EUA | Ricardo Gallo

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domingo, 16 de junho de 2013 Brasil, EUA, Investimentos, Juros EUA | 13:46

Dinheiro começa a sair da renda fixa no mundo todo

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Bastou o FED começar a debater a estratégia de suspender suas compras de títulos que  o dinheiro começou a sair dos fundos de renda fixa no mundo todo, como vemos nos gráficos abaixo que mostram a evolução dos fluxos ( aplicações e resgates) em algumas famílias de fundos:

O gráfico superior à esquerda mostra os resgates ( em vermelho) fortes nos fundos de investimentos dedicados a compra de papéis de renda fixa emitidos por empresas mais endividadas nos EUA e fora dos EUA.

O gráfico inferior à esquerda nos diz respeito: mostra os resgates ( em marrom) dos recursos aplicados em fundos que investem em papéis de países emergentes.

Somente os fundos que investem em empréstimos para empresas americanas estão indo bem…

Está acabando a farra do dinheiro fácil que vinha do exterior, como mostram os gráficos abaixo que indicam a evolução dos investimentos em fundos dedicados a títulos de mercados emergentes nos últimos anos:

O volume total destes fundos, indicado pela seta verde, cresceu dramaticamente depois de 2009 quando o FED começou o QE. Podemos esperar que, quando o QE acabar, boa parte destes recursos sejam resgatados destes fundos. Isto diminuirá a oferta de linhas externas para empresas em países emergentes, encarecendo seu custo de capital, o que acabará afetando a taxa de investimento em tais economias. Basta este fluxo se desacelerar ou parar de crescer que isto causará uma contração na oferta de crédito para países emergentes, ou seja, causará um aperto monetário, afetando assim os países que dependem de poupança externa para financiar seu consumo e investimentos, como é o nosso caso, como vemos no gráfico vermelho abaixo que mostra a evolução de nosso saldo externo como % do PIB desde 2000:


Vemos que desde 2006 tal déficit só aumenta, apesar do boom de nossas exportações de commodities impulsionadas pela demanda chinesa ( Marcado em cinza).

Pela tendência dos últimos dados deste ano e do final de 2012 ( reta verde), sairemos dos atuais 3% do PIB de déficit ( amarelo)  para 4% até o começo de 2014 ( marrom). Se isto se confirmar será o pior saldo desde 2002.

Veja abaixo um gráfico preparado pelo excelente economista Stephen Jen da SLJ para o Banco Itaú que mostra os países emergentes classificados pelo saldo externo e fluxo acumulado de capitais nos últimos 4 anos como % do PIB:

Os países marcados em vermelho são aqueles que apresentam déficits maiores em conta corrente ( eixo x) e tiveram o maior fluxo de capitais estrangeiros como % do PIB nos últimos 4 anos ( eixo y). Vemos que Brasil, Índia e Colômbia entre outros estão na região do gráfico considerada de maior vulnerabilidade pelo experiente economista.

Veja agora outro gráfico interessante que mostra no eixo x o saldo de conta corrente projetado para cada país e e no eixo y o que aconteceu com a moeda de cada país desde o início de maio último:


Fica evidente aí que as moedas que mais sofreram recentemente são aquelas que apresentam os piores déficits em conta corrente ( Brasil marcado em amarelo).

Para azedar ainda mais, o Brasil ficou menos atraente a novos investimentos na medida em que sua perspectiva de crescimento futuro piora em relação aos países desenvolvidos, como podemos ver nesta tabela preparada pelo Deutsche Bank:

Na primeira coluna temos as projeções de crescimento do DB para  diversos países feitas no final do ano passado . Na segunda coluna temos as mesmas projeções, porém feitas mais recentemente.

Notamos que:

a. O Brasil, marcado em amarelo, foi um dos países cujo crescimento foi revisto para baixo com maior intensidade.

b. O crescimento dos BRIC’s e dos Emergentes está desapontando ( marcado em vermelho no final da tabela), enquanto que nos países mais desenvolvidos ele está surpreendendo, com destaque para os EUA.

Logo, ficamos menos atraentes.

