Bancos | Ricardo Gallo

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segunda-feira, 29 de abril de 2013 Bancos, Brasil, Juros no Brasil | 15:01

Itaú: novos empréstimos aceleram

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Sinais que oferta de crédito esteja voltando ao normal, o que não é uma boa notícia para inflação:

BRASIL – Recuperação das concessões continua em março – Itaú

O Banco Central divulgou hoje as informações do mercado de crédito referente ao mês de março. Os dados corroboram nosso cenário de recuperação do crescimento do crédito. As concessões continuaram avançando a um ritmo maior que no ano passado. As taxas de inadimplência interromperam o ciclo de quatro quedas consecutivas, mas acreditamos se tratar de um movimento pontual. As taxas de juros e spreads voltaram a cair.

Na comparação com março do ano anterior as concessões totais subiram 12,8% (em termos reais e na média diária por dia útil), ritmo superior à média de crescimento registrada ao longo do segundo semestre do ano passado (4,3%). Houve comportamento desigual entre as concessões para pessoa física e pessoa jurídica. As concessões à pessoa física mantiveram o ciclo de altas taxas de crescimento anual real dos últimos três meses: alta em março foi de 20,0% sendo que, no crédito livre, a expansão foi de 17,9%. Já o crescimento das concessões PJ foi de 6,7% (1,3% para o crédito livre). Esses dados sancionam a visão de que, por ora, a recuperação das concessões é mais visível no segmento pessoa física que no segmento pessoa jurídica. Vale ressaltar, contudo, que o crescimento real das concessões PF ainda é mais concentrado no crédito rotativo.

Com relação aos estoques, houve ligeira desaceleração no crescimento anual real, de 9,9% em fevereiro para 9,5% em março. Como proporção do PIB, o estoque total de crédito aumentou de 53,3% para 53,9%. Por origem dos recursos, continua-se observando um desempenho superior do crédito direcionado vis-à-vis o do crédito livre. Os estoques direcionados exibiram alta real de 15,6% em doze meses, ao passo que os estoques livres registraram aumento real de 6,1%. Pela ótica do controle de capital, as instituições públicas continuaram a elevar sua participação no mercado, passando de 48,4% para 48,7%.

Por segmento, o crescimento real foi similar: expansão do estoque de crédito PF foi de 9,1% ao passo que do crédito PJ foi de 9,9%. Por modalidade de crédito, os maiores destaques foram a continuidade de forte aumento do crédito direcionado e do consignado em pessoa física. Para pessoa jurídica, além do aumento do crédito direcionado, foram destaques a elevação das carteiras de capital de giro e de financiamento à exportação.

Após dois meses de alta, a taxa de juros do sistema voltou a cair levada pela queda das taxas de juros de crédito livre. A taxa de juros consolidada à pessoa física caiu de 24,9% ao ano em fevereiro para 24,4% ao ano em março. No mesmo período, o spread para pessoa física passou de 17,9% ao ano para 17,3% ao ano. Já para PJ, a taxa de juros consolidada se manteve em 14%, enquanto o spread caiu de 7,7% para 7,5%. Com a recente elevação da taxa Selic e a perspectiva de novos aumentos, acreditamos que pode haver ajuste nas taxas de juros dos empréstimos para compensar o aumento previsto nos custo de captação.

Influenciada por fatores sazonais, a taxa de atraso 15 a 90 dias do segmento pessoa física subiu de 6,5% em fevereiro para 6,7% em março. Após cinco meses seguidos de queda, a taxa de inadimplência acima de 90 dias se manteve estável em 5,4%, sendo que houve uma queda de 0,1 p.p. na inadimplência do crédito livre e um aumento de 0,1 p.p. no crédito direcionado. No segmento PJ, tanto a taxa de atraso 15 a 90 dias quanto a taxa de inadimplência acima de 90 ficaram estáveis, em 1,9% e 2,2%, respectivamente. Acreditamos que a tendência da inadimplência para os próximos ainda seja de queda.

Esperamos que a aceleração das concessões de crédito deva continuar ao longo do ano, seguindo a recuperação econômica doméstica em curso. Com relação à inadimplência, a estabilidade observada esse mês deve ser pontual e processo de queda gradual iniciado no final de 2012 deve prosseguir nos próximos meses.

Eleonora Loureiro

Adriano Lopes

Brunno Volpe


Pesquisa macroeconômica – Itaú

Ilan Goldfajn – Economista-Chefe

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 6 de abril de 2013 Bancos, Imoveis, Investimentos | 20:03

Preços dos imóveis sobem com a expansão do crédito

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O BC publicou pela primeira vez o IGV-R, índice que serve para estimar a taxa de valorização do preço dos imóveis residenciais, como detalhado no relatório de estabilidade financeira:

http://www.bcb.gov.br/htms/estabilidade/2013_03/refP.pdf

” Esse índice é calculado com dados de operações de financiamento imobiliário para pessoas físicas, em que a garantia é composta de alienação fiduciária de imóveis residenciais ou hipoteca imobiliária. O valor de avaliação de cada imóvel pelo banco no momento da concessão do crédito é a fonte primária de informação para construção do indicador. O cálculo do IVG-R considera apenas as avaliações de imóveis localizados nas onze regiões metropolitanas consideradas na mensuração do IPCA: Belém, Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Cada região metropolitana é subdividida em áreas geográficas, compostas pelo menor número de municípios contíguos que possuam uma quantidade mínima de operações mensais para a construção do indicador.”

Veja abaixo o gráfico da valorização anual deste índice desde 2003:
Ou seja, depois da forte aceleração nos preços que vimos entre 2008 e 2010 ( verde) , temos notado uma desaceleração na taxa de valorização ( vermelho).

Podemos notar no gráfico marrom abaixo a direita que a mesma desaceleração na valorização dos imóveis foi capturada pelo índice FIpe – ZAP:
Outro dado interessante é a estabilização no ritmo de desembolsos de novos empréstimos imobiliários pelo sistema financeiro que pode ser vista no gráfico marrom acima a esquerda ( marcado em amarelo) . Marquei com uma reta vertical azul o final de 2010, quando o ritmo de novas concessões destes empréstimos parou de subir. E notamos no gráfico da direita que isto coincide com  o início da desaceleração da valorização dos preços.
A reta verde vertical mostra o  início da aceleração nas concessões de financiamentos, que coincide com o início da aceleração dos preços….
Ou seja, parece que o que impulsionou a valorização dos imóveis financiáveis pelo SFN foi a rápida expansão dos financiamentos…..
Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 21 de março de 2013 Bancos, Brasil, Politica Economica | 11:05

BNDES e Caixa: alerta amarelinho….

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A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou as notas de risco da CEF e BNDES:

http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/2706308/temendo-crescente-utilizacao-politica-moody-rebaixa-bndes-caixa

Meu pitaco:

1. para tudo há um limite, até para a estatização do mercado de crédito;

2. não dá para ter tudo: ter os bancos remetendo dividendo elevado para o Tesouro  financiar déficit público ao mesmo tempo que crescem seus ativos a um ritmo de mais de 20% aa. A boa prática bancária e os livros básicos de finanças dizem que quanto mais ativo temos mais capital é preciso… logo, seria recomendável que bancos estatais retivessem seus lucros para financiar seu crescimento

3. se os bancos privados não querem fazer o que BNDES e Caixa fazem em seus créditos eles devem ter algum bom motivo econômico, pois todo mundo gosta de ganhar dinheiro e ninguém gosta de perder ( pelo menos do que diz respeito ao PRÓPRIO DINHEIRO… mas QUANDO É DINHEIRO DOs OUTROS…);

4.  se a moda pega a Petro e a  Eletro (brás) poderão seguir o mesmo caminho…

5.  do jeito que está é melhor consolidar todas as dívidas das estatais ( incluindo os depósitos de Poupança na CEF, do BB e da Petrobrás) no Tesouro e tratá-las como elas são de fato: são Dívida Pública Bruta da União, pois estas empresas atuam como entidades públicas e não privadas, certo?

