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sexta-feira, 6 de agosto de 2010 Brasil, Brasil Juros, investimentos, politica economica | 00:19

Um cenário não tão positivo para 2011

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Com as eleições se aproximando, muitos começam a avaliar qual será o ritmo crescimento do Brasil em 2011.

Vamos assumir que não haja nenhum acidente de percurso lá fora e que as coisas caminhem dentro do razoável:

> EUA crescem porém a taxas moderadas , 2% aa, devido ao fim gradual dos estímulos fiscais e aos efeitos do ainda elevado endividamento do Estado e das famílias, com inflação baixa e o dólar fraco.  Preços das casas se estabilizam porém não sobem.

> Europa começa a senitr os efeitos da queda das exportações ( fim do ciclo de reestocagem dos seus parceiros internacionais) e do aperto fiscal que se iniciou este ano e deve prosseguir nos estados do sul no ano que vem, com ajustes se iniciando na França e Alemanha iniciando redução gradual de seu deficit. Com isto PIB da região do Euro fica ao redor de 2% aa.

> China estabiliza seu crescimento em 8.0% aa, caindo dos 11% aa recentes, em função da queda dos investimentos públicos em infraestrutura causada pelo estrangulamento do financiamento ás províncias. E o mercado imobiliário fica morno , com preços de imóveis caindo, o que reduz atividade no setor. Com isto demanda por commodities metálicas vai caindo devagar  e excedente exportável sobe, com Yuan se valorizando bem devagar diante do fraco dólar, o que deixa suas exportações ainda competitivas.

> Japão e Leste Asiático sentem o impacto da queda da demanda vinda dos EUA e da China e reduz também seu ritmo de crescimento.

> Não há deflação global, porém uma inflação muito baixa que deixa juros reais nestas economias próximo de zero.

> No Brasil, o novo governo toma posse e começa a racionalizar gastos públicos , reduzindo-os na margem, uma vez que motivação eleitoral acaba.

> BNDES, CEF e BB diminuem ritmo de seus empréstimos pois começam a encarar restrições nas captações patrocinadas pelo estado, reduzindo oferta de crédito

> Famílias endividadas depois de 2 anos de forte expansão de consumo, começam a reduzir gastos, ciclicamente, recompondo o nível de poupança

> Empresas reduzem ritmo de investimentos na medida que BNDES começa a restringir crédito por restrições a taxa de crescimento de seu balanço.

> CEF reduz oferta de crédito imobiliário para aos tomadores de maior renda focando apenas na moradia social, pois recursos da poupança começam a ficar escassos para finaciar tais operações.

> o r$ continua valorizado em virtude da entrada de recursos para investimento em bolsas e renda fixa aqui, já que juros externos são muito baixos.

> exportadores de commodities começam a perder volume e preço nas suas vendas, em virtude da baixa demanda externa

> déficit externo continua subindo pois produtos importados ficam mais baratos e exportações reduzem ritmo de crescimento

> investimentos do setor público, como pré sal, trem bala ,belo meonte, olimpiadas e copa começam a enfrentar gargalos, por dificuldade no seu gerenciamento, e falta de recursos, atrasando sua implementação.

Todos estas hipóteses tem probabilidade maior que 70% de se tornarem realidade a luz do que sabemos hoje. E estas hipóteses são consistentes entre si, isto é, se várias delas se materializarem , a probabilidade que as outras se materializem aumenta.

Não fiz contas, porém é plausível esperar que nosso crescimento seja bem menor dos 6 ou 7% esperados pera este ano. Não seria maluco ter uma reduçao para 3% aa na margem ou até um pouco menos.

Isto daria um espaço enorme para que novo BC  reduza os juros para abaixo de 10% e que terminemos o ano que vem com taxas de juros reais de curto prazo consolidadas em 4% aa . A inflação ficaria extremamente comportada e com o aperto marginal na oferta de crédito novo de longo prazo, haveria uma eventual alta nos spreads de risco de captações de recuros de longo prazo como debêntures e eurobonds, o que reduziria os investimentos, forçando bc a reduzir juros básicos para manter a bicicleta rodando.

