Livros E Publicações | Ricardo Gallo

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quarta-feira, 8 de maio de 2013 Inflação, Livros e publicações, Politica Economica | 12:40

Desemprego e política monetária

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Vejam alguns comentários de um economista importante comentante sobre a inflação, desemprego e política monetária:
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Na verdade, não há nada mais fácil que criar emprego adicional por algum tempo: basta aliciar trabalhadores para algumas atividades que, através de dispêndio de dinheiro novo, criado especialmente para este fim, passaram a ser temporariamente atraentes. De fato, nos últimos [vinte e cinco] anos, temos de maneira deliberada e sistemática recorrido à rápida criação de empregos exatamente através da expansão da oferta monetária. Esta expansão, que tem aumentado regularmente nos últimos [200 anos], em decorrência de um defeito no sistema creditício, torna-se, assim, a causa de depressões recorrentes. Não nos deveríamos surpreender com esse resultado, sobretudo quando vimos sucessivamente removendo todas as barreiras que, no passado, foram levantadas como uma defesa contra a constante pressão popular a favor do “dinheiro barato”. Repetiu-se o que ocorreu no início do período das finanças modernas: fomos novamente seduzidos por alguém com poder de persuasão suficiente para nos levar à tentativa de um novo encilhamento inflacionário. E a bolha da inflação agora explodiu. Descobriremos rapidamente que muito do “crescimento” artificialmente induzido representou um desperdício de recursos e que a dura verdade é que o mundo ocidental está levando uma vida além de suas posses. “

“Restam-nos apenas três opções:

1. Permitir que continue o acelerado processo inflacionário até que ele leve à completa desorganização de toda a atividade econômica.

2. Controlar salários e preços, o que encobriria os efeitos de um a inflação continuada, mas, por outro lado, nos levaria, inevitavelmente, a um sistema econômico totalitário, dirigido centralmente.

3. Frear com firmeza o aumento da quantidade de dinheiro, medida esta que, fazendo surgir um desemprego substancial, traria à tona todos os problemas decorrentes de um direcionamento errôneo da alocação da mão de obra, problemas estes que, causados pela inflação dos anos anteriores, se tornariam, no entanto, ainda mais graves no caso de se optar por qualquer uma das duas alternativas.”

“O fato de a teoria keynesiana ter dado aos políticos oportunidades tentadoras foi provavelmente ainda mais importante do que o seu aspecto, então muito em voga, de método científico, aspecto este que a fez parecer tão atraente para os economistas profissionais. Esta teoria representava para os políticos não apenas um método barato e rápido de eliminar uma importante fonte de sofrimento humano, mas também um meio de se libertarem das duras restrições que os cerceavam quando objetivavam alcançar popularidade. De repente, medidas como gastar dinheiro e gerar déficits orçamentários passaram a ter uma conotação extremamente positiva. Argumentava-se, com profunda convicção, que a expansão dos gastos públicos era totalmente meritória, uma vez, que propiciava a utilização de recursos até então ociosos, o que, além de nada custar à comunidade, trazia-lhe um ganho líquido.”

A manutenção do valor do dinheiro e a decisão de evitar a inflação estão sempre exigindo que os políticos tomem medidas extremamente impopulares. Mostrar que o governo é compelido a tomar tais medidas é a única forma que os políticos encontram para justificá-las perante as pessoas que são negativamente afetadas por elas. Quando se tem a preservação do valor externo da moeda nacional como uma necessidade indiscutível – assim como são consideradas taxas fixas de câmbio –, os políticos podem resistir às constantes pressões em favor de créditos mais baratos, de maiores gastos em “obras públicas”, contra taxas de juros mais elevadas etc..”.

