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domingo, 12 de fevereiro de 2012 Crise na Europa, politica economica | 13:00

Como a Grécia chegou ao abismo

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Tabela abaixo é do FMI e mostra evolução de alguns indicadores de solvência da Grécia desde 2000:

Vemos que economia  grega teve um crescimento acelerado entre 2003 e 2007 ( linha vermelho claro), quando seu PIB andou acima de sua capacidade potencial ( linha azul claro). Notamos na linha laranja no final da tabela elevou déficit externo dos já elevados 7,7% do PIB em 200 para mais de 14% do PIB em 2007. Fica evidente  aí a histórica dependência da economia grega na  importação de poupança externa para sustentar seus gastos e consumo excessivos.

O saldo primário do governo ( verde) , que era positivo no começo do século, foi piorando apesar do forte crescimento econômico até 2007. Ou seja, num período onde a atividade estava forte o governo não economizou, mas sim expandiu seus gastos acima do crescimento de suas receitas, como vemos na linha verde. Saldo saiu de 3,6% em 2000, para -2% em 2007. Ou seja, piorou 5,6% num período de PIB forte.

A dívida pública saltou de 77% do PIB para 105% neste período de vacas gordas até 2007 ( amarelo) , ou seja, eles aumentaram o endividamento público mesmo durante o período positivo do ciclo econômico. Não aproveitaram o excedente de renda gerado neste período para reduzir seu endividamento.  Pela persistência dos déficits externos ao longo deste período todo podemos notar que tal gastança não resultou eu aumento da competitividade do país.

De 2008 em diante a taxa de crescimento se desacelerou bastante eliminado todo o excesso de atividade sobre seu potencial como vemos na linha cinza, quando o diferencial sobre o produto potencial caiu de 8,5% para -2,5%, ou seja uma queda de 11% do PIB vis a vis seu potencial entre 2008 e 2011!

A dívida pública disparou, saindo dos 105% do PIB para mais de 150% do PIB em 2011 ( é uma estimativa do FMI feitas em 2010 para todos dados da coluna 2011). O déficit fiscal bateu 10% do PIB em 2009,  e foi se reduzindo até 2011 em virtude de alguma disciplina fiscal imposta.

Embora a economia tenha se desacelerado bastante, o déficit externo caiu muito pouco após 2008: em 2011 tal déficit ainda estaria acima de 8% do PIB, o que mostra que o déficit externo não é totalmente explicado por um excesso de demanda  durante a década de ouro, mas sim por uma baixa competitividade dos produtos gregos, decorrente da baixa produtividade daquela economia e dos seus elevados custos de produção. Os déficits externos acumulados nestes 11 anos passam de 111% do pib, ou seja, o endividamento externo aumentou mais de um PIB no período em decorrência do excesso de gasto e de consumo do povo grego, num período onde seu PIB cresceu menos do que 24% e estando em média 2,2% acima do PIB potencial ao longo do período. Logo, há sim um problema estrutural de baixa competitividade naquele país que não foi endereçado durantes os períodos de vacas gordas!! Os governantes pegaram os frutos políticos dos bons ventos do norte da Europa pós Euro e não fizeram a lição de casa enquanto podiam.

E para financiar esta festa de consumo e gastos, a dívida pública  dobrou como % do PIB desde 2000!!

Isto é o que eu chamo de algo insustentável: culpa de quem? Não importa agora. É tarde e portanto todos irão pagara a conta.

Lição para nós: vamos aproveitar este período de crescimento financiado pelas exportações da China e continuar a fazer nossa lição de casa de casa para aumentar nosso PIB potencial, educar nossos jovens e qualificar nossa força de trabalho, nos tornando mais produtivos. Um dia esta farra das commodities acaba e….


Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 11 de fevereiro de 2012 EUA, Sem categoria | 02:07

Tomografia da economia americana

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Seguem abaixo alguns gráficos que mostram a evolução de alguns indicadores da economia americana, cortesia do banco JP Morgan:

Vamos analisar um por um:

  • o primeiro gráfico vehicle sales na primeira linha mostra o volume de venda de veículos: vejam a forte recuperação desde 2010 e a arrancada dos últimos meses;
  • o gráfico de Loan growth  mostra a taxa de crescimento dos empréstimos  a empresas, que voltaram a crescer como antes da crise, com destaque para os empréstimos a pequenas empresas ( small business) do gráfico marron;
  • gráfico mais à direita de delinquencies, mostra que o volume de empréstimos bancários a pessoas físicas em atraso voltou aos níveis de 2006;
  • na faixa central, o primeiro gráfico à esquerda ( jobless) mostra o número de pedidos de seguro desemprego, que estão caindo consistentemente, mostrando que o emprego está melhorando;
  • na mesma faixa, temos o gráfico payrolls, que mostra a evolução do número de pessoas empregadas. O gráfico azul claro mostra que o número de pessoas empregadas nos setores de construção, governo e financeiro está caindo, porém cresce no restante da economia, como mostra gráfico marrom;
  • 0 gráfico Railroad e Trucking mostra que o movimento de caminhões e trens voltou aos níveis anteriores a crise;
  • na faixa de baixo, os gráficos da pesquisa sobre novas encomendas à indústria ( manufacturing) que estão subindo;
  • o mesmo ocorre no setor de serviços, no gráfico do meio
  • e que vendas nas redes de varejo ( retail chain) voltaram a crescer no ritmo de 2007.

Parece que eles estão saindo da crise. Não na velocidade que o Bernanke do FED deseja. Mas que as coisas por lá estão melhorando, estão.

Há três riscos importantes no radar que poderiam alterar este quadro:

a. um atraso no ajuste fiscal de longo prazo, que poderia reduzir a confiança dos empresários;

b. um corte prematuro de alguns benefícios fiscais concedidos, que poderia tirar o ímpeto dos consumidores;

c. uma crise mais séria na Europa, que poderia afetar a saúde dos bancos americanos.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Brasil, Crise global, Crise na Europa, Sem categoria | 01:33

Dívida e déficit público

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Gráfico abaixo, retirado da revista The Economist, mostra a dívida pública ( barras horizontais azuis) dos diversos países da Europa, Japão e EUA:

Os números à direita da tabela mostram os déficits públicos primários dos diversos países , ou seja, receita corrente menos despesa corrente do governo como % do PIB, excluindo despesas com juros.

O Brasil tem uma dívida pública total de 53% do PIB e  superavit primário de mais de 3% do PIB, veja no link abaixo:

http://www.stn.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/kit_divida.pdf

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 Crise na Europa | 01:13

Tragédia grega chega ao ápice

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No dia 23 de março vencerão Euro 14.4 bi em títulos da dívida publica grega e o país não tem como pagá-los. Logo, se a ajuda da cavalaria do Euro não chegar a tempo  a Grécia irá decretar um calote desorganizado de sua dívida publica o que pode leva-la a deixar a moeda única.

As consequências para a Europa deveriam ser muito pequenas, pois a Grécia representa menos do que 2% do PIB Europeu. Contudo, algumas consequências micro são de vital importância:

  • O BC Europeu tem em seus ativos mais de Euro 100bi em haveres contra os gregos. O sistema monetário unificado na Europa faz com que as saídas de capital da Grécia para outras regiões sejam financiadas por depósitos de bancos de outras partes da região do Euro junto ao ECB, que empresta tais recursos aos BC Grego que por sua vez financia os bancos gregos, que, em caso de um calote, quebrariam. Além disto, o BC europeu comprou aproximadamente Euro 50 bi em papéis da dívida grega. Logo, no caso de uma quebra o ECB teria que arcar com o prejuízo, que acabaria no colo dos outros países da Europa, inclusive daqueles com problemas fiscais como Portugal, Espanha e Itália, o que poderia levar a conta toda para o bolso dos Alemães e Franceses.
  • Há um montante importante de empréstimos bancários de bancos Europeus para bancos e empresas gregas, além de um volume elevado de investimentos diretos de empresas europeias na Grécia. Estima-se que sejam mais de 150 bi empréstimos ao setor privado que teria sérios problemas em honrar seus compromissos. Isto levaria a perdas de capital importante aos bancos europeus que hoje lutam para recompor sua base de capital.
  • Com a quebra do estado grego e de seus bancos, haveria um corte súbito do financiamento automático do seu déficit externo feito pelo BC europeu através do mecanismo que descrevi acima. A Grécia tem um déficit externo em sua conta corrente de 10% do PIB. No caso de um calote desorganizado, é bastante provável que o financiamento externo deste déficit seja suspenso, sufocando os bancos gregos que não teriam euros para refinanciar os devedores externos gregos. Assim as empresas gregas não teriam como honrar seus pagamentos, pois haveria uma redução dramática na oferta de crédito interno. Isto levaria a uma quebra de várias empresas, em particular dos armadores gregos que poderiam ter sues barcos apreendidos em portos da Europa, onde seus credores tentariam recuperar seus créditos.
  • Esta situação caótica levaria indubitavelmente a um caos econômico na Grécia, de dimensões até maiores que o ocorrido na Argentina quando de sua última quebra. O governo não consegue gerar caixa para pagar nem suas despesas correntes. O déficit primário, isto é, a diferença entre o que o governa gasta em despesas correntes (sem contar os juros) e suas receitas com impostos, é da ordem de 2% do PIB. E há sinais que o governo já esteja deixando de pagar alguns de seus fornecedores. A perspectiva de redução em tal déficit é ruim: as receitas do governo central grego caíram 7% em janeiro último quando comparadas a janeiro de 2011, enquanto que o governo grego havia orçado uma elevação de 8% nas arrecadações para este período. Ou seja, as  receitas do governo ficaram 15% abaixo do que se esperava! Assim, já no primeiro mês do ano, tal perda de receita gerou um déficit fiscal adicional de 0,5% do PIB, ou seja, o déficit público estaria crescendo a 6% do PIB este ano, déficit este que em 2011 estava andando a mais de 10% do PIB por ano! Logo, a situação do estado grego, mesmo desconsiderando os gastos com juros, está piorando e pioraria ainda mais no caso de uma quebra e de uma depressão econômica causada pelo calote desorganizado. Em 2011 estima-se que a economia grega tenha se contraído 6%. Numa situação de caos não seria difícil imaginar uma contração de 7 ou até 10%. O governo grego seria forçado a cortar seus gastos correntes de forma violenta, gastos que passam de 40% do PIB anual.
  • Numa situação destas o governo grego seria forçado a impor um bloqueio dos depósitos nos bancos, como o ocorrido no governo Collor e na Argentina (curralito). Não haveria saída senão a Grécia abandonar o Euro, adotar uma nova moeda e converter todos os depósitos bancários e haveres financeiros gregos nesta nova moeda, a uma taxa de câmbio bastante baixa com relação o Euro. Estima-se uma desvalorização desta moeda de 50% nos primeiros momentos. Para evitar uma fuga de capitais o governo precisaria impor controle de capitais, ou seja, ninguém poderia trocar a moeda local por Euros no mercado formal de câmbio. Obrigações devidas a credores gregos seriam convertidas a esta nova moeda nesta paridade. A dívida externa privada teria que ser nacionalizada, e assumida pelo estado quando do seu vencimento que as renegociaria com os credores internacionais. Com a forte desvalorização cambial os produtos importados e exportáveis subiriam de preço dramaticamente, o que faria com que o déficit externo caísse rapidamente. Isto levaria a uma elevação dos preços dos combustíveis e possíveis problemas de abastecimento.
  • Neste cenário haveria uma enorme crise política e social com a possível ascensão de governos populistas e nacionalistas.
  • Alguns países periféricos em situação mais grave como é o caso de Portugal, perderiam acesso ao financiamento privado externo, o que, se não for combatido com medidas fortes dos países centrais, poderia leva-los a uma situação similar à grega. Este contágio afetaria o sistema bancário europeu e agravaria a crise econômica na Itália e Espanha, tornando seus ajustes internos ainda mais desafiadores.