Os setores mais sensíveis ao crédito, como construção, varejo e consumo durável sentiriam este impacto, o que reduziria a demanda por mão de obra, elevando desemprego marginalmente.

A arrecadação tributária desaceleraria o que forçaria o governo a ser mais rigoroso nos seus gastos.

Preços de ativos que são sensíveis ao crédito, como imóveis, poderiam reverter parte dos ganhos extraordinários dos últimos anos.

Os bancos privados reveriam suas políticas de crédito em virtude da mudança no ritmo de crescimento, elevando spreads e reduzindo a sua oferta.

Nada disto seria desestabilizador para economia, na medida que nível de endividamento geral não é tão elevado. Não teríamos problemas em financiar nosso deficit externo, pois as reservas e o fluxo de capitais dariam uma segurança, desde que não haja nenhuma mudança drástica nos pilares da política economia que nos trouxeram até aqui.

Enfim, não seria o fim do mundo, porém alguns setores da economia sentiriam uma forte desaceleração em seu crescimento de lucros, o que faria que empresas procurassem formas de cortar custos para preservar suas margens e sua competitividade, atraves de racionalização de processos ou até mesmo de fusões em setores mais fragmentados.

Saíriamos deste período com taxas de juros mais baixas e com uma economia mais eficiente. Porém seria um processo que testaria as convicções fiscais, cambiais e monetárias de nossos governantes.

Haveria uma enorme pressão política por aumento de gastos públicos, por mais empréstimos do BNDES e por uma desvalorização do real, numa tentativa inócua de resistir ao ciclo econômico natural. Se o novo governo vier a sucumbir a estas pressões, poderá afetar negativamente os fundamentos fiscais e cambias, o que reduziria  nossa capacidade de financiamento doméstico e externo, levando a uma crise de confiança de empresários e consumidores, e eventualmente a uma aceleração inflacionária depois de algum tempo.

Tudo isto é futurologia, porém, como disse, são hipóteses plausívies e consistentes a luz do cenário atual.

Logo, recomendo a todos refletirem sobre isto e avaliarem o impacto de um cenário assim nas suas finanças, no seu emprego, na sua empresa , no seu bolso  e no seu voto.

O melhor momento para se pensar nisto é quando as coisas estão indo bem. Depois, fica tarde demais.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 27 de julho de 2010 Livros e publicações, politica economica | 12:35

Leitura: O BNDE´s e Raymundo Faoro

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Para quem quer entender um pouco das razões e da minha inspiração neste front, segue ABAIXO A FONTE DA INSPIRAÇÃO:

Veja esta citaçao de J Nabuco:

Veja agora este texto do próprio Faoro:

E este:

Este texto do pensador brasileiro Raymundo Faoro nunca foi tão atual.  Quem desejar ler texto inteiro:

http://www.usp.br/revistausp/17/02-faoro.pdf

E par aqueles que querem conhecer as raizes do problema:

Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 26 de julho de 2010 Brasil Juros, politica economica | 14:28

Lucro do BNDES: uma ficção contábil

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O BNDES gerou em 2009 cerca de R$ 7 bi de lucro antes do imposto…..

Seus 380 bi em ativos são financiados por linhas subsidiadas vinda do Tesouro e dos Trabalhadores.

Listo apenas 3 linhas :

90bi do FAT , no qual bndes paga 6% aa de juros quando selic é 10.75% aa…

52 bi do Tesouro, onde bndes paga 6% aa de juro

26 bi do tesouro , onde bndes paga somente 7% aa de juros

Somente nestas tres linhas , o bndes recebe um subsidio anual de cerca de r$ 7.8 bi…. Há outros repasses com outros subsidios de outros fundos menores do governo….

Logo, se BNDES não tivesse subsidio seu lucro antes de impostos seria próximo a zero….

Fonte: http:

//www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/Arquivos/empresa/download/1209pt.pdf

Autor: Ricardo Gallo Tags:

Bancos, politica economica | 13:12

Mais um no coro: BNDE´s para os grandes?

