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Arquivo da Categoria politica economica

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 Brasil Juros, politica economica | 14:26

Samuel Pessoa: ótima análise sobre poupança e investimento

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Veja texto excelente deste ótimo economista:

Se um empresário endividar-se junto a uma instituição financeira para construir uma nova planta produtiva, o investimento ocorrerá. O poder de compra liberado pela instituição bancária gerou o recurso monetário que financiou o investimento. O investimento gerou a sua própria poupança. Esse princípio, chamado de princípio da demanda efetiva, foi estabelecido por Keynes em 1936 e pertence ao conhecimento padrão da economia.

Todos os complexos modelos “dinâmicos e estocásticos de equilíbrio geral” que os bancos centrais utilizam para auxiliar na formulação da política monetária empregam o princípio da demanda efetiva. Assim, estou ciente que a causalidade é da poupança para o investimento.

A questão é sabermos como que a decisão do empresário em tomar recursos financeiros para investir será solucionada macroeconomicamente. Há três possíveis formas. Primeiro, se houver desocupação de fatores de produção, a decisão do empresário mobilizará parcela desses recursos ociosos e o aumento da produção possível com a mobilização desses recursos gera a poupança que financia o investimento. Segundo, se não houver ociosidade e houver condições de aumentar a oferta de bens importados, o excesso de demanda produzido pela decisão empresarial de investir gerará excesso de demanda por bens e serviços que será coberto por elevação das importações. Finalmente, se não houver ociosidade nem possibilidade de elevar a absorção de poupança externa, o espírito animal do empresário terá produzido a elevação do investimento e da inflação que corta o consumo e produz poupança forçada.

Não parece haver na economia brasileira ociosidade generalizada de fatores produtivos. Desta forma, se quisermos acelerar a taxa de crescimento da economia para 4,5% ou 5%, teremos que criar condições para que o aumento do investimento seja acompanhado de aumento da poupança.

A experiência recente mostrou que não tem ocorrido desta forma. De 2004 até 2008, a taxa de investimento subiu quase 5 pontos percentuais do PIB. A taxa de crescimento do produto também se acelerou bastante. No entanto, a poupança não veio atrás.

Todo o aumento do investimento foi financiado pela expansão da absorção de poupança externa. Saímos de um superávit externo de 2,5 para um déficit de 2,5 pontos percentuais do PIB. Ou seja, o espírito animal do empresário funcionou, o investimento elevou-se, o crescimento econômico veio, mas a poupança não acompanhou. Este período não foi o primeiro. No governo Geisel, o investimento deu um grande salto, mas a poupança também não acompanhou. Fomos obrigados a recorrer à poupança externa. No período JK, o aumento do investimento gerou fortíssima aceleração da inflação.

Há espaço para esperarmos aumento da taxa de poupança doméstica? Para respondermos olhamos cada um dos componentes da poupança: a das famílias, das empresas e do setor público. Tanto no Brasil quanto nos EUA, a poupança das famílias é da ordem de 5% do PIB. Nos países europeus continentais está acima de 10% do PIB e nos asiático pode chegar ao valor extremo, na China, de mais de 20%!

A poupança das famílias depende da rede de seguro social que mitiga riscos que os cidadãos se deparam no dia a dia de uma economia de mercado: desemprego, saúde, perda da capacidade laboral com a idade, etc. O Brasil é o país da sua faixa de renda que mais gasta com seguro social. Somente com aposentadoria por tempo de serviço, por idade, por invalidez, rural e pensão por morte gastamos 12% do PIB, o triplo do gasto de economias com o mesmo perfil etário que o nosso. A baixa poupança das famílias é a contrapartida do bem-estar produzido pela abrangente rede de proteção social.

Enquanto continuar o processo de construção e aprofundamento da rede de proteção social, não devemos esperar elevação na poupança das famílias.

Com relação à poupança das empresas, ela, no Brasil, representa 15% do PIB. Mais baixa, mas não muito distante dos 22% da poupança das empresas na China. A poupança das empresas é formada por lucros retidos.