Como vemos não se trata de um problema isolado a uma economia pequena.  Logo, é muito provável que o governo grego, os governos europeus e os credores privados cheguem a um acordo que reduza a dívida grega e que dê tempo para que a economia da Grécia faça seus ajustes. Contudo, tais negociações políticas são muito delicadas, pois todos sabem que a atual renegociação de dívida grega junto aos credores privados e o pacote de ajuda em estudo, se forem aprovados, deverão trazer dívida grega dos 160% do PIB atuais para 120% do PIB em 2020 apenas, assumindo que os gregos cumpram seu duríssimo programa de ajustes com sucesso e que economia grega volte a crescer depois de 2015.

Logo, para que o pior seja evitado é preciso que:

  • os gregos aceitem os cortes e ajustes propostos pelos credores públicos e privados, que vão além dos aumentos de impostos, da redução dos investimentos públicos e da privatização de empresas estatais,  mas passam pela redução do salário mínimo e de outros benefícios trabalhistas. O custo de mão de obra por unidade produzida na Grécia cresceu 30% desde 99, enquanto que na Alemanha tal custo subiu menos de 10%. Isto explica a baixa produtividade da economia grega, sua pouca competitividade e seu enorme e persistente déficit externo. O Deutsche Bank estima que o PIB grego deveria cair mais uns 25% além do que já caiu ( 10%)  para que fosse eliminado o déficit externo, se não for feito um ajuste estrutural na produtividade e nos custos de produção na Grécia. Não se trata apenas de um problema fiscal, mais de um problema de produtividade.
  • os Europeus aprovem o pacote de ajuda de Euro 130 bi;
  • que o ECB abra mão de ganhos futuros nos papéis públicos gregos que tem hoje em carteira no montante de Euro 15 bi ;
  • os credores privados aceitem voluntariamente uma redução de 50% no principal da dívida que lhes é devida, além do alongamento de seu prazo para 30 anos e de uma forte redução nos juros hoje cobrados.

O novo pacote de ajuste proposto aos gregos é bastante duro e deve enfrentar uma enorme resistência popular na sua aprovação e execução.  Logo, é muito provável que os credores públicos venham a ter perdas no futuro em seus empréstimos a Grécia, que devem chegar a mais de Euro 200 bi nos próximos anos. Com a renegociação atualmente em curso a dívida pública grega devida aos credores privados cairá de Euro 200 bi para Euro 100bi. Porém, com o alongamento dos prazos e com a redução dos juros propostos aos credores, a perda poderá chegar a Euro 140 bi para aqueles que financiaram a gastança do estado grego nestes últimos 10 anos.

A tragédia chega enfim a seu momento culminante.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 Brasil Juros, Crise global | 12:06

Atividade econômica melhorando no mundo todo

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Pelo menos é o que acha o pessoal da indústria em várias regiões do globo, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução das pesquisas PMI em vários países desde 2007:

Em branco temos o gráfico da evolução da pesquisa no Brasil.

Em cinza, na Alemanha.

Em amarelo, na Europa.

Em verde na Noruega.

Em lilás, na Suécia.

Em azul, nos EUA

Em rosa, na China.

Podemos notar que tais pesquisas andam juntas, mostrando como é difícil uma economia comportar-se de forma muito diferente das outras num mundo globalizado e em crise. Esta é a hipótese de nosso BC.

E notamos que desde meados de 2011 tais pesquisas mostraram quedas em sincronia e  que recentemente todas mostram sinais de recuperação, como marquei em verde. Apenas a China ainda não virou completamente, porém há indícios que teremos PMIs cada vez melhores na China

Será que o pior já ficou para trás? Ou será que o BC do B está certo em prever que as coisas irão piorar e portanto precisamos baixar rapidamente os juros para um dígito? Será que com um calote Grego esta coisa pode se reverter?



Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 Brasil Juros | 13:27

Vendas de carros: bom começo

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As vendas de carros e veículos comerciais leves em Janeiro foram surpreendentes, segundo dados da Fenabrave.

Gráfico abaixo mostra que este foi o melhor Janeiro desde 2005, em vendas médias por dias úteis, conforme vemos no gráfico abaixo do banco BTG:

Parece que economia de fato esta se recuperando bem.  Será que de fato precisamos de mais estímulo monetário? Não sera prudente reduzir a velocidade da queda dos juros a partir da próxima reunião?