Temos reservas que garantem o financiamento deste déficit por algum tempo. Porém, pela forma que tais reservas foram acumuladas ( financiadas com dívidas de curto prazo em R$ junto aos bancos brasileiros), uma venda de tais reservas causaria uma redução no Balanço do BC do B ( veja em http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2013/05/25/o-alivio-quantitativo-tupiniquim/), o que elevaria as taxas de juros de longo prazo no Brasil, algo que já começou a acontecer, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução os juros reais pagos pelo Tesouro Nacional do Brasil em papéis que vencem em 2022:


Esta taxa, que estava em  5,5 % a.a. no início de 2012,  caiu até menos de 3,5% a.a. no início deste ano ( verde). Depois de se acomodar ao redor de 4% a.a. até meados de maio, ela voltou a subir  para mais de 5% a.a ( amarelo) recentemente.

E até a China sente os efeitos deste primeiro sinal de aperto de liquidez externo. O gráfico abaixo mostra a evolução dos juros de curto prazo na China desde  2012:


Os juros chineses, que estavam estacionados entre 3 e 4% a.a., subiram recentemente para mais de 7% ( em vermelho).

Ainda temos algum tempo,  porém em 2015 o bicho vai pegar… é bom nos prepararmos.

O Tsunami monetário, que tanto afetou o humor de nossa Presidenta, pode se transformar numa seca… cuidado com o que você deseja, pois pode acabar conseguindo…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013 Crise global, Câmbio, EUA, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 16:35

E quando tudo voltar ao normal novamente?

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Vivemos os últimos 5 anos acompanhando as notícias da crise externa que vinham inicialmente dos EUA e depois da Europa. Seguiam várias previsões sobre uma possível crise final do capitalismo causada pela explosão da bolha imobiliária americana, a implosão do sistema financeiro global, a quebra dos estados soberanos da Europa, o fim do Euro, e por aí vai.

Este clima de pânico afetou a confiança de investidores e empresários ao redor do globo, o que causou uma enorme volatilidade dos preços dos ativos e um contágio da atividade econômica global. Isto levou as autoridades monetárias do mundo todo a praticar politicas super expansionistas. E isto era de fato necessário.

Para se ter uma ideia do estrago que tal crise causou segue o gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de desemprego nos EUA desde 1999:

A reta azul horizontal mostra que o desemprego nos EUA oscilava entre 4% e 6% até 2008, uma oscilação bastante razoável para ciclos econômicos normais. Em 2008 a taxa disparou atingindo 10% em 2010. De lá para cá o desemprego vem caindo gradativamente ( linhas paralelas verde, branca e vermelha ), mas com consistência, sinalizando que, a continuar o ritmo atual, o desemprego deve voltar à “região de normalidade” no inicio de 2015 ( em amarelo).

Na Europa a cise atingiu os países periféricos que tiveram suas taxas de risco elevadas dramaticamente, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de risco dos papéis de dívida pública espanhola desde 2005 :

Vemos em laranja que a taxa de risco antes de 2008 estava ao redor de zero, pois ninguém considerava a hipótese de um país como a Espanha quebrar ou deixar a zona do Euro. De 2009 até meados de 2012 tal taxa de risco disparou, batendo 6% a.a. ( marcado em vermelho) . Com as intervenções do BC Europeu  emprestando recursos para os bancos europeus com problemas e com o estabelecimento de um programa de compra de títulos públicos de tais países, a taxa de risco vem caindo, batendo os 2,5% a.a. ( em verde) . Ainda está bem acima do que estava em 2008, porém parece que o pior já passou e agora é possível esperar uma melhora daqui para frente, ainda que de forma gradual e volátil, voltando para algo ao redor de 1% a.a. ao longo dos próximos anos. Tal retorno é fundamental para garantir a solvência dos estados soberanos afetados pela crise e para restabelecer o canal de crédito privado.

Como mencionei, os BC’s do mundo todo adotaram políticas expansionistas, através de compras de títulos e empréstimos a bancos, inundando o mercado de moeda, o que por sua vez ajudou a desentupir o canal de crédito na economia. Isto tende a promover o restabelecimento gradual das condições necessárias para o crescimento do investimento e do consumo privado no médio prazo.