“Há dois motivos para que não possamos conviver com a inflação. O primeiro reside no fato de que tal inflação, para atingir a meta desejada, teria que acelerar-se constantemente; ora, uma inflação em aceleração constante mais cedo ou mais tarde há de atingir um grau que tornará impossível qualquer ordem efetiva de uma economia de mercado. O segundo – e o mais importante – está na certeza de que, a longo prazo, essa inflação criará, inevitavelmente, um volume de desemprego muito maior do que aquele que pretendeu evitar. O argumento, frequentemente apresentado, de que a inflação simplesmente gera uma redistribuição do produto social, enquanto o desemprego reduz este produto, representando, portanto, um mal maior, é falso porque é a inflação que, na verdade, se torna causa de aumento do desemprego.”

“Assim que o governo assume a responsabilidade pela manutenção do pleno emprego, respeitando quaisquer salários que os sindicatos tenham conseguido obter, não há mais porque levar em conta o desemprego, possivelmente causado pelas próprias reivindicações salariais sindicalistas. Neste tipo de situação, qualquer aumento de salário que exceda o aumento da produtividade tornará necessária, para que não redunde em desemprego, uma elevação na demanda total. A inflação acaba aumentando o desemprego assim, o aumento da quantidade de dinheiro que se fez necessário em função da alta dos salários torna-se um processo contínuo, que provoca constantes injeções de quantidades adicionais de dinheiro.”

“Antes de tratar de qual deverá ser, futuramente, a política a ser adotada, é meu intuito colocar-me firmemente contra a interpretação distorcida que se faz a respeito do meu ponto de vista. Não que eu recomende o desemprego como meio de combate à inflação: meu aconselhamento parte do princípio de que só temos, no momento, duas alternativas – ou algum desemprego em um futuro próximo ou um desemprego muito maior em um futuro mais distante. São atitudes do tipo après moi, le dèluge – tomadas por políticos que, preocupados com as próximas eleições, bem podem optar por maior desemprego mais tarde – que inspiram muito medo.”

“De um modo geral, não deixa de ser verdadeira a afirmativa de que seria possível chegar bem perto de uma situação temporária de “pleno emprego” se o fato de se suprir o emprego através de obras públicas (situação da qual os trabalhadores desejarão sair, tão logo consigam outras ocupações mais bem remuneradas) viesse a impedir a queda substancial da demanda por parte dos consumidores. Estimular investimentos e gastos similares de forma direta, porém, apenas pode conduzir trabalhadores para empregos que – por mais que estes trabalhadores esperem e desejem que sejam permanentes – desaparecerão tão logo cessem estes investimentos e gastos. Devemos, sem dúvida, esperar que a recuperação decorra de uma revitalização do investimento. No entanto, só podemos desejar o investimento que se prove rentável e que possa ter continuidade quando uma nova situação de estabilidade satisfatória e de alto nível de emprego for atingida. Não se deve esperar que se chegue a essa situação através de subsídios ao investimento ou de taxas de juros artificialmente baixas. E muito menos ainda se pode esperar que o tipo desejável, ou seja, estável, de investimento se materialize através de estímulo à demanda do consumidor. Faz parte da mesma difundida falácia – que sempre agrada ao homem de negócios – a crença no sentido de que é preciso que a demanda do consumidor cresça para que o novo investimento seja rentável. Isto é verdade apenas nos casos em que o investimento é destinado a aumentar a produção através do uso das mesmas técnicas até então empregadas. Deixa de sê-lo quando se trata do tipo de investimento que pode aumentar a produtividade “per capita” através do emprego de capital em mais equipamentos que serão utilizados pelos trabalhadores. Este maior emprego de capital não é estimulado quando os produtos são de alto custo: na verdade, somente com os bens de consumo de custos relativamente baixos – que o tornam necessário para economizar nos gastos com pessoal – ele se mostra interessante. ”

Se você está achando que se trata de algum economista brasileiro comentando a situação atual no Brasil em entrevista ao jornal Valor Econômico, você está errado!!!

Trata-se do grande economista da escola austríaca, Friedrich Hayek, ganhador do premio Nobel,  que publicou isto em  março de 1979.

Agora vejam o comportamento da inflação nos EUA na época:

Ela subiu assustadoramente ( em amarelo), saindo de 4,5% em 1977 e atingindo 10% em 79 ( vermelho), para depois desabar até 1983 ( cinza),  após atingir um pico de 14% em 1980 ( laranja).

