Crédito dá sinais de vida | Ricardo Gallo

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sexta-feira, 1 de junho de 2012 Bancos, Brasil, Juros no Brasil, Politica Economica | 18:03

Crédito dá sinais de vida

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Vejam comentário do Itau da semana passada sobre crédito. A coisa começa a estabilizar. Sinal de melhora.

MACRO BRASIL – Crédito: concessões de crédito voltam a subir enquanto inadimplência se mostra estável – Itaú

O Banco Central divulgou, hoje pela manhã, o relatório de política monetária e operações de crédito do mês de abril. A nota confirmou dados antecipados na quarta-feira mostrando recuperação do nível de concessões e recuo nas taxas de juros e spread. As taxas de inadimplência ficaram relativamente estáveis.

A média diária das novas concessões de crédito à pessoa física subiu, em termos reais dessazonalizados, 3,0% no mês de abril na comparação com o mês anterior, recuperando-se da retração exibida em março (-3,8%). Com o resultado, a média móvel trimestral das concessões ao segmento passou de queda de 0,6% para estabilidade. Nos últimos doze meses, o aumento da média real das concessões PF encontra-se em 4,1%, taxa baixa na comparação com o desempenho de anos recentes (2009 e 2010).

As carteiras que exibiram maiores aumentos no mês (em termos dessazonalizados) foram cheque especial, crédito pessoal e financiamento imobiliário. Na direção oposta, a carteira de veículos continuou se retraindo. A participação das modalidades mais caras (cartão de crédito com juros e cheque especial) como proporção das concessões totais do segmento pessoa física subiu de 62,3% em março para 63,0% em abril.

As condições de crédito ficaram menos restritivas: a taxa de juros real pré-fixada PF passou de 37,0% em março para 34,7% em abril. No mesmo período, o spread nominal caiu de 35,1% para 33,2% e o prazo médio aumentou de 605 dias para 606 dias.

A taxa dessazonalizada de inadimplência 15 a 90 dias no segmento a pessoa física ficou estável em 6,4%. A taxa de inadimplência dessazonalizada acima de 90 dias voltou a subir, passando de 7,5% para 7,6%. Apesar da ligeira subida do dado acima de 90 dias, há sinais crescentes indicando que as taxas de inadimplência ao segmento estão se estabilizando.

Livre de fatores sazonais, a média diária real das concessões de crédito ao segmento pessoa jurídica subiu 0,4% em abril, terceiro mês consecutivo de expansão. A média móvel trimestral do ritmo de crescimento das concessões pessoa jurídica passou de +0,3% em março para +1,3% em abril. Apesar do bom desempenho no último trimestre, o aumento da média real das concessões PJ nos últimos doze meses encontra-se em apenas 0,2%.

A elevação das concessões em abril ocorreu principalmente em função do bom desempenho das carteiras de hot money e de adiantamento de contratos de câmbio (ACC). Uma medida de núcleo pessoa jurídica (capital de giro, desconto de duplicatas e promissórias mais conta garantida) apresentou queda de 0,4% em abril (em termos reais dessazonalizados), após alta de 2,8% em março.

As condições de crédito ao segmento pessoa jurídica ficaram menos restritivas: a taxa de juros real pré-fixada à pessoa jurídica passou de 30,2% em março para 28,1% em abril, enquanto o spread nominal recuou de 18,4% para 17,5%. No mesmo período, o prazo médio passou de 404 dias para 402 dias.

Em termos dessazonalizados, as taxas de inadimplência a pessoa jurídica 15 a 90 dias e acima de 90 dias ficaram estáveis em 2,2% e 4,1%, respectivamente. Em termos históricos, o nível de inadimplência do segmento permanece alto.

Quanto ao estoque total de crédito, o mesmo apresentou alta mensal de 1,2% em abril, expansão inferior à registrada em março (1,9%). Tanto o crédito direcionado quanto o crédito livre tiveram aumento semelhante (1,1% e 1,3%, respectivamente).

Como proporção do PIB, o estoque de crédito subiu 0,2% para 49,6%. Olhando pela ótica do controle de capital, as instituições públicas continuaram a elevar sua participação no mercado. Em doze meses, a taxa de crescimento do estoque de crédito passou de 18,3% em março para 18,1% em abril. O Banco Central reiterou sua projeção para o crescimento do estoque total de crédito para 2012 em 15%, queda em relação ao realizado em 2011 (+19%)

As parciais divulgadas para o mês de maio (até o dia 14) dão sinais de continuidade da retomada do crédito: a média diária do total das novas concessões (PF+PJ) está subindo 0,3% frente à igual período em abril. Na mesma base de comparação, os estoques estão aumentando em 1,7%.

Já a taxa de juros nominal (PF + PJ) apresenta queda de 160 pontos base para 33,7%, com destaque para a retração observada em pessoa física (42,1% para 40,1%).

Adriano Lopes
Economista

Autor: Ricardo Gallo Tags:

3 comentários | Comentar

  1. 3 Carlos 03/06/2012 8:58

    Bom dia,

    O aumento no crédito do cheque especial significa que os salários não estão acompanhando a inflação, acredito eu que ninguém vai comprar um bem com juros do cheque especial pois para pegar empréstimo está muito fácil.
    O cheque especial é o complemento para suprir as necessidades das famílias.

    No Cartão de crédito há um misto de necessidade básica(pagar conta de supermercado no cartão de crédito para rolar a dívida ou outra necessidade qualquer) ou comprar um bem durável financiado sem juros.

    Já os financiamentos (cdc) podem ser para cobrir dívidas ou comprar bens.

    Existem dados oficiais no sentido de sabermos com que finalidade o brasileiro usa o crédito ?

    Responder
  2. 2 r.nunes 02/06/2012 9:20

    Caro Ricardo,

    Apesar da “melhoria” na concessão de crédito tem duas informações em sua coluna muito preocupantes: o crescimento dos créditos nas modalidades cartões e cheques especiais, justamente àquelas com as maiores taxa e portanto candidatas ao aumento da inadimplência e a persistência da inadimplência em parâmetros muito altos. É inimaginável a realização de empréstimos num cenário tão arriscado, o que obrigatoriamente levará a novo aumento da inadimplência e consequente aumento da taxa de juros.

    O esfriamento do pib, a despeito das medidas adotadas, como a redução da selic desde agosto/2011, não vem produzindo melhorias. Resta saber a partir de que ponto começará a comprometer o nível de emprego.

    Responder
    • Ricardo Gallo 02/06/2012 13:17

      vai comprometer sim, como ja mencionei nos posts anteriores…. porem concordo que eh uma aposta arriscada

  3. 1 Paulo Simões Diniz 01/06/2012 23:35

    E maio, trará surpresas? Crédito segue os desejos do governo ou o mercado puxa o freio de mão?

    Responder
    • Ricardo Gallo 02/06/2012 13:18

      vai depender dos bancos do governo……

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