Vejam abaixo o que aconteceu com o balanco do FED ( total de ativos comprados pelo BC americano e carregados em sua carteira) neste período de 5 ano:

Vemos que o balanço do FED aumentou consistentemente desde 2008 ( linhas vermelhas , branca e verde), porém com períodos de aceleração mais forte, como visto em 2008, no início de 2011 ( amarelo) e mais recentemente (lilás). Nestes  períodos o FED iniciou expansões mais agressivas de seu balanco, “imprimindo” o dinheiro usado na compra de títulos de médio e longo prazo, encharcando o mercado com liquidez, num montante hoje que chega a mais de US$ 3 tri.

Este movimento provocou uma forte queda das taxas de juros de longo prazo, como podemos ver no gráfico abaixo que mostra a evolução da taxa de juros dos títulos de 10 anos dos EUA desde 2008:

Vemos que desde 2010 as taxas de juros caíram de 3,5% a 4% a.a. para quase 1.5% a.a. em meados de 2012 ( marcado em amarelo) . Uma queda dramática das taxas, o que representou uma valorização de mais de 15% em tais papéis neste período.

Desde o final de 2012 tais taxas voltaram a subir ( vermelho )  com os sinais de melhora na economia americana, apesar dos problemas com o debate político sobre o programa de redução de gastos públicos daquele país. A melhora do quadro econômico permite uma expectativa mais positiva com relação ao crescimento futuro e, portanto, sinaliza taxas de juros maiores no futuro.

Assim, na cabeça daqueles que não acham que esta seja a crise definitiva do capitalismo, é natural ter alguma opinião a respeito do processo de normalização das taxas de juros de longo prazo, taxas que tendem a antecipar os movimentos das taxas de juros de curto prazo fixadas pelos BC’s. Ou seja, as taxas longas se movem bem antes do movimento das taxas do BC.

Neste cenário de normalização gradual da economia, é bastante razoável espera em algum momento nos próximos meses ou anos uma elevação destes juros de 10 anos que hoje estão ao redor de 2% a.a. , para algo entre 3 e 4% a.a. num primeiro momento.

Para se ter uma visão de mais longo prazo, veja abaixo as evolução da mesma taxa desde 1995:

Vemos que as taxas já vinham caindo desde 95 ( vermelho) quando estavam ao redor de 6% a.a. Elas se estabilizaram em 2004 ( azul claro), caíram com a crise de 2008 para cerca de 3,5% a.a. (verde) , e desabaram para menos de 2% com as ações do FED mais recentemente. Ou seja, há um espaço importante para uma elevação dos juros internacionais de longo prazo nos próximos anos ainda que seja em ritmo gradual. Acho improvável que os juros voltem para 6% a.a. pois há ainda uma digestão dos excessos de endividamento público e privado que deve ocorrer nos EUA e na Europa, o que deve limitar uma aceleração maior da economia. Logo, seria razoável esperar que taxas de longo prazo não superem os 4% a.a. nos próximos 5 anos pelo menos.

Porém é bem razoável esperar juros de longo prazo de 3 ou 3.5% a.a. num horizonte não muito distante. O que não sabemos é se isto ocorrerá daqui a 1 ano ou em 3 anos, porém para quem não acredita que esta seja a crise final do capitalismo, é esperado assumir uma trajetória crescente de juros de longo prazo nos EUA .

Isto tem enormes implicações para preços de ativos, porém é algo que pretendo abordar em outra oportunidade.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 29 de novembro de 2012 Crise global, EUA, Politica Economica, Sem categoria | 04:35

EUA: vejam o que está em jogo

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A discussão fiscal no congresso americano pode abortar a recuperação gradual da economia americana. Se o governo e a oposição não chegarem a um acordo, haverá um aperto fiscal enorme em 2013, que certamente irá afetar a recuperação da economia por lá.

Há vários sinais que indicam que a recuperação da economia americana  ganha momento e se consolida, como podemos ver no gráfico abaixo que mostra a evolução da confiança do consumidor,  avaliada por 2 institutos diferentes, desde 2006:

Ele mostra, em lilás , o nível de confiança dos consumidores americanos antes da crise, a forte queda causada pela crise de 2008 marcada em vermelho, a perda da confiança em 2011 ( marrom) em função das discussões sobre o limite da dívida pública americana, e a consistente recuperação, em verde, durante 2012.