Veja agora o que aconteceu o desemprego nos EUA no mesmo período:

Temos a forte queda (verde) a que se refere Hayek, quando o desemprego caiu de 9% em 75 para menos de 6% em 79 ( amarelo), para então disparar e bater 11% em 1983 ( seta vermelha) e depois voltar para 7,2% em 1985, agora com a inflação andando na casa dos 4% aa.

Para quem tiver curiosidade, sugiro a leitura do texto na íntegra:

http://www.mises.org.br/files/literature/Desemprego%20e%20pol%C3%ADtica%20monet%C3%A1ria.pdf


Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 13 de abril de 2013 Livros e publicações, Politica Economica | 15:09

Aprendendo com os erros dos outros

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O excelente texto:

POLITICAL CREDIT CYCLES: THE CASE OF THE EURO ZONE

Jesus Fernandez-Villaverde
Luis Garicano
Tano Santos
Working Paper 18899
http://www.nber.org/papers/w18899
NATIONAL BUREAU OF ECONOMIC RESEARCH
1050 Massachusetts Avenue
Cambridge, MA 02138
March 2013

que se encontra no link:
foi encaminhado por Cristiano Oliveira, do Banco Fibra.

O texto mostra como a Europa chegou na situação atual.

E não pude deixar de constatar que, de fato,  sempre podemos aprender com os erros dos outros… os paralelos com a nossa história, em alguns casos, são bem interessantes…

LIÇÃO: NÃO PODEMOS SER COMPLACENTES E NOS EMPOLGARMOS COM AS BOAS NOTÍCIAS DO EMPREGO EM ALTA, ARRECADAÇÃO DE IMPOSTOS FOLGADA, CONSUMO EM ALTA, CRESCIMENTO DO CRÉDITO E PREÇO ELEVADO DAS COMMODITIES QUE EXPORTAMOS…. UM DIA A COISA VIRA…. POIS SEM PRODUTIVIDADE E INVESTIMENTO PRODUTIVO NÃO HÁ FUTURO.

Supply-side reforms… here we go!

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 4 de abril de 2013 Brasil, Livros e publicações | 14:32

A importância do capital humano, ou da falta de…

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Emprego… mão de obra… capital humano …

O BC em seu último relatório de inflação colocou um box interessante sobre a relação entre salário e inflação. Naquele texto ( já postado nesta coluna ) ele faz referencia ao texto abaixo:

http://www.scielo.br/pdf/rbe/v64n2/v64n2a02.pdf

de Samuel Pessoa, Fernando H Barbosa e Fernando Veloso, pesquisadores renomados.

Vale muito a pena ler.

Segue abaixo o resumo:

“Este artigo investiga a evolução da produtividade total dos fatores (PTF) para a economia brasileira no período de 1992 a 2007, utilizando uma medida de capital humano baseada em dados microeconômicos.Uma das principais contribuições deste artigo é a construção de uma medida específica de capital humano que permite mensurar tanto a evolução da participação dos diversos níveis de escolaridade e experiência do trabalhador no total de horas trabalhadas como a variação em sua produtividade ao longo do tempo. Os resultados mostram que a PTF teve um crescimento de apenas 11,3% entre 1992 e 2007, contribuindo com cerca de 22,9% do crescimento do PIB verificado no período. Outro resultado importante é que o capital humano da força de trabalho no Brasil manteve-se virtualmente estacionário durante o período sob análise. Isto ocorreu devido ao fato da elevação do componente de participação do capital humano ter sido compensada por uma redução do componente de produtividade. Por último, mostra-se que o aumento da oferta de trabalho qualificado é o fator que explica a queda da remuneração do capital humano. Em particular, a necessidade de mão-de-obra mais qualificada não parece ter imposto uma restrição ao crescimento da economia, já que sua oferta cresceu em ritmo superior à demanda.”
Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 1 de abril de 2013 Inflação, Livros e publicações | 15:56