Sua elevação requer que mudemos as instituições trabalhistas e de regulação dos mercados de forma a elevar o poder de barganha do capital na divisão do faturamento das empresas entre lucros e salários e, ou, permitir a elevação da margem de lucro na venda ao consumidor. Não parece que a sociedade aceitaria medidas nesta direção. Assim, não há espaço para elevar a poupança das empresas, que, como vimos, é relativamente elevada.

Finalmente, a elevação da poupança do setor público requer redução do gasto público em custeio e transferências ou elevação da carga tributária. Esta última já se encontra em nível muito elevada. A queda do custeio depende de contração dos salários dos funcionários e redução do custeio administrativo, que, ao contrário do que se acredita, tem sido reduzido nos últimos anos.

queda das transferências públicas depende da redução dos gastos com a rede de seguridade social ou com os juros pagos. A redução dos juros deve abrir algum espaço para elevação da poupança pública. No entanto, este espaço é muito menor do que os 5% do PIB que o Tesouro anualmente gasta com o pagamento de juros. Pouco mais de metade deste montante refere-se à correção monetária da dívida pública, aos impostos que o governo arrecada com os juros que paga e a dividendos que os banco públicos pagam ao Tesouro em função do lucro que auferem do carregamento de parcela da dívida pública. Assim, apesar de muito positiva, a redução da taxa Selic a níveis civilizados não gerará muito mais do que 1 ponto do PIB de elevação da poupança pública.

Ou seja, teremos que encontrar formas de crescer sem grandes elevações da poupança doméstica. A agenda de crescimento passa por melhoria da qualidade da educação, da elevação da produtividade e da criação de uma institucionalidade que permita que o país absorva, de forma sustentável, níveis maiores de poupança externa, como, por exemplo, faz a Austrália. Não digo que este é o melhor modelo de desenvolvimento para o país. Digo que a sociedade, por meio de suas escolhas, decidiu que este é o melhor para o país.

Samuel Pessoa é sócio da Tendências Consultoria Integrada e pesquisador associado do Ibre-FGV.

PS do Gallo: eu endosso 123%.

PS2: não conheço pessoalmente, tampouco a consultora Tendência é minha cliente ou fornecedora…..

Autor: Ricardo Gallo Tags:

domingo, 12 de fevereiro de 2012 Crise na Europa, politica economica | 13:00

Como a Grécia chegou ao abismo

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Tabela abaixo é do FMI e mostra evolução de alguns indicadores de solvência da Grécia desde 2000:

Vemos que economia  grega teve um crescimento acelerado entre 2003 e 2007 ( linha vermelho claro), quando seu PIB andou acima de sua capacidade potencial ( linha azul claro). Notamos na linha laranja no final da tabela elevou déficit externo dos já elevados 7,7% do PIB em 200 para mais de 14% do PIB em 2007. Fica evidente  aí a histórica dependência da economia grega na  importação de poupança externa para sustentar seus gastos e consumo excessivos.

O saldo primário do governo ( verde) , que era positivo no começo do século, foi piorando apesar do forte crescimento econômico até 2007. Ou seja, num período onde a atividade estava forte o governo não economizou, mas sim expandiu seus gastos acima do crescimento de suas receitas, como vemos na linha verde. Saldo saiu de 3,6% em 2000, para -2% em 2007. Ou seja, piorou 5,6% num período de PIB forte.

A dívida pública saltou de 77% do PIB para 105% neste período de vacas gordas até 2007 ( amarelo) , ou seja, eles aumentaram o endividamento público mesmo durante o período positivo do ciclo econômico. Não aproveitaram o excedente de renda gerado neste período para reduzir seu endividamento.  Pela persistência dos déficits externos ao longo deste período todo podemos notar que tal gastança não resultou eu aumento da competitividade do país.

De 2008 em diante a taxa de crescimento se desacelerou bastante eliminado todo o excesso de atividade sobre seu potencial como vemos na linha cinza, quando o diferencial sobre o produto potencial caiu de 8,5% para -2,5%, ou seja uma queda de 11% do PIB vis a vis seu potencial entre 2008 e 2011!