O  gráfico abaixo, que mostra a variação anual de preços de residencias nos EUA desde 2005,  também indica um cenário similar:

Temos em amarelo claro a  valorização anual  dos preços das residencias em 2006, que subiam a mais de 15%aa, seguida da desaceleração que culminou com a crise de 2008 ( vermelho ), quando os preços caiam a quase 20% aa, a recuperação de 2010 ( azul claro), a estagnação de 2011, e a recuperação deste ano, com preços voltando a subir (verde).

Ou seja, as coisas estão melhorando gradualmente. Se os políticos não atrapalharem, é bem provável que tal melhora continue, o que sinalizaria para um 2013 e 2014 bastante satisfatórios.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 11 de fevereiro de 2012 EUA, Sem categoria | 02:07

Tomografia da economia americana

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Seguem abaixo alguns gráficos que mostram a evolução de alguns indicadores da economia americana, cortesia do banco JP Morgan:

Vamos analisar um por um:

  • o primeiro gráfico vehicle sales na primeira linha mostra o volume de venda de veículos: vejam a forte recuperação desde 2010 e a arrancada dos últimos meses;
  • o gráfico de Loan growth  mostra a taxa de crescimento dos empréstimos  a empresas, que voltaram a crescer como antes da crise, com destaque para os empréstimos a pequenas empresas ( small business) do gráfico marron;
  • gráfico mais à direita de delinquencies, mostra que o volume de empréstimos bancários a pessoas físicas em atraso voltou aos níveis de 2006;
  • na faixa central, o primeiro gráfico à esquerda ( jobless) mostra o número de pedidos de seguro desemprego, que estão caindo consistentemente, mostrando que o emprego está melhorando;
  • na mesma faixa, temos o gráfico payrolls, que mostra a evolução do número de pessoas empregadas. O gráfico azul claro mostra que o número de pessoas empregadas nos setores de construção, governo e financeiro está caindo, porém cresce no restante da economia, como mostra gráfico marrom;
  • 0 gráfico Railroad e Trucking mostra que o movimento de caminhões e trens voltou aos níveis anteriores a crise;
  • na faixa de baixo, os gráficos da pesquisa sobre novas encomendas à indústria ( manufacturing) que estão subindo;
  • o mesmo ocorre no setor de serviços, no gráfico do meio
  • e que vendas nas redes de varejo ( retail chain) voltaram a crescer no ritmo de 2007.

Parece que eles estão saindo da crise. Não na velocidade que o Bernanke do FED deseja. Mas que as coisas por lá estão melhorando, estão.

Há três riscos importantes no radar que poderiam alterar este quadro:

a. um atraso no ajuste fiscal de longo prazo, que poderia reduzir a confiança dos empresários;

b. um corte prematuro de alguns benefícios fiscais concedidos, que poderia tirar o ímpeto dos consumidores;

c. uma crise mais séria na Europa, que poderia afetar a saúde dos bancos americanos.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 CHINA, Crise global, Crise na Europa, Câmbio, EUA, Investimentos, Politica Economica | 23:10

FED surpreende: juro fica baixo até 2014, no mínimo

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O BC americano surpreendeu o mercado hoje ao afirmar que pretende manter juros baixos até final de 2014, no mínimo. Além disto eles projetaram que inflação por lá deve ficar abaixo da meta de 2% anunciada hoje por um bom tempo.  O desemprego deve cair vagarosamente dos 8.5% atuais para ao redor de 7% em 2014, ainda acima do nível considerado normal de 6%.  Bernanke também avisou que se desemprego continuar caindo devagar ele pode vir com mais compras de títulos no mercado e expandir ainda mais o balanço do FED.

Ele disse que não está muito preocupado se inflação andar um pouco acima dos 2%aa nos próximos anos. Isto quer dizer que juros reais nos EUA ficarão negativos por bastante tempo.

Apesar das recentes boas surpresas com os dados da economia americana, Bernanke preferiu focar nos problemas estruturais e assegurou que pretende manter política monetária frouxa por um bom tempo, para estimular a queda do desemprego e  a economia. Ele não se mostrou entusiasmado com a recente recuperação da economia dos EUA e suas porojeções de crescimento para este ano e 2013 caíram. Ele destacou que o mercado de financiamento imobiliário americano continua desfuncional o que demanda uma ação mais ousada do FED.

O discurso do Bernanke foi na linha mais dovish, ou seja, ele deixou claro que vai manter a moleza monetária por lá até emprego reagir.