BC comenta sobre a produtividade do trabalho

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Em seu recente relatório de inflação o BC do B inseriu um texto que poucos analistas prestaram atenção. BC comenta sobre a dinâmica de custo dos salários vis a vis a produtividade geral. Veja abaixo a conclusão do BC:

“…. Em suma, a análise sugere que reajustes salariais acima dos ganhos de produtividade tendem a gerar pressões inflacionárias. Ao mesmo tempo, não se pode descartar que a inflação potencialmente retroalimenta a dinâmica dos salários por meio de mecanismos formais e informais de indexação. Os exercícios indicam ainda que aumentos salariais incompatíveis com a reposição da inflação e com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) per capita têm impacto significativo e persistente nas medidas de inflação, particularmente no setor de serviços. Por fim, os exercícios indicam que a propagação das pressões inflacionárias oriundas do mercado de trabalho depende da postura da política monetária. Em perspectiva, a recente moderação dos aumentos salariais e os menores reajustes do salário mínimo (tanto o ocorrido em 2013 como o esperado para 2014) tendem a implicar pressões inflacionárias menores do que as identificadas no passado recente….”

O texto completo segue no link:

http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2013/03/ri201303b8p.pdf

Meu pitaco:  o BC sabe que aí está o nó…. Porém as pressões salariais só tendem a arrefecer de forma sustentada se desemprego parar de cair, como mencionei em post recente. Além disto, o fato de haver pressões de custos advindas dos salários, como reconhecido pelo BC, reforça a tese de que o desemprego pode estar andando abaixo do nível mínimo de desemprego estrutural de nossa economia, o que indicaria que temos um problema de oferta de mão de obra … Contudo, não dá para ignorar o fato de que a política atual de reajuste do salário mínimo colocou mais lenha na fogueira…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012 Brasil, Livros e publicações, Politica Economica | 11:26

Educação e o PIB: aí que a coisa pega

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Pesquisa da empresa Pearson ( http://thelearningcurve.pearson.com/ ) mostra que, entre as 40 principais economias do mundo, nosso sistema educacional é avaliado em trigésimo nono lugar ( 39,  penúltimo, pior que o Verdão…), como vemos na tabela abaixo:

Nosso país aparece em verde lá no fim, bem atrás de Colômbia, Argentina, Turquia, Bulgária, Grécia, Portugal, Romênia, sem falar dos Chineses e Coreanos lá no topo da tabela… Ou seja, estamos numa situação do tipo Figueirense vs. Atlético Mineiro quando comparados a eles…

Se você quiser conhecer mais sobre a pesquisa recomendo uma visita ao site da Pearson.

Bom, vamos agora olhar o que isto significa para a economia. Para tanto, teremos que apelar aos universitários e usar o modelo de crescimento de Solow:

http://www.ppge.ufrgs.br/giacomo/arquivos/eco02237/crescimento-solow.pdf

e assumir uma função de produção de Cobb – Douglas, para explicar o crescimento econômico através do produto de 3 fatores:

Y=AL^{\alpha}K^{\beta}

onde L é o Trabalho, K é o Capital e A é a produtividade total dos fatores. Alfa e Beta são as ponderações de capital e trabalho na matriz de produção e somam 1. Y é a produção ( ou renda em economia fechada).

K representa o estoque total de capital produtivo investido, ajustado pelo seu nível de utilização. O capital investido representa o montante total investido em estradas, pontes, ruas, máquinas, equipamentos, estruturas, prédios, softwares, área plantada, minas, poços de petróleo, usinas hidrelétricas, linhas de transmissão, rodovias, ferrovias, aeroportos, instalações, fábricas, etc, já depreciados pelo seu uso. Se estivéssemos com um nível baixo de utilização deste capital teríamos alguma capacidade ociosa, que poderia ser utilizada para o crescimento sem demandar novos investimentos. Contudo, a situação precária de nossa infra mostra que este não é nosso caso. Temos inúmeros gargalos neste front.