Bom ficar ligado…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 Bancos, Politica Economica | 04:44

Sem investimento não há crescimento…

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Em post recente sobre educação  ( http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2012/12/05/educacao-e-o-pib-ai-que-a-coisa-pega/) eu falei sobre o modelo de Solow, que explica o crescimento econômico através do produto de 3 variáveis, como vemos abaixo:

Y=AL^{\alpha}K^{\beta}

onde Y é a renda , A é produtividade total dos fatores produtivos, L é o capital humano e K é o capital físico acumulado, decorrente da acumulação de Investimentos Produtivos ao longo do tempo. Naquele post falei a respeito da importância da educação na formação do capital humano , L.

Os dados recentes do PIB levantam outra preocupação: como fazer o K subir se não conseguimos acelerar o volume de Investimentos em nossa Economia, mesmo tendo reduzido os juros aos níveis mais baixos de nossa história recente, com o consumo crescendo de forma consistente há anos,  com bancos públicos expandindo crédito de forma agressiva,   após uma sequência de inúmeras desonerações tributárias na produção doméstica acompanhadas do aumento de várias tarifas de importação e desvalorizamos nossa moeda em mais de 25%…

Os gráficos abaixo, fornecidos pela turma do Banco Original, mostram uma figura bastante realista do que está acontecendo com a economia:

Culpou-se o setor financeiro pela queda do PIB… Ora os dois gráficos acima mostram que a  atividade tem apresentado uma queda generalizada, tanto em serviços, como na indústria e até mesmo no setor agrícola, como marcado no gráfico a esquerda em laranja. O gráfico a direita mostra que tanto serviços financeiros, transporte e construção civil também mostram forte desaceleração. Logo, a queda é geral e irrestrita como diria aquele presidente…

Os gráficos abaixo mostram o cenário de investimentos e a expectativa de crescimento de nossa economia:

No gráfico a esquerda vemos que nossa taxa de investimento, como % do PIB, está na casa dos 18% do PIB e que historicamente este número fica entre 15 e 20% do PIB.

Esta taxa de investimento é muito baixa quando comparada, como vemos abaixo, com a taxa de investimento de outras economias ( fonte :  http://data.worldbank.org/indicator/NE.GDI.TOTL.ZS/countries?order=wbapi_data_value_2010%20wbapi_data_value&sort=asc&display=default ) :

Nosso país aparece lá pela centésima posição…

No mesmo gráfico ( que agora segue abaixo) , na linha vermelha e marcado em marrom, vemos que a evolução da taxa de crescimento do investimento tem tido uma forte desaceleração desde 2011,  muito similar a vivida em 2009 no auge da crise externa. Vemos que também que os períodos de forte crescimento econômico entre 2004 e 2008  ( gráfico azul) são acompanhados de forte crescimento no Investimento….

Os analistas e o governo ainda esperam um crescimento de 4% em 2013, como vemos no gráfico abaixo à direita marcado em preto:

Logo, a chance desta turma começar a rever suas expectativas para baixo é enorme, da mesma forma que aconteceu no final de 2011, quando os analistas esperavam um crescimento acima de 4% ( gráfico azul acima à direita) para 2012. Agora já se fala em 1%…. baita erro!

E o governo também cometeu o mesmo erro, como vemos nos dois comentários abaixo extraídos de jornais do final de 2011:

[ Globo - Negócios } Nem 4% nem 5%, como querem a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Para o Banco Central (BC), a economia brasileira crescerá apenas 3,5% em 2012. O Relatório de Inflação divulgado ontem prevê aceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre o primeiro e segundo semestres do ano que vem. Mas a expansão não será suficiente para assegurar a meta de 5% do governo. Em 2011, o BC espera crescimento menor, de 3%. A estimativa não agradou à Fazenda. O ministro Mantega chegou a afirmar que as projeções de crescimento feitas pelo BC são "menos precisas" do que as da sua equipe.

http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI286246-17180,00-BC+PROJETA+CRESCIMENTO+DE+MANTEGA+ACHA+POUCO.html

[Folha economia ] O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta sexta-feira que a economia brasileira vai crescer entre 4% e 5% em 2012, a depender da evolução do cenário externo. Segundo ele, as medidas de estímulo adotadas pelo governo desde agosto — como redução de juros e desoneração de algumas operações de crédito, investimento e consumo — vão viabilizar esse desempenho. Para 2011, Mantega espera algo mais perto de 3%. Otimista, Dilma espera crescimento de até 5% em 2012“Nós devemos ter um crescimento [em 2012] em torno de 4%, mesmo com a crise internacional, e, se a crise diminuir, nós poderemos chegar a 5%”, afirmou. “O governo tem instrumentos para fomentar a economia mesmo num cenário adverso internacional”, acrescentou.Segundo Mantega, após quatro meses de atividade fraca entre julho e outubro, a economia voltou a crescer em novembro e dezembro. “O Natal vai ser bom porque, com quase pleno emprego, os trabalhadores têm salário, têm 13º [salário], e poderão utilizá-lo da melhor forma para terem um bom Natal em 2011″, afirmou. O ministro voltou a dizer que o governo trabalha em mais medidas para estimular a economia, mas não detalhou datas ou setores. No inÍcio do mês, Mantega havia sinalizado com medidas para o setor têxtil. Já o setor automotivo terá um programa de estímulos, com redução de IPI para automóveis com inovações tecnológicas, apenas em 2013 ou 2014, disse ele.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/1022566-mantega-preve-crescimento-entre-4-e-5-em-2012.shtml

Ou investimento re acelera ou 2013 vai ser um ano frustrante,  mais uma vez.

Estamos na mão dos subsídios ao capital privado através do PSI do BNDES, como vemos no comentário do próprio banco:

O BNDES desembolsou R$ 94,6 bilhões entre janeiro e setembro deste ano, com alta de 3% na comparação com igual período de 2011. Os setores da indústria e dainfraestrutura, juntos, responderam por 68% do desempenho total do Banco. À indústria, o BNDES liberou R$ 33,5 bilhões no período. À infraestrutura, foram R$ 31 bilhões, o que aponta para equilíbrio entre os dois segmentos.

Os resultados indicam processo de retomada do crescimento da economia, impulsionado pelos investimentos, sobretudo na indústria. O aumento de desembolsos para o setor industrial nos nove primeiros meses do ano foi de 18%. Os destaques foram para papel e celulose, química e petroquímica, mecânica e material de transporte.

Entre janeiro e setembro últimos, comparando-os com os mesmos meses do ano passado, houve expansão em todas as fases de operação do BNDES, com alta expressiva de 45% nas consultas (total acumulado de R$ 200 bilhões), 35% nos enquadramentos (R$ 182,8 bilhões) e 9% nas aprovações (R$ 129,9 bilhões). As consultas são uma espécie de termômetro da disposição de investimentos do empresariado brasileiro.

O comportamento no acumulado dos primeiros nove meses do ano reflete o conjunto de medidas adotadas pelo governo para estimular o investimento, como a redução das taxas de juros do Programa BNDES de Sustentação do Investimento (BNDES PSI) para a aquisição de máquinas, equipamentos, ônibus e caminhões.

A expectativa é que o ritmo de liberações se acelere nos próximos meses, já sob impacto da redução das taxas do PSI para 2,5% ao ano (até 31 de dezembro próximo). As liberações do Programa, no total de R$ 27 bilhões no período janeiro/setembro, representaram cerca de 29% dos desembolsos globais do BNDES no período.

Nota final: Agora eu me pergunto da onde virá a poupança para financiar este investimento? Alguém poderia me dizer?


Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012 Bancos, Brasil, Juros no Brasil | 03:49

Itaú: mercado de crédito ainda sem ímpeto

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Itau comenta sobre mercado de crédito em  outubro.

[ meu pitaco : dados de crédito não sinalizam uma retomada mais forte da atividade não....]

Veja o comentário do banco:

BRASIL – Crédito: concessões caem, mas composição melhora e juros continuam recuando – Itaú

O Banco Central divulgou, hoje pela manhã, o relatório de política monetária e operações de crédito do mês de outubro. Ajustado pelo número de dias úteis e pela sazonalidade, a nota mostrou queda tanto no volume de concessões de crédito à pessoa física quanto à pessoa jurídica. Em contrapartida, a participação do crédito contraído em modalidades mais caras voltou a retroceder – com o fim da greve dos bancários – e o volume dos estoques voltou a crescer com maior intensidade. As taxas de inadimplência à pessoa física e pessoa jurídica seguem essencialmente estáveis ao passo que as taxas de juros e spread seguem recuando.

A média diária das novas concessões de crédito à pessoa física caiu, em termos reais dessazonalizados, 1,9% no mês de outubro na comparação com o mês anterior, acumulando queda de 7,4% desde julho. Como resultado, a média móvel trimestral das concessões ao segmento permaneceu em terreno negativo passando de -1,9% em setembro para -1,2% em outubro. A média real das concessões PF nos últimos doze meses, comparada à média dos doze meses anteriores, subiu 2,8%.

Embora não tenha resultado em aumento geral das concessões, o fim da greve dos bancários implicou na reversão do quadro de elevação da participação das modalidades mais caras de crédito (cheque especial e cartão de crédito parcelado com juros) como proporção do total das concessões verificado na nota anterior: a participação destas operações caiu de 63,8% em setembro para 62,0% em outubro. A média diária do volume de concessões (em termos reais dessazonalizados) das carteiras de crédito pessoal e veículos aumentou na comparação com setembro, ao passo que as referidas carteiras de cheque especial e cartão de crédito recuaram.

As condições de crédito ficaram menos restritivas: a taxa de juros à pessoa física caiu de 35,8% ao ano em setembro para 35,4% em outubro. O spread passou de 27,9% em setembro para 27,8% em outubro. No mesmo período, o prazo médio aumentou de 616 dias para 620 dias.

A taxa dessazonalizada de inadimplência 15 a 90 dias caiu 0,2 ponto percentual para 6,2% em outubro, ao passo que a taxa dessazonalizada de inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 7,9%. A elevação da inadimplência acima de 90 dias do crédito pessoal contrastou com a dinâmica mais benigna da inadimplência das demais modalidades impedindo um recuo da inadimplência geral. Tendo em vista as informações de que as novas safras de crédito (resultado da inadimplência nas novas linhas) já mostram sinais encorajadores há alguns meses, esperamos que as taxas de inadimplência ao segmento em breve apresentem tendência de queda.

Livre de fatores sazonais, a média diária real das concessões de crédito ao segmento pessoa jurídica recuou 2,0% em outubro, após crescer 3,7% em setembro. A média móvel trimestral das concessões pessoa jurídica passou, no período, de uma queda de 0,7% para uma queda de 0,5%. A média real das concessões PJ nos últimos doze meses, comparada à média dos doze meses anteriores, registra aumento de 2,1%.

Uma medida de núcleo pessoa jurídica (capital de giro, desconto de duplicatas e promissórias mais conta garantida) apresentou retração de 0,9% em outubro (em termos reais dessazonalizados), após alta de 4,8% em setembro.

As condições de crédito ao segmento pessoa jurídica ficaram menos restritivas: a taxa de juros recuou de 22,6% em setembro para 22,1% em outubro, enquanto o spread diminuiu de 15,3% para 15,0%. No mesmo período, o prazo médio passou de 411 dias para 432 dias.

Em termos dessazonalizados, a taxa de inadimplência 15 a 90 dias recuou 0,1 p.p. para 2,2%, enquanto a taxa de inadimplência acima de 90 dias subiu de 4,0% em setembro para 4,1% em outubro. Em termos históricos, o nível de inadimplência do segmento permanece alto.

Quanto ao estoque total de crédito, o mesmo apresentou alta mensal de 1,4% em outubro, taxa superior à registrada em setembro (1,2%). O volume de crédito direcionado aumentou 1,9% no período ao passo que o volume de crédito livre subiu 1,1%. Os maiores destaques ficaram novamente para o aumento dos saldos de crédito habitacional direcionado e crédito rural.

Como proporção do PIB, o estoque de crédito subiu 0,4%, para 51,9%. Olhando pela ótica do controle de capital, as instituições públicas continuaram a elevar sua participação no mercado. Em doze meses, a taxa de crescimento do estoque de crédito aumentou de 15,9% em setembro para 16,6% em outubro, ritmo compatível com o esperado pelo Banco Central para o fim do ano (16,0%).

As parciais divulgadas para o mês de novembro (até o dia 19) mostram alguma melhora no volume diário de concessões. Frente à igual período do mês de outubro, as concessões pessoa física aumentaram 5,7% em termos nominais e as concessões pessoa jurídica cresceram 2,3%. Considerando a mesma taxa de crescimento até o fim do mês, estes números representariam, em termos reais dessazonalizados, pequena alta das concessões PF e pequena queda nas concessões PJ. A taxa de juros nominal (PF+PJ) está apresentando pequena alta de 20 pontos base para 29,5%.

Adriano Lopes
Economista


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terça-feira, 20 de novembro de 2012 Bancos, Câmbio, Empresas, Juros no Brasil, Politica Economica, Sem categoria, bolsa | 18:56

A variante parafiscal e o pragmatismo econômico

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A Presidenta Dilma tem afirmado que é necessário um certo pragmatismo na condução da política econômica nos momentos de crise. Ninguém discorda que situações excepcionais demandam medidas excepcionais.

Tal pragmatismo tem claramente se expandido para além do front monetário e do cambial, chegando ao front fiscal, onde o governo usa alguns artifícios contábeis e jurídicos para contornar suas restrições orçamentarias, através do que eu chamo de Políticas Parafiscais ou Extrafiscais ( deixo este debate semântico nas mãos dos juristas leitores).

O conceito parafiscal tem sua origem explicada no texto abaixo, de  Marcelo Hugo da Rocha

(http://jus.com.br/revista/autor/marcelo-hugo-da-rocha):

A expressão “parafiscal” foi empregada na linguagem financeira da França, em 1946, no Inventário Schuman, para designar certos tributos que ora eram verdadeiros impostos, ora taxas e às vezes um misto destas duas categorias e atribuído o poder fiscal a entidades de caráter autônomo, investidas de competência para o desempenho de alguma ou alguns fins públicos, beneficiárias(1).

Essa designação ainda se faz presente nos manuais de Direito Tributário, como por exemplo, no do saudoso prof. Ruy Barbosa Nogueira quando afirma que o exame do fato gerador de cada espécie de contribuição é que poderá demonstrar, em cada caso, se se trata de um imposto, de uma taxa ou de consorciação destas duas categorias(2). Encontramos, também na doutrina, o termo parafiscal como classificação de tributos quanto ao seu objetivo(3). Assim, o tributo é parafiscal quando o seu objetivo é a arrecadação de recursos para o custeio de atividades que, em princípio, não integram funções próprias do Estado, mas este as desenvolve através de entidades específicas.

Leia mais em : http://jus.com.br/revista/texto/1420/contribuicoes-parafiscais#ixzz2CmKGg0Ce

Bem, abusando um pouco desse conceito jurídico, eu penso que estamos entrando numa nova fase da política fiscal, onde o governo pratica uma política expansionista parafiscal, cujos impactos, num primeiro momento, não aparecem no resultado primário do governo, mas sim no resultado nominal do mesmo ou no seu endividamento bruto total e de algumas empresas estatais.