Os mercados não esperavam um FED assim tão bonzinho. Bolsas e ativos de risco subiram bastante, seguindo a tendência desde o final do ano, como comentei em post recente. Os problemas na Grécia foram ignorados e a turma saiu correndo atrás de ativos de risco. Dinheiro está queimando na mão.

De fato as atuações do BC Europeu com seus empréstimos bilionários aos bancos europeus e este sinal do FED dão um enorme impulso aos ativos de risco e devem sustentar o rally, se não tivermos um calote desorganizado na Grécia nas próximas semanas.

Vejam a evolução do tamanho dos balanços do FED, ECB, BOJ e BOE:

Quanto mais cresce o ativo, mais cresce o passivo dos BC`s, ou seja, mais aumenta a liquidez disponível. No que depender dos BC´s não vai faltar grana para gastar….

O dólar deve sofrer e as commodities deverão subir de preço lá fora. Agora só falta a China dar uma forcinha….

Um pensamento: com o aumento dramático na liquidez lá fora, será que BC precisa continuar o juro aqui por tanto tempo? E se commodities continuarem a subir de preço?

Este gráfico mostra a evolução dos preços das commodities em US$ (CRB). De maio de 2011 até outubro os preços caíram bastante ( amarelo). De lá para cá estabilizaram ( verde). Porém, com o molezão monetário europeu e americano, os preços podem voltar a subir.

Hoje ouro subiu bastante depois do anúncio do FED:

O gatilho para tal alta pode vir da China: dados melhores sobre mercado imobiliário chinês poderiam fazer com que preços das commodities  subam acima de 320, configurando uma nova tendência de alta. Aí a inflação aqui pode pegar.

Perguntas de uma amiga muito desconfiada:

1. será que FED está achando que vem por aí um mega calotaço da Grécia?

2. será que FED fez isto para desvalorizar o dólar e aumentar competitividade das exportações americanas?

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012 EUA | 04:33

Economia dos EUA dá drible da vaca

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Um dos maiores dribles da vaca sofrido pelos  mercados e analistas em 2011 foi dado pela economia americana.

Depois do Tsunami no Japão, a economia americana começou a perder o folego que também foi afetado negativamente pelos debates sobre o ajuste fiscal e o teto da dívida pública na metade do ano.

Gráfico abaixo mostra a  evolução do índice ISM desde 2006 , índice que é o resultado de uma pesquisa mensal junto às indústrias americanas sobre o estado dos seus  negócios. Um dado acima de 50 mostra uma visão positiva:

Em vermelho mostramos a queda rápida do índice de Março a Setembro do ano passado. Tal queda fêz com que vários analistas começassem a prever uma recessão nos EUA e maiores quedas no índice ( marcada em amarelo) . A probabilidade de recessão, de acordo com os mais renomados bancos dos EUA, chegou a 50% em setembro.

Pois bem, de lá para cá tal tendência se reverteu ( verde), e parece que a Economia americana evitou a recessão. Último dado de dezembro confirma esta hipótese.

Já tem muita gente prevendo que a economia dos EUA irá manter uma trajetória de recuperação gradual daqui para frente

Será que o mercado vai levar outro drible, ou será que a turma já assistiu o filme abaixo e portanto sabe como evitá-lo?

http://www.youtube.com/watch?v=y3FjWVVp0gU

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011 BRICS, Bancos, Bicadas, Brasil, CHINA, Crise global, Crise na Europa, Câmbio, EUA, Empresas, Heróis do Mercado, Imoveis, Investimentos, Juros no Brasil, Livros e publicações, Politica Economica, Sem categoria, ataques especulativos, bizarro, bolsa, utilidade | 19:41

Pedidos ao Papai Noel

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Aos leitores amigos que me acompanharam em 2011 eu desejo Boas Festas a seus familiares, a seus amigos, a seus colegas de trabalho e a seus sócios e funcionários.

Obrigado por seus comentários e conto com vocês em 2012!!!

Aos amigos do IG  muito obrigado por nos ceder este espaço e nos apoiar ao longo de 2011!

Que 2012 traga muita alegria e prosperidade.

