Desemprego e política monetária
1. Permitir que continue o acelerado processo inflacionário até que ele leve à completa desorganização de toda a atividade econômica.
2. Controlar salários e preços, o que encobriria os efeitos de um a inflação continuada, mas, por outro lado, nos levaria, inevitavelmente, a um sistema econômico totalitário, dirigido centralmente.
3. Frear com firmeza o aumento da quantidade de dinheiro, medida esta que, fazendo surgir um desemprego substancial, traria à tona todos os problemas decorrentes de um direcionamento errôneo da alocação da mão de obra, problemas estes que, causados pela inflação dos anos anteriores, se tornariam, no entanto, ainda mais graves no caso de se optar por qualquer uma das duas alternativas.”
“O fato de a teoria keynesiana ter dado aos políticos oportunidades tentadoras foi provavelmente ainda mais importante do que o seu aspecto, então muito em voga, de método científico, aspecto este que a fez parecer tão atraente para os economistas profissionais. Esta teoria representava para os políticos não apenas um método barato e rápido de eliminar uma importante fonte de sofrimento humano, mas também um meio de se libertarem das duras restrições que os cerceavam quando objetivavam alcançar popularidade. De repente, medidas como gastar dinheiro e gerar déficits orçamentários passaram a ter uma conotação extremamente positiva. Argumentava-se, com profunda convicção, que a expansão dos gastos públicos era totalmente meritória, uma vez, que propiciava a utilização de recursos até então ociosos, o que, além de nada custar à comunidade, trazia-lhe um ganho líquido.”
“A manutenção do valor do dinheiro e a decisão de evitar a inflação estão sempre exigindo que os políticos tomem medidas extremamente impopulares. Mostrar que o governo é compelido a tomar tais medidas é a única forma que os políticos encontram para justificá-las perante as pessoas que são negativamente afetadas por elas. Quando se tem a preservação do valor externo da moeda nacional como uma necessidade indiscutível – assim como são consideradas taxas fixas de câmbio –, os políticos podem resistir às constantes pressões em favor de créditos mais baratos, de maiores gastos em “obras públicas”, contra taxas de juros mais elevadas etc..”.
“Há dois motivos para que não possamos conviver com a inflação. O primeiro reside no fato de que tal inflação, para atingir a meta desejada, teria que acelerar-se constantemente; ora, uma inflação em aceleração constante mais cedo ou mais tarde há de atingir um grau que tornará impossível qualquer ordem efetiva de uma economia de mercado. O segundo – e o mais importante – está na certeza de que, a longo prazo, essa inflação criará, inevitavelmente, um volume de desemprego muito maior do que aquele que pretendeu evitar. O argumento, frequentemente apresentado, de que a inflação simplesmente gera uma redistribuição do produto social, enquanto o desemprego reduz este produto, representando, portanto, um mal maior, é falso porque é a inflação que, na verdade, se torna causa de aumento do desemprego.”
“Assim que o governo assume a responsabilidade pela manutenção do pleno emprego, respeitando quaisquer salários que os sindicatos tenham conseguido obter, não há mais porque levar em conta o desemprego, possivelmente causado pelas próprias reivindicações salariais sindicalistas. Neste tipo de situação, qualquer aumento de salário que exceda o aumento da produtividade tornará necessária, para que não redunde em desemprego, uma elevação na demanda total. A inflação acaba aumentando o desemprego assim, o aumento da quantidade de dinheiro que se fez necessário em função da alta dos salários torna-se um processo contínuo, que provoca constantes injeções de quantidades adicionais de dinheiro.”
“Antes de tratar de qual deverá ser, futuramente, a política a ser adotada, é meu intuito colocar-me firmemente contra a interpretação distorcida que se faz a respeito do meu ponto de vista. Não que eu recomende o desemprego como meio de combate à inflação: meu aconselhamento parte do princípio de que só temos, no momento, duas alternativas – ou algum desemprego em um futuro próximo ou um desemprego muito maior em um futuro mais distante. São atitudes do tipo après moi, le dèluge – tomadas por políticos que, preocupados com as próximas eleições, bem podem optar por maior desemprego mais tarde – que inspiram muito medo.”
“De um modo geral, não deixa de ser verdadeira a afirmativa de que seria possível chegar bem perto de uma situação temporária de “pleno emprego” se o fato de se suprir o emprego através de obras públicas (situação da qual os trabalhadores desejarão sair, tão logo consigam outras ocupações mais bem remuneradas) viesse a impedir a queda substancial da demanda por parte dos consumidores. Estimular investimentos e gastos similares de forma direta, porém, apenas pode conduzir trabalhadores para empregos que – por mais que estes trabalhadores esperem e desejem que sejam permanentes – desaparecerão tão logo cessem estes investimentos e gastos. Devemos, sem dúvida, esperar que a recuperação decorra de uma revitalização do investimento. No entanto, só podemos desejar o investimento que se prove rentável e que possa ter continuidade quando uma nova situação de estabilidade satisfatória e de alto nível de emprego for atingida. Não se deve esperar que se chegue a essa situação através de subsídios ao investimento ou de taxas de juros artificialmente baixas. E muito menos ainda se pode esperar que o tipo desejável, ou seja, estável, de investimento se materialize através de estímulo à demanda do consumidor. Faz parte da mesma difundida falácia – que sempre agrada ao homem de negócios – a crença no sentido de que é preciso que a demanda do consumidor cresça para que o novo investimento seja rentável. Isto é verdade apenas nos casos em que o investimento é destinado a aumentar a produção através do uso das mesmas técnicas até então empregadas. Deixa de sê-lo quando se trata do tipo de investimento que pode aumentar a produtividade “per capita” através do emprego de capital em mais equipamentos que serão utilizados pelos trabalhadores. Este maior emprego de capital não é estimulado quando os produtos são de alto custo: na verdade, somente com os bens de consumo de custos relativamente baixos – que o tornam necessário para economizar nos gastos com pessoal – ele se mostra interessante. ”
Se você está achando que se trata de algum economista brasileiro comentando a situação atual no Brasil em entrevista ao jornal Valor Econômico, você está errado!!!
Trata-se do grande economista da escola austríaca, Friedrich Hayek, ganhador do premio Nobel, que publicou isto em março de 1979.
Agora vejam o comportamento da inflação nos EUA na época:
Ela subiu assustadoramente ( em amarelo), saindo de 4,5% em 1977 e atingindo 10% em 79 ( vermelho), para depois desabar até 1983 ( cinza), após atingir um pico de 14% em 1980 ( laranja).
Veja agora o que aconteceu o desemprego nos EUA no mesmo período:
Temos a forte queda (verde) a que se refere Hayek, quando o desemprego caiu de 9% em 75 para menos de 6% em 79 ( amarelo), para então disparar e bater 11% em 1983 ( seta vermelha) e depois voltar para 7,2% em 1985, agora com a inflação andando na casa dos 4% aa.
Para quem tiver curiosidade, sugiro a leitura do texto na íntegra:
http://www.mises.org.br/files/literature/Desemprego%20e%20pol%C3%ADtica%20monet%C3%A1ria.pdf






