Investimento produtivo e fluxo de capitais
Muita gente confunde o volume investimento real feito na economia com o fluxo de capital externo para financiar o investimento direto feito por empresas de fora. As pessoas confundem a super oferta de grana externa para financiar investimento com o volume de fato investido na economia. Vou simplificar um pouco para clarificar a situação, e já peço perdão aos economistas. Vou evitar considerações sobre renda e produto, para focar diretamente no amago da questão e simplificar a análise, com risco de cometer erros e ferir aos economistas.
Uma igualdade decorrente da contabilidade nacional diz o seguinte:
Investimento = Poupança interna Privada + Poupança pública + Poupança Externa.
Poupança Privada é aquela parte da renda ( Salários, aluguéis, juros recebidos, aposentadorias, bolsa família, lucros retidos por empresas, dividendos recebidos, etc) que não é gasta no consumo dos famílias. É o que sobra no fim do mês e é usado para aumentar suas aplicações financeiras ou para amortizar o saldo devedor de dívidas.
Poupança pública é o que sobra depois do governo arrecadar os impostos e pagar seus gastos correntes.
Poupança externa é o montante de capital que trazemos do exterior para financiar o déficit de conta corrente (excluindo as transferências).
O fato é : se a poupança privada não sobe pois o consumo privado não se reduz, se a poupança pública não sobe pois gastos públicos não caem, a única maneira de aumentarmos o investimento produtivo total na economia é através de aumentos da poupança externa que importamos.
A mesma contabilidade nacional define uma outra igualdade:
Poupança externa = Importações – Exportações + Rendimentos enviados ao exterior – transferências, ou seja, Poupança externa é igual ao saldo em transações correntes com sinal trocado, ou seja, quanto maior déficit externo maior poupança externa absorvida.
Logo, para aumentarmos nosso volume de investimentos precisamos aumentar nosso déficit externo, se não aumentarmos a poupança interna. Se quisermos aumentar a poupança interna ou aumentamos o produto ( mais tecnologia, maior crescimento da força de trabalho, mais produtividade), ou reduzimos consumo. Como nossa capacidade de crescer o produto é limitada pela escassez de mão de obra qualificada, de infraestrutura e de investimento privado, temos que financiar nossos investimentos ou com a redução do consumo ou com mais poupança externa.
O investimento total anual feito em nossa economia é da ordem de 20% do que produzimos. Aproximadamente 82% de nossa renda vai para o consumo e 18% para investimento. Logo, nossa renda não é suficiente para atender à nossa demanda por bens de consumo e ao volume de investimento produtivo que queremos realizar. De fato poupamos internamente apenas o equivalente a 18% do que produzimos, aproximadamente. Consumimos o equivalente a 2% do PIB a mais do que poderíamos se quiséssemos financiar os nossos investimentos somente com a poupança doméstica. Ou seja, precisamos captar dinheiro, poupança externa, equivalente a mais ou menos 2% do que produzimos, no exterior para financiar a conta, de tal forma que nosso investimento total se mantenha em a 20% do PIB. Estes 2% do PIB são o nosso déficit externo. Em 2011 tal déficit externo foi de US$ 52 bi.
Porém há um aparente paradoxo aqui. Em 2011 houve uma entrada de US$ 117 bi de investimentos estrangeiros no Brasil, sendo US$ 67 bi destes classificados como investimentos diretos nas empresas aqui. Logo, importamos uma poupança de 117 bi, certo? Mais ou menos.
DE fato importamos uma poupança de US$117 bi, porém apenas absorvemos US$52 bi destes 117 bi. O restante desta poupança farta que recebemos do exterior foi reinvestida no EXTERIOR. O fato é que a oferta de poupança externa que temos é maior do que conseguimos absorver aqui.
O BC foi o principal re-exportador de poupança importada. Ao comprar dólares no mercado para sustentar sua cotação, ele gera um excesso de caixa em US$ que é investido lá fora em títulos do governo americano que rendem 1% aa. Se o BC emprestasse estes dólares para empresas lá fora investirem no Brasil ou para empresas brasileiras investirem mais no Brasil, os US$ 117bi que recebemos do exterior aumentariam ainda mais, o que forçaria o BC a acumular mais reservar. O que determina a quantidade de dinheiro do exterior que de fato usamos aqui é o deficit externo e não o fluxo de investimentos vindo do exterior. No agregado é assim que funciona.