A dívida pública disparou, saindo dos 105% do PIB para mais de 150% do PIB em 2011 ( é uma estimativa do FMI feitas em 2010 para todos dados da coluna 2011). O déficit fiscal bateu 10% do PIB em 2009,  e foi se reduzindo até 2011 em virtude de alguma disciplina fiscal imposta.

Embora a economia tenha se desacelerado bastante, o déficit externo caiu muito pouco após 2008: em 2011 tal déficit ainda estaria acima de 8% do PIB, o que mostra que o déficit externo não é totalmente explicado por um excesso de demanda  durante a década de ouro, mas sim por uma baixa competitividade dos produtos gregos, decorrente da baixa produtividade daquela economia e dos seus elevados custos de produção. Os déficits externos acumulados nestes 11 anos passam de 111% do pib, ou seja, o endividamento externo aumentou mais de um PIB no período em decorrência do excesso de gasto e de consumo do povo grego, num período onde seu PIB cresceu menos do que 24% e estando em média 2,2% acima do PIB potencial ao longo do período. Logo, há sim um problema estrutural de baixa competitividade naquele país que não foi endereçado durantes os períodos de vacas gordas!! Os governantes pegaram os frutos políticos dos bons ventos do norte da Europa pós Euro e não fizeram a lição de casa enquanto podiam.

E para financiar esta festa de consumo e gastos, a dívida pública  dobrou como % do PIB desde 2000!!

Isto é o que eu chamo de algo insustentável: culpa de quem? Não importa agora. É tarde e portanto todos irão pagara a conta.

Lição para nós: vamos aproveitar este período de crescimento financiado pelas exportações da China e continuar a fazer nossa lição de casa de casa para aumentar nosso PIB potencial, educar nossos jovens e qualificar nossa força de trabalho, nos tornando mais produtivos. Um dia esta farra das commodities acaba e….


Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Brasil, Brasil Juros, politica economica | 21:09

Expectativa de inflação sobe no Brasil

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Os economistas consultados pelo BC em seu relatório semanal FOCUS estão elevando suas expectativas de inflação para 2013 em diante, como vemos no gráfico abaixo preparado pela equipe do BTG ( Loyo e cia.):

A média das expectativa de inflação para 2012 ( gráfico  vermelho) dos economistas consultados pelo BC, que vinha caindo desde Outubro, parou de cair, como vemos marcado em verde.

Já as expectativas de inflação para os anos seguintes ( gráficos preto, laranja e azul) estão subindo ao longo deste mês como marquei em amarelo.

Minha leitura: os agentes estão achando que economia aqui já bateu o fundo do poço, com o mercado de trabalho bastante aquecido, com a forte elevação do salário mínimo já programada,  com a melhora dos dados nos EUA, com  a piora menor do que a esperada na Europa e com a decisão do BC do B de baixar juros agressivamente, os analistas acham que é improvável que a inflação volte para o centro da meta nos próximos anos.

São projeções e,  portanto, sujeitas a erro. Porém não se pode descartar o efeito do cenário atual e da política do BC do B nas expectativas de inflação dos agentes para os próximos anos. Se os dados de atividade neste trimestre vierem mais fortes, veremos o gráfico vermelho começar a subir. E quando as expectativas sobem, empresários se animam e aumentam seus preços. E aqueles que estão com estoques baixos se sentem estimulados a aumentá-los, o que gera mais demanda e mais pressão nos preços.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Brasil Juros, politica economica | 23:16

BC do B se inspira no FED: juro ficará abaixo dos 10%aa

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O BC do B mandou um recado forte na ata de sua reunião da semana passada: sinalizou que estamos caminhando para uma taxa de juros de um dígito no Brasil, ou seja, taxas selic abaixo dos 10 % aa. É a primeira vez que o BC se manifesta com tanta clareza sobre o que ele considera a taxa neutra de juros no Brasil.