Numa política fiscal expansionista tradicional o governo usa o aumento de gastos públicos e as reduções de impostos para estimular a economia, o que acaba reduzindo o chamado resultado fiscal primário do Governo. Na aqui apelidada política parafiscal, o governo utiliza outras engenharias e instrumentos para chegar ao mesmo objetivo, sem contudo ficar sujeito às metas de superavit primário.

O Professor Afonso Celso Pastore já identificou alguns  impactos desta nova estratégia,  conforme pode ser visto no artigo abaixo:

http://avaranda.blogspot.com.br/2012/11/a-selic-e-os-superavits-primarios.html

A idéia é simples:

Visando a manutenção do superávit primário, que é a diferença entre o que governo arrecada via impostos e dividendos das empresas estatais, e seus gastos , exceto juros, o governo usa e abusa de outros instrumentos que aqui chamo de parafiscais.

Ele usa a capacidade de endividamento de empresas estatais, como Petrobrás, BB, CEF e Eletrobrás, ou, como no caso do BNDES e do BC, onde os seus ativos são abatidos no cálculo do endividamento líquido do governo, para  expandir o crédito interno e para transferir renda do setor público para setor privado, algo que hoje é limitado pela meta de superávit fiscal primário.

Tal transferência de renda se dá  em várias formas.

  • No caso da Petro e da Eletro isto se dá através da redução de preços de produtos e serviços oferecidos por elas a níveis incompatíveis com a realidade econômica de tais empresas . Com isto, tais empresas geram menos lucro, e precisam se endividar mais para enfrentar seus programas de investimento.  Muitas delas recorrem aos bancos públicos que lhes emprestam recursos, muitas vezes a taxas subsidiadas. Tal redução de tarifas reduz os custos para o setor produtivo privado, enquanto acabam aumentando o endividamento de tais empresas. Há assim uma transferência de recursos das empresas públicas para o setor privado. Com isto a renda disponível do setor privado aumenta, às custas de um aumento do déficit do governo. Esta prática de endividamento de estatais foi amplamente utilizada durante o período do milagre econômico na década de 70, quando empresas estatais, como a  Siderbrás, tomavam recursos no mercado para financiar seus investimentos que não podiam ser financiados através da sua geração de caixa. Lembro que as dívidas de tais empresas foram consideradas moedas podres, ou seja, dívidas vencidas e não pagas, e foram usadas na privatização das empresas estatais nos anos 90, tendo sido esta a única forma do governo honrar tais compromissos, como mostra este interessante trabalho do IPEA:  http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/viewFile/110/112
  • No caso do BNDES e da CEF tal transferência ocorre através da concessão de empréstimos para o setor privado a taxas subsidiadas, ou seja, taxas de juros abaixo daquelas que seriam necessárias para cobrir seus custos de captação no mercado, a inadimplência prevista e prover um retorno adequado sobre o capital de risco destas instituições. Com isto há uma clara transferência de recursos dos cofres públicos para os tomadores destes recursos. Para fazer frente a estes empréstimos, tais bancos recorrem muitas vezes a recursos do próprio Tesouro Nacional;
  • No caso do BB, tal transferência de recursos se dá através da concessão de crédito em ritmo agressivo. Tal expansão de crédito ao setor privado de forma agressiva pode vir a criar um volume crescente de empréstimos problemáticos num futuro próximo, o que caracterizaria uma clara transferência de recursos dos bancos públicos para os tomadores de recursos, que tomaram os recursos mas não os devolveriam ao BB. Tais potenciais perdas podem exigir futuras capitalizações do BB, algo que já ocorreu inúmeras vezes no passado por razões similares, tanto no BB e como na CEF. Logo, se tais perdas se concretizarem, haverá uma clara transferência de recursos do Tesouro para os tomadores inadimplentes;
  • No caso do BC tal transferência se dá através da manutenção de reservas internacionais elevadas e dos swaps cambiais, em função das intervenções do BC  no mercado de câmbio. Em tais intervenções o BC emite reais gerados através de captações junto ao mercado local, pagando juros de 7% aa, e os usa para comprar dólares no mercado de câmbio, que são investidos a juros de 1 % aa no exterior. Este diferencial de juros gera uma perda para o BC, o que reduz o resultado nominal do governo central. Este montante  é de fato transferido para os investidores e empresas do setor privado, uma vez que eles deixam de financiar seus investimentos no país pagando juros de 7% aa, e passam a pagar juros de 1% aa, além dos spreads de crédito. Além disto, tal intervenção do BC no mercado de câmbio expande a oferta de R$ na economia, da mesma forma que o BNDES o faz, uma vez que a esterilização dos Reais gerados é feita no curto prazo e através da emissão de títulos públicos que podem ser descontados a custo baixo junto ao próprio BC a qualquer momento. Há assim uma expansão na oferta de moeda toda vez que BC compra dólares.

Todas estas medidas parafiscais têm como objetivo aumentar a demandar interna, transferindo renda para o setor privado, ou visam expandir a  oferta de crédito para o investimento e consumo num primeiro momento. Isto é louvável pois assim se pretende acelerar nossa economia. Devem ser vistas, portanto, dentro do chamado pragmatismo do governo, defendido pela Presidenta Dilma.

Contudo tal pragmatismo tem limites, uma vez que tais medidas expansionistas parafiscais  irão se refletir no aumento da dívida pública bruta do governo, que é o montante total de títulos que o governo precisa captar no mercado, o que pode limitar o movimento de queda das taxas de juros reais de longo prazo, processo este que já dá sinais de fadiga. Além disto, há limites para o aumento de endividamento e da alavancagem de algumas empresas públicas como Petrobrás, Eletrobrás, CEF e BB, sem afetar negativamente  a credibilidade das mesmas junto a seus acionistas minoritários ou financiadores locais  e internacionais, e sem contagiar o setor público como um todo.

Além do aumento do endividamento bruto do governo e das estatais, há também um impacto negativo nos resultados correntes do governo, ou seja, no seu déficit nominal, que incorpora todas suas receitas e despesas, incluindo os juros recebidos e pagos pelo governo.  Muitas destas transações geram ativos para o governo que rendem menos que o custo de seus passivos, o que acaba elevando o déficit nominal, como é explicado pelo Prof. Pastore no artigo que mencionei acima. Além disto, as estatais ficam impedidas de pagar dividendos ao Tesouro, o que reduz o resultado fiscal.

Outro aspecto que precisa ser levado em conta é que tais mecanismos parafiscais não estão sujeitos ao processo anual de aprovação do orçamento do Executivo junto ao Legislativo, ou seja, não são debatidos e analisados  com a mesma intensidade e profundidade que as outras despesas do governo. Isto reduz a sua transparência para a sociedade, impedindo um debate sobre os destinos dos recursos públicos usados nestas transações. Logo,  seria fundamental aprovar anualmente junto ao Congresso o volume total de cada uma destas transferências, simultaneamente ao Orçamento da União, com toda a transparência possível. Seria também mais adequado identificar contabilmente algumas destas transferências como despesas correntes do Estado, como subsídios que de fato são.

Cabe também debater seriamente se tais práticas não seriam injustas com os acionistas minoritários de algumas destas empresas de capital misto, que são usadas como instrumento fiscal de tais transferências, uma vez que está se usando recursos que seriam destinados aos acionistas privados para se financiar políticas públicas. Isto pode acabar afetando a capacidade do governo e de tais empresas se financiarem junto ao setor privado no futuro.