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 Brasil Juros | 13:18

Tombini mandou recado : juro menor que 10% aa

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Saiu no Valor Econômico a peitada do Presidente do BC : vou para um dígito não importa como.

Mas eu acho mesmo que tem mão da nossa Presidenta aí.

Veja meu comentário em:

http://colunistas.ig.com.br/ricardogallo/2012/01/26/bcefed/

E leia artigo:

Foi de Tombini a decisão de tornar explícita a Selic de um dígito em ata


Por João Villaverde | De Brasília Tombini: decisão de dar transparência inédita ao rumo da taxa de juro.


A decisão de colocar de forma explícita, no texto da última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que a taxa básica de juros deverá chegar a um dígito este ano foi exclusiva do presidente da instituição, Alexandre Tombini. Pela primeira vez na história do regime de metas para a inflação (1999), a indicação de qual é o caminho provável para a Selic no curto prazo foi tão clara.

O cenário contemplado na ata era consensual no BC e foi discutido na primeira reunião do ano, mas o primeiro copião da ata, que é redigido pela diretoria de Política Econômica, não incluia o ítem 35, que trata exatamente desse aspecto. Tombini quis dar maior transparência à comunicação do BC com o mercado, um dia depois que o Federal Reserve em seu comunicado informou que a taxa de juros americana ficaria no patamar atual até 2014 e formalizou meta de inflação de 2% no ano.

A ata, divulgada no dia 26, atingiu o objetivo: os economistas do mercado, antes divididos quanto à provável decisão sobre juros da próxima reunião do Copom, em março, convergiram para a aposta de que o BC repetirá o corte de 0,5 ponto percentual na Selic.

O texto da ata, no entanto, por diferir das projeções do Relatório de Inflação divulgado um mês antes, em dezembro, gerou polêmica no mercado. Bancos e consultorias se atentaram mais para os números do relatório do que para o que estava no seu texto, e passaram a esperar menos queda dos juros.

Uma hora após a divulgação do relatório, em 22 de dezembro, o mercado futuro de juros saltou, na expectativa de que o BC não só reduziria os cortes, como passaria a apertar a política monetária já no fim de 2012. O contrato de Depósito Interfinanceiro de janeiro de 2013 avançou 0,1 ponto, para 9,94% ao ano, e o DI janeiro de 2014 também subiu 0,1 ponto, a 10,35%. As projeções para janeiro de 2015 exibiam alta de 0,07 ponto, a 10,69%, e as de janeiro de 2016, alta de 0,07 ponto, a 10,86%.

A decisão de reduzir a Selic em meio ponto percentual em janeiro, feita de forma unânime pelo Copom, seguiu o esperado pelo mercado. Mas no comunicado divulgado logo após a reunião, o primeiro sinal foi dado. Ao repetir o texto do comunicado da reunião anterior do colegiado, do fim de novembro de 2011, o Banco Central apontou que o cenário de política monetária não tinha mudado.

Foi apenas com a ata, porém, que tornou explícita a visão do Copom para a Selic, que o mercado migrou para a posição atual, que prevê novo corte de 0,5 ponto percentual na reunião de março do comitê – que, se confirmado, levará a Selic para 10% ao ano, à beira de atingir o patamar sinalizado pelo BC na ata. O mercado se divide agora quanto à intensidade dos cortes – se a Selic fechará o primeiro semestre em 9,5% ou 9% ao ano.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012 Brasil, Brasil Juros | 23:06

Pesquisa na Indústria mostra recuperação

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Pesquisa junto à indústria mostra sinais de forte recuperação como vemos no gráfico abaixo:

Depois de cair desde o início de 2011 ( vermelho) a pesquisa tem mostrado uma recuperação ( verde) indicando que os negócios estão melhorando.

Teremos um segundo trimestre bem melhor do que se espera.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

Crise na Europa | 04:21

Alemanha: crise? Nem tanto…

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A crise na periferia da Europa está afetando pouco a economia da Alemanha.

Veja no gráfico abaixo a evolução da pesquisa IFO  mensal  junto a empresários alemães desde 1991 que mostra sua visão sobre a economia e os negócios por lá ao longo deste período:

Em 2008 as pesquisas sobre  o clima, a situação e a expectativa dos negócios na Alemanha afundaram com a crise americana ( marquei em marrom ), vindo bem abaixo dos 100, que era a tendência central  desde 1991.