Ele afirma que a taxa de juros neutra de juros, aquela taxa que não estimula nem restringe a atividade econômica, estaria caindo em virtude de diversos fatores como:

  • a queda de prêmio de risco Brasil, 33
  • manutenção de superavits fiscais, 33
  • a queda na relação dívida pública / pib, 33
  • estabilidade econômica, 33
  • maior endividamento das famílias e empresas, 33
  • crédito externo farto a barato,34

No curto prazo  o BC do B está confiante na queda da inflação por diversas razões:

  • agravamento da crise na Europa,23
  • desaquecimento na China, 23
  • queda no fluxo de capitais externos e menor oferta de crédito externo, 24
  • queda na expectativa de inflação para 2012,26
  • manutenção de superavit fiscal primário, 27
  • redução na oferta de crédito pelo BNDES, 28
  • moderação no mercado de trabalho, 29
  • queda no nível de utilização da capacidade ociosa, 29
  • queda no preço das commodities, 29

Logo, vai derrubar juros em o,50% na próxima reunião.

Meus comentários:

a. embora eu concorde totalmente com a análise do BC, eu acho que se a crise externa não for tão grave como BC espera, podemos nos surpreender bastante com a reação de nossa economia e com a trajetória da inflação;

b. de qualquer forma, este é um sinal que teremos taxas reais de juros ( juro nominal descontado da inflação corrente) abaixo dos 5% aa nos próximos anos : ou porque a inflação subirá, ou porque de fato os juros neutros são mais baixos. Acho bom comprar umas NTN-B’s… só para garantir.

Obs: os números à direita dos pontos listados acima se referem aos parágrafos selecionados na ata,  que seguem abaixo:

Implementação da política monetária

21. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
22. A evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas levam ao aumento dos prêmios de risco, tanto para o financiamento privado quanto para o público, e ao encurtamento dos horizontes de planejamento, tanto das famílias quanto das empresas. Consequentemente, taxas de inflação elevadas reduzem os investimentos e o potencial de crescimento da economia, além de terem efeitos regressivos sobre a distribuição de renda. Dito de outra forma, taxas de inflação elevadas não trazem qualquer resultado duradouro em termos de crescimento da economia e do emprego, mas, em contrapartida, trazem prejuízos permanentes para essas variáveis no médio e no longo prazos. Assim, a estratégia adotada pelo Copom visa assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas, o que exige a pronta correção de eventuais desvios em relação a essa trajetória. Tal estratégia leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão e é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.
23. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global se mantiveram elevados e teve continuidade o processo de deterioração do cenário internacional, que, já naquela oportunidade, contemplava reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos. O Comitê entende que permanecem elevadas as chances de que restrições às quais hoje estão expostas diversas economias maduras se prolonguem por um período de tempo maior do que o antecipado. Nota ainda que, nessas economias, parece limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalece um cenário de restrição fiscal. Além disso, em importantes economias emergentes, apesar da resiliência da demanda doméstica, o ritmo de atividade tem moderado, em parte, consequência de ações de política e do enfraquecimento da demanda externa, via canal do comércio exterior. Dessa forma, o Comitê avalia que o cenário internacional manifesta viés desinflacionário no horizonte relevante.
24. Para o Copom, acumulam-se evidências que apoiam a visão de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais, entre outros, redução da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos, condições de crédito mais restritivas e piora no sentimento de consumidores e de empresários. O Comitê entende que os efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somam aos da moderação da atividade doméstica, que se manifesta, por exemplo, no recuo das projeções para o crescimento da economia brasileira neste e no próximo ano. Dito de outra forma, o processo de moderação em que se encontrava a economia brasileira foi potencializado pela fragilidade da economia global.
25. O Copom pondera que, embora esteja em curso moderação da expansão da demanda doméstica, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica. Essa avaliação encontra suporte em sinais que, apesar de indicarem arrefecimento, apontam que a expansão da oferta de crédito tende a persistir tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas; e no fato de a confiança de consumidores, a despeito de acomodação na margem, encontrar-se em níveis elevados. O Comitê entende, adicionalmente, que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de certa acomodação na margem.
26. O Copom reafirma sua visão de que a inflação acumulada em doze meses, que começou a recuar no último trimestre, tende a seguir em declínio e, assim, a se deslocar na direção da trajetória de metas. O Comitê avalia que, por si só, a inversão na tendência da inflação contribuirá para melhorar as expectativas dos agentes econômicos, em especial dos formadores de preços, sobre a dinâmica da inflação nos próximos trimestres. Adicionalmente, o Comitê entende que essa melhora no sentimento será potencializada pelo processo, ora em curso, de reavaliação do ritmo da atividade, doméstica e externa, neste e nos próximos semestres.
27. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Importa destacar que a geração de superávits primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto.
28. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportuna a introdução de iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
29. O Copom avalia como decrescentes os riscos derivados da persistência do descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. Destaca, entretanto, a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco importante reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Por outro lado, observa que o nível de utilização da capacidade instalada tem recuado e se encontra abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços. O Comitê também observa que, de modo geral, os preços das commodities nos mercados internacionais têm apresentado comportamento benigno.
30. Em suma, o Copom reconhece um ambiente econômico em que prevalece nível de incerteza muito acima do usual, e pondera que o cenário prospectivo para a inflação, desde sua última reunião, acumulou sinais favoráveis. O Comitê nota que, no cenário central com que trabalha, a taxa de inflação posiciona-se em torno da meta em 2012, e são decrescentes os riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja tempestivamente para o valor central da meta.
31. Nesse contexto, dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 10,50% a.a., sem viés.
32. O Copom avalia que a demanda doméstica ainda se apresenta robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos trimestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política monetária recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Por outro lado, o Comitê pondera que iniciativas recentes reforçam um cenário de contenção das despesas do setor público. Também se apresenta como importante fator de contenção da demanda agregada a substancial e persistente deterioração do cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal são parte importante do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.
33. O Copom entende que ocorreram mudanças estruturais significativas na economia brasileira, as quais determinaram recuo nas taxas de juros em geral, e, em particular, na taxa neutra. Apoiam essa visão, entre outros fatores, a redução dos prêmios de risco, consequência direta do cumprimento da meta de inflação pelo oitavo ano consecutivo, da estabilidade macroeconômica e de avanços institucionais. Além disso, o processo de redução dos juros foi favorecido por mudanças na estrutura dos mercados financeiros e de capitais, pelo aprofundamento do mercado de crédito bem como pela geração de superávits primários consistentes com a manutenção de tendência decrescente para a relação entre dívida pública e PIB. Para o Comitê, todas essas transformações caracterizam-se por um elevado grau de perenidade – embora, em virtude dos próprios ciclos econômicos, reversões pontuais e temporárias possam ocorrer – e contruibuem para que a economia brasileira hoje apresente sólidos indicadores de solvência e de liquidez.
34. O Copom também pondera que têm contribuído para a redução das taxas de juros domésticas, inclusive da taxa neutra, o aumento na oferta de poupança externa e a redução no seu custo de captação, as quais, na avaliação do Comitê, em grande parte, são desenvolvimentos de caráter permanente.
35. Diante do exposto, considerando ainda que a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava e que eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, neste momento, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito.
36. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 6 de março de 2012, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 21.213, de 29 de junho de 2011.
Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 Crise global, Crise na Europa, Câmbio, EUA, china, investimentos, politica economica | 23:10

FED surpreende: juro fica baixo até 2014, no mínimo

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O BC americano surpreendeu o mercado hoje ao afirmar que pretende manter juros baixos até final de 2014, no mínimo. Além disto eles projetaram que inflação por lá deve ficar abaixo da meta de 2% anunciada hoje por um bom tempo.  O desemprego deve cair vagarosamente dos 8.5% atuais para ao redor de 7% em 2014, ainda acima do nível considerado normal de 6%.  Bernanke também avisou que se desemprego continuar caindo devagar ele pode vir com mais compras de títulos no mercado e expandir ainda mais o balanço do FED.

Ele disse que não está muito preocupado se inflação andar um pouco acima dos 2%aa nos próximos anos. Isto quer dizer que juros reais nos EUA ficarão negativos por bastante tempo.

Apesar das recentes boas surpresas com os dados da economia americana, Bernanke preferiu focar nos problemas estruturais e assegurou que pretende manter política monetária frouxa por um bom tempo, para estimular a queda do desemprego e  a economia. Ele não se mostrou entusiasmado com a recente recuperação da economia dos EUA e suas porojeções de crescimento para este ano e 2013 caíram. Ele destacou que o mercado de financiamento imobiliário americano continua desfuncional o que demanda uma ação mais ousada do FED.