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è o povo que está dizendo…nao sou eu…..

Valor: A política industrial e a caixa preta do BNDES

Ser grande não é sinônimo de eficiência: a Telmex, gigante telefônica do México, com seu dono multibilionário e seus serviços risíveis, é uma prova multinacional desse argumento. Por isso, o empenho do BNDES em anabolizar certos campeões nacionais, especialmente no setor de frigoríficos, merece as dúvidas levantadas por especialistas, um dos quais se destaca pela precisão com que cobra explicações ao governo para a lógica das intervenções do banco no setor industrial. É o economista Mansueto Almeida, do Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea), que lembra sempre o caso da Telmex, citado acima.

No bate-boca maniqueísta em que às vezes se degenera a discussão sobre o papel do Estado no desenvolvimento de setores industriais, há quem classifique Mansueto entre os inimigos da política industrial. Coisa que ele não é; pelo contrário. O economista levanta questões pertinentes, até agora sem resposta adequada do BNDES, que, como destaca Mansueto, tem liberado dezenas de bilhões de reais a grandes empresas competitivas com agilidade que falta, infelizmente, na gestão dos fundos setoriais de apoio à inovação e tecnologia destinados a empreendimentos necessitados de apoio oficial.

Mansueto se queixa de que é difícil acompanhar os resultados da política industrial brasileira, até porque o que está previsto na chamada PDP, Política de Desenvolvimento Produtivo do governo, não é exatamente o que o BNDES vem fazendo com o vigor de sua volumosa musculatura financeira. Os defensores da ação do BNDES dizem que o economista confunde os dois papéis do banco, o de agente de desenvolvimento e o de instituição financeira de mercado. Os bilionários empréstimos a empresas como JBS Friboi e Marfrig, por exemplo, estariam na carteira de aplicação financeira, não no balcão da política industrial.O BNDES defende o investimento argumentando que será enorme sua capacidade de geração de divisas e emprego. É a política de fortalecimento de “campeões nacionais”, que, como critica Mansueto, é a menos transparente e institucionalizada das facetas da política industrial – embora seja a que canalize maior proporção de recursos públicos, e com menos burocracia. Qual a meta para essas “campeãs”? Em que setores deverão existir? Qual a medida de seu sucesso ou insucesso? Foram perguntas, sem resposta, levantadas pelo economista em seminário promovido pelo Cindes, no Rio de Janeiro.

Na PDP, a política industrial oficial, o economista identifica lá, entre as metas setoriais: 1) Consolidar o Brasil como o maior exportador mundial de proteína animal; 2) Fazer do complexo carnes o principal setor exportador do agronegócio brasileiro. A PDP arrola entre seus desafios “ampliar o acesso a mercados com eliminação das barreiras comerciais; melhorar o status sanitário da pecuária nacional; modernizar e ampliar a infraestrutura logística; garantir o abastecimento de insumos para a produção animal; aumentar o número de matrizes no rebanho nacional; e agregar valor à carne exportada”.

Não há nada que informe como ajuda alcançar essas metas a transformação do principal banco de fomento brasileiro em sócio de grandes grupos frigoríficos (não todos, alguns, escolhidos por critérios obscuros). Por uma infeliz coincidência, as carnes brasileiras passaram a enfrentar barreiras nos EUA e na Rússia, neste ano, após autoridades sanitárias terem encontrado problemas na carne exportada por essas empresas beneficiadas pelo BNDES.

Os críticos das preferências do BNDES em relação a certos grandes empresários já argumentavam que a concentração do setor de carnes não seria garantia de abertura de mercados, nem de melhoria na produção. O embargo russo após a visita a frigoríficos dos escolhidos do banco e o veto americano após a identificação de excesso de vermífugo Ivemectina no produto da JBS Friboi indicam que o dinheiro do BNDES não foi acompanhado de cobranças efetivas de resultados; a auto-suficiência de dirigentes públicos aliou-se à arrogância dos empresários favorecidos e esbarraram, ambas, na implacável severidade das autoridades sanitárias estrangeiras.

