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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012 Câmbio, china | 04:51

Moeda chinesa está mesmo desvalorizada?

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O bom senso diz que um país com uma moeda desvalorizada deveria apresentar saldos externos em suas transações comerciais e correntes crescentes e positivos.

Pois bem, o gráfico abaixo,  uma gentileza do excelente time de pesquisa do Banco UBS, mostra a evolução anual dos saldos externos da China, com as barras verdes mostrando a balança comercial de produtos e as barras azuis mostrando o saldo em conta corrente, ambos como % do PIB chinês, desde 2004 e com sua projeção para 2012:

Marquei em vermelho o período de 2004 até 2007 onde os saldos saltaram de 3% do PIB para cerca de 10% do PIB. Saldos desta magnitude denotam um forte desequilíbrio entre demanda interna e produção, que poderia ser causado por uma taxa de câmbio artificialmente desvalorizada.

Contudo, vemos que desde 2007 tais saldos têm caído consistentemente, devendo atingir 2% do PIB este ano, que seria o menor saldo dos últimos 10 anos.

Logo, se adotarmos o mesmo raciocínio que levou vários analistas a afirmarem que a China tinha uma moeda desvalorizada artificialmente, poderíamos dizer que há sinais que a moeda chinesa estaria se aproximando rapidamente de sua taxa natural de equilíbrio.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012 Brasil, Câmbio | 16:13

Big Mac no Brasil: um dos mais caros do mundo

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Uma das formas de se avaliar os efeitos da taxa de câmbio na economia é comparar o preço de produtos similares, com processos de produção similares, de vendas, com marca conhecida, etc, entre diversos países.

Poucas coisas se enquadram tanto nesta categoria como o famoso sanduíche BIG MAC.

A tabela acima mostra o preço de um BIG MAC em cada um destes países na moeda local e em dólares.

Podemos notar que o nosso BIG MAC é o quarto mais caro da tabela, perdendo apenas para a Noruega, Suécia e Suíça. No Brasil ele está  35% mais caro do que nos EUA

Estamos bem acima do preço nos EUA, da média da região do Euro, e até mesmo do Japão.

Marquei em verde 3 países que, como o Brasil, também são grandes produtores de commodities (Austrália, Canadá e Argentina), onde os preços também  estão entre os mais elevados do mundo. E marquei em violeta a China, lá embaixo, onde o BIG MAC custa menos do que a metade do do que custa aqui.

Logo, deve haver alguma causalidade entre o preço de commodities e o preço  relativo do BIG MAC entre os diversos países, dependendo se estes são exportadores ou importadores de commodities.

Vamos tentar avaliar algumas possíveis razões disto:

1.Nossa taxa de câmbio estaria artificialmente elevada, em função das elevadas taxas de juros? Bem, não há evidências reais disto em nossas contas externas. Temos um déficit externo de pouco mais de 2% do PIB, sendo totalmente financiado por investimentos produtivos FDI.  Os EUA, por exemplo, ainda tem um déficit maior do que o nosso, apesar de seu crescimento pífio quando comparado ao nosso. Nosso BC continua acumulando reservas, o que indica que não há o menor sinal que estejamos nos alavancando de forma excessiva no front externo.

2.O MCDONALD`S no Brasil geraria lucros absurdos, pois praticaria preços astronomicos? Não me parece que seja o caso. O MCDonalds em 2011 gerou uma margem LAJIDA ( luros antes da depreciação, juros e impostos) da ordem de 37% de seus vendas no mundo todo. Na sua operação brasileira, sua margem é de pouco mais de 15%. Ou seja, não há nada de estranho na lucratividade da empresa

3. Os custos de produção no Brasil seriam mais elevados do que lá fora? Como pode ser que isto ocorra num país onde se produz carne e grãos em enorme quantidade? Seriam os salários e aluguéis aqui muito elevados??

4. Será que a produtividade das lojas do MCD no Brasil é menor do que a produtividade lá fora? Seriam precisos mais funcionários numa loja aqui para produzir uma mesma quantidade de sanduíches quando comparado com o resto do mundo? Haveria aqui mais perda e desperdício de matérias primas por problemas de logística?