Mais ou menos US$ 21 bi desta poupança que importamos do exterior foi de fato reexportada por empresas brasileiras que investiram tal montante em suas subsidiarias no exterior. Isto mesmo, como tais empresas não acham investimentos aqui tão lucrativos, elas preferiram pegar seus R$ que estavam em seu caixa aqui e mandaram para fora para investir lá! São as multinacionais brasileiras, como Gerdau, Petrobrás, JBS, entre outras. Outros US$ 58 bi foram reexportados para fora pelo BC, para financiar os déficits públicos americano e europeu. Os dólares que são acumulados pelo BC em sua compra de divisas no mercado de câmbio são investidos em papéis que financiam os déficits públicos europeu e americano.
O quadro abaixo retirado do site de nosso BC mostra estes dados:
Os números aos quais me refiro no texto estão marcados aí.
Logo, o que define a quantidade de poupança externa que de fato absorvemos aqui, e que portanto não é reexportada, é o déficit externo. Quanto maior o déficit, mais poupança externa estamos absorvendo. Esta poupança é importada de diversas formas: como investimento diretos de empresas estrangeiras, empréstimos tomados junto a bancos e empresas internacionais, investimentos em títulos e ações no país, etc.
Resumindo:
1. Destes US$ 116 bi que entraram aqui, apenas 52 bi foram de fato empregados em suprir a deficiência entre poupança e investimento que temos. Ou seja, nossa renda precisa ser complementada por US$ 52Bi que vêm de fora para atender nossas necessidade de gastos com poupança e investimento.
2. Estes US$ 52 bi representam aproximadamente 2% do nosso PIB, ou aproximadamente 10% do total de investimento real feitos no Brasil por empresas nacionais, estrangeiras e governos.
3. Se o fluxo que vier do exterior for superior a este montante, nós não gastaremos esta grana aqui, mas sim a reexportaremos para o exterior.
E a conclusão é simples:
Para aumentar o Investimento, sem reduzir o consumo, e dada as restrições de mão de obra, de capacidade instalada e, principalmente, de infraestrutura, que limitam que nossa renda e produto cresçam a 3,5%aa, precisamos importar mais do exterior. Importar mais bens de capital, isto é, aumentar nosso déficit externo. Temos que exportar menos. E focar nossa produção para atender nossa demanda interna. O déficit externo assim criado seria financiado pela farta oferta de recursos que temos hoje, atraídos pelos retornos superiores que são obtidos aqui quando comparados com os que os estrangeiros conseguem lá fora. Isto um dia vai mudar. Precisamos aproveitar esta janela de oportunidade.
Com um déficit externo maior e com uma oferta abundante de capitais externos, importaríamos uma poupança que de fato seria reinvestida aqui.
Se reduzirmos o déficit externo e não aumentarmos nossa poupança interna, isto é, se NÃO reduzirmos nosso consumo, o nosso investimento PRODUTIVO não sobe. Trata-se de uma igualdade matemática e contábil. As pessoas podem xingar, bater, gritar, reclamar, teorizar, mas é assim que funciona na realidade comunista, capitalista, socialista, liberal, neo liberal, ortodoxa, heterodoxa, o que for!
Quem sabe com as taxas de juros menores os empresários vão aumentar seus investimentos, levando-os para 22% do PIB. Como nosso consumo não deve cair neste cenário de juros baixos, nosso déficit externo neste cenário iria para 4% do PIB e aí absorveríamos 100% da poupança externa que nos é oferecida e hoje parcialmente rejeitada.
Para que os empresários invistam mais, além de juros menores, precisamos de menos impostos, para que o retorno de seus investimentos aumentem, o que os motivaria a investir mais. O que gera mais investimentos são retornos mais atraentes para aqueles que investem, ou seja, a expectativa de mais lucros para os empresários que investem. Não é patriotismo. O que excita o espírito animal dos empresários é a possibilidade de um retorno maior nos seus investimentos.