Elas se recuperaram com vigor até meados de 2011, quando caíram devido a crise na periferia (marquei em amarelo), mas não chegaram nem perto do vale de 2008 e ficaram bem acima do seu nível central histórico, apesar de toda a confusão armada por seus vizinhos!!

O mais surpreendente é que elas voltaram a subir desde Outubro, apesar do agravamento dos problemas e da forte recessão na periferia, como se vê no detalhe abaixo:




Alguns bancos estimam que a taxa de juros de curto prazo para  a Alemanha deveria ser maior que 2% aa (DB). Com o BCE caminhando para os 0,50% AA e emprestando a 1% AA por 3 anos para os bancos da região,  a economia da Alemanha acaba se beneficiando muito. Setores como o da construção civil, que são mais sensíveis a queda de juros de médio prazo, estão performando muito bem por lá e devem melhorar ainda mais, como vemos no gráfico abaixo  ( marcado em verde ) que mostra a evolução da mesma pesquisa junto a empresários daquele setor:




Outros bancos (GS) dizem que o Euro deveria estar acima de 1.45 vs os atuais 1.32,  se não fosse pela crise na periferia, o que acaba ajudando muito suas exportações e  beneficiando assim o setor industrial, como vemos marcado em vermelho no detalhe abaixo:



O Euro fraco e os juros baixos animaram os Alemães que na verdade dependem muito pouco do resto da Europa.Veja na tabela abaixo que o percentual das exportações da Alemanha para os países do União Européia caiu de 54,7% para 49,2% nos últimos anos, mesmo antes da crise na periferia:




E vejam abaixo que a parcela das exportações que vai para Ásia está crescendo bastante, com destaque para China:

A parcela de suas exportações para os EUA caiu  também enquanto o Brasil quase não aparece no mapa dos destinos preferenciais das exportações alemãs no mundo todo:

Os dados acima foram retirados do site:

http://www.trademap.org/tradestat/Country_SelProductCountry_TS.aspx

Câmbio desvalorizado e juros baixos são um presentão para os exportadores extremamente eficientes daquele país e para sua economia, pois suas exportações representam quase 50% do PIB,  como vemos no gráfico abaixo:


Se você quer entender o motivo da excelente performance das exportações  da Alemanha nos últimos anos veja link abaixo:

http://www.imf.org/external/pubs/ft/wp/2007/wp0724.pdf

Lições: Crise para alguns, uma oportunidade para outros e China é a peça chave do jogo.


Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012 Brasil, Brasil Juros, politica economica | 21:09

Expectativa de inflação sobe no Brasil

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Os economistas consultados pelo BC em seu relatório semanal FOCUS estão elevando suas expectativas de inflação para 2013 em diante, como vemos no gráfico abaixo preparado pela equipe do BTG ( Loyo e cia.):

A média das expectativa de inflação para 2012 ( gráfico  vermelho) dos economistas consultados pelo BC, que vinha caindo desde Outubro, parou de cair, como vemos marcado em verde.

Já as expectativas de inflação para os anos seguintes ( gráficos preto, laranja e azul) estão subindo ao longo deste mês como marquei em amarelo.

Minha leitura: os agentes estão achando que economia aqui já bateu o fundo do poço, com o mercado de trabalho bastante aquecido, com a forte elevação do salário mínimo já programada,  com a melhora dos dados nos EUA, com  a piora menor do que a esperada na Europa e com a decisão do BC do B de baixar juros agressivamente, os analistas acham que é improvável que a inflação volte para o centro da meta nos próximos anos.

São projeções e,  portanto, sujeitas a erro. Porém não se pode descartar o efeito do cenário atual e da política do BC do B nas expectativas de inflação dos agentes para os próximos anos. Se os dados de atividade neste trimestre vierem mais fortes, veremos o gráfico vermelho começar a subir. E quando as expectativas sobem, empresários se animam e aumentam seus preços. E aqueles que estão com estoques baixos se sentem estimulados a aumentá-los, o que gera mais demanda e mais pressão nos preços.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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