Mansueto critica o excessivo grau de abstração das metas da política industrial e pergunta por que o governo não fixa metas individuais para as empresas favorecidas pelos recursos públicos, como na Coreia. O BNDES, nota ele, não se limita a dirigir às empresas do tradicional setor agropecuário a esmagadora parcela de seus empréstimos ao setor privado; ele se torna sócio importante dessas empresas, como no caso da JBS Friboi, em que adquiriu, por cerca de R$ 7,5 bilhões, 99,9% das debêntures lançadas em mercado – desprezadas pelos investidores privados, na ocasião.

Enquanto isso, os desembolsos oficiais dos fundos destinados a inovação e tecnologia são retidos para formar o superávit do governo e submetidos a pesada burocracia. Falta maior transparência na atuação do BNDES como um dos principais agentes da política industrial brasileira. E, enquanto ela não vem, é plausível afirmar que falta eficiência, também.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 23 de julho de 2010 Brasil Juros, investimentos, politica economica | 07:44

BNDES começa a tirar o corpo fora: Mercado entra em campo!

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Saiu no Valor:

Ontem foi concluído um importante teste para o financiamento de longo prazo dos projetos de infraestrutura no Brasil via mercado de capitais. A Rota das Bandeiras, concessionária de rodovias da Odebrecht, vendeu R$ 1,1 bilhão em debêntures para custear o pagamento da outorga do corredor Dom Pedro, em São Paulo.

Os investidores, principalmente os fundos de pensão, demonstraram disposição para comprar papéis com vencimento em 12 anos e amortizações semestrais, um prazo bastante longo e inusual para os padrões brasileiros. Hoje, as ofertas de debêntures têm vencimento médio de quatro anos. Tesourarias de bancos também fizeram aportes, interessadas nas taxas pagas, apurou o Valor.

Cientes das dificuldades para vender papéis de prazos maiores, os bancos coordenadores da oferta (Santander e Banco do Brasil) previam que a oferta poderia variar de R$ 600 milhões a R$ 1,1 bilhão, sendo um bom indicador do apetite dos investidores o fato de ela ter alcançado o limite máximo.

O governo vem anunciando que espera uma maior independência dos investidores em infraestrutura em relação aos desembolsos estatais para tocar as obras. E, por isso, a operação da Rota das Bandeiras pode se tornar um modelo para outros futuros projetos.

Mesmo assim, o governo deu sua contribuição para viabilizar essa concessão de rodovias. Para financiar o projeto como um todo, a Odebrecht usou três fontes de recursos: o capital próprio, a venda das debêntures e um empréstimo de R$ 920 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para obras.

Se de um lado as debêntures vão custar mais caro para a concessionária, pagando a inflação do IPCA mais 9,57%, de outro o juro subsidiado do BNDES ajudará na formação de uma estrutura de capital mais adequada à companhia. O dinheiro do BNDES financiará as obras de melhoria e duplicação da rodovia, estimados em R$ 1,6 bilhão.

Outra contribuição do banco estatal para viabilizar a operação foi o fato de o BNDES não ter se colocado em uma posição privilegiada em relação às garantias dadas pela Rota das Bandeiras, fato incomum frente a operações anteriores. Em caso de algum problema, o banco e os debenturistas vão dividir as garantias da mesma forma.

Meu pitaco:

Pergunta: se te dessem isençao de ir nesta aplicaçao, voce comrparia um papel que rende inflacao mais 9.75% aa??? Para  um projeto aprovado pelo BNDES? Com as mesmas garantias????

Sugira isto a seu Congressista ( aquele Deputado que voce votou na ultima eleicao ou vai voltar na proxima o…. tal do….  se lembra dele?). Quem sabe aí poupamos mais e financiamos o que Brasil precisa.