Logo há de se questionar os limites da expansão destas medidas e a sua sustentabilidade no tempo, a luz do que mencionei acima. O que mais preocupa é que o custo político e econômico de se interromper tais medidas por eventuais restrições fiscais no futuro será muito grande. Interromper tais políticas pode causar uma queda abrupta na oferta de crédito com grande risco para o crescimento. Pode também interromper os investimentos em andamento com um custo econômico elevado. Pode também levar a uma súbita perda de renda do setor privado com forte efeito recessivo. O Fiscal Cliff, o tal do penhasco fiscal enfrentado pelos americanos neste momento, mostra os riscos destas políticas no longo prazo.

Pragmatismo sim, porém com transparência, planejamento e responsabilidade.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 3 de agosto de 2012 Bancos, Investimentos, Juros no Brasil, Politica Economica | 13:47

De onde vem o crédito?

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Se alguém precisa de um empréstimo, procura um banco. Certo? Nem sempre. Há outras fontes de crédito na economia. Outros emprestadores que ajudam a financiar o investimento das empresas.  Ou seja, as empresas tem dívidas que vão além das dívidas bancárias tradicionais tomadas junto aos bancos no Brasil.

Não há uma estatística mais frequente com estes dados de endividamento das pessoas e empresas , onde seja possível ver a evolução do financiamento e de suas fontes. Assim eu decidi analisar 3 fontes principais de financiamento e crédito na economia, que são representativas de 3 formas clássicas de endividamento:

a. Crédito bancário: representa o volume de empréstimos tomados junto a bancos, financeiras, cartões de crédito e empresas de leasing no país.

b. Crédito externo: que é o montante de empréstimos tomados geralmente por empresas junto a bancos e investidores no exterior.

c. Crédito no mercado de capitais domésticos: que geralmente é feito por emissões de debentures, porém há outros instrumentos como CRI´s e FIDC´s, que têm como propósito dar acesso a outras fontes de financiamento fora do sistema bancário local, geralmente junto a investidores locais mais qualificados.

Levantei alguns dados para ver a participação das debêntures de empresas não financeiras, dos empréstimos e captações externas de empresas não financeiras e da dívida bancária ( como definida acima ) nos últimos anos, e fiz a tabela abaixo:

Na coluna amarela temos o montante da dívida externa de empresas não financeiras como % do PIB ( incluindo empréstimos entre empresas do mesmo grupo).

Na laranja temos o montante total de debentures emitidas por empresas não financeiras ( excluindo empresas de leasing) no Brasil.

Em azul temos o total de crédito bancário , como defini acima.

E em vermelho totalizei os 3 números.

Fica evidente o predomínio do crédito bancário na economia, que é mais do que é o triplo dos outros.

Vemos que o mercado de capitais domésticos ( debentures)  oferece ainda pouco crédito para as empresas, menos do que 50% do volume de crédito externo.

O sistema é bastante dependente dos bancos e, em particular, dos 6 grandes bancos que geram mais de 70% do total de empréstimos, se incluirmos BNDES na conta.

Além disto, as principais instituições que arranjam as captações externas e no mercado de capitais doméstico são os mesmos grandes bancos privados. Há mais  competição dos bancos estrangeiros nas operações de emissão de papéis no exterior, porém o mercado de debêntures é quase todo dominado pelos grandes bancos que gerenciam os maiores fundos de renda fixa do país e as carteiras de clientes sofisticados, principais compradores destes títulos locais.

Acredito que a competição seja a única forma de reduzir custos e aumentar eficiência de um sistema econômico. Logo, quanto mais agentes estiverem competindo pelo oferecimento de financiamento  na economia, independentemente da fonte de financiamento,  a alocação de crédito será feita de maneira mais eficiente para poupadores e tomadores de recursos.

Este assunto precisa entrar de vez na agenda do governo. Não adianta ficar reduzindo impostos em aplicações financeiras dirigidas. É preciso rever a estrutura de funcionamento dos mercados de tal forma que se permita um maior número de agentes atuando e competindo.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 5 de julho de 2012 Bancos, Crise na Europa, Politica Economica | 15:23

Lições dos bancos europeus

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Muito já se falou sobre os problemas dos estados europeus, de seus gastos, de suas finanças precárias, do aperto fiscal e dos seus impactos na demanda interna e no emprego, enfim, a mídia tem dado um enorme foco foi dado nas finanças públicas.

Porém pouco tem se comentado sobre onde a crise começou e onde pode acabar: os bancos.

Para que os estados europeus pudessem expandir irresponsavelmente seus gastos na última década, foi preciso que alguém lhes financiasse, pois dinheiro não cai do céu. Se eles gastaram mais do que podiam é porque alguém lhes emprestou tal grana. It takes two for a tango…

Os bancos europeus foram os agentes que financiaram esta festa. Alguns financiaram as bolhas imobiliárias, que inflaram artificialmente a arrecadação de impostos de alguns países (Espanha e Irlanda), e agora precisam resolver os problemas de seus bancos com os créditos imobiliários inadimplentes. Outros bancos financiaram diretamente os gastos dos governos periféricos através de compra de títulos destes países. Tais bancos assumiram que tais papéis, por serem de governos da região do Euro e denominados em Euros não estariam sujeitos a risco de calote. Esta percepção reduziu dramaticamente o custo de captação dos países periféricos ao ponto da Grécia ter sido capaz de captar recursos por 10 anos pagando juros anuais de 0,50% a.a. acima dos juros alemães. Esta queda acelerada do custo financeiro elevou dramaticamente o endividamento das famílias, estados e empresas na periferia da Europa.

Os bancos europeus reagiram a este choque de queda de taxas e de percepção de risco aumentando fortemente a oferta de crédito. Seus balanços cresceram rapidamente e sua alavancagem (relação entre recursos captados junto a investidores / capital próprio) subiu muito. Isto acabou elevando os lucros dos bancos, o que por sua vez aumentava a compensação de seus executivos que ficavam assim mais motivados para fazer mais empréstimos.

Esta expansão rápida do crédito acelerou o crescimento econômico nos países periféricos o que aumentou a popularidade de seus governos. Isto acabou reduzindo o incentivo para que os líderes governamentais agissem no sentido de evitar que tal bolha de crédito se formasse. O custo político de se atuar no sentido de contar tal bolha seria elevadíssimo e levaria tais lideranças a derrotas políticas nos sistemas democráticos.

Nada disto é ilegal, antiético ou imoral.  A vida é assim. Reagimos de acordo com os incentivos que recebemos, dentro das regras que estabelecemos e guiados pelos nossos ideais, valores e ambições individuais. Contudo, esta coisa toda deu no que deu: uma crise econômica que pode levar ao fim da união europeia, com consequências políticas e econômicas impensáveis.

Com o estouro das bolhas imobiliárias e de crédito vividas pelos países periféricos, a atividade econômica se desacelerou, o que induziu a uma imediata redução na oferta de crédito por parte dos grandes bancos.  É razoável que um banqueiro aja assim: quando a atividade econômica cai, o risco de inadimplência em suas carteiras de empréstimos aumenta, o que os leva a reduzir a oferta de novos empréstimos e a aumentar as taxas cobradas para compensar esta elevação dos riscos. Qualquer gestor sério de instituição financeira ou regulador de bancos recomendaria tais atitudes. Esta redução na oferta de crédito levou a um novo ciclo de desaquecimento econômico que aumentou ainda mais a inadimplência. Para conter este ciclo, cabe aos BC’s reduzirem os juros e aumentarem a liquidez no sistema. E foi isto o que ECB fez. Porém quando a atividade já está fraca e os juros já estão baixos, a eficácia desta política monetária expansionista é muito pequena. É fundamental que os governos adotem uma política fiscal expansionista nestes casos, o que implicaria em aumento dos déficits fiscais dos países periféricos e em sua necessidade de financiamento junto ao mercado. Contudo, a deterioração das contas públicas destes países em virtude da queda de arrecadação de impostos e elevação dos gastos através dos chamados estabilizadores econômicos (seguro desemprego, entro outros) fez com que a oferta de crédito para tais governos diminuísse, o que elevou seu custo de captação, piorando ainda mais a situação fiscal destes países. Assim, os estados que seriam os salvadores da pátria, acabaram sendo amarados pela crise, tornando-a ainda mais dramática.