Outra forma de aumentar o retorno dos empresários em seus novos investimentos é através da redução do custo dos bens de capital, isto é, reduzir o custo do investimento. Como há um excedente produtivo nas indústrias que produzem bens de capital na Europa, nos EUA e até mesmo na China, temos uma oportunidade única de importarmos bens de capital a preços competitivos, o que motivaria mais investimentos na nossa economia. Neste caso, um dólar mais barato aumentaria o volume de investimentos no país, na medida em que isto reduziria o custo do maquinário e da tecnologia importados, aumentando o retorno do investimento para os nossos empresários. Este dólar mais fraco aumentaria o déficit em nossas contas externas o que aumentaria a absorção da poupança externa que temos hoje em excesso e desperdiçada.
Sei que isto não é intuitivo, mas é assim que funciona.
PS: peço mais uma vez desculpa aos economistas pelas várias imprecisões de linguagem e de conceitos, porém achei melhor cometer este enorme pecado em favor de tornar os conceitos mais simples para os leigos, como eu. Peço aos alunos de economia que perdoem as minhas aproximações e simplificações, porém a didática requer as vezes tais simplificações e imprecisões conceituais.
Para quem quiser se familiarizar com os conceitos da contabilidade nacional, veja:
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20 Lauro 13/05/2012 20:26
Gallo,
Concordo, a desvalorização da moeda não passa de um subterfúgio de ultrapassar o problema da competitividade mas a fórmula apresentada (investimento forte na educação, reforma administrativa, reforma tributária, etc…) leva anos ou décadas.
A desvalorização da moeda deve ser uma medida temporária para enfrentar a “doença holandesa” que grassa na economia brasileira, mas o caminho é aquele que preconizas (investimento forte na educação, reforma administrativa, reforma tributária, etc…). Não há outro! Pelo menos, funciona nos países com uma sociedade com uma cultura anglo-saxónica ou asiática..
Olhem o caso de Portugal , Grécia, etc.. A aposta na educação e forte investimento em infra-estrutura mas suportados numa moeda forte (euro), não foram suficientes para criar uma economia competitiva. Estes países perderem competitividade e pior… estão “hiper-endividados”. Estes países continuaram a ter um Estado gastador e ineficiente, uma população desinformada e passiva, um sistema democrático ineficaz, obras públicas megalómanas sem retorno financeiro que não contribuiram para a competividade da economia, etc.
Sem puderem desvalorizar a moeda, atualmente, são obrigados (identidades externa obrigou: Troika) os países implementarem um conjunto de medidas e reformas impopulares que os governos eleitos jamais implementavam (redução de feriados, diminuição da despesa pública, reforma adiminstrativas, redução do salário,..)…
Ricardo Gallo 14/05/2012 12:53
bem, portugal,grecia, espanha, precisam de moedas mais fracas pois de fato nao conseguiram manter um ritmo de aumento de sua competitividade que compensasse a elevaçao de seus custos e salarios desde a entrada do euro, quando comparados com os alemaes…. de fato pode ser que seja tambem o nosso caso, que talvez tenhamos aumentado os salarios demais, acima dos aumentos de produtividade possiveis, e que portanto precisamos desvalorizar a moeda pra reduzir o poder de compra dos salarios….pode ser sim…. pode ser…porem eh um tipo de confisco da renda do trabalhador…..
19 Carlos 10/05/2012 14:29
Texto muito bom, concordo com quase tudo.
Mas o grande problema é que de um modo geral os Empresários querem lucrar como se estivéssemos no século 22 e pagar salários do século 19.
O governo também quer arrecadar como se estivéssemos 100 anos a frente e retorno social de 100 anos atrás.
E apostem, conforme aumento da expectativa de vida informada pelo IBGE, com certeza todos nós estaremos vivos no século 22 seremos verdadeiros Matusaléns. Viveremos 150 anos. Matusalém viveu 900 anos. (personagem bíblico).
Estamos caminhando em direção ao passado em termos de salários e benefícios sociais.
Obs:
1- As tarifas bancárias cobrem toda a folha de pagamento dos Bancos.
2-O lucro Brasil precisa ser repensado.
3- Não mexam no Dólar, a não ser que só os envolvidos aumentem os preços, mas isso nunca vai acontecer. Vai sobrar para os salários a conta.