E veja só: este projeto não precisou só de dinheiro subsidiado para decolar…. VIU? ENTENDE?  Quem sabe os outros 300 bi  que já foram financiados pelo BNDES, não precisassem, como este  aqui:

Presidente da Marfrig Alimentos, Marcos Molina, disse ontem que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) “deve ter interesse em apoiar a Marfrig” na aquisição da Seara, divisão de carnes da americana Cargill. “O BNDES tem apoiado todas as negociações. Como acionista, deve ter interesse em apoiar a Marfrig no negócio”, afirmou durante teleconferência para analistas de investimentos.

O dinheiro do BNDES  foi parar na Mao da Cargill que provavelmente mandou dinheiro embora para os usa onde irá investir a grana… BNDES financiando investimentos…NOS EUA… Brasileiro é tão bonzinho. OU se investiu aqui, A Cargill evitou ter que trazer dinheiro de fora para faze-lo. Logo BNDES ajuda a americana Cargill a investir no BRasil…meno male OU este aqui:

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prepara uma nova investida em sua estratégia de formar frigoríficos transnacionais brasileiros. Ontem, o frigorífico Marfrig informou que o banco se comprometeu a subscrever integralmente uma operação de emissão de debêntures de R$ 2,5 bilhões da empresa.

Os recursos serão usados para financiar a compra da americana Keystone Foods e da O”Kane Poultry, produtora de carne de aves na Irlanda do Norte. A subscrição deve ser feita por meio da BNDESPar, empresa de participações do banco estatal.

Neste caso a grana foi toda parar na Irlanda: é o bndes salvando um dos PIGS….

Faz sentido usar BNDES para isto??? Não, entende!Usa o mercado de capitais ao inves!

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 22 de julho de 2010 Sem categoria, politica economica | 00:47

Como se financia investimento?

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Uma das identidades básicas do balanço de caixa de qualquer entidade é:

Saldo de Caixa = receita – consumo – investimento

Assumindo que hajam 4 setores na economia:

. empresas privadas

. setor público

. famílias

. resto do mundo

A soma do saldo de caixa  destes setores tem que ser, por definição , igual a zero! Pois meu deficit é seu superavit…

Ou seja :

saldo das famílias + saldo das empresas + saldo do governo = – saldo do resto do mundo com relaçao a este país

Vamos a algumas coisas empíricas:

a. as famílias tendem ao longo de suas vidas acumular poupança, isto é, apresentam saldo positivo em seu balanço de caixa, guardando parte de suas rendas ( salarios, juros, alugueis, ganhos em vendas de ativos, dividendos, repasses do governo) que excede seus gastos ( alimentação, saude, educação, moradia, transporte, juros, impostos, lazer, etc) e seus investimentos ( BASICAMENTE EM MORADIAS). Esta poupança servirá  para complementar a aposentadoria ou pensões na velhice. Quanto mais jovem a população, mais ela poupa. Assim se uma familia que ganha 60 de renda, gasta 20 com despesas, 10 com impostos e investe 10 em moradia, tem superavit de 20

b. empresas tendem a distribuir parte de seu lucro ( excesso de receita sobre despesas) na forma de dividendos. O que sobra deste Lucro eh reinvestido. Porém a necessidade de investimento supera muitas vezes o volume lucro que é retido. Pense assim: uma empresa investe 100 e tem 10 de lucro, apos pagar 5 impostos, ao produzir ( e vender )  30 que é sua plena capacidade. Ai ela distribue 5 aos acionistas em forma de dividendo. Porem se vendas crescem 10% aa, e empresa está a pena capaciade, ela precisa investir mais 10% para aumentar capaciade em 10%. Logo vai precisar investir 10… Como só acumulou 5 de lucros retidos, ela vai ao mercado e capta os 5 de deficit de caixa. Logo, setor de empresas é na MAIoria das vezes deficitARIO NAO BALANÇO DE CAIXA, POR CAUSA DOS DIVIDENDOS.

c. setor do governo: raramente é superavitario. Sempre gasta mais que arrecada> vamos sumir que gasta 25 e arrecada 15, tendo deficit de 10;

O balanço fica assim:

+20 – 5 – 10 = + 5, isto é,  país gera excesso de poupança , e portanto tem saldo externo credor, ou seja, o resto do mundo tem saldo deficitario de 5 com pais. É o caso da CHina.