Neste cenário de deterioração econômica acelerada, a probabilidade de inadimplência por parte dos tomadores de crédito dispara, exigindo um forte aumento no provisionamento por parte dos bancos, o que acaba por reduzir sua capitalização ainda mais, tornando-os mais vulneráveis.

Os modelos de provisionamento de empréstimos se baseiam em dois fatores:

  • 1.A probabilidade do devedor não honrar seus compromissos
  • no vencimento;

  • 2. A perda esperada no caso do devedor não honrar.

Quanto maior o produto de (1)  x (2), mais provisão precisa ser feita, e pior fica a capitalização dos bancos.

Com a queda da atividade econômica, o número de empresas que não conseguem gerar lucros aumenta e o número de desempregados também aumenta, o que aumenta a probabilidade de (1).

Quando alguém não honra um empréstimo, há algumas formas de você tentar recuperar suas perdas:

  1. Venda dos ativos pegos em garantia, como imóveis ou carros;
  2. Liquidação de ativos da empresa ou do cliente no caso de sua falência;
  3. Descontos no valor da dívida ou nos juros, para que cliente possa pagar.

Numa crise como a que está ocorrendo na Europa, o valor que você consegue na venda ou liquidação de ativos cai muito, pois ninguém quer comprar nada numa situação destas. Logo, os descontos concedidos para empréstimos com problemas aumentam, o que aumenta a perda que mencionei em (2) acima.

Neste cenário de crise, o produto (1) x (2) sobe bastante, o que força os bancos a aumentarem dramaticamente suas provisões, reduzindo sua capitalização e, portanto, sua vontade de fazer mais empréstimos. Com isto é natural que as taxas de juros cobradas pelos bancos subam, apesar da queda dos juros básicos fixados pela política monetária.

Tal cenário é percebido pelos investidores e depositantes que começam a retirar os recursos depositados nos bancos que ficaram menos capitalizados, e passam a depositá-los em bancos mais sólidos. Isto acaba empoçando a liquidez em alguns poucos bancos, o que impede a circulação da moeda pela economia, sufocando ainda mais a atividade econômica. Para evitar que tal situação se agrave, o Banco Central precisa ter a missão de ser o emprestador de último recurso: cabe a ele prover liquidez aos bancos que estejam tendo fuga de depósitos e assim demandar um aumento de seu capital por parte de seus acionistas para fazer frente às perdas de crédito esperadas. O ECB proveu linhas aos bancos europeus, porém exigindo garantais em contra partida. É de se esperar que um bom gestor público, como o diretor de um BC, proteja os recursos dos contribuintes que foram emprestados aos bancos com problemas de liquidez, exigindo boas garantias nos empréstimos a eles concedidos. O BC escolhe, portanto, os melhores empréstimos dos bancos e os toma em garantia. Ou seja, se banco quebrar, o BCE poderá cobrar os empréstimos diretamente de seus devedores originais e com isto se ressarcir das eventuais perdas em suas operações de liquidez feitas junto aos bancos com problemas. Nada mais justo. Como contribuinte, eu não esperaria nada menos de nosso BC numa situação análoga.

Porém, ao se apropriar dos melhores empréstimos como garantia nas linhas estendidas aos bancos com problema, os outros credores terão acesso a créditos de pior qualidade no caso de quebra destes bancos com problemas. Ou seja, toda vez que o BC empresta a um banco, a qualidade da garantia que sobra aos outros credores piora. Isto acaba elevando os juros cobrados pelos investidores, o que reduz a rentabilidade dos bancos, piorando a situação deles ainda mais.

E no caso dos bancos com problemas não apresentarem um montante suficiente de empréstimos de qualidade que sirvam como garantia ao BC, só restará ao BC liquidar tais bancos. Porém, e se tais bancos forem sistemicamente importantes, ou seja, grandes demais para quebrar? O que fazer? Deixar quebrar um banco assim arruinaria a economia de vez. Logo é do interesse público que tais bancos não quebrem. É preciso que o estado assuma as perdas nestes casos, protegendo os milhares de depositantes, penalizando apenas os acionistas e investidores de maior risco.

Para evitar que as coisas saiam do controle, os governos normalmente estendem garantias a todos os depositantes, de tal forma que, no caso de quebra dos bancos com problemas, todos os depositantes seriam pagos pelo governo, que assumiria assim, junto com os acionistas dos bancos, as perdas.  

Porém a garantia sobre todos os depósitos de todos os bancos, oferecida por tais governos com suas finanças públicas fragilizadas, pouco vale, dado o volume de depósitos que precisam ser cobertos. Tal garantia acaba por aumentar o endividamento potencial do setor público, no caso de uma quebra de algum banco importante. Isto levaria tais países à insolvência, como quase aconteceu no caso da Irlanda.

Resta alternativa: o governo poderia forçar aumentos na capitalização destes bancos por parte de seus acionistas, exigindo que a totalidade dos créditos que possam se tornar problemáticos numa situação de stress econômico ainda maior seja provisionada. Caso os acionistas não consigam capitalizar os bancos, o governo injetaria o capital necessário e assumiria o controle de tais instituições, para sua posterior venda.

Novamente surge o problema da fragilidade fiscal dos governos periféricos: da onde viriam os fundos governamentais para tais aportes de capital?

A solução encontrada na Europa foi usar o fundo de estabilização monetária criado para ajudar os governos com problema. Tal fundo injetaria recursos nos bancos locais diretamente. Tais bancos passariam então a ser supervisionados pelo ECB dentro de regras mais rígidas. Com isto é provável que a fuga de depósitos seja estancada, evitando assim um agravamento maior dos problemas bancários na Europa.

Mas quais lições nós podemos tirar desta história toda? Seguem alguns pensamentos que me ocorreram:

  • É preciso que haja instituições independentes encarregadas pelo acompanhamento econômico e que tenham o poder e autonomia para atuar no sentido de impedir um crescimento excessivamente rápido do endividamento geral na economia, não só através do crédito bancário, como no mercado de capitais, no endividamento externo, dos governos.
  • A saúde do sistema bancário é crítica para o funcionamento da economia. Sem bancos fortes e rentáveis a economia quebra.
  • Dinheiro é um bem público. A César o que é de Cesar. A guarda do dinheiro, portanto, é um serviço público. Logo, na prática, os bancos são concessionários de serviços públicos e, portanto, devem ser regulados e geridos como tal.
  • Os sistemas de garantias de depósitos bancários precisam ser geridos com prudência, e apresentar uma musculatura forte o suficiente para encarar os momentos de crise.
  • Além dos fundos de garantia de depósitos fica evidente a necessidade de se ter um fundo para capitalização dos bancos em situação de crise. Este fundo precisaria ser formado nos momentos de vacas gordas, com parte das receitas dos bancos, como uma taxa a ser paga ao poder concedente. Assim, aqueles que desejassem abrir um banco pagariam um prêmio ao poder concedente pela concessão da licença e uma parte de suas receitas anuais, que seria definida de acordo com o perfil de risco das atividades daquela instituição. Estas taxas seriam usadas para financiar o fundo de capitalização dos bancos, e estariam vinculadas as receitas por estes geradas. Mais receita significa mais risco, e, portanto, mais contribuição ao fundo de capitalização.
  • É importante repensar o conceito de banco grande demais para quebrar. Se um banco está nesta categoria, ela automaticamente tem um garantia implícita em todos seus depósitos e captações, dada pelo governo federal. Porém ele não paga nada por isto. Ele de fato recebe dinheiro, pois, por ter tal garantia implícita, ele consegue captar depósitos a um custo mais baixo do que os bancos menores que não têm a mesma garantia implícita. Hoje os grandes bancos pagam apenas uma pequena contribuição mensal sobre o volume de seus depósitos a algum fundo de garantia de depósitos, que na maioria dos casos é sub capitalizado (2% dos passivos do sistema) e que só funciona para socorrer os bancos menores. No caso de problemas nos bancos maiores, é suposto que os governos irão socorrê-los. Contudo, eventuais socorros a estes bancos grandes demais para quebrar implicariam em quantias elevadíssimas, que afetariam as finanças públicas, significando em aumento de impostos para toda a sociedade.
  • É perigoso permitir que os bancos dependam muito de recursos captados numa moeda sobre a qual o governo e o BC não tenham soberania quanto a sua emissão. Imagine uma situação em que um grande banco americano, sediado nos EUA, usasse sua subsidiária no Brasil para se financiar através de depósitos em Reais, captados no Brasil, e que os emprestasse nos EUA para empresas americanas. Se este banco viesse a ter problemas e apresentasse uma perda de depósitos, quem iria emitir os Reais para que o BC americano emprestasse para este banco honrar suas obrigações em Reais no Brasil? Nosso BC iria socorrer um banco americano que está emprestando R$ nos EUA? Com o FED faria para socorrer tal banco? Logo, é fundamental que se limite o volume de captações em moeda estrangeira feitas por bancos brasileiros e por suas subsidiárias no exterior.  Um fundo especial garantidor de depósitos deveria ser criado para estes casos, ou linhas cruzadas de socorro com outros BC’s do mundo todo deveriam estar sempre prontas, mas em volume suficiente para cobrir os passivos em moeda estrangeira de nossos bancos;
  • É fundamental que o BC possa atuar com autonomia, mas dentro de padrões rígidos, como emprestador de último recurso no caso de corridas bancárias. Os fundos garantidores de depósito não tem o montante necessário de recursos para atuar em tais situações quando elas atingem os bancos sistemicamente importantes. Contudo, em alguns países, como o Brasil, questões legais ligadas ao cumprimento da Lei de Responsabilidade fiscal impedem ou inibem atuações do BC neste sentido. Seria preciso rever o arcabouço jurídico nestes casos com o objetivo de viabilizar ações do BC em situações especiais, autorizadas pelo CMN, e que os ativos recebidos em garantia em tais transações de socorro sejam de qualidade irrefutável, empacotados na forma de títulos securitizados negociáveis, com grande diversificação na carteira de empréstimos que os constituem.

Enfim, acho que vale a pena olhar e aprender um pouco com os erros dos outros. Pois o custo de se aprender como os nossos erros num assunto como este é muito elevado.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 20 de junho de 2012 Bancos, Brasil, Crise global, Politica Economica, bizarro | 17:30

Emprego e inadimplência: um diminuindo, o outro aparecendo

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Achei que poderia ser interessante pesquisar a relação entre emprego e inadimplência nos últimos 10 anos. Minha vida ficou difícil, pois como o desemprego medido pelo IBGE só caiu neste período, fica fácil chegar a conclusão óbvia de que se o desemprego subir, inadimplência também subirá. Porém queria ir mais longe.

Decidi assim analisar o comportamento do emprego formal e da taxa de inadimplência acima de 90 dias de pessoas físicas nos empréstimos bancários a taxas livres (série 7938 do site de séries temporais do BC).  Calculei a média de tal inadimplência desde Jan 2004, e avaliei o  quanto a média móvel de tal inadimplência nos últimos 12 meses se desviava, para cima ou para baixo, desta média histórica desde então. Coloquei a evolução de tal desvio desde 2005 num gráfico ( vermelho, que segue abaixo ). Quando tal gráfico está acima de zero indica que a inadimplência está acima de sua média histórica, e vice versa.

Do mesmo site, peguei a série 1586, que mostra a evolução do nível do emprego FORMAL DESDE 2004, e apurei a média móvel mensal dos últimos 12 meses do emprego formal desde então, para eliminar os efeitos sazonais.  Calculei a partir disto a tendência de crescimento do nível do emprego médio dos últimos 12 meses ( filtro HP) neste período. Com isto consegui avaliar quanto o nível do emprego formal dos últimos 12 meses estava abaixo ou acima da sua tendência. Este desvio do nível de emprego formal de sua tendência está plotado no gráfico verde claro também abaixo desde 2005. Quando o gráfico está abaixo de zero indica que nível de emprego formal está abaixo da sua tendência , e vice versa.

Vemos que há ciclos nos dois gráficos, e que os picos do nível do emprego sobre sua tendência ( gráfico verde)  coincidem com os vales dos desvios da inadimplência de sua média histórica ( vermelho).

Por exemplo,  com a seta amarela marquei o pico do emprego de Julho 2005 e o vale da inadimplência na mesma época.

Em Fevereiro de 2007 o emprego estava abaixo de sua tendência , o que elevou a inadimplência, como marquei com as setas lilás.

Em 2008, apesar do elevado nível do emprego ( seta azul no topo), vimos que a inadimplência começou a subir em Outubro, interrompendo sua tendência de queda que ocorria desde fevereiro de 2007. Isto se deve ao impacto da crise financeira nos EUA. Os bancos reduziram sua oferta de crédito por causa da crise, o que dificultou a rolagem das dívidas por parte das pessoas físicas mais endividadas. O consumo caiu por escassez de  crédito, enfraquecendo a economia, com a consequente queda no emprego, que teve seu vale no final de 2009 ( seta verde claro), exatamente quando inadimplência bateu seu pico.

A retomada da economia em 2010 levou o emprego a seu pico em Junho de 2011 ( seta marrom) , ao mesmo tempo que a inadimplência chegava a  outro vale.

De lá para cá o emprego formal se desacelerou ( seta preta) , e a inadimplência voltou a subir da mesma forma que nos ciclos anteriores ( seta cinza).

Agora vejam no gráfico azul claro abaixo o comportamento do desvio da atividade econômica calculada pelo BC ( média móveldos últimos 12 meses da série 17632 do BC)  vis a vis a sua tendência histórica. Quando tal gráfico fica acima de zero significa que a atividade nos últimos 12 meses está acima da sua tendência histórica. Coloquei no mesmo gráfico o desvio do nível de emprego nos últimos 12 meses vis a vis sua tendência histórica (gráfico em vermelho):

Novamente não há surpresa aqui: quando a linha azul está acima de zero, isto é,  quando o nível de atividade está acima de sua tendência histórica, o nível do emprego sobe acima de sua tendência com uma defasagem de alguns meses apenas.

Marquei em preto os últimos dados. A atividade bateu seu último pico  acima da  sua tendência histórica em março de 2011, enquanto o nível de emprego formal bateu seu último pico de desvio de sua tendência histórica em agosto último.

De lá para cá vemos que atividade se desacelerou bastante e está andando abaixo de sua tendência . Se o passado se repetir, teremos uma queda continuada na velocidade de geração de novos empregos, o que deve levar o gráfico vermelho para  região negativa em breve.  Este cenário, como mostrei mais acima,  pode levar a uma elevação da inadimplência.

O que tento mostrar é que, embora o desemprego esteja baixo e estejamos tendo uma geração de novos empregos formais todos os meses, o que importaria para o comportamento da inadimplência é se tal nível de emprego está acima ou abaixo da sua tendência histórica. Sei que é uma hipótese agressiva e que não a testei com o rigor necessário ( deixo este exercício para os econometristas de plantão). Contudo, os gráficos indicam que tal hipótese parece funcionar.

Logo, eu me atrevo a dizer que ainda não chegamos ao vale deste ciclo negativo. E que as coisas ainda podem piorar no que diz respeito a emprego e, portanto, para a  inadimplência.