4- Conforme o texto passado os juros reprimidos vão para o Divã, Juros reprimidos?
Quem vai para o Divã é o tomador de empréstimo.
5-” e dada as restrições de mão de obra” restrições de mão-de-obra?
6- A Educação é a solução ? Não é a solução é uma das soluções.
Vamos ficar uns 50 anos dizendo isso para justificar os baixos salários.
Parecido com aquela historia do bolo crescer para depois repartir. O bolo cresceu e aí ?
7-Serviços também faz o país crescer, os serviços também movimentam a indústria.
Se o cidadão tem uma linha telefônica ele compra o aparelho.
Se vai de taxi o motorista compra uma carro novo.
E assim vai………………………………………………
Ricardo Gallo 10/05/2012 15:35
1. sim. ha algo de estranho mesmo na eficiencia do sistema financeiro. apesar de tarifas e juros altos, os retornos sobre capital dos bancos nao sao excessivos. estao em linha com os retornos dos bancos chineses…..talvez os custos dos bancos no Brasil sejam elevados demais…. nao sei….
2. eh uma questao…porem sem lucro ninguem investe….. eu nao invisto! e se voce reduzir margens de lucro irah reduzir ainda mais o nivel de investimento… menos lucro implica em menos retorno que implica em menos investimento; eh o espirito animal do Keynes… capitalismo basico.
3. sem duvida!!!!!!!!!!!!!!!!!!
4. haha…. eu estava mencionando os juros do selic…. e a repressao dos spreads…. mas tu tens um ponto! divan, para quem nao conhece psiacanalise, eh onde o paciente se deita para ser analisado pelo analista…logo, quando me referi ir ao diva, quis dizer: a repressao financeira deste governo posta em analise. soh isto…. porem de fato eh um conceito bem especifico da psicanalise… desculpe a metafora.
5. sim, temos falta de mao de obra em varios setores. o desemprego no brasil esta no seu nivel mais baixo dos ultimos 30 anos. falta gente em diversos setores. salarios crescem bastante. por ex: rendimento real ( acima da inflacao) dos trabalhadores na construcao civil subiu 12% aa no primeiro tri e ocupacao ( numero de cara trabalhando no setor) subiu 6%. falta sim mao de obra qualificada no pais. fale com dono de hoteis, restaurantes, construtoras, empresas de manutencao em geral, petrobras, vale do rio doce, etc. ha, contudo, uma massa importante de gente que estah sem ocupacao vivendo as custas dos programas assistencias do governo ( importantissimos), gente que nao tem a qualificacao necessaria para conseguir os empregos mais valorizados…. se nao houvesse escassez de mao de obra, voce acha que empreiteiro estaria dando aumento de 12% real a seus peoes??? meu amigo, dono de construtora nao eh tao bonzinho assim nao….
6. dr, desculpe, mas salario eh funcao da produtividade…. e gente educada ganha mais que gente nao educada.. ha inumeros estudos sobre osto..ja mencionei um trabalho do samuel pessoa nesta linha…… eh assim no mundo todo….
e o bolo de fato cresceu, e os brasileiros compram mais carros, celulares, televisores, micros, apartamentos, como nunca compraram em 30 anos de historia!!! mortalidade infantil caiu pacas! mudou sim… e muito. o bolo cresceu e a renda do povo subiu e o consumo subiu muito!!! ande pelas estradas. veja qta gente tem seu carro hoje!!! veja o numero de pessoas hoje que podem viajar nas ferais ao nordeste! ate mesmo ao exterior!! mudou e mudou mesmo. em 95 o salario minimo re4presentava 10% do salario minimo ideal, segundo diese. hoje representa 27%. eh pouco ainda mas melhorou. ganhos sustentaveis de salario soh vem com aumento de produtividade…. soh. ou com revolucao socialista….eh assunto pra outro blog.
7. sim. sem duvida. e um unidade produto ( um real em valor agregado) gerado no setor de servicos gera 3 x mais emprego do que uma unidade de produto ( um real de valor agregado na industria) na industria… ninguem leva isto em conta…. ou melhor, industriais nao levam em conta isto quando imploram um cambio mais desvalorizado….
