Um cenário não tão positivo para 2011
Com as eleições se aproximando, muitos começam a avaliar qual será o ritmo crescimento do Brasil em 2011.
Vamos assumir que não haja nenhum acidente de percurso lá fora e que as coisas caminhem dentro do razoável:
> EUA crescem porém a taxas moderadas , 2% aa, devido ao fim gradual dos estímulos fiscais e aos efeitos do ainda elevado endividamento do Estado e das famílias, com inflação baixa e o dólar fraco. Preços das casas se estabilizam porém não sobem.
> Europa começa a senitr os efeitos da queda das exportações ( fim do ciclo de reestocagem dos seus parceiros internacionais) e do aperto fiscal que se iniciou este ano e deve prosseguir nos estados do sul no ano que vem, com ajustes se iniciando na França e Alemanha iniciando redução gradual de seu deficit. Com isto PIB da região do Euro fica ao redor de 2% aa.
> China estabiliza seu crescimento em 8.0% aa, caindo dos 11% aa recentes, em função da queda dos investimentos públicos em infraestrutura causada pelo estrangulamento do financiamento ás províncias. E o mercado imobiliário fica morno , com preços de imóveis caindo, o que reduz atividade no setor. Com isto demanda por commodities metálicas vai caindo devagar e excedente exportável sobe, com Yuan se valorizando bem devagar diante do fraco dólar, o que deixa suas exportações ainda competitivas.
> Japão e Leste Asiático sentem o impacto da queda da demanda vinda dos EUA e da China e reduz também seu ritmo de crescimento.
> Não há deflação global, porém uma inflação muito baixa que deixa juros reais nestas economias próximo de zero.
> No Brasil, o novo governo toma posse e começa a racionalizar gastos públicos , reduzindo-os na margem, uma vez que motivação eleitoral acaba.
> BNDES, CEF e BB diminuem ritmo de seus empréstimos pois começam a encarar restrições nas captações patrocinadas pelo estado, reduzindo oferta de crédito
> Famílias endividadas depois de 2 anos de forte expansão de consumo, começam a reduzir gastos, ciclicamente, recompondo o nível de poupança
> Empresas reduzem ritmo de investimentos na medida que BNDES começa a restringir crédito por restrições a taxa de crescimento de seu balanço.
> CEF reduz oferta de crédito imobiliário para aos tomadores de maior renda focando apenas na moradia social, pois recursos da poupança começam a ficar escassos para finaciar tais operações.
> o r$ continua valorizado em virtude da entrada de recursos para investimento em bolsas e renda fixa aqui, já que juros externos são muito baixos.
> exportadores de commodities começam a perder volume e preço nas suas vendas, em virtude da baixa demanda externa
> déficit externo continua subindo pois produtos importados ficam mais baratos e exportações reduzem ritmo de crescimento
> investimentos do setor público, como pré sal, trem bala ,belo meonte, olimpiadas e copa começam a enfrentar gargalos, por dificuldade no seu gerenciamento, e falta de recursos, atrasando sua implementação.
Todos estas hipóteses tem probabilidade maior que 70% de se tornarem realidade a luz do que sabemos hoje. E estas hipóteses são consistentes entre si, isto é, se várias delas se materializarem , a probabilidade que as outras se materializem aumenta.
Não fiz contas, porém é plausível esperar que nosso crescimento seja bem menor dos 6 ou 7% esperados pera este ano. Não seria maluco ter uma reduçao para 3% aa na margem ou até um pouco menos.
Isto daria um espaço enorme para que novo BC reduza os juros para abaixo de 10% e que terminemos o ano que vem com taxas de juros reais de curto prazo consolidadas em 4% aa . A inflação ficaria extremamente comportada e com o aperto marginal na oferta de crédito novo de longo prazo, haveria uma eventual alta nos spreads de risco de captações de recuros de longo prazo como debêntures e eurobonds, o que reduziria os investimentos, forçando bc a reduzir juros básicos para manter a bicicleta rodando.
Os setores mais sensíveis ao crédito, como construção, varejo e consumo durável sentiriam este impacto, o que reduziria a demanda por mão de obra, elevando desemprego marginalmente.
A arrecadação tributária desaceleraria o que forçaria o governo a ser mais rigoroso nos seus gastos.
Preços de ativos que são sensíveis ao crédito, como imóveis, poderiam reverter parte dos ganhos extraordinários dos últimos anos.
Os bancos privados reveriam suas políticas de crédito em virtude da mudança no ritmo de crescimento, elevando spreads e reduzindo a sua oferta.
Nada disto seria desestabilizador para economia, na medida que nível de endividamento geral não é tão elevado. Não teríamos problemas em financiar nosso deficit externo, pois as reservas e o fluxo de capitais dariam uma segurança, desde que não haja nenhuma mudança drástica nos pilares da política economia que nos trouxeram até aqui.
Enfim, não seria o fim do mundo, porém alguns setores da economia sentiriam uma forte desaceleração em seu crescimento de lucros, o que faria que empresas procurassem formas de cortar custos para preservar suas margens e sua competitividade, atraves de racionalização de processos ou até mesmo de fusões em setores mais fragmentados.
Saíriamos deste período com taxas de juros mais baixas e com uma economia mais eficiente. Porém seria um processo que testaria as convicções fiscais, cambiais e monetárias de nossos governantes.
Haveria uma enorme pressão política por aumento de gastos públicos, por mais empréstimos do BNDES e por uma desvalorização do real, numa tentativa inócua de resistir ao ciclo econômico natural. Se o novo governo vier a sucumbir a estas pressões, poderá afetar negativamente os fundamentos fiscais e cambias, o que reduziria nossa capacidade de financiamento doméstico e externo, levando a uma crise de confiança de empresários e consumidores, e eventualmente a uma aceleração inflacionária depois de algum tempo.
Tudo isto é futurologia, porém, como disse, são hipóteses plausívies e consistentes a luz do cenário atual.
Logo, recomendo a todos refletirem sobre isto e avaliarem o impacto de um cenário assim nas suas finanças, no seu emprego, na sua empresa , no seu bolso e no seu voto.
O melhor momento para se pensar nisto é quando as coisas estão indo bem. Depois, fica tarde demais.