O gráfico abaixo mostra o desvio % da tendência histórica da média dos últimos 12 meses do número total de anotações de dívidas em atraso de consumidores no Serasa , desde 2004:

Nota-se que a inadimplência desviou-se bastante de sua tendência histórica recentemente ( em vermelho), e não dá sinais que vá arrefecer.

As recentes medidas do governo visam reverter este quadro, impedindo uma piora do emprego, algo que poderia levar a uma inadimplência maior, com mais esfriamento da atividade.

Vamos torcer para que:

  • o dólar mais alto
  • os juros básicos menores e caindo
  • a queda nos spreads bancários
  • a maior oferta de recursos pelo BNDES
  • a redução de alguns impostos para produção

façam efeito logo e impeçam a piora do quadro, pois  ele é preocupante, como disse a Presidenta.

E olha que Grécia nem saiu do Euro…

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 15 de junho de 2012 Bancos, Juros no Brasil, Sem categoria | 15:26

Banco dá lucro?

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Dá sim!

Se você pegar uma amostra das 91 principais empresas da Bovespa e avaliar seus retornos sobre capital ( dados do Bloomberg), excluindo os grandes bancos brasileiros ( Itau, Bradesco, BB e Santander), você verá que em 2011:

  • O retorno médio  sobre o capital destas 91 empresas foi da ordem de 16% aa ( nada mal!), enquanto que a mediana dos retornos foi de 11% aa apenas.
  • Contudo, o desvio padrão desta amostra é enorme: 24% aa;
  • 15 empresas tiveram retorno abaixo de zero;
  • 23 empresas tiveram retorno positivo, porém abaixo de 10% aa;
  • 32 empresas tiveram retorno entre 10 e 25% aa;
  • e 21 empresas tiveram retornos acima de 25% aa.

Se você pegar os 4 maiores bancos brasileiros verá que eles tiveram um retorno de 20% aa em média em 2011. Ou SEJA, ESTÃO BEM ACIMA DA MÉDIA E DA MEDIANA DAS maiores empresas do Brasil. Porém nenhum deles está entre as 20% mais rentáveis listadas na bolsa.

E como se compara o retorno dos bancos brasileiros com o retorno dos bancos no resto do mundo?

Os dados da tabela abaixo, gentileza da equipe de analistas do Banco BTG Pactual que produziu um excelente relatório sobre o tema, mostram o quadro comparativo:

Listei o ROE ( retorno sobre capital dos acionistas) dos bancos no Brasil, Austrália, EUA, China, Coréia, Índia, dos BRICS e dos bancos no mundo todo.

Vemos que os bancos nos BRICS, principalmente Brasil , China e Rússia,  apresentam retornos elevados, quando comparados com o resto do mundo, o que se explica pela maior taxa de crescimento destas economias. Notamos o baixo retorno dos bancos dos EUA, que ainda lutam para sair da crise.

Também coloquei numa outra coluna  a taxa de juros de 5 anos nestes países, pois é interessante comparar tal retorno sobre o capital com os juros de longo prazo praticados nestas economias. Calculei, com base no retorno destes bancos e dos juros, quanto de retorno acima da taxa livre de risco tais instituições dão a seus acionistas, dados que aparecem na coluna EXCEDENTE. Vemos aí que os retornos dos bancos no Brasil não estão muito distantes dos retornos dos outros bancos no resto do mundo, quando ajustados pelo diferencial de taxas de juros.

Agora vamos dar uma olhada nos principais números  dos 4 grandes bancos brasileiros:

  • O lucro líquido total destes grandes bancos em 2011 foi da ordem de R$ 41 bi, ou seja, 1% do PIB.
  • A alíquota média de imposto sobre lucros pagos por estes bancos foi da ordem de 27%, ou seja, o lucro antes do imposto foi da ordem de R$ 56 bi,  1,4% do PIB;
  • As despesas gerais e administrativas destes bancos foram de R$ 111 bi, ou seja, 2,5% do PIB.
  • O volume total de  empréstimos destes bancos bateu R$ 1218 bi, ou seja, 30% do nosso PIB.

Agora alguns outros dados deste relatório do BTG que mostram como estes bancões ganham dinheiro:

  • apenas 26% das receitas operacionais dos bancos vem de tarifas e comissões.
  • as tarifas e comissões, incluindo receitas com seguros, cobrem apenas 60% das despesas dos bancos.
  • os bancos provisionaram em 2011 R$ 54 bi para cobrir perdas de crédito, o que equivale aproximadamente a 120% do volume de perdas reconhecidas naquele ano, ou seja,  já estavam se preparando para perdas maiores para este ano.
  • uma queda de 1 ponto percentual no spread médio nos empréstimos destes bancos representa uma perda de lucro ( depois de imposto ) de R$ 8,5 bi, ou seja, uma queda de 20% de seu retorno ( de 20% para 16%)!

Agora vamos analisar a eficiência econômica do sistema financeiro. Uma forma de avaliar isto é ver  quanto as despesas administrativas representam do total de ativos, ou seja, quanto custa anualmente para um banco gerar um novo ativo.

Em 2007 as despesas administrativas anuais destes bancos representavam ao redor de 5,5% dos ativos. Em 2011 tal percentual caiu para aproximadamente 3,9%. Ou seja, houve um enorme aumento na produtividade medida pela razão total de ativos / despesas  nos últimos anos. Isto é consistente com um excelente estudo recente do Banco CS que mostra que a produtividade do setor financeiro subiu 60% de 2001 a 2011, quando comparados a 1% de crescimento da produtividade na indústria, extraordinários 71% na agropecuária, queda de 1% na construção civil e alta de 14% no total de nossa economia. Logo, a melhora na produtividade do setor financeiro é notável.

Porém tal produtividade ainda está abaixo do que a apresentada pelos bancos dos mercados mais desenvolvidos. Nos EUA tal índice de despesas / total de ativos está em 3%, ou seja, eles são 30% mais eficientes do que os bancos brasileiros nesta ótica, e na Europa tal índice é de 1,5%, ou seja, os europeus seriam 2,5 x mais eficientes que nós, também nesta ótica.

Existe uma outra ótica de se avaliar a eficiência do nosso sistema que nos torna imbatíveis: despesas administrativas / total de receita geradas. As despesas dos grandes bancos brasileiros equivalem a 48% da receita gerada, enquanto que nos EUA este número é 70%! Como se explica isto? Como a inadimplência aqui é bem maior do que a inadimplência nos países mais avançados,  a receita com spreads dos bancos aqui é bastante elevada, para compensar tais perdas de crédito. Os bancos no Brasil perdem aqui cerca de 50% de seus lucros operacionais (  lucros antes do imposto e das perdas com inadimplência) com créditos problemáticos! Logo, a receita operacional dos bancos no Brasil  é inflada pelos juros elevados cobrados nos empréstimos para absorver as grandes perdas geradas. Isto acaba melhorando a eficiência medida nesta ótica.

Mas a que conclusão chegamos?

  • bancos são bem lucrativos por aqui,  porém suas rentabilidades não parecem absurdas quando comparadas com outras empresas aqui e com outros bancos em países emergentes;
  • os bancos parecem ser pouco eficientes quando avaliamos seu nível de despesa com o volume de ativos;
  • a inadimplência é um baita problema e distorce os dados de eficiência dos bancos;
  • o grosso da receita dos bancos vem dos spreads cobrados e não das tarifas;
  • a redução dos juros cobrados, num ambiente de inadimplência ainda elevada, vai levar a uma redução na rentabilidade dos bancos, que deve ser reduzida para níveis compatíveis com a média global;
  • os bancos precisarão ser mais eficientes, reduzindo seus gastos, para manter seu nível de rentabilidade.
Autor: Ricardo Gallo Tags:

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