18 Wilson 09/05/2012 22:55
A solução está com o governo pois uma reforma administrativa realmente eficaz geraria aumento da poupança pública e a reforma tributária aumentaria a poupança interna privada. PIB virando a 6% !! Quem sabe um cadinho mais?
Ricardo Gallo 10/05/2012 13:20
sim senhor.. perfeito!!!
ai poderiamos reduzir a importacao de poupanca externa, o que implicaria um real mais desvalorizado!!!
porem precisamos aumentar a renda do trabalhador e lucro das industrias, o que se faz com aumento de produtividade e mais investimento de capital em novas tecnologias!!!
17 Doug 09/05/2012 19:46
Ricardo, concordo com boa parte de sua analise mas existe o problema de timming. HOJE o Brasil não tem como competir com manufaturados importados, e o unico remedio a medio prazo (coisa de 5 a 10 anos) é dolar mais alto e isenções fiscais em áreas especificas como maquinário por exemplo.
Não é em 5 ou 10 anos que vamos ter uma população com alto grau de educação, e se começarmos AGORA a investir pesado em educação só começaremos a ver os resultados daqui 10 anos. Se começarmos AGORA a discutir a reestruturação do sistema de tributação tambem ira demorar ao menos 5 anos antes de se conseguir a sua implementação.
E nesse meio tempo não dá para jogar nossa industria ao deus dará. INFELIZMENTE temos de ir tapando o sol com a peneira, e torcer para que as atitudes realmente necessárias se iniciem o mais breve possível – se bem que tragicomedicamente (inventei a palavra agora?) nossos politicos ainda estão “só no discurso”.
Reforma tributária era para ontem e educação era para ante-ontem mas como não podemos voltar no tempo, nos resta ter “esperança” que as coisas finalmente iniciem a tomar o rumo correto, eu sou otimista e vejo luz no fim do tunel ainda. Alias (um adendo) sobre educação, vi recentemente uma interessante reportagem na Globo News monstrando entre outras coisas que as crianças em Taiwan (salvo engano) tem aulas de educação financeira desde pequenas, algo impressisonante a boa qualidade de ensino lá.
O ponto que discordo lendo seus comentários é sobre a parte de serviços. O Brasil, por suas riquezas e tamanho territorial continental tem vocação para país produtor – não o é apenas por falta de governança, ontem e hoje. Serviços tambem tem grande importancia como geradora de valores mas vejo como algo que deve crescer junto com produção, para atender a ela e a riqueza (povo) produzido por ela. E nunca teremos serviços de “qualidade europeia” sem gerarmos riquezas que os justifiquem, é aquela estoria de que paga-se bem para ter um bom serviço, mas tem de ter $$$ para poder pagar. Haja visto o exemplo dos EUA, que nas ultimas decadas foi perdendo o foco na produção e agora está tentando reverter o quadro – acho que é um bom case para avaliarmos o que não deve ser feito aqui – sem esquecer que as maquininhas de fazer dolar estão lá.
Ricardo Gallo 10/05/2012 13:05
concordo com o tempo de maturacao, porem eh a realidade. o fato da vida é que existe uma igualdade contabil que tem que ser respeitada o tempo todo:
investimento = poupanca externa + poupanca das familias + lucro retido das empresas + pouapnca do governo
e
pupanca externa = deficit externo
o meu ponto foi:
1. como queremos que empresas privadas invistam mais e aumentem sua capacidade de producao, temos que aumentar lucros retidos
2. como nao baixamos gasto publico e nao podemos aumentar mais os impostos, poupanca publica nao sobe;
3. como nao queremos permitir aumentos de importacoes e queremos proteger exportacoes, subimos o dolar, o que reduz deficit externo e reduz poupanca externa importada e realmente usada aqui….
logo, dadas restricoes colocadas acima, para aumentar investimento deveriamos diminuir consumo das familias , agora, jah, neste momento, neste minuto…. ai eh que o problema.
se nao respeitarmos as restricoes acima e insistirmos em aumentar o preco do dolar sem alterar os outros componentes da equacao, vamos colher inflacao…. é teoria economica basica…..