A representa a produtividade total, ou seja, quanto é produzido dado um certo nível fixo de capital e de trabalho usado. Ou seja, se não aumentarmos a quantidade de capital físico e humano, nosso crescimento fica limitado ao crescimento de A, ou seja, ficaremos dependentes do aumento da produtividade.

O fator L pode ser decomposto assim:

L =  R H

onde R é a quantidade de trabalho empregado,ou seja,  gente empregada x  horas trabalhadas por pessoa, e H é o capital Humano, ou seja, quanto cada pessoa vale em termos produtivos, o que na prática é muito próximo ao salário. A literatura mostra que os principais fatores que influenciam H são a experiência da força de trabalho e seu grau de instrução. Neste sentido, vale a pena ler:

http://www.alfaebeto.com.br/documentos/artigo_20091805.pdf

http://www.anpec.org.br/revista/vol11/vol11n2p265_303.pdf

Bem,voltando ao modelo, para crescer sustentadamente é preciso :

a. Crescer a produtividade geral, A, ou seja, produzir cada vez mais usando os mesmos recursos humanos e de capital, através de inovação, por exemplo. No Brasil a produtividade cresce ao redor de 1% aa. Ou seja, precisamos ter mais gente pensando em como melhorar e tornar mais eficientes nossos processos produtivos, ou importar tal conhecimento do exterior, onde A é maior do que aqui.

b. Aumentar o estoque de Capital, K, através de mais investimentos produtivos na economia. É preciso investir o suficiente para repor a depreciação do capital existente e para aumentar a produção. Tal investimento é necessariamente financiado pela poupança doméstica e pelo déficit externo, que representa a poupança importada do exterior. Quanto maior a poupança interna ( quanto sobra de renda após o que é gasto com consumo) e maior o déficit externo, mais investimento teremos. Ou seja, aumentar o investimento implica em reduzir o consumo e/ou reduzir o saldo comercial.

c. Aumentar o valor do trabalho humano empregado, L, seja aumentando a população empregada ( via redução do desemprego ou trazendo mais gente para o mercado de trabalho) ou suas horas de trabalho ( através de novas leis trabalhistas) , ou melhorando seu nível educacional e sua experiência profissional ( maior qualificação da mão de obra).

Obs: Vale a pena ler o material abaixo de Fernando de Holanda Barbosa Filho, Samuel de Abreu Pessôa e Fernando A. Veloso a respeito deste assunto e sobre os determinantes do crescimento brasileiro:

http://www.anpec.org.br/encontro2008/artigos/200807211433140-.pdf

Assim se não conseguirmos aumentar A mais rapidamente, tampouco o volume dos investimentos em nossa economia, que estão estacionados entre 16% e 18% do PIB na última década, dependeremos exclusivamente do último fator, L, o trabalho. Bem, os dados da pesquisa mostram que teremos um sério problema para acelerar o crescimento de forma sustentada, uma vez que o desemprego está na mínima histórica e o estoque de gente qualificada diminuiu muito nos últimos anos. E não está na agenda de ninguém aumentar o número de horas trabalhadas dos trabalhadores, tampouco uma reforma trabalhista nesta direção.

Logo, precisamos urgentemente mudar o quadro educacional visando aumentar a qualificação da mão de obra, ou teremos que acelerar a importação de mão de obra qualificada. A boa notícia é que quando se investe em educação aumenta-se os salários e o padrão de vida das famílias. Quando se aumenta o estoque de capital, na prática está se aumentando a participação do lucro dos capitalistas no bolo total. Nada é mais socialista do que investir na educação.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 23 de novembro de 2012 Livros e publicações | 12:41

Tudo volta a moda…

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Em tempos de anticapitalismo, de abaixo Wall Street, dos indignados, do capitalismo de estado, do intervencionismo estatal, de controle dos mercados pelo estado, de anti liberalismo econômico, do estatismo, do protecionismo, etc, segue abaixo uma excelente leitura para quem quer conhecer um pouco das ideias de Karl Marx, ou quer apenas refrescar a memória:

O autor é professor de Oxford, que, além de crítico literário, conhece o verdadeiro marxismo como poucos.

