial.

Orgãos e tecidos que podem ser doados em vida:
* Rim;
* Pâncreas;
* Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
* Fígado (apenas parte dele, em torno de 70%); e
* Pulmão (apenas parte dele, em situações excepcionais).

Quem não pode doar?
* Pacientes portadores de insuficiência orgânica que comprometa o funcionamento dos órgãos e tecidos doados, como insuficiência renal, hepática, cardíaca, pulmonar, pancreática e medular;
* Portadores de doenças contagiosas transmissíveis por transplante, como soropositivos para HIV, doença de Chagas, hepatite B e C, além de todas as demais contra-indicações utilizadas para a doação de sangue e hemoderivados;
* Pacientes com infecção generalizada ou insuficiência de múltiplos órgãos e sistemas; e
* Pessoas com tumores malignos - com exceção daqueles restritos ao sistema nervoso central, carcinoma basocelular e câncer de útero - e doenças degenerativas crônicas.

O que diz a Lei brasileira de transplante atualmente?
Lei que dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante é a Lei 9.434, de 04 de fevereiro de 1997, posteriormente alterada pela Lei nº 10.211, de 23 de março de 2001, que substituiu a doação presumida pelo consentimento informado do desejo de doar. Segundo a nova Lei, as manifestações de vontade à doação de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, após a morte, que constavam na Carteira de Identidade Civil e na Carteira Nacional de Habilitação, perderam sua validade a partir do dia 22 de dezembro de 2000. Isto significa que, hoje, a retirada de órgãos/tecidos de pessoas falecidas para a realização de transplante depende da autorização da família. Sendo assim, é muito importante que uma pessoa, que deseja após a sua morte, ser uma doadora de órgãos e tecidos comunique à sua família sobre o seu desejo, para que a mesma autorize a doação no momento oportuno.

Como pode ser identificado um doador de órgãos?
A Centrais Estaduais também têm um papel importante no processo de identificação/doação de órgãos. As atribuições das CNCDOs são, em linhas gerais: a inscrição e classificação de potenciais receptores; o recebimento de notificações de morte encefálica, o encaminhamento e providências quanto ao transporte dos órgãos e tecidos, notificação à Central Nacional dos órgãos não aproveitados no estado para o redirecionamento dos mesmos para outros estados, dentre outras. Cabe ao coordenador estadual determinar o encaminhamento e providenciar o transporte do receptor ideal, respeitando os critérios de classificação, exclusão e urgência de cada tipo de órgão que determinam a posição na lista de espera. O que é realizado com o auxílio de um sistema informatizado para o ranking dos receptores mais compatíveis.

A identificação de potenciais doadores é feita, principalmente, nos hospitais onde os mesmos estão internados, através das Comissões Intra-hospitalares de Transplante, nas UTIs e Emergências em pacientes com o diagnóstico de Morte Encefálica. As funções da coordenação intra-hospitalar baseiam-se em organizar, no âmbito do hospital, o processo de captação de órgãos, articular-se com as equipes médicas do hospital, especialmente as das Unidades de Tratamento Intensivo e dos Serviços de Urgência e Emergência, no sentido de identificar os potenciais doadores e estimular seu adequado suporte para fins de doação, e articular-se com a respectiva Central de Notificação, Captação e Distribuição de órgãos, sob cuja coordenação esteja possibilitando o adequado fluxo de informações.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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