Se por exemplo, as famílias desejam gastar 20 ao inves de 10 com moradias, e empresas precisam investir 15  em equipamentos para suprir tais moradias, ao inves de 10, o balanço ficaria:

+ 10 – 10 -10 = -10, ou seja,  o país teria um deficit externo de 10, precisando assim importar poupança interna para financiar seus investimentos maiores e os gastos públicos. Este défici apareceria na forma de importações maiores que exportações.

Este é o caso de nosso país. Usamos a poupança dos outros países para financiar parte de nosso investimento aqui. Uma maneira de reduzir este déficit externo é reduzir os gastos dos governos….

Entende, Pelé?

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 21 de julho de 2010 Brasil Juros, politica economica | 07:42

DINHEIRO PARA CASA PRÓPRIA ESTÁ ACABANDO…TOME LOGO ANTES QUE ACABE!!!!!!

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A Caixa avisou que neste ritmo dinheiro da poupança para financiar casa própria vai acabar e caixa vai ter que pagar, como BNDES, custo de mercado para financiar os imóveis:
Recurso para habitação é insuficiente

Após alta de 95% nos empréstimos, Caixa diz que precisará de fontes alternativas à poupança em três anos

65% dos depósitos em poupança são para crédito habitacional, mas empréstimo cresce mais que caderneta

Os sucessivos recordes do crédito habitacional estão levando a Caixa Econômica Federal a começar a procurar fontes alternativas de financiamento, além dos recursos do FGTS e da poupança.

“Temos mais uns três anos para conseguir equacionar essa questão”, disse ontem Jorge Hereda, vice-presidente de Governo do banco, ao anunciar a alta de 95,1% nos empréstimos no primeiro semestre ante igual período em 2009, para R$ 34,1 bilhões.

Por lei, os bancos são obrigados a destinar 65% dos depósitos em poupança para o crédito habitacional, mas há o temor de que o crescimento da caderneta não acompanhe o dos empréstimos.

No acumulado do ano até maio, a Caixa contabilizou 55% dos financiamentos, em valor, feitos com essa fonte.

O patamar é semelhante à participação registrada em todo o ano de 2009 (57%), que teve forte elevação ante a fatia em 2008 (31%) devido ao temor dos outros bancos após o agravamento da crise.

Apesar disso, a Caixa cumpre apenas o estipulado na legislação: 65%.

De acordo com o executivo, R$ 20 bilhões -de uma carteira de crédito imobiliário de R$ 82 bilhões- já estariam prontos para uma securitização, mas ele não quis detalhar quais contratos fariam parte da emissão. A estimativa inicial de uma emissão de R$ 500 milhões até dezembro “para testar [a atratividade do papel para] o mercado, nas palavras de Hereda, está sendo reavaliada.

A securitização consiste na transformação de uma dívida em um papel para investimento no mercado de capitais. O investidor é remunerado com uma taxa de retorno que varia de acordo com as características do financiamento, descontados os custos e o ganho do banco.

A instituição financeira, por sua vez, recicla o dinheiro sem ter de esperar até o último pagamento do tomador do empréstimo. O risco de inadimplência, normalmente, fica com o investidor.

“A poupança é um recurso de curto prazo, que pode ser sacado no momento seguinte [ao depósito]. As instituições precisam ter um colchão”, afirmou Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da FGV.

Considerando apenas o crédito com essa fonte no primeiro semestre (R$ 14,9 bilhões), o aumento foi de 62%.

“MINHA CASA”
Já com recursos do FGTS (R$ 14,2 bilhões), o acréscimo atingiu 109%, com o impulso do Minha Casa, Minha Vida. O programa teve 543 mil contratos assinados até junho, pouco mais da metade da meta de 1 milhão de unidades, que deve ser batida até o final deste ano.

Até setembro, Hereda disse que a Caixa deve parar de contratar projetos de construtoras para famílias com renda de até R$ 1.395 por prever já ter alcançado a meta de 400 mil moradias. As propostas excedentes serão avaliadas no próximo ano.