Não cabe aqui uma análise da empresa em si, pois apenas usei estes dados para ilustrar algo que todos aqueles que viajaram para fora do país nos últimos meses puderam constatar ao comparar os preços de diversos produtos e serviços praticados lá fora com os preços aqui.

  • Enfim, obviamente há aqui algum problema de competitividade, por baixa produtividade,  e agravado por uma taxa de câmbio apreciada pelo efeito da elevação dos preços relativos do que exportamos, o que gera um choque de renda e acelera a demanda interna, exigindo uma taxa de juros bem acima da praticada lá fora em virtude da crise que assola o primeiro mundo.
  • Logo, ou desvalorizamos o R$, o que me parece bastante difícil a luz do ambiente internacional atual e prospectivo para os próximos 3 anos, ou teremos que aumentar nossa produtividade e assim reduzir o custo do que produzimos aqui, em R$…

PS: Em tempo, o índice Big Mac é calculado e desenvolvido pela excelente revista The Economist.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012 Brasil | 11:16

Índice de atividade do BC do B sinaliza melhora

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Parece que a economia aqui já está recuperando o folego. Veja gráfico abaixo do Índice de atividade do BC:

As barras azuis mostram a taxa de crescimento anual do índice, que vem caindo desde maio de 2010,  como marquei em amarelo. Os dados recentes ( barrinhas minúsculas no final) podem estar sinalizando uma reversão? Ou estaria eu vendo demais?

Esta hipótese fica mais crível se olharmos o gráfico vermelho e sua tendência desde 2007 ( reta fina preta na diagonal).

Tal gráfico mostra a evolução do nível de atividade econômica dessazonalizado. Podemos notar que o nível de atividade tem  andado abaixo de sua reta de tendência, porém o seu afastamento da reta de tendência se reduziu bastante nos últimos meses e tudo indica que em breve estaremos andando acima da reta de tendência ( marcado em verde).

Só nos resta esperar para ver, e ficar torcendo!

Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012 Brasil Juros, politica economica | 14:26

Samuel Pessoa: ótima análise sobre poupança e investimento

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Veja texto excelente deste ótimo economista:

Se um empresário endividar-se junto a uma instituição financeira para construir uma nova planta produtiva, o investimento ocorrerá. O poder de compra liberado pela instituição bancária gerou o recurso monetário que financiou o investimento. O investimento gerou a sua própria poupança. Esse princípio, chamado de princípio da demanda efetiva, foi estabelecido por Keynes em 1936 e pertence ao conhecimento padrão da economia.

Todos os complexos modelos “dinâmicos e estocásticos de equilíbrio geral” que os bancos centrais utilizam para auxiliar na formulação da política monetária empregam o princípio da demanda efetiva. Assim, estou ciente que a causalidade é da poupança para o investimento.

A questão é sabermos como que a decisão do empresário em tomar recursos financeiros para investir será solucionada macroeconomicamente. Há três possíveis formas. Primeiro, se houver desocupação de fatores de produção, a decisão do empresário mobilizará parcela desses recursos ociosos e o aumento da produção possível com a mobilização desses recursos gera a poupança que financia o investimento. Segundo, se não houver ociosidade e houver condições de aumentar a oferta de bens importados, o excesso de demanda produzido pela decisão empresarial de investir gerará excesso de demanda por bens e serviços que será coberto por elevação das importações. Finalmente, se não houver ociosidade nem possibilidade de elevar a absorção de poupança externa, o espírito animal do empresário terá produzido a elevação do investimento e da inflação que corta o consumo e produz poupança forçada.

Não parece haver na economia brasileira ociosidade generalizada de fatores produtivos. Desta forma, se quisermos acelerar a taxa de crescimento da economia para 4,5% ou 5%, teremos que criar condições para que o aumento do investimento seja acompanhado de aumento da poupança.

A experiência recente mostrou que não tem ocorrido desta forma. De 2004 até 2008, a taxa de investimento subiu quase 5 pontos percentuais do PIB. A taxa de crescimento do produto também se acelerou bastante. No entanto, a poupança não veio atrás.

