Dinheiro começa a sair da renda fixa no mundo todo
Bastou o FED começar a debater a estratégia de suspender suas compras de títulos que o dinheiro começou a sair dos fundos de renda fixa no mundo todo, como vemos nos gráficos abaixo que mostram a evolução dos fluxos ( aplicações e resgates) em algumas famílias de fundos:
O gráfico superior à esquerda mostra os resgates ( em vermelho) fortes nos fundos de investimentos dedicados a compra de papéis de renda fixa emitidos por empresas mais endividadas nos EUA e fora dos EUA.
O gráfico inferior à esquerda nos diz respeito: mostra os resgates ( em marrom) dos recursos aplicados em fundos que investem em papéis de países emergentes.
Somente os fundos que investem em empréstimos para empresas americanas estão indo bem…
Está acabando a farra do dinheiro fácil que vinha do exterior, como mostram os gráficos abaixo que indicam a evolução dos investimentos em fundos dedicados a títulos de mercados emergentes nos últimos anos:
O volume total destes fundos, indicado pela seta verde, cresceu dramaticamente depois de 2009 quando o FED começou o QE. Podemos esperar que, quando o QE acabar, boa parte destes recursos sejam resgatados destes fundos. Isto diminuirá a oferta de linhas externas para empresas em países emergentes, encarecendo seu custo de capital, o que acabará afetando a taxa de investimento em tais economias. Basta este fluxo se desacelerar ou parar de crescer que isto causará uma contração na oferta de crédito para países emergentes, ou seja, causará um aperto monetário, afetando assim os países que dependem de poupança externa para financiar seu consumo e investimentos, como é o nosso caso, como vemos no gráfico vermelho abaixo que mostra a evolução de nosso saldo externo como % do PIB desde 2000:
Vemos que desde 2006 tal déficit só aumenta, apesar do boom de nossas exportações de commodities impulsionadas pela demanda chinesa ( Marcado em cinza).
Pela tendência dos últimos dados deste ano e do final de 2012 ( reta verde), sairemos dos atuais 3% do PIB de déficit ( amarelo) para 4% até o começo de 2014 ( marrom). Se isto se confirmar será o pior saldo desde 2002.
Veja abaixo um gráfico preparado pelo excelente economista Stephen Jen da SLJ para o Banco Itaú que mostra os países emergentes classificados pelo saldo externo e fluxo acumulado de capitais nos últimos 4 anos como % do PIB:
Os países marcados em vermelho são aqueles que apresentam déficits maiores em conta corrente ( eixo x) e tiveram o maior fluxo de capitais estrangeiros como % do PIB nos últimos 4 anos ( eixo y). Vemos que Brasil, Índia e Colômbia entre outros estão na região do gráfico considerada de maior vulnerabilidade pelo experiente economista.
Veja agora outro gráfico interessante que mostra no eixo x o saldo de conta corrente projetado para cada país e e no eixo y o que aconteceu com a moeda de cada país desde o início de maio último:
Fica evidente aí que as moedas que mais sofreram recentemente são aquelas que apresentam os piores déficits em conta corrente ( Brasil marcado em amarelo).
Para azedar ainda mais, o Brasil ficou menos atraente a novos investimentos na medida em que sua perspectiva de crescimento futuro piora em relação aos países desenvolvidos, como podemos ver nesta tabela preparada pelo Deutsche Bank:
Na primeira coluna temos as projeções de crescimento do DB para diversos países feitas no final do ano passado . Na segunda coluna temos as mesmas projeções, porém feitas mais recentemente.
Notamos que:
a. O Brasil, marcado em amarelo, foi um dos países cujo crescimento foi revisto para baixo com maior intensidade.
b. O crescimento dos BRIC’s e dos Emergentes está desapontando ( marcado em vermelho no final da tabela), enquanto que nos países mais desenvolvidos ele está surpreendendo, com destaque para os EUA.
Logo, ficamos menos atraentes.
Temos reservas que garantem o financiamento deste déficit por algum tempo. Porém, pela forma que tais reservas foram acumuladas ( financiadas com dívidas de curto prazo em R$ junto aos bancos brasileiros), uma venda de tais reservas causaria uma redução no Balanço do BC do B ( veja em http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2013/05/25/o-alivio-quantitativo-tupiniquim/), o que elevaria as taxas de juros de longo prazo no Brasil, algo que já começou a acontecer, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução os juros reais pagos pelo Tesouro Nacional do Brasil em papéis que vencem em 2022:
Esta taxa, que estava em 5,5 % a.a. no início de 2012, caiu até menos de 3,5% a.a. no início deste ano ( verde). Depois de se acomodar ao redor de 4% a.a. até meados de maio, ela voltou a subir para mais de 5% a.a ( amarelo) recentemente.
E até a China sente os efeitos deste primeiro sinal de aperto de liquidez externo. O gráfico abaixo mostra a evolução dos juros de curto prazo na China desde 2012:
Os juros chineses, que estavam estacionados entre 3 e 4% a.a., subiram recentemente para mais de 7% ( em vermelho).
Ainda temos algum tempo, porém em 2015 o bicho vai pegar… é bom nos prepararmos.
O Tsunami monetário, que tanto afetou o humor de nossa Presidenta, pode se transformar numa seca… cuidado com o que você deseja, pois pode acabar conseguindo…
