Uma leitura bastante boa, tanto para os críticos do marxismo, como para seus seguidores ou para leigos. Texto simples e direto.

PS: O texto nos ajuda a ver as confusões que, tanto a esquerda como a social democracia, fazem com estes conceitos de socialismo e marxismo na gestão de nossa vida econômica. E a direita, bem a direita ainda não entendeu que o mundo mudou bastante nos últimos 20 anos…


Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 24 de agosto de 2012 CHINA, Crise global, Livros e publicações, Politica Economica | 13:35

Mais um alerta sobre a China

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Agora é  a vez do FED de Dallas, uma das sucursais do BC americano.

Eles publicaram um relatório recentemente ( http://www.dallasfed.org/assets/documents/research/eclett/2012/el1208.pdf ) onde comentam sobre a falta de credibilidade de algumas estatísticas chinesas que seriam manipuladas por interesses políticos.

Eles argumentam que, com base nos dados recentes de consumo de energia, a produção industrial da China deveria estar crescendo bem abaixo dos 9% a.a. atuais, de acordo com os dados oficiais do governo chinês. Ou seja, se os dados oficiais de produção industrial estivessem corretos, o consumo de energia deveria estar crescendo ao dobro da velocidade atual de 4% a.a.. Tal divergência começou a acontecer a partir de março último, quando a economia de fato se desacelerou bastante. O gráfico abaixo mostra o problema:


O gráfico violeta mostra a taxa de crescimento anual do consumo de energia na China. O gráfico laranja mostra a taxa do consumo de crescimento da energia estimada de acordo com modelo do FED, que se baseia nos dados oficiais de produção industrial das indústrias leve e pesada na China. Vemos que os dois gráficos são coincidentes até março último ( marcado com seta verde) . Ou seja, a energia consumida vinha se comportando de acordo com o nível de produção da indústria. De março em diante a energia realmente consumida se desacelerou ( marcado em vermelho). Porém, se usarmos os dados oficiais de produção industrial divulgados desde então, o consumo de energia, estimado de acordo com modelo do FED ( gráfico azul ),  deveria ter sido bem maior do ocorrido ( marcado em amarelo). Ou o modelo pifou de março para cá ou os dados de consumo de energia e de produção industrial divulgados pelos chineses não são consistentes entre si.

O governo poderia estar mascarando os números de crescimento para evitar uma crise política e popular nas vésperas da mudança de liderança no comando político chinês, algo que ocorrerá em 2013. Todos se lembram dos eventos da praça da paz celestial em 1989…

Enfim, este tipo de suspeita geralmente aparece quando as pessoas ficam perplexas com os dados. Neste caso, isto poderia ser  sinal de que as coisas na China de fato estão bem piores do que todos imaginam…

Ps: agradeço ao novo economista do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, pela ótima dica de leitura!


Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 Heróis do Mercado, Livros e publicações, Politica Economica | 11:21

Cícero comenta sobre orçamento

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Recebi isto de um amigo e, embora eu não tenha checado nos livros de história em que contexto Cícero teria dito isto, achei que valia a pena dividir com vocês algo tão atual escrito há 2 mil anos:

“O orçamento deve ser equilibrado, o Tesouro deverá ser recarregado, a dívida pública deve ser reduzida, a arrogância do funcionalismo deve ser moderada e controlada, bem como a assistência a países estrangeiros deve ser reduzida, a menos que se queira Roma insolvente. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar em vez de viver da assistência pública. ”

- Cícero, 55 aC

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sábado, 24 de março de 2012 Brasil, Livros e publicações, Politica Economica | 16:22

Investimento e crescimento sustentado

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O economista Regis Bonelli da FGV escreveu alguns trabalhos excelentes sobre o assunto acima.

Vale a pena ler para se ter uma ideia do que ele pensa sobre a nossa taxa de crescimento e da necessidade do crescimento do investimento no Brasil e de outras variáveis que afetam o crescimento.

Veja um resumo abaixo de um de seus trabalhos sobre os impactos da taxa de investimento e da produtividade no pib:

Este trabalho discute requisitos para o crescimento de médio prazo da economia brasileira com foco no investimento necessário para a aceleração do crescimento. Ele especula em torno da questão de quanto o país pode crescer se alcançar uma taxa de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, de agora em diante) de 21% do PIB, como a que o governo brasileiro tem como objetivo para 2010, conforme estabelecido pela Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP). Mas o marco analítico desenvolvido também se aplica a diferentes taxas de formação de capital.

O texto está organizado da seguinte forma. Na seção 1 discutem-se características do crescimento brasileiro e da evolução da taxa de investimento (FBCF) no longo prazo, enfatizando a recuperação da atividade econômica do último qüinqüênio. Destacam-se nessa análise aspectos associados a traços comuns dos ciclos de longo prazo, à produtividade e à evolução dos preços relativos dos bens de investimento. Na seção 2 discute-se brevemente a questão do crescimento sustentado do ponto de vista das necessidades de investimento para que ele se concretize e apresentam-se estimativas de crescimento futuro do PIB segundo alternativas factíveis caso seja mantida a taxa de FBCF desejada. A seção 3 conclui com um breve resumo dos principais resultados e considerações adicionais.

http://portalibre.fgv.br/main.jsp?lumPageId=8A7C8233253AEA0A01253B17F4990DE9&lumPageId=402880811DF9ADC4011E2274DD15152C&lumItemId=8A7C8233257ECA5001258E2C11D92625

Outro trabalho do mesmo autor na mesma linha segue abaixo, porém em inglês:

RESUMO

Este trabalho analisa alguns dos principais temas identificados como barreiras aocrescimento da economia brasileira no longo prazo. A apresentação tem início com decomposições do crescimento do PIB brasileiro total e per capita para identificar as causas mais próximas da desaceleração do crescimento observada depois da década de 1980 enfatizando fatores que atuam pelo lado da oferta agregada. A razão para esse tipo de abordagem é que, dentro de certos limites, a experiência do passado revela que é relativamente fácil expandir a demanda agregada por meio de estímulos monetários e fiscais. Cinco temas que têm identificados na literatura especializada como limitações à expansão da oferta são analisados em seguida, todos eles associados com uma taxa de poupança menor do que a necessária para sustentar taxas de crescimento da formação decapital fixo capazes de acelerar o crescimento: carga tributária, fatores institucionais,infraestrutura, financiamento e educação. Uma apreciação sumária de linhas de política para lidar com essas limitações é apresentada em seguida. O texto conclui trazendo novamente para primeiro plano a necessidade de aumentar a poupança e o investimento para elevar a taxa de crescimento da economia brasileira e especulando sobre o potencial decrescimento condicionado pelo crescimento da produtividade e do investimento.

http://portalibre.fgv.br/main.jsp?lumPageId=8A7C8233253AEA0A01253B17F4990DE9&lumPageId=402880811DF9ADC4011E2274DD15152C&lumItemId=8A7C82332C3575A4012CA89B76256012#

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sexta-feira, 9 de março de 2012 Juros no Brasil, Livros e publicações, Politica Economica | 16:32

Por que o juro no Brasil é ( ou era…) tão elevado?

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Este relatório abaixo do FMI analisa os  motivos dos  juros elevados no Brasil:

http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2012/wp1262.pdf

É uma boa leitura.

Neste paper o autor conclui que 3 fatores são determinantes para que a queda atual dos juros seja sustentável:

1. elevação do volume anual de poupança ( renda não consumida , guardada para financiar investimentos), que nos últimos 10 anos esteve ao redor de 18% do PIB, vis a vis 24% no México e 31% na Coréia;

2. elevação da poupança do setor público é mais eficaz do que elevar a poupança privada;

3. eliminação dos empréstimos públicos subsidiados pelo governo ( BNDES, CEF, BB) durante as fases positivas do ciclo econômico, como a que vivemos em 2010.

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