Todo o aumento do investimento foi financiado pela expansão da absorção de poupança externa. Saímos de um superávit externo de 2,5 para um déficit de 2,5 pontos percentuais do PIB. Ou seja, o espírito animal do empresário funcionou, o investimento elevou-se, o crescimento econômico veio, mas a poupança não acompanhou. Este período não foi o primeiro. No governo Geisel, o investimento deu um grande salto, mas a poupança também não acompanhou. Fomos obrigados a recorrer à poupança externa. No período JK, o aumento do investimento gerou fortíssima aceleração da inflação.

Há espaço para esperarmos aumento da taxa de poupança doméstica? Para respondermos olhamos cada um dos componentes da poupança: a das famílias, das empresas e do setor público. Tanto no Brasil quanto nos EUA, a poupança das famílias é da ordem de 5% do PIB. Nos países europeus continentais está acima de 10% do PIB e nos asiático pode chegar ao valor extremo, na China, de mais de 20%!

A poupança das famílias depende da rede de seguro social que mitiga riscos que os cidadãos se deparam no dia a dia de uma economia de mercado: desemprego, saúde, perda da capacidade laboral com a idade, etc. O Brasil é o país da sua faixa de renda que mais gasta com seguro social. Somente com aposentadoria por tempo de serviço, por idade, por invalidez, rural e pensão por morte gastamos 12% do PIB, o triplo do gasto de economias com o mesmo perfil etário que o nosso. A baixa poupança das famílias é a contrapartida do bem-estar produzido pela abrangente rede de proteção social.

Enquanto continuar o processo de construção e aprofundamento da rede de proteção social, não devemos esperar elevação na poupança das famílias.

Com relação à poupança das empresas, ela, no Brasil, representa 15% do PIB. Mais baixa, mas não muito distante dos 22% da poupança das empresas na China. A poupança das empresas é formada por lucros retidos.

Sua elevação requer que mudemos as instituições trabalhistas e de regulação dos mercados de forma a elevar o poder de barganha do capital na divisão do faturamento das empresas entre lucros e salários e, ou, permitir a elevação da margem de lucro na venda ao consumidor. Não parece que a sociedade aceitaria medidas nesta direção. Assim, não há espaço para elevar a poupança das empresas, que, como vimos, é relativamente elevada.

Finalmente, a elevação da poupança do setor público requer redução do gasto público em custeio e transferências ou elevação da carga tributária. Esta última já se encontra em nível muito elevada. A queda do custeio depende de contração dos salários dos funcionários e redução do custeio administrativo, que, ao contrário do que se acredita, tem sido reduzido nos últimos anos.

queda das transferências públicas depende da redução dos gastos com a rede de seguridade social ou com os juros pagos. A redução dos juros deve abrir algum espaço para elevação da poupança pública. No entanto, este espaço é muito menor do que os 5% do PIB que o Tesouro anualmente gasta com o pagamento de juros. Pouco mais de metade deste montante refere-se à correção monetária da dívida pública, aos impostos que o governo arrecada com os juros que paga e a dividendos que os banco públicos pagam ao Tesouro em função do lucro que auferem do carregamento de parcela da dívida pública. Assim, apesar de muito positiva, a redução da taxa Selic a níveis civilizados não gerará muito mais do que 1 ponto do PIB de elevação da poupança pública.

Ou seja, teremos que encontrar formas de crescer sem grandes elevações da poupança doméstica. A agenda de crescimento passa por melhoria da qualidade da educação, da elevação da produtividade e da criação de uma institucionalidade que permita que o país absorva, de forma sustentável, níveis maiores de poupança externa, como, por exemplo, faz a Austrália. Não digo que este é o melhor modelo de desenvolvimento para o país. Digo que a sociedade, por meio de suas escolhas, decidiu que este é o melhor para o país.

Samuel Pessoa é sócio da Tendências Consultoria Integrada e pesquisador associado do Ibre-FGV.

PS do Gallo: eu endosso 123%.

PS2: não conheço pessoalmente, tampouco a consultora Tendência é minha cliente ou fornecedora…..

Autor: Ricardo Gallo Tags:

domingo, 12 de fevereiro de 2012 Crise na Europa, politica economica | 13:00

Como a Grécia chegou ao abismo

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Tabela abaixo é do FMI e mostra evolução de alguns indicadores de solvência da Grécia desde 2000:

Vemos que economia  grega teve um crescimento acelerado entre 2003 e 2007 ( linha vermelho claro), quando seu PIB andou acima de sua capacidade potencial ( linha azul claro). Notamos na linha laranja no final da tabela elevou déficit externo dos já elevados 7,7% do PIB em 200 para mais de 14% do PIB em 2007. Fica evidente  aí a histórica dependência da economia grega na  importação de poupança externa para sustentar seus gastos e consumo excessivos.

O saldo primário do governo ( verde) , que era positivo no começo do século, foi piorando apesar do forte crescimento econômico até 2007. Ou seja, num período onde a atividade estava forte o governo não economizou, mas sim expandiu seus gastos acima do crescimento de suas receitas, como vemos na linha verde. Saldo saiu de 3,6% em 2000, para -2% em 2007. Ou seja, piorou 5,6% num período de PIB forte.

A dívida pública saltou de 77% do PIB para 105% neste período de vacas gordas até 2007 ( amarelo) , ou seja, eles aumentaram o endividamento público mesmo durante o período positivo do ciclo econômico. Não aproveitaram o excedente de renda gerado neste período para reduzir seu endividamento.  Pela persistência dos déficits externos ao longo deste período todo podemos notar que tal gastança não resultou eu aumento da competitividade do país.

De 2008 em diante a taxa de crescimento se desacelerou bastante eliminado todo o excesso de atividade sobre seu potencial como vemos na linha cinza, quando o diferencial sobre o produto potencial caiu de 8,5% para -2,5%, ou seja uma queda de 11% do PIB vis a vis seu potencial entre 2008 e 2011!

A dívida pública disparou, saindo dos 105% do PIB para mais de 150% do PIB em 2011 ( é uma estimativa do FMI feitas em 2010 para todos dados da coluna 2011). O déficit fiscal bateu 10% do PIB em 2009,  e foi se reduzindo até 2011 em virtude de alguma disciplina fiscal imposta.

Embora a economia tenha se desacelerado bastante, o déficit externo caiu muito pouco após 2008: em 2011 tal déficit ainda estaria acima de 8% do PIB, o que mostra que o déficit externo não é totalmente explicado por um excesso de demanda  durante a década de ouro, mas sim por uma baixa competitividade dos produtos gregos, decorrente da baixa produtividade daquela economia e dos seus elevados custos de produção. Os déficits externos acumulados nestes 11 anos passam de 111% do pib, ou seja, o endividamento externo aumentou mais de um PIB no período em decorrência do excesso de gasto e de consumo do povo grego, num período onde seu PIB cresceu menos do que 24% e estando em média 2,2% acima do PIB potencial ao longo do período. Logo, há sim um problema estrutural de baixa competitividade naquele país que não foi endereçado durantes os períodos de vacas gordas!! Os governantes pegaram os frutos políticos dos bons ventos do norte da Europa pós Euro e não fizeram a lição de casa enquanto podiam.

E para financiar esta festa de consumo e gastos, a dívida pública  dobrou como % do PIB desde 2000!!

Isto é o que eu chamo de algo insustentável: culpa de quem? Não importa agora. É tarde e portanto todos irão pagara a conta.

Lição para nós: vamos aproveitar este período de crescimento financiado pelas exportações da China e continuar a fazer nossa lição de casa de casa para aumentar nosso PIB potencial, educar nossos jovens e qualificar nossa força de trabalho, nos tornando mais produtivos. Um dia esta farra das commodities acaba e….


Autor: Ricardo Gallo Tags:

sábado, 11 de fevereiro de 2012 EUA, Sem categoria | 02:07

Tomografia da economia americana

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Seguem abaixo alguns gráficos que mostram a evolução de alguns indicadores da economia americana, cortesia do banco JP Morgan:

Vamos analisar um por um:

  • o primeiro gráfico vehicle sales na primeira linha mostra o volume de venda de veículos: vejam a forte recuperação desde 2010 e a arrancada dos últimos meses;
  • o gráfico de Loan growth  mostra a taxa de crescimento dos empréstimos  a empresas, que voltaram a crescer como antes da crise, com destaque para os empréstimos a pequenas empresas ( small business) do gráfico marron;
  • gráfico mais à direita de delinquencies, mostra que o volume de empréstimos bancários a pessoas físicas em atraso voltou aos níveis de 2006;
  • na faixa central, o primeiro gráfico à esquerda ( jobless) mostra o número de pedidos de seguro desemprego, que estão caindo consistentemente, mostrando que o emprego está melhorando;
  • na mesma faixa, temos o gráfico payrolls, que mostra a evolução do número de pessoas empregadas. O gráfico azul claro mostra que o número de pessoas empregadas nos setores de construção, governo e financeiro está caindo, porém cresce no restante da economia, como mostra gráfico marrom;
  • 0 gráfico Railroad e Trucking mostra que o movimento de caminhões e trens voltou aos níveis anteriores a crise;
  • na faixa de baixo, os gráficos da pesquisa sobre novas encomendas à indústria ( manufacturing) que estão subindo;
  • o mesmo ocorre no setor de serviços, no gráfico do meio
  • e que vendas nas redes de varejo ( retail chain) voltaram a crescer no ritmo de 2007.

Parece que eles estão saindo da crise. Não na velocidade que o Bernanke do FED deseja. Mas que as coisas por lá estão melhorando, estão.

Há três riscos importantes no radar que poderiam alterar este quadro:

a. um atraso no ajuste fiscal de longo prazo, que poderia reduzir a confiança dos empresários;

b. um corte prematuro de alguns benefícios fiscais concedidos, que poderia tirar o ímpeto dos consumidores;

c. uma crise mais séria na Europa, que poderia afetar a saúde dos bancos americanos.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012 Brasil, Crise global, Crise na Europa, Sem categoria | 01:33

Dívida e déficit público

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Gráfico abaixo, retirado da revista The Economist, mostra a dívida pública ( barras horizontais azuis) dos diversos países da Europa, Japão e EUA:

Os números à direita da tabela mostram os déficits públicos primários dos diversos países , ou seja, receita corrente menos despesa corrente do governo como % do PIB, excluindo despesas com juros.

O Brasil tem uma dívida pública total de 53% do PIB e  superavit primário de mais de 3% do PIB, veja no link abaixo:

http://www.stn.fazenda.gov.br/divida_publica/downloads/kit_divida.pdf

Autor: Ricardo Gallo Tags:

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012 Crise na Europa | 01:13

Tragédia grega chega ao ápice

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No dia 23 de março vencerão Euro 14.4 bi em títulos da dívida publica grega e o país não tem como pagá-los. Logo, se a ajuda da cavalaria do Euro não chegar a tempo  a Grécia irá decretar um calote desorganizado de sua dívida publica o que pode leva-la a deixar a moeda única.

As consequências para a Europa deveriam ser muito pequenas, pois a Grécia representa menos do que 2% do PIB Europeu. Contudo, algumas consequências micro são de vital importância:

  • O BC Europeu tem em seus ativos mais de Euro 100bi em haveres contra os gregos. O sistema monetário unificado na Europa faz com que as saídas de capital da Grécia para outras regiões sejam financiadas por depósitos de bancos de outras partes da região do Euro junto ao ECB, que empresta tais recursos aos BC Grego que por sua vez financia os bancos gregos, que, em caso de um calote, quebrariam. Além disto, o BC europeu comprou aproximadamente Euro 50 bi em papéis da dívida grega. Logo, no caso de uma quebra o ECB teria que arcar com o prejuízo, que acabaria no colo dos outros países da Europa, inclusive daqueles com problemas fiscais como Portugal, Espanha e Itália, o que poderia levar a conta toda para o bolso dos Alemães e Franceses.
  • Há um montante importante de empréstimos bancários de bancos Europeus para bancos e empresas gregas, além de um volume elevado de investimentos diretos de empresas europeias na Grécia. Estima-se que sejam mais de 150 bi empréstimos ao setor privado que teria sérios problemas em honrar seus compromissos. Isto levaria a perdas de capital importante aos bancos europeus que hoje lutam para recompor sua base de capital.
  • Com a quebra do estado grego e de seus bancos, haveria um corte súbito do financiamento automático do seu déficit externo feito pelo BC europeu através do mecanismo que descrevi acima. A Grécia tem um déficit externo em sua conta corrente de 10% do PIB. No caso de um calote desorganizado, é bastante provável que o financiamento externo deste déficit seja suspenso, sufocando os bancos gregos que não teriam euros para refinanciar os devedores externos gregos. Assim as empresas gregas não teriam como honrar seus pagamentos, pois haveria uma redução dramática na oferta de crédito interno. Isto levaria a uma quebra de várias empresas, em particular dos armadores gregos que poderiam ter sues barcos apreendidos em portos da Europa, onde seus credores tentariam recuperar seus créditos.
  • Esta situação caótica levaria indubitavelmente a um caos econômico na Grécia, de dimensões até maiores que o ocorrido na Argentina quando de sua última quebra. O governo não consegue gerar caixa para pagar nem suas despesas correntes. O déficit primário, isto é, a diferença entre o que o governa gasta em despesas correntes (sem contar os juros) e suas receitas com impostos, é da ordem de 2% do PIB. E há sinais que o governo já esteja deixando de pagar alguns de seus fornecedores. A perspectiva de redução em tal déficit é ruim: as receitas do governo central grego caíram 7% em janeiro último quando comparadas a janeiro de 2011, enquanto que o governo grego havia orçado uma elevação de 8% nas arrecadações para este período. Ou seja, as  receitas do governo ficaram 15% abaixo do que se esperava! Assim, já no primeiro mês do ano, tal perda de receita gerou um déficit fiscal adicional de 0,5% do PIB, ou seja, o déficit público estaria crescendo a 6% do PIB este ano, déficit este que em 2011 estava andando a mais de 10% do PIB por ano! Logo, a situação do estado grego, mesmo desconsiderando os gastos com juros, está piorando e pioraria ainda mais no caso de uma quebra e de uma depressão econômica causada pelo calote desorganizado. Em 2011 estima-se que a economia grega tenha se contraído 6%. Numa situação de caos não seria difícil imaginar uma contração de 7 ou até 10%. O governo grego seria forçado a cortar seus gastos correntes de forma violenta, gastos que passam de 40% do PIB anual.
  • Numa situação destas o governo grego seria forçado a impor um bloqueio dos depósitos nos bancos, como o ocorrido no governo Collor e na Argentina (curralito). Não haveria saída senão a Grécia abandonar o Euro, adotar uma nova moeda e converter todos os depósitos bancários e haveres financeiros gregos nesta nova moeda, a uma taxa de câmbio bastante baixa com relação o Euro. Estima-se uma desvalorização desta moeda de 50% nos primeiros momentos. Para evitar uma fuga de capitais o governo precisaria impor controle de capitais, ou seja, ninguém poderia trocar a moeda local por Euros no mercado formal de câmbio. Obrigações devidas a credores gregos seriam convertidas a esta nova moeda nesta paridade. A dívida externa privada teria que ser nacionalizada, e assumida pelo estado quando do seu vencimento que as renegociaria com os credores internacionais. Com a forte desvalorização cambial os produtos importados e exportáveis subiriam de preço dramaticamente, o que faria com que o déficit externo caísse rapidamente. Isto levaria a uma elevação dos preços dos combustíveis e possíveis problemas de abastecimento.
  • Neste cenário haveria uma enorme crise política e social com a possível ascensão de governos populistas e nacionalistas.
  • Alguns países periféricos em situação mais grave como é o caso de Portugal, perderiam acesso ao financiamento privado externo, o que, se não for combatido com medidas fortes dos países centrais, poderia leva-los a uma situação similar à grega. Este contágio afetaria o sistema bancário europeu e agravaria a crise econômica na Itália e Espanha, tornando seus ajustes internos ainda mais desafiadores.

Como vemos não se trata de um problema isolado a uma economia pequena.  Logo, é muito provável que o governo grego, os governos europeus e os credores privados cheguem a um acordo que reduza a dívida grega e que dê tempo para que a economia da Grécia faça seus ajustes. Contudo, tais negociações políticas são muito delicadas, pois todos sabem que a atual renegociação de dívida grega junto aos credores privados e o pacote de ajuda em estudo, se forem aprovados, deverão trazer dívida grega dos 160% do PIB atuais para 120% do PIB em 2020 apenas, assumindo que os gregos cumpram seu duríssimo programa de ajustes com sucesso e que economia grega volte a crescer depois de 2015.

Logo, para que o pior seja evitado é preciso que:

  • os gregos aceitem os cortes e ajustes propostos pelos credores públicos e privados, que vão além dos aumentos de impostos, da redução dos investimentos públicos e da privatização de empresas estatais,  mas passam pela redução do salário mínimo e de outros benefícios trabalhistas. O custo de mão de obra por unidade produzida na Grécia cresceu 30% desde 99, enquanto que na Alemanha tal custo subiu menos de 10%. Isto explica a baixa produtividade da economia grega, sua pouca competitividade e seu enorme e persistente déficit externo. O Deutsche Bank estima que o PIB grego deveria cair mais uns 25% além do que já caiu ( 10%)  para que fosse eliminado o déficit externo, se não for feito um ajuste estrutural na produtividade e nos custos de produção na Grécia. Não se trata apenas de um problema fiscal, mais de um problema de produtividade.
  • os Europeus aprovem o pacote de ajuda de Euro 130 bi;
  • que o ECB abra mão de ganhos futuros nos papéis públicos gregos que tem hoje em carteira no montante de Euro 15 bi ;
  • os credores privados aceitem voluntariamente uma redução de 50% no principal da dívida que lhes é devida, além do alongamento de seu prazo para 30 anos e de uma forte redução nos juros hoje cobrados.

O novo pacote de ajuste proposto aos gregos é bastante duro e deve enfrentar uma enorme resistência popular na sua aprovação e execução.  Logo, é muito provável que os credores públicos venham a ter perdas no futuro em seus empréstimos a Grécia, que devem chegar a mais de Euro 200 bi nos próximos anos. Com a renegociação atualmente em curso a dívida pública grega devida aos credores privados cairá de Euro 200 bi para Euro 100bi. Porém, com o alongamento dos prazos e com a redução dos juros propostos aos credores, a perda poderá chegar a Euro 140 bi para aqueles que financiaram a gastança do estado grego nestes últimos 10 anos.

A tragédia chega enfim a seu momento culminante.

Autor: Ricardo Gallo Tags:

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 Brasil Juros, Crise global | 12:06

Atividade econômica melhorando no mundo todo

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Pelo menos é o que acha o pessoal da indústria em várias regiões do globo, como vemos no gráfico abaixo que mostra a evolução das pesquisas PMI em vários países desde 2007:

Em branco temos o gráfico da evolução da pesquisa no Brasil.

Em cinza, na Alemanha.

Em amarelo, na Europa.

Em verde na Noruega.

Em lilás, na Suécia.

Em azul, nos EUA

Em rosa, na China.

Podemos notar que tais pesquisas andam juntas, mostrando como é difícil uma economia comportar-se de forma muito diferente das outras num mundo globalizado e em crise. Esta é a hipótese de nosso BC.

E notamos que desde meados de 2011 tais pesquisas mostraram quedas em sincronia e  que recentemente todas mostram sinais de recuperação, como marquei em verde. Apenas a China ainda não virou completamente, porém há indícios que teremos PMIs cada vez melhores na China

Será que o pior já ficou para trás? Ou será que o BC do B está certo em prever que as coisas irão piorar e portanto precisamos baixar rapidamente os juros para um dígito? Será que com um calote Grego esta coisa pode se reverter?



Autor: Ricardo Gallo Tags:

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012 Brasil Juros | 13:27

Vendas de carros: bom começo

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As vendas de carros e veículos comerciais leves em Janeiro foram surpreendentes, segundo dados da Fenabrave.

Gráfico abaixo mostra que este foi o melhor Janeiro desde 2005, em vendas médias por dias úteis, conforme vemos no gráfico abaixo do banco BTG:

Parece que economia de fato esta se recuperando bem.  Será que de fato precisamos de mais estímulo monetário? Não sera prudente reduzir a velocidade da queda dos juros a partir da próxima reunião?

Autor: Ricardo Gallo Tags:

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