O discurso do Bernanke foi na linha mais dovish, ou seja, ele deixou claro que vai manter a moleza monetária por lá até emprego reagir.

Os mercados não esperavam um FED assim tão bonzinho. Bolsas e ativos de risco subiram bastante, seguindo a tendência desde o final do ano, como comentei em post recente. Os problemas na Grécia foram ignorados e a turma saiu correndo atrás de ativos de risco. Dinheiro está queimando na mão.

De fato as atuações do BC Europeu com seus empréstimos bilionários aos bancos europeus e este sinal do FED dão um enorme impulso aos ativos de risco e devem sustentar o rally, se não tivermos um calote desorganizado na Grécia nas próximas semanas.

Vejam a evolução do tamanho dos balanços do FED, ECB, BOJ e BOE:

Quanto mais cresce o ativo, mais cresce o passivo dos BC`s, ou seja, mais aumenta a liquidez disponível. No que depender dos BC´s não vai faltar grana para gastar….

O dólar deve sofrer e as commodities deverão subir de preço lá fora. Agora só falta a China dar uma forcinha….

Um pensamento: com o aumento dramático na liquidez lá fora, será que BC precisa continuar o juro aqui por tanto tempo? E se commodities continuarem a subir de preço?

Este gráfico mostra a evolução dos preços das commodities em US$ (CRB). De maio de 2011 até outubro os preços caíram bastante ( amarelo). De lá para cá estabilizaram ( verde). Porém, com o molezão monetário europeu e americano, os preços podem voltar a subir.

Hoje ouro subiu bastante depois do anúncio do FED:

O gatilho para tal alta pode vir da China: dados melhores sobre mercado imobiliário chinês poderiam fazer com que preços das commodities  subam acima de 320, configurando uma nova tendência de alta. Aí a inflação aqui pode pegar.

Perguntas de uma amiga muito desconfiada:

1. será que FED está achando que vem por aí um mega calotaço da Grécia?

2. será que FED fez isto para desvalorizar o dólar e aumentar competitividade das exportações americanas?

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 Bancos, Bicadas, Brasil, Brasil Juros, Crise global, Crise na Europa, Câmbio, EUA, Empresas, Heróis do Mercado, Imoveis, Livros e publicações, Sem categoria, ataques especulativos, bizarro, bolsa, brics, china, investimentos, politica economica, utilidade | 19:41

Pedidos ao Papai Noel

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Aos leitores amigos que me acompanharam em 2011 eu desejo Boas Festas a seus familiares, a seus amigos, a seus colegas de trabalho e a seus sócios e funcionários.

Obrigado por seus comentários e conto com vocês em 2012!!!

Aos amigos do IG  muito obrigado por nos ceder este espaço e nos apoiar ao longo de 2011!

Que 2012 traga muita alegria e prosperidade.

E, como não poderia faltar, segue  aqui a nossa lista de pedidos ao Papai Noel:

  • que nossa inflação continue caindo e assim permita que BC continue reduzindo nossa taxa de juros
  • que o Brasil continue crescendo de forma sustentada e equilibrada, sem exageros nos gastos públicos, sem excesso de endividamento das famílias e com  aumento do investimento produtivo, gerando bem estar ao povo
  • que nossa produtividade suba mais rápido e que a carga tributária se reduza
  • que as disparidades sociais e econômicas continuem a se reduzir, permitindo ao nosso povo acesso à educação, à saúde e à segurança, e assim caminhemos para uma verdadeira justiça social
  • que o dólar não se valorize demais, permitindo que nossa indústria tenha mais espaço, gerando assim mais empregos
  • que os investimentos de capital estrangeiros tão necessários continuem a fluir para cá
  • que as empresas continuem a prosperar e a gerar mais e mais empregos
  • que os nossos governantes continuem a implementar políticas econômicas e sociais sensatas
  • que os países desenvolvidos encontrem seu equilíbrio econômico, reduzindo seus déficits
  • que os bancos internacionais tenham aprendido a lição e que pratiquem políticas de crédito adequadas e sem abusos
  • que os líderes europeus e americanos tenham consciência da importância do momento e que as mudanças estruturais sejam de fato implementadas
  • que a China continue a crescer e a importar nossas commodities
  • que a paz chegue a todos cantos do planeta, com liberdade e democracia
  • que o meio ambiente seja protegido e respeitado
  • e que Bolsa volte a subir…
  • e que meus erros de português e de digitação diminuam

Esqueci de  mais alguma coisa???