quando a questao das dimensoes, eu discordo…. eua eh grande e tem uma economia de servicos e koreia e taiwan sao pequenas e eh industrialis, australia eh grande pacas, e tem servicos e recursos naturais somente…
temos muitos recursos naturais, dificilmente teremos uma manufatura que seja tao produtiva e competitiva externamente qto ao agro negocio e a extracao mineral…
ha uma enorme vantagem nos recursos naturais que temos, e uma baixa vantagem comparativa na capacitacao atual de nossa forca de trabalho quando comparada com a de outros paises…. vide falta de mao de obra qualificada que ja temos hoje com nosso pib crescendo 3.5%aa!!!
enquanto nao equlibrarmos as vantagens competitivas que temos nos recursos naturais com a capacitacao de nossa força de trabalho, seremos um enorme exportador de recursos basicos, pois deus nos deu uma vantagem competitiva enorme neste setor, que usa muito, muito capital e emprega muito pouca gente… assim, a manufatura vai sempre ficar em segundo lugar.. e vai sofrer com isto… Hoje o emprego que é destruido na manufatura esta se transferindo para servicos e construcao civil, que abosrvem o excedente e um pouco mais…
segundo ponto: nenhum pais industrial consegue se viabilizar com um nivel tao baixo de poupanca interna…. e compare nosso nivel de poupanca interna com os do japao, alemanha, koreia, singapura, taiwan, china, chile, ate mexico…. temos uma poupanca interna mais similar a americana do que a chinesa…. incrivel, mas eh assim.
logo, entendo sua angustia com os desafios de nossa industria, porem o fato é que a situacao vai ficar dificil para industria enquanto nao tivermos um choque de produtividade e aumento da poupanca interna…. senao, quanto mais voce desvaloriza o cambio, mais soja iremos produzir, mais minerio, mais petroleo, e mais dolar vai entrar para investir nestas industrias, o que derrubarah o preco do dolar e a manufatura se ferra mais….
estive com o presidente da empresa estatal de prospeccao de petroleo chinesa que ja enfiou 10 bi neste setor no brasil….. e nao conseguimos ter uma fabrica chinesa de carro no brasil…por que serah??? tanto o petroleo como o carro esta sujeitos ao mesma taxa de cambio….
infelizmente deus nos deu terra, agua e sol em quantidade e qualidade….mas nós nao estamos conseguindo fazer nossa parte …. eh a vida….
ps: eu acho que o principal fator da desindutralizacao no brasil nao seja o cambio, mas foi o aumento na demanda naquilo que realmente fazemos bem melhores que os outros…. acho que foi samuelson que falou algo sobre vantagem competitiva e especializacao no comercio internacional…..
ainda quanto ao tamanho, nossa populacao é 1/6 da populacao da india ou da china, logo nunca teremos a escala domestica de producao que eles terao…. eles tem uma vantagem competitiva: uma oferta enorme de mao de obra barata, e um mercado consumidor enorme… ja se vende mais carro na china do que nos eua…. e o mercado que mais cresce em venda de ipad no mundo é a china….
uns sao bons em golfe, outros em basquete, outros futebol….
16 Lampião 08/05/2012 22:30
Ricardo. O problema da indústria nacional é o comportamento do empresariado que ainda data da década de 90. Quem quer crescer enxerga mão de obra como investimento. Eu cito pelo menos 3 grandes corporações que operam de forma amadora na Bahia, deixando de faturar, elevando custos operacionais com as péssimas instalações, reduzindo os lucros. A mão de obra desqualificada, nesse caso, está restrita às Diretorias desses negócios, e não nas bases operacionais. E o pior: não vejo perspectiva de mudança. Ao contrário: centraram mais head quarters em SP como alternativa de redução de custo (balela isso), enxugando ainda mais as bases operacionais na Bahia. Detalhe: eu sou apenas um mero cliente dessas benditas organizações. De vez em quando olho para os postes e vejo que o subdesenvolvimento está no comportamento do investidor nacional, e não somente no governo.
15 Ricardo Motta 08/05/2012 19:29
Caro Gallo,
Chega a ser engraçado se não fosse trágico.