E, como não poderia faltar, segue  aqui a nossa lista de pedidos ao Papai Noel:

  • que nossa inflação continue caindo e assim permita que BC continue reduzindo nossa taxa de juros
  • que o Brasil continue crescendo de forma sustentada e equilibrada, sem exageros nos gastos públicos, sem excesso de endividamento das famílias e com  aumento do investimento produtivo, gerando bem estar ao povo
  • que nossa produtividade suba mais rápido e que a carga tributária se reduza
  • que as disparidades sociais e econômicas continuem a se reduzir, permitindo ao nosso povo acesso à educação, à saúde e à segurança, e assim caminhemos para uma verdadeira justiça social
  • que o dólar não se valorize demais, permitindo que nossa indústria tenha mais espaço, gerando assim mais empregos
  • que os investimentos de capital estrangeiros tão necessários continuem a fluir para cá
  • que as empresas continuem a prosperar e a gerar mais e mais empregos
  • que os nossos governantes continuem a implementar políticas econômicas e sociais sensatas
  • que os países desenvolvidos encontrem seu equilíbrio econômico, reduzindo seus déficits
  • que os bancos internacionais tenham aprendido a lição e que pratiquem políticas de crédito adequadas e sem abusos
  • que os líderes europeus e americanos tenham consciência da importância do momento e que as mudanças estruturais sejam de fato implementadas
  • que a China continue a crescer e a importar nossas commodities
  • que a paz chegue a todos cantos do planeta, com liberdade e democracia
  • que o meio ambiente seja protegido e respeitado
  • e que Bolsa volte a subir…
  • e que meus erros de português e de digitação diminuam

Esqueci de  mais alguma coisa???

Um grande abraço a todos e nos vemos em 2012, pois ninguém é de ferro…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011 BRICS, EUA, Investimentos | 14:20

Péssimo ano para bolsas. Bom para o US$!

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Se você fosse um investidor internacional e tivesse feito alocações dos recursos sob sua gestão nas bolsas do mundo todo no início de 2011, você estaria hoje bastante frustrado, como mostra gráfico abaixo:

Este gráfico acima mostra quanto você teria, dia a dia, se tivesse investido US$ 100 no começo de 2011 em vários fundos dedicados, que investem exclusivamente em empresas das seguintes regiões ( excluindo ganho com dividendos, que são bastante similares ):

SPY , em laranja escuro, empresas dos EUA,  primeiro gráfico no topo: você teria hoje US$ 96,58 , ou seja, teria sofrido uma perda de capital apenas 3,42%

VGK, fundo que investe em empresas europeias, em verde: perda de 16%

FXI, China, lilás; BIK, Bric’s, branco; EEM, mercados emergentes em geral, amarelo: os 3 com perdas de mais de 20% em US$ neste ano….

EWZ, Brasil, laranja claro, lá embaixo, com perda de 28% em US$ no ano.. opa… feio ein??

INP, Índia, vermelho, perda de 40%

Ou seja, se você tivesse deixado seu dinheiro  em Dólares parado na conta lá fora teria ganho mais e sofrido menos…

Sabe, o Dólar? Aquela moeda fraca, daquele país quebrado? Pois é… ele, com seu juro zero, deu um baile nos poderosos BRICs.. do tipo Barcelona x Santos.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011 EUA, Investimentos, bolsa | 14:01

Economia dos EUA surpreende porém lucros devem crescer menos

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Apesar da crise na Europa e da força dos BRIC´s, a bolsa americana continua tendo uma enorme importância na determinação da direção dos preços dos ativos de risco no mundo todo. Lá são listadas empresas globais e com excelência em seus setores, assim como os bancos mais importantes do globo. Logo,  não dá para ignorar o que se passa por lá.

O gráfico abaixo mostra a evolução do índice de surpresa econômica do Citibank: ele estima quanto os analistas econômicos foram positivamente ou negativamente surpreendidos nos últimos 90 dias com os dados econômicos que foram divulgados nos EUA:

Em 2008, marcado em amarelo, os dados econômicos que saiam eram bem piores do que os analistas esperavam, o que levou gráfico a seu mínimo neste período. Depois disso, os analistas foram ajustando suas previsões ao novo cenário econômico, o que fez com que o índice de surpresa ficasse ao redor de zero até final de 2010 ( em roxo), quando então a economia dos EUA ganhou um novo impulso com as medidas de afrouxamento monetário do FED.