DICA: TOME LOGO ANTES QUE ACABE….

MAIS UMA FONTE DE CRÉDITO PARA INVESTIMENTO QUE SE EXAURE….

MAIS UMA MAOZINHA PRO BC DO B:  MENOSJUROS PELA FRENTE.



Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 20 de julho de 2010 Bancos, politica economica | 01:39

Como indústrias financiam seus investimentos fixos?

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Veja no gráfico abaixo que 44% dos investimento vem do reinvestimento de lucros retidos. 40% vem do governo via BNDES, e apenas 8% vem do mercado de capitais em emissões de ações ou debêntures, ou  seja, apenas 8% vem dos recursos privados que você e eu poupamos, quando aplicamos em fundos de investimento, ou em nossa previdência privada, pgbl, FAPI, etc:

A parcela do BNDE´s dobrou de 2006 a 2009…

Você acha que é sustentável isto? Você acha que é viavel governo emitir dívida pública que é comprada pelos fundos onde você investe, para então o governo pegar esta grana e  aplicar em empréstimos? E empréstimos cuja taxa base de juros, a TJLP, é menor que o custo que governo paga em seus títulos? Não parece que há algo de errado?

Por que a parcela financiada junto aos investidores locais é tão pequena??? Será que emprestar por longo prazo a taxas abaixo do juro selic não é bom negócio? Será que não confiamos em nossos empresários e precisamos que governo faça o trabalho por nós??

O mais interessante é que de 2006 até 2009 a taxa de investimento em nossa economia subiu de cerca de 17% para 18% do pib, como vemos no gráfico abaixo….

Tanto esforço do BNDES  para tão pouco crescimento….  Vai ser interessante saber como iremos atingir as projeções de 22 % para 2014 mencionadas neste gráfico acima, feito pelo BNDES… haja lucro retido…

Parece que há algo de errado.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 16 de julho de 2010 Brasil, politica economica | 15:06

Luis Stuhlberger e o Moto Perpetuo tupiniquim…

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Luis é um das mais talentosos gestores de dinheiro que eu já vi. Além de ser um cara culto e ácido em suas opiniões, o que torna seus textos muito divertidos de ler

Vejam esta peça brilhante de sua última carta a seus clientes:



De fato é incrível que ningúem em mais de  200 anos de história de estudo da economia tenha pensado em trazer da física, ou da metafísica, o conceito do moto contínuo para o crescimento econômico.

Somente nós, brasileiros, com nossa criatividade tupiniquim, poderíamos ser atores de tal proeza.

Porém eu ainda não estou convencido que nosso moto perpetuo seja de fato perpetuo…. Algo me diz que em algum momento a conta aparece. Sei lá, pode ser um trauma meu decorrente dos anos do milagre brasileiro, ou inveja minha  pela simplicidade da coisa, ou a visão da má experiencia yankee com 0 moto perpetuo imobiliário, sei lá,   porém eu me lembro de uma tal da entropia das aulas de termodinamica do professor Grecco na Poli…. a energia vai se dissipando com o tempo, até que um dia fica quase impossível se juntar energia para manter a bicicleta perpetua pedalando e aí….

Parabéns Luis.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

Brasil Juros, EUA, politica economica | 14:54

Inflação nos EUA: descendo a ladeira..

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Os últimos dados de inflaçao nos EUA mostram queda da inflação cheia e de seus núcleos:

Olha o fantasma da deflação…. para aqueles que achavam que EUA iriam ter uma explosão inflacionária por causa dos juros baixos e déficits elevados…. Keynes, meus caros….

A dita só volta quando os caras voltarem a se endividar ou pararem de se desalavancar..Isto tem reflexo até aqui, pois derruba preço de produtos importados, reduzindo pressão inflacionária….

como diria Gisele ao Meirelles: ENTENDE????

CLICK ABAIXO E VEJA SE VOCE ENTENDE….

http://www.youtube.com/watch?v=irIo_0fU-H8


Autor: Ricardo Gallo Tags:

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