Um grande abraço a todos e nos vemos em 2012, pois ninguém é de ferro…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 20 de dezembro de 2011 Brasil, politica economica | 10:55

Criação de novos empregos desacelera bastante

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Dados do Caged mostra que emprego está em queda :

Os dados de geração de empregos formais fornecidos pelo Caged mostram uma queda acentuada, como vemos no gráfico acima ( marcado em vermelho), que exibe o número de novos empregos gerados nos últimos 12 meses desde 2006.

É visível a tendência de queda. Isto  sinaliza uma  futura elevação no desempego.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011 Brasil, Brasil Juros, Crise global, politica economica | 23:52

Vendas de veículos desaceleram

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Gráfico abaixo mostra que venda de veículos está andando abaixo de sua tendência que vinha sendo seguida desde 2005:

Gráfico azul mostra o LOG do número de veículos licenciados nos últimos 12 meses desde 2005. Reta vermelha mostra a linha central de tendência deste dado.

Notamos que em 2008, antes da crise, vendas estavam andando bem acima da tendência (em verde) e que, desde o começo deste ano  ( em marrom) , as vendas estagnaram e se afastaram da tendência de crescimento dos últimos 6 anos.

Mais um dado que mostra desaquecimento.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

Brasil, Crise global, politica economica | 08:18

C.Q.D.: PIB desacelera

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Confirmando o que venho dizendo  há meses ( e sendo chamado de Cassandra), o PIB do terceiro trimestre desacelerou bastante e cresce agora a 2% aa, vindo de mais de 8% aa em meados de 2010, como mostra em vermelho o gráfico abaixo da taxa de crescimento anual do PIb:

A linha verde mostra a taxa média de crescimento desde 2005, que foi de 4%aa.

PS: Cassandra: Filha do rei Príamo e da rainha Hécuba, Cassandra é uma personagem da mitologia Grega, presente na obra Ilíada, de Homero. Devota de Apolo, este Deus apaixona-se por ela e ensina-lhe os segredos da profecia. Quando Cassandra se recusa a dormir com o Deus Apolo, este decide vingar-se, maldiçoando-a, de modo que a população de Tróia deixa de acreditar nas profecias catastróficas de Cassandra. Até o rei Príamo, seu pai, rejeita a ideia de que Tróia será destruída após um ataque dos gregos e, deste modo, recusa destruir um cavalo de madeira que fora levado para o interior das muralhas da cidade.

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domingo, 4 de dezembro de 2011 Brasil Juros, politica economica | 08:44

Produção Industrial entrou em território negativo

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Gráfico abaixo mostra taxa de crescimento anual da produção industrial no Brasil desde 2005:

A linha branca horizontal ( marquei em verde) mostra que a indústria em média cresce , desde 2005, a uns 3% aa. É esta a taxa sustentável de crescimento da indústria nos últimos 6 anos?

Enfim, marquei em vermelho último dado que mostra que indústria está contraindo 2,2 % aa ( em vermelho).

E  marquei em amarelo que a tendência de desaquecimento vem desde 2010, não sendo apenas um fenômeno recente . Ela apenas deu uma pausa curta no final do ano passado , para voltar a cair desde janeiro. Logo, a coisa já vinha esfriando quando BC veio com as medidas prudencias que foram revertidas agora.

Dá para entender a sequência de pacotes de bondades que temos assistido.

Logo, é muito provável que dados de emprego comecem a mostrar uma piora.

Para que se possa analisar corretamente o desemprego é preciso entender que os dados que são publicados pelo IBGE não são dessazonalizados, isto é, o desemprego apresenta um comportamento sazonal dentro do ano. Logo, comparações destes dados com meses anteriores não é possível.

Vejam abaixo o comportamento do desemprego no Brasil mes a mes, desde 2005:

Algumas coisas que vale a pena observar:

1. há uma tendência de queda no desemprego que é estrutural e vem desde 2005, marcada em verde.

2. nos finais de ano, marcados em amarelo, desemprego cai. E de janeiro a março, ele sobe como marcado em vermelho, o que confirma o comportamento sazonal do dado.

Logo, para podermos analisar evolução do desemprego é preciso dessazonalizar os dados, ou simplesmente apurar o desemprego médio dos últimos 12 meses.

O gráfico em azul  abaixo mostra a taxa de desemprego médio dos últimos 12 meses desde 2006:

De 2006 até 2011 houve uma queda do desemprego médio dos últimos 12 meses, como mostra gráfico azul.

O gráfico vermelho mostra tal linha de tendência da queda.  Porém,  conforme a economia melhora ou piora o desemprego ( gráfico azul)  fica  abaixo ou acima desta linha  de tendência ( vermelha).  Marquei em marrom o período anterior a crise de 2009, quando desemprego estava bem abaixo da sua tendência natural. Já em 2009 isto se reverteu ( em amarelo) , com o desemprego real andando acima de sua tendência dos últimos 5 anos, em função dos efeitos da crise externa sobre nossa economia.

Já este ano o desemprego tem andado um pouco abaixo da sua tendência, como marquei em verde, resultado da forte expansão que tivemos em 2010 em nossa economia.

Agora veja o gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa anual de crescimento da produção industrial no Brasil e do desvio da taxa de desemprego quando comparada a sua tendência dos últimos 5 anos:

O gráfico vermelho mostra a taxa anual de crescimento da produção industrial.

O gráfico azul mostra quanto o desemprego médio dos últimos 12 meses está acima ou abaixo de sua tendência.

Vemos que a forte atividade de 2007 e 2008, trouxe o desemprego para baixo de sua tendência no final de 2008, em marrom.

Vemos que a fraca produção industrial de 2009, causou uma elevação do desemprego no começo de 2010.

E notamos que a aceleração da produção em 2010, causou a forte queda no desemprego em 2011, marcada em amarelo.

Notamos também que, apesar dos dados recentes,  a taxa de desemprego médio dos últimos 12 meses está se aproximando de sua tendência e que podemos esperar que, em virtude da forte desaceleração da indústria este ano, o desemprego médio dos últimos 12 meses suba acima de sua tendência nos próximos meses.

Logo, esperem dados piores de emprego no primeiro trimestre,  pois tanto os fatores sazonais como a piora da atividade irão elevar a taxa de desemprego para acima de sua tendência.

A luz destes fatos, vejam o comentário do economista Cristiano Oliveira sobre a decisão do COPOM e sobre os efeitos desta queda de atividade e de aumento do desemprego nas expectativas de inflação:

Decisão mais do que esperada. Com a manutenção da mesma nota divulgada na reunião anterior o recado é claro: o Copom não mudou o cenário/ estratégia e vai cortar 50 bps a cada reunião. Há alguns meses espero que a Selic fique abaixo de 10% (agora a maioria espera … efeito retardado). Acredito ser alta a probabilidade de o comitê reduzir a Selic até algum ponto do range 9,0% – 9,5%, dado o hiato do produto negativo e a esperada redução (forte) das expectativas para a inflação, sobretudo para 2012 (para 2013 os modelos mostram alguma rigidez). Na próxima semana será divulgada a ata referente a essa reunião.

E veja o que ele diz sobre produção industrial:

O Governo tem receio que a retração de indústria tenha impacto sobre o emprego no setor e se espalhe pela economia, diminuindo sua popularidade em ano eleitoral (2012). Isso explica a reversão de algumas das medidas ‘prudenciais’.Acredito que parte da fraqueza da indústria tem origem externa e, portanto, as medidas são apenas paliativas com algum efeito no curto prazo.O resultado da produção industrial só corrobora o cenário que tenho desde junho que o PIB em 2011 e 2012 deve crescer MENOS do que 3%




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