Porém com o agravamento da crise na Europa, os efeitos do Tsunami no Japão sobre a cadeia produtiva e com os debates sobre o limite de endividamento dos EUA a economia perdeu gás, o que levou o gráfico a afundar até junho deste ano. Os economistas não esperavam que economia fosse esfriar tão rapidamente. Com isto,  os dados que iam saindo de Março a Junho foram surpreendendo negativamento os analistas, como podemos ver marcado  em vermelho.

Assim, os economistas tiveram que rever suas projeções econômicas para baixo e alguns chegaram até a prever uma nova recessão nos EUA. Só que os dados que saíram desde agosto foram surpreendendo positivamente na medida em que eles não confirmaram as previsões tão negativas. Isto fez com que o gráfico saísse da região das más notícias para a região das boas surpresas ( verde ) em poucos meses.

Gráfico abaixo mostra que o S&P500 ( bolsa americana)  reage também às boas notícias:

Em amarelo vemos que as más notícias econômicas de 2008 fizeram bolsas despencar . Vemos que o período de entre 2009 e 2010 deixaram a bolsa andando de lado, em roxo. Em vermelho vimos que as más notícias deste ano derrubaram a bolsa até setembro. Porém de lá para cá a bolsa americana tem performado relativamente bem ( verde ), apesar da piora da situação na Europa. Ou seja, as boas surpresas sobra a performance da economia interna americana deram sustentação ao preço das ações.

Contudo, duas coisas preocupam:

a. o gráfico de surpresas positivas está em nível muito elevado e a história nos mostra que tal gráfico não fica muito tempo nestes níveis extremos. Logo, dependendo de quão volúveis sejam os analistas econômicos, estes podem estar agora  revendo suas expectativas sobre o futuro de uma forma excessivamente otimista, expectativas estas que podem ser desapontadas ao longo dos próximos meses, piorando o humor para bolsas.

b. o  gráfico abaixo mostra a evolução da expectativa de lucros por ação para 2012 das empresas que fazem parte do índice S&P500 da bolsa americana durante este ano. De janeiro até julho, os analistas de ações elevaram suas expectativas de lucro de 108,5 para quase 114 ( em verde ).  Contudo, de julho para cá vemos a expectativa com relação aos lucros das empresas para 2012 caindo de quase 114 / ação para menos de 109/ ação do índice sp500 da bolsa americana. Ou seja, os analistas estavam projetando um crescimento de lucro de aproximadamente 15% para 2012, e agora reduziram suas projeções para um crescimento de lucro de cerca de 10%:


Se as empresas começarem a endossar tais expectativas mais baixas de lucros, o mercado americano pode perder sustentação no início de 2012.Logo, o anúncio dos lucros do quarto trimestre de 2011 que deve ocorrer em janeiro é muito, mas muito importante para definir o cenário para bolsa dos EUA no início do ano.  E se a bolsa dos EUA também perder energia, a coisa fica feia para as bolsas do mundo todo, pois de onde virão as boas notícias?

Logo, é difícil apostar um rally a esta altura…. De olho nos lucros…. e no que os empresários americanos irão falar, os guidances…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 22 de setembro de 2011 Crise global, EUA | 09:15

Mais uma moleza do FED: US$ 400 bi em compra de papéis longos

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O FED anunciou  que pretende vender papéis de curto prazo de sua carteira ( até 3 anos) e irá comprar o mesmo volume de papéis do tesouro americano de até 30 anos de prazo . Medida já era esperada pelo Mercado.

Assumindo um prazo médio dos papéis a serem comprados de 13 anos  e dos papéis vendidos  de 2 anos, podemos dizer que o aumento de prazo em suas compras de papéis equivale aproximadamente ao mesmo volume de compras feito  pelo FED no molezão 2 ( QE2), quando calculamos o efeito destas compras no prazo médio da carteira em mãos do mercado antes e após tais compras. Logo temos um molezão quase igual ao anterior no que diz respeito ao prazo das compras.

O objetivo do Fed é tentar manter baixas as taxas de juros de longo prazo. A Taxa de juros de 10 anos nos EUA bateu 1.85% hoje. Bem baixa para um país supostamente quebrado. E mesmo assim dólar subiu!

Isto não deve reverter o quadro por lá. Economia lá vai continuar fraquinha.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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