Durante meses, TODOS, economistas, empresários, imprensa, reclamaram do real valorizado. Eu acompanho programas como conta corrente da Globo News e afirmo que nenhum convidado defendeu o real supervalorizado, mesmo sendo óbvio que essa defasagem cambial arrefecia a inflação e a favorecia a importação de bens de capital. Obviedade que muitas vezes era omitida.
Pois bastaram 02 meses de alta do dolar e já está todo mundo falando dos perigos de um dolar mais caro.
E lá vamos nós de novo. Só mudou a direção, mas o desfiladeiro continua proximo.
Para quem gosta de sofrer na véspera, é um prato cheio.
Me desculpe, não é nada pessoal, sou leitor assíduo da sua coluna, mas essa mania de que o Brasil vai acabar amanhã, que tudo vai dar errado, é um grande saco. E a nossa querida imprensa adora, quem assiste, lê e escreve comentários vibra.
Fazer o quê, quanto mais estudamos, mais diplomas temos, mais discrentes do Brasil nos tornamos.
Já fazendo pilhéria com seu otimo texto, um provavel efeito colateral da melhor educação do povo brasileiro pode ser que todos resolvam se matar ou fugir do País, pois só o nosso povinho mal educado parece acreditar nele.
Brincadeiras a parte, concordo que o aumento da produtividade, fundamentado em uma melhoria na educação básica, é a única solução consistente para os nossos problemas. E adiciono um tempero de confiança e autoestima.
Continuarei a ler o seu texto, pois me fazem pensar, eos comentários são muito interessantes, um ótimo retrato dos brasileiros educados.
Cuidado com que almejas, pois pode ser que consigas.
Forte abraço
Ricardo Gallo 09/05/2012 11:44
desculpe mas nao disse que o brasil vai acabar amanha. soh estou dizendo uma verdade contabil. que vai ser resolvida de uma forma ou outra. vai ser. espero que da melhor forma, com menos impostos e com mais educaçao…
eu acho que nosso sistema de educacao pifio e nossa produtividade ridicula, mas respeito sua opiniao contraria. e os dados de varias pesquisas mostram isto. varias. e a culpa nao eh de nosso povo sofrido, mas das elites que preferem por o cambio na lua, encarecendo importados e protegendo industrias ineficientes do que de fato encarar o problema e gastar em educacao . porem desde o regime militar destruimos o ensino basico e o fundamental neste pais.
sou educado sim, tive sorte. educado em boas escolas. ai eu aprendo contabilidade e ate dei aula….
tive uma sorte que nem todos brasileiros tiveram. uma pena… porem defendo que a melhor educacao de nosso povo nao eh soh bacana, bonito de ter, mas acredito do coraçao que isto iria permitir que nossa industria ficasse mais competitiva. koreia eh assim,. china eh assim…. japao, suecia…onde o nivel educacional eh maior, a industria eh melhor….alemanha eh assim.
agora, nossa elite empresarial prefere ter um povo mal educado e um cambio mais caro…. de fato eh mais facil assim… para eles.
14 Adão 08/05/2012 18:33
O mercado de serviço não gera riqueza, não gera produção, ele apenas faz as moedas trocarem de mão, as pessoas gastam em serviço o dinheiro que ganhou na industria.
Pais algum fica rico com serviço, o que interessa é exportar!!!!!!!!!!!!!!
Nem que seja mulher bonita.
Ricardo Gallo 09/05/2012 12:12
PS#: PERGUNTE A AEROMOÇA, AO PILOTO DO AVIAO, PERGUNTE AO GARÇON, PERGUNTE AO ADVOGADO, A SUA EMPOREGADA DOMESTICA, AO MOTORISTA DO ONIBUS, PERGUNTE A ELES SE ELES NAO GERAM PRODUTO? E DIGA QUE ELES NAO GERAM RIQUEZA…. QUE É TUDO UM BANCO DE PARASITA SOCIAL…. PELO AMOR DE DEUS!!! FAÇA ME O FAVOR!
Ricardo Gallo 09/05/2012 11:50
ps: proxima for que o sr for a um medico, hospital ou usar celular, ou for ao barbeiro, diga isto aos profissionais que trabalham nestes lugare…. diga que eles nao geram produto…e diga tambem a todos professores do pais, a todas escolas…e pro dono da farmacia… do supermercado, da mecanica que arrumou seu carro, ou a seu dentista, ou para empresa que esta hospedando este site, a IG…
Ricardo Gallo 09/05/2012 11:45
pelo amor de deus!!! nao acredito que voce ache isto….pls leia livros de economia,,,,,,
se fosse assim os eua nao seriam o pais mais rico do mundo…. nem a suiça seria ….
pelo amor de deus!!! viji!
13 Jânio da Silva Justo 08/05/2012 18:17
Troca-se em miúdos, gastar mais do que ganha, vai para o brejo mais cedo ou mais tarde.
12 Adão 08/05/2012 18:13
Sr. Gallo, empresario não precisa de poupança interna, de governo ou de poupança externa, tudo que ele precisa e de alguem que compre o seu produto, e quando melhor o consumo, melhor para o empresario, melhor para o governo e melhor para o pais: o reto é balela, conversa fiada de quem nunca entrou numa industria.
Ninguem investe, na empresa ou no pais, se não tiver certeza de que terá demanda para o seu produto.
Obrigado
Ricardo Gallo 09/05/2012 11:47
doutor, a demanda esta ai. e o que mostrei sao igualdades economicas….é como matematica…1+1=2…nao da 3, por mais que voce queira….
sua visao eh de quem de fato esta de olho nos intersses dois empresarios da industria..pergunta pro pessoal do setor de saude se eles estao tristes…. se os hospitais preferem importar equipamento com dolar a 1.70 ou a 2????
11 luiz aubert neto 08/05/2012 18:06
Ricardinho….rs
Eu não estou dizendo q o cambio é a unica solução, a premissa basica é a educação, por isso nem toco nesse assunto diretamente, pois qdo defendo uma industria local moderna, atualizada, é logico q sem educação ela não vai existir, como exemplo cito a Embraer, q só foi possivel graças ao ITA ( a educação veio antes!!) e de alguns malucos beleza q fizeram com q o governo acreditasse nessa ideia, e somente hoje em TI eles tem mais de 3.000 engenheiros!! e graças ao BNDES q financia toda a venda da EMBRAER com juros equalizados ( sem O BNDES não existiria mais a Embraer!!) Se temos uma Embraer, podemos ter qualquer tipo de industria!! é só ter uma politica industrial, baseada no tripé do bem. Agora como podemos ter quase 60% das reservas de minerio de ferro do mundo e somente 2% da produção de aço mundial? Como podemos ser um pais rico em reservas minerais e o deficit da industria de transformação em mais de US$ 90 Bilhões somente o ano passado? O cambio é sim um dos principais fatores desse processo de desindustrialização avançado e precoce q está ocorrendo com o Brasil!!
Ricardo Gallo 09/05/2012 12:02
ps EU, NA FISICA, TO ADORANDO VER ESTE DOLAR SUBIR…SUBIR…HEHEHE…. TO LONG..BIG TIME.
Ricardo Gallo 09/05/2012 12:02
caro luizinho aubertinho netinho,
soh temos uma embraer por causa do ita…. a melhor escola de engenharia das americas… depois da minha poli, eh claro….
sabe que 70% das peças de um aviao sao importadas? sabe o que um cfo da embraer me disse sobre a influencia da taxa de cambio na atividade dela: nenhuma. sabe o qual o ciclo de investimento num aviao? 5 a 10 anos… voce acha que o cambio faz de fato alguma diferença para embraer num ciclo tao longo? e para toyota? o yen valorizou-se… saiu de 300 yen por dolar nos anos 70 para 80 recentemente….e o japao ainda tem saldo comercial positivo, ainda produz carros excelentes, eletronicos excelentes, maquinas, etc…
dolar fraco esconde ineficiencia… eu nao quero inflaçao!
bndes: sem ele nao existiram cerca de 100% das grandes empresas brasileiras….
o cambio é um dos principais fatores: soh vai piorar entao, pois quando a petroibras comecar a bombar o petroleo que tem la embaixo, vais ver o que eh cambio barato… hehe… eles nem começaram…. e quando o eike eentao entregar o que prometeu de oleo e mineiro…viji… e com aprodutividade agricola subindo do jeito que esta, meu deus… a manufatura vai sofrer